Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 6 horas
Check-Up Saúde: saiba quais são os direitos das mulheres grávidas

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Eu acho que todo mundo ficou chocado em pensar pelo que essa mulher e as outras que estavam ali,
00:05que também foram anestesiadas por esse médico, passaram, porque são memórias que ficam no resto da nossa vida.
00:11E assim, se você ouvir agora os nossos especialistas, sentir que passou por violência obstétrica,
00:17por qualquer um desses casos que a gente vai citar e outros que você pode procurar,
00:21até no Google, nos manuais do SUS, é só se informar por manuais realmente de fontes confiáveis como o do
00:28SUS.
00:29Você tem até três anos para poder procurar os serviços e denunciar.
00:33Doutor Sobral, contra a violência existe a humanização.
00:37O parto humanizado ficou muito ligado ao parto normal.
00:42Mas explica para a gente, uma cesárea também pode ser um parto humanizado.
00:46O que é a humanização do parto?
00:49A gente considera a humanização a esse respeito do desejo da paciente.
00:54A paciente em primeiro lugar, a paciente aqui no Brasil, ela tem o direito a escolher se ela quer o
00:58parto normal, quer a cesárea.
00:59Ela pode escolher?
01:00Pode escolher.
01:01Ela pode chegar no hospital e falar, eu não quero sentir dorora nenhuma, eu já quero ir direto para uma
01:06cesárea?
01:07Se ela estiver com 41 semanas de gestação, ela pode escolher.
01:11Ou se ela estiver em trabalho de parto, nesse momento ela pode escolher.
01:14Ela não pode escolher o dia do parto, mas a via do parto ela pode escolher.
01:18É um direito dela.
01:19E o parto normal também.
01:21O parto normal também.
01:22O médico não pode falar, ah, eu só faço cesárea, eu não faço parto normal.
01:27A violência obstétrica foi muito difundida até por esse viés aí de pacientes que se sentiram desrespeitadas no seu desejo
01:34de ter parto normal
01:35e que o médico, de alguma maneira, forçou a cesariana.
01:39Então, assistentes sociais, psicólogas, começaram a descrever isso e publicar isso e foi dando voz a esse tema.
01:49São os casos mais comuns de violência.
01:53E isso, a paciente do SUS, ela relata o contrário.
01:57Ela relata que às vezes o médico não quer fazer a cesariana, mas isso a gente tem que sempre ter
02:03muito cuidado.
02:03Mas a questão da humanização é você respeitar aquele momento ali, o nascimento de uma família que está ali.
02:11Então, é o direito a um acompanhante, seja no parto normal ou seja na cesariana.
02:15É o direito de colocar a criança em contato imediato com a mãe, logo depois do nascimento.
02:21Se possível, se a criança estiver bem, estimular o primeiro contato com o bico do seio.
02:26Isso é muito importante.
02:27É importante também a hora ouro, que é a primeira hora depois do nascimento, essa criança, hora nenhuma se separar
02:34da mãe, ficar o tempo todo ao lado dela.
02:37Mesmo que seja um parto de cesárea, as equipes precisam se preparar para permitir esse contato da mãe com a
02:43criança nessa primeira hora de vida.
02:45Que hoje a gente sabe que isso é muito importante para a saúde.
02:49Deve garantir, com certeza.
02:50Com as crianças que nascem bem nas gestações normais.
02:53A gente trouxe uma assistente social do Hospital das Clínicas para explicar sobre uma lei de 2005 que garante a
03:01toda mulher o acompanhante durante o seu parto.
03:06Bom, então a gente vai falar um pouquinho hoje sobre o direito do acompanhante, a gestante, parturiente.
03:12Essa lei vem falando da humanização no cuidado, de um SUS integral, de um SUS de qualidade, de um SUS
03:23pensado para o sujeito e como sujeito.
03:26E em 2005 é lançada a lei de acompanhante ao parturiente, a gestante, e que dá direito ao acompanhante de
03:39livre escolha.
03:40Essa é uma informação importante durante o período de pré-parto, parto e puerpério, que corresponde até 10 dias pós
03:48o nascimento, pós o parto.
03:52Bom, é importante a gente pensar qual é o foco dessa legislação e qual é o foco dessa diretriz de
03:59cuidado que a gente tem dentro do SUS.
04:01E a proposta nada mais é do que fazer com que essa mulher, com que essa gestante, com que essa
04:08família tenha esse nascimento com segurança,
04:12tenha esse momento do parto, seja ele cesárea ou natural, que tenha isso com confiança, que diminua a insegurança, risco
04:21de depressão,
04:22que a ansiedade dessa mulher seja reduzida com a presença de quem ela confia.
04:27Por isso de livre escolha, e livre escolha a gente precisa pensar que está atrelado também aos diferentes modelos de
04:36família
04:36que a gente possa considerar na nossa sociedade.
04:40Família hoje não é mais só sanguínea, é também aquela que a gente confia, aquela que a gente escolhe.
04:46Então é importante que a equipe de saúde seja aberta a receber essa gestante com o acompanhante de escolha dela,
04:53que esse acompanhante tenha lugar e tenha participação nesse cuidado.
04:57Isso nada mais é do que trazer o sujeito a ser ativo também no processo de saúde dele.
05:03Bom, eu desejo que todas as equipes estejam de coração aberto para sempre receber o acompanhante junto do seu paciente.
05:11Um abraço!
05:12Doutora, essa é uma realidade? A gente tem o acompanhante presente?
05:16Esse caso triste desse estupro, houve a solicitação para o acompanhante se retirar da sala em um determinado momento.
05:25Isso então vai contra essa lei?
05:27Sim, vai contra a lei.
05:29Evidentemente nós temos particularidades de alguns serviços, então isso precisa ser construído,
05:34mas eu acho que é fundamental, né, lá no CAM, essa foi uma conquista que a gente vem trazendo.
05:41É fundamental que a paciente possa ter esse direito.
05:43Na saúde suplementar, nas maternidades privadas, isso já está muito bem estabelecido, né.
05:49Sempre houve uma certa resistência dos meus amigos anestesistas, né, em relação à presença do acompanhante, né.
05:56Mas essa resistência vem sendo vencida, né, Alessandro, gradativamente.
06:00Então a gente hoje tem, a gente não pode falar assim que no Brasil todo, que é um país continental,
06:07que tem várias realidades, maternidades em diferentes condições, isso acontece.
06:11Mas esse é o ideal, porque se a equipe está ali só com a paciente, por mais que você queira,
06:17às vezes você pode distrair, vai querer conversar sobre futebol ou sobre alguma outra coisa,
06:22que não é o mais importante que está ali.
06:24E quando tem um acompanhante, que pode ser a mãe, pode ser a irmã, nem sempre, às vezes é o
06:29marido,
06:29pode ser o marido ou o companheiro, né, você já fica mais dentro daquele ambiente de família.
06:35Você percebe mais que está nascendo uma família ali.
06:38Você pode até falar, vai ser flamenguista, né, mas falando daquela criança, daquela família,
06:43daquelas pessoas que estão ali.
06:45Então, assim, essa questão do direito de acompanhante, ela qualifica o atendimento realmente
06:48e deve ser oferecido em todos os serviços.
06:51É, eu acho que até, né, doutor Alessandro, nas consultas pré-anestésicas, né, que essa
06:57gestante passa, a gente tem acompanhado uma mudança, agora os maridos, os companheiros,
07:03as companheiras querem estar junto com a mulher nesse momento e acho que a gente esclarecer
07:10para a população isso como direito facilita também, né, o trabalho de vocês.
07:15Certamente. Só contradizendo um pouco o que ele falou, na verdade não é questão do anestesista
07:20ser contra o acompanhante. Isso sempre foi uma coisa mais institucional do que profissional
07:25da parte da nossa especialidade. E a partir do momento que isso se tornou lei, ela começou
07:30a ser cumprida nos locais que a praticava, certo?
07:36Independente da direção, né?
07:38Exatamente.
07:39Da vontade.
07:40Então, assim, na verdade o que se percebe, o que se percebeu com o tempo é que o acompanhante,
07:45a presença dele é até benéfica na sala de parto por principalmente tranquilizar a gestante
07:50num momento tão complicado, de ansiedade, de expectativa.
07:55Então, acabou que foi uma coisa benéfica, né, para a gestante, para o acompanhante e também
08:00para os profissionais envolvidos.
08:02Sim. Gente, um outro acompanhante da gestante que a lei também garante, além do seu familiar,
08:09nas diferentes configurações, conformações como a nossa entrevistada trouxe, a gente
08:15também tem direito a uma doula. E a doula não é só no serviço particular, não.
08:20Nós temos doulas também que doam o seu trabalho, que fazem um papel realmente gratuito de acompanhar
08:28essas mulheres no momento de parto também pelo SUS. E a gente trouxe uma psicóloga que faz
08:34formação de doulas para explicar para a gente mais esse ponto de uma forma de analgesia,
08:41de alívio da dor, sem ser pela via dos remédios, né, sem ser pelos médicos que estão ali
08:47e também uma segurança a mais, já que a gente está falando de segurança na hora do parto hoje.
08:53Olá, eu sou Cláudia Murta, psicóloga, professora da UFIS e estou aqui para falar de um personagem
09:03muito importante da humanização do parto e nascimento, a doula. Doula quer dizer servidora,
09:10uma mulher que serve a outra mulher que se encontra em trabalho de parto.
09:17Ela, com sua experiência, seja por experiência própria, seja por acompanhamento de outras gestantes,
09:26sabe o que vai, o processo e o andamento do que vai acontecer naquele momento.
09:31E, diante disso, pode oferecer tranquilidade e segurança para parturiente, não só para ela,
09:40mas também para o relacionamento entre a mesma e a equipe de trabalho, fazendo com que essa última
09:48possa realizar um bom trabalho. Segundo o livro da doula, sua presença tem diminuído em 25%
09:57do tempo total do parto. Além disso, ela diminui o número de cesarianas, diminui o uso de fórceps,
10:06diminui o uso de medicação, o uso de ocitocina. Portanto, é uma presença muito importante que contribui
10:19para que a mulher possa realizar um parto com tranquilidade. E sua presença também é importante,
10:29não só com o parto normal ou a pretensão do parto normal, mas mesmo com partos em necessidade de cesariana.
10:43Portanto, doula, no meu entender, é sinônimo de humanização.
10:53Legenda Adriana Zanotto

Recomendado