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O câncer colorretal, mais conhecido como câncer de intestino, é o terceiro mais frequente em homens e o segundo entre as mulheres, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer, fica atrás apenas do de mama. Este também é o terceiro tipo de câncer que mais mata no país, tanto entre homens quanto entre mulheres.
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00:08Olá, sejam bem-vindos ao Check-Up Saúde. Eu sou a Alice Sarcinelli e essa é a sua conexão com
00:13os
00:14maiores especialistas em saúde do estado. Gente, hoje a gente vai falar sobre câncer, câncer de
00:21intestino, câncer coloretal. O assunto ficou muito em voga na mídia com o câncer da cantora Simoni,
00:28de 46 anos. A Simoni contou que ela descobriu uma íngua na região da virilha e foi fazer a
00:34colonoscopia, que é um exame que detecta o câncer coloretal e descobriu que estava com câncer.
00:40A gente se colocou no lugar dela, né? Eu que tenho 40, acho que muitas mulheres mais novas e até
00:45mais
00:45velhas. Sempre que acontece algo com algum famoso, a gente pensa, e se fosse comigo? Será que eu teria
00:51acesso a esse exame? Será que já está na idade de eu fazer esse exame? Será que o tratamento dela
00:56vai
00:56ser tranquilo? Será que a Simoni vai perder cabelo nesse tratamento? Todo tratamento de câncer é igual?
01:02Enfim, as dúvidas são muitas quando a gente se coloca principalmente na pele do outro. E a gente
01:07trouxe nossos especialistas aqui para esclarecer tudo que você precisa saber sobre câncer. A gente
01:13tem aqui, então, o doutor Vitor Fiorin, que é oncologista, e doutor Alberto Stein, que é cirurgião do
01:20aparelho digestivo. Sejam bem-vindos. Obrigado, Alice. É um prazer estar aqui com você nesse
01:26programa que traz um debate de qualidade na saúde, né? E um tema tão relevante como o câncer do
01:33intestino. E especialmente ao lado do meu grande amigo e parceiro Vitor, né? É um prazer, tá?
01:38Seja bem-vindo, Vitor, também. Obrigado. Também é uma honra estar aqui mais uma vez com vocês no
01:44Check-Up Saúde, falar um pouquinho, trazer informação para os seus ouvintes, para os seus
01:48telespectadores, porque isso, com certeza, transforma a saúde do Espírito Santo.
01:54Alberto, explica pra gente o que é o câncer de intestino, né? O câncer de intestino é um só.
02:00O que é esse câncer?
02:02Então, Alice, o câncer do intestino, ele é um dos mais prevalentes, ou seja, os mais comuns, câncer do
02:09aparelho digestivo e de uma maneira geral. Ele ocupa a segunda posição, tanto para homem quanto para mulher,
02:16só perdendo para mama, no caso das mulheres, e para próstata, no caso dos homens, de maior incidência de câncer
02:23na população. A gente estima, baseado em dados do Inca, que o Brasil tenha em torno de 20 mil casos
02:31novos
02:32esse ano de câncer de intestino, que é o intestino grosso que a gente está falando, né? Que seria o
02:37colo,
02:37que é o intestino grosso, e o reto, tanto para homem quanto para mulher. E eu fiz uma pesquisa
02:43especificamente para o Espírito Santo, a gente está falando em torno de 520 casos novos,
02:48tanto para homem quanto para mulher. Então, a gente está falando do segundo tipo de câncer
02:54mais comum na população capixaba.
02:58É, então, o câncer que a cometona simonina não é um câncer raro, é um câncer que realmente
03:02pode acontecer com qualquer um e é uma frequência para homem e para mulher muito alta, né?
03:07Nós estamos falando do segundo mais comum. E a gente sabe, dados recentes, que isso tem
03:13acometido pessoas cada vez mais jovens, Alice. O que a gente tem visto nos consultórios,
03:17o Vitor compartilha dessa mesma ideia, é que a gente tem visto pessoas a partir dos 40,
03:2435, 40, 50 anos, coisas que antigamente a gente pensava que o câncer era de intestino,
03:30principalmente, acometia pessoas mais idosas, a partir de 60, 70 anos. E isso a gente tem visto
03:35na nossa prática clínica, caindo a incidência para pessoas mais novas, como a simonia,
03:42aos 43, 44 anos. Então, isso é o comum que a gente tem visto cada vez mais, muito atribuído,
03:48talvez, à ausência de atividade física, ao consumo exagerado de carboidrato, de proteína,
03:56os hábitos ruins, né? Que essa geração nossa tem levado, né? Vamos dizer assim.
04:04E a Simone falou que ela desconfiou por causa de uma íngua na virilha, né? Às vezes a gente tem
04:08um cabelo inflamado ali, percebe realmente que está um pouco mais inchado, não dá a devida
04:16preocupação para uma íngua. Como que a gente pode desconfiar de um câncer coloretal,
04:22de um câncer de intestino? Realmente a íngua é um achado comum? E que outros dados me levam
04:28a desconfiar desse câncer?
04:29Perfeito. Não é um sintoma comum do câncer do aparelho digestivo reto e colo, né?
04:36Esses gânglios, às vezes, eles, por conta do emagrecimento, talvez a pessoa começou a emagrecer
04:42e percebeu um gânglio que antes não era palpável e com o emagrecimento isso se tornou mais sensível.
04:49Quando se tem esses gânglios palpáveis...
04:51Porque o emagrecimento seria um sinal.
04:53Sinal. O emagrecimento inexplicado, quando a pessoa não está fazendo dieta e começa a perceber
04:59que está em uma perda de peso nos últimos 3 a 6 meses inexplicado, tem que chamar a atenção.
05:06Isso para qualquer tipo de tumor, principalmente, mas no aparelho digestivo especificamente.
05:12Além dos mais comuns, os mais alertas, né? Vamos dizer assim, que é a perda de sangue nas fezes.
05:18Então, no momento de olhar se está tendo um sangramento nas fezes durante a evacuação, é importante...
05:27Isso aparece no papel higiênico ao se limpar ou ao olhar as fezes?
05:32Às vezes aparece no papel higiênico e mais comum ao redor das fezes.
05:35Sangue vivo?
05:36Pode ser sangue vivo, pode ser um sangue meio que digerido, como se fosse uma borra de café,
05:42imitando uma borra de café. Esse é um sinal de alerta importante.
05:46Outro sinal de alerta importante, além do emagrecimento que a gente já falou, alteração
05:51do seu hábito intestinal. Você, normalmente, você vai no banheiro a cada 2, 3 dias com as
05:56fezes normais, você nunca percebeu nenhuma alteração. De uma hora para outra as fezes
06:01começaram a ficar finas. Você alterou a forma das fezes. Ou você começou a ter uma diarreia
06:07inexplicável, que com catarro, com muco, com sangue, que pode ser viva ou não.
06:12Isso também é um outro sinal que a gente deve alertar a população a pesquisar e a procurar
06:20um profissional de saúde para continuar investigando.
06:23E, muito comum, Alice, muito comum isso, uma anemia que ninguém descobre de onde é.
06:29Porque existe essa perda de sangue que, muitas vezes, é imperceptível ao olho nu.
06:35E, às vezes, a gente faz um exame de pesquisa de sangue nas fezes e acaba sendo positivo.
06:40Mas um primeiro exame simples de sangue, de rotina, pode demonstrar uma anemia que você
06:46não consegue explicar por uma outra causa. E deve, sim, chamar a atenção para a pesquisa
06:51do foco. Somado a isso tudo que você foi falando.
06:54Às vezes, é a única alteração uma anemia. Sem nenhuma alteração intestinal, sem nenhuma
06:59perda de peso, principalmente no idoso. Uma anemia inexplicável faz a colonoscopia
07:05e a gente acha o tumor no intestino.
07:07E você falou que tem se tornado mais comum. Começou a dar algumas dicas aí de por que
07:12desconfiar que está sendo mais comum. Isso tem a ver com a prevenção.
07:16Se eu pensar hoje, não tenho a doença, mas quero prevenir.
07:20Existe prevenção desse tipo de câncer? Existe algo que eu possa fazer que vai evitar
07:26o aparecimento ou dificultar o aparecimento desse câncer?
07:30Então, a gente tem duas ações quando se fala em prevenção de câncer.
07:34A prevenção primária, que é evitar e desenvolver o tumor, que seria hábitos de vida saudável,
07:39evitar o fumo, evitar o consumo excessivo de álcool, evitar a obesidade, prática de exercício
07:46físico, alimentação com menor quantidade de carnes vermelhas, menor quantidade de embutidos,
07:53que são os presuntos, os enlatados, os conservantes. Esses são clássicos desenvolvedores do tumor.
07:59Aquele fast food, aquela comida prática, congelada, gostosa.
08:05Aquela que está relacionada à prática do dia a dia.
08:09Então, os estudos mostram claramente que a gente deve manter aquele velho hábito de
08:15cozinhar em casa cada vez mais, evitar os usos dos processados.
08:19Isso a gente está falando de prevenção primária, de você evitar de você ter o câncer.
08:23Já a prevenção secundária, ou seja, você conseguir diagnosticar ele numa fase inicial
08:29ou tratável pela colonoscopia, que é ou tratável de forma antes do câncer desenvolver,
08:35que a gente chama que é a colonoscopia, que seria o indicado a partir hoje em dia dos 45 anos.
08:43Por que isso? Isso foi uma mudança recente. Antigamente, nos últimos 2, 3 anos que mudou
08:48essa recomendação. Antes era a partir dos 50 anos.
08:51Como a gente começou a perceber que a incidência aumentou nos jovens a partir dos 40, 45 anos,
08:58houve essa recomendação de se antecipar o início da colonoscopia a partir dos 45 hoje em dia.
09:04E quais são as pessoas que correm mais risco de ter esse tipo de câncer?
09:10Então, o paciente obeso tem mais risco. O paciente que a gente comentou sobre os hábitos de vida.
09:17A gente sabe que pacientes que costumam ingerir grande quantidade de álcool e de fumar e ter obesidade
09:27e hábitos de vida não saudáveis são os que têm maior chance.
09:31Uma história familiar positiva, ou seja, se eu tenho um pai que teve câncer do intestino...
09:36Só do intestino? Se for de próstata, não é correlação?
09:41Próstata até que não, mas mama tem relação, estômago tem relação, endométrio na mulher tem bastante relação.
09:50Ter a endometriose ou ter o câncer?
09:51Ter o câncer do endométrio.
09:53Tem muita relação com o tumor do aparelho digestivo, em geral, especialmente o câncer coloretal.
10:01Doutor Vitor, e com que frequência...
10:03Doutor Alberto já começou a explicar pra gente um pouquinho, né?
10:06Mas com que frequência e a partir de que idade que a gente tem que fazer a colonoscopia?
10:11E explica pra gente como que é esse exame, porque tem muito mito aí, né?
10:15Quando se fala em próstata, em coloretal, as pessoas levam muito pra uma brincadeira,
10:22tudo que é anal traz um desconforto até no assunto em se tocar sobre isso.
10:27Explica pra gente um pouquinho.
10:28Ótimo.
10:29Então, o que é muito importante é entender qual que é o risco desse paciente, o risco dessa pessoa.
10:35Com a população em geral, o que eu quero dizer com isso, pessoas que não têm essa história familiar
10:40que o doutor Alberto comentou, ou que essa população, acima dos 45 anos, ela deve realizar uma colonoscopia.
10:48É muito importante entender que não precisa ter sintoma.
10:52Esse exame é um exame chamado de rastreio.
10:55Ele busca pessoas que não têm sintoma.
10:59É pra todo mundo.
11:00É a idade que vai ditar a hora de fazer o exame.
11:03Fez 45 anos de aniversário, você quer dar um presente pra alguém?
11:07O presente é colonoscopia.
11:09Isso salva vidas.
11:10A gente não tem mais dúvida disso.
11:12Inúmeros estudos mundiais mostraram que isso salva vidas.
11:15A gente convidou uma psicóloga, Beatriz Trancoso, pra explicar pra gente como lidar com um paciente, né?
11:22Um parente, um amigo que tem o diagnóstico de câncer de intestino.
11:27Oi, sabemos o quão doloroso é pra uma pessoa ter câncer de intestino.
11:32Eu tô aqui hoje pra falar não só das dores físicas que acontecem e que aparecem ao longo do...
11:37Mas das dores psicológicas, do abalo emocional que essa pessoa sente.
11:42Desde o recebimento do diagnóstico, que é muito delicado e que muitas pessoas tomam como quase uma sentença de morte.
11:49E todas as dificuldades que aparecem ao longo do tratamento.
11:53Como acolher essa pessoa?
11:55Como acolher um parente ou um amigo que esteja passando por essa situação?
11:59Em primeiro lugar, tendo muita compreensão e sensibilidade.
12:03Porque cada pessoa sente isso de uma maneira diferente.
12:06É impossível quantificar o quanto essa pessoa vai se abalar ou não nessa situação.
12:12Então, isso é muito particular.
12:14Em segundo lugar, mas não menos importante, se atentar a sempre escutar mais e falar menos.
12:21É importantíssimo que essa pessoa consiga colocar em palavras os seus sentimentos.
12:26Consiga nomear um pouco mais as suas dores.
12:30Tudo que ela tá sentindo e como ela tá interpretando aquela situação.
12:34Melhor lugar pra isso e sem dúvida alguma, um acompanhamento psicológico.
12:38É importantíssimo que essa pessoa possa se escutar no meio disso tudo.
12:43Que ela possa se encontrar em todas essas mudanças e transições que ela vai passar ou está passando.
12:51E não só ela, mas as pessoas que estão vivendo e passando pela situação junto com ela.
12:56As pessoas sofrem também.
12:58A gente sabe que a rede de apoio tá ali, ela é fundamental.
13:01Mas que ela precisa se cuidar também.
13:03É impossível esquecer quem já teve, quem tem, é impossível esquecer um câncer.
13:09Mas é possível sim assimilar, lidar melhor, lidar da melhor maneira que for possível pra cada um.
13:17Um abraço.
13:20Com certeza, né?
13:21A dimensão psicológica, ela tem que ser levada em consideração.
13:24Imagino pra vocês como médico que deve fazer parte da rotina esse tipo de encaminhamento, né?
13:29Hoje a parte do tratamento é multidisciplinar.
13:33Ninguém tem dúvida realmente que não é só o oncologista, ou só o cirurgião, ou o patologista.
13:38A gente precisa da nutrição, a gente precisa da psicologia, a gente precisa do fisioterapeuta, do educador físico, do dentista.
13:46De toda essa equipe que, em prol do paciente, isso realmente promove a saúde e o bem-estar do paciente.
13:52Doutor Alberto, explica pra gente em detalhes como que é a colonoscopia, esse exame, então, que todo mundo deve fazer
13:59a partir dos 45 anos, e qual que é o preparo pra ele.
14:03Se eu tenho uma colonoscopia marcada, geralmente o que a gente tem que pensar pra se preparar pro exame?
14:08Perfeito.
14:09Alice, eu acho que você tá trazendo um tema muito importante e que a gente tem que ajudar a desmistificar
14:16essa questão da colonoscopia.
14:18É um exame extremamente seguro, é um exame que se faz na base que a gente chama de ambulatorial, ou
14:24no consultório privado do médico, ou nos ambulatórios do SUS.
14:28É um exame praticamente indolor, porque é feito sobre sedação, acompanhado geralmente por um anestesista, que faz uma sedação leve,
14:39um paciente pede, fica uma sedação leve, pra que o profissional consiga fazer a colonoscopia.
14:46consiste na introdução de um endoscópio, de um colonoscópio, que a gente chama, que tem uma câmerazinha na ponta.
14:53Seria um fio fino com uma câmera na ponta.
14:56É, na grossura de um dedo, mais ou menos.
14:58E na ponta teria uma câmera onde o profissional vai investigando todo o intestino, desde o reto, desde o ânus,
15:07até o final do intestino grosso, que a gente chama de seco.
15:11Então, isso é muito importante, porque ele consegue analisar praticamente todo o colo, quando é feito de uma maneira adequada.
15:20E quando o preparo, como você me perguntou, está de uma maneira adequada.
15:25Alguns pacientes precisam repetir o processo, porque quando chega na hora de fazer o exame, está com o colo que
15:32eles chamam mal preparado.
15:33O que é isso? Então, se dedicar antes, quando o médico prescreve, as clínicas prescrevem, no dia anterior, um preparo.
15:41Preparo é o que a gente tem que fazer antes do exame.
15:45Exatamente. O que seria o preparo?
15:46Existe uma dieta específica, de um a dois dias antes, pra ir limpando o intestino de todo o resíduo fecal,
15:53pra que durante o exame, a pele, que a gente chama de mucosa do intestino, esteja completamente limpa,
16:00pra que todas as áreas possam ser analisadas e não passar nada despercebido durante o exame.
16:06É claro, eu costumo dizer que essa é a parte mais chatinha do exame.
16:10E isso evoluiu muito. Antigamente, os preparos eram longos, três, quatro dias.
16:15E com a evolução da medicina, os preparos se tornaram bem mais toleráveis, vamos dizer assim.
16:22A gente convidou, pra sentir na pele, uma paciente que teve câncer de intestino, câncer retal.
16:29A gente vai ouvir agora o que ela tem a dizer pra gente.
16:32Meu nome é Elisângela.
16:34Em 2017, em uma viagem com alguns amigos, eu comi ostra.
16:42E após algumas horas, eu comecei a sentir sintomas como de uma gastroenterite.
16:48Com dores abdominais, seguido de muita diarreia.
16:54Esses sintomas foram persistindo por alguns dias e eu resolvi procurar ajuda médica.
17:02Pra minha surpresa, após alguns exames, foi identificado um câncer de reto.
17:10E eu dei início ao tratamento oncológico, que foi seguido de cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
17:22Eu estou finalizando o protocolo de cinco anos.
17:26Estou curada.
17:28E, ao contrário do que muitos pensam, eu tive um tratamento, graças a Deus, firme, né?
17:38O meu tratamento me permitiu ter, por exemplo, uma quimioterapia via oral,
17:44que me deu uma qualidade de vida melhor pra seguir o tratamento.
17:50Doutor Vitor, a Elisângela, então, traz pra gente a questão do tratamento.
17:54Vamos explicar um pouquinho pro nosso público como que é esse tratamento,
17:57que mistura é essa de tratamentos que ela passou, se isso é comum, se é prático?
18:01Perfeito.
18:03O principal pilar do tratamento do câncer de intestino, quando ele é localizado,
18:08ou seja, quando ele está restrito ao reto, ao intestino ou aos gânglios, é a cirurgia.
18:14Esse é o principal tratamento curativo.
18:17Algumas das vezes, principalmente quando tem gânglios acometidos,
18:21também esse tratamento precisa ser adicionado de quimioterapia.
18:26Qual que é a boa notícia aqui?
18:27A boa notícia é que essa quimioterapia aumenta ainda mais a chance de cura desse paciente.
18:32E essa quimioterapia, muitas vezes, nem cai o cabelo, por exemplo,
18:36que é um dos principais medos das mulheres e também dos homens.
18:40E no caso específico do câncer de reto, que é a parte final do intestino,
18:44boa parte das vezes também se usa a radioterapia.
18:47Mas cada... a ordem do tratamento, quimioterapia, radioterapia, cirurgia,
18:54é fundamental ser discutida antes de se diagnosticar, assim que se diagnostica.
18:58Então, uma vez diagnosticado o câncer,
19:02opta, então, por uma reunião em que se discute o caso do paciente
19:06e decide-se entre esses três modalidades de tratamento.
19:08E a gente fala dos exames, né?
19:11Qual o especialista que a gente procura para poder fazer esse rastreamento?
19:16Quem é que vai pedir a colonoscopia?
19:19Quem é esse profissional?
19:20E de quanto em quanto tempo eu tenho que procurar esse profissional?
19:23Isso varia um pouco, Alice.
19:25Hoje, o médico em si, né?
19:28Inicialmente, o médico de família pode solicitar a colonoscopia,
19:31não necessariamente um oncologista ou cirurgião,
19:34porque muitas vezes a gente está na ponta, o oncologista ou cirurgião está na ponta, né?
19:39Depois que já teve o diagnóstico, né?
19:41Quem normalmente faz o pedido é o gastroenterologista, né?
19:45O médico de família ou um clínico que percebeu essas alterações e recomendou, né, Vitor?
19:51E além disso, a população mesmo, ela tem que desenvolver o hábito do autocuidado, Alice.
19:57Então, se a gente está informando a população que a partir dos 45 anos
20:01é recomendado fazer a colonoscopia, vá no seu médico, peça a colonoscopia,
20:06olha, eu estou com 45 anos, eu não tenho nenhum sintoma,
20:09mas eu quero fazer meu check-up, porque eu vi no programa da Alice
20:14que está recomendado fazer a colonoscopia aos 45 anos.
20:17Eu acho que é essa a mensagem que a gente tem que passar.
20:20E hoje em dia, qualquer médico, profissional médico, pode solicitar o exame
20:24e a partir dos 45 anos, pelo menos uma colonoscopia.
20:29E se tiver normal, a gente pode estender isso para cada 5, 6 anos.
20:34Se durante essa colonoscopia a gente já encontrar a pequena verruguinha, né,
20:39que é o início desse câncer, que a gente chama de pólipo,
20:43aí, às vezes, esse intervalo de 5 anos deve ser um pouquinho menor em cada 1 ou 2 anos,
20:48para que, caso se encontre outro pólipo, ele possa ser removido pela própria colonoscopia,
20:56resolvido o problema e não vai precisar da ajuda de um cirurgião
21:00e muito menos do oncologista para resolver uma coisa que a colonoscopia resolve.
21:05Perfeito. Aqui no programa a gente tem sempre um compromisso com a saúde pública,
21:09explicar sobre o seu direito no SUS e como conseguir ter acesso a esse tipo de rastreio
21:15e de tratamento. Doutor Vitor, a gente teve uma lei recente,
21:19o senhor atua no SUS, tratando pacientes no Hospital das Clínicas, né,
21:23no nosso UCAM, oncológicos e fazendo rastreio também.
21:27Explica para a gente um pouquinho sobre essa lei e o que ela passou a garantir
21:32e como a gente faz para poder ter acesso a esse tipo de tratamento e de rastreio no SUS.
21:37Ótimo. Então, realmente foi um marco na saúde pública brasileira.
21:41Pela primeira vez, por força da lei, vai entrar em vigor agora a capacidade da gente solicitar
21:49e permitir solicitar o exame de colonoscopia para rastreio dos pacientes acima dos seus 45 anos.
21:56Então, essa é uma mudança de prática.
21:59Então, você que está na saúde pública pode procurar a sua unidade básica de saúde,
22:03conversar com o seu médico família, conversar com o especialista que você confia
22:07e você também vai ter direito ao exame de colonoscopia.
22:11É, gente, isso é uma vitória, é uma lei de maio que entra em vigor com 90 dias.
22:16Então, agora, a partir de agosto, a gente espera que o Estado, né,
22:20consiga realmente fazer as pactuações necessárias para poder fazer, cumprir a lei.
22:25Está chegando ao fim o nosso Check-Up Saúde de hoje.
22:28Eu agradeço muito a presença, doutor Vitor, doutor Alberto.
22:32Alice, um prazer estar aqui no seu programa, junto com o Vitor,
22:36falar de um tema que a gente atua há décadas, né?
22:39E a mensagem final é que o tumor do intestino, apesar de ser bem frequente,
22:45ele é um dos que tem a maior chance de cura, Alice.
22:48Hoje a medicina está bem evoluída, os tratamentos oncológicos estão bastante evoluídos
22:53e o diagnóstico precoce, como todo tumor, como todo câncer, é a nossa chave mestra.
23:02Quando a gente descobre no começo, os tratamentos são mais simples,
23:05as chances de cura são maiores.
23:06Mais uma vez, agradeço a oportunidade e se a gente, precisando da nossa atuação,
23:15toma disposição e conta comigo sempre que você precisar.
23:20Obrigada.
23:21Também agradeço a Alice a oportunidade, é um prazer estar com o Alberto aqui.
23:24A mensagem também é que a imensa maioria dos pacientes vai ser curado.
23:28Então existe, não é, o câncer não é uma sentença de morte, é uma sentença de vida.
23:32O que a gente mais ouve nos nossos consultórios é, depois desse diagnóstico,
23:36minha vida melhorou, a minha vida mudou.
23:39A gente repensa conceitos e esses pacientes voltam para a sociedade,
23:43voltam para a sua família, continuam sendo pais, continuam sendo mães, continuam trabalhando.
23:47Então, mantenha esse ativo, faça os exames e conta com a gente.
23:52Perfeito.
23:53Muito obrigada.
23:54Esse foi o nosso Check-Up Saúde de hoje.
23:56Até semana que vem.