Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 3 semanas
Neste 18º episódio, Grijó deu continuidade ao bate-papo com Lucas Jacques, autor e editor de fanzines.

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:01Começa agora, Vitrine Literária, com o professor e escritor Francisco Grijó.
00:07Tudo sobre literatura contemporânea, temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
00:19Olá pessoal, tudo bem? Mais uma edição do Vitrine Literária, aqui na TV Vitória, podcast e na página de vídeo
00:28do Folha Vitória.
00:31Bom, essa é a penúltima edição do ano de 2022.
00:35Nós teremos uma última edição, certo?
00:38E depois nós voltaremos com novas atrações a partir de fevereiro, o mês de janeiro, o mês de férias para
00:46todos, inclusive para mim.
00:48Então, no mês de janeiro nós não teremos edição alguma, mas vocês podem, claro, acessar todas as entrevistas anteriores, né?
00:59Muitas delas são com poetas, outras são com prosadores, outras são com editores, etc.
01:06Por falar em editor, eu quero primeiro levantar uma bola para vocês.
01:11Vocês sabem o que vem a ser poesia marginal.
01:14Todo mundo já ouviu falar nisso.
01:16Todo mundo entende que poesia marginal não é poesia de bandido.
01:19Não é poesia de marginal.
01:21É uma poesia que está à margem, que surge no Brasil nos anos 70 e que estava à margem de
01:27quê?
01:28À margem do sistema editorial.
01:30Ou seja, o sistema editorial, ele funcionava da seguinte maneira até 1970.
01:37Ele funcionava como um indivíduo que iria editar seu livro, levava o seu livro até o editor.
01:42O editor, então, gostava do livro, ou não gostava, se não gostava, ele recusava o texto.
01:48Se ele gostasse do texto, ele iria editar.
01:50Ele, então, entraria num acordo com o autor e cada um teria um determinado percentual.
01:57Mas quem produziria o texto seria justamente o editor.
02:01E, claro, ele ficava, então, por conta da distribuição, da capa, do miolo, da diagramação e assim por diante.
02:08É assim que funcionava até 1970, até o surgimento de um grupo de jovens que resolveu,
02:15por uma série de questões políticas, financeiras, ideológicas, culturais, por uma série de situações,
02:24um grupo de jovens, geralmente nas cidades maiores, como Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo,
02:30Espírito Santo, inclusive, no caso de Vitória,
02:33alguns jovens resolveram fazer com que a literatura chegasse ao público de forma diferente da forma tradicional.
02:42E, então, surgiram os poetas marginais.
02:45Surgiu a geração mimeógrafo, famosa.
02:48Surgiram os poetas que escreviam nas paredes, que é o autêntico grafite italiano, né, dos anos 40.
02:54Surgiram indivíduos que começaram a fazer uma literatura oral, uma literatura que ia para as praças,
03:00que fazia a literatura se aproximar do público.
03:04Eu entrevistei, há algumas edições, um grande poeta chamado Estel Miranda, que alguns de vocês devem se lembrar.
03:12O Estel, eu conversando com ele, nós conversando sobre essa literatura,
03:18essa literatura independente, essa literatura que consegue fugir do esquema tradicional de editora, distribuição, etc, etc.
03:31Veio ao papo um nome interessantíssimo que eu quis conhecer, não conhecia, mas quis conhecer, falei para Estel,
03:39Estel me deu as coordenadas e o resultado dessas coordenadas está aqui diante de nós.
03:46Um indivíduo chamado Lucas Jaques, também conhecido como Banto.
03:51O Lucas, ele é um editor e ele trabalha, além de poeta, além de criador, ele é também o editor
03:59de uma edição alternativa
04:04no que diz respeito à produção literária.
04:06Ele é o editor da Artivista.
04:08E nós vamos justamente conversar aqui hoje sobre um assunto que me interessa particularmente.
04:15Eu gosto muito de estudar essa poesia contemporânea e que foge desse esquema habitual de produzir,
04:27levar para a editora, o editor então negocia, o editor edita, o livro é distribuído e ponto final.
04:34Então nós temos aqui o Lucas para falar justamente sobre o que é colocar a mão na massa
04:40e trabalhar com artistas independentes, numa editora independente, num país em que se lê pouco.
04:48Tem esse dado.
04:49É importante.
04:50Então, Lucas, seja muito bem-vindo.
04:53Muito obrigado por você estar aqui, você tem aceitado o convite.
04:56Valeu mesmo.
04:57A você e o Estel, muito obrigado aí.
04:59Não, tenho certeza de que as pessoas que vão ouvir a gente vão agradecer no final.
05:04Lucas, eu quero saber de você o seguinte, o que é esse projeto dessa editora Artivista?
05:09Como é que ele surge e qual é a penetração dele?
05:14Quer dizer, ele chega a quem?
05:18A que tipo de leitor?
05:20O projeto da editora Artivista nasceu no ano de 2018, a partir de um edital de incentivo à cultura,
05:27edital estadual, o 006, de incentivo à leitura, perdão.
05:32Eu propus montar uma editora específica num formato de zine,
05:38dessa folha A4 dobrada, o primeiro formato padrão que eu comecei a trabalhar.
05:43Isso propondo a eles lançar por volta de 20 poetas.
05:47Mas aí ficou um negócio grande, o Estado conversou comigo, ficou legal, conseguimos diminuir para 10.
05:52E aí, puf, botamos a editora.
05:54Comprei os equipamentos, com a verba do governo, tudo junto, prestadinho.
06:00Atendemos 10 poetas.
06:01Só que aí que vem a surpresa.
06:02Quem são os poetas?
06:03Eu esperava que seriam os poetas que eu estava lá nos movimentos de islã, nos movimentos de sarau.
06:09Não, era o pedreiro, era o vendedor de coco, da orla de coqueral.
06:15Eram pessoas aleatórias de um menino, um jovem de 16, 15 anos,
06:19que é totalmente privado pela família, das coisas que ele escreve, das coisas que ele gosta.
06:24Então, ele foi lá e publicou meio que proibido.
06:28Então, foram esses os pontos que atingimos.
06:30E, pra nossa surpresa, quando a gente entrega, assim, não só o trabalho pronto pra eles,
06:37mas também uma grande quantidade de cópia, legal pra eles distribuírem, dar a vontade pras pessoas.
06:41Que é essa energia que eu tentei passar pra eles.
06:43Mais do que só comercializar o seu produto, porque o fanzine é um produto pro poeta de rua, né?
06:50Quando a gente vem pra cena dos islãs, a galera, ele tem um produto físico pra vender
06:53e tá, de alguma forma, ganhando renda com isso, com a sua arte.
06:58E aí, eles pegaram aquilo e muitos deles não tinham essa de vender, fazer o dinheiro.
07:04Então, aquilo virou como o presente mais íntimo pras pessoas que elas gostavam,
07:09porque ali estavam os textos pra aquelas pessoas que elas gostavam.
07:12Ali estavam as pessoas comuns falando pras pessoas comuns e dando o zine pras pessoas comuns.
07:17Tanto que muitos deles não estão em circulação à venda.
07:19Mas sim, também tivemos as parcelas dos poetas, que realmente foram, botaram na rua, venderam,
07:25pagaram o seu rolê, foram pro islã brasileiro e aí foram lá.
07:30Como é que paga o rolê? Como é que vai morar? O que vai comer?
07:34O zine foi, ajudou.
07:35Como eu também tive essa oportunidade, graças ao Estel Miranda,
07:38que pelo projeto dele, ele produziu o meu primeiro zine.
07:41E foi a partir dele que aí começou a aventura.
07:43Maravilha. Mas me diga uma coisa.
07:46Primeiro que isso me causa uma surpresa muito boa.
07:50Saber que o zine, o primeiro zine, né?
07:54Ele não é sustentado apenas por pessoas que já fazem poesia.
08:00Mas por indivíduos que você não esperava também.
08:03Pedreiro, como você falou, o menino.
08:04Mas a minha pergunta é a seguinte.
08:08Vamos pra questão estética.
08:11Certo?
08:12Qualquer um pode aparecer no zine?
08:16Qualquer um pode ter seu trabalho representado no zine para ser divulgado?
08:20Ou a editora artivista tem um conselho editorial que diz
08:24esse aqui pode, esse aqui não pode?
08:27A gente nunca recebeu tantas ofertas maiores do que a gente poderia atender.
08:32Então, fui lá, fiz o projeto, como eu disse.
08:35Foram 10 contemplados, mas aí 12 enviaram.
08:38Foram dois a mais.
08:4012 foram, tiveram 100%.
08:42Então, todos que chegaram até nós tiveram suas publicações, sim, feitas.
08:47E eu acho que é disso.
08:49A gente é bem sensível, sabe?
08:50A gente, todo mundo pode chegar, pode vir.
08:53A gente vai produzir.
08:54Vou tentar com o maior carisma possível entender o seu texto.
08:56e com leves imagens, leves coisas que impactam, coisas que representam aquilo que você queira falar,
09:04que vai tocando, dando delicadeza às páginas, à capa.
09:08E isso sempre em conversa com o poeta ou com a pessoa que não se considera poeta, né?
09:12Muitas dessas vezes.
09:13Para que fique do agrado dela.
09:16E é isso mesmo.
09:17Todo mundo pode.
09:18Todo mundo.
09:18Certo.
09:19Mas você é o editor do Artivista, mas você não faz todo o trabalho.
09:24Por exemplo, eu li os índices que você me mandou, que você me enviou.
09:29Inclusive, tem alguns aqui que eu reproduzi, né?
09:33Para poder mostrar para vocês.
09:36Há um trabalho de imagem muito forte.
09:39Há um trabalho artístico, plástico, muito forte.
09:43Quem é que trabalha com essa parte plástica?
09:45É você também?
09:46Sim.
09:46Você trabalha com a parte poética e com a arte plástica?
09:49A editora, na verdade, é uma empresa de uma pessoa só.
09:52E eu faço tudo dentro dela ali.
09:56No início, eu tive ajuda de mais duas pessoas.
10:00Mas, principalmente, o Estel foi, na verdade, quem me ensinou a mexer na plataforma.
10:03Mas, a partir dali, as pessoas se tornaram muito ocupadas com as coisas.
10:06Eu falei, não, eu vou tocar essa.
10:07Eu vou tocar.
10:08Eu tenho gosto.
10:09Eu tenho meus horários.
10:10Pô, chega um horário da madrugada certo, produtivo, que eu estou com o texto lá da pessoa.
10:14Eu gosto desse momento.
10:16E tudo isso é comigo.
10:17É uma busca na internet mesmo, atrás da capa.
10:22Está escrito de onde veio as imagens.
10:23São arquivos de internet muito buscados com bastante carinho, né?
10:27E aqueles que são permitidos para a gente pôr.
10:30E bem nos detalhes.
10:31Não é algo muito extravagante.
10:32A não ser quando a gente vê as capas e contracapas, que a gente tenta o máximo possível pegar a
10:36identidade do que a pessoa propôsse.
10:38Você extrapolou a questão do bairro, né?
10:40Você trabalha na Barra do Jucu, certo?
10:44Mas você faz um trabalho estadual.
10:47Sim.
10:47Estou errado?
10:48Não.
10:48O atendimento foi maior que a Grande Vitória, desde o primeiro projeto.
10:51Como é que você se fez?
10:54Porque eu acho que isso interessa também, não só ao Vitrino Literária, mas eu acho que interessa também a uma
11:00rapaziada que não sabe por onde começar.
11:03Você já deu um grande passo.
11:06Você já está lá na frente.
11:07Assim como o Estel ajudou você, eu tenho certeza que você vai ajudar quem quiser entrar nesse caminho.
11:12Mas a questão é, como fazer o Zine ser conhecido fora da sua bolha?
11:20Fora da...
11:20Como é que você fez para que o seu Zine pudesse sair da Barra do Jucu?
11:27Para ser sincero, na verdade, eu acho que é difícil dizer que o Zine esteve na Barra do Jucu.
11:33Na verdade.
11:34Ele se encontra mais fora do que tudo.
11:36Eu tive uma oportunidade no ano de 2017, como eu disse, a editora nasceu em 2018.
11:41Em 2017, eu fui o primeiro poeta capixaba a representar na FLUP, a Festa Literária das Periferias, no Vidigal.
11:47Maravilha.
11:48E lá eu pude levar o meu Zine, que o Estel produziu.
11:52E quem editou...
11:53O Estel estava a cabeça do projeto, mas quem editou e diagramou foi o Timóteo.
11:57Timóteo André.
11:58Deixar o salve para ele.
11:59Uma grande pessoa.
12:00Valeu.
12:01E aí, nesse rolê que eu levei o Zine, eu já tinha mais ou menos um tempo que ele estava
12:07publicado
12:08e eu percebi o impacto que ele causa fora a dentro da sua casa.
12:11E são bem diferentes.
12:13Tipo, ah, no meu bairro lá, apesar de ser um bairro cultural bem conhecido,
12:16ele quase não foi comercializado por lá, a não ser pelas pessoas que já são amigas
12:20há bastante tempo.
12:21Já fora, ele gerava uma renda que eu não acreditava que dava para ganhar com aquilo.
12:26Pagava o dia tranquilo, realmente.
12:27A hospedagem, a alimentação, a bebida, tudo, tudo para ficar tranquilo, bem à vontade.
12:34Eu pude ficar lá no Rio de Janeiro, além do que eles já pagaram tudo,
12:38aí minhas coisas por fora, pelo meu Zine.
12:40Então, nesse rolê do comércio, ele se encontra mais fora do que dentro de casa.
12:46Principalmente aqui no nosso estado, é muito difícil, real, alcançar essas pessoas normais.
12:53Essas pessoas normais, as pessoas do dia a dia, né?
12:55Essas pessoas que estão no busão, pá.
12:56A gente tem uns poetas de busão, a galera vai e tenta vender dentro dos transportes públicos,
13:02a galera do trem lá em São Paulo, esses mesmos esquemas.
13:07Mas mesmo assim ainda não é muito receptivo, sabe?
13:09Porque é, pô, a pessoa compra um alimento, compra isso, compra aquilo.
13:12Então você tem que saber impactar.
13:13E como eu vou causar?
13:14Então, tipo, eu não vou conseguir vender um Zine se eu simplesmente chegar e ofertar só o Zine para a
13:18pessoa.
13:19Eu tenho que ter uma performance, eu tenho que ter um jeito de tocar,
13:22um jeito de melhorar o dia, mudar o dia daquela pessoa.
13:25E aí sim, o Zine vem como uma lembrança daquele momento, daquela performance.
13:31E dali ele toma o seu valor.
13:33E o valor dele é totalmente simbólico, pelo menos quando eu saio às vendas.
13:38E eu acredito que se uma pessoa realmente queira ler, se ele tiver um real ou nada no bolso,
13:43ou tiver algo para trocar, qualquer coisa, é o valor dele.
13:46É, mas aí nós entramos numa questão mais polêmica, né?
13:49Que é a seguinte, nós temos um programa de literatura.
13:54Então, nós sabemos que literatura é linguagem.
13:57O Zine, ele não é só literatura.
14:00Ele é como você mesmo disse, ele extrapola isso aí.
14:02Ele é estética, ele é visual, ele é a maneira como se apresenta,
14:10ele é o mensageiro, o cara que leva o Zine, né?
14:14Então, a parte positiva, o resultado do Zine, não é uma questão somente literária.
14:25Certo? Ótimo.
14:26Eu pergunto a você o seguinte, como você acha que a academia,
14:32quando eu falo é academia, eu falo é a universidade,
14:35são os grandes pensadores, são os grandes críticos, os grandes teóricos,
14:39que lá atrás, lá atrás, condenaram a poesia marginal.
14:46Houve grandes pensadores, como Alfredo Bose, como Antônio Cândido,
14:51que disseram, olha, a poesia marginal tem um valor, um valor social,
14:57mas não tem um valor estético, no sentido de que esteticamente não era uma grande coisa.
15:03Certo?
15:05Eu tenho uma percepção, eu li, eu li os textos como professor e como leitor,
15:11e achei os textos esteticamente muito bons.
15:14Principalmente o dessa mocinha aqui, Mikau Bragança.
15:19Um abraço para você, Mikau.
15:21Eu não conheço você, mas se você quiser um dia vir aqui, vai ser muito bem-vinda.
15:26Como é que você tem percebido o olhar da academia sobre esse movimento de vocês?
15:34É bem complexo, né?
15:36Porque a gente vê pessoas que olham bem e pessoas que olham mal,
15:39como em todo ambiente.
15:40Mas, no geral, a academia não teve tanta participação, assim, direta no...
15:49Como eu posso dizer?
15:51Eu não tive quase nem poucos contatos com a galera da academia.
15:56Chegando, o que eu tive melhor foi com a doutora Eloá Carvalho, da UFIS,
16:01de Letras Portugueses.
16:02Ela conseguiu levar a minha poesia para um rolê de tradução de línguas ali.
16:10A galera já foi para outras línguas.
16:11Ela levou lá um simplório, que foi feito.
16:15Ela levou tanto o meu poema, mais de dois poetas lá da área.
16:18Traduziu, foram três, quatro línguas.
16:20Foi parar no livrinho lá, o negócio foi produzido.
16:23Então, essa galera que se aproximou e se aproximou com boas propostas,
16:27pô, a gente só teve que ganhar.
16:29Hoje, muito feliz em ter lá, não sei nem como achar,
16:32mas feliz em poder dizer que tem algo ali escrito,
16:35tem um poema meu lá traduzido em várias línguas,
16:38mas pela galera da pesquisa em si está ali.
16:41O pessoal da UFIS também, quando a gente estava começando esse rolê de slam,
16:45eles procuraram para que alguns professores,
16:48algumas pessoas estavam...
16:49Alguma galera que ia nos slams e eram estudantes,
16:51procurava para que a gente organizasse um lá.
16:53Eles queriam que a gente se aproximasse,
16:55eles queriam que a gente levasse essa poesia marginal,
16:57mas isso pensando nos jovens, né?
16:59Certo.
16:59Claro.
17:01Aí, fora pensando essa galera aí mesmo que representa a Academia de Letras,
17:06eu tive tão pouco contato que é tão pouco o que dizer, sabe?
17:10Maravilha, maravilha.
17:11Mas existe um dado interessante.
17:12Nesse final de semana, eu estava numa comemoração de Natal
17:15e encontrei um grande amigo que é músico,
17:18e ele fez um comentário que eu não refutei o comentário dele,
17:24eu apenas ouvi,
17:25mas ele fez uma observação que eu achei interessante.
17:27Ele disse que,
17:28hoje, em alguns, ele não generalizou de forma alguma,
17:33ele disse que em alguns festivais,
17:35em alguns eventos musicais,
17:38há um privilégio do público preto e do público gay.
17:43Ou seja, como se dissesse assim,
17:46nós devemos tanto,
17:48nós fomos tão preconceituosos e tão segregadores
17:52em relação ao público preto e ao público gay,
17:54que nós agora vamos protegê-los.
17:57E ele disse que essa,
17:58são palavras dele,
18:00que esse protecionismo,
18:02ele prejudica a arte.
18:04Você acha que existe, hoje,
18:06um protecionismo em relação ao poeta de rua?
18:09Não, acho que você está enganado.
18:12Eu acho que, tipo,
18:12essa tentativa de reparação,
18:14ela é justa,
18:16mas ainda há muitas falhas nos bastidores,
18:19nas coisas,
18:19porque, como a gente conversou antes,
18:23a gente gosta de música,
18:24eu gosto dessas coisas,
18:25eu não lido bem com a música,
18:26mas sempre gostei de estar atrás,
18:28organizando eventos ali na produção,
18:31nesses, enfim,
18:32a galera é totalmente diferente,
18:34não tem esse valor todo,
18:36a não ser os grandes mesmo.
18:38Então, quando você procura
18:39um espaço pequeno,
18:41a gente tem um grande evento
18:42rolando em Vitória,
18:44aí eles vão abrir um espaço
18:45para apresentação,
18:47a galera dos públicos novos,
18:48você vai ver que os novos
18:49que vão estar chegando,
18:50essas pessoas não têm esse espaço,
18:52esse público preto,
18:53esse público gay,
18:53eles vão ter esse espaço
18:54de visualização.
18:55Depois que eles venceram,
18:57que eles ganham o espaço deles.
18:59Certo, certo.
19:00Então, não é muito, assim,
19:01de reparação,
19:02não é muito privilégio,
19:04é algo que é só,
19:06meio que eles seguem o que vende,
19:09o que a galera quer comprar,
19:11e aí põe eles para vender
19:12e vai essa vitrine.
19:14E o interessante é que a história,
19:17ela acaba fazendo justiça,
19:18porque poetas como Chacal,
19:22poetas como Charles,
19:24como Sérgio Gama,
19:26poetas como,
19:27outros poetas que não eram marginais,
19:29como Leminski ou Ana Cristina César,
19:31que eram figuras burguesas,
19:32mas que escreviam como marginais
19:34e que eram figuras muito representativas
19:37naquele meio jovem.
19:39Hoje, a academia os reverencia.
19:42Hoje, a academia fala em Leminski
19:45como um poeta que está no panteão.
19:47Em Ana Cristina César,
19:48como uma poetisa espetacular.
19:52Você vê futuro para o zine?
19:55Você vê um futuro,
19:56o zine deixar de ser zine
19:59e ganharam visibilidade mais burguesa até?
20:03Eu vejo bastante futuro,
20:05como eu vejo o passado do zine,
20:06porque a gente vê o fã magazine das antigas,
20:09era época de ditadura,
20:11eles passavam informação,
20:12então essa é a essência do zine.
20:15Hoje, a gente está vendo o zine mais poético,
20:18mais literário mesmo para a galera,
20:19essa comunicação da pessoa que escreve
20:22para diretamente a pessoa que está lendo,
20:24não só um texto corrido,
20:26mas há essa comunicação mesmo.
20:28Isso a gente vê na ciência do zine.
20:30O zine antigo tinha muitas colagens,
20:33isso, aquilo.
20:33Isso, isso, isso.
20:34Muitos recortes diferentes,
20:36e tudo isso muito magnífico.
20:38E quando a gente olha para o futuro,
20:41o futuro do zine,
20:43ele transcende bastante
20:46nos quesitos, como eu posso dizer,
20:51agora eu estou fazendo um trabalho
20:52que eu estou querendo sair um pouco
20:53desse rolê dos poetas, por exemplo.
20:55eu quero passar nisso
20:56para ir para um zine informativo,
20:58eu quero levar um pouco a história
20:59do meu bairro,
21:00um pouco a história
21:01da gente que está fazendo um projeto
21:03que ainda estão saindo do papel,
21:05que pode levar algumas superproduções
21:08de alguns grafites ali na região 5
21:09por inteira.
21:10E se isso for a calhar,
21:14for rolar certinho,
21:16eu, no caso, estaria escrevendo também
21:18um zine para essa galera do projeto,
21:19que seria informativo,
21:21diz um pouco da história das ruas,
21:22as próprias estéticas,
21:23as páginas dos zines iam mudar um pouco,
21:25a gente ia trazer uns outros tipos
21:27de artistas para a mecânica dos zines.
21:29Então, eu ainda estou com esse padrão,
21:31esse zine que eu tanto falei ali no início,
21:33que é só uma folha 4 dobrada,
21:34mas ele já se vê no futuro
21:36em tantas estéticas diferentes,
21:37em tantas formas diferentes,
21:39os informativos diferentes já sai o padrão
21:40só a leitura,
21:42pensando em poesia para, assim,
21:44uma leitura também informativa,
21:46é algo da história do seu bairro.
21:48Imagina, você está ali num carnaval,
21:49por exemplo, a gente vê da Barra do Jucu
21:52um zine, assim, de duas páginas,
21:55duas folhas 4 dobradas,
21:57cinco ou alguns mais dobras,
21:58é entregue, você vai, leva para o bolso,
22:00aí quando você chega em casa,
22:01lá diz as histórias das máscaras,
22:03as histórias do que diz ali,
22:04o porquê que se passa naquelas ruas,
22:07o Congo também,
22:09então eu estou tentando ir também
22:10um pouco mais para essa área, sabe,
22:12e dizer, contar a nossa história
22:14a partir dos zines,
22:15sem ter que ter diretamente
22:18algum poeta poetizando aquilo,
22:21mas sim buscar nas informações históricas mesmo,
22:23e tentar de alguma maneira divertida,
22:24igual você já viu que rola nos zines,
22:27passar essa informação,
22:28e esse é o nosso novo desafio.
22:29Maravilha, maravilha.
22:30Você está de parabéns.
22:31Obrigado.
22:32A pessoa, olha só, o Jacques Banto,
22:36as pessoas que querem ter acesso
22:39ao que você, a sua editora,
22:41e os autores que estão ligados a ela,
22:44produzem, como é que eles fazem?
22:46Porque eu tenho aqui na minha mão
22:47o afeto de pinga,
22:49está aqui,
22:50o direito de me expressar,
22:52que é muito interessante também,
22:53e relatos de uma puta sagrada,
22:57de manga rosa.
22:59O direito de me expressar
23:00é aquele jovem lá que eu comentei.
23:01Exatamente.
23:02É o Bico, né?
23:06Bico.
23:07Esse aqui são três,
23:08são três exemplares de vários
23:10que ele me enviou.
23:11Eu quero saber o seguinte,
23:12as pessoas que quiserem ter acesso,
23:14como é que elas fazem?
23:16Instagram da editora.
23:17Qual Instagram?
23:18Editora Artivista,
23:18arroba Editora Artivista,
23:20você acha fácil,
23:21e no contato direto,
23:22mais orgânico,
23:23o melhor é pelo e-mail,
23:24a gente,
23:25nossa,
23:26a gente faz um trabalho legal.
23:27Esse e-mail qual é?
23:28É o editora.artivista,
23:30arroba gmail.com.
23:33Editora.artivista.
23:33Lá você vai ter acesso a tudo nosso,
23:34manda um e-mail lá,
23:35manda um salve, cara,
23:36a gente vai mandar uns textinhos,
23:38algumas coisinhas para o início,
23:39para provocar, sabe,
23:40a gente faz um kit legal,
23:42com tudo que a gente tem,
23:43com valor bem tranquilo.
23:45Esse é o legal da minha editora,
23:47sabe,
23:47é que eu dei o privilégio ao poeta em si,
23:49então o valor de mercado,
23:50essas coisas,
23:52não me gera muita renda,
23:54mas eu tento fazer isso,
23:56para ela ser sustentável.
23:57Então tudo que a editora gera com aquilo,
23:59eu uso de manutenção para os poetas,
24:01quando eles precisam.
24:02Certo, certo, perfeito.
24:02E aí a gente fica nessa.
24:04Perfeito.
24:05Um belo trabalho.
24:05Então procura lá no Instagram,
24:06galera,
24:07procura lá também.
24:08Repete o Instagram para a gente aí.
24:09Instagram,
24:09editora.artivista,
24:10arroba editora.artivista,
24:12e o e-mail,
24:13editora.artivista,
24:14arroba gmail.com.
24:16E por enquanto são só essas.
24:18A gente também tinha um Facebook,
24:19mas eu desativei por enquanto,
24:20deixando só no Instagram,
24:21certinho os pacotinhos.
24:22Beleza.
24:24Lucas,
24:25muito obrigado,
24:25valeu a participação.
24:27Estivemos aqui com o Banto conversando,
24:29um bate-papo esclarecedor,
24:31para mim,
24:32e eu tenho certeza de que para você também,
24:34que acabou de ouvir.
24:35Muito obrigado.
24:36Obrigado.
24:36Já está convidado para uma próxima vez.
24:39E eu queria que na próxima vez,
24:40você trouxesse um artista seu,
24:42que você escolhesse,
24:43um editado seu,
24:45para a gente poder bater um papo aqui.
24:46Justo.
24:46Beleza?
24:47Valeu?
24:48Gente,
24:48então,
24:49essa foi a penúltima edição do Vitrine Literária,
24:52e nós vamos então para a última,
24:56em breve.
24:57Um grande abraço,
24:57fico com Deus.
24:59Até mais, galera.
25:02Você ouveu Vitrine Literária,
25:04com o professor e escritor Francisco Grijó.
25:07Tudo sobre literatura contemporânea.
25:10Temas,
25:11autores,
25:11obras,
25:12debates,
25:13análises,
25:14curiosidades,
25:15e bate-papo com autores e editores.

Recomendado