00:00Pessoas aglomeradas no meio das ruas.
00:07Festas cada vez mais comuns.
00:12Mas que incomodam muita gente.
00:15Eles estão usando aqueles carros, tipo carros de som,
00:19que faz propaganda que as caixas ficam na parte de trás das caminhonetes.
00:25E eles estão usando esses carros e é extremamente alto.
00:31É muito adolescente.
00:33Muito adolescente mesmo.
00:35Infelizmente, pessoas que estavam numa postura como se estivessem usando droga ou alguma coisa do tipo.
00:43Alguns entravam no mato e ficavam lá meio que escondidos.
00:48Mais ou menos há um mês começou a acontecer.
00:51Mas uma proporção bem menor.
00:53Foram alguns carros, né?
00:56Eles não ligavam o som na altura que foi, que está acontecendo agora.
01:01E a gente está vendo que está vindo uma crescente.
01:04Então, todo final de semana tem mais carro, mais pessoas e o som está ficando mais potente.
01:13Nas comunidades, os bailes clandestinos deixam rastro.
01:18Garrafas, sujeira, todo tipo de lixo espalhado pela rua.
01:22Fala minha família de casa, fala minha família de casa, que eu mei um de ebrenim, valeu ter passado um
01:26pouco focais geral hoje.
01:28Onde eles ficam, a quantidade de lixo, de garrafas, de latas, de vodka, tudo.
01:38É pitoco daqueles de nariz de cocaína jogados, preservativos.
01:43Você encontra de tudo.
01:46Ao longo do ano de 2020, dezenas como essas foram vistas pelo menos mil vezes.
01:54Os eventos clandestinos ou não autorizados, que popularmente são chamados de Mandela,
02:02consomem uma energia muito grande do poder policial, do poder público, não apenas da polícia militar.
02:07Mas durante o ano de 2020, só para se ter uma comparação,
02:11a polícia militar atendeu mais de 411 mil ocorrências.
02:14Todo tipo de atendimento.
02:15Dessas 411 mil ocorrências, 1.022 foram atendimentos a eventos clandestinos.
02:23E dessas 1.022, no ano de 2020, 187 foram com o uso, a necessidade de intervenção policial.
02:31Ainda de acordo com a polícia militar, em 48% das festas, nenhum problema grave foi constatado.
02:39Em 32% dos chamados, em média 335 festas, os problemas foram resolvidos com diálogo.
02:47Em 18% dos casos, foi preciso usar a força.
02:51O major explicou que a forma como os policiais atuam depende de como são recebidos no local.
02:58E que, geralmente, as denúncias e reclamações partem da própria comunidade.
03:04Na atuação da nossa polícia, a absoluta maioria das ocorrências foi bem sucedida.
03:10Muito embora, em alguns momentos, nesse contexto de periferia, envolvida com álcool, com drogas, com outros delitos,
03:19houve a necessidade da intervenção com o uso da força.
03:22Além de todos os problemas que acontecem nas festas, como o uso de drogas e ostentação de armas,
03:28e até os mais graves, como o caso de um homem de 30 anos, que foi baleado na cabeça em
03:34um baile que aconteceu no Morro da Garrafa, em Vitória,
03:37outra questão preocupa a polícia.
03:39Muitas vezes temos que deslocar o patrulhamento preventivo de áreas que já são problemáticas,
03:45que precisam da atuação preventiva da polícia, para poder reprimir esses eventos que já nascem irregulares.
03:52Apesar dos transtornos, ele explicou que moradores e jovens que não têm envolvimento com o tráfico frequentam os bailes clandestinos.
04:01O problema é que essas pessoas seriam, de acordo com a PM, usadas como uma espécie de escudo para a
04:09criminalidade.
04:10Frequentemente, o que nós vamos encontrar ali é o uso exagerado do álcool, o consumo ilegal, a venda, a posse
04:20e o consumo de drogas,
04:21a prostituição e outros crimes, inclusive com a presença de armas.
04:26Ou seja, o local não está apropriado, nós temos muitos desses jovens que estão ali, são cidadãos de bem,
04:35mas eles estão se envolvendo com a criminalidade muito presente ali.
04:39E há um risco muito grande para suas próprias vidas.
04:42Esta socióloga explicou que eventos como esses fazem parte da cultura do local.
04:48Festa clandestina, e muito entre aspas, não acontece só nas comunidades,
04:53Isso é uma questão que a gente precisa levar em consideração.
04:57As criminalizadas são essas, das comunidades, que aí tem uma vertente racial, tem uma vertente de classe,
05:04tem uma série de vertentes nisso que a gente sabe que sociedade nós vivemos.
05:08Ah, é um espaço onde o tráfico chega e vai cooptar pessoas, etc.
05:13O tráfico está em todos os lugares, não está só lá.
05:17O que está levando a isso? O que está faltando?
05:20Mas a gente só vai saber disso se der voz à juventude.
05:24Tanto a socióloga quanto o major concordam que o jovem tem sim direito à manifestação, à cultura e ao lazer.
05:33Mas mais importante que todos esses direitos é a garantia de que o Estado esteja presente dentro dessas comunidades em
05:42todas as frentes.
05:43Não é um trabalho apenas da polícia militar.
05:45Nós temos ali a presença da polícia civil, nós temos a atuação das prefeituras, através das guardas municipais,
05:52ou de fiscalização municipal, que contribuem e muito para que a gente possa diminuir esse índice de eventos ilegais.
06:01E é por isso que, segundo a especialista, antes de pensar no que acontece nas festas,
06:07é preciso responder uma outra pergunta.
06:10Por que acontece?
06:12A juventude precisa se manifestar, faz parte da juventude, da fase da juventude se manifestar.
06:21Lazer, cultura, isso faz parte, isso vão constituindo os sujeitos.
06:27Se tem autorização para fazer a festa ali ou se não tem, isso aí não é muita preocupação de jovens
06:34se não tiver ninguém para orientar.
06:36O que a punição também só não resolve, eles precisam compreender o que é isso.
06:42Tchau, tchau.