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  • há 3 semanas
Médico cardiologista explica porquê pessoas com problemas cardíacos são mais suscetíveis a desenvolver casos mais graves de covid-19

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Transcrição
00:00E olha, a gente continua a distribuição de máscaras nos terminais de ônibus da Grande Vitória.
00:05Hoje a ação acontece no terminal de Itacibá, em Cariacica.
00:08As máscaras estão sendo distribuídas com o apoio do Corpo de Bombeiros e de colaboradores do sistema Transcall.
00:15A previsão é de que até o final da ação, um milhão de máscaras sejam entregues aos passageiros na Grande
00:21Vitória.
00:22Cada kit tem aí duas máscaras e um panfleto com instruções para a utilização do equipamento de proteção individual.
00:30Uma proteção que já o governo do estado disse que quem sair de casa deve usá-la, saia de máscaras,
00:37né doutor?
00:38Justíssimo, não só a máscara como a lavagem de mãos, né?
00:41A gente não pode esquecer de jeito nenhum que é principalmente para quem está usando meio de locomoção coletivo
00:48ou que está entrando em lojas de grande departamento, em supermercado,
00:51tem que lembrar que se eu tenho Covid na minha mão e encostei a mão na maçaneta,
00:56no negócio do ônibus de segurar ou num produto da prateleira, o Covid fica ali.
01:01Existe estudo mostrando que no plástico, por exemplo, fica dois dias de Covid no plástico,
01:05então a gente não pode ignorar a lavagem de mãos de jeito nenhum.
01:08Mas é uma doença que passa pelo contato, então tem que lembrar de uso de máscara,
01:12da forma correta e o distanciamento social.
01:15Agora, a gente mostrou aí essa questão, doutor Henrique, do túnel de desinfecção,
01:19que tem nos terminais, tem também unidade de pronto atendimento.
01:23Isso realmente é válido? A gente passa por ali e fica mais limpo desse vírus?
01:29Juliana, a sua frase é correta, fica mais limpo, mas não fica isento da possibilidade de você carrear o vírus
01:35ainda, infelizmente.
01:36Estão sendo usados vários mecanismos.
01:38Por exemplo, na Ásia, é muito comum você ver nas imagens eles lavando as ruas de local de grande trânsito
01:44das pessoas.
01:44Isso é uma tentativa que as pessoas estão fazendo para diminuir a carga viral das coisas e não só do
01:51indivíduo.
01:51Mas isso não resolve, porque a doença é por contato.
01:54Não adianta eu passar nesse túnel e me reunir com os amigos à noite para me encontrar.
02:00E isso vai fazer com que a doença persevere.
02:03A doença ganha do túnel.
02:05O túnel está nos ajudando, mas a gente consegue, por hábitos ruins, prevalecer a doença, infelizmente.
02:11O ideal é a gente manter as medidas já anunciadas, porque um teste rápido como esse, que pode ser oferecido
02:18em farmácia, doutor, ele não vai dar garantias alguma, né?
02:22Não, assim, mesmo os testes, os melhores testes do mundo aí, a gente tem mais ou menos 20, 30, chega
02:28a 40% de falso negativo.
02:30Ou seja, o indivíduo olha para o teste e vê o negativo e, na verdade, ele tem a doença.
02:34É que o teste não conseguiu ler.
02:36E para os indivíduos que já tiveram a doença, a necessidade de lavagem de mãos e cuidado com as vestimentas,
02:43ela continua.
02:44Porque ele não pega a doença, mas ele carreia a doença.
02:47Então, se eu, por exemplo, já peguei a doença, se eu encostar aqui, que tem Covid, e for encostar em
02:51você, você vai pegar a doença.
02:53Porque eu não combato o vírus para fora de mim, é só para dentro de mim.
02:57Então, isso precisa ficar muito claro também.
02:59Essa ideia de que já peguei, agora eu sou um super-homem, ela é uma mentira.
03:03Você é um super-homem para você, mas para os outros, você continua sendo um vetor da doença.
03:07Isso é muito ruim.
03:08E a gente até mostrou aqui, caso o senhor falou do exame, às vezes dá negativo, dá positivo, de sair
03:13um resultado errado.
03:14O Arlinson contou aí para a gente, de um tripulante de uma embarcação que está tracada aqui no Porto de
03:19Vitória,
03:19ele fez primeiro o exame, deu negativo e depois refez o exame, está aí o resultado positivo.
03:24Justo, isso está sendo importante, inclusive, para nós da medicina.
03:26Juliano, o que dá nessa época? Febre, tosse, evolução para falta de ar importante no indivíduo jovem.
03:33O que é isso nessa época? Que não Covid.
03:36Então, para nós, o dado clínico, a conversa com o paciente, o exame físico, ele está preponderando,
03:42ele tem que ser mais importante do que só o teste. Por quê?
03:44Porque eu tenho teste com 20, 30% de chance de incapacidade de ler a doença, de enxergar a doença.
03:50Então, isso é extremamente necessário. Precisa se preocupar com as medidas que trouxeram as outras nações do mundo para prolongar
03:56a sombra.
03:57O que foi isso? Foi o tripé. Distanciamento social, uso de máscara e lavagem de mãos.
04:03Falando sobre o uso de máscara, a gente tem uma dúvida da Marisa Loureiro.
04:06Quero saber se o uso prolongado da máscara pode causar a baixa oxigenação do sangue, doutor.
04:12Não, mas pode te trazer pior do que não usar a máscara. Por quê?
04:16Principalmente a máscara de pano. Se eu uso ela por mais de duas horas, duas horas e meia, em constante
04:22uso,
04:23o que era para me proteger agora virou uma película de água do meu suor, da minha saliva.
04:28E isso faz com que o vírus seja mais capaz de adentrar e encostar na sua boca, porque a máscara
04:34fica encostada na boca da gente.
04:35Agora, em relação à atividade física, existe uma parte aí do setor da área da saúde que contraindica relativamente assim,
04:42né?
04:42Diz que é difícil praticar atividade física com o uso da máscara.
04:45E é verdade, é difícil, mas não chega a ser impossível, mas só lembrar de novo.
04:49Atividade física ao ar livre é para quem pode ir nos horários que não tem ninguém na rua.
04:55Aquilo que a gente está vendo hoje na Praia de Cambori, na Praia de Itaparica, na Praia da Costa,
04:59entre 4 horas da tarde e 8 horas da noite, como num dia normal, aquilo é muito ruim para a
05:05população em geral.
05:06Não é ruim só para quem está fazendo atividade física.
05:08É ruim para o cara que está levando para dentro de casa, inclusive.
05:11Rosiane Lacerda pergunta, subir os degraus do meu prédio, sendo um ambiente fechado, faz mal?
05:16Existe esse estudo, inclusive, no elevador, né?
05:18Todo ambiente fechado, isso vale para supermercado, para loja de departamento,
05:23todo ambiente fechado tende a fazer o vírus ficar por mais tempo.
05:28Então, por exemplo, se eu entro no meu elevador com Covid e espirro ou tuço,
05:32o vírus fica mais tempo do que se eu estivesse na praia.
05:35Então, isso preocupa? Sim.
05:37Agora, qual é a certeza que o indivíduo consegue ter?
05:39É ver se no prédio dele tem ou não tem indivíduo assim, se estão usando ou não estão usando a
05:44escada.
05:46Isso pormenoriza, isso traz menor a chance de pegar o vírus.
05:49Mas, infelizmente, o que resolve? O que não pega?
05:51Por exemplo, meu pai e minha mãe, o que eu fiz?
05:53Fica em casa e ponto final.
05:55É o único jeito que eu tenho, do meu pai e da minha mãe, que são um grupo de risco
05:57de não pegar doença,
05:58é ficar em casa e ponto final.
06:00Qual é o problema?
06:00Infelizmente, no país, a gente não consegue fazer isso por questão econômica.
06:03Então, os heróis, Juliana, não são só quem está trabalhando na área da segurança e alimentação,
06:08é quem tem que trabalhar.
06:10Nós, brasileiros, que temos que levantar e ir trabalhar, somos todos heróis.
06:13Mas, seremos heróis, quão mais ficarmos vivos.
06:16Então, pelo amor de Deus, quem tem que trabalhar, máscara, distanciamento e lavagem de mãos.
06:21Hoje, estou recebendo aqui no estúdio o médico cardiologista, Dr. Henrique Bonaldi.
06:25Vamos fazer uma análise, Dr. Henrique, dessa situação que acontece na Europa,
06:28já em alguns países aumentando o número de curados, diminuindo os novos casos.
06:33Isso é muito positivo, né?
06:35Justo. A doença evolui dessa forma, né?
06:3712 dias, 7 a 12 dias sem sentir nada.
06:40Depois, mais 7 dias sentindo alguma coisa.
06:42Se o indivíduo ficar grave, mais 3 semanas preocupados com UTI e tudo mais.
06:47E depois ele resolve a doença.
06:49Dos que conseguiram se salvar, se resolve a doença.
06:51Então, é comum no movimento da doença infecciosa isso acontecer.
06:54Grande parte da população, no começo da doença, pega muito e muito pouco curado.
06:58No final da doença, muito curado, com pouca gente pegando.
07:01Isso é comum acontecer.
07:02Mas a dificuldade do país é que a gente continua alarmante pelo seguinte.
07:08Nós estamos aumentando o número de contágios, aumentando o número de mortalidade, aumentando os leitos de UTI ocupados.
07:15E a gente não tem ainda a resposta da população em termos do tripé que foi o que tirou a
07:21Alemanha, por exemplo, do limbo da doença.
07:23E está fazendo a Alemanha ser um dos primeiros países a reabrir escola, por exemplo.
07:26Que é um grandíssimo risco na doença.
07:29Pois é, a gente está num momento muito diferente da Alemanha, diferente da Itália, que nós mostramos agora.
07:35Registrou um aumento diário de morte, só que registrou também um aumento de pacientes curados.
07:40Eles já estavam antes com essa doença do que o Brasil, por exemplo.
07:44Os casos aqui estão no pico nesse momento.
07:47É o que a gente tem ouvido falar.
07:49Olha, estamos entrando num momento de maior infecção, de maior contágio aí dessa doença.
07:55A gente está nessa fase agora.
07:56Está nessa fase agora e foi mais ou menos nessa fase que a Itália resolve desistir da ideia de que
08:02o isolamento completo, o tal lockdown, é importante.
08:05É mais ou menos nessa época.
08:06As regiões metropolitanas da Itália estouram o número de casos, há o colapso da saúde em algumas regiões.
08:13E a Itália não espera a Itália inteira entrar em colapso da saúde para depois parar.
08:18A Itália para mais ou menos nessa época que nós estamos vivendo no Brasil.
08:22Agora, foi na Itália mesmo que a gente viu aquela quantidade de mortos e médicos tendo que escolher quem salvar.
08:28Justíssimo.
08:28Inclusive, não só quem salvar, mas como quem não fazer absolutamente nada.
08:32Existiu casos, e não foi poucos casos na Itália, em que indivíduos, por exemplo, de 80 anos, que tem mais
08:37de 3, 4 doenças, que evoluem mal dentro de casa, em casa ele ficava.
08:41Não tinha o que fazer.
08:42Não era dado a esse indivíduo nem o direito de entrar na ambulância para tentar uma assistência.
08:47E isso, infelizmente, é algo que, por exemplo, eu tenho uma formação de cuidado paliativo e isso é uma grandissíssima
08:52preocupação nossa.
08:53O fim de vida desses indivíduos, ainda que pelo Covid, tem que ser pelo menos digno, se a gente não
08:58tiver suporte de sistema de saúde para dar para esse indivíduo.
09:02E é algo que preocupa muito na área da saúde, por isso que a gente vem incessantemente na TV e
09:08informar, porque, Juliana, a doença não vai ser na China uma catástrofe, na Itália uma catástrofe, nos Estados Unidos com
09:1550 mil mortos e no Brasil nós vamos parar com 7 mil mortos.
09:18Esquece.
09:18Essa possibilidade, ela não existe.
09:20Para quem acredita que essa doença foi inventada, para quem polariza essa doença em termos de até política, que é
09:26um absurdo mortal, isso não existe.
09:28Essa doença vai ser igual, a catástrofe vai ser tão maior quanto, porque é o primeiro país que ela pega
09:34subdesenvolvido com esse número de doença, é o Brasil.
09:36Nós estamos reinventando o jeito de cuidar dessa doença.
09:39Doutor, a gente tem escutado muito, assim, e aí até falo com um pouco de tristeza, por todos os jornalistas
09:45que a gente vê, a imprensa fazendo um papel de divulgar.
09:48E a gente tem sido muito criticado, exatamente, olha, vocês só falam de coisa ruim, vocês estão falando sempre de
09:53morte, vocês estão falando diariamente sobre isso, mas e as coisas boas, as curas?
09:58A gente fala aqui dos casos de cura, mas é importante para a gente entender a dimensão dessa doença.
10:04Não estamos aqui forçando um lead, como a gente fala na imprensa, aumentando o pânico da população.
10:11Não é de forma alguma a nossa intenção criar pânico.
10:16O que a gente entende é que nós precisamos informar a população o que especialistas vão passando.
10:21Justo, Juliana, desde o começo da história que eu tive a oportunidade de vir em rede falar, nenhuma das vezes
10:30eu emitia minha opinião.
10:31Nada que eu estou falando aqui é opinião, tudo que eu estou falando aqui é o que eu leio.
10:34Eu, inclusive, tenho opiniões divergentes das que eu leio, mas eu não posso passar a minha opinião.
10:39O que eu estou falando para vocês o tempo inteiro é parte técnica.
10:41E, tecnicamente falando, essa doença se resolveu, por exemplo, na Alemanha, sem um lockdown, sem a fechamento de comércio abrupto,
10:48porque a população teve a responsabilidade de ficar em casa.
10:51A população teve a responsabilidade de tratar o cliente, o empregado, de forma mais condizente com o problema da doença.
10:57Qual o problema da doença?
10:58É contato.
10:59A gente tem que evitar contato.
11:00Ou a gente faz isso ou a gente está perdido.
11:02Fazendo um paralelo no que você está dizendo em relação ao alarmismo, eu, por conta do negócio de rede social,
11:07acabei lançando um trem, um vídeo, uma vez, que foi parar sei lá na onde, e esse vídeo era falando
11:11em isolamento social.
11:12Qual é a data do vídeo?
11:14Meio de março para final de março.
11:16Eu, até hoje, não consigo dar um passo a mais do que o isolamento social.
11:20Eu tenho um monte de coisa para falar, tenho um monte de notícia, inclusive, boa, de estratégias que a Alemanha
11:25usou, que o Reino Unido usou,
11:27tem um monte de coisa, mas eu empaco toda vez o isolamento social.
11:30Por quê?
11:30Porque eu olho da janela da minha casa.
11:32Quando eu estou saindo para o trabalho, eu vejo as coisas absurdas.
11:35E, infelizmente, ou a gente faz o primeiro passo, ou não adianta a gente ficar contando vitória com notícia boa.
11:41Vamos estabelecer um bom isolamento social.
11:43Acreditem na doença.
11:44Aproveito que vocês já estão começando a ver um familiar, um parente, um amigo, um vizinho.
11:49Entende que a doença existe, gente.
11:51Fica dentro de casa.
11:52Que depois que isso acontecer, tem um monte de novas estratégias.
11:55Que, graças a Deus, nós estamos dois, três, quatro meses depois.
11:58Que um monte de países que já estão tendo a doença.
12:01Nós vamos conseguir fazer a leitura desses países para a gente aplicar no país.
12:05Está aí, alerta importante.
12:06A gente continua aqui fazendo esse alerta com o médico cardiologista, doutor Henrique Bonaldi.
12:11A gente está vendo aí que era uma grande preocupação.
12:13No começo, quando chegou o coronavírus, você falou,
12:15Ah, não, aqui é verão, esse vírus não resiste a temperaturas mais altas.
12:19Mas a gente já viu que ele está aí super presente.
12:22Mas agora, chegando o inverno, e as complicações, elas podem aumentar, doutor Henrique?
12:26Podem aumentar, porque agora, sazonalmente, né?
12:28Agora é a época das infecções de via aérea alta, que a gente chama, né?
12:31As gripes, as doenças virais.
12:34Então, isso não só atrapalha o indivíduo, porque é mais uma doença que ele pode ter,
12:38como confunde, para mim, médico, né?
12:40Não é que eu, no pronto-socorro, vou dizer no começo da doença COVID versus uma outra gripe qualquer, por
12:45exemplo,
12:45que eu tenho certeza que é COVID.
12:47Então, isso atrapalha demais no raciocínio clínico, para quem vai atender esse tipo de paciente,
12:51e pode atrasar um diagnóstico COVID, que piora muito a condição do indivíduo.
12:54E os problemas pulmonares são também um destaque aí, neste momento de coronavírus, né, doutor?
13:00São problemas cardiológicos, diabetes, problemas de pulmão, problemas renais, obesidade,
13:05são hoje os grandes fatores.
13:07E gente com imunidade baixa, né, ou porque usa remédio, ou porque já é infeccionado de alguma outra coisa,
13:12essas são as grandes vertentes de preocupação hoje na medicina, quem lida com COVID.
13:16Pois é, então, vamos tomar cuidado, principalmente agora, nesse momento de inverno,
13:21continue em casa, faça o isolamento, mantenha a sua higiene, que vai tudo melhorar, né, doutor Henrique?
13:27Justo, se Deus quiser.
13:28Não só esse pessoal que tem problema de pulmão, que tem a possibilidade de outras infecções,
13:34mas todo mundo, né, a gente precisa se cuidar bastante.

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