00:00Pra mim foi um susto, aliás, pra todo mundo é, né? Não foi pra mim.
00:04Mas até porque eu não tava me preparando pra receber um diagnóstico.
00:11Eu estava fazendo exames pré-operatórios para uma pós-variável.
00:15Então assim, você acha que você tá no auge, né?
00:17No melhor da tua vida profissional, da tua vida pessoal,
00:21conquistando algo que você lutava muito,
00:22que era uma batalha que eu tinha contra a obesidade.
00:25E aí surge um diagnóstico de câncer de mama no meio de tudo isso.
00:30Então assim, a gente breca e diz, meu Deus, né?
00:35Não era isso que eu tava buscando.
00:37Foi bem complicado, porque naquele momento que eu recebi o diagnóstico de câncer de mama,
00:44eu não pensei em nenhum.
00:46Eu pensei nos meus filhos.
00:49Eu pensei no meu pai, que tinha acabado de perder a minha mãe pro Covid,
00:52fazia dez meses, exatamente no dia que eu recebi o meu diagnóstico.
00:58Então eu pensei neles, né?
01:01E procurei, de alguma forma, passar por isso,
01:08dar força pra eles, entendeu?
01:10E sempre coloquei pra eles, o que que fosse,
01:13que eu queria que eles estivessem inteiros junto comigo, entendeu?
01:18Eu precisava deles ali inteiros.
01:20Eu sei que pra eles era muito difícil.
01:21E a caçula tava com dezoito anos.
01:24Adquiriu, inclusive, um processo de ansiedade nesse período, né?
01:28Porque tinha acabado de perder a voz, que era algo que ela tinha uma relação.
01:32E a gente sabe que o câncer hoje, de mama, ainda é o câncer que mais mata.
01:38Mas também, né, a gente já tem uma geração muito grande, né?
01:44Que já saiu da fase de morte, né?
01:47Ou seja, da estatística de morte, pra estatística de sobrevivente.
01:52Mas ainda é uma doença que ela...
01:55A gente não sabe se o nosso corpo vai responder, né?
01:58A um tratamento.
02:00E aí, fica aquela dúvida.
02:02Será que a gente vai descer?
02:03Será que a gente vai dar conta?
02:05Não vai dar conta?
02:06Atualmente, o autoexame, quer dizer, a palpação das mamas em casa, pela mulher, com o objetivo
02:12de encontrar lesões mamárias, não é recomendado pela Sociedade Brasileira de Mastologia.
02:18Nós recomendamos que a mulher palpe suas mamas com a finalidade de autoconhecimento,
02:23de entender como é que a mama varia, de acordo com o mês, mas com uma forma dela se apropriar
02:29do próprio corpo, sem necessariamente a preocupação de detectar doenças ou detectar o câncer.
02:36A detecção precoce do câncer de mama deve ser feita a partir da mamografia e do exame
02:42clínico, que devem ser feitos em todas as mulheres a partir de 40 anos.
02:47Caso exista alguém na família dessa mulher com histórico de câncer de mama, ela deve
02:53ser revista pelo profissional mastologista que vai definir qual é a periodicidade ideal
02:59e a partir de quando ela deve iniciar os seus exames de rotina.
03:02Caso se perceba alguma alteração mamária, o profissional idealmente a ser consultado
03:08é o médico mastologista.
03:09Claro, nós entendemos que nem sempre existe o acesso fácil ao médico mastologista.
03:15Caso você não tenha acesso ao mastologista, você pode procurar a unidade básica de saúde
03:20próximo à sua casa, passar numa consulta com enfermeira ou enfermeiro, passar em consulta
03:25com o médico clínico, passar em consulta com o ginecologista.
03:29O que não pode é você se impedir, você não procurar o atendimento porque você entende
03:35que existe uma dificuldade nesse acesso.
03:38Então, se você sente alguma coisa diferente na sua mama, que você percebe que precisa de
03:44uma investigação, você deve procurar o atendimento sim.
03:47Seja idealmente com o médico mastologista, mas caso você não tenha acesso com algum profissional
03:52da saúde desses que eu citei anteriormente.
03:54Classicamente se entende como sendo o nódulo a principal apresentação clínica do câncer
04:01de mama.
04:02Mas atualmente, da mesma forma que nós entendemos o câncer como uma patologia múltipla do ponto
04:07de vista biológico, nós também temos que entender o câncer como uma patologia múltipla
04:13do ponto de vista da apresentação clínica.
04:15A enorme maioria dos casos, no mundo ideal, seria diagnosticada sem nenhum sintoma clínico,
04:21simplesmente a partir de uma alteração nos exames de rotina de rastreamento.
04:26Quando existe alguma apresentação clínica relacionada ao câncer, além dos nódulos,
04:32na mama nós devemos estar sempre atentos a nódulos persistentes nas axilas, na região
04:39cervical, feridas na mama, principalmente aquelas que não cicatrizam, a vermelhidão
04:44da mama que deixa ela com aspecto de casca de laranja, principalmente se ela não está
04:49relacionada a nenhum outro sinal inflamatório, como por exemplo febre ou queda do estado
04:55geral.
04:56E líquidos persistentes saindo pela mama, pelo bico da mama, quando eles não são estimulados.
05:03Então se você tem líquido que sai pelo bico da mama, que ele é uma apresentação
05:07transparente ou uma apresentação com aspecto sanguinolento, isso não significa que você
05:12tenha câncer, mas significa sim que você precisa de uma visita ao seu médico mastologista
05:18para avaliar a sua mama e fazer a investigação adequada.
05:21É importante nós lembrarmos também que essas apresentações clínicas não ocorrem apenas
05:27em mulheres cisgêneras, que pessoas trans e que homens cisgêneros também podem desenvolver
05:32o câncer de mama e que isso é uma causa muito importante de diagnóstico tardio nessas
05:38populações.
05:39É nós não entendermos que elas também podem ser acometidas por essa doença tão frequente.