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  • há 3 semanas
Muitos homens usam as mensagens para humilhar as mulheres

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Transcrição
00:00E a gente já começa o programa de hoje com um desabafo de uma mulher que não tem mais sossego,
00:07que ela vive recebendo esse tipo de mensagem que você vai acompanhar agora do ex-companheiro.
00:12Acompanhe.
00:14Aquelas mensagens bem baixas, aí fala muito do meu corpo, que é tirar assim a minha autoestima,
00:21falando, ah, você é gorda, aí se eu tô magra, fala que eu tô magra, se eu tô gorda, ele
00:25fala que eu tô gorda.
00:25Sabe, eu sempre tô tentando pegar um aspecto do meu corpo pra poder, assim, me deixar pra baixo mesmo.
00:34Ele gravou um vídeo transando com outra mulher e enviou pra mim e falando, ah, isso aqui é mulher de
00:43verdade.
00:45Eu tomo remédio devido à depressão, do que ele me causou.
00:49Faço tratamento agora devido a toda a violência psicológica que ele faz comigo.
00:57Que nojo desse homem, que nojo, se é que é homem, gente.
01:01A fala dessa mulher faz parte de uma reportagem especial apresentada hoje pelo Balanço Geral,
01:06que traz um número muito preocupante.
01:09Quase todos os dias, mulheres registram boletim de ocorrência por sofrer violência doméstica via internet.
01:17Isso existe também, gente.
01:20São mais de 500 casos só esse ano.
01:23A internet se torna o caminho mais curto e covarde pra ofender a moral e destruir, gente.
01:30É porque isso destrói a autoestima de uma mulher, né, e também fazer ameaças de morte, como a gente viu
01:36aí.
01:36E aí a gente vai falar sobre isso aqui no programa, porque a gente tá sempre o tempo todo falando
01:41que é da violência física,
01:42física, né, de mulheres que são agredidas fisicamente, mas a violência psicológica, as ameaças pela internet,
01:49machucam da mesma forma, humilham, porque expõem pra todo mundo, assustam.
01:55E esse é o nosso assunto que a gente vai debater agora aqui no programa.
01:59Aqui no nosso estúdio, eu recebo a Daniela Sampaio, que é psicóloga.
02:02Obrigada, Dani, mais uma vez pela sua participação.
02:06Camila também, Camila Dias é advogada e vai falar pra gente, já começa explicando se isso é um crime,
02:13que tipo de crime, Camila, porque é muito mais que uma perseguição, né?
02:18Isso envolve ameaças, envolve humilhações, né?
02:22Qual é o tipo de crime que uma pessoa pode responder?
02:25Boa tarde.
02:26Boa tarde, Roberta.
02:27Stalking é um crime que foi tipificado recente, né, tido como recente.
02:32E que bom que foi, porque a gente vê aí a lesão, até onde pode chegar uma perseguição dessa.
02:39O crime de Stalking não é simplesmente você enviar uma mensagem ofensiva.
02:44Isso daí a gente tá sujeito, infelizmente.
02:46Mas nesse caso, há uma perseguição implacável, que a gente chama, na tradução literal.
02:53Quando não para, quando não sossega, enquanto não vê o outro se deteriorando emocionalmente,
03:00falando que é o caso aí da vítima que vocês trouxeram.
03:03E os danos são muito grandes, a colega vai poder falar sobre isso,
03:07mas que por muitas vezes, por a gente não ver, por não ser físico,
03:13deixa de lado, não dá o tamanho da importância que ele causa.
03:17Mas assim, os danos chegam a ser reparáveis nas vidas das vítimas.
03:21Cabe denúncia, cabe investigação, tudo isso.
03:24É uma ação criminal.
03:26Qual é a pena que esse criminoso pode pegar?
03:28Então, ele é um agravante, né, ele pode estar só, entre aspas,
03:35dentro do crime de Stalking ou ele pode ainda estar acometido de outros crimes, né,
03:40somar as penas.
03:41Então, a partir de seis meses de já recluso,
03:46ele pode estar sendo indiciado por esse crime.
03:50Então, assim, não é uma brincadeira mais.
03:53Foi até um tempo, né, a gente está falando aqui de crimes contra a mulher,
03:56então, até um certo tempo, os homens não se importavam.
04:00Falavam o que queriam e o que não queriam.
04:02Agora, a gente pode tomar uma medida e, de fato,
04:06porque eu acompanho isso de perto,
04:08eles estão sendo, sim, investigados, está, sim, se tornando uma ação
04:13e estão, sim, cumprindo pena por isso.
04:15Agora, Dani, não entra na nossa cabeça
04:17por que que um homem, né, o relacionamento já foi rompido,
04:21ele já tentou a reconciliação, não conseguiu
04:25e aí parte para essas humilhações.
04:27Qual é o objetivo, qual a intenção desses homens que agem dessa forma?
04:32Roberta, eu vejo que é uma necessidade de autoafirmação.
04:37Historicamente falando, né, o homem, ele tem essa sensação de poder, né,
04:41de que ele tem esse poder sobre a mulher.
04:44E quando a gente faz um resgate histórico,
04:46a gente percebe que essa mudança vem acontecendo muito recente.
04:50Então, até há pouco tempo, era muito natural isso, né,
04:53de que a mulher tinha que aceitar.
04:54E é importante a gente falar sobre isso
04:56para a gente entender que esse tipo de violência
04:59configura, sim, violência, né?
05:01E que não, como você bem disse no início,
05:04algumas pessoas, e eu vejo isso no consultório,
05:07infelizmente, eu preciso dizer isso para vocês,
05:08eu vejo isso no consultório, que as mulheres pensam assim,
05:11mas é só um vídeo, ele só está me mandando um vídeo,
05:15ele só está falando que vai fazer alguma coisa,
05:18deixa para lá, e não deixa para lá, não, isso é muito grave.
05:21Porque, como eu disse, a gente tem ainda a intenção, né,
05:24a gente tem na imaginação de que violência é algo físico, enfim.
05:28Então, a gente precisa ter muito claro que isso é, sim, uma violência,
05:31que a gente não pode aceitar, a mulher não pode aceitar passar por isso,
05:34e que ela precisa buscar ajuda, sim.
05:36Eu sempre falo da importância da rede de apoio, né,
05:39de buscar ajuda e de mostrar que isso não pode ficar impune,
05:42que a gente não pode aceitar mais isso.
05:44Eu fico pensando na humilhação que essas mulheres passam,
05:47que mulheres que enfrentam isso, porque, vamos lá,
05:50você colocar um ponto final no relacionamento é extremamente doloroso,
05:53por mais cachorro, cafajé que o cara tenha sido,
05:56mas você está rompendo ali um relacionamento, né,
05:58você criou um sentimento por aquela pessoa.
06:01E ainda por cima, você suportar, superar esse sentimento de tipo,
06:05pô, não deu certo, cada um vai seguir a sua vida,
06:07e ainda ser humilhada, por exemplo, nas redes sociais,
06:10expondo para todo mundo, com palavras extremamente agressivas.
06:15Isso vai ferindo a autoestima da mulher.
06:19Cada vez mais.
06:20E, assim, essa semana, se eu não me engano, Roberta,
06:22vocês falaram aqui, por exemplo, sobre o caso do banheiro,
06:24que a mulher foi filmada,
06:25e a pessoa que estava aqui dando entrevista,
06:27eu vi que ela falou assim,
06:29o quanto ela tem medo, às vezes, de falar.
06:30Porque a gente fica constrangida, né?
06:32Pensa, você apresenta para a sociedade,
06:35você apresenta para o seu círculo de amizade,
06:36aquele homem.
06:37E depois você tem que ir lá contar para essas pessoas
06:39que esse homem é a pessoa que te agride hoje,
06:41e que te expõe dessa forma, né?
06:43Então, é muito doloroso, de fato,
06:46para você ter que assumir isso para você e para a sociedade,
06:48é um passo, assim, que para a pessoa conseguir dar,
06:51ela precisa de apoio, de ajuda,
06:53e, principalmente, ela precisa aceitar que isso é uma violência.
06:56E lidar com esses julgamentos, né?
06:58Porque a sociedade, infelizmente, julga.
07:01Daqui a pouco, a gente vai falar sobre isso também.
07:03Vou convidar aqui para o nosso bate-papo,
07:04a gente vai conversar com uma mulher
07:06que vive essa violência psicológica,
07:09e olha só, gente, não é de hoje.
07:11Vamos entender, então, melhor a história dela.
07:13Boa tarde.
07:14É claro que, por questões de segurança,
07:15a gente não vai revelar a identidade, o nome.
07:18Obrigada pela sua participação aqui no programa.
07:21Queria que você contasse
07:22há quanto tempo que isso vem acontecendo com você,
07:25que tipos de mensagens você tem recebido?
07:29Boa tarde, Roberta.
07:31Boa tarde a todos.
07:33Boa tarde.
07:34Eu só queria falar antes uma coisa importante
07:36que a psicóloga falou aí,
07:38com relação a quando a gente apresenta o companheiro
07:42e depois acontecem essas regressões
07:45e depois a gente sofre em ter que assumir isso,
07:49em ter que falar isso para as pessoas também.
07:51E isso é uma coisa que é super verdade,
07:55já aconteceu comigo também.
07:58Mas, enfim, respondendo a sua pergunta,
08:01eu tive um relacionamento por quatro anos,
08:05um relacionamento tóxico, abusivo,
08:08e pelo fato justamente desse motivo aí
08:11de ter vergonha de assumir
08:14que eu estava tendo um relacionamento abusivo,
08:17eu acabei, um dos motivos, né,
08:20que me fez manter esse relacionamento
08:22durante um tempo.
08:24E nós tivemos um filho desse relacionamento
08:28que hoje ele está com um ano e oito meses
08:31e desde que ele tinha dois meses de vida
08:34nós nos separamos
08:36e as agressões verbais
08:40por internet, por mensagem,
08:42elas sempre existiram.
08:43Sempre existiram e não pararam.
08:47E justamente pelo fato da vergonha, né,
08:51em assumir publicamente
08:52que eu estava sendo agredida,
08:55por três vezes ele me agrediu
08:58fisicamente
08:59e eu não tinha feito o boletim
09:02de ocorrência
09:03e eu só fui fazer esse boletim
09:05quando ele invadiu o meu trabalho
09:07e aí isso ficou público, né,
09:10porque as pessoas do meu trabalho
09:13viram, né, os meus colegas,
09:16os usuários do serviço
09:19e as pessoas chamaram a guarda municipal
09:21e eu me vi
09:23meio que obrigada
09:25a fazer o boletim de ocorrência
09:27e gerar a medida protetiva
09:28por vergonha,
09:30porque ali naquele momento
09:31eu já estava exposto à situação.
09:36E por que as agressões continuam?
09:39Porque, apesar de eu ter a medida protetiva,
09:43a convivência dele com o neném
09:45foi decidido provisoriamente
09:48em juízo
09:49ser feita por videochamadas
09:52e a juíza também determinou
09:54que ele enviasse e-mails
09:57para mim para saber do neném.
09:58Só que o teor desses e-mails
10:01vão além
10:03de conhecimento do neném.
10:05Ele aproveita os e-mails
10:07para proferir ofensas morais, né,
10:12os e-mails,
10:14vários e-mails constam,
10:16ele fala que
10:17a minha casa tem muita rotatividade
10:19de homem
10:21e que ele não está nem aí
10:23com quantos homens
10:24que eu durmo,
10:25mas que ele está preocupado
10:26com o filho dele
10:27em ter convívio
10:29com vários homens diferentes.
10:31E isso não é verdade.
10:35Nas vídeos chamadas
10:36que ele faz
10:37para conviver com o neném também,
10:39ele também me ofende.
10:40Inclusive eu suspendi
10:42as vídeo chamadas
10:43porque nas últimas
10:45que tiveram,
10:46ele me xingou claramente
10:48várias vezes.
10:50Te xingou?
10:51Isso na frente do seu filho?
10:54Não, ele me xingou
10:56na frente do meu filho,
10:57isso mesmo.
10:58E isso tudo
11:00porque eu agora estou
11:03com outra pessoa.
11:05Após muito tempo,
11:07o primeiro relacionamento
11:08que eu estou tendo
11:10depois desse outro.
11:12E aí ele
11:14faz isso.
11:15Ele não aceita,
11:18eu não sei se ele não aceita,
11:19eu não sei porquê,
11:20mas ele usa sempre
11:22o fato de eu estar
11:23com alguém
11:25para me atingir.
11:26E aí ele persegue
11:27essa pessoa
11:28na rede social,
11:29o meu atual namorado,
11:31ele vai na rede social
11:33do meu namorado,
11:34na rede social pessoal
11:36e na profissional
11:38e aí nos e-mails
11:40ele cita
11:42coisas do meu namorado,
11:44o modelo do carro
11:45do meu namorado,
11:46o trabalho dele,
11:47a empresa dele.
11:50E é assim.
11:52É assustador, né?
11:53Isso causa medo em vocês?
11:56Sim, sim,
11:57porque num dos e-mails,
11:59inclusive eu fiz um boletim
12:00em relação a isso,
12:02num dos e-mails
12:03ele fala que
12:05nós levamos,
12:07eu e meu namorado,
12:08levamos o meu filho
12:10à creche
12:11sem cadeirinha no carro.
12:14E aí eu fico me perguntando
12:15como que ele sabe disso,
12:17como ele sabe o modelo
12:18do carro do meu namorado,
12:20entendeu?
12:20se ele está seguindo.
12:23Ou seja,
12:24você até suspeita
12:26que além de uma
12:28perseguição virtual,
12:29também esteja acontecendo
12:31até mesmo uma perseguição física,
12:33pelo que você está me relatando, né?
12:35Você não tem sossego.
12:37É, não tem.
12:38E assim,
12:39esse rapaz,
12:41ele é tatuador.
12:44E por duas vezes,
12:46que eu saiba, né?
12:47Porque eu não olho
12:47as redes sociais dele,
12:49mas às vezes as pessoas
12:50me mandam print.
12:52E por duas vezes
12:53me mandaram print
12:55de montagens
12:56que ele fez
12:57com a minha foto,
12:59montagens horríveis, né?
13:00Uma foi
13:02de cunho pornográfico
13:04e a outra foi
13:05como se eu fosse
13:06um demônio.
13:08Misericórdia.
13:08E ele publicou
13:10nos stories dele
13:12disponibilizando
13:13aquela imagem
13:14para tatuar
13:16em quem quiser.
13:17Faz o seguinte,
13:18continua com a gente,
13:19daqui a pouquinho
13:19eu volto a falar com você,
13:20você trouxe vários pontos
13:21que eu já quero debater aqui
13:23com a advogada
13:24que está com a gente
13:24no estúdio,
13:25a psicóloga também.
13:26Camila,
13:27vamos lá,
13:27esse relato
13:28que essa moça fez,
13:30aí no caso,
13:31cabem dois processos,
13:33tanto a perseguição
13:34dela como ex-companheira
13:36e também para esse
13:37atual companheiro dela?
13:39Sim,
13:40e ainda outras pessoas,
13:42porque esse tipo de perfil
13:43de perseguidor,
13:45suponhamos,
13:46agora ela está se relacionando
13:47com esse homem,
13:48com esse namorado,
13:49suponhamos que termine
13:50o relacionamento,
13:51ela comece com outro,
13:52o comportamento dele segue,
13:53ele vai continuar
13:55perseguindo quem quer
13:55que esteja ao lado
13:56dessa mulher.
13:57Então,
13:58precisa parar,
13:59a tentativa de parar
14:00é com relação
14:01a qualquer pessoa
14:02que ele esteja
14:03perturbando a mente,
14:04como ele tem feito,
14:06então é cada um
14:06entrando com a sua ação própria.
14:08Pode ser que ele persiga
14:10os tios da criança,
14:11todas as pessoas
14:12que estejam ao derredor dela,
14:14que é quem ele quer atingir,
14:16porque isso tudo
14:17que ele faz
14:17é para atingir,
14:18ela já acabou a relação
14:19há muito tempo.
14:20Você vê que ele utiliza
14:22o meio de contato
14:23com o próprio filho
14:23para poder,
14:24porque ali ninguém está vendo,
14:25teoricamente, né?
14:26O juiz,
14:27ele deferiu uma chamada
14:28de vídeo,
14:29porque ela não pode
14:29ter contato com ele,
14:30o bebê pequeno.
14:31Então,
14:31ela atende
14:32uma chamada de vídeo
14:33para o pai ver a criança,
14:35ele entra na chamada de vídeo
14:37e ofende a mãe.
14:38Então,
14:38ela está tendo
14:39que colher provas
14:40para mostrar,
14:41olha,
14:41ele não está falando
14:42com o filho,
14:42porque o que ela vai fazer?
14:43Ela não pode desligar
14:44o celular, né?
14:45Ele precisa ter o contato
14:45com o filho,
14:46a relação paterna ali
14:47precisa ser mantida.
14:48Até mesmo a alienação parental,
14:50ele pode responder
14:51nesse caso?
14:52É,
14:52aí vai ter que ser feita
14:53uma avaliação psicológica,
14:54mas do quanto
14:55ele pode estar prejudicando,
14:57né?
14:57A relação
14:59pode gerar também.
15:01Mas,
15:01esse caso,
15:02ele é bem complexo,
15:03está acontecendo muitas coisas
15:05ao mesmo tempo, né?
15:06Ele ameaça,
15:07ele xinga,
15:08ele persegue em redes sociais,
15:09porque ela,
15:10por exemplo,
15:10não segue,
15:11deve ter tudo bloqueado,
15:12tem medida protetiva,
15:13mas ele utiliza outros meios,
15:14porque ele não para.
15:16E olha só,
15:17Dani,
15:18vamos pensar
15:19nessa mulher
15:20que ela tem
15:21todo o direito
15:23de refazer
15:24a vida dela,
15:25de ir em busca
15:25da felicidade,
15:26porque,
15:27né,
15:28assim,
15:28ela já sentiu
15:29esse outro momento,
15:30que bom que ela conseguiu
15:31identificar,
15:32colocar um ponto final,
15:33então,
15:33vida que segue,
15:34vou arrumar uma outra pessoa,
15:36um companheiro,
15:37alguém que me ame,
15:38e aí,
15:40vem o passado
15:41atrapalhando o presente,
15:42né?
15:43Olha só que ponto
15:44que as coisas podem chegar,
15:45a mulher não consegue
15:46refazer a vida dela.
15:47Sabe uma frase
15:48que a gente ouve
15:49com muita frequência,
15:49assim,
15:50ah,
15:50o fulano não aceita o término?
15:52Não tem que aceitar,
15:54né?
15:54Para você se relacionar
15:55com uma pessoa,
15:56sim,
15:56as duas têm que querer.
15:58Agora,
15:58para você encerrar
15:59uma relação,
15:59é unilateral,
16:00então,
16:01basta que um não queira mais.
16:02Em tese, né?
16:04Teoricamente,
16:04um não quer mais,
16:05a relação acabou.
16:06E uma coisa que você falou,
16:07Roberto,
16:07que é muito importante,
16:08é que realmente,
16:10as pessoas têm que entender
16:11que ainda que seja
16:11um relacionamento abusivo,
16:12que ainda que seja
16:13um relacionamento dificultoso,
16:14agressivo,
16:15é um luto que essa pessoa passa.
16:17Ninguém casa,
16:18ninguém se relaciona
16:19pensando em separar.
16:20Então,
16:21quando acontece essa separação,
16:22é um luto.
16:23E aí,
16:23como ela bem disse,
16:24vem esse constrangimento,
16:25infelizmente,
16:26porque eu preciso,
16:27entre muitas aspas,
16:29contar para a sociedade.
16:30E, poxa,
16:31eu que ontem
16:32dizia para todo mundo
16:33que era o homem da minha vida,
16:34hoje preciso falar
16:35para essas mesmas pessoas
16:36que ele é um agressivo.
16:37Então,
16:38por vezes,
16:38isso faz com que você
16:40continue nesse ciclo de agressão,
16:41porque você tem esse medo,
16:42essa preocupação
16:43de ter que falar isso
16:44para as pessoas.
16:45E essas pessoas
16:45são seus familiares,
16:46seus amigos, né?
16:47A gente vai ver agora
16:48um outro depoimento,
16:49tá?
16:50Um depoimento de uma outra mulher
16:51que também vive
16:52um verdadeiro inferno,
16:53porque eu não tenho outra palavra,
16:54é um inferno,
16:55com essas mensagens enviadas
16:57pelo ex-companheiro.
16:58Gente,
16:59roda aí.
17:00Sempre foi humilhante,
17:02palavras de baixo calão,
17:04falando que eu sou isso,
17:06aquilo,
17:06sendo que eu sei
17:07que eu não sou.
17:07Ele sempre falou
17:09e fala esse tipo de coisa
17:11para mim me sentir inferior,
17:13para mim achar que,
17:14tipo,
17:14ah,
17:15eu não vou conseguir ninguém,
17:16eu sou realmente
17:18essa pessoa
17:19que ele tudo fala,
17:22são coisas horríveis.
17:24ele manda pelo celular
17:25dos meninos,
17:26ele manda pelo celular dos meninos,
17:26manda pelo até mesmo
17:27os menores,
17:28pelo de 13 anos,
17:30que agora tem 14,
17:31e anteriormente também.
17:32Ele vai mandando,
17:33ele não tem freio,
17:34ele fala mesmo
17:35para os filhos,
17:36independente que,
17:37tipo,
17:37é minha mãe,
17:38eu choro junto e tal,
17:39ele fala que se ele
17:41tivesse uma arma,
17:42ele me metralhava,
17:43que essa mulher
17:43é uma praga,
17:44que isso,
17:44aquilo,
17:45outro.
17:46A impressão que a gente tem
17:47é que só muda de endereço,
17:49o perfil é o mesmo,
17:50Dani?
17:51O perfil é o mesmo,
17:52você pode perceber
17:52que quando a gente fala
17:53dessas histórias,
17:54eles se repetem,
17:55mas o que eu achei
17:56muito legal
17:56que essa pessoa falou
17:58é que ela falou bem assim,
17:59ele fala isso,
17:59isso,
18:00isso,
18:00mas eu sei que eu não sou.
18:01Então, assim,
18:03tomara que ela realmente saiba
18:04que ela não é
18:05e que todas as pessoas
18:06que passem por isso
18:07entendam que quando essa pessoa
18:09diz dessa agressividade,
18:10ele está querendo te atingir,
18:12ele está querendo te diminuir.
18:13Então, assim,
18:13que você entenda
18:14que isso diz dele, sabe?
18:15E que não diz de você.
18:17Porque quando você começa
18:17a acreditar nisso,
18:18vai ficando cada vez mais difícil.
18:20Então, como os perfis se repetem,
18:22a gente já sabe mais ou menos
18:23como eles se comportam,
18:24que as mulheres entendam
18:25que isso não diz respeito a elas, sabe?
18:27E eu gostei muito
18:28quando ela falou essa frase,
18:29eu sei que eu não sou.
18:30Então, que cada vez mais
18:31as mulheres saibam
18:32que elas não são isso,
18:33que eles estão falando isso
18:33de fato para atingir.
18:34Agora, Camila,
18:35uma dúvida que eu estava tendo
18:36a pesquisar sobre esse assunto,
18:38crime de stalking, né,
18:39que envolve essa perseguição virtual,
18:41ao mesmo tempo que tem
18:43essa parte virtual,
18:44também tem uma agressão
18:46que essa mulher já sofreu
18:48na época que ela era, né,
18:50que tinha um relacionamento
18:51com esse homem.
18:53E aí, qual a delegacia
18:54que a gente procura?
18:55A delegacia de crimes virtuais,
18:56a delegacia da mulher,
18:57qual é o primeiro passo?
18:59Então, o stalking
19:00inserido na violência
19:02contra a mulher, né,
19:02tendo a relação aí,
19:05afetiva,
19:05seja com o ex,
19:06ou com o atual,
19:07ou, né,
19:08ex-namorada, ex-marido,
19:09qualquer companheiro
19:10que você tenha tido
19:11que acontece isso,
19:12a indicação é de dar
19:14na delegacia da mulher
19:15para denunciar
19:16quanto a Maria da Penha,
19:18porque isso daí vai ser inserido
19:19também na violência doméstica,
19:21e para você conseguir
19:21uma medida protetiva,
19:22você precisa estar, né,
19:24enquadrado na lei Maria da Penha.
19:25Enquadrado,
19:26então, você vai ter
19:26uma porta muito maior
19:28para isso, né,
19:29e violência psicológica e tudo.
19:31E o que acontece é que,
19:32só que muitas vezes,
19:33você precisa de atitudes,
19:35de ações que sejam movidas
19:37nas suas redes sociais,
19:38como, às vezes,
19:40esse homem não está
19:41mostrando a identidade dele,
19:42mas você sabe que é
19:43pelo cunho das mensagens.
19:44Então, quem vai desmantelar isso
19:46é a polícia civil
19:48de crimes virtuais.
19:49Então, também cabe ir lá
19:51para buscar esse esclarecimento,
19:52entregar o telefone,
19:53fazer investigação,
19:54as polícias estão unidas nisso,
19:57né,
19:57tudo está dentro
19:57da investigação.
19:59Então,
20:00eu sempre indico
20:01quando o caso
20:02está um pouco mais isolado,
20:04de stalking, né,
20:05e está forte,
20:06a mulher não consegue,
20:07está invadindo,
20:08tem homens que invadem
20:09as redes sociais,
20:10não tem a senha,
20:11mas consegue.
20:12Então, isso daí é hacker, né?
20:14Então, faz tombar
20:15o Instagram,
20:16já entende tudo, gente.
20:18Então, vai nos crimes virtuais
20:20que lá eles estão preparados,
20:21é uma delegacia especializada
20:22nessa área.
20:23E aí, a gente depois
20:24insere também
20:25na Maria da Penha.
20:26Você tocou num ponto importante,
20:28porque tem ex-companheiros
20:31que criam um outro perfil,
20:33um perfil fake
20:34aqui nas redes sociais
20:35só para atacar, né,
20:38a ex-mulher.
20:38Nessa hora,
20:39ele não é machão, não,
20:40entende?
20:40Ele se esconde.
20:41Cadê a cara dele, né?
20:42Cadê?
20:43E assim,
20:44ainda assim,
20:44é possível descobrir.
20:47Super possível.
20:47Não tem como ficar
20:48no anonimato,
20:49não tem?
20:50Tem um IP, né,
20:51que é o que registra,
20:52ah, mas ele foi
20:53numa lan house,
20:53a gente vai saber
20:54que ele estava
20:54naquela lan house.
20:56A gente não pode
20:57entregar esses detalhes,
20:59mas assim,
20:59a polícia está muito
21:01preparada para isso.
21:02Então,
21:03por isso que a gente
21:03tem que denunciar,
21:04porque existe uma investigação
21:06e ela é eficaz.
21:07Então,
21:08a mulher,
21:08ela tem que ir com a sua, né,
21:09aí vem essa outra
21:11indicação à população,
21:13né,
21:13você precisa,
21:14a mulher,
21:15ter essa coragem, né,
21:16buscar essa ajuda,
21:17força.
21:18Ah,
21:18não quero contar para todo mundo,
21:19estou me sentindo envergonhada,
21:20que é o que acontece.
21:21Conta para uma pessoa
21:22que pode te apoiar,
21:23sabe que não vai te julgar,
21:24vai estar junto com você,
21:26para vocês juntas
21:27romperem isso,
21:28porque uma pessoa dessa
21:29só vai parar
21:30quando sentir bater
21:31a água realmente ali.
21:33Então,
21:34e aí,
21:34para não continuar fazendo
21:35com uma,
21:36com outra,
21:36a gente precisa tomar
21:37uma medida, né?
21:38Deixa eu voltar a falar
21:39com a telespectadora
21:40que participa com a gente
21:41por ligação
21:42e, é claro,
21:42por questões de segurança,
21:43a gente não vai identificá-la.
21:45E eu queria que você contasse
21:47que você já tentou de tudo
21:48para impedir
21:50que esse ex-companheiro
21:51continue agindo dessa forma, né?
21:53Já registrou boletim de ocorrência,
21:54tem medida protetiva
21:55e nada,
21:57nada intimida esse homem?
22:00É, Roberta,
22:01infelizmente.
22:02Ele,
22:03na verdade,
22:05ele se faz de vítima
22:06na situação,
22:07na história, né?
22:09Porque
22:09ele alega,
22:12ele distorce os fatos, né?
22:14Em favor dele.
22:15Ele alega que eu faço
22:17alienação parental
22:18e que eu é que não aceito
22:21o fim do relacionamento
22:23e, por isso,
22:24não permito a convivência
22:26dele com o nosso filho.
22:29só que,
22:31como eu tenho medida
22:32protetiva,
22:33ninguém da família dele
22:35e nem da minha família
22:37quer fazer
22:38essa intermediação
22:39para a convivência dele
22:40com o neném, né?
22:42Então,
22:42ficar com o neném
22:43para ele ver.
22:45E aí,
22:46ele alega isso,
22:47ele posta isso
22:48nas redes sociais dele,
22:49que eu sou alienadora.
22:53e, assim,
22:54realmente,
22:54nada impede.
22:56Ele continua,
22:56ele sabe
22:57de todos os
22:58boletins que eu faço,
23:00o processo da Maria da Penha,
23:01eu coloco tudo
23:02no processo
23:03de guarda do neném, né?
23:05Guarda e visitação
23:06do neném,
23:07mas ele não para.
23:08E ele fez,
23:09já fez,
23:10sim,
23:11fakes
23:11para me mandar mensagem,
23:14inclusive,
23:14no início desse ano.
23:16Quando ele achava
23:18que eu estava namorando
23:19com uma pessoa
23:20que era meu amigo apenas,
23:23ele fez montagem
23:24de foto minha
23:25com esse rapaz,
23:27com esse meu amigo
23:28e me enviou,
23:29tanto pelo WhatsApp dele,
23:31quanto por um Instagram fake
23:34que ele fez.
23:36E,
23:37com relação à alienação,
23:39por exemplo,
23:39vocês falaram aí
23:41durante a videochamada,
23:43eu entendo
23:44que,
23:44em alguns momentos,
23:45ele acabou sendo prejudicial
23:47ao neném.
23:48Por quê?
23:49No início do ano,
23:50quando ele achava
23:51que eu estava namorando,
23:53ele não brincava
23:54com o neném
23:55durante as videochamadas.
23:56Ele, o tempo todo,
23:57fazia
23:59comparações
24:00do neném
24:01com o rapaz.
24:02Então,
24:03ele chegou a falar assim,
24:05ah, meu filho,
24:06seu cabelo está ridículo,
24:07igual o do tio fulano.
24:11Você vai usar roupa
24:12igual o homem,
24:13não vai usar roupa
24:13igual ele, não.
24:14Sua roupa está ridícula,
24:16de bermudinha colorida,
24:17florida.
24:20Então,
24:20o tempo todo,
24:21fazendo isso
24:21com o próprio filho.
24:24E o que você espera
24:25a partir de agora,
24:26já que você já tentou
24:27vários caminhos,
24:29nada faz com que esse homem
24:31pare de agir dessa forma,
24:33porque já está prejudicando
24:35até mesmo o próprio filho.
24:37O que você espera?
24:40Roberta,
24:40sendo sincera,
24:42eu não sei o que eu espero,
24:45porque a justiça,
24:48nós já tivemos duas audiências,
24:51ele, para você ter uma ideia,
24:53ele abriu processos criminais
24:56e processos por danos vorais
24:58contra mim,
25:02processos mentirosos,
25:04falando, inclusive,
25:05que eu tinha ameaçado ele de morte.
25:08e esses processos criminais,
25:10eles foram extintos,
25:12porque ele nem compareceu
25:13às audiências,
25:14então,
25:15foram extintos,
25:16mas os de dano moral
25:18os seguem.
25:19E
25:20é um desgaste
25:22muito grande.
25:23Eu tenho que ficar,
25:24foi o que a doutora Camila
25:25falou aí,
25:26eu tenho que ficar
25:27juntando provas
25:28o tempo todo,
25:30o tempo todo,
25:32para mostrar
25:33que não é ele
25:35a vítima.
25:36Olha,
25:37desesperador a gente
25:38se colocar no seu lugar
25:39e ficar aqui ouvindo
25:40todo o seu relato,
25:42meu Deus.
25:43E olha a que ponto,
25:44as consequências
25:45são incalculáveis.
25:47Já é uma relação,
25:48infelizmente,
25:49marcada por turbulências,
25:51um término também
25:53turbulento,
25:53e isso já está se perpetuando
25:55até na criação
25:56desse neném, Dani.
25:57Olha as consequências
25:58inúmeras que pode trazer.
26:00E como a gente falou,
26:02os términos,
26:03eles têm essa fase do luto.
26:05Então, essa pessoa
26:06é como se ela não pudesse sofrer,
26:08ela pensa assim.
26:09E eu percebo também
26:10que passa na cabeça
26:11dessas mulheres assim,
26:12eu não posso assumir
26:13que eu fraquejei,
26:14que eu errei,
26:15mas você não errou,
26:16você é a vítima.
26:18Então, eu acho que é muito importante
26:19a gente falar isso
26:19inúmeras vezes
26:20e é muito importante
26:21quando você traz
26:21esses assuntos,
26:22porque a gente tem que falar
26:23muito assim,
26:24eu vejo no consultório
26:25que elas percebem assim,
26:27eu fraquejei,
26:28eu que errei,
26:28eu tinha que ter me dedicado mais,
26:30eu não podia ter irritado ele.
26:31E perceba que se coloque
26:33no seu lugar de vítima,
26:34você é a vítima,
26:35porque senão a gente
26:36começa a inverter os papéis
26:37que é o que eles querem,
26:38como ela bem disse,
26:39ele quer colocar ele
26:40como a vítima
26:41e colocar como se
26:42ela estivesse errada.
26:43E se você não estiver bem
26:45mentalmente falando,
26:46psicologicamente falando,
26:47você começa a acreditar nisso
26:48e isso não pode acontecer.
26:50A mulher,
26:51nesse caso específico,
26:52ela é a vítima
26:53e ela não fraquejou,
26:54ela não errou,
26:55ela precisa agora
26:56dar conta disso tudo
26:57que está acontecendo.
26:58E os prejuízos
26:59são inúmeros
27:00por conta de uma criança,
27:01tem uma criança envolvida,
27:02e aí a gente vai ver
27:03provavelmente esses prejuízos
27:05na vida adulta
27:06desse menino,
27:07dessa criança,
27:07infelizmente,
27:08a gente vai ver isso.
27:10E da mãe também,
27:11ela é adulta,
27:12mas ela também está passando
27:13por violência psicológica
27:15e essa repercussão interna,
27:17ela aparece também.
27:18Então,
27:19que ela consiga buscar ajuda
27:20e que consiga ter
27:22essa rede de apoio,
27:23porque realmente
27:23faz muita diferença.
27:24Olha só,
27:25tem até um comentário aqui
27:26do Gisele falando também,
27:27ah,
27:27vamos falar das perseguições
27:28das mulheres
27:29aos ex-companheiros.
27:31a gente sabe
27:31que também acontece,
27:33o inverso acontece sim.
27:34Só que é importante
27:35a gente falar,
27:36primeiro,
27:37de a gente aprender
27:40que existe isso,
27:42ok,
27:42mas o número
27:44de mulheres
27:45que relatam isso,
27:46gente,
27:47é infinitamente maior.
27:48Só de janeiro
27:49até setembro
27:50foram 500 boletins
27:51de ocorrências
27:52em relação a isso.
27:54Então,
27:54a gente precisa
27:55dar um basta,
27:56é um assunto
27:57que vem chamando
27:58a atenção
27:58das nossas autoridades.
28:00Camila,
28:01obrigada
28:01pela sua participação.
28:02Infelizmente,
28:03gente,
28:03o nosso tempo acabou.
28:04Agradeço também
28:05a nossa telespectadora
28:06que está participando
28:07com a gente,
28:08que abriu esse detalhe
28:09na vida dela,
28:10o quanto isso deve
28:11mexer no coração
28:12dessa mulher,
28:13gente.
28:13Obrigada,
28:14viu,
28:14pela sua participação.
28:15Tchau.
28:15Tchau.

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