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  • há 3 semanas
Família tenta superar o assassinato de corretor de imóveis, na Serra.

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00:00Este ano, até o mês de abril, o Estado registrou, segundo a Secretaria de Segurança Pública, 379 homicídios.
00:09E é um número preocupante, viu? E a gente precisa, então, discutir alternativas para reduzir essa violência.
00:15Então, para isso, eu converso agora aqui no estúdio com o diretor do Sindicato dos Policiais Federais do Espírito Santo
00:21e também mestre em Segurança Pública, Fabrício Sabaini.
00:26Muito obrigada pela sua presença aqui, mais uma vez no Fala Espírito Santo.
00:30E a gente também recebe aqui a Amabile Borba junto com a mãe, a Alice, que recentemente elas perderam o
00:37pai, o esposo da Alice,
00:39de uma forma totalmente cruel. Não é verdade, Amabile?
00:44Obrigada pela presença de vocês. Boa tarde.
00:46Eu que agradeço a oportunidade de estar vindo falar, né?
00:50É mais um reforço de que a gente ainda está em busca de justiça, que a dor não passa.
00:55Todos os dias parece que ainda é o mesmo dia que eu perdi meu pai dessa forma tão brutal e
01:00tão violenta como foi.
01:02Como é que é para vocês conviver com a ausência do marido, do pai? Como é que é isso?
01:08Não tem explicação. Não tem... Tem dias melhores, tem dias piores.
01:16Mas, em geral, é sempre... Ainda ontem eu estava fazendo as contas, o mês virou, eu tenho que pagar as
01:22contas e tudo.
01:22Daqui a pouco, minha filha chegou perto de mim e eu estava tendo uma crise de choro.
01:26Aí ela falou, mãe, está chorando por quê? O dinheiro não vai dar?
01:29Eu falei, não é isso não. É porque era ele que provia tudo dentro de casa.
01:32E aí, de repente, você tem que se ver... No meu caso, nós éramos extremamente parceiros.
01:39Tudo era nós dois. Nós trabalhávamos juntos, nós gerávamos a casa juntos.
01:47E aí, de repente, eu estou sozinha para gerir tudo.
01:50As meninas me ajudam como podem, mas elas também.
01:54E aí, aos poucos, a gente só se dá conta de quanto a gente era protegida tendo ele.
01:59E, de repente, foi muito de repente.
02:02Vamos relembrar o caso para o pessoal de casa, que a gente até noticiou aqui no Fala Espírito Santo, no
02:08Cidade Alerta, no Balanço Geral,
02:10que era um corretor que teve a vida interrompida e até hoje não se sabe o motivo.
02:18Não. A polícia está trabalhando, estão caminhando nas investigações, mas definição para o caso ainda não temos.
02:27A dúvida continua a mesma e, como a minha mãe colocou, o sobrecarregamento que nós, como filhas, temos nesse momento
02:36de poder estar suprindo esse papel financeiro dentro de casa é grande.
02:40E, como você mesma colocou, perguntou, para mim, às vezes parece que ele não se foi.
02:49A última coisa que me deu antes de partir foi um carro já usado, velhinho, mas foi o que ele
02:54conseguiu me dar de último momento.
02:58E aí a gente fez uma viagem recente para Santa Maria e a minha vontade, na hora, eu falei assim,
03:04nossa, cara, eu vou pegar o telefone e vou ligar para o meu pai e falar que eu dirigi até
03:07Santa Maria porque eu tirei a carteira tem pouco tempo.
03:11Aí eu falei, eu não posso. Não posso fazer isso. Então, às vezes, a gente lembra, né?
03:18A gente vai convivendo e parece que ele está ali no escritório, está trabalhando, está tudo bem, vou poder passar,
03:23vou estar no trabalho, ele vai estar lá e não está.
03:25Então, a dor é como se fosse todos os dias, o mesmo dia, para mim, que ele partiu, que ele
03:30se foi.
03:30Se a gente que está aqui ouvindo isso, você que está em casa, do outro lado da tela, está sensibilizado,
03:36né?
03:36Imagina viver, conviver com esse sentimento todos os dias.
03:40Fabrício, por que é tão difícil, assim, combater a violência, principalmente quando a gente fala de homicídio, né?
03:48É, cada homicídio é uma tragédia familiar muito pesada, né?
03:53Meus péssimos da família.
03:55A gente verifica hoje um processo de investigação muito burocratizado.
04:03O Brasil tem como condenados, assim, os estudos apontam só 8% dos casos homicídios.
04:11Então, o que inibe o crime é a certeza da punição.
04:16Quando você vê que o processo é burocratizado, a possibilidade de você ser condenado e preso é muito pequena, você
04:24não inibe o crime, entendeu?
04:26Então, nós temos um processo de investigação hoje, inobstante todos os esforços das polícias civis e militares aqui no Espírito
04:33Santo,
04:34que é muito burocratizado, que é diferente de todos os lugares do mundo.
04:40É algo muito cartorial, uma herança que nós temos ainda.
04:45Então, se nós tivermos uma punição rápida, eu acredito, como todos os outros que estudam esse tema, essa parte,
04:55de que os homicídios também vão diminuir em consequência disso.
04:58Além da punição, se discute muito também investimentos lá na base, lá na educação.
05:04Você também acredita nisso, que isso pode vir mudar, mesmo que seja a longo prazo, Fabrício?
05:10É, segurança pública é algo interdisciplinar, ele não passa só por polícia na rua, ele passa por educação e eu
05:20sou presidente de uma associação,
05:23apoiada pelos sindicatos policiais federais, que justamente a gente verifica a necessidade desse trabalho e tenta auxiliar a administração pública
05:31quanto a isso.
05:32Porque a gente precisa encaminhar esse jovem para o mercado de trabalho, para ser um cidadão.
05:38Infelizmente, só o estudo hoje não está garantido emprego.
05:42Os jovens não estão vendo empregos e progressão na sua vida só com o estudo.
05:47Então, a gente tem que aumentar as formas de empregabilidade do jovem.
05:53Lógico, isso é a longo prazo.
05:56Nós não estamos falando que isso vai resolver o problema agora.
05:59Existem questões que têm que ser resolvidas a longo, médio e curto prazo.
06:04E aí, no caso de a curto prazo, o que pode ser feito?
06:09É, a culpa é sempre do criminoso.
06:12Tem que deixar bem claro isso, tá?
06:14Um homicídio é algo inusitado, é muito difícil você ter uma prevenção quanto a isso.
06:22Porém, contudo, entretanto, nós vemos também aumento de roubos aí no Estado.
06:27E a gente, como falei, inobstante todo o bom trabalho que vem sendo feito na segurança pública do Estado,
06:38parece, me parece, minha opinião pessoal, de que está sendo investido muito mais na reação do que na prevenção.
06:45Hoje em dia, nós tivemos no passado o programa Propaz, que investiu no cerco tático.
06:50Tiveram alguns problemas operacionais, certo?
06:53Mas eu acredito que, se quem for cometer o crime, tiver a possibilidade,
06:59ele souber que tem uma viatura em um ponto estratégico tal,
07:03que ele poderá ser preso, de certa forma inibirá o crime nessa área que é cercada.
07:08E parece que isso já está, assim, enraizado na cultura aqui no Brasil, né?
07:12Parece que isso já faz parte daquilo que você falou, que a gente herdou isso, esses erros, né?
07:19Essa falta de rigor na lei para, justamente, inibir, coibir, né?
07:25Como é que está sendo para vocês acompanhar a investigação do caso do seu pai?
07:31Como ele disse, a polícia, o caso está nas mãos da Homicídios da Serra, com a equipe do delegado Ramiro.
07:40Eles são extremamente atenciosos conosco, nos deram todos, nos atendem a qualquer momento,
07:46a gente se sente insegura, especialmente os primeiros dias, toda vez que eu vi minha rua ali nas imagens,
07:53não moro mais lá, infelizmente, todo carro que dobrava a esquina era um susto para a gente,
07:59um carro preto, então, não tem... é instintivo, querer se encolher, querer se... não deixava mais meu neto ir na
08:07rua,
08:08e aí, mas a polícia, o que eu percebo é que eles estão trabalhando firmemente para não enxugar gelo,
08:15porque senão eles prendem e a justiça solta.
08:18Exatamente.
08:20Infelizmente, infelizmente.
08:21Então, eles nem falam muito, muito para a gente, é só que estão sendo feitas as investigações,
08:27para a nossa segurança também.
08:30Eu estou vendo aqui, amáveis, inclusive enxugar lágrimas aqui,
08:33e concordar com o sentimento da sua mãe, né?
08:36Desculpa, eu peço perdão.
08:36Eu peço perdão, porque rever todas essas imagens,
08:42todas as imagens do meu pai, principalmente, é muito doloroso, muito doloroso.
08:47Você deixou quais traumas na sua vida?
08:50Eu, em pouco tempo, eu fui ao psicólogo, porque eu não estava conseguindo sair na rua,
08:55e na rua comprar fralda para o meu filho, estava sendo um sufoco,
08:59todos os carros que eu vinha na rua, eu tirava foto e me mandava para o delegado.
09:03E aí, eu fui diagnosticada com síndrome do pânico.
09:07Eu estou tentando ir de métodos naturais, resolver esse problema,
09:12me esforçando para sair, para trabalhar, para pelo menos, né,
09:15conduzir a minha vida de maneira normal, que tem sido difícil.
09:21E eu queria só falar aqui, perguntar, na verdade, para o...
09:26Fabrício.
09:27Isso, para o Fabrício, porque eu achei interessante o seu colocamento,
09:31a sua colocação aqui, sobre essa impunidade, né?
09:35Como as pessoas, às vezes, sentem que a lei não adianta,
09:39porque algumas vezes, por exemplo, não parte daquele jovem que não teve oportunidade,
09:44parte de pessoas que têm as costas quentes, sabe?
09:48Por assim dizer, pessoas que têm poder, e que acham que por ter esse poder,
09:52por ter contato no meio, tem essa sensação de impunidade,
09:56de que nada vai acontecer, de que vai ser preso uma vez,
09:58e vai ser solto imediatamente, ficar em pouco tempo.
10:02Essa sensação de poder, e poder mandar na vida das pessoas,
10:08é algo gritante, hoje em dia, na nossa sociedade,
10:11porque o meu pai, ele era um cara extremamente estudioso,
10:17um cara extremamente família,
10:18e até hoje a gente tenta encaixar os quebras-cabeças
10:22para entender o porquê, o motivo, sabe?
10:25E a sensação é essa, de impunidade,
10:28de que a gente tem a lei e a lei não está sendo aplicada.
10:31Então, assim, a polícia também trabalha em cima desse tipo de pessoa
10:36que acha que porque está no meio, que tem poder, está impune?
10:42Bom, é um trauma, né?
10:45Cada homicídio é um trauma muito pesado para a família.
10:50Quero deixar claro aqui, como vocês também já frisaram,
10:52a culpa não são dos policiais.
10:54Nós temos uma estrutura de investigação e judicial muito burocratizada.
11:00É lógico, nós temos que garantir o direito de defesa de qualquer pessoa,
11:05isso é um direito humano.
11:07Porém, quem tem recurso, ele consegue usar esse subterfúgio
11:12e postergar a sua pena, o cumprimento de sua pena.
11:17E muitas vezes pode até prescrever a pena.
11:21Então, fica essa sensação de impunidade.
11:24A partir do momento que nós tivermos garantias de que
11:31o preso seja realmente encarcerado, pelo menos naquele momento inicial,
11:38eu acredito que aí sim, por mais poderoso que a pessoa ache que tem esse poder
11:45ou essa influência, isso pode melhorar.
11:52Temos um aspecto que muitas vezes é colocado só no âmbito político,
11:57que, ao meu ver, fez piorar muito a questão da segurança pública e do homicídio.
12:02Antigamente, nós tínhamos o recolhimento obrigatório à prisão para a pessoa recorrer.
12:09Fizeram alterações legislativas e jurisprudenciais quanto a isso,
12:14pensando, às vezes, só no âmbito político.
12:16Mas isso reverberou também nos crimes letais.
12:21A pessoa hoje pode recorrer da sua pena inicial sem se recolher à prisão.
12:29Era algo que era previsto antes e foi modificado.
12:32Então, quer dizer, você postergou ainda mais a punição da pessoa.
12:37É algo que, às vezes, é colocado só sob o âmbito político,
12:40mas reverbera no crime letal intencional.
12:42E olha só, gente, sobre essa sensação que a gente estava discutindo aqui de enxugar gelo,
12:47a Secretaria de Segurança diz que os homicídios tiveram uma queda,
12:52principalmente aqui na Grande Vitória. Olha só.
12:55Uma redução de 13,5%.
12:57É o segundo melhor quadrimestre.
13:00Este ano de 2021 só perde para o ano de 2019.
13:03Uma redução de 13,5% dos homicídios.
13:07Trabalho muito difícil das polícias.
13:09Nesse cenário que nós estamos abordando, não é fácil trabalhar,
13:12mas nós estamos trabalhando diuturnamente para que a gente possa reduzir esses números.
13:1713,5% no Estado.
13:18A Grande Vitória tem sido o carro-chefe dessa diminuição com 31%.
13:25Fabrício, o secretário disse que segurança pública não é só papel da polícia.
13:31Qual é, também, então, o nosso papel?
13:33O que a gente poderia fazer, por exemplo, para ajudar no caso do pai da Amabe, do esposo da Alice?
13:39É. A gente tem as questões de longo prazo, que já foram colocadas aqui, né?
13:48E também as questões educacionais, que também estão sendo colocadas em prática,
13:55mas nós temos que garantir, principalmente, o que eu verifico na associação que eu presido,
14:00é a questão da empregabilidade desse jovem.
14:04Para que? Porque o jovem, quando chega a 14, 15 anos, a gente verifica que as famílias pressionam ele para
14:10trabalhar,
14:11para trazer renda para casa.
14:13Então, muitas vezes, abandonam o estudo para poder trabalhar, mas no subemprego.
14:18Infelizmente, no subemprego, não existe emprego para pessoas desqualificadas, tanto emprego assim.
14:23Então, qual a fonte de renda, por assim dizer, que se apresenta de uma maneira fácil para ele?
14:30O tráfico de drogas.
14:32E o tráfico de drogas traz todo um arcabouço de crimes que acontecem em função dele.
14:40Esse crime que aconteceu...
14:42Hoje de manhã, né?
14:42Hoje de manhã.
14:43Ele pode vir estar relacionado ao tráfico de drogas, muito provavelmente.
14:48E a gente vê o tempo todo aí que os jovens se tornam o principal público-alvo, né?
14:54Tanto como vítima, como também como o suspeito aí de cometer o crime.
15:00O jovem que está muito envolvido com os homicídios, né?
15:04A gente vê muitos casos assim.
15:06Tanto o índice de aprisionamento, de tráfico de drogas, quanto de mortalidade é muito maior dos jovens.
15:14Justamente, às vezes, por essa falta de maturidade inerente até a idade, mas também por ele ser muito mais fácil
15:23ser cooptado pelo crime.
15:25E olha só, a prova, gente, de que os jovens são as principais vítimas dessa violência foi a morte de
15:31uma modelo, olha só, que estava grávida e chocou o país.
15:34Ela havia se mudado do bairro onde morava justamente por causa da violência.
15:41Acompanhe.
15:42O desespero é de quem perdeu de uma só vez a filha única e o neto para a violência.
15:48Fala que é mentira. Ela está dormindo. Ela está dormindo de lá.
15:53Kathleen Romeu, de 24 anos, tinha ido ao complexo do Lins, na Zona Norte do Rio, para visitar a avó.
16:00As ruas estavam no meio da rua quando a jovem foi atingida por um tiro.
16:04Nessa guerra da cidade, eu perdi minha neta.
16:07Não vai trazer ela de volta, não vai trazer ela de volta, mas vê se melhora alguma coisa essa guerra
16:16que a gente não tem a ver.
16:18Kathleen foi trazida para esse hospital, mas não resistiu.
16:21Ela estava no terceiro mês de gestação.
16:24Era formada em design de interiores e trabalhava em uma loja de roupas em Ipanema.
16:29Fazia apenas um mês que a jovem tinha se mudado da comunidade, porque tinha medo da violência e dos constantes
16:36tiroteios.
16:36O tiro que matou Kathleen saiu de um confronto entre PMs e traficantes.
16:41Segundo a polícia militar, homens da unidade de polícia pacificadora foram atacados por criminosos na localidade conhecida como Beco da
16:4914.
16:50Kathleen foi encontrada ferida logo após a troca de tiros.
16:54Acabou. Não tem o filhinho dela, não tem ela, a mãe dela não tem filho, só tinha ela.
17:03E agora? E agora?
17:06Após a morte da jovem, moradores fizeram protesto na autoestrada Grajaú-Jacarepaguá.
17:12Eles atearam fogo em madeiras, pneus e caçambas de lixo para impedir a passagem dos carros.
17:18A polícia militar reforçou a segurança com homens de diversos batalhões e veículos blindados.
17:24Foi preciso usar bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.
17:28A via que liga as zonas oeste e norte do Rio ficou fechada nos dois sentidos por cerca de três
17:35horas.
17:36A Delegacia de Homicídios da capital está investigando o caso.
17:40Segundo a DH, testemunhas serão ouvidas e diligências realizadas para esclarecer os fatos e identificar de onde partiu o tiro
17:48que atingiu a jovem.
17:50Em paralelo, a coordenadoria de polícia pacificadora divulgou que vai instaurar um procedimento para averiguar as circunstâncias do confronto, que
17:59resultou na morte da gestante.
18:01Kathleen tinha acabado de comprar um apartamento e estava reformando para morar com o bebê e o marido.
18:07Tudo estava indo, ela estava grávida, gente.
18:10Isso não pode acontecer, entendeu?
18:12O meu irmão, ele está... perdeu a mulher e o filho.
18:19Que tristeza, né, gente?
18:20É no Rio de Janeiro, em São Paulo, é lá no Nordeste, é aqui no Espírito Santo.
18:25Assim como aconteceu com essa modelo, que foi em busca de paz, né?
18:28Mudou de endereço.
18:29Hoje também a família da Alice teve que mudar de endereço, né, Alice?
18:33É, eu estou muito emocionada de ver essa notícia.
18:36Eu tinha visto alguma coisa na internet, porque um dia, há 26 anos atrás, nós nos mudamos, eu e meu
18:42marido com ela, ela tinha só seis meses.
18:44A gente veio do Rio de Janeiro para cá, para morar em Serra Dourada, para poder criar nossa filha em
18:50paz, criar nossa família.
18:52Minhas filhas nasceram naquela casa, que vocês viram nas imagens, cresceram, meus netos nasceram ali.
18:58E hoje eu tive que sair dali.
19:02Estou enfrentando tudo de novo, um processo de mudança, um lugar diferente, um lugar estranho para a gente.
19:09Deixar minha casa, deixar minha vizinhança, deixar tudo.
19:15Tentando, porque tentando viver em paz, tentando ter paz, tentando não quase morrer de susto toda vez que um carro
19:23entrar rápido na rua,
19:25ou uma moto passar acelerando, ou qualquer coisa.
19:28Ou ouvir um barulho e ficar, meu Deus, que barulho é esse?
19:31E deixar meu neto brincar um pouquinho na rua.
19:36É muito difícil, os meninos eram extremamente agarrados a ele.
19:40E, assim, ele foi um ótimo marido, um bom pai, mas era um avô excepcional.
19:47A insegurança é tanta que essa casa que está mostrando nas imagens era nossa.
19:53É nossa.
19:54É nossa.
19:55É nossa, é própria.
19:57Meu pai, a primeira coisa que fez aqui foi escriturar tudo direitinho.
20:01E a minha mãe se mudou para outro lugar, para outro município, para pagar aluguel.
20:07A insegurança chegou ao ponto de você ter que gastar o que não tem para querer continuar vivo.
20:14Inclusive, ele era o provedor da família, né?
20:17Era, era.
20:17Como é que vocês estão se organizando hoje com as finanças?
20:20É, tem três meses que ele faleceu.
20:23No primeiro mês, a gente ficou de doação.
20:26Recebemos doação do país inteiro, de pessoas.
20:30O trabalho dele, ele trabalhava muito via online, via internet.
20:35Ele, assim, gente que conheceu ele somente virtualmente, mas fez questão de ajudar a gente.
20:41Então, essas doações chegaram, assim, imediatamente.
20:44Nos ajudaram a pagar as despesas de funeral.
20:47As primeiras despesas, o primeiro mês, a gente ficou de doação.
20:50E esses últimos dois meses foram do seguro de vida que ele tinha, que já acabou, né?
20:57Não era muito.
20:58Então, agora, a gente está se organizando.
21:02As minhas filhas estão buscando trabalho.
21:05A Amanda, que aparece ali nas imagens, que é a do meio, ela é doceira.
21:09Continua com...
21:10Ela esteve até aqui, fez uma receita e tudo.
21:13Agradece a oportunidade.
21:14A oportunidade da divulgação do trabalho dela aqui no espaço de vocês.
21:17Vamos divulgar mais, vamos convidá-la de novo, que ela vem, isso.
21:23Ela continua com a empresa dela de doces e também está trabalhando numa padaria.
21:28E a Mariles, que é a mais nova, é técnica de edificações.
21:32Ela trabalhava muito com ele.
21:34Para ela está bem difícil.
21:35Ela, às vezes, tem que resolver ainda alguma pendência do trabalho dele,
21:39algum documento que precisa entregar, alguma coisa assim.
21:42Tem hora que ela fica muito perdida, mas, graças a Deus,
21:44ele tinha bons amigos de trabalho, se nesse meio ele encontrou um inimigo fatal,
21:50ele também teve muitos amigos, muitos, que ajudam, que vão dando orientação.
21:57Mas a gente está levando do jeito que pode.
21:59E a gente tem aqui algumas participações no Facebook de pessoas que também
22:03se identificam com esse sentimento de vocês, que é o caso da Euseni Vieira.
22:09Ela fala, boa tarde, eu sou muito revoltada porque meu neto Yuri foi assassinado há oito meses
22:15e, até hoje, nada foi feito para prender o assassino, que ele não foi preso.
22:22E, por exemplo, hoje a gente está sempre noticiando casos de homicídio, casos de violência,
22:29aqui na Grande Vitória, no Espírito Santo.
22:32No caso que aconteceu hoje, Fabrício, a gente vê que não são só pessoas que estão envolvidas
22:38no mundo do crime que acabam pagando por isso.
22:42O caso dessas duas senhoras que estavam ali na fila e muitas outras pessoas também
22:45que poderiam ser atingidas, né?
22:48A sociedade como um todo sofre os efeitos da falta de segurança pública.
22:53E eu digo não só pelo viés pessoal, mas também no aspecto abstrato geral.
23:00O professor Daniel Serqueira, que é presidente aqui do Instituto João Santos Neves,
23:05já fez um estudo de que a falta de segurança pública gera um prejuízo à sociedade
23:11de centenas de bilhões de reais.
23:13Então, quer dizer, é o dinheiro que poderia ir para a escola, para a saúde,
23:17mas tem que ser investido, muitas vezes, em segurança pública
23:20ou o potencial de uma pessoa de gerar riqueza que foi perdido.
23:25Nós vemos aqui, no caso, uma família que está sofrendo as consequências disso,
23:29além das emocionais, claro.
23:31E nós vemos que a maioria dos crimes, não nesse caso específico,
23:37mas a maioria dos crimes tem uma relação com o tráfico de drogas.
23:40Porém, um ponto que eu quero chamar a atenção.
23:43O tráfico de drogas existe em qualquer lugar do mundo.
23:46Aqui que nós temos a dificuldade de...
23:50Aqui nós temos essa mortalidade inerente ao tráfico de drogas.
23:54Tá certo. Gente, eu agradeço muito a presença de vocês.
23:57Esse é um debate que a gente sabe que gera sempre uma grande movimentação
24:02nas redes sociais, que se deixar, a gente fica aqui sempre debatendo.
24:04Ó, meus sentimentos, a sua família, tá bom, Alice?
24:07Obrigada.
24:08Sinta-se abraçados.
24:08E obrigada mais uma vez pela sua presença aqui com a gente, viu, Fabrício?
24:12Antes de nada.
24:12Volte sempre, tá?
24:13Tchau, tchau.

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