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  • há 3 semanas
Determinação foi assinada pelo general Eduardo Pazuello, ministro interino da saúde e permite a aplicação do remédio em qualquer pacientes com os primeiros sintomas de covid-19

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Transcrição
00:00Hoje eu recebo no estúdio o presidente do Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo, o doutor Celso Moura.
00:06Boa tarde, doutor Celso. Bem-vindo. O que é de pessoa utilizar o microfone? Bem-vindo.
00:11Está funcionando, já está ligado.
00:13Está ligado.
00:13Muito bem-vindo aqui.
00:15Muito obrigado.
00:16Bem, a gente teve aí um protocolo, já vem se discutindo há muito tempo, essa questão da utilização da cloroquina.
00:21O presidente vem defendendo que isso seja usado, que esse medicamento seja usado em todos os pacientes.
00:27E agora foi divulgado esse protocolo.
00:29Como o Conselho de Medicina vê essa decisão?
00:32Olha, o Conselho Regional de Medicina foi o primeiro conselho do Brasil a editar uma norma de que os médicos
00:43tinham, dentro das suas responsabilidades,
00:48a prerrogativa de prescrever aquilo que ele achasse que fosse mais benéfico para o paciente dele.
00:53Pesando os prós e os contras, pesando os efeitos colaterais e prescrever, inclusive, a hidroxicloroquina, associada a azitromicina, associada ao
01:05zinco, associada ao anticoagulante,
01:08mas é o critério do médico.
01:10Isso nós fizemos há quase um mês atrás.
01:13Depois, o Conselho Federal de Medicina baixou uma norma e depois o Ministério da Saúde baixou uma norma também liberando
01:22a autonomia do médico, respeito à autonomia do médico.
01:26Ou seja, o senhor não está dizendo que a cloroquina não deve ser utilizada, mas ela deve ser usada com
01:32determinação do médico,
01:33se ele entender por bem que esse paciente precisa da cloroquina, que ela vai ser boa para esse paciente.
01:40É isso, doutor?
01:40Perfeitamente. Até porque nós não temos, veja bem, nós não temos nenhuma outra alternativa terapêutica, medicamentosa.
01:51Nós fizemos uma quarentena horizontalizada, botamos todo mundo dentro de casa e agora nós não sabemos sair dela.
02:03Bom, esse é o grande problema que eu vejo hoje, além dos agravos sanitários, mas esse problema social é extremamente
02:13grave
02:13e precisa de uma solução socioeconômica e política.
02:17Tudo bem, não é o nosso foco.
02:20Agora, indícios apareceram de que, em determinados casos, usados precocemente,
02:28estavam se conseguindo resultados satisfatórios.
02:32Pois bem, a hidroxicloroquina é um remédio que a gente conhece, acho que há quase 80 anos,
02:39se conhece os efeitos colaterais, uma quantidade enorme de pacientes fazem uso diário desse remédio.
02:46Existem efeitos colaterais, sim, mas não são efeitos colaterais frequentes,
02:53pelo contrário, eles são discretos em termos de incidência,
02:57alguns podem ser graves, por isso que o médico tem que ter muito cuidado para poder identificar o paciente
03:03que pode tomar esse remédio com pouco risco.
03:07Ou seja, é preciso uma análise, porque essa recomendação do Ministério da Saúde é que todos os pacientes
03:12que sejam diagnosticados com Covid-19, inclusive crianças, gestantes,
03:17que nele seja utilizada já a cloroquina mesmo com sintomas leves da doença.
03:22Olha, você tem esse protocolo da hidroxicloroquina, você tem da ivermectina,
03:27você tem outros produtos que estão sendo utilizados.
03:29Nós temos que partir de algum indício para conseguir alcançar um conceito científico.
03:38Existe alguma comprovação que a cloroquina é eficaz no combate à Covid-19?
03:43Existem indícios, existem relatos, está certo?
03:48Existem alguns estudos preliminares não protocolados ainda, porque não existia absolutamente nada.
03:56É uma doença nova que chegou aí de repente, numa intensidade violenta.
04:02E esses produtos são produtos que se conhecem há muito tempo.
04:06A azitromicina, que se usa em criança.
04:09A ivermectina se usa em criança pequena há muito tempo.
04:14Então, são produtos que nós já conhecemos a segurança do uso.
04:18Quer dizer, nós já podemos pular várias fases de experimento.
04:23Então, nesse caso, existem relatos.
04:28Médicos, médicos com conhecimento técnico, médicos que atuavam na coordenação do programa, tomaram.
04:36E, graças a Deus, parece que fizeram bem.
04:39E, ó, tem perguntas chegando aqui na nossa transmissão ao vivo no Facebook.
04:43Você aí de casa, lembrando que nós estamos aqui ao vivo também pelo Facebook.
04:48Então, entre, mande as suas perguntas, as suas dúvidas.
04:51Isis Maia está perguntando se quem tem lúpus ou é alérgico pode tomar cloroquina.
04:56Pode.
04:57Pode.
04:58Você tem que adaptar a dose.
05:00Porque, na realidade, o efeito colateral da cloroquina mais grave não é alérgico, não.
05:06Ele provoca alterações do ritmo cardíaco de pessoas que já são propensas a essa patologia.
05:13Não é questão de alergia.
05:16Agora, o pessoal tem que entender uma coisa.
05:19Hidroxicloroquina ou qualquer outro esquema terapêutico que esteve se estudando hoje, fazendo hoje, não significa a panaceia que vai ser
05:29resolvida o problema do coronavírus.
05:32Não permite que as pessoas se descuidem na comunicação interpessoal.
05:39Tem que respeitar a quarentena, tem que respeitar o isolamento.
05:44Você não é agora que nós vamos liberar tudo.
05:46Não é assim.
05:47Nós temos que, primeiro, utilizar o medicamento, obter mais informações sobre a eficácia deles.
05:54E, se for bastante eficaz, com ótimos resultados, a gente pode começar a fazer uma adaptação.
05:59Porque, senão, nós não vamos ter nenhum parâmetro para poder liberar as pessoas.
06:04E, olha, lembrando que eu estou recebendo aqui hoje no estúdio o presidente do Conselho de Medicina do Espírito Santo,
06:09doutor Celso Moura.
06:10Doutor Celso, só para a gente destacar aqui qual a posição do Conselho com relação à utilização da cloroquina em
06:17pacientes estágio inicial do coronavírus.
06:20A gente viu aí até na reportagem explicando um pouco melhor essa situação de que pacientes com sintomas leves da
06:27doença, assim que detectarem, já poderiam tomar a cloroquina.
06:31Um protocolo feito hoje pelo Ministério da Saúde.
06:35Qual a postura do Conselho diante desta nova determinação?
06:38Olha, o Conselho concorda com essa determinação, até porque, Juliana, os indícios têm mostrado a eficácia desses medicamentos na fase
06:50inicial da doença.
06:52Depois que existe um comprometimento grave, entendeu?
06:55Comprometimento pulmonar, por exemplo.
06:57Depois que existe um quadro infeccioso disseminado, então a dificuldade aumenta muito e a eficácia desse esquema terapêutico cai muito.
07:06Então ele tem que ser utilizado na fase inicial.
07:09Inclusive quando as pessoas estão num estado de saúde mais eficiente, tolera muito melhor essas medicações.
07:19E o resultado, quanto mais precoce for feita a medicação, melhor parece ser o resultado.
07:25Parece, não é uma certeza.
07:27Parece. Existem indícios. Não, certeza ninguém entende nada.
07:29Ó, o Tiago Silveira está falando, não existe, pela transmissão no Facebook, não existe comprovação científica para o uso seguro
07:36desse medicamento.
07:38A Fátima Fernandes também fez um comentário.
07:40Então vamos falar o correto, vamos virar cobaia.
07:45Eu não diria cobaia, não.
07:47Até porque cobaia traz implícito um indicativo de vítima, entendeu?
07:55E nós não... de risco letal.
07:58E não existe isso.
08:00O mais grave efeito que pode acontecer com esse tipo de esquema que eu conheço, é ele não fazer efeito.
08:07Até porque, como eu já te falei antes, esses produtos são conhecidos.
08:11Esses produtos já se utilizam em medicina há mais de 50 anos.
08:18Então nós já sabemos.
08:19Então ninguém aí é cobaia no sentido de ter a vida em risco porque está usando esse remédio.
08:24Ele tem a vida em risco porque ele é portador do coronavírus.
08:27coronavírus.
08:28Mas de qualquer maneira, a gente enfatiza que, quando você não tem absolutamente nada,
08:34você tem que fazer o que é menos danoso para o paciente.
08:38E aí é uma decisão do médico avaliar o que medicação passar para esse paciente.
08:45Exatamente.
08:46Então está aí o secretário de saúde questionando esse protocolo e dizendo que o médico vai decidir o que usar.
08:52não existe evidência, segundo o secretário Nézio Fernandes, de realmente da eficácia dessa medicação, doutor Celso.
08:59Olha, Juliano, como é que pode haver evidência científica de uma doença que não existia?
09:06Como é que eu vou construir uma evidência científica de uma doença que pode aparecer daqui a seis meses?
09:12Não sei nem qual é.
09:14Então não tem evidência científica.
09:16É claro que não tem.
09:17Não deu tempo para isso.
09:18Trabalhos científicos, com a metodologia acadêmica rígida.
09:24Você não vai ter nem tempo de fazer.
09:25Você vai levar dois anos para fazer um trabalho desse tipo, para botar um produto em uso.
09:32Agora, nesse caso nosso, não.
09:36A gente tem que aproveitar os indícios que a gente tem, informações que vêm aparecendo.
09:42Outra coisa é o seguinte, tem médicos conceituados relatando benefício.
09:49Então a gente tem que pegar esses indícios e ver se extraímos dali, aí sim, alguma evidência científica
09:56que possa, inclusive, dar origem à produção do arcabouço acadêmico que a gente precisa
10:04para considerar aquilo como uma ciência médica atualizada com relação ao coronavírus.
10:12E olha, deixa eu aproveitar que eu estou aqui com o presidente do Conselho Regional de Medicina
10:17para falar sobre essa notificação, doutor Celso.
10:20Essa subnotificação, né?
10:23Olha, nós conversamos, inclusive, com o secretário de Saúde na semana passada.
10:28Temos uma reunião com ele e vimos esses dados.
10:32Ele fez algumas considerações com relação à notificação.
10:37Por exemplo, existe um determinado espaço de tempo para você receber o resultado do exame.
10:43E você não pode notificar aquilo como doença, você pode notificar como suspeito.
10:50Antes que você tenha a confirmação laboratorial.
10:53Os exames de teste rápido não têm a mesma fidelidade dos exames PCR, por exemplo.
11:02Que são específicos para quem tem o vírus e que é identificado e se estabelece a portabilidade viral.
11:12Está certo?
11:13Agora, o teste rápido, esse teste que você faz de rotina, ele serve como triagem.
11:19É quase que uma amostra, porque tem falso negativo.
11:22Às vezes, as pessoas ainda não tiveram conta, mas não desenvolveram os anticorpos que vão ser responsáveis pela positividade ou
11:32negatividade do exame.
11:36Então, você tem um espaço de tempo.
11:38E, de repente, você só vai conseguir esse resultado quatro, cinco, seis dias depois da coleta do exame.
11:43Aí você vai identificar.
11:45E pode ser que aí, sim, o número cresça.
11:52Eu sou advogado da Secretaria de Saúde, tenho um bom relacionamento com o secretário, como tem com todo mundo.
12:00Eu não acho que a secretaria tenha interesse em omitir dados.
12:04Mas você acredita que está havendo essa subnotificação, assim como em todos os casos?
12:09Em todos os casos.
12:10No Espírito Santo, seja do profissional da saúde ou não?
12:13Em todos os casos.
12:14Existe uma subnotificação.
12:16Existe uma quantidade de exames realizados abaixo do que a gente esperaria que fosse feito.
12:22Isso tudo existe.
12:24Agora, eu não acredito que haja alguma coisa intencional nisso, não.
12:28Eu acho que não é a má fé, entendeu?
12:30Eu acho que talvez a dificuldade que tenha de você identificar com certeza esse processo.
12:38Agora, os profissionais de saúde aqui no Espírito Santo, pelo que a gente tem acompanhado, têm feito um trabalho admirável.
12:47Admirável.
12:48Então, correm risco, correm risco, têm consciência disso e trabalham.
12:53Outra coisa.
12:53Uma qualidade assistencial muito boa.
12:57Pois é, eu já entrevistei vários profissionais que estão atuando na saúde.
13:00E eles já, isso tanto médicos, enfermeiros, a equipe inteira, né, hospitalar, que envolve muitas pessoas.
13:07Não é só médico, enfermeiro que atua e que faz a diferença aí nessa linha de frente, não.
13:11Agora, eles falando, doutor Celso, que está ficando cada dia mais difícil porque todos estão sendo sobrecarregados.
13:20Por quê?
13:21A pessoa que está com sintomas gripais é afastada por um tempo, justamente por uma prevenção até que saia, por
13:28exemplo, o resultado da Covid-19 e confirmada a pessoa tem que ficar afastada.
13:32Ou seja, se não sai, alguém tem que substituir, né, esse profissional.
13:36O grande problema que eu vejo no absenteísmo dos funcionários que trabalham na frente assistencial é exatamente esse.
13:44A substituição deles é muito mais difícil, tanto em termos numéricos quanto em qualidade.
13:52Você vai precisar de um profissional qualificado para trabalhar numa frente de complexidade bem mais alta.
14:00Ele tem que passar por um treinamento, ele tem que passar por uma série de processos instrutivos, no sentido de
14:07poder ter segurança no trabalho que ele faz, até para se proteger.
14:12Até para se proteger, porque nesses casos, até para você vestir o equipamento de proteção individual e despir os equipamentos
14:21de proteção individual, você tem que ter um ritual quase que acadêmico para seguir, para evitar que você se contamine
14:28nesse processo.
14:30E esse é um grande risco.
14:31E aí você tira da frente de assistência uma pessoa que tem uma utilidade enorme e com dificuldade de ser
14:40substituído.
14:41Vai sobrecarregar seguramente os outros segmentos.
14:45Processos de trabalho, vamos falar, a gente tem visto muitos questionamentos aí da estrutura para o profissional atuar.
14:53E aí a gente mostra os enfermeiros, técnicos, enfermagens, médicos também.
14:58Tem que ter uma estrutura para um bom atendimento e para que esses profissionais não se infectem, né, doutor?
15:04Não corram risco.
15:06Exatamente.
15:06O problema é esse.
15:08Eu acho que nesse ponto o Conselho Regional de Enfermagem está correto, entendeu?
15:12Faz parte da função deles, defender a integridade dos seus inscritos.
15:17Acho, inclusive, o seguinte, existe uma grande preocupação dos médicos, por exemplo, se a gente não tiver equipamento, eu sou
15:23obrigado a ir atender?
15:25Não, ele não é obrigado a atender.
15:27Mas se for denunciado por omissão de socorro, a omissão de socorro, a gente tem que entender que ela termina,
15:35quando começa, o risco de vida do agente.
15:39Ninguém é obrigado a colocar a vida dele em risco para socorrer ninguém.
15:45Está certo?
15:46Você querer obrigar um profissional a exercer uma atividade em que ele corra, coloque a vida dele em risco, além
15:54de ilegal, é extremamente injusto.
15:56E não há necessidade disso.
15:58Agora, como o Conselho de Medicina vem acompanhando a atuação dos médicos e o serviço que está sendo prestado pelos
16:06hospitais, isso tanto públicos quanto particulares, na segurança dos profissionais?
16:10Olha, nós temos um comitê de enfrentamento à crise do covírus, lá no Conselho Regional de Medicina.
16:18Nós temos um serviço de fiscalização exclusivo para esse comitê.
16:23E nós estamos fiscalizando diariamente as unidades assistenciais.
16:30Nós acompanhamos a característica dessa unidade através da ocupação de leitos,
16:38da ocupação de leitos em centros de terapia intensiva,
16:42da letalidade de cada instituição,
16:46para a gente poder nortear a nossa ação fiscalizatória.
16:50E o que tem sido constatado, doutor Celso?
16:54Olha, nós temos constatado que, em termos de equipamento de proteção individual,
17:00as unidades que foram visitadas pelo Conselho Regional de Medicina,
17:04e por informação também da Secretaria de Saúde,
17:08não existe deficiência numérica de equipamento de proteção individual.
17:13Pode haver, inclusive, isso que foi denunciado pelo Coréia,
17:17reutilização, está certo?
17:19Isso aí não vai entrar no mérito,
17:20porque eles fiscalizaram e viram, nós não.
17:24Então, tem que dar crédito a eles, né?
17:26E não me falar isso à toa.
17:28Isso é um perigo reutilizar um equipamento de segurança?
17:31É um perigo você reutilizar, até porque é um material extremamente frágil
17:34e não suporta essas esterilizações seguidas.
17:38Você utiliza aquilo, é quase que descartável.
17:40Então, você tem que tomar cuidado com a integridade física dos seus agentes,
17:47até para que eles não se infectem e desfalquem as equipes
17:51com uma frequência cada vez maior.
17:53Agora, a responsabilidade disso é a do gestor.
17:57Então, vamos lá.

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