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Medico oncologista explica os cuidados que pacientes com câncer devem ter nessa época de pandemia
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NotíciasTranscrição
00:00A gente está vivendo uma pandemia de coronavírus, né?
00:03Mas outras doenças não podem ser ignoradas e é o caso do câncer.
00:07Segundo a estimativa das sociedades brasileiras de patologia e cirurgia clínica,
00:1250 mil brasileiros deixaram de ter diagnóstico de câncer desde o início desta pandemia.
00:19Ou seja, são pessoas que podem estar doentes, mas sequer sabem disso.
00:24Vamos falar sobre o problema hoje com o médico oncologista Dr. Roberto de Oliveira Lima.
00:30Boa tarde, Dr. Roberto. Bem-vindo ao Fala Espírito Santo.
00:32Boa tarde, Juliana. Obrigado pelo convite.
00:35Bem, um número muito alto. 50 mil pessoas que podem estar com uma doença e sequer sabem, né, doutor?
00:42É, porque o câncer a gente não espera ter sintoma para fazer diagnóstico.
00:48A prevenção, a detecção precoce é a melhor forma de curar o paciente.
00:54E nessa fase agora está completamente anômalo, completamente difícil,
00:58até para as pessoas terem acesso a esse tipo de diagnóstico também.
01:01Ou seja, as pessoas também estão ficando mais em casa,
01:04às vezes sentem alguma coisa, um desconforto, mas não vão ao médico.
01:09Isso, exato.
01:11E até dá para entender perfeitamente pela situação que está passando.
01:14O momento que a gente está vivendo, né?
01:16O momento. A gente está dentro de casa, né?
01:18Eu saio para ir para a clínica e volto para casa.
01:19Então, esse é o nosso dia a dia.
01:23As próprias clínicas radiológicas, por exemplo, estão funcionando com menos capacidade.
01:29Então, até o fim dessa pandemia aí, ou pelo menos o arrefecimento dela,
01:35vai ter muito problema que a gente vai ter que resolver depois.
01:39Pois é. Agora, qual a dica que o senhor dá?
01:40Qual a orientação para as pessoas que estão em casa ficarem atentas ao quê, doutor?
01:47Na realidade, a gente é um fato totalmente novo.
01:52Você ouve, você lê, e quanto mais você ouve, mais você lê, menos você sabe.
01:59Então, na realidade, é cuidado.
02:01Por exemplo, a gente, na nossa clínica, a gente tentou fazer,
02:07e está conseguindo fazer um ambiente cada vez mais seguro para o paciente se sentir à vontade.
02:11No começo do processo, nós limitamos bastante o número de atendimentos,
02:18e depois resolvemos que a melhor forma seria testar todo mundo da clínica.
02:23Nossos colaboradores, nossos médicos são todos testados,
02:27e qualquer pessoa que tenha algum sintoma, a gente afasta,
02:30para afastar também qualquer problema diagnóstico de Covid.
02:35E criamos um ambiente seguro.
02:37Teria que ver, em qualquer lugar que fosse, se existia esse ambiente seguro também.
02:41Essa é uma preocupação, principalmente quando a gente fala em pessoas que estão já com tratamento,
02:48ou seja, já tem o diagnóstico positivo de câncer e estão fazendo o tratamento.
02:52Elas são um grupo de risco, né, doutor?
02:54Essas pacientes que estão em tratamento, sim.
02:57Por isso que a gente também se cerca de todos os cuidados,
03:00de tentar ter a clínica livre de vírus também,
03:06ter todo o cuidado, mantê-la em casa, mantê-la em isolamento social,
03:10evitar que tenha acompanhante para evitar aglomeração dentro da clínica também.
03:14Se possível, colher o exame que precisa fazer antes de quimioterapia, por exemplo, domiciliar.
03:20Então, cercar de todos os cuidados possíveis.
03:23E olha, a gente falando aqui sobre essa situação,
03:25essa ameaça da Covid-19 está prejudicando os pacientes que têm outras doenças graves,
03:30e a gente tem aí essa estimativa que, desde o início da pandemia,
03:3450 mil brasileiros deixaram de ter diagnóstico de câncer,
03:37ou seja, têm essa doença e nem sabem.
03:42Cadeiras vazias.
03:44Agora, para avaliar os exames, o médico faz uma teleconferência com os pacientes.
03:50O senhor conseguiu fazer aqueles exames que eu solicitei para o senhor?
03:53Conseguiu?
03:54Desde março, quando começou o isolamento social no Espírito Santo,
03:58o médico-oncologista afirma que as consultas de paciente em tratamento caíram cerca de 30%.
04:04Alguns não vêm mais até aqui por medo de serem contaminados pelo novo coronavírus.
04:10Por conta do câncer, eles possuem imunidade mais baixa do que a da maioria das pessoas.
04:15Alívio de um lado, risco do outro.
04:18O risco do paciente sair de casa para fazer um exame, fazer uma consulta, fazer um tratamento,
04:26dele adquirir o coronavírus nessa saída dele, de sair do confinamento para fazer o tratamento, exames,
04:35e o risco dele não fazer isso, dele não fazer o tratamento e a doença progredir.
04:42Os órgãos que acompanham a evolução dos casos de câncer no Brasil estão preocupados com o quadro que surgiu durante
04:48a pandemia.
04:49Um estudo feito por duas sociedades brasileiras, a de patologia e a de cirurgia oncológica,
04:55mostrou que nesse período de confinamento, pelo menos 50 mil brasileiros deixaram de fazer o diagnóstico de câncer.
05:02Ou seja, as pessoas podem estar doentes, mas nem ao menos sabem disso.
05:07A consequência principal é o diagnóstico tardio.
05:10Há muitos anos a gente vem trabalhando que o câncer é uma doença que quanto mais precocemente ela é diagnosticada,
05:17maiores as chances de cura, maiores as chances do bom resultado do tratamento.
05:22E esse fator vem para atrapalhar esse momento de diagnóstico precoce.
05:29Queda também na quantidade de operações.
05:32No país, as duas entidades estimam que apenas no mês de abril, 70% das cirurgias de câncer foram adiadas.
05:40Fernanda passou por esse drama há poucas semanas, mas conseguiu vencer mais uma etapa contra um câncer raro em um
05:46dos pés.
05:47Ela teve que fazer uma cirurgia de emergência durante e afirma que teve medo.
05:52Além do desafio de você ter medo de contrair o vírus dentro da unidade do hospital, no ir e vir,
06:01isso foi muito difícil.
06:03Depois eu tive um outro desafio que foi o quê?
06:06Eu tive que passar por uma cirurgia de emergência.
06:09E aí você fica com medo, meu Deus, como está o centro cirúrgico?
06:12Como que está toda essa questão de esterilização, de contenção mesmo do vírus dentro dessas unidades?
06:24Olha, é uma situação complicada, né?
06:26A gente vê os pacientes aí relatando essa situação.
06:28Estou aqui no estúdio.
06:30Doutor, falando um pouco mais sobre essa situação, o câncer já é um diagnóstico muito difícil, né?
06:35Quando você recebe essa notícia, é um banho de água fria porque a palavra já assusta muito a gente, né?
06:42Com certeza.
06:44Isso é doença muito estigmatizada e existe um mito muito grande sobre ela.
06:50Mas o que a gente tenta cada vez mais é desmistificar isso aí.
06:54O câncer tem cura na maioria das vezes e principalmente com diagnóstico precoce.
06:59Mas como você falou, é certo, o diagnóstico talvez seja a pior fase da doença.
07:04Pois é.
07:05Agora, o grande problema e que a gente está aqui fazendo esse alerta hoje é justamente por
07:11o diagnóstico.
07:11Porque o senhor destacou aqui que quanto antes a gente descobre, mais fácil e mais chance
07:16de cura se tem.
07:17Agora, ficando em casa sem saber que tem a doença, imagina essa estimativa, 50 mil brasileiros
07:24podem estar com câncer e nem saber.
07:27Essa é a grande preocupação.
07:28Ou seja, a gente não tem aí uma previsão de até quando vai essa pandemia, por quanto
07:33tempo nós vamos viver essa doença do coronavírus, né?
07:37Então imagina, a pessoa está dentro de casa e vai ficar até quando sem descobrir que tem
07:41um câncer?
07:43Esse aqui é o problema, né?
07:44A gente não tem essa previsão.
07:47É como, vamos pensar na linha do horizonte, a gente olha para ela, vou chegar nela daqui
07:52a pouquinho e não chega nunca.
07:55Essa é a nossa previsão.
07:57Felizmente, nos países que já começaram antes, as coisas estão começando a voltar
08:02ao normal.
08:04Mas aqui a gente ainda não tem previsão.
08:06Como apareceram nas matérias de antes aí, provavelmente a gente tenha muito mais contaminado
08:11do que aparece nas estatísticas.
08:15E a maioria das pessoas é assintomáticas, mas que também transmitem.
08:21Pois é.
08:22E existe uma debora, muitas vezes, até em se descobrir a doença por essa falta de diagnóstico.
08:29Hoje eu estou com a chapa frouxa, como diz Stephanie, nossa chefe de reportagem.
08:36Diagnóstico, gente.
08:36É difícil ter esse diagnóstico.
08:38E olha, pela internet, eu vou conversar agora com a Fernanda Helmes, que você conferiu
08:43agora há pouco na reportagem.
08:45Foram três anos e meio até descobrir o câncer de pele no pé.
08:49E o tela é um câncer raro, tá?
08:51Atualmente, ela faz acompanhamento a cada três meses, só que com a pandemia o tratamento
08:56teve que ser suspenso.
08:57Fernanda, boa tarde.
08:58Obrigada por receber a gente aí na sua casa, viu?
09:02Boa tarde, querida.
09:03Bem, estava falando aqui sobre esse diagnóstico, né?
09:08É importante descobrir o quanto antes para poder tratar.
09:11No seu caso, demorou até se descobrir o câncer, né?
09:15Verdade, demorou bastante.
09:18E como é que foi esse processo?
09:24Então, eu já tinha passado por diversos especialistas, né?
09:30E eles não conseguiam identificar o que era, porque era um tipo de tumoração que ninguém
09:35ainda tinha visto.
09:36E aí foram vários processos, desde consultar com cirurgião plástico, dermatologista, infectologista.
09:49Daí chegou um período que essa lesão começou a necrosar e a causar muita dor, muito incômodo,
09:56além de todo o processo estético, que era uma lesão muito feia, né?
10:01Atrapalhava usar calçado.
10:03Eu fiquei um tempo sem sair de casa, inclusive, porque eu não tinha calçado que dava para
10:07colocar no pé.
10:08E aí, quando eu já tinha desistido de tudo, que eu já tinha rodado tanto a rede pública
10:14quanto privada aqui no estado, eu estava pensando em ir para São Paulo, ver se eu conseguia
10:20de repente um tratamento lá, mas eu precisava ter um diagnóstico daqui do nosso estado.
10:25E foi aí quando me indicaram, então, o Hospital Escola da Emescan, né?
10:31A Santa Casa de Vitória.
10:34Foi quando me indicaram o grupo de dermatologia de lá e eles pegaram o meu caso, levaram para
10:40a faculdade, estudaram e conseguiram identificar algumas possibilidades de cura.
10:48e, dentre elas, foi fazer um...
10:52Porque ela era uma lesão que trocava de pele.
10:58A gente está com problema no áudio da Fernanda.
11:00Não estou conseguindo ouvir.
11:03Vamos ver se a gente consegue restabelecer o contato com a Fernanda.
11:06Fernanda, não sei se você me escuta.
11:08Ah, agora sim apareceu a sua imagem.
11:10Eu escuto.
11:10Ah, agora.
11:11Voltou, voltou aqui o áudio para a gente.
11:14Pois é.
11:15Aí, quando eu já tinha...
11:19Já estava, assim, sem uma luz no fim do túnel, foi quando, então,
11:26eles me indicaram...
11:28As pessoas me indicaram, né?
11:30O centro de dermatologia ali da Santa Casa, que é um hospital escola.
11:35E aí o pessoal de lá fez uma pesquisa profunda.
11:38Levaram o meu caso para a universidade, estudaram quais eram as chances de cura, as possibilidades.
11:44E fizeram uma biópsia profunda, que foi o que os demais profissionais não fizeram primeiro,
11:49porque eles tinham medo de invadir e causar um sangramento, alguma coisa mais séria.
11:55Ninguém entendia o que era aquela lesão a princípio.
11:58E como a minha lesão era de pele, né?
12:01Ela trocava de pele.
12:02Então, se fizesse uma biópsia da derme ali, da primeira derme, ela não acusava.
12:07Quando fizeram essa biópsia profunda, lá na dermatologia da Santa Casa,
12:13então foi quando consegui o diagnóstico de câncer.
12:16Esse diagnóstico saiu em janeiro do ano passado.
12:19E de lá para cá eu fiz duas cirurgias.
12:23Uma mais invasiva, né?
12:25Onde eu fiquei com os tendões, os ossos, as artérias todas expostas,
12:29porque foi uma...
12:31Eu tirei o dorso do pé direito todo, né?
12:34E a gente tinha que esperar um período para poder saber um resultado de laboratório,
12:39se tinha margem livre, para poder depois esperar granular para fazer o enxerto.
12:45Pois é.
12:45Mediante a isso, tinha o desafio tanto de a cirurgia dar certo,
12:51porque, por exemplo, o meu cirurgião oncológico,
12:53ele nunca tinha feito uma cirurgia dessa, não sabia como ia ser o resultado, né?
12:58Foi tudo, assim, um heroísmo muito grande da parte dele,
13:02de conseguir ousar fazer essa cirurgia que ninguém queria pegar para fazer aqui no Estado.
13:08E depois, o desafio de, de repente, conseguir fazer o enxerto,
13:12porque eu tinha feito radioterapia durante o período.
13:15Mas, graças a Deus, deu tudo certo e agora eu estou naquele acompanhamento dos cinco anos.
13:20Que é preciso manter um acompanhamento, né, Fernanda?
13:24Isso.
13:25Aí, agora, nessa quarentena, eu tive uma intercorrência,
13:28não tive como ir até o meu oncologista,
13:32tive que optar ir para um hospital mais perto de casa,
13:35porque eu não consegui ir até o outro hospital por conta da distância
13:39e por conta de todos os obstáculos que a gente está tendo por conta do corona, né?
13:45Do Covid, né?
13:46Então, mas graças a Deus, eu consegui, assim, uma assistência dele online,
13:51ele conseguiu contactar com a equipe médica que estava me atendendo
13:55e a gente fez uma cirurgia de emergência, né?
14:00Me deu uma obstrução no ureter direito
14:02e a gente conseguiu fazer essa cirurgia com segurança,
14:06graças a Deus, em meio à pandemia, e deu tudo certo.
14:10Que ótimo, né, Fernanda?
14:11Agora, só aproveitar uma fala sua do processo de descoberta da doença,
14:17eu estou aqui com o doutor Roberto, que é médico ou oncologista,
14:20doutor Roberto, você viu o caso da Fernanda, é um câncer raro, né?
14:23Foi difícil de diagnosticar, isso muito antes, né, da pandemia,
14:28foram três anos e meio, e muitos outros tipos de câncer
14:31acabam também a gente tendo essa dificuldade em descobrir exatamente o que é,
14:35qual é o problema dessa pessoa.
14:38É, tem alguns casos em medicina que são super difíceis,
14:41e são difíceis para todo mundo.
14:43Então, ela percorreu vários caminhos até, felizmente, chegar a um caminho
14:47que foi satisfatório para ela.
14:50Mas, parece ser um caso mais raro, que não é tão comum da gente ver no dia a dia.
14:55Não seria daqueles casos que a gente faz detecção precoce, por exemplo, né?
14:59Por exemplo, como câncer de mama, que você faz mamografia,
15:03câncer de cólon, que você faz colonoscopia, e assim sucessivamente.
15:06Pois é, e esses exames, que fazem parte até da rotina das pessoas,
15:12não estão, muitos deles não estão sendo feitos nesse momento, né?
15:15E essa é a grande preocupação.
15:17Tem até participação aqui pelo nosso Facebook, Conceição Souza falando,
15:21boa tarde, Juliana, eu estava fazendo um tratamento com um hematologista em Vitória,
15:24moro em Guarapari, tinha consulta de retorno marcada para o início de abril,
15:28foi cancelada, e agora nem sei, já fiz vários exames, estão todos parados,
15:33estava fazendo também um tratamento com gastro, estou com cisto no fígado,
15:37e estou muito preocupado.
15:39Uma grande opção que a gente tem usado atualmente, Juliana, é a telemedicina, né?
15:44Quando a pessoa tem, eu não sei como funciona isso no ponto de vista público,
15:49mas do ponto de vista privado, principalmente na nossa clínica,
15:51as telemedicinas apareceu até a reportagem do Dr. Glaucio fazendo uma dessas aí no vídeo,
15:57e elas funcionam muito bem quando a pessoa tem exames para mostrar,
16:01quando a pessoa está fazendo seguimento, às vezes é impossível você determinar
16:07que vai ter que fazer uma cirurgia e tudo, mas só o fato de conversar já está a par,
16:12o seu médico está a par, já ajuda muito.
16:15E ó, aconteceu exatamente isso com a Fernanda, né Fernanda?
16:19Você precisou, você tem uma rotina, tem que fazer um acompanhamento,
16:23mas com essa pandemia, consultas, né?
16:25Está tudo meio que em suspenso.
16:27Você fez uma consulta assim, né? Por telemedicina, né?
16:32Isso. E aí a consulta presencial, ela está agendada para mês de agosto,
16:37início de agosto, né?
16:39Se não tiver alguma intercorrência, que aí eu tenho que procurar novamente
16:43um pronto-socorro e tentar conseguir ser atendida pelo plantonista, né?
16:48O que acontece? O meu oncologista, ele está na linha de frente,
16:53e mediante a eu estar no grupo de risco pela imunidade baixa,
16:58ele achou por bem, então, que eu não fosse até onde estava tendo esses atendimentos
17:04por conta do risco.
17:05Então, seria melhor a gente ter um contato à distância, e aí, né?
17:10No caso online, e aí, havendo a necessidade, o profissional mais perto
17:15seria orientado por ele, como foi essa equipe que fez a última cirurgia, né?
17:19Finalzinho de abril. E aí, essa é a alternativa que a gente está tendo, né?
17:26Mas eu passei por aquele medo quando eu tive que ir para o hospital,
17:31porque eu pensei comigo assim, como que eu vou para o hospital se a contaminação,
17:36eles estão falando que a contaminação, o risco está lá, né?
17:39Para você ter ideia, teve momentos que eu não conseguia acompanhante
17:44para ir comigo, as pessoas tinham medo de...
17:46Agora, Fernanda, falando nessa palavra medo, você está com medo de, por exemplo,
17:52você ainda está nesse processo aí de tratamento, você tem que ficar acompanhando,
17:57você está com medo dessa doença, você tem receio de pegar o coronavírus
18:01e, de repente, a sua situação se agravar?
18:04Sim, claro.
18:06A gente tem medo porque a gente ouve falar, né, a respeito dos riscos que é
18:12o paciente oncológico adquirir, né?
18:16Então, a gente sabe que é bem complicado e aí a gente tem medo, sim, com certeza,
18:22porque a gente sabe que é um risco que você pode, de repente, sim,
18:26ah, eu adquiri o vírus e ter a cura, mas também pode complicar muito
18:31e a gente perder a vida.
18:33Esse é um risco que existe.
18:35Mas, olha, a gente está aqui na torcida para ficar tudo bem.
18:38Você tem se mantido em casa, mudou a rotina também, né?
18:41É, tenho me mantido em casa, né?
18:45Quando saia no caso de extrema urgência, como foi no mês de abril,
18:48quase que direto por conta de ir e vir para o hospital.
18:52É, mas tem me mantido em casa, então, as atividades que eu fazia extra, né?
18:59Projeto, estudo, igreja, tudo a gente tem feito à distância, né?
19:03Online.
19:04Tem que se preservar.
19:05Fernanda, olha, muito obrigada pela sua participação aqui.
19:08Eu que agradeço.
19:09Contado um pouquinho, viu?
19:10Um beijo para você.
19:12Muito obrigada.
19:12Muita saúde.
19:13Beijo.
19:14Amém.
19:15Para vocês também.
19:15Fique com Deus.
19:16Obrigada.
19:17E olha, está aí a Fernanda se mantendo mais em casa, tomando muitos cuidados,
19:22saindo só quando é estritamente necessário.
19:24A gente tem exemplos de outras pessoas também participando aqui pela transmissão, doutor.
19:29A Neia Vasconcelos está aqui falando.
19:31Meu cunhado está, neste momento, fazendo a primeira químio e rádio.
19:35Sequer foi pedido exame de Covid dele.
19:39É tensa a situação.
19:40Vamos falar sobre essa questão de exames em pessoas que estão fazendo tratamento?
19:44Por exemplo, no caso dele, do cunhado da Neia.
19:47Ele deveria, deveria o governo, né?
19:50Deveria fazer um exame nele de Covid-19.
19:52Em que situação que se faz o exame, doutor?
19:55A situação que se faz o exame hoje é difícil de se conseguir.
19:58É só no caso de paciente sintomático, né?
20:02Entre o exame padrão ouro para se fazer o diagnóstico de Covid e o PCR, que é o suave,
20:07que vai tirar de mucosa nasal, de faringe e tudo.
20:12E não é rotina, em lugar nenhum do mundo, se fazer exame de Covid pré-tratamento de câncer.
20:19Então, assim, no caso do cunhado da Neia, mesmo ele estando, né?
20:22Estando aí, já dando início a um tratamento para o câncer, não necessariamente ele deve
20:29fazer um exame de coronavírus se ele não tem sintomas da doença?
20:33Não existe essa rotina, até porque a gente tem pouca quantidade de teste para fazer para as pessoas que realmente
20:43precisam.
20:44Se você morasse naquele melhor dos mundos, naquele país riquíssimo que pudesse oferecer isso para todo mundo...
20:53Que aí faz a população inteira sintomática ou não, né?
20:56Isso, eu acho que seria um bom conduto, do mesmo jeito que a gente faz na clínica.
21:00Na clínica a gente faz exame de nós, médicos e colaboradores.
21:04E, ó, estamos com participações aqui, Nicélia Baltes está aqui falando.
21:08Eu gostaria também de relatar que, às vezes, não conseguimos ter acesso aos médicos.
21:12Estou sentindo isso na pele, preciso de receitas médicas e o plano de saúde não viabiliza o acesso aos atendimentos.
21:19Está aí a denúncia da Nilucélia.
21:21Já, já, a gente fala mais sobre saúde, principalmente pacientes oncológicos agora, durante essa pandemia.
21:27E a telemedicina é um recurso para quem também está fazendo tratamento de saúde, como o de câncer.
21:33E aqui o alerta com o doutor, o médico oncologista, doutor Roberto de Oliveira Lima.
21:38Doutor Roberto, a telemedicina tem, há pouco tempo atrás, ela não era incentivada, né?
21:43Nem era tão liberada, assim, para a população.
21:46Diferente agora, nesse momento de pandemia.
21:48Na realidade, ela era proibida.
21:49Era proibida, né? A palavra é proibida mesmo, né?
21:52O Conselho Federal de Medicina tinha proibido há um tempo atrás.
21:55Agora, eu acho que ela veio para ficar agora.
21:58Pelo menos a gente espera, porque você vê numa situação dessa, que a paciente não precisa, ou o paciente, ou
22:04o paciente não precisa sair de casa.
22:06Tem uma certa dificuldade, que às vezes os pacientes são um pouquinho mais idosos para manipular a máquina, o computador,
22:13etc.
22:13Mas é uma arma poderosíssima para você poder fazer o segmento de pessoas que não precisariam se mobilizar de casa,
22:20ou que correriam o risco, indo para algum lugar que fosse, corresse o risco de contaminação.
22:27E no caso dos pacientes que fazem tratamento para o câncer, eles podem utilizar também da telemedicina?
22:34Em que situação?
22:35Quando tem alguma dúvida em relação a algum exame, quando tem alguma dificuldade para acessar qualquer serviço médico,
22:44que é inclusive importante, a pessoa deve evitar ao máximo ir para pronto-socorro, por exemplo.
22:49E quando tem um contato médico, existe uma plataforma só para isso.
22:53O grande problema do Conselho Federal de Medicina no passado é que se não constava em prontuário.
22:58E essa é uma consulta oficial, que pode ser consultada inclusive no seu prontuário,
23:02o que que foi, o que que consultou a consulta anterior pela telemedicina.
23:07Agora, aquele paciente que precisa, que está em tratamento com câncer,
23:11tem que ir ao hospital para fazer uma quimioterapia, uma radioterapia,
23:14e não tem jeito, tem que sair, não adianta uma telemedicina, né doutor?
23:18Não, a quimioterapia, tanto a química como a radioterapia,
23:20são tratamentos especializados que devem ser feitos nos locais especializados.
23:25Então, está aí uma opção também para os pacientes.
23:28Eu volto a reforçar aqui um número que chamou muito a nossa atenção.
23:31Nós exibimos uma reportagem especial logo mais no início do Fala Espírito Santo,
23:36que é a quantidade de pessoas que podem estar com câncer, mas sequer sabem,
23:42sequer têm esse diagnóstico.
23:44Isso está acontecendo agora na pandemia, porque as pessoas estão deixando de ir às consultas,
23:49estão deixando de ir ao médico, e também essas consultas têm sido canceladas, né doutor?
23:53Mas vale a gente fazer o alerta.
23:55Claro que tem muitas situações que é assintomático, o senhor destacou aqui para a gente.
23:59Mas é bom ficar bem atento ao nosso corpo, porque a gente sente quando tem algo diferente, né?
24:05É porque numa situação dessa, a gente acaba desconstruindo tudo que a gente construiu lá no passado.
24:11O diagnóstico precoce é fundamental, mas procure o tratamento ou diagnóstico precoce,
24:19e atualmente a gente manda ficar em casa.
24:22Então, a gente desconstruiu o que a gente construiu lá atrás.
24:25Na realidade, tem que passar todo esse processo para a gente poder reconstruir isso aí.
24:30E que passe logo, né doutor Roberto?
24:31Eu quero agradecer muito a sua presença aqui, uma ótima tarde para o senhor.
24:34Muito obrigado.
24:35Obrigada.
24:35Obrigada.