00:00Vamos agora voltar a falar sobre o caso do adolescente autista que foi agredido numa escola lá de venda nova
00:07do imigrante.
00:08Nós conversamos com ele e apesar de tudo que ele passou, ele quer continuar estudando e sonha em ser veterinário.
00:16Balança a reportagem.
00:22Com o olho roxo e o sentimento de medo.
00:28Esse garoto de apenas 13 anos foi brutalmente agredido dentro de uma escola estadual.
00:36Esse caso envolvendo o menino Douglas aconteceu aqui no município de Venda Nova do Imigrante.
00:44Uma cidade que fica na região serrana do estado do Espírito Santo, a pouco mais de 100 quilômetros da capital
00:52Vitória.
00:52Nós viemos aqui para conversar pessoalmente com a família desse adolescente.
00:58Eles moram ali, naquele portão verde.
01:02E nós vamos lá conversar com a mãe, também com a vítima dessa agressão e com a advogada da família,
01:11que tem acompanhado todo o trâmite legal desse caso que aconteceu com esse garoto.
01:17Vamos lá conversar com eles.
01:20Quem nos recebeu foi a mãe de Douglas, o aluno agredido.
01:25O detalhe dessa história de violência é que o adolescente é autista e mesmo assim foi ferido por um outro
01:33aluno.
01:34Peguei meus dois meninos pequenos e fui até a escola.
01:37E quando você chegou lá, qual foi a cena que você viu?
01:40Meu filho chorando muito, sentado na secretaria, lá na coordenação.
01:45Ele estava chorando muito.
01:46Ele estava com a mão segurando um monte de papel no rosto, né?
01:50E o nariz dele assim, estava tudo cheio de sangue, porque estava sangrando.
01:53O cortezinho assim tinha sangrado também.
01:55E aí ele chorava muito, ele chorava muito, muito mesmo, muito.
01:59A mãe não esconde a revolta, não esconde a dor de ver o filho, que necessita de atenção especial, todo
02:06ferido.
02:07Quando eu via a cena, eu entrei em pânico, né?
02:10Porque eu não esperava que eu fosse chegar na escola e encontrar meu filho ali chorando na frente.
02:13Depois de ver a cena do filho todo ensanguentado, a dona de casa não pensou duas vezes em procurar ajuda.
02:21E aí eu perguntei o que tinha acontecido para a coordenadora.
02:24E aí ela me comunicou que era uma raquete que o menino tinha levado para a escola,
02:30que o menino tinha pegado a raquete, o Douglas viu a raquete jogada no pátio, no chão,
02:34e aí pegou a raquete para brincar.
02:36E aí o menino começou a gritar com o Douglas que a raquete era dele.
02:39E aí pediu para o Douglas soltar a raquete.
02:41E o Douglas não soltou, disse que o Douglas continuou andando com a raquete na mão.
02:44E aí nisso que o Douglas continuou andando, disse que ele correu atrás do Douglas,
02:47tomou a raquete do Douglas e tinha batido no Douglas.
02:49E aí ela ainda falou para mim, olha, eu vou falar a minha parte que eu ouvi do menino.
02:53Depois o Douglas fala, né, a parte dele.
02:56E aí foi assim que aconteceu.
02:57Douglas, quando ela acabou de falar assim para mim, eu só falei para ela assim, ó,
03:01estou indo para a delegacia e para o conselho do telar.
03:03A mãe se emociona ao lembrar do dia da agressão.
03:07Só ela sabe como é cuidar e zelar por um filho autista.
03:12E aí a diretora chegou, Douglas.
03:15Eu estava dentro da coordenação e a diretora ficou só na janela do lado de fora, né?
03:19Ela não entrou dentro da coordenação, ela ficou lá de fora conversando comigo, pela janela.
03:22E aí começou a questionar que o Douglas precisa se adaptar à escola, que a escola precisa se adaptar ao
03:27meu filho,
03:28que o meu filho estava em fase de adaptação e que ele, ela falou assim que...
03:35Ela falou assim, o Douglas, que ele estava tendo evolução dentro da escola, né?
03:39Que ele podia se adaptar melhor com o tempo, que eles estavam conversando com ele, para ele aprender.
03:50Quando acontecesse algo na sala de aula, ele aprendia a ignorar.
03:54Quando um amiguinho implicasse com ele ou falasse alguma coisa que ele não gostasse,
03:58era para ele aprender a ignorar.
04:00E que eles estavam tendo esse trabalho de estar conversando com ele.
04:03Então, assim, o Douglas, eu me senti muito pior ainda, porque é uma coisa assim,
04:08todo mundo sabe que a gente tem que aprender a lidar com o mundo deles.
04:13E aí, para mim, foi um fato de...
04:17Eles estavam forçando o meu filho a ter que se adaptar àquela situação.
04:22Ou ele abaixa a cabeça para ouvir, né?
04:25Esperar deixar para lá, acontecer o que tiver que acontecer, né?
04:28E simplesmente assim, Douglas, achar que o meu filho tem que se adaptar às situações deles.
04:32Douglas é esperto, adora desenhar.
04:36Conversa que é uma beleza.
04:38O garoto conta com detalhes.
04:41O porquê foi agredido.
04:43Eu estava lá no requeio, e aí, então, eu assinei uma raquete noção.
04:47Aí eu peguei para ir brincar, né?
04:49Só que aí um cara de lá apareceu e mandou eu soltar a raquete.
04:53Só que eu não soltei e saí andando com a raquete para poder ir brincar.
04:56Aí saiu correndo atrás de mim, pegou a raquete de mim e bateu no meu olho.
05:00Como é que está o seu olho agora?
05:02Está doendo ainda?
05:03Como é que você está?
05:04Ainda está doendo, só que está um pouco melhor.
05:07Sim.
05:08E você está enxergando bem?
05:10Não muito.
05:11Quando eu fecho o meu olho que está bom e deixo aberto o que está ruim, aí a minha visão
05:15fica amarela.
05:17Mas você está enxergando com dificuldade, então?
05:19É tipo, fica tudo amarelo.
05:21O menino revela que nem sempre consegue participar das atividades desenvolvidas em sala de aula.
05:29Em algumas atividades do ad-gupo, eles não deixavam participar.
05:34A mãe do garoto conta que há bastante tempo tenta que o filho tenha uma atenção especial
05:40na escola para aprender e se desenvolver.
05:43Mas não consegue.
05:45O Estado alega que os direitos são para crianças que são cadeirantes, com deficiência física,
05:52para outros tipos de deficiência.
05:53Uma deficiência que não fala, né?
05:55Que precisa da pessoa para poder dar de comida.
05:57E o meu filho come, meu filho anda, meu filho fala.
06:00Então, eles alegaram a isso, que ele não tem direito por esse motivo.
06:03Essa advogada que acompanha a família explica que Douglas e todos os autistas têm direito
06:10a um acompanhamento especial.
06:12Existem três ou quatro leis federais que dão o direito ao autista de ter um acompanhamento
06:21na escola.
06:22Alguns chamam de cuidador, outros de acompanhante, enfim.
06:27Muito embora, existe uma portaria do governo do Estado, dizendo que apenas quem não fala
06:34e anda que teria esse direito.
06:38Não é bem assim.
06:39A portaria estadual que está contrariando algumas leis federais.
06:45Então, o Douglas tem o direito ao acompanhamento.
06:48A família teve uma reunião com a escola e com representantes do Conselho Tutelar e outros
06:54órgãos.
06:55Mas nada foi resolvido.
06:57Eu, particularmente, eu não observei nenhuma medida, nenhuma proposta para mudar essa
07:05realidade efetiva.
07:08Eles, a todo momento, dizem que não, a gente cuida bem, a gente tenta incluir.
07:14Mas como?
07:15Não tem.
07:16Até pelos relatos do próprio Douglas, uma das reclamações é que ele não é incluído
07:22nas atividades, em algumas atividades.
07:25Não posso te afirmar se por professores ou por colegas, mas ele reclama muito dessa exclusão
07:32dele do ambiente escolar.
07:42A advogada aguarda os trâmites legais da polícia e da Secretaria Estadual de Educação para
07:50decidir o que fazer.
07:51Já o Douglas, apesar de toda a sua ingenuidade, sonha alto, quer ser um grande profissional.
08:01Ô Douglas, conta pra mim, que história é essa que você tem um sonho quando você
08:06crescer mais ainda?
08:07Você quer ser o quê?
08:08Um veterinário.
08:09Você quer ser veterinário.
08:10Por que veterinário?
08:11Porque eu gosto de animais.