Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 2 minutos
Rayane Veloso descobriu o câncer na mama direita dias depois do falecimento da mãe. No vídeo ela fala como tem sido o tratamento

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Eu acho que um diagnóstico desse é um convite para a gente rever várias coisas na nossa vida, né?
00:06É quando a gente fica perto de perder tudo que a gente tem que a gente dá mais valor.
00:18A empresária Rayane Veloso descobriu o câncer de mama aos 36 anos, dias após o falecimento de sua mãe.
00:25Hoje, durante sua última sessão de quimioterapia, ela conversa com a Gazeta.
00:31Rayane, em maio você descobriu o nódulo sem o direito. O que você lembra desse dia?
00:37Eu lembro que era um dia comum, né? Eu estava vivendo um processo de luto, né? Da perda da minha
00:43mãe.
00:43E quando eu fui tomar banho, eu visualizei no espelho um nódulo bem visível, assim.
00:51E fiquei preocupada, né? Como eu já tinha tido um diagnóstico da minha mãe recente e tive o diagnóstico de
00:59câncer.
01:00Como que foi receber esse diagnóstico?
01:02É, não vou dizer que foi fácil, né? Receber um diagnóstico desse de forma inesperada.
01:08Sempre sendo jovem, né? Vivendo uma vida saudável e sem nenhuma complicação de saúde.
01:14Tendo amamentado, dois filhos, saudáveis. A gente nunca espera.
01:20Mas, ao mesmo tempo, o tempo conspirou ao meu favor, porque eu consegui fazer esses exames muito rápido.
01:28É um câncer agressivo.
01:30Sim, é um câncer que se prolifera de forma muito rápida, né?
01:35Recentemente, eles descobriram um remédio que atua muito bem no tumor.
01:40Então, a resposta é muito positiva.
01:43Então, tenho esperança, né? De que o tratamento tenha surtido efeito.
01:50E o tumor, pelo que os médicos já passaram, ele não é mais palpável.
01:55Então, ele respondeu ao tratamento.
01:57A gente vai descobrir na cirurgia se essa resposta foi completa de fato.
02:01Como que está o seu tratamento hoje?
02:03A gente tem os efeitos colaterais de uma medicação muito forte.
02:07Então, mexe muito com a nossa capacidade física.
02:12A gente fica com indisposição.
02:14Tem uma série de efeitos colaterais.
02:16Mas, de todos eles, eu aprendi a escutar o meu corpo, a respeitar as minhas limitações.
02:21O que muda na cabeça, na sua cabeça, desde que você recebe o diagnóstico do câncer de mama?
02:28Eu acho que um diagnóstico desse, ele é um convite para a gente rever várias coisas na nossa vida, né?
02:34É quando a gente fica perto de perder tudo que a gente tem, que a gente dá mais valor.
02:39Em julho, você decidiu compartilhar a sua história nas redes sociais.
02:42Cerca de uns dois meses atrás, eu fui diagnosticada com câncer de mama.
02:49Primeiro, eu queria informar o meu estado de saúde para as pessoas que não tinham coragem de me perguntar pessoalmente.
02:55Então, quebrar esse tabu, né?
02:58Muitas pessoas não sabem nem como chegar, como perguntar, saber do estado de saúde.
03:04E fui surpreendida positivamente com pessoas fora do meu ciclo social que mandaram mensagem,
03:11que estavam enfrentando os mesmos problemas e tudo, e que se identificaram muito com a minha história.
03:16E para as mulheres que estão enfrentando a mesma batalha que eu, para que elas pudessem sentir esse apoio, né?
03:22E se inspirar na minha história, para saber que não é o fim, é possível viver a vida com um
03:28diagnóstico de câncer.
03:30Semanas depois, você decide também divulgar um vídeo raspando o cabelo, né?
03:36Junto com o seu filho mais velho.
03:41Foi o momento mais difícil?
03:43Eu me preparei muito psicologicamente para isso.
03:47Eu vivi o outro lado, que foi quando a minha mãe teve que raspar o cabelo.
03:51Foi, tinha sido há um mês atrás, antes do meu diagnóstico.
03:55E eu vi como foi sofrido para ela perder o cabelo.
03:59Eu vi ela rezando para que isso não acontecesse.
04:01E eu vi depois, senti na pele como isso afeta a autoestima da mulher, né?
04:07Você perde, primeiro você tem um diagnóstico de câncer, que já é algo muito pesado.
04:12Quando o meu cabelo começou a cair, que eu vi que não tinha jeito, eu assumi mesmo.
04:17Eu falei, eu vou raspar e eu vou manter a minha identidade sem o cabelo.
04:22E eu resolvi mostrar para todo mundo.
04:24Primeiro, eu tive essa vontade de ressignificar esse momento pelos meus filhos.
04:32Principalmente meu filho mais velho, que era muito apegado ao meu cabelo.
04:35Sempre me viu com cabelos compridos, adorava meu cabelo.
04:39Então, eu não queria que fosse um momento traumatizante para ele,
04:43que se marcassem a infância dele de uma forma negativa.
04:46Então, eu tentei fazer da forma mais lúdica possível e feliz.
04:50E fazendo isso para os meus filhos, eu acabei ressignificando isso para um monte de mulheres.
04:55Que hoje se inspiram na minha história e na forma como eu conduzi
05:00para assumir também, raspar o cabelo, não se sentirem mal com isso.
05:09E manterem a sua autoestima.
05:11Quais são os próximos passos do tratamento?
05:14Agora, depois da última sessão de químio, eu vou para a cirurgia.
05:18Vou fazer uma mastectomia bilateral e reconstrução, tudo na mesma cirurgia.
05:25E vou fazer um exame durante a cirurgia que vai detectar se eu tive a resposta patológica completa ou não.
05:31Que vai ditar o tratamento.
05:33Você vai precisar de radioterapia, hormonoterapia ou outros medicamentos.
05:38Como que você enfrenta um tratamento desse com tanta leveza?
05:41Eu acredito que essa doença, ela veio para me ensinar muita coisa.
05:47Ela já ensinou.
05:49E para que eu possa ajudar outras pessoas também.
05:51Isso me traz muito conforto.
05:53Então, estou em paz.
05:54E eu não deixei o câncer tomar conta da minha vida.
05:57Em momento nenhum.
05:58Durante esses seis meses, teve momentos que você chorou?
06:03Que você teve medo?
06:05Olha, a gente sempre tem os momentos, né?
06:07Principalmente por conta da perda da minha mãe.
06:10Hoje eu queria...
06:10Ela, infelizmente, não sobreviveu à quimioterapia.
06:13E eu acho que esse sentimento, quando eu fico mais emotiva, é quando eu me lembro da minha mãe.
06:19Passando pelo mesmo tratamento que eu estou passando hoje.
06:23Ela ficou careca.
06:25Ela sofreu muitos efeitos da quimioterapia no hospital.
06:27Então, eu pude viver esses dois lados.
06:30Tanto de acompanhante, como de paciente.
06:33E eu acho que o que mais me deixa emotiva é que eu gostaria que ela estivesse vivendo esse momento
06:38junto comigo.
06:40Saudade.
06:42Mas eu convivo com essa saudade diariamente.
06:45E ela que me dá força.
06:47Eu tenho certeza que ela está lá, se molhando aqui por mim.
06:52Para as mulheres que estão assistindo, que se cuidem, se olhem, se priorizem.
07:00A gente tem que estar bem para poder cuidar do outro.
07:03Principalmente as mães.
07:05E para quem está enfrentando essa batalha, eu gostaria de dizer que não tenha medo.
07:11Vai com fé.
07:13Que vai dar tudo certo.
07:21E para quem está enfrentando essa batalha, eu gostaria de dizer que não tenha medo.

Recomendado