00:00Na viagem especial de hoje, nós vamos falar sobre boatos que viraram casos de polícia.
00:04Alguns terminaram em morte.
00:06Veja comigo, balança.
00:12Pancadaria.
00:14Violência sem limites.
00:18Vou pegar esse coro, vou ripar, hein, primo.
00:22Inverdades, mentiras, invenções.
00:25Atitudes que muitas vezes causam revolta e brigas.
00:32Você já foi vítima de fofocas?
00:35Boatos aí na comunidade onde você mora?
00:39E aí eu te pergunto mais.
00:42Quais foram as consequências desse disse-me-disse na sua vida?
00:48Essa conversa fiada com o seu nome era verdade ou você foi alvo de mentiras?
00:56Na reportagem de hoje, você vai ver que fofocas e boatos podem trazer consequências irreparáveis na vida do indivíduo.
01:08Podendo até resultar em morte.
01:13A socióloga e professora Maria Ângela Rosa explica esse comportamento selvagem e violento das pessoas.
01:21Se considerar que vivemos momentos de bandido bom e bandido novo, de que todo mundo pode ter a arma e
01:29vai se resolver e se defender a arma, né, vai distanciando, né, esse princípio da solidariedade na verdade, ele exerce
01:38a intolerância.
01:42Esse é Antônio Batista da Fonseca.
01:45O idoso de 74 anos foi enterrado depois de ter sido assassinado a pauladas, próximo à Praça de Central Carabina,
01:54na Serra.
01:55Foi questão de segundo. Dois homens dando pauladas na cabeça de um senhor de 74 anos, ele não aguentou. Foi
02:03duas pauladas e ele já estava morto, porque os pau eram dessa grossura assim, né.
02:07A suspeita é que Antônio teria abusado sexualmente de uma criança, mas nada foi comprovado pela polícia.
02:15O homem foi surpreendido enquanto lanchava. Parte da confusão foi gravada por testemunhas.
02:30Uma sobrinha da vítima contou que viu o momento que o idoso era agredido.
02:36Tentou separar a confusão e ainda conversou com os agressores, pedindo para que a polícia fosse acionada.
02:43Mas ela afirma que quanto mais pedia, mais batiam na vítima.
02:48E ela também ficou machucada nos braços.
02:58Ela contou ainda que se o filho dela não a tivesse tirado do local, também teria sido morta.
03:05Eu tonteei. No que eu tonteei, o meu filho estava atrás de mim e me segurou.
03:10Aí eu soltei o meu tio. Foi quando o meu tio caiu que eles conseguiram matar ele.
03:16A professora e socióloga revela que atitudes violentas diante de algo sem confirmação sempre existiram.
03:24Só que agora a situação está ainda mais grave.
03:28Não é papel do cidadão resolver essa questão.
03:32Só o Estado tem o direito de resolver isso, né?
03:36E por que existe o princípio da presunção da inocência?
03:40Exatamente para evitar que inocentes vão ser torturados, vão ser punidos,
03:47ou se eles não cometeram, ou se eles não cometeram.
03:50Esse delegado da Polícia Civil do Espírito Santo alerta,
03:55linchamento e espancamento é crime, independente da pessoa ser ou não criminosa.
04:01Quando as pessoas sentem incertiva na própria, resolvem punir alguém por acreditar que essa pessoa foi ter um crime,
04:09essas pessoas que agem dessa forma são de outra lei.
04:12Ou seja, elas se formam criminosas.
04:19Outro caso aconteceu no ano passado.
04:22Foi envolvendo Aurito Damacena Bananeira, de 54 anos.
04:27A história pegou a amiga dele de surpresa.
04:31Ela nunca imaginou que ele fosse ser apontado por envolvimento em um abuso sexual e morrer desta forma.
04:49A polícia da Serra tem vários outros crimes para solucionar em Jardim Carapira.
04:56E o caso do ano passado também será investigado.
05:00Para a polícia, esse tipo de procedimento da população é inaceitável.
05:05A pessoa vai responder um pouco de lesão corporal, pode ser da uma lesão corporal gás ou gravíssima,
05:11dependendo da forma que ela agiu para responder para o crime de cultura.
05:15E também pode responder para o homicídio das razões.
05:18Seria até um exercício qualificado.
05:20Até porque não é trabalho do cidadão prender e investigar crimes.
05:28Coroa aí, estão falando que estruparam duas crianças.
05:32Vou pegar esse coroa, vou ripar, hein, primo.
05:34Uma multidão atrás de um homem apontado na comunidade como abusador.
05:40As acusações não foram confirmadas pela polícia.
05:44Nada foi investigado e apurado pelas autoridades.
05:48Simplesmente a notícia se espalhou pelo bairro e pronto.
05:52O suspeito foi brutalmente morto a pauladas.
05:57O presente repetindo os erros do passado.
06:01Teoricamente, quer dizer, lá antes, quando não tinha nem nome, a gente pensa, é um momento da barbárie.
06:08No nosso ordenamento jurídico não tem pena de morte, nem tortura e é um assassinar.
06:15E ninguém pode matar ninguém, né?
06:17Nem o Estado pode.
06:19Para quem já foi vítima ou teve alguém da família morta ou espancada por conta de fofocas
06:26ou boatos, fica o pedido de justiça e o trauma da cena que assistiu.
06:32Eu quero que esteja feita justiça porque meu tio, ele era uma pessoa que não mexia com ninguém,
06:38ele era tranquilo.
06:39Nunca deu motivo pra gente em nada.
06:41Ele tem 74 anos, um senhor de idade, entendeu?
06:45E ia fazer aquela covardia, que foi uma covardia.
06:47E ia fazer aquela covardia, que foi uma covardia, que foi uma covardia, que foi uma covardia.