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  • há 5 minutos
Durante a pandemia o consumo do cigarro aumentou 34%.

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Transcrição
00:00Você conhece alguém que fuma? Como é que ficou o comportamento dessa pessoa durante a pandemia, hein?
00:05Você percebeu se essa pessoa passou a fumar mais ou se diminuiu?
00:09Hoje, gente, é o dia mundial sem tabaco para incentivar as pessoas a parar de fumar.
00:15E os números da Fiocruz mostram que durante a pandemia o aumento do consumo do cigarro, gente, aumentou, sabe quanto?
00:2534%. Por vários fatores. O principal, a gente já sabe o que é, né?
00:29O estresse. Então, bora bater um papo sobre isso?
00:32Aqui no estúdio, a gente recebe o pneumologista, doutor Rafael Martins.
00:36Muito obrigada pela sua presença.
00:38E a gente também recebe aqui a Ludmila Coelho.
00:41Ela é enfermeira e referência técnica em tabagismo na Prefeitura de Vitória.
00:46Obrigada pela presença de vocês dois. Boa tarde, gente.
00:49Boa tarde.
00:49Boa tarde.
00:50Doutor, por que é tão difícil assim as pessoas largarem o vício do cigarro?
00:55Não adianta falar de câncer, não adianta falar de impotência sexual.
00:59Quem fuma não consegue largar. Por quê? É tão difícil.
01:03Bom, em primeiro lugar, você já deu a primeira dica, porque é um vício.
01:07A gente costuma falar hábito, mas não é um hábito.
01:09É um vício, é a dependência da nicotina.
01:12Então, o nosso corpo fica, o corpo do fumante fica dependente da nicotina, como qualquer outra droga.
01:17E por ser uma droga lícita, ou seja, qualquer um pode comprar o cigarro, ou seja, eu tenho uma pessoa
01:24que é uma dependente química e pode adquirir esse produto, que é a nicotina, que é veiculada através do cigarro,
01:30em qualquer lugar.
01:30E aí, agora, na pandemia, como a gente já adiantou, cresceu o número de pessoas que fumam e quem já
01:38fumava passou a fumar ainda mais.
01:41Essa combinação de cigarro, o tabagismo com a Covid-19, isso é preocupante?
01:48Sim, é preocupante, porque o tabagismo, ele é considerado pelo Código Internacional de Doenças, como das doenças que estão no
01:57rol das doenças dos transtornos mentais.
01:59E agora, com a pandemia, com o isolamento social, com o aumento do estresse, como você citou, isso aumentou muito
02:05a ansiedade, os níveis, aumentou muito a depressão na população geral, em quem já tinha propensão.
02:11E aqueles que já eram fumantes, infelizmente, aumentaram o consumo do tabaco.
02:18E o que nos preocupa nisso?
02:21O tabaco, o cigarro, ele leva uma inflamação crônica no pulmão.
02:24E aqueles pacientes que adquirem infecção por Covid-19 e que são fumantes, têm uma propensão a desenvolver a forma
02:31mais grave da Covid.
02:33Já, já, a gente vai mostrar para você de casa, você que fuma, inclusive, um pulmão, um pulmão limpo e
02:40como que é o pulmão de um fumante.
02:42Mas antes, Ludmila, você que atua à frente desse projeto que a Prefeitura de Vitória oferece à população, você tem
02:50percebido que as pessoas, agora, durante a pandemia, já que aumentou, elas têm buscado mais ajuda para parar de fumar
02:57ou não?
02:58Bom, no município, nós temos percebido uma menor procura, na verdade, por conta do receio do contágio mesmo.
03:07Às vezes, seria o lugar de apoio para tratamentos, para prevenção de doenças.
03:14Porém, as pessoas têm medo até da infecção pelo Covid também, de aglomerações e, muitas vezes, não se veem preparados
03:22também para aquele momento de cessar o fumo, né?
03:26Então, a procura não tem aumentado.
03:30Mas, doutor, já que essa relação da Covid com o tabagismo, isso é preocupante?
03:35Não era para ser o contrário agora na pandemia?
03:37Opa, já que o meu risco é maior, preciso parar de fumar.
03:41Deveria ser o pensamento das pessoas, né?
03:43Bom, esse seria o lógico, né?
03:46Mas, infelizmente, na prática não é assim.
03:49Justamente por aquele fator que eu falei inicialmente da dependência química à nicotina.
03:53Por quê?
03:54A nicotina é uma droga que traz o quê?
03:56Sensação de bem-estar, de relaxamento, que acalma as pessoas.
04:00É por isso que é tão difícil largar o vício do tabaco.
04:04Então, neste momento que as pessoas estão mais estressadas, mais ansiosas, há uma tendência em elas fumarem mais.
04:10E a relação do tabaco, da nicotina com outras doenças já é comprovadamente.
04:16Hoje nós temos cerca de 90 doenças tabaco relacionadas.
04:20E mesmo sabendo que o cigarro causa essas inúmeras doenças, as pessoas não deixam de fumar.
04:25Então, é um problema de saúde pública bastante importante.
04:29Dessas 90 doenças, três aí que estão no páreo, doutor?
04:33Dessas 90, as mais importantes, as que causam mais morte nesses pacientes, são câncer de pulmão, o infarto, o agudo
04:40miocárdio e as doenças cerebrovasculares, que é conhecido popularmente como derrame cerebral.
04:46Agora, um detalhe que me chamou a atenção nesse estudo realizado pela Fiocruz, é que as mulheres passaram a fumar
04:53mais.
04:54Então, assim, isso mostra, se tiver relacionado ao fator realmente do estresse, a gente vê a sobrecarga também que as
05:01mulheres estão tendo.
05:02Você tem percebido isso durante essa procura, nessa ajuda das pessoas, Ludmilla, que vocês oferecem?
05:09Sim, em geral, as mulheres procuram mais ajuda também.
05:15Elas são mais abertas a buscar apoio, né, de acordo com as necessidades de saúde em geral.
05:20E quando a gente fala do tratamento do tabagismo, o percentual de mulheres que buscam e participam do programa municipal
05:28do controle é maior do que dos homens.
05:31E olha só, quem vai participar aqui do nosso bate-papo, gente, é a Letícia, que ela começou a fumar
05:36com 17 anos.
05:38E aí, a 14, decidiu abandonar de vez esse vício da vida dela.
05:43A gente sabe que não é fácil, mas eu já estou sabendo que foi uma das melhores decisões que você
05:48tomou na sua vida, né?
05:49É isso, Letícia? Boa tarde.
05:52Boa tarde.
05:55Como é que foi? Conta pra gente.
05:56Sim, foi uma das melhores... Eu não era nem para ter começado, né?
06:01Porque na adolescência, estudando à noite, a galera fumando, eu achava aquilo o máximo e acabei começando, né?
06:09Junto com o coleguismo e na época eu achava o máximo.
06:14Fumei todo tipo de cigarro, desde que gela a garganta, aquele que tem cheirinho de mata, aquelas coisas todas.
06:23Pelo menos uma coisa, né? Pelo amor de Deus, mas o resto eu já fumei.
06:28E depois eu decidi, já estava prejudicando a minha saúde, né?
06:33Antigamente era o máximo.
06:34Hoje você fumar, hoje perto de outras pessoas, você já tem, a pessoa já te olha meio que discriminando, né?
06:41Então eu decidi parar de fumar sozinha, né?
06:44E consegui desse meio tempo.
06:46Foi exatamente assim, da noite pro dia, ou aconteceu algo com você que te fez realmente parar de fumar?
06:54Na realidade, eu adquiri um asma, né?
06:59Eu, minha família toda, a gente tem problema respiratório, né?
07:03E a asma, ela foi aflorando mais, né?
07:07Ficando mais cansada.
07:09E na época eu bebia também, né?
07:11Então quando a gente bebe, é onde a gente quer fumar mais.
07:15Aí eu decidi, eu falei, não vou fumar mais.
07:18E através de eu ter parado de fumar também, eu adquiri uma alergia do cigarro.
07:24Pessoas que fumam perto de mim, o meu nariz coça, eu tenho um...
07:32Na realidade, não pode fumar perto de mim.
07:34Eu sinto cheio de cigarro longe, o nariz já começa a dar aquela irritabilidade.
07:37Eu adquiri uma alergia do cigarro.
07:40Vê só que situação.
07:41Olha só, vamos tirar essa dúvida aqui com o doutor Rafael.
07:44Existe isso, doutor?
07:45Um ex-fumante desenvolveu uma alergia ao cigarro?
07:49Na verdade, o cigarro potencializa as doenças alérgicas.
07:53Como ela falou, ou seja, ela tem história de alergia de asma, de rinite na família.
07:57Então, o cigarro não causa asma.
08:00Mas quem tem asma, quem tem rinite, quem tem algum tipo de alergia,
08:04isso é potencializado pelo cigarro.
08:06Ou seja, ela tinha esse gene latente nela e quando ela foi exposta ao cigarro,
08:11ela potencializou esse quadro alérgico.
08:14Olha só, como eu disse para vocês, a gente tem aí uma imagem de um pulmão limpo,
08:19de uma pessoa que não fuma.
08:21E a gente também tem uma imagem de um pulmão aí, de um fumante.
08:25Doutor, eu quando recebi essa imagem que você mandou para a gente, eu fiquei assustada.
08:30Qual é a reação dos seus pacientes quando você apresenta uma imagem dessa?
08:35Então, hoje, antigamente o nosso foco era na doença.
08:40A gente tentava assustar os pacientes.
08:43E isso fez efeito durante algum tempo.
08:46Hoje, essas imagens estão expostas na capa do cigarro.
08:50Um pulmão doente, um paciente com peito operado, um feto abortado pelo cigarro.
08:56Isso, por incrível que pareça, parece que não assusta mais os pacientes.
09:01Então, o nosso foco hoje, ele é nos benefícios que o paciente tem em parar de fumar.
09:06Porque qualquer maço de cigarro hoje tem essas imagens que são impactantes,
09:11esse preto que a gente está vendo no pulmão, é a imagem do alcatrão.
09:15É um pulmão que a gente chama de antracótico.
09:17E isso dificilmente sairá do pulmão desse indivíduo.
09:20Então, o nosso foco hoje na abordagem com os fumantes é mostrar para eles
09:24os inúmeros benefícios que eles terão em parar de fumar, que são muitos.
09:29Vamos lá.
09:29É possível limpar o pulmão depois que a pessoa para de fumar?
09:34E leva quanto tempo isso?
09:35Não sei nem se o termo certo seria esse, limpar o pulmão.
09:38Explica para a gente.
09:40Na verdade, seria uma desintoxicação do organismo como um todo, não só dos pulmões.
09:45Porque o cigarro, ele não causa só as doenças respiratórias.
09:48Nós temos benefícios imediatos da desintoxicação do cigarro.
09:53Após alguns minutos, a pressão sanguínea, ela já reduz, reduz a frequência cardíaca.
10:00Após algumas horas, já tem uma melhora na respiração do indivíduo.
10:05E ao longo dos anos, diminui o risco de infarto do miocárdio.
10:09E mais tardiamente, após 15, 20 anos, reduz o risco desse indivíduo desenvolver o câncer de pulmão.
10:17Então, a gente vê que o processo de desintoxicação, ele já é imediato, com efeitos a curto e a longo
10:24prazo.
10:24Então, peraí, você, meu amigo, que está aí do outro lado da tela, que está acompanhando o Fale Espírito Santo,
10:31minha amiga, você que está aí com esse vício, vamos fazer o seguinte?
10:34Vamos fazer esse teste?
10:35Vamos? Vamos fazer?
10:36É o seguinte, o doutor Rafael falou aí agora que dentro de alguns minutos,
10:40é possível já sentir melhor essa pessoa fazer, assim, falar assim, doutor, é possível, ó, não vou fumar hoje.
10:46Então, ela já começa a se sentir melhor?
10:49Sim.
10:51Obviamente que isso requer uma preparação.
10:54Por quê?
10:55Como há uma dependência do organismo à nicotina,
10:59a ausência abrupta da nicotina pode causar o que nós chamamos de abstinência.
11:04E a abstinência leva o quê?
11:06Leva um aumento da ansiedade, num primeiro momento, pode levar a uma irritabilidade.
11:10E à medida que os níveis sanguíneos da nicotina vão baixando, vai estabilizando o humor da pessoa.
11:18Então, ela tem que se preparar, saber que ela vai sentir esses efeitos da ausência da nicotina,
11:23e com isso ela vai ter mais sucesso na sua sensação do tabagismo.
11:29E é muito importante que ela tenha uma ajuda profissional para acompanhar nesse momento de suspensão do cigarro.
11:37Letícia, quando as pessoas...
11:39Letícia, não, desculpa, Ludmila.
11:40Letícia está com a gente pelo Skype.
11:42Quando as pessoas pedem ajuda, procuram vocês, o que você percebe de maior dificuldade?
11:50Esse pós, assim, durante, né?
11:52Ah, decidi parar de fumar, mas aí no outro dia começa essa irritabilidade.
11:57O que você percebe?
12:00Na verdade, os sintomas de abstinência, o grau de dependência da pessoa, ela vai determinar maior ou menor dificuldade em
12:08cessar o uso do tabaco.
12:10Então, quando o município de Vitória, por exemplo, oferta o tratamento através do GAT, o Grupo de Apoio Terapêutico ao
12:18Tabagista.
12:19Dentro da primeira avaliação clínica, já é feito um teste para avaliar o grau de dependência dessa pessoa ao tabaco.
12:27E aí, é feito também uma anamnese, avaliar o histórico de vida dela, para poder descobrir quais são os gatilhos
12:36que vão ser as maiores dificuldades para essa pessoa.
12:39Então, o tratamento, ele é baseado numa terapia cognitivo-comportamental.
12:44Ela vai, justamente, ajudar a pessoa que está empenhada em parar de fumar a identificar comportamentos, pensamentos e sentimentos relacionados
12:52ao uso do tabaco.
12:54Deixa eu, então, agora, voltar com a Letícia, que está com a gente participando aqui pelo Skype.
13:00Letícia, você sentiu essa irritabilidade quando você decidiu parar de fumar?
13:06Não, não. Eu, na verdade, eu não senti. Foi até assim, eu tomei a decisão que eu não iria mais
13:13fumar, né?
13:14Eu não tive aquela abstinência, né? Nossa.
13:20No começo, quando eu parei, eu vi os colegas fumando e tudo, eu não me incomodava.
13:28Simplesmente, eu acho que o gatilho que eu coloquei aqui no cérebro mesmo foi parar, porque senão poderia acontecer algo
13:36mais para frente, mais grave, a qual eu não pudesse, né?
13:40O pulmão, igual eu vi aí, a gente fica assustado, né? Eu nunca tinha visto.
13:44Nunca tinha feito, nunca fiz tratamento, tá? Para esse tipo de coisa.
13:48Simplesmente, eu falei para mim mesmo, resolvi parar.
13:52Contou com a ajuda da família?
13:55Na realidade, quando eu fumava, eu fumava escondido dos meus pais, tá? Então, eu não fumava perto deles.
14:03A minha mãe, ela é fumante, mas eu não fumava até mesmo por respeito, eu não fumava.
14:10Eles vieram saber que eu fumava na primeira vez que eu tive, fazendo entrevista aí, que eles não sabiam, tá?
14:17Então, eu sempre escondia.
14:19Mas teve uma vez que a minha mãe desconfiou, porque ela sentiu o cheiro nas minhas roupas.
14:24É, não tem como, né? Se a mãe quiser pegar, é só sentir o cheiro na roupa, não é verdade?
14:30Doutor, aproveitando, já que a gente está tocando nesse assunto, assim, sobre a família,
14:34muitos adolescentes começam a fumar, incentivados pelos pais, incentivado, que eu digo assim, como exemplo, né?
14:40A mãe fuma, o pai fuma e o adolescente vai na mesma onda.
14:43Qual é a importância da gente ter essa consciência, ainda mais nos dias atuais, que a gente sabe da importância
14:52da mudança de hábitos, né?
14:54Bom, você tocou num ponto muito importante, que hoje nós sabemos também que o tabagismo passivo, ele leva às mesmas
15:02doenças daquele indivíduo que fuma o cigarro.
15:05Então, pais que são fumantes e fumam perto de criança, em primeiro lugar, estão dando exemplo.
15:11Então, essa criança, ela tem, isso já é sabido estatisticamente, ela tem uma maior propensão na vida adulta a se
15:18tornar um fumante.
15:19E segundo, essa criança também, ela tem maior propensão a desenvolver doenças respiratórias causadas pelo cigarro.
15:26Ó, tenho aqui pergunta pro Dr. Rafael e também pra Ludmilla. Olha só, a Bernadette pergunta o seguinte, já até
15:33fiz essa pergunta aqui, né?
15:34No caso dela, ela fumou por mais de 35 anos. Se o pulmão dela ainda está infectado de tabaco, ela
15:41já parou de fumar, quanto tempo, no caso dela, levaria pra ficar limpo?
15:45A expressão não seria infectado, né? Ou seja, o que o cigarro fez no pulmão dela ao longo desses 35
15:51anos?
15:52Levou um processo inflamatório crônico. O que ela tem que fazer? Ela tem que ser submetida a uma avaliação, por
15:59um pneumologista,
16:00pra avaliar se houve uma sequela definitiva no pulmão, que nós chamamos, existem dois tipos principais,
16:07que é a bronquite crônica tabágica ou enfisema pulmonar, tá?
16:11E uma avaliação pra ver se houve uma redução da capacidade respiratória dela.
16:16Porque os pacientes, às vezes, atribuem a falta de ar, ah, eu tenho falta de ar porque eu fumo.
16:20Não, ele tem falta de ar porque ele está doente pelo cigarro.
16:24Então, não, ah, eu tenho uma tosse, um pigarro porque eu fumo.
16:26Não, você tem uma tosse, um pigarro porque você já tem uma alteração nas suas vias aéreas causadas pelo cigarro.
16:32Isto não é normal.
16:33Ó, o Adilson Oliver tá aqui falando.
16:37Boa tarde, eu sou fumante desde os 15 anos, hoje tenho 41.
16:41Gostaria de saber se tem algum tipo de programa que ajuda o fumante a largar o cigarro.
16:47Eu tenho vontade de largar o vício.
16:50Ludmila, já já você vai responder pro Adilson e mais pros nossos telespectadores que estão acompanhando aqui o Fale Espírito
16:56Santo.
16:57Tá, como é que funciona direitinho esse programa oferecido pela Prefeitura de Vitória?
17:00Quem tá precisando, quem tá decidindo, na verdade, parar de fumar,
17:05como é que a pessoa faz pra pedir ajuda lá no programa que vocês oferecem?
17:09Bom, aqui em Vitória, desde 2017, todas as unidades básicas de saúde já têm implantado o grupo de apoio terapêutico
17:19ao tabagista.
17:21Esse grupo, ele é executado por profissionais capacitados pra atendimento à pessoa que tá buscando cessar o uso do tabaco,
17:30parar de fumar.
17:32Geralmente, é feito um primeiro acolhimento dessa pessoa, então a pessoa precisa procurar o quê?
17:37A unidade de saúde mais próxima da sua casa.
17:40Se já tá cadastrado nessa unidade, já é conhecido da equipe, vai conversar procurando como que tá funcionando.
17:48Algumas unidades podem, num período mais tranquilo da pandemia, talvez ofertar um grupo bem reduzido com espaçamento na própria unidade.
18:00Porém, o atendimento que tem sido escolhido tem sido o atendimento individual mesmo, por conta das restrições.
18:09Então, a unidade vai acolher essa pessoa, se a pessoa não é cadastrada, ela pode levar um documento de identificação,
18:15um comprovante de residência, de que ela é moradora de Vitória, daquele território.
18:20Algumas unidades que tem os agentes de saúde, eles podem fazer, por ocasião, uma visita, pere domiciliar, pra confirmar se
18:28é residente mesmo.
18:29E ele é acolhido, é feito uma entrevista, né, pra avaliar o grau de dependência, o grau que a gente
18:38diz de contemplação dessa pessoa, se ela já tá decidida a parar de fumar, ou se ela ainda tá pensando,
18:43que isso vai fazer diferença também na condução dela.
18:48Achei aqui, ó, o nome do telespectador, Adilson G. Oliver, ele que quer largar, ele falou que tem muita vontade
18:56de abandonar o vício.
18:57Não só o Adilson, mas eu tô recebendo aqui diversas outras perguntas.
19:01Muitas das vezes, é preciso tomar remédio aliado a esse tratamento? O que vocês têm feito?
19:09Bom, o GAT, ele consiste numa terapia cognitivo-comportamental, ele é um tratamento estruturado, são feitas quatro sessões, podem ser
19:19individuais, mas quando em grupo tem maior ganho pra pessoa.
19:23Pelo compartilhar das estratégias de parar.
19:27E aí, essas quatro sessões são feitas semanalmente, em quatro semanas seguidas.
19:33Ao longo das sessões, é identificado individualmente também a necessidade ou não do uso de medicamentos.
19:42Dependendo também do grau de dependência da nicotina, como o próprio Dr. Rafael já falou.
19:46Uma pessoa que tem um grau de dependência muito alto, talvez ela vai precisar, no momento que parar, de uma
19:52substituição da nicotina, que nós disponibilizamos por meio de goma ou adesivo.
19:57No caso, em Vitória, nós temos utilizado muitos adesivos de nicotina.
20:00Aí, a quantidade é por avaliação médica e, em alguns casos, medicamentos.
20:07Nem todas as pessoas precisam de medicamento e algumas não precisam nem da reposição da nicotina.
20:13Às vezes, as chamadas práticas integrativas já vão ajudar, como a gente tem em algumas unidades de saúde profissionais capacitados,
20:22que ofertam, às vezes, técnicas de relaxamento, de massagem, automassagem, auriculoterapia.
20:30Não são todas.
20:31Isso daí depende da capacitação do profissional.
20:34Olha só, gente, e muitos famosos conseguiram parar de fumar.
20:39A apresentadora Ana Maria Braga contou que a quarentena ajudou ela a largar o vício.
20:45Ela contou que foi difícil, que achou que nunca fosse conseguir.
20:49Mas, muita gente também não sabe, outra pessoa que fumava, gente, é a modelo Gisele Bündchen.
20:54Ela também já foi fumante.
20:56Ela disse que ganhou o hábito de fumar durante as passarelas, quando ela desfilava,
21:01porque, quando a gente fuma, ela achava que ela poderia ficar mais magra, que tinha toda essa história.
21:07Mas, em 2003, ela largou o vício aí de uma vez.
21:11Glória Pires também foi fumante por 10 anos.
21:14A atriz revelou que manteve o hábito dos 12 aos 22 anos de idade.
21:19E, depois de um longo período de recaídas, finalmente conseguiu se livrar do vício.
21:26Doutor, tem muito essa questão da recaída, né?
21:29Como que o fumante, que se torna ex-fumante, tem alguma dica para ele não ter essa recaída?
21:35Bom, a dica é a mesma que o AA, que trata os alcoólatras, né?
21:40Nunca deu o primeiro gole.
21:41No fumante, nunca deu o primeiro trago.
21:43Por quê?
21:44À medida que ele dá o primeiro trago, a nicotina vai imediatamente se ligar aos receptores cerebrais
21:49e vai liberar uma substância extremamente prazerosa, chamada dopamina.
21:54E o fumante vai ter aquela sensação de prazer novamente.
21:57Então, a primeira dica é essa.
21:58Nunca deu o primeiro trago.
22:00Ele fala, agora eu estou bem, eu já estou seis meses sem fumar, estou me sentindo seguro.
22:05Eu vou dar um traguinho só pra testar.
22:08Não faça isso, porque a chance de você voltar a fumar é muito grande.
22:13E aí, lá atrás a gente falou sobre a importância da família, né?
22:17Faça um combinado com a sua família de te apoiar nesse momento, de incentivar.
22:22Nesse momento, o fumante não precisa de cobrança, ele precisa de apoio, ele precisa de incentivo.
22:26Então, a família é muito importante nesse momento.
22:29E, doutor, já que vocês, os dois, lidam diretamente com esse perfil de paciente, qual é a maneira mais eficaz
22:37de largar o cigarro?
22:39Bom, isso é muito individual.
22:42Como a gente viu aqui da nossa telespectadora, que infelizmente o caso dela e a minoria,
22:48que simplesmente decidem parar de fumar e conseguem jogar o maço fora e parar, a maioria tem dificuldade.
22:54Então, existem diversas estratégias, como o Ludmila explicou bem aqui, algumas requerem tratamento medicamentoso,
23:01outras terapia cognitivo-comportamental, a terapia de grupo ajuda muito.
23:05Então, não existe uma fórmula única, isso é individualizado pra cada paciente.
23:10E nesse primeiro atendimento, a gente faz a anamnese, identifica o grau de dependência desse paciente
23:17e a gente vai elaborar a estratégia adequada pra cada paciente.
23:21Ó, já tem gente aqui pedindo o telefone de vocês, né?
23:25Tem algum contato que as pessoas possam fazer pra dar entrada no programa?
23:31Bom, o programa, ele é ofertado em cada unidade de saúde.
23:35Então, nós orientamos a procurar diretamente a unidade mais próxima da sua residência.
23:40Se a pessoa que atender no primeiro momento não souber dar informação,
23:45talvez por um processo de transição, né?
23:48Porque nós tivemos, semana passada e retrasada, inclusive uma capacitação pra prescritores,
23:55que algumas unidades estavam com falta de profissionais.
23:58Então, a gente já ofertou nesse ano capacitação.
24:01Se alguém tiver dificuldade de acesso, conversar com a direção da sua unidade, tá?
24:06Porque o acompanhamento, ainda que não tenha atendimentos em grupo, pode ser feito de forma individual.
24:12Mas pra tirar dúvidas, existe algum telefone que a pessoa possa ligar?
24:19Vamos fazer o seguinte, no final aqui da entrevista, se a gente tiver, passa aqui pra gente, tá?
24:23Que a gente vai repassar aqui pros nossos telespectadores.
24:27E também tem uma dúvida aqui, doutor, se quem fuma tem mais chances de ser entubado?
24:33Agora com a pandemia, né?
24:35Então, como eu tinha falado anteriormente, aquele fumante que já tem um processo inflamatório crônico no seu pulmão,
24:42ele tem uma tendência a desenvolver as formas mais graves da Covid.
24:46E uma das formas graves da Covid é a incência respiratória, então, consequentemente, sim, tem um risco maior de ser
24:52entubado.
24:53Olha, gente, que depoimento incrível que eu tô lendo aqui agora da Letícia Pimenta.
24:58Ela fala que a avó dela fumou dos 10 aos 75 anos.
25:03No início começou com cachimbo, na roça, com o pai, ela hoje tem 97 anos, não fuma, mas há 27
25:11anos, e ela ficou muito ruim por conta do vício e até venceu um câncer.
25:17Olha só, né? Deu a volta por cima essa daí, né, doutor?
25:20Isso é um bom exemplo que nós falamos pros pacientes que ele vai ter benefício de parar em qualquer idade,
25:26em qualquer momento da sua vida.
25:28Isso é um grande exemplo e um grande incentivo praqueles que estão pensando em parar de fumar.
25:32Então, não tem idade, você que fuma, não tem idade pra parar de fumar, né, Ludmila?
25:37É só procurar ajuda, não é isso?
25:40Isso. E das unidades de saúde, nós não temos o telefone, porque são muitas, mas pode estar ligando também através
25:46do 156,
25:47que faz esse tipo de informação e pode passar o telefone específico de alguma unidade, se a pessoa quiser essa
25:54referência.
25:55Ó, deixa eu agradecer aqui a Letícia, que tá com a gente pelo Skype, e dar os parabéns a ela,
26:00que mudou o estilo de vida.
26:02Não é verdade, Letícia? Obrigada pela sua participação, viu?
26:05Por nada, sempre que precisar, tô aí, tá?
26:09Tá certo.
26:09Mas foi a melhor decisão que eu fiz mesmo, de parar de fumar, pro meu próprio bem, pra minha própria
26:13saúde.
26:14Tá certo, obrigada. E eu também quero dar os parabéns pra minha mãe, Inaeli, que também fumou durante 40 anos,
26:20e ó, deu tchau pro vício. Beijo pra você, mãezona.
26:24Gente, obrigada pela presença de vocês.

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