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  • há 2 dias
Recentemente tivemos um caso na mídia de um médico anestesista que estuprou uma paciente durante o parto, gerando um medo a mais para as mulheres que se colocaram no lugar daquela gestante. Vamos falar sobre a Segurança da mulher no momento do parto.

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Transcrição
00:07Olá, eu sou a Alice Sarsinelli. Seja bem-vindo ao Check-Up Saúde pela Folha Vitória e Pan News.
00:15Hoje, gente, a gente vai falar de um tema que é um pouco triste. A gente vai falar de violência
00:20obstétrica e como garantir a segurança da gestante durante o parto. Recentemente na mídia,
00:28a gente teve um caso de um estupro cometido por um anestesista que deveria estar ali para proteger
00:34a mulher durante o parto e justamente esse profissional de saúde foi o autor de um estupro
00:40da gestante durante seu parto. Então, nós mulheres, nós já temos diversos medos que rompam a nossa
00:47cabeça quando a gente pensa no momento do parto. A gente tem medo pela nossa saúde, pela saúde do
00:52nosso filho. A gente tem dúvidas se vai conseguir ter um parto normal, natural ou cesárea, se a gente
00:59vai sentir dor. Dor é um grande medo das gestantes, né? E justamente um profissional que era para estar
01:04ali para protegê-la foi que cometeu o crime. Mas além desse fato, que a gente espera que seja um
01:11fato
01:11isolado, existe a violência obstétrica. Então, diversas violências cometidas contra mulheres.
01:18No Brasil, a gente tem dados de que no SUS, até 40% das mulheres passam por algum tipo de
01:24violência
01:25obstétrica. Então, a gente não pode se calar. A gente tem que discutir esse tema, porque é a partir
01:31da informação que você vai poder saber se passou ou não por uma violência obstétrica. E se você ainda
01:38não teve filho, está grávida, como se prevenir para não passar? Então, a gente tem hoje aqui dois
01:44convidados, dois especialistas. Seja bem-vindo, doutor Sobral e doutor Alessandro Franzotti.
01:51Prazer estar aqui. Prazer, todo mundo.
01:54Prazer receber vocês aqui. Vamos tirar as dúvidas, né? Das nossas ouvintes, dos maridos também, nesse
02:00momento de insegurança, né? De todas as famílias. Doutor Sobral, vamos começar entendendo o tema? O que é a
02:07violência obstétrica? Esses dados assustam, né? Tanta violência obstétrica acontecendo. O que é?
02:14Como que eu sei que eu estou passando por uma violência obstétrica?
02:19Esse é um tema que é muito discutido hoje, né? Não só pelo Ministério da Saúde a nível do Brasil,
02:26mas a própria
02:27Organização Mundial de Saúde tem diretrizes, né? Para os serviços de saúde, no sentido de evitar que a mulher,
02:36num período mais delicado da sua vida ali, da construção da família, do nascimento do filho, ela não sofra
02:42algum tipo de agressão, né? Seja verbal, seja física, seja de acolhida, né? Pela sua equipe de saúde.
02:53A gente nem gosta muito do termo violência obstétrica, que parece a violência cometida pelo obstétrico,
02:58pela equipe médica.
03:00Nem sempre, nem sempre a equipe médica. Às vezes é um funcionário da limpeza, né? Que faz um comentário
03:07pejorativo, faz um comentário inadequado, né? Que expõe aquela paciente a uma situação inadequada.
03:14Então é qualquer, vamos dizer assim, falta de respeito ou de procedimentos que não tenham indicação científica
03:24para serem feitos, né? É preciso ter cuidado, porque nem todo procedimento realizado é uma violência.
03:32Muitos procedimentos são necessários a ser feitos pelas equipes da área de saúde na gestante,
03:37no sentido de assegurar uma segurança para ela e para o filho.
03:41Mas esse é um tema que nós precisamos debater com muita transparência, com muita clareza,
03:47junto à sociedade, para que a gente possa cada vez mais trabalhar na prevenção,
03:52para que situações como o que você relatou aí, que é um extremo, né?
03:57Nunca tinham visto falar de um caso como esse, né?
04:00Não ocorra, mas assim também como a paciente não tenha respeitado o seu desejo
04:06em relação à presença do acompanhante, em relação ao tipo de parto, né?
04:11E aquilo que ela pensou ou planejou que seja possível de ser feito
04:16para o momento do nascimento do seu filho.
04:19Sim, gente, às vezes a gente acha que esse é um problema, né?
04:22Da rede pública, ah, não quero ter filho no SUS, queria ter oportunidade de ter um médico particular.
04:28Também, infelizmente, foi manchete há pouco tempo, uma blogueira da classe alta de São Paulo
04:34com um dos médicos mais renomados também do Brasil, um grande ginecologista.
04:38E mostra os vídeos dele, doutor, xingando ela, pedindo para ela fazer força, fazendo força excessiva na barriga dela.
04:47Isso também é violência obstétrica.
04:49Sim, a manobra de compressão de clistelé é uma manobra que está proscrita na...
04:56Que é o que? Apertar a barriga da mulher, para forçar o neném a descer.
05:01Exatamente. E aí você... Como também, no caso desses vídeos, né? O linguajar, né?
05:08Então, assim, a gente deve sempre orientar as equipes, né?
05:12A acolhida da paciente é muito importante, né?
05:15E estabelecer uma relação respeitosa da equipe com essa paciente é fundamental.
05:21E aí, evidentemente, as palavras que cabem aí são palavras de incentivo.
05:26Porque o parto, ele é como se fosse um esforço físico mais intenso, né?
05:31E nesse esforço físico, a equipe deve estar ao lado da paciente falando, vamos, né?
05:36Sim, ninguém mais do que ela quer que seja rápido, né?
05:40Quer que aconteça de uma maneira...
05:41Você vai conseguir transmitir segurança para ela e estímulo, né?
05:47Principalmente dizendo que ela é capaz, que vai ser um momento bacana,
05:51que está todo mundo ali do lado dela para poder ajudá-la, né?
05:54Sim, e é um momento muito marcante, né, gente?
05:56Na vida da mulher, o momento do parto.
05:59Então, eu acho que todo mundo ficou chocado em pensar pelo que essa mulher
06:03e as outras que estavam ali, que também foram anestesiadas por esse médico, passaram.
06:08Porque são memórias que ficam no resto da nossa vida.
06:11E, assim, se você ouvir agora os nossos especialistas,
06:15sentir que passou por violência obstétrica,
06:17por qualquer um desses casos que a gente vai citar e outros que você pode procurar,
06:21até no Google, nos manuais do SUS,
06:24é só se informar por manuais realmente de fontes confiáveis como o do SUS.
06:29Você tem até três anos para poder procurar os serviços e denunciar.
06:33Doutor Sobral, contra a violência existe a humanização, né?
06:38O parto humanizado, ele ficou muito ligado ao parto normal.
06:41Mas explica para a gente, né?
06:43Uma cesárea também pode ser um parto humanizado.
06:46O que é a humanização do parto?
06:48A gente considera a humanização, né, a esse respeito do desejo da paciente.
06:54Em primeiro lugar, a paciente aqui no Brasil, ela tem o direito a escolher
06:57se ela quer o parto normal, quer a cesárea.
06:59Ela pode escolher.
07:00Pode escolher.
07:00Ela pode chegar no hospital e falar,
07:03eu não quero sentir dorora nenhuma, eu já quero ir direto para uma cesárea?
07:07Se ela estiver com 41 semanas de gestação, ela pode escolher.
07:11Ou se ela estiver em trabalho de parto, nesse momento ela pode escolher.
07:14Ela não pode escolher o dia do parto,
07:16mas a via do parto, ela pode escolher um direito dela.
07:19E o parto normal também.
07:21O parto normal também.
07:22O médico não pode falar, ah, né, eu só faço cesárea, eu não faço parto normal.
07:27A violência obstétrica, ela foi muito difundida até por esse viés aí,
07:30de pacientes que se sentiram desrespeitadas no seu desejo de ter parto normal
07:35e que o médico, de alguma maneira, forçou a cesariana, né?
07:39Então, assistentes sociais, psicólogas, começaram a descrever isso, né,
07:45e publicar isso, né, e foi dando voz a esse tema.
07:49São os casos mais comuns, né, de violência.
07:53E isso, a paciente do SUS, ela relata o contrário.
07:57Relata que às vezes o médico não quer fazer a cesariana, né,
08:00mas isso a gente tem que sempre ter muito cuidado.
08:03Mas a questão da humanização é você respeitar aquele momento ali,
08:08é o nascimento de uma família que está ali.
08:11Então, é o direito a um acompanhante, seja no parto normal ou seja na cesariana.
08:15É o direito de colocar a criança em contato imediato com a mãe,
08:19logo depois do nascimento.
08:21Se possível, se a criança estiver bem, estimular o primeiro contato com o bico do seio.
08:26Isso é muito importante.
08:28É importante também a hora ouro, que é a primeira hora depois do nascimento,
08:32essa criança, hora nenhuma se separar da mãe,
08:35ficar o tempo todo ao lado dela,
08:36mesmo que seja um parto de cesárea,
08:38as equipes precisam se preparar
08:40para permitir esse contato da mãe com a criança
08:43nessa primeira hora de vida,
08:45que hoje a gente sabe que isso é muito importante para a saúde.
08:49Deve garantir, com certeza.
08:50Com as crianças que nascem bem nas gestações normais.
08:53A gente trouxe uma assistente social do Hospital das Clínicas
08:57para explicar sobre uma lei de 2005
09:00que garante a toda mulher o acompanhante durante o seu parto.
09:06Bom, então a gente vai falar um pouquinho hoje
09:08sobre o direito do acompanhante, a gestante, parturiente.
09:13Essa lei vem falando da humanização no cuidado,
09:18de um SUS integral, de um SUS de qualidade,
09:21de um SUS pensado para o sujeito e como sujeito.
09:25E em 2005 é lançada a lei de acompanhante,
09:32a parturiente, a gestante,
09:36e que dá direito a um acompanhante de livre escolha,
09:39essa é uma informação importante,
09:42durante o período de pré-parto, parto e puerpério,
09:46que corresponde até 10 dias pós o nascimento, pós o parto.
09:52Bom, é importante a gente pensar qual é o foco dessa legislação
09:57e qual é o foco dessa diretriz de cuidado que a gente tem dentro do SUS, né?
10:02E a proposta nada mais é do que fazer com que essa mulher,
10:07com que essa gestante, com que essa família,
10:09tenha esse nascimento com segurança,
10:12tenha esse momento do parto, seja ele cesárea ou natural,
10:15que tenha isso com confiança, que diminua a insegurança, risco de depressão,
10:22que a ansiedade dessa mulher seja reduzida com a presença de quem ela confia.
10:27Por isso, de livre escolha,
10:29e livre escolha a gente precisa pensar que está atrelado também
10:34aos diferentes modelos de família que a gente possa considerar na nossa sociedade.
10:40Família hoje não é mais só sanguínea,
10:42é também aquela que a gente confia, aquela que a gente escolhe,
10:45então é importante que a equipe de saúde seja aberta
10:48a receber essa gestante com o acompanhante de escolha dela
10:52e que esse acompanhante tenha lugar e tenha participação nesse cuidado.
10:57Isso nada mais é do que trazer o sujeito a ser ativo também no processo de saúde dele.
11:03Bom, eu desejo que todas as equipes estejam de coração aberto
11:07para sempre receber o acompanhante junto do seu paciente.
11:11Um abraço!
11:12Doutora, essa é uma realidade?
11:14A gente tem o acompanhante presente, esse caso triste, né, desse estupro,
11:19houve a solicitação para o acompanhante se retirar da sala em um determinado momento, né?
11:25Isso então vai contra essa lei?
11:27Sim, vai contra a lei.
11:29Evidentemente, nós temos particularidades de alguns serviços, né,
11:33então isso precisa ser construído, mas eu acho que é fundamental, né,
11:37lá no CAM, essa foi uma conquista que a gente vem trazendo,
11:41é fundamental que a paciente possa ter esse direito.
11:43Na saúde suplementar, nas maternidades privadas, isso já está muito bem estabelecido, né,
11:49sempre houve uma certa resistência dos meus amigos anestesistas, né,
11:53em relação à presença do acompanhante, né,
11:56mas essa resistência vem sendo vencida, né, Alessandro, gradativamente,
12:00então a gente hoje tem, a gente não pode falar assim que no Brasil todo,
12:05que é um país continental, que tem várias realidades, maternidades em diferentes condições,
12:10isso acontece, mas esse é o ideal, porque se a equipe está ali só com a paciente,
12:15por mais que você queira, às vezes você pode distrair, vai querer conversar sobre futebol
12:20ou sobre alguma outra coisa que não é o mais importante que está ali.
12:24E quando tem um acompanhante, que pode ser a mãe, pode ser a irmã,
12:28nem sempre, às vezes é o marido, pode ser o marido ou o companheiro, né,
12:32você já fica mais dentro daquele ambiente de família,
12:35você percebe mais que está nascendo uma família ali,
12:38você pode até falar, vai ser flamenguista, né,
12:40mas falando daquela criança e daquela família e daquelas pessoas que estão ali.
12:44Então, assim, essa questão do direito de acompanhante,
12:47ela qualifica o atendimento realmente e deve ser oferecido em todos os serviços.
12:51É, eu acho que até, né, doutor Alessandro, nas consultas pré-anestésicas, né,
12:56que essa gestante passa, a gente tem acompanhado uma mudança,
13:01agora os maridos, os companheiros, as companheiras querem estar junto com a mulher nesse momento
13:07e acho que a gente esclarecer para a população isso como direito facilita também, né, o trabalho de vocês.
13:15Certamente, só contradizendo um pouco o que ele falou,
13:18na verdade, não é questão do anestesista ser contra o acompanhante.
13:21Isso sempre foi uma coisa mais institucional do que profissional da parte da nossa especialidade.
13:27E a partir do momento que isso se tornou lei,
13:30ela começou a ser cumprida nos locais que a praticava, certo?
13:35Independente da direção, né?
13:38Exatamente.
13:39Da vontade.
13:40Então, assim, na verdade, o que se percebe, o que se percebeu com o tempo,
13:43é que o acompanhante, a presença dele é até benéfica na sala de parto,
13:48por principalmente tranquilizar a gestante num momento tão complicado,
13:52de ansiedade, de expectativa,
13:55então acabou que foi uma coisa benéfica, né,
13:58para a gestante, para o acompanhante e também para os profissionais envolvidos.
14:02Sim.
14:02Gente, um outro acompanhante da gestante, que a lei também garante,
14:07além do seu familiar,
14:09nas diferentes configurações, conformações,
14:12como a nossa entrevistada trouxe,
14:15a gente também tem direito a uma doula.
14:17E a doula não é só no serviço particular, não.
14:20Nós temos doulas também que doam o seu trabalho,
14:24que fazem um papel realmente gratuito
14:27de acompanhar essas mulheres no momento de parto também pelo SUS.
14:31E a gente trouxe uma psicóloga que faz formação de doulas
14:35para explicar para a gente mais esse ponto de
14:39uma forma de analgesia, de alívio da dor,
14:42sem ser pela via dos remédios, né,
14:45sem ser pelos médicos que estão ali,
14:47e também uma segurança a mais,
14:49já que a gente está falando de segurança na hora do parto hoje.
14:54Olá, eu sou Cláudia Morta, psicóloga,
14:58professora da UFIS,
15:00e estou aqui para falar de um personagem muito importante
15:04da humanização do parto e nascimento,
15:06a doula.
15:07Doula quer dizer servidora,
15:10uma mulher que serve a outra mulher
15:14que se encontra em trabalho de parto.
15:17Ela, com sua experiência,
15:20seja por experiência própria,
15:22seja por acompanhamento de outras gestantes,
15:24sabe o que vai,
15:27o processo e o andamento do que vai acontecer naquele momento.
15:31E, diante disso,
15:33pode oferecer tranquilidade e segurança para a parturiente.
15:38Não só para ela,
15:40mas também para o relacionamento
15:43entre a mesma e a equipe de trabalho,
15:46fazendo com que essa última possa realizar um bom trabalho.
15:49Segundo o livro da doula,
15:52a sua presença tem diminuído em 25% o tempo total do parto.
15:59Além disso,
16:01ela diminui o número de cesarianas,
16:03diminui o uso de fórceps,
16:06diminui o uso de medicação,
16:11o uso de ocitocina.
16:14Portanto,
16:15é uma presença muito importante
16:18que contribui
16:19para que a mulher
16:22possa realizar
16:24um parto com tranquilidade.
16:27E sua presença também é importante
16:29não só
16:30com o parto normal
16:34ou a pretensão do parto normal,
16:37mas mesmo com
16:38partos em necessidade de cesariana.
16:43Portanto,
16:44doula,
16:45no meu entender,
16:46é sinônimo de humanização.
16:50Perfeito.
16:51Doutora,
16:51explica para a gente.
16:52Acho que depois desse episódio do estupro,
16:55de todas as violências,
16:56a mulher fica com medo.
16:57Eu vou agora ter o neném.
16:59Não quero ficar desacordada.
17:01Às vezes,
17:02mesmo com o meu acompanhante
17:03ou não tendo acompanhante,
17:06como que é a anestesia?
17:07Anestesia da cesárea,
17:09que foi esse caso do estupro,
17:10a mulher estava passando por uma cesárea,
17:12ela realmente deixa a mulher desacordada
17:15e no parto normal a mulher fica acordada?
17:18Qual que é a diferença
17:19das anestesias na cesárea e no parto normal?
17:23De forma alguma,
17:25a paciente
17:26precisa ficar desacordada
17:28durante uma cesariana.
17:29Isso não existe.
17:31O que difere basicamente
17:32a anestesia da cesariana
17:34para o parto normal,
17:35a via de administração é a mesma.
17:38O que muda é a dose
17:40do medicamento usado,
17:41o que possibilita,
17:43no caso da cesariana,
17:44para que seja feita uma cirurgia,
17:47ou seja,
17:47a paciente fica sem sensibilidade
17:49da região ser operada.
17:50Aumenta a dose do remédio.
17:52Aumenta a dose do medicamento.
17:53E no parto normal,
17:54você faz o medicamento necessário
17:56para aliviar ou tirar a dor da paciente,
17:59o que torna o parto normal
18:01uma experiência muito mais
18:03agradável para a paciente que solicita.
18:06Alguns casos podem ocorrer sedação
18:09durante uma cesariana?
18:11Sim.
18:11Desde que seja solicitado pela paciente.
18:14Nunca pode ser feito de forma arbitrária
18:17pelo anestesista
18:18ou por quem quer que seja.
18:20É sempre uma solicitação
18:21da paciente para com o médico.
18:23O momento, então, de pedir
18:26não é o médico que define
18:28no caso de um parto normal.
18:30Se ela está sentindo dor,
18:32independente de quanto ela está
18:33de dilatação,
18:34se for bem no início
18:35do trabalho de parto,
18:37com pouca dilatação,
18:38ela já pode ali pedir?
18:40Ou se alguém falar
18:41não, você tem que esperar mais,
18:42a sua dor ainda não merece
18:44uma analgesia,
18:45uma anestesia,
18:46ela tem que esperar?
18:47Sim.
18:48Alguns protocolos
18:49de alguns locais
18:51preconizavam que a paciente
18:52precisava atingir
18:53uma certa dilatação
18:54do colo terino
18:55para conseguir solicitar a analgesia.
18:58Hoje já mudou isso.
18:59Em qualquer momento
19:00do trabalho de parto,
19:01a paciente pode solicitar.
19:02e isso sempre é combinado,
19:05conversado entre a paciente,
19:06o acompanhante,
19:08o obstetra
19:08e o anestesiologista.
19:10E o efeito
19:11dessa anestesia, né?
19:13Já que a mulher não fica
19:14desacordada,
19:15mas ela tem
19:16esse alívio da dor,
19:17às vezes precisa ser
19:18um pouco mais intenso,
19:19por causa da cesárea,
19:21a dose é maior.
19:22Por quanto tempo
19:23a mulher fica anestesiada?
19:25Na analgesia de parto,
19:27no qual ela fica sem dor
19:28ou com uma dor menor
19:30do que ela estava sentindo,
19:32a dose
19:34preconizada
19:35causa um alívio imediato
19:37que dura
19:38em torno de duas horas
19:40a três horas,
19:41nem sempre a necessidade
19:42de uma outra dose.
19:43No caso da cesariana,
19:46em que é feita
19:46uma dose
19:47para uma cirurgia,
19:49o efeito da anestesia
19:50passa em torno
19:50de duas horas e meia
19:51a três horas.
19:53E o fato da mulher
19:55pedir a anestesia,
19:57pedir a analgesia,
19:58isso pode atrapalhar
19:59o trabalho de parto,
20:00a força que ela vai fazer?
20:02Ela tem que tentar
20:03suportar a dor
20:04por mais tempo
20:05para trabalhar
20:06ou não vai influenciar
20:07na qualidade?
20:09Doutor Sobral,
20:10também,
20:10se quiser colaborar.
20:12Essa é um pouco,
20:13é um super polêmico um pouco,
20:14porque em alguns casos
20:16em que a analgesia,
20:17ela demora
20:18a ser solicitada,
20:19a paciente pode se encontrar
20:20no trabalho de parto
20:21muito prolongado
20:22e quando é feita
20:23essa analgesia,
20:24ela pode relaxar bastante
20:26ao ponto de
20:26atrasar um pouco
20:28o trabalho de parto.
20:29Estatisticamente,
20:30aumenta o uso
20:31de instrumentos
20:32no parto normal,
20:34mas certamente
20:35os benefícios
20:35superam isso.
20:37Exato.
20:38E assim,
20:39acho que,
20:40até aqui para
20:41agora elogiar,
20:43a equipe de anestesia
20:45tem um papel fundamental
20:46na humanização,
20:47porque assim,
20:48para aquelas pacientes
20:48que querem um parto normal,
20:50e que aceitam,
20:52além das medidas
20:54não farmacológicas,
20:55que é o banho quente,
20:57que é a presença,
20:57a massagem
20:58feita pelo marido,
20:59pela doula,
21:00o ambiente seguro,
21:01que tira aquele ciclo
21:03da tensão,
21:04dor,
21:05tensão,
21:06a analgesia
21:06é um grande instrumento
21:08para favorecer
21:08o parto normal
21:09e o parto humanizado,
21:12porque o maior medo
21:13que a paciente tem
21:14do parto
21:15é justamente
21:15se ela vai suportar
21:16ou não a dor.
21:17e você hoje tem
21:18técnicas seguras
21:19de analgesia
21:20que permite
21:21a paciente
21:22enfrentar o trabalho
21:23de parto
21:23com bastante conforto,
21:26né,
21:26e não há por que ter medo
21:28dela de parar
21:29o trabalho de parto,
21:30né,
21:31só que a gente
21:31precisa entender
21:32que em determinados
21:33momentos
21:34a analgesia
21:35pode aumentar
21:36a necessidade
21:36de uso do fósse,
21:37por exemplo,
21:38que não é uma violência,
21:40é uma alternativa
21:41que o médico
21:42pode usar
21:43e deve usar
21:44para humanizar o parto
21:45no sentido de encurtar
21:46um período expulsivo
21:48e de preservar
21:49o cérebro
21:50daquela criança.
21:51Então,
21:52é importante,
21:53lógico,
21:53se a gente puder
21:54fazer o parto
21:55sem o fósseps,
21:56maravilhoso,
21:57mas o fósseps,
21:58o vácuo extrator,
21:59que é uma outra ferramenta
22:00também que pode utilizar,
22:02ele tem indicações
22:03com comprovação científica
22:05e pode ajudar
22:06a paciente
22:06e a paciente
22:07deve estar informada
22:09dessas possibilidades
22:11de procedimentos
22:12que vão encurtar
22:14o período expulsivo
22:16no sentido de proteger
22:17o feto
22:17caso haja indicação.
22:19Não é todo o parto
22:20que precisa,
22:21mas quando precisa
22:22a gente tem que estar
22:23apto a fazer.
22:25Doutor Sobral,
22:26a gente está chegando
22:27ao final do nosso programa,
22:28mas a gente tem um compromisso
22:29com a saúde pública,
22:31então,
22:32eu queria que o senhor
22:32explicasse para o nosso ouvinte
22:34se a mulher
22:36passou por violência obstétrica
22:38e a gente sabe
22:39que ela tem até três anos
22:40para mover algum processo
22:43contra a violência
22:44que ela passou.
22:45Quais são os canais?
22:46O que ela deve fazer?
22:47Onde ela deve denunciar?
22:49Olha, no SUS,
22:50você tem os serviços
22:51de ouvidorias
22:52que são obrigatórios,
22:53tem a ouvidoria do SUS,
22:55que é a ouvidoria central,
22:56e você tem os serviços
22:57de ouvidorias
22:57do próprio hospital,
22:58que pode ser
22:59um primeiro canal
23:00de denúncia
23:01para que seja apurado
23:02se aquilo realmente
23:03foi uma violência ou não,
23:04que é fundamental
23:05a apuração
23:06e caso haja
23:07a responsabilização
23:08da instituição
23:09ou de quem levou
23:10a lesão.
23:11Mas sempre
23:13com uma apuração
23:13feita de uma maneira séria.
23:15E na saúde suplementar
23:17tem a Agência Nacional
23:18de Saúde,
23:19que é o plano de saúde,
23:20tem a Agência Nacional
23:21de Saúde
23:22que defende
23:23o parto humanizado
23:24através do projeto
23:24Parto Adequado,
23:26tem também
23:26a própria direção
23:28do hospital
23:29e as ouvidorias
23:31dos seus planos
23:32de saúde.
23:34Perfeito.
23:35Eu queria agradecer
23:36muito a presença
23:37de vocês,
23:38os esclarecimentos
23:39aqui hoje.
23:40Foi um prazer
23:41estar com você
23:42aqui e com o Alessandro.
23:44É um prazer,
23:44estou sobrado.
23:45Qualquer dúvida,
23:46gente,
23:47que vocês tiverem,
23:47podem me procurar
23:48nas redes sociais
23:49arroba
23:50doutoralice
23:50Sarcinelli
23:51ou no WhatsApp
23:52da Pan News.
23:53Essas e outras dúvidas
23:54e temas polêmicos
23:55a gente quer trazer
23:56e esclarecer
23:57aqui para você
23:58toda semana
23:59no Check Up Saúde.
24:00Até semana que vem.

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