- há 3 semanas
Duas escolas foram invadidas por um adolescente que atirou e matou 4 pessoas
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00E olha só, é um dia muito triste para os capixabas, então agora a gente vai conversar aqui com a
00:05Letícia Santana,
00:06que ela é psicóloga, obrigada pela sua participação aqui com a gente.
00:09Também temos a presença do Ruslo Emedeiros, ele é especialista em segurança.
00:14Letícia, a gente imagina o quê?
00:17Aracruz, uma cidade tranquila, uma cidade mais pacata, muita gente opta por viver lá justamente para fugir desse caos, dessa
00:24correria.
00:25O que explica, o que passa na cabeça de uma pessoa em cometer um atentado como esse?
00:32Boa tarde, Roberta.
00:34É tão difícil falar sobre isso, porque não existe uma razão, não existe uma lógica que justifique algo dessa forma.
00:42E se tratando de um lugar tão pacato, tão tranquilo, que se espera realmente a esse estilo de vida mais
00:48tranquilo, mais seguro,
00:49e de repente uma comunidade inteira é acometida por uma tragédia.
00:53Não existe explicação lógica, que bom que a sociedade tem uma resposta, já prenderam essa pessoa,
01:00e aí agora vão identificar qual o perfil dessa pessoa, quando você fala em motivações, nada justifica.
01:07Então, possivelmente, adiantando aqui, possivelmente é uma pessoa que possui um traço de algum transtorno,
01:14porque somente um transtorno explicaria um ato dessa forma.
01:18Então, estamos todos muito lutados, na verdade, e sofrendo junto com essa comunidade.
01:23Rusley, a gente tem recebido aqui vários comentários, muitos pais falando,
01:28gente, cadê a segurança naquela porta daquela escola?
01:33Enfim, a gente não sabe, o que a gente tem é um trecho, um recorte de um momento, de um
01:37vídeo.
01:38Mas é a pergunta que a gente se faz, como que nós podemos melhorar essa segurança,
01:43para que a gente não veja mais esses episódios acontecendo,
01:46que infelizmente a gente achava que era uma realidade que estava distante da gente,
01:50mas a gente tem visto com mais frequência.
01:53Boa tarde, Roberta.
01:54Boa tarde a todos que nos acompanham aqui no Fala Espírito Santo.
01:57De fato, Roberta, nós temos verificado um aumento dessas situações,
02:02mas a gente também não pode, neste momento, achar um culpado,
02:07uma situação específica para dar culpa, dar um objetivo geral para que isso esteja acontecendo.
02:14A gente precisa, sim, de mecanismos para amenizar essas situações.
02:19A gente não sabe a origem desse atirador, a motivação desse atirador em específico,
02:25mas, sim, a gente precisa entender que essas situações estão acontecendo.
02:29E, se elas estão acontecendo, nós precisamos de atitudes para prevenção a possíveis acontecimentos como esses.
02:37Então, a gente também não pode tornar a escola, Roberta, um presídio.
02:41A gente não pode tornar a escola um símbolo para que você entre nela, passe por diversos procedimentos.
02:48O que a gente precisa é entender essa situação e começar a perceber que as ações que vão, de fato,
02:55diminuir essas possibilidades, devem ser nutridas lá no seio familiar.
03:01A Letícia trouxe muito bem isso.
03:03A gente precisa começar a perceber esses traços, essas situações lá na família
03:07e buscar tratamento e buscar ações para que essas situações não aconteçam.
03:12Mas, é claro, Roberta, a gente precisa investir, sim, em segurança,
03:15precisamos investir na capacitação dos profissionais que atuam nessas escolas,
03:20em todas as escolas, públicas ou privadas, para que, de fato, em acontecendo uma situação dessa,
03:27exista uma possibilidade de atuação e de minimizar os impactos.
03:30Mas a gente não pode colocar a culpa simplesmente na arma,
03:33não pode colocar a culpa simplesmente na situação em que nós estamos vivendo,
03:38porque o buraco, vamos dizer assim, é muito mais embaixo.
03:40A gente precisa apurar e trazer, principalmente, valores para as nossas famílias e para as nossas crianças,
03:46porque, como nós bem já conseguimos verificar, possivelmente é um menor de idade, né?
03:53Então, não é simplesmente uma pessoa que, ah, coloquei uma arma na cintura e vou sair atirando.
03:59Existe aí uma situação por trás que a gente precisa analisar com delicadeza, com calma,
04:04para que a gente não saia por aí colocando diversas situações que não são reais.
04:11Você colocou aqui um ponto como medida de segurança, de repente, o treinamento, né,
04:15de professores, até mesmo alunos, para saber lidar, para saber como agir diante dessa situação.
04:20Porque a gente olha ali em algumas imagens, as pessoas correm, e digamos, aleatoriamente,
04:26porque não sabem para onde estão indo, se estão indo para um lugar mais seguro ou menos seguro, né?
04:31Então, e a gente se coloca nesse lugar dessa pessoa agindo, e a gente comentou exatamente isso,
04:36assim, pior que não saber para onde correr. Nos Estados Unidos, tem estados que já têm esse treinamento.
04:42A gente já chegou, então, a esse ponto, Rusley? A gente já é importante contar com um treinamento como esse?
04:48Eu acho que a gente tem que parar um pouquinho, Roberta, de tampar o sol com a peneira, né?
04:52A gente está vivendo uma situação de insegurança nas escolas, né?
04:56Isso não significa que a gente precisa botar policiais lá em frente, todo mundo armado, né?
05:00Não. A gente precisa, de primeiro momento, né?
05:03Havendo uma situação dessa, a gente precisa preparar as nossas crianças e os nossos professores
05:08para que consigam, de algum modo, assim como a gente se prepara ou deveria se preparar para o incêndio,
05:15essas situações a gente tem visto o que tem acontecido e, muitas das vezes, infelizmente, Roberta,
05:21muito mais do que incêndios, né?
05:23Então, a gente precisa, sim, se preparar, preparar os nossos professores, preparar o corpo docente,
05:28discente, ou seja, os nossos alunos, para que, havendo uma situação como essa,
05:33exista um plano de segurança elaborado para onde as crianças vão, para onde os professores vão,
05:39quais são as formas de acesso da escola, entrando um agressor como esse, um atirador ativo,
05:45para onde as nossas crianças... e quais serão as atitudes?
05:47Sair correndo, deitar, né? Ficar no chão abaixado, trancar as portas, correr para onde,
05:53como você bem disse, Roberta? É preciso, sim.
05:56E isso só consegue ser feito analisando as estruturas de cada escola, né?
06:01Então, onde é possível que o atirador entre?
06:03Porque, muitas das vezes, são pessoas que já são conhecidas pela escola,
06:07então, eles terão acesso à escola, né?
06:09E aí, a gente precisa minimizar os danos que, possivelmente, possam vir a ser causados.
06:14E a gente só consegue fazer isso, de fato, com treinamento.
06:17Então, já chegou, sim, a esse momento, Roberta.
06:20Infelizmente, de nós treinarmos o nosso corpo docente, o nosso corpo discente,
06:25os técnicos das escolas, para que, havendo uma situação como essa,
06:29nós tenhamos a capacidade de reduzir os danos causados por um atirador
06:34ou vários atiradores quando entrarem nessas escolas.
06:38E olha só, agora a gente vai ouvir o áudio, tá?
06:41O relato de uma estudante da escola Primobit.
06:43Ela conta como foram os momentos durante esse ataque, gente.
06:48Os alunos pularam o muro para escapar.
06:52A gente estava na escola, eu e mais vários amigos.
06:57Tinha umas três turmas lá embaixo, participando de uma palestra.
07:04Logo após a palestra, a gente teve o nosso recreio, para a gente poder comer.
07:10E a gente estava sentado na mesa, comendo, quando a gente começou a escutar os tiros.
07:16Foram vários tiros, vários.
07:18Foi mais de dez tiros.
07:21E até então, todo mundo correu, pulando o muro.
07:27E teve algumas pessoas, mais a coordenadora, que se esconderam numa salinha do lado da cozinha.
07:34Que fecharam a porta e se esconderam lá dentro.
07:37O restante, foram tudo pulando o muro.
07:40E a gente veio direto para cá, para o centro.
07:42E nisso, a polícia já estava em andamento para lá.
07:47Imagina o trauma, né?
07:48De você contar, reviver e ficar com aquilo depois.
07:51E o pós também, voltar para a escola.
07:53Que uma hora a vida vai ter que voltar, digamos, à normalidade, né?
07:57A gente vai ao vivo agora.
07:58Vamos lá para a Ara Cruz, com o Lucas Pisa.
08:01Que ele vai trazer mais informações sobre a apreensão desse adolescente, né Lucas?
08:08Isso mesmo, Roberta.
08:10Olha, chegou neste momento algumas viaturas.
08:14E em uma delas está o adolescente atirador, suspeito de ter cometido esses ataques a duas escolas em Coqueiral de
08:22Ara Cruz.
08:23O delegado-geral da Polícia Civil, José da Ciarruda, já está aqui também no local.
08:28Há uma movimentação de curiosos aqui, de populares, pessoas que moram aqui na região, acompanhando esse momento.
08:35E uma expectativa em torno do encaminhamento desse adolescente até a delegacia.
08:44Há informação confirmada de que ele foi apreendido, foi dado em primeira mão pela TV Vitória.
08:49Confirmada instantes depois pelo governador Renato Casagrande.
08:52E esse é o momento, portanto, de que esse adolescente vai justamente ser encaminhado à delegacia.
09:00E em seguida, também há uma expectativa de uma entrevista coletiva com o secretário estadual de Segurança Pública, Márcio Celante,
09:10para dar os detalhes dessa apreensão e de toda a ação da polícia que envolveu todos os órgãos de segurança
09:17pública do Espírito Santo.
09:19A prisão, a apreensão, melhor dizendo, aconteceu algumas horas após o ataque a essas duas escolas.
09:26Nós estamos aqui no aguardo, então, na delegacia de Aracruz, esperando a movimentação da Polícia Civil.
09:34Já há uma movimentação bem grande ali na parte interna, na parte interna da delegacia.
09:40E o adolescente será encaminhado ao DPJ a qualquer momento. Roberta?
09:46Está certo, Lucas. Se tiver mais novidades, chama a gente.
09:50E aí, olha só, tem um comentário aqui também no nosso Facebook da Camila.
09:54Ela fala da importância de ter atendimentos psicológicos e psiquiátricos, desde o maternal, o jardim,
10:02para que não chegue até esse ponto.
10:05E aí a gente quer aproveitar a presença da Letícia Santana, que está aqui no nosso estúdio.
10:10Letícia, essa seria a forma ideal de prevenção?
10:14Sim, com certeza, sim.
10:17Quanto mais espaço de diálogo, quanto mais acolhimento a escola puder oferecer, melhor vai ser esse trabalho de conscientização.
10:26Assim, hoje, agora, nesse momento, a gente está trabalhando com uma especulação de que alguém é atravessado por algum transtorno.
10:31Mas a gente sabe que não é a primeira escola e, tristemente, não vai ser a última.
10:36Então, essas escolas, elas têm sido alvo desses ataques.
10:40Não por ser uma escola em si, mas a escola é um ajuntamento social.
10:44Então, o que vai acontecer depois desses ataques, em todas as escolas, precisa ser acolhido pela comunidade.
10:52Então, os professores que também estão numa situação de vulnerabilidade muito grande,
10:57porque você imagina, Roberta, ele foi direto na sala dos professores.
11:00Eu fico aqui pensando como é que deve estar as emoções de cada professor, se sentindo ainda mais vulnerável.
11:07Então, a escola precisa separar um tempo para que, realmente, essas questões emocionais sejam acolhidas,
11:13essa comunidade específica possa ressignificar esse lugar, que até então era um lugar seguro,
11:20era um lugar protegido e agora se tornou um lugar vulnerável.
11:24Cada vez que a gente retoma essas cenas que estão aqui sendo mostradas, traz um mal-estar para nós que
11:30estamos distantes,
11:31você imagina para quem está inserido dentro daquele contexto.
11:34Então, precisa, sim, haver a discussão em relação a essas questões emocionais.
11:39O profissional da área psi precisa estar inserido dentro desses contextos,
11:43para que essas emoções, elas possam ser faladas, acolhidas e ressignificadas.
11:48E é interessante parar para pensar isso na prática, porque tanto em escola particular, que a gente sabe,
11:54mesmo com toda a estrutura, quem dirá numa escola pública, para você conseguir fazer um agendamento de um psicólogo,
12:00às vezes a instituição até fala, não, mas a gente tem, a gente tem um psicólogo,
12:05mas não está ali no contexto diário, não está ali.
12:09Para você fazer um agendamento não é tão simples assim.
12:13Estreitar mesmo, ah, houve uma desavença, não estou falando que é o caso, tá, gente?
12:17Pelo amor de Deus, houve uma desavença entre o aluno e o professor ir lá, relatar e ter um desfecho
12:22desse caso.
12:23Isso pode fazer com que mude a cabeça de uma pessoa que já tem um transtorno e alimente aquela raiva
12:32dentro dela, Letícia?
12:33Sim, de novo, assim, a gente não está falando desse caso específico, mas o que se sabe é que os
12:38agressores,
12:39as pessoas que cometem crimes contra a escola, normalmente têm atravessado aí alguns traumas,
12:45alguns até possivelmente relacionados à escola em si.
12:48E os próprios alunos, muitas vezes eles se sentem calados em relação às suas questões pessoais,
12:56em relação às suas próprias emoções.
12:59Então, se a gente pensa que a escola é um lugar de formação social, a educação emocional também precisaria estar
13:07presente.
13:08A gente sabe que o bullying é uma coisa tão forte, tão evidente, tão presente nas escolas.
13:13E aí a gente precisa entender que quanto mais esse aluno, essa criança, tiver esse espaço de fala,
13:20de escuta, de compreensão, de acolhimento das suas emoções, melhor ela vai ressignificando.
13:25Até muitas vezes um trauma relacionado a algum desconforto entre os seus pares ou em relação aos professores.
13:31Enfim, precisa urgentemente, como uma forma de prevenção desses espaços,
13:37onde a emoção também pode ser colocada, acolhida e compartilhada.
13:42E, Ruz, geralmente existe um perfil desses atiradores?
13:46Esses perfis são bem diversos, Roberta.
13:49O que a gente tem conseguido perceber dentro dessa realidade, que são pessoas que, antes de qualquer coisa,
13:55de fato, possuem um transtorno psicológico, um problema ali, uma dificuldade cognitiva, talvez.
14:03Mas a gente tem percebido esse traço, sim.
14:05Agora, quando a gente fala, olha, é uma pessoa de classe X, de classe Y, de cor de pele X,
14:12de cor de pele Y,
14:13ou de um grupo político X ou Y, não, a gente não tem conseguido verificar esse perfil.
14:19O que a gente tem verificado, sim, é que geralmente são indivíduos que possuem e que passaram por situações de
14:27transtorno psicológico,
14:29de uma família desestruturada, de um atendimento e de uma valoração da vida diferente.
14:35E aí, sim, a gente acaba, ele acaba tendo acesso a algumas situações, a algumas pessoas,
14:42inclusive alguns equipamentos, para dar vida àquilo que ele está imaginando.
14:47Então, a gente não pode também começar a descrever, a gente chama isso de um perfil lombrosiano.
14:54A gente não pode achar que um perfil X vai ser um atirador.
14:57Não, a gente precisa analisar a questão psicológica, a questão de acesso, a questão de família,
15:02a questão de pertencimento e de valores que esses indivíduos tiveram e ainda possuem,
15:07que vão acabar dando vida a essa execução de questões tão bárbaras.
15:14É uma barbárie muito grande que a gente, de fato, acaba encontrando.
15:18Mas não há um perfil físico que vai descrever esses atiradores.
15:23Daqui a pouquinho, Rusla, eu vou pedir para você analisar uma imagem que nos chamou a atenção,
15:27que é a arma que esse adolescente usa.
15:31É uma arma que chama muita atenção.
15:33Mas antes a gente vai ver agora o relato, gente.
15:36A diretora de uma escola vizinha ao local onde houve o ataque.
15:41Ela falou sobre tudo o que aconteceu.
15:43Ela conhecia as duas profissionais que morreram e vai lembrar também de um adolescente,
15:49uma menina de 12 anos que também morreu.
15:52Olha aí.
15:53A senhora chegou a ouvir alguma coisa?
15:55Não, eu não cheguei a ouvir.
15:57Os funcionários da escola ouviram e agiram rapidamente, guardando as crianças todas dentro da escola,
16:02em lugar seguro.
16:04E aí nós fomos orientados pela polícia a evacuar a escola.
16:09E nós ligamos para os pais virem buscar as crianças.
16:12Todos já estão em casa tranquilos.
16:16A senhora conhecia os profissionais daqui?
16:19Alguns, sim.
16:20Porque a gente trabalha do lado, acaba tendo contato, sim.
16:23A maioria a gente conhecia, inclusive foram professores dos meus filhos.
16:26Dos seus filhos.
16:27Todos os professores, eu vi aqui, que foram liberados, voltaram correndo,
16:31porque esqueceram, deixaram para trás, pertences.
16:33Eu vi que a senhora abriu a escola.
16:35Isso.
16:36Eu estou aqui ainda aguardando, porque tem muita gente ainda precisando de água, de telefone.
16:41Então, sim, eu estou dando esse suporte.
16:44Alguém imagina o que possa ter acontecido aqui durante esse ataque?
16:47Quem é esse suspeito?
16:49Não faço a menor ideia.
16:51E a senhora me disse também que hoje seria um dia de comemoração aqui nesse colégio.
16:54Sim, hoje tinha um evento à tarde.
16:55Era a finalização, a culminância de um projeto.
16:59Excelente trabalho da diretora, né?
17:01Foi um projeto premiado.
17:04A diretora ganhou um prêmio com esse projeto.
17:05E hoje teria a culminância do projeto à tarde.
17:09Triste, né, gente?
17:10E a gente se pergunta, Letícia, por que as escolas se tornam alvo desses ataques?
17:17Pois é, a gente tem que ter muita delicadeza para pensar e falar sobre isso.
17:21Porque senão, se a gente coloca a escola como realmente um alvo,
17:25a gente também potencializa esse temor em relação a essa instituição específica.
17:30Eu não acredito que seja a instituição.
17:33Então, muitas vezes, a gente começa a pensar em relação a motivações,
17:37e as motivações são diversas.
17:39Muitas vezes, a motivação pode ser a repercussão que o crime traz, então, para essa pessoa adoecida.
17:45E pensando na escola como um lugar com crianças, onde todo mundo fica muito consternado,
17:51a escola acaba sendo esse ambiente de muita repercussão.
17:54Mas a gente não pode colocar na escola esse...
17:57Com a escola como um alvo, né?
17:59Vamos dizer assim, porque senão a gente também coloca luz em cima de um adoecimento,
18:04de uma instituição que não precisa receber isso.
18:07Mas a gente percebe que, quando acontece com escola, isso acaba trazendo uma sensibilização maior.
18:15Porque nós estamos falando de criança, nós estamos falando de um espaço que era para ser um espaço de acolhimento,
18:20era para ser um espaço de alegria, de comemoração.
18:23Então, quando algo acontece dessa forma, vem numa contramão,
18:26viola o que a gente imagina que seja uma escola.
18:30Então, nos agride a todos.
18:32E aí, todo mundo fica bastante consternado com essa situação.
18:35Mas a escola em si não é um alvo de terroristas.
18:39Mas a escola acaba trazendo essa comoção maior.
18:42E isso, muitas vezes, passa a ser um motivador para algumas pessoas que querem essa repercussão, né?
18:49Por isso que os pais estão aqui cobrando no nosso Facebook, pedindo muita segurança nas escolas.
18:56E agora eu vou conversar também com um outro pai, que, é claro, está assustado, abalado com tudo isso que
19:01aconteceu nessas escolas.
19:03Boa tarde.
19:04Por questões de segurança, o senhor prefere que não seja identificado.
19:07Queria que você contasse como é que está o clima aí, nesse exato momento, aí em Coqueral de Aracruz.
19:17A gente não está com o áudio desse pai aqui no retorno do nosso estúdio.
19:24Alô, boa tarde.
19:25Oi, boa tarde.
19:26Agora sim, o senhor conseguiu me ouvir?
19:28Consigo, sim.
19:30Não seja a questão de segurança, né?
19:34É uma situação que hoje aqui está todo mundo muito abalado com a situação.
19:40Vamos fazer o seguinte, pai?
19:42Pai, faz o seguinte.
19:43A gente vai tentar fazer uma nova ligação para ver se a gente consegue melhorar o seu áudio, tá bom?
19:49Para que a gente ouça melhor as suas palavras.
19:51E agora sim, eu quero que o Rusley analise para a gente essa imagem, o que chama a atenção.
19:56É a arma que esse adolescente usa.
19:59Não é uma arma comum, né, Rusley?
20:01Aparentemente, não, né?
20:02Aparentemente, de fato, é uma arma de uma pessoa que já mexe com o armamento,
20:07que já tem, né, em casa os seus armamentos, né?
20:11Não parece ser uma arma comum, né?
20:14Como a gente, né, que tem um acesso simples ali, né?
20:16De fato, essa arma, a princípio das informações que nós temos é que ele não tenha utilizado
20:21apenas essa arma que aparece nos vídeos, né?
20:24Seriam duas armas, mas essa arma em específico, que aparece nos vídeos que nós estamos vendo
20:29e acompanhando aqui no jornalismo da TV Vitória, essa arma, ela apresenta, sim, uma característica
20:36de alguém que já tinha acesso a um armamento, né?
20:39Que esse armamento já tinha ali e já estava em posse, né?
20:43E era possível de ser acessada e, principalmente, manuseada, né?
20:47É até uma arma mais cara, Rusley?
20:49É, aparentemente, parece ser uma arma mais cara, né?
20:51Uma zona mais longa?
20:52Isso, ela parece ser, aparentemente, pela imagem, não dá para a gente ter muita certeza,
20:56mas, aparentemente, parece ser um revólver, né?
20:59Um revólver que a gente chama de cano longo, né?
21:02Que é um revólver, geralmente, para atiradores, de fato, né?
21:05Que fazem aí...
21:06E aqui, ô, Roberta, deixa eu só dar uma observação.
21:10Eu apego um pouco àquilo que Letícia estava falando, para a gente também não chegar ao ponto
21:15de simplesmente colocar a culpa na arma em si, né?
21:19Essa arma, ele teve acesso a esse armamento, de fato, né?
21:24Essa arma foi utilizada para matar, de fato, mas o problema não tem como a gente também
21:30só colocar a culpa na arma.
21:31Por quê?
21:32Porque não tem como a gente pensar uma polícia desarmada, não tem como pensar aí uma segurança
21:37pública sem armamento.
21:39Então, a gente também não pode ficar colocando a culpa só no armamento.
21:41Mas essa arma, sim, Roberta, aparentemente, pelas imagens, a gente consegue perceber que
21:45é uma arma de colecionador ou de alguém que faz ali uma prática de tiro mais constante,
21:52né?
21:52É uma arma mais cara, não vou falar que é de difícil acesso, porque todas as armas
21:57são de difícil acesso, né?
22:00Mas é uma arma, sim, que representa que o acesso a ele foi um acesso mais específico.
22:05E, por ser um revólver, não uma pistola, que não é automático, né?
22:11Você precisa ali tirar as munições e colocá-las, aparentemente necessita de um treinamento
22:16também para que isso ocorra, né?
22:18Não sei se ele só utilizou essa arma e se, de fato, só tinha essa arma, mas essa arma
22:23tem uma capacidade de tiro menor e aí precisaria, a depender de quantos disparos foram feitos,
22:29de uma certa agilidade para retirar ali a munição que foi deflagrada e colocar ali
22:36novas munições para efetuar os disparos, né?
22:38O que demanda aí um pouco mais de treinamento para quem aporta, né?
22:43Mas é uma arma, sim, mas é uma arma mais segura também para efetuar disparos e para
22:47treinamento, né?
22:48É uma arma que consegue demonstrar uma segurança um pouco maior.
22:51Agora, sim, acho que a gente vai conseguir falar com o pai.
22:54O senhor me ouve melhor agora?
22:56Oi, Roberta.
22:57Eu consigo te ouvir, me ouve bem?
22:59Sim, melhorou.
23:00Queria que você contasse para a gente como é que está o clima aí em Aracruz,
23:03aí em Coqueral de Aracruz.
23:05É, o clima aqui está pesado.
23:07A gente nunca imaginou, né, que pudesse acontecer isso.
23:11É um bairro bem pacato, é um bairro bem fechado, onde todo mundo conhece todo mundo,
23:17todo mundo tem ligação com ambos os colégios, né, que foram atacados por esse atirador.
23:24E tem uma situação que ninguém comentou ainda, é que o colégio Primo Beach, ali são dois colégios.
23:31Tem um anexo, que é do primeiro ao quinto ano, e funciona grudado ao colégio Primo Beach.
23:40É onde a minha filha estuda, ela tem nove anos.
23:43E no momento, ela estava no horário de recreio, onde começou os disparos, as professoras ouviram,
23:50correu todo mundo para dentro da sala dos professores nesse momento, dentro do anexo.
23:55Olha só, é que a nossa ligação está com ruídos ainda, a gente vai tentar retomar com você, tá bom?
24:03Até mesmo para a gente saber se já tinha alguma história aí na cidade sobre ameaças que algumas professoras já
24:12vinham recebendo.
24:13Eu quero até aproveitar e também falar aqui com o Rusle e com a Letícia sobre isso,
24:17que não é de hoje que casos como esses de Aracruz têm um histórico de ameaças.
24:25É importante também, Rusle, a gente dar mais atenção a esses casos,
24:30quando a gente vê uma pichuação na porta de um banheiro,
24:33quando vê um bilhetinho, uma mensagem chegando no celular da professora, da coordenadora.
24:38A gente, Roberta, tem uma mania de achar que não vai dar nada, de aquela situação...
24:44De fato, pode ser uma situação corriqueira, pode ser uma situação ali apenas de raiva do adolescente, do jovem,
24:52ou de quem quer que for, apenas demonstrando ali a sua insatisfação.
24:55Sim, pode ser.
24:56Mas é possível também que isso gere essas situações que nós estamos vendo.
25:02A gente não sabe a motivação desse caso em específico, mas como você bem disse, de outras situações.
25:07Então, a gente precisa sim, Roberta, dar muita atenção aos casos de ameaça.
25:11E aí não é simplesmente com uma ação de segurança pública propriamente dita.
25:16A gente precisa trazer essas pessoas que estão envolvidas nessa situação para um discurso,
25:22para uma conversa, para tratamento psicológico, para que entenda ali a família,
25:27entenda o que está acontecendo e aí buscando alternativas.
25:31Porque, do contrário, se a gente ficar nesse discurso de que não vai dar nada,
25:35é só mais uma criança mimada, é só mais uma situação ali, é só uma birrazinha,
25:40a gente vai continuar havendo situações não apenas como essa,
25:45mas situações em que também são enfrentadas dentro das famílias.
25:48A gente tem visto aí adolescentes, jovens matando os próprios pais.
25:54Então, essas situações, elas não passam simplesmente por segurança pública,
25:58elas passam por análises completas dos vínculos sociais, dos vínculos familiares,
26:04da estrutura familiar que aquela pessoa tem,
26:06inclusive de como isso está sendo amparado lá na escola,
26:09sendo controlado lá na escola que a pessoa frequenta.
26:12Como que essas outras crianças que estavam nesse contexto,
26:16vivenciaram todo esse trauma,
26:18como é que vai ser a gente parar para pensar o retorno delas àquele local,
26:24às atividades, à rotina mesmo na escola?
26:26Não vai ser fácil, né?
26:28Porque a gente percebe uma comunidade vivendo um luto coletivo.
26:31Existe o luto familiar das perdas,
26:33mas existe um luto coletivo de toda a violência que a sociedade local enfrentou.
26:38Até nós estamos de luto, né?
26:39Então, a gente percebe que vai ser um retorno bastante difícil.
26:42Mas o fato das instituições públicas já darem uma resposta,
26:47já aprenderem a pessoa, darem assistência às famílias das crianças,
26:52isso também aplaca um pouco a dor.
26:54O fato da comunidade ser unida, as pessoas se conhecerem,
26:58estar voluntariamente dispostas a ajudar uns aos outros,
27:02isso também é uma estratégia poderosa de enfrentamento desse luto.
27:06Então, esse local específico vai precisar desse tempo
27:09para elaborar mesmo todas essas perdas, todas essas questões.
27:13Mas eu penso que a unidade da comunidade vai trazer
27:17uma nova forma de existência ali dentro de Coqueral de Aracruz.
27:21E penso também que eles vão ficar ainda mais unidos para lidar com essa dor.
27:26Então, vamos pensar que o prognóstico é positivo.
27:31Imaginando esse enfrentamento rápido,
27:34essa resposta rápida que o governo deu
27:37e essa união da comunidade.
27:40Então, eu penso que um vai fortalecer o outro nessa dor.
27:43E vale lembrar ainda que tem pessoas em estado grave,
27:48que foram transferidas para o hospital também aqui em Vitória.
27:50Tem gente no Hospital São Camilo, lá em Aracruz,
27:52e a gente segue na expectativa, na esperança da recuperação dessas pessoas.
27:57Agora, Rusla, olha só o comentário da Lenira Moura.
28:01Ela até insiste, falando que quando a gente vai a qualquer órgão público,
28:05tem a porta que detecta metais.
28:08Esses dias ela ficou agarrada na agência da Previdência por causa de uma chave.
28:12E desculpa até insistir, mas é porque é o que os pais pensam de imediato.
28:18Nós não somos especialistas em segurança, mas nós somos pais.
28:22É o que a gente pensa.
28:23Fala assim, alguma coisa tem que ter.
28:25Seria, por exemplo, possível, viável, colocar esses detectores de metais?
28:30Roberta, eu acho que a gente precisa, antes de discutir isso,
28:34é enfrentar as motivações.
28:36Mas uma vez superada esse discurso das questões das motivações,
28:40nós precisamos sim, de fato, pensarmos alternativas.
28:43É aquilo que a gente comentou no início do nosso programa.
28:45A gente não pode trazer à escola um ambiente de presídio.
28:50Por quê?
28:51Porque a escola é um ambiente de segurança,
28:53é um ambiente em que os adolescentes, os jovens, as crianças,
28:56elas devem se sentir à vontade.
28:58Agora, tendo essa situação, é preciso sim que a gente comece a pensar.
29:02Primeiro, o que a gente poderia dizer?
29:05São os acessos.
29:07Evitar ter muitos acessos, é claro, ter áreas de escape,
29:12de saída, de emergência, sim, nós precisamos ter várias.
29:15Agora, para acessar, para que o atirador impossível possa acessar,
29:20tem que ser uma área só.
29:21E, posteriormente, essa área tem que ter locais em que segura o acesso.
29:26É preciso que existam policiais, agentes das guardas municipais,
29:32seguranças, vigilantes, treinados para lidar com essas situações.
29:36Porque, perceba, a imagem que a gente viu, Roberta,
29:39ele já chega com a arma em mãos.
29:42Ele já está com a arma em mãos.
29:43Então, se estivesse ali, de fato, um agente, seja privado ou público,
29:49de posse de uma arma de fogo para contê-lo,
29:53ali ele já conseguiria fazer essa contenção naquele espaço em que ele ingressa.
29:59Mas isso não é uma realidade em todas as escolas,
30:00e também não é uma regra pronta, não é uma fórmula mágica.
30:04Então, sim, a gente precisa pensar alternativas de garantir o acesso
30:08com mais segurança das nossas crianças e adolescentes.
30:11E se, de fato, for necessário nós colocarmos aí detectores de mentais,
30:17ou de colocarmos situações de controle de acesso,
30:21isso vai ser sempre mais bem-vindo.