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  • há 50 minutos
Adolescente morre baleada dentro de carro de aplicativo. O alvo seria o namorado dela.

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Transcrição
00:00A gente precisa saber com quem os nossos filhos estão se envolvendo, se relacionando.
00:05Bora bater um papo sobre isso?
00:07Então, junta a família aí na sala, porque hoje nós recebemos aqui no estúdio
00:10a Sabrina Matias, ela é psicóloga, vai falar pra gente como que nós podemos nos aproximar
00:17dos nossos filhos e também a Marilsa Alves, que é mãe de três adolescentes
00:22e tá sempre atenta com os relacionamentos dos filhos, né?
00:25Boa tarde, obrigada pela presença de vocês.
00:28Boa tarde, boa tarde.
00:28Você é uma mãe bem presente, né, Marilsa?
00:31Eu sou bem presente, né?
00:33Foge algumas coisas, às vezes, do nosso controle, porque os filhos crescem,
00:39eles têm a liberdade, o ir e vir, mas mesmo assim, eu entendo que cabe a nós,
00:47mesmo os filhos crescidos, aquela orientação com carinho, da maneira certa,
00:53às vezes incertas também, porque acontece isso, mas assim, aquela orientação, tá sempre
01:03orientando, sempre atento, mostrando como o caso de hoje é um assunto pra se levar pra
01:09mesa, é um assunto pra se levar ali no café da manhã, olha, vocês viram o que aconteceu?
01:15Porque isso tudo serve como alerta.
01:18A própria Bíblia fala, né, lá em Deuteronômio, que ensinará os vossos filhos sentados em casa,
01:26no caminho, na beira da estrada.
01:28Então, quer mostrar ali pra nós o quê?
01:31Que a todo momento é momento de ensinar, é momento de diálogo.
01:35Já aconteceu, Mariusa, de um dos seus filhos se envolver com uma pessoa que não agradou
01:41os seus olhos?
01:42Sim.
01:43Como é que foi?
01:46A gente convive com todo mundo, né, e os nossos filhos também.
01:51Eles estão na escola, eles estão no grupo de amigos, eles estão em vários momentos e
01:59vários lugares e eu já descobri uma vez, né, conheci a pessoa e tudo.
02:08Era uma pessoa perigosa?
02:09Olha, não era, mas assim, a gente não tem aquele conhecimento total de quanto e de que
02:18cada pessoa é capaz.
02:20Cada ser humano é capaz, em que que ele está envolvido, né, o que é.
02:27Então, assim, é bem complicado essa questão da gente falar assim, ó, não anda, não
02:35quero, por mais que eu tenha falado isso, sabe, não quero.
02:40A primeira reação da gente de medo e tudo é esse não quero.
02:46Sabrina, a gente vê que não é raro esses casos, igual aconteceu hoje com essa jovem de
02:52apenas 17 anos, que estava ali envolvida com uma pessoa que o pai tentou alertar, a mãe
02:57não sabia que o namorado tinha envolvimento com tráfico de drogas.
03:03A gente vê que isso não é raro, né?
03:05Não, não é raro.
03:06O grande problema, a meu ver, é a gente achar que nós temos que, cabe a nós o tempo inteiro
03:13como quando eles já são adolescentes, vigiar.
03:16Eu acho que a gente tem que preparar os nossos filhos para que eles entendam onde está o
03:22perigo, como o perigo se apresenta, porque a adolescência é um momento de transgressão,
03:28né, de quebra de regra, de romper.
03:30Então, já naturalmente, eles querem esse lugar.
03:33E aí, quando você vem com não, não, não pode, essa pessoa não presta, isso não deve.
03:40É natural do adolescente querer combater isso dos pais.
03:43E aí, você...
03:44É uma fase de rebeldia, né?
03:46Sim, mas isso é o esperado.
03:49Isso é o esperado, porque é o momento que ele sai daquele lugar de olhar para os pais,
03:55do cuidado dos pais, para começar a olhar para o mundo e achar a força neles para romper
04:00o mundo, para ir para o mundo.
04:02É preciso esse movimento.
04:04Só que a gente tem que aproveitar a oportunidade, quando eles são crianças, para começar a fazer
04:10eles entenderem o que é o mal, o que é o bem.
04:14E isso acontece no sentido de, vamos botar assim, não criar nossos filhos em bolhas,
04:22em redomas, levá-los para uma realidade que muitas vezes a gente está poupando esses
04:27filhos de viverem, de vivenciarem, de experienciarem.
04:29A gente pode acabar caindo no lado da superproteção, é isso?
04:33Com certeza.
04:34A superproteção é um mal absurdo que a gente vai estar fazendo para os nossos filhos.
04:38São dois extremos, então, né?
04:40E despreparam o filho.
04:41E despreparam, né?
04:42E despreparam para que ele enfrente, ele não vai estar sempre nos nossos olhares.
04:46Sim.
04:47Né?
04:48Ele não vai estar sempre...
04:49Uma coisa bem interessante, sabe?
04:52Que às vezes acontecem, assim, umas diferenças, algumas coisas que as pessoas criam e que
04:58a gente vai ver que ele está em todos os lugares.
05:01Né?
05:02Quando a minha filha do meio, ela passou na UFIS, nossa, você precisava de ver.
05:08Quantas pessoas, olha lá, é perigoso, lá ela vai se envolver com isso.
05:12Lá tem isso, tem aquilo, o outro, o outro mais velho estudava em uma faculdade particular
05:18e eu não vi diferença, tá?
05:21Eu estava no primeiro dia de aula, você sabe que eu sou essa mãe, né?
05:24Eu sei.
05:25Já esteve aqui várias vezes contando pra gente.
05:28Eu estava lá no primeiro dia na matrícula, eu estava lá naquele passeio que tem na UFIS,
05:34eu estava lá com a minha filha, eu estava lá com ela no dia da apresentação do TCC,
05:39mas assim, nem tudo eu estou presente, né?
05:43Mas é o que a doutora falou, desde pequena ela foi preparada pra estar em todos esses
05:50momentos com a minha presença e sem a minha presença.
05:53Olha só, já já você vai contar pra gente, doutora, como que a gente pode perceber os
05:58sinais de pessoas perigosas ao redor dos nossos filhos, seja o namorado, a namorada
06:03ou até mesmo os amigos, já já.
06:04Só que antes, a gente vai voltar agora com a querida repórter Fernandinha Batista,
06:09porque ela vai contar pra gente, não é isso minha diretora?
06:12Confirma aqui.
06:13Não, não.
06:14Então tá bom, a gente retoma aqui no estúdio, já já a gente volta com a Fernandinha Batista
06:18pra gente falar sobre os exames que estão sendo feitos no DNA pra ajudar, tá?
06:23Exames de DNA pra ajudar a encontrar pessoas desaparecidas.
06:27Bora voltar aqui pro nosso papo então.
06:29Fala pra gente como que a gente identifica, né?
06:32Já que a nossa filha, o nosso filho às vezes pode não contar pra gente, pode não transparecer,
06:37mas de que aquela outra pessoa, ou companheira, ou companheira, pode se tornar uma pessoa perigosa.
06:41É, eu acho que a primeira coisa que a gente tem que fazer é estar com os olhos pros nossos
06:48filhos em primeiro lugar.
06:50Porque as pessoas, elas estão num ritmo tão acelerado de vida, de trabalho, de tudo,
06:55de rede social, que muitas vezes a gente não consegue nem perceber os nossos filhos,
06:59quem dirá as pessoas que estão com ele.
07:01Então, eu acho que uma primeira autoanálise é, eu tô vendo meu filho, eu tô percebendo
07:07que se ele tá mudando a atitude, se ele tá diferente, se ele tá estranho, se tem mentira
07:14na conversa, no diálogo.
07:17Então, eu acho que assim, o primeiro momento, antes de tentar conhecer o outro, é conheça o filho.
07:22Perceba seu filho, se ele tá mudando, se ele tá estranho, se ele tá...
07:26E não ache que, ah, é coisa de adolescente.
07:29Não, investigue, olhe, converse.
07:32Não fuja de conversas com o seu filho.
07:35E muitas vezes a gente também quer conversar com o filho como?
07:40Cobrando dele.
07:41As melhores conversas são as conversas na mesa, são as conversas numa praia, numa caminhada.
07:47E não então de cobrança, né?
07:49Não, não.
07:49O que que é isso aqui?
07:50Me conta.
07:51Sim, quem é aquela pessoa?
07:53O que que ele fez?
07:54O que que ele é?
07:54Quem é a família dele?
07:56Nesse momento, seu filho já levantou uma barreira e ele vai contar o que ele quer que
07:59você saiba.
08:00Agora, se você tem oportunidade de passear com seu filho, de tá num momento de lazer,
08:05é ali que você vai tirar as coisas dele.
08:08E olha só, gente, muitas meninas que se envolvem com jovens que estão no tráfico
08:13de drogas, vivem relacionamentos abusivos que muitas das vezes terminam de forma trágica.
08:20Acompanhe.
08:21Em abril desse ano, Raíssa de Souza, de 15 anos, foi assassinada com um tiro e o suspeito
08:27é o ex-namorado em Vila Prudência, o Cariacica.
08:30Ela já estava sendo ameaçada por ele que não aceitava o fim do relacionamento.
08:34Em setembro do ano passado, Carolina Souza foi assassinada na região de São Pedro,
08:40aqui em Vitória.
08:41Populares seguraram o suspeito até a chegada da polícia.
08:44Ele é ex-namorado de Carolina e confessou o crime.
08:48Em outubro de 2019, o corpo da adolescente Carolina Vitória foi encontrado às margens
08:54da rodovia Serafinderense, na região da Grande São Pedro.
08:57O namorado dela, uma adolescente de 16 anos, foi apreendido e também confessou o crime.
09:02A mãe dele, na época, disse que o filho tinha envolvimento com tráfico e tinha que
09:07pagar pelo que fez.
09:11Infelizmente, a gente vê que todos esses envolvimentos acabam terminando de forma trágica.
09:16Não foi só o que aconteceu hoje com essa jovem de 17 anos em Vila Velha, mas todo esse
09:21histórico.
09:21A gente fez um levantamento rápido, a gente sempre vê que isso está acontecendo.
09:25E detalhe, independe da classe social.
09:28Isso aí, é isso aí.
09:30Depende mesmo.
09:32Uma coisa muito interessante que a doutora falou aqui, que eu coloco como prioridade
09:37na minha vida, é isso aqui.
09:38Colocar amor em tudo que a gente faz.
09:42Ser mãe é essa questão de muitas vezes abrir mão de muitas coisas para ser mãe.
09:51E ser mãe de verdade.
09:53Eu sei que hoje está tudo muito corrido, as mães têm que trabalhar, a vida, essa coisa
09:59toda.
09:59Mas ser mãe é muito importante.
10:04É muito importante estar ali.
10:05Não é só parir, né?
10:06Não é só.
10:07Não é só.
10:08Não é só.
10:09Mãe e pai, tá, gente?
10:11Mãe e pai, né?
10:12É, no meu caso, porque eu criei sozinha, né?
10:16Então, eu dei muita prioridade a isso.
10:20Mesmo eu, muitas vezes, tendo que deixá-los em casa para ir trabalhar.
10:25Mas, assim, a gente está observando mínimos detalhes.
10:29E é muito importante, sabe, doutora, que eu gosto muito, é isso aí.
10:35Aproveitar os momentos.
10:37Sim, com certeza.
10:38Aproveitar os momentos.
10:39Em tudo.
10:40O meu filho, um dia desse, pagou alguma coisa pelo PicPay e apareceu para mim, né?
10:45Aí, eu mandei uma mensagenzinha para ele, assim, meio que brincando, né?
10:49Olha, você pagou tal coisa, né?
10:53Ó, você está em tal lugar.
10:54E, assim, aproveitando, né?
10:57Com o tom de brincadeira.
10:59E lá em casa, a gente faz muito isso, né?
11:03Mesmo que, às vezes, a gente torne a falar novamente em outros momentos, mais assim.
11:11Mas é aproveitar aquele momento que a gente está junto ali.
11:14Já, já, a gente vai continuar esse assunto.
11:16A gente vai falar, inclusive, que a gente sabe, todo mundo aqui já foi adolescente um dia.
11:20A gente sabe que adolescente mata aula para ver namoradinho, né?
11:24Quem nunca, não é verdade?
11:25Sim.
11:26A mãe aqui já até levantou a mãe.
11:28A mãe, eu também.
11:29A gente sabe que, às vezes, esse simples fato de matá-la, daqui a pouco, está contando mentira para o
11:34pai e para a mãe.
11:35Está dormindo escondido na casa da amiga para encontrar o namorado.
11:38E, às vezes, está até fugindo de casa por conta da rebeldia.
11:41Já, já, a gente vai falar sobre isso.
11:43Então, agora, a gente vai voltar, então, para falar sobre o assunto.
11:47Você, de casa, que está com algum familiar desaparecido.
11:50A Fernandinha Batista vai contar para a gente agora sobre essa ação que ajuda a localizar as pessoas que estão
11:58desaparecidas.
11:59Uma ação aqui no Estado, não é isso, Fernanda?
12:03É isso mesmo, Roberta.
12:04Boa tarde para você, boa tarde a todos.
12:06Desde o começo dessa semana até sexta-feira, a Polícia Civil, aqui do Espírito Santo, está fazendo a coleta de
12:12material genético de familiares de pessoas que desapareceram aqui no Estado.
12:17E essa ação é parte de uma campanha nacional elaborada pela Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos.
12:24Hoje, especialmente, essa coleta está acontecendo sem agendamento prévio aqui na chefatura da Polícia Civil, que fica na reta da
12:32Penha, ao lado do antigo Detran.
12:35Quem conversa com a gente agora sobre esse assunto é a Bianca Bortolini, que é perita criminal e faz parte
12:40aqui da equipe.
12:41Bianca, boa tarde, conta para a gente.
12:43Essa coleta facilita nas buscas pela pessoa que desapareceu?
12:47Boa tarde, boa tarde a todos.
12:50Essa coleta é muito importante para a gente fazer o confronto dessas famílias, né?
12:54A gente vai coletar o DNA dessas famílias que buscam seus parentes e vai checar, vai confrontar com os dados
13:00de pessoas sem identificação.
13:03Então, pessoas vivas quanto pessoas que já faleceram.
13:06Isso mesmo, pessoas vivas ou falecidas.
13:08A gente já tem cadastrado algumas pessoas nessas condições no nosso banco de perfis.
13:14E agora, nesse momento, a gente está fazendo essa captação das famílias para a gente poder fazer essa checagem.
13:19Como é que funciona a coleta aqui? Como é que é feita a coleta?
13:22A coleta é feita com o suave de mucosa oral, um dispositivo que tem uma esponjinha, então a gente passa
13:29na bochecha.
13:29Ou aqui a gente está dando a opção também da pessoa coletar o sangue, né?
13:33Por conta da pandemia, para não precisar retirar a máscara.
13:36É importante que essa coleta seja feita de um parente de primeiro grau, né?
13:39E isso, a gente pede que seja um parente de primeiro grau, preferencialmente pais, né?
13:44Pai, mãe, ou filho, filha, com o cônjuge, né? Ou o genitor do filho, né?
13:50E também, na ausência desses parentes, pode ser o irmão.
13:55Irmãos, né?
13:55Verdade.
13:56Aí, quantos irmãos forem possíveis?
13:58Dá para trazer também um objeto que essa pessoa usava muito e pode conter o material genético do desaparecido?
14:04Exatamente. A família também pode trazer um objeto de uso pessoal, que seja o único, né?
14:09Da pessoa, uma escova de dente, escova de cabelo, um aparelho de barbear.
14:14E aí a gente também pode coletar o DNA desse material.
14:17Mas é importante, mesmo entregando esse material, a gente ainda vai precisar da coleta do familiar.
14:23Quem que pode participar aqui, Bianca?
14:25São pessoas que tiveram parentes que desapareceram já há muito tempo, ou mais recentemente?
14:29É preciso trazer um boletim de ocorrência?
14:31Isso, a gente precisa de um boletim de ocorrência aberto.
14:35Então, a gente pede que tenha ocorrido 30 dias do desaparecimento, para que sejam feitas as primeiras diligências, né?
14:42E se a pessoa não for encontrada, permanecer nessa situação de desaparecida, aí a gente vai fazer a coleta.
14:48Até sexta-feira, no restante da semana, né? Vai ser preciso fazer o agendamento, né?
14:52Isso, o agendamento pelo WhatsApp do DML, né? 3225-8260.
14:58Jóia! Muito obrigada, viu, Bianca?
15:00Vou repetir o número para o pessoal de casa, de repente não deu tempo aí de pegar a caneta e
15:05o papel.
15:05O WhatsApp é o 3225-8260.
15:09E o número de telefone, para quem preferir ligar, é o 3137-9065.
15:14Então, hoje, gente, até 4 da tarde, tem atendimento sem agendamento prévio, aqui na chefatura da Polícia Civil, que fica
15:22na reta da Penha, ao lado do antigo Detran.
15:25E aí, na quinta, na sexta-feira, o atendimento precisa ser marcado por esses dois números que eu acabei de
15:31passar agora.
15:32Roberta?
15:33Obrigada, Fernandinha. A gente sempre recebe pedido de ajuda aqui na TV, na verdade, de algum familiar, alguma família que
15:41está com, de repente, um familiar mesmo desaparecido.
15:46Está aí uma ação muito importante que vai facilitar, de repente, a localizar essa pessoa.
15:51Obrigada pela sua participação, trazendo essa informação tão importante para a gente, Fernandinha.
15:56E agora a gente volta, então, aqui para o nosso bate-papo no estúdio, que a gente está falando sobre
16:00como que os pais, o pai, a mãe, o avô, a avó, a família, pode ajudar no relacionamento dos filhos,
16:09de forma que eles encontrem uma pessoa que realmente some na vida da família mesmo, no contexto geral.
16:17E agora, quem participa desse nosso bate-papo é a Eva Vilma, que sabe muito bem como é passar por
16:23isso.
16:23Na adolescência, ela já se envolveu com jovem, que tinha problemas.
16:27E a primeira pergunta que eu te faço, Eva, é o que leva uma garota a se envolver com um
16:33criminoso, mesmo sabendo de todos os riscos?
16:38Boa tarde, gente.
16:42O que que leva?
16:43Na minha realidade, na realidade em que eu vivia, é a questão de um certo status que você tem, um
16:53certo status, tem o ego também,
16:57ai, eu estou numa posição de eu sou mulher, do cara e tal.
17:02Na minha realidade em que eu vivia, isso é fato, para muitas meninas, para muitas adolescentes,
17:07que moram dentro de periferias, parece que, não estou generalizando, gente, não estou falando que todas as mulheres que moram
17:15em periferias são assim,
17:17mas a maioria dessas adolescentes, o objetivo delas é ficar com o chefe, com alguém que tenha um envolvimento
17:26para você ganhar esse status, esse ego de, entende?
17:31Você já passou por algum sufoco no momento desse do relacionamento, igual aconteceu hoje, por exemplo, com essa jovem que
17:39infelizmente morreu?
17:42Sim, sim, passei.
17:45Várias vezes?
17:48Várias vezes, várias vezes, porque num caso teve de que a pessoa usava muita droga,
17:56e ela teve uma crise, achando que alguém queria fazer alguma coisa com ela e acabou se agarrando em mim,
18:03não com a intenção de fazer nada comigo, mas como se ele fosse morrer, entende?
18:10Para ele, ele achava que ele ia morrer e ele grudou em mim e quase que ele me mata,
18:16daquele desespero, achando que ia acontecer alguma coisa, porque ele estava muito alucinado de drogas,
18:21porque a droga é fato nesse meio.
18:26Agora, o que a gente vê, Sabrina, é que, como a gente já comentou aqui, que isso independe de classe
18:33social.
18:34Existe a menina da periferia, que é o caso aí, que a Eva Vilma está contando para a gente,
18:38que existe o objetivo, a meta na periferia, em ficar com o traficante,
18:45mas também a gente vê casos de meninas de classe média, classe alta, que também se envolvem,
18:51mas aí a gente vê que é com outro objetivo, né?
18:55É, eu volto para os inícios, né?
18:59Hoje o mal está meio que disfarçado de bem.
19:03Então a gente já vê um filme de Robin Hood, onde era aquele que era o bandido,
19:09mas no final era o mocinho.
19:11Os filmes de Bonnie e Clyde, o mal, ele é o herói.
19:17E aí essas meninas de periferia, elas veem esses homens como meio que o príncipe, o herói.
19:24O bandido se tornou o herói e o moralmente correto se tornou o demonizado, vamos dizer assim.
19:30Então, exaltado é quem está fazendo o mal.
19:32Então a classe, a sociedade, ela mudou muito a visão dela do que é certo, do que é errado.
19:38E a gente não percebe isso nos nossos filhos.
19:42E a gente, muitas vezes, a gente incentiva isso com eles.
19:45Então a moça de classe média alta, que quer o príncipe encantado dela,
19:50ela vai atrás do príncipe encantado, que agora é o bandido.
19:54Que não é mais aquele príncipe moralmente correto,
19:57porque o moralmente correto ela não quer mais,
20:00porque foi demonizado pela sociedade.
20:02Então ela quer o príncipe que agora está lá na comunidade,
20:09é o cara que é o bandido, é o cara que é o traficante,
20:12que agora ele é poderoso.
20:15Porque o ser humano, ele é impelido atrás do poder, ele quer o poder.
20:19A gente tem esse DNA em todos nós.
20:22Então o poder não está mais num rapaz certinho, o poder está num bandido.
20:26Eva Vilma, conta pra mim, você teve a participação,
20:30da sua família, te alertando, tentando abrir seus olhos?
20:35De certa forma, entre aspas, eu tinha o conselho da minha mãe, do meu pai,
20:41mas como eu já contei a minha história,
20:44eu venho de uma família completamente desestruturada.
20:47Meu pai passou 15 anos da vida preso.
20:50Então eu vivi essa realidade na pele, eu sofri essa realidade na pele.
20:56Então era o ambiente, pra mim era um ambiente natural viver naquele ambiente.
21:01Então, consequentemente, por ser tão naturalizado aquilo,
21:06acabou que eu me envolvi.
21:09Mas eu queria fazer uma pergunta pra psicóloga.
21:12Por que que o moralmente correto se tornou endemonizado?
21:16É o rapaz que faz as coisas certinhas, né?
21:20É o rapaz que está lá, está estudando, está na faculdade.
21:24Ou então o trabalhador.
21:26Eu acho que dentro até da comunidade, muitas vezes,
21:29o trabalhador é visto como fraco e o traficante é que é o poderoso.
21:34É o esperto, né?
21:36É o esperto, né?
21:38É o que atrai, é o que atrai.
21:41Porque é o que eu falei, o poder atrai o ser humano.
21:43Então, quando eu falo isso, é nesse sentido.
21:47Porque inconscientemente a gente está indo por esse caminho,
21:52onde você tem que transgredir,
21:54onde a transgressão é o que as pessoas têm que fazer,
21:57onde quem transgride é o que fica em evidência,
22:02é o que é diferente.
22:04Eu estava batendo um papo antes com a Eva Vilma,
22:07e a gente estava conversando sobre muitas, vamos dizer assim,
22:10muitas patricinhas, né?
22:11Muitas meninas, garotas de classe média, classe alta,
22:15que vão para a periferia em busca desse perfil de homem, né, Eva?
22:22Sim, desse glamour, né?
22:24É como se fosse...
22:26É diversão, é loucura, é transgressão, né?
22:30Quando a gente fala das patricinhas, é que não é algo da realidade delas,
22:35é algo que quando elas querem fugir da realidade,
22:38quando elas querem transgredir, desobedecer,
22:42elas vão para esse caminho.
22:44Mas não é algo que seja incisivo na vida delas,
22:48que elas vão levar para a vida,
22:50é só uma zoação, uma confusão.
22:52Tanto é que você falou...
22:53Agora dentro da periferia...
22:54Tanto é que você falou assim para mim por telefone,
22:56você falou assim, aí se o rapaz vai preso,
22:59pergunta se essa patricinha...
23:01Isso aí.
23:02Se ela está lá na porta da cadeia fazendo visita.
23:04Não é isso que você me falou?
23:07Muito, muito difícil.
23:09Verdade.
23:10Foi, eu falei.
23:11Seria o quê, Sabrina?
23:13Um grito de liberdade, é isso?
23:15É, é essa transgressão.
23:16Que atrai já o jovem, o adolescente,
23:20e ele vai atrás disso.
23:22E muitas vezes essa patricinha que é muito protegida,
23:26a forma como ela dá esse grito é assim, né?
23:29Ela não tem uma medida muito correta,
23:32ela não tem uma medida de um equilíbrio,
23:35ela vai com tudo, vamos dizer assim,
23:37ela se joga nessa transgressão com muita força,
23:40e aí perde esse limite.
23:43Qual é...
23:43Até onde eu vou, até onde eu não vou.
23:45Olha, aqui no Facebook a gente está recebendo diversas mensagens,
23:49a Rita de Cássia fala,
23:50eu sou muito amiga das minhas filhas,
23:53procuro saber com quem estão andando,
23:55uma está casada,
23:56a solteira também me conta tudo,
23:58eu me meto mesmo na vida delas.
24:01Dá para se meter mesmo na vida das filhas?
24:03É por aí?
24:03É, eu acredito que se meter,
24:07mas sem imposição,
24:09se meter de uma forma leve,
24:11como se você realmente,
24:13você não está ali investigando,
24:15você não é uma detetive ali,
24:16você é uma mãe que ama,
24:19está preocupada,
24:20e está ali, disponível para a sua filha,
24:23não somente interessada se ela está fazendo o errado,
24:26mas você está interessada pela vida dela.
24:28É isso aí.
24:29Não é só pelo erro,
24:31mas pela vida dela como um todo.
24:32E sobre aquele assunto que a gente falou antes aqui,
24:34que a gente sabe que adolescente,
24:36às vezes, mata a aula para encontrar com o namoradinho,
24:38quando que a gente pode observar
24:40que isso está passando da normalidade,
24:42que está se tornando algo perigoso?
24:44É quando deixa de ser uma exceção e vira uma regra,
24:48vira uma norma.
24:49Então, você tem que realmente parar e pensar
24:53e pedir ajuda.
24:54Pedir ajuda para quem já passou por isso
24:56e conseguiu vencer essa situação,
24:59conseguiu sair dessa situação,
25:01como ela está falando aqui,
25:03que nossa amiga está falando,
25:04que participa da vida dos filhos.
25:06O que você fez?
25:07Conversar com pessoas que passaram por aquilo
25:09e conseguiram sair disso.
25:12Eu acho que isso é muito importante.
25:13que foi exatamente o que a Eva fez.
25:16Conseguiu hoje ter uma nova vida, né, Eva?
25:20Oi?
25:21Hoje você conseguiu ter uma nova vida, né?
25:26Sim, mas deixa eu só passar um relato para você.
25:33Essas entrevistas que eu estou dando,
25:36você sabe que existem consequências.
25:42Travou a nossa conexão com a Eva.
25:43Se ela voltar, a gente deixa ela falar
25:46mais um pouquinho com a gente.
25:47Nossa diretora, acabou nosso tempo aqui nesse estúdio?
25:50Ai, gente, olha, muito obrigada.
25:52É um assunto que realmente é muito importante
25:55para nós que somos pais, né?
25:58A gente prestar atenção aí nesse...
26:00Nos nossos filhos, no contexto, no movimento.

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