00:00Pracinha do bairro Araçaz, em Vila Velha, dezembro de 2020, há três anos, em plena manhã de Natal,
00:07Jean-Pierre Eutoni Lazzarini, de 27 anos, foi assassinado neste mesmo local.
00:13Por aqui, a vida segue normalmente, já na casa do jovem estudante de medicina.
00:18A família hoje praticamente não existe mais.
00:22Meu esposo não consegue sair de Gaivotas, a casa onde nós criamos nossos filhos,
00:27e eu não consigo entrar. Então eu moro em uma casa, ele mora em outra.
00:331.081 dias se passaram desde a morte de Jean, não para a mãe do estudante.
00:39Quando eu acordo, eu acordo na mesma manhã, na mesma manhã, na manhã de Natal de 2017, entende?
00:49Então, não existe mais família, não existe mais vida, existe uma sobrevida.
00:56Alguns sonhos também foram enterrados com Jean. O casamento foi um deles.
01:02No dia 23, ele falou para o pai, ele pediu a bênção, porque falou que ia pedir a baixinha em
01:08casamento.
01:09Entende?
01:12Aí, no dia 25, tiram a vida dele.
01:15A Cacá, ela continua em depressão até hoje. É o grande amor da vida dela.
01:21Além da dor, a família convive diariamente com um sentimento de revolta.
01:26Meu filho não merecia morrer daquele jeito. Filho nenhum merece.
01:31O crime aconteceu no dia 25 de dezembro de 2017.
01:35Jean-Pierre estava em uma festa chamada Natal Sem Família, que acontecia todos os anos depois da ceia de Natal.
01:43O jovem foi assassinado com três tiros nas costas e morreu no local.
01:48Quando eu recebi a notícia, eu tinha certeza absoluta que plantaram uma arma no meu filho.
01:53Quando me falaram que foi um PM que matou, aí eu tive certeza absoluta.
01:57Realmente plantaram uma arma no meu filho.
01:59E ele morreu por um motivo fútil.
02:01Eu nunca tive dúvidas disso.
02:03A batida do carro não foi comprovada.
02:06O que foi comprovado e o que chegou até mim é que foi motivo por causa de uma loira
02:14que estava acompanhada, que estava acompanhando o assassino do meu filho.
02:20E quando Jean-Pierre chegou, ela comentou, chegou o homem que eu queria.
02:27O inquérito foi concluído pelo delegado Ricardo Almeida, titular da Delegacia de Crimes contra a Vida de Vitória.
02:33As investigações confirmaram que o soldado Igor Moreira da Silva, lotado no 7º Batalhão em Cariacica,
02:41foi o responsável pelos tiros que mataram o estudante.
02:44O militar foi indiciado por homicídio qualificado com motivo fútil e uso de meio que impossibilitou a defesa da vítima.
02:52Igor foi indiciado também por fraude processual, uma resposta já esperada pela mãe.
02:58Ele vai ser condenado, ele vai ser expulso da corporação e ele vai ser condenado.
03:03Eu não tenho dúvida disso, eu tenho certeza.
03:06No dia 17 de dezembro de 2020, o policial militar passará por júri popular.
03:12A polícia militar disse em nota que a condenação judicial não gera a exclusão automática da corporação.
03:19E de acordo com a polícia, na justiça criminal é julgada apenas a culpa do militar.
03:24Para que ele seja desligado da corporação, o caso é julgado na corredoria da polícia militar.
03:30Até lá, Igor continua detido no presídio militar.
03:35No braço esquerdo, Simone carrega uma homenagem feita ao filho um ano depois do assassinato.
03:40No peito, além da dor, a fé na justiça.
03:43Eu não comprei camiseta para o meu filho, eu fui escolher um caixão para ele.
03:49Entende?
03:50Então, nada, não existe um motivo que justifique isso.
03:53Não existe.
03:54Eu quero a exumação dos restos mortais do meu filho.
03:58Eu quero poder realizar o último desejo dele.
04:02Ele queria ser cremado, como o avô foi.
04:05E aí
04:05E aí
04:06E aí
04:06E aí
04:06Obrigado.