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  • há 3 semanas
Determinação foi assinada pelo general Eduardo Pazuello, ministro interino da saúde e permite a aplicação do remédio em qualquer pacientes com os primeiros sintomas de covid-19

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Transcrição
00:00Doutor Celso, vamos falar um pouquinho sobre essa ocupação dos leitos, que é uma grande preocupação
00:03desde o início dessa pandemia. A preocupação era, daremos conta de atender a todos os pacientes
00:11que possam vir a necessitar de uma internação?
00:15Olha, esse foi o substrato básico da tese que se teve no começo.
00:20Nós temos que botar todo mundo em quarentena para evitar que um quantitativo muito grande de pessoas
00:26adoeçam ao mesmo tempo e isso ultrapassa a capacidade assistencial da rede.
00:32Então, a quarentena horizontalizada coloca todo mundo em casa e você vai mantendo um índice de contaminação,
00:39provavelmente, todas as pessoas que deveriam ficar doentes vão ficar doentes, mas não no mesmo momento.
00:47Agora, na região metropolitana e no interior, em Colatina, por exemplo, três hospitais que foram citados,
00:53o Silvio Avidos, o Dório Silvio, o Hospital Evangelico de Vila Velha, já estão com a sua capacidade assistencial no
01:01topo.
01:02A Secretaria está comprando leitos na rede privada, que é uma atitude correta com relação à assistência.
01:13Ela tem que garantir a assistência social.
01:15Agora, comprando, fazendo essa compra de leitos na rede privada, pode faltar, ainda assim, faltar leitos, por exemplo,
01:22para quem tem um plano de saúde, vai para esse leito, já está ocupado, isso pode acontecer para todo mundo.
01:27E aí a gente não está dizendo que é para quem tem dinheiro e quem não tem, não, né?
01:31Não. Na realidade, é o seguinte, os leitos que a Secretaria está comprando,
01:37inclusive, uma das condições que ela coloca, isso nos foi informado pelo secretário,
01:42é que não sejam os leitos usuais, eram leitos novos colocados.
01:46No hospital, por exemplo, foram disponibilizados, parece que, 150, 170 leitos novos,
01:53quer dizer, fora daqueles que já existem no hospital.
01:56A intenção é essa, para você garantir que todos os têm esses direitos respeitados.
02:02Uma outra coisa que a gente tem que ter agora é a esperança de que esse esquema com a hidroxicloroquina
02:09ou com os outros que estão aparecendo, possam diminuir essa referência de pacientes
02:17aos centros de terapia intensiva.
02:19Também é uma possibilidade, eu considero mais remota, porque é um processo muito inicial,
02:25nós não temos resposta nenhuma para eles, mas é a tal história, a gente tem que usar todas as armas.
02:30Existem algumas especulações com relação a isso, inclusive o Conselho já colocou a sua opinião,
02:36por exemplo, construção de hospital de campanha.
02:40Isso aí é uma coisa que saiu agora e virou quase que...
02:43A gente entende, entende como instituição e até como cidadão,
02:49porque um hospital de campanha vai ser construído com dinheiro público,
02:54que é o dinheiro que a gente contribui com os nossos impostos.
02:58Você vai construir um hospital de campanha.
03:00Para ele ter alguma utilidade, Juliano, ele tem que ter pelo menos uns 100 leites,
03:04menos que isso também, ele vai acrescentar muito pouco.
03:09Um hospital de 100 leites, ele tem que ter, no mínimo, por baixo, 1.200 funcionários.
03:15Você agrega a isso, profissionais de saúde mais especializados,
03:20profissionais de nível superior, médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, farmacêuticos,
03:25enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem,
03:29quer dizer, toda uma estrutura de recursos humanos extremamente grande.
03:34Um hospital funciona 24 horas por dia, 7 dias na semana, dia e noite.
03:39Ele custa muito caro.
03:42Então, o senhor acha que a solução, por exemplo, a gente tem visto esses hospitais de campanha
03:46sendo construídos no mundo, em cidades aqui também, em estados brasileiros,
03:52já sendo construídos hospitais de campanha.
03:54O senhor acredita que, por enquanto, aqui no Espírito Santo, inclusive,
03:57a Secretaria Estadual de Saúde diz que não há uma previsão de construção desse hospital de campanha,
04:02mas que também não descarta essa possibilidade.
04:04Mas, por agora, o que está sendo feito são construções de novos leitos
04:09e compra de leitos em hospitais particulares, como nós mostramos agora para vocês.
04:14O senhor acredita que essa não seria uma solução para o Espírito Santo,
04:17a construção de um hospital de campanha para atender os pacientes?
04:21Eu acho que não.
04:23Eu acho que não.
04:24O custo é muito alto.
04:26Outra coisa é o seguinte, você vai ter que pegar 1.200 funcionários,
04:30vai ter que comprar equipamento para um hospital de 100 leitos.
04:35equipamento de terapia intensiva, você vai ter que comprar equipamento de laboratório,
04:39diagnóstico por imagem, de higienização, esterilização.
04:45Você vai ter que treinar uma equipe de 1.200 pessoas.
04:49Outra coisa, por mais informal que tenha se tornado, por causa do coronavírus,
04:55a aquisição de material pela rede pública,
04:58você ainda tem aquele processo de levantamento de preço, licitatório,
05:02mesmo que ele seja mais informalizado, vai levar tempo.
05:07Aí você vai botar um hospital desse para funcionar daqui a dois meses e meio?
05:12Eu não acredito no hospital de campanha de 100 leitos,
05:15fique pronto para funcionar no Espírito Santo em menos dois meses, dois meses e meio.
05:20Ou seja, a gente não vai conseguir uma solução...
05:23A Secretaria e o Estado têm outra saída.
05:28Ele pode construir unidades moduladas, já acopladas aos hospitais que já existem, públicos.
05:37De custo muito mais baixo...
05:38Ou seja, como se fosse uma extensão.
05:39Exatamente, utilizando uma área que já existe outra coisa,
05:43que poderá ficar incorporada àquela unidade.
05:48Você faz uma extensão daquela unidade assistencial.
05:52Porque o hospital de campanha, depois você vai ter que desmontar, você vai fazer o quê?
05:57Vai levar para onde?
05:59Está aí uma grande polêmica e a gente sempre escuta as pessoas defendendo,
06:04falando assim, olha, por que não ter hospital de campanha?
06:06Não seria uma solução?
06:08Existem as discussões e linhas que vão sendo adotadas,
06:11isso aqui no Espírito Santo e mundo afora, né?
06:14Vocês já levantaram o preço aqui no Brasil da construção desses hospitais de campanha?
06:19É a nova fonte de escândalo que nós temos.
06:24Ou seja, aí uma possibilidade de desvio de verbas, doutor.
06:27Claro.
06:28Eu tenho muita desconfiança com relação a isso.
06:31Aqui no Espírito Santo, o Espírito Santo é um Estado menor, é um Estado mais fácil de você.
06:35Agora, Estados como São Paulo, pode comprar um ventilador por 184 mil reais, que custa 25, 30 mil?
06:44Imagine um hospital de campanha.
06:46É importante a gente falar que a maioria das pessoas se curam.
06:50A maioria das pessoas não necessita de uma internação hospitalar.
06:54Mas é uma doença que mata e a gente vem mostrando aí os números, né, doutor?
06:57O índice de letalidade no Brasil e no mundo, o Espírito Santo está um pouco mais baixo até.
07:06Está em torno de 6, 7%.
07:11Pelo quantitativo, pelo quantitativo de pessoas é muito grande.
07:18É muito grande.
07:21Até porque eram pessoas que necessariamente não precisavam estar morrendo e nem esperavam que fosse isso acontecer.
07:28Agora, de qualquer maneira, a gente tem que entender uma outra coisa quando se dá esse tipo de notícia.
07:33O Brasil é o quarto, quinto país do mundo na incidência de... Não.
07:39Essas estatísticas têm que ser feitas em cima de um número fixo de habitantes.
07:44Então, se você for considerar o número de casos no Brasil por um milhão de habitantes,
07:50nós estamos numa situação muito mais confortável que esse quarto, quinto lugar que está sendo colocado aí.
07:57Nós estamos acima do centuagésimo lugar.
08:00Porque você tem que fazer a incidência desses óbvios em cima de um milhão de habitantes.
08:05Em cima da população.
08:06Exatamente.
08:07Agora, vale a gente destacar aqui também, doutor, por exemplo, o Espírito Santo, que o senhor citou.
08:11O governo do estado disse que ainda não estamos no pico.
08:14Chegaremos no pico da doença.
08:16Ou seja, o Brasil, por exemplo, começou a ter casos depois de países da Europa, depois dos Estados Unidos.
08:23Aí que a gente foi ter confirmações, notificações da doença.
08:27Estamos um pouco atrás e o Espírito Santo também, referente a outros estados, como São Paulo, Rio de Janeiro,
08:33começamos depois e, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, nem estamos no pico.
08:39Não, nós não estamos no pico e é por isso que a gente tem que manter esses cuidados de isolamento.
08:46Porque quando a gente faz isolamento, a gente usa o termo errado, porque isolamento é uma coisa que você aplica
08:51ao paciente.
08:53E não a população.
08:54A população fica em quarentena.
08:57Nós estamos fechados, né?
09:00E, nesses casos, a gente tem que levar em consideração uma série de fatores, por exemplo.
09:07A gente pode tentar caminhar com uma continuidade desses casos por um tempo maior, mas sem um pico muito grande,
09:16para evitar uma sobrecarga na rede assistencial.
09:21As estatísticas têm mostrado que alguns países, por exemplo, em termos, se você for colocar em termos totais,
09:29a Suécia, por exemplo, que não fez isolamento, que ela não fez nada,
09:34ela alega que teve pouca gente morreu.
09:38E isso saiu, chegou a sair em uma época, como uma propaganda do sistema suérico.
09:43Só que, se você for analisar a letalidade na Suécia, ela batia em 13%,
09:51enquanto a letalidade mundial é de 6%, e a do Brasil está em 6,5%, perto de 7%.
10:02Então, você tem várias formas de mostrar o dado estatístico.
10:06Entendeu, Juliana?
10:06E isso confunde muito a sociedade.
10:09O que a gente deixa de falar, por exemplo, um fator que eu considero,
10:13de uma gênese importantíssima na capilaridade da expansão das posições desistidas pelo Brasil,
10:20foi que nós tomamos conhecimento, o secretário de Saúde estava conversando com a gente,
10:24explicando que, já no começo de fevereiro, a secretaria já tinha feito um esquema
10:29de enfrentamento da crise, não sei o quê.
10:31E o Brasil libera carnaval, que foi uma lenha na fogueira.
10:44Ou seja, pode-se ter espalhado mais essa doença.
10:46Exato. Qual é a responsabilidade que esse pessoal teve?
10:51Em plena epidemia.
10:55Pandemia.
10:56Em plena pandemia, nós saímos com carnaval aqui,
10:59que é uma maravilha, né?
11:01Mas, e os resultados?
11:04Estamos vendo resultados agora, né?
11:06Agora.
11:06Uma importante missão que a gente não pode deixar de lado,
11:10mesmo durante a pandemia, né, doutor Celso?
11:12Claro.
11:14A doação de sangue, ela faz diferença num tratamento de pacientes,
11:18e aí a gente entra em várias doenças, né, doutor?
11:21Principalmente trauma.
11:24Principalmente trauma.
11:26Entendeu?
11:27O sangue derivado é o tipo de tratamento
11:34que, na imensa maioria das vezes, ela é de emergência.
11:38Então, você tem que ter uma segurança muito grande.
11:40A sociedade tem que entender que,
11:44sem isso,
11:45a pessoa só vai poder saber a importância na hora que precisa.
11:50Pois é.
11:51A gente só acha que acontece com os outros, então...
11:55Exatamente essa questão.
11:56Às vezes, ah, e comigo não vai acontecer,
11:57mas está indo um momento de necessidade.
11:59Exatamente.
12:00Precisa de...
12:01Então, você que pode,
12:02procure um Hemocentro,
12:04agende o atendimento e faça a sua doação.
12:07Doutor Celso, queria agradecer muito
12:08a sua presença aqui hoje.
12:10Nada de nada, as tuas ordens.
12:10Uma ótima tarde.
12:11O Conselho sempre cumpre essa função.
12:12Obrigada, viu?
12:14Obrigada, viu?

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