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Governo do Estado afirmou que taxa de isolamento social do Espírito Santo deve ser superior a 55%. Médica fala sobre a importância de respeitar o distanciamento
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NotíciasTranscrição
00:00E a falta de isolamento social é um fator apontado por especialistas para o aumento dos casos.
00:06O Espírito Santo voltou a ser o estado com menor índice de isolamento social da região sudeste.
00:12E quando comparamos com todo o país, o nosso estado está na sexta colocação entre os estados com menor isolamento.
00:21As informações são da empresa de software Inloco, que faz esse levantamento de acordo com dados de celulares.
00:27Nós estamos, gente, em 53%.
00:30O recomendado pelas autoridades é de 70% de isolamento social.
00:36Está aí dados que preocupam muito as autoridades em saúde.
00:40E para bater um papo aqui hoje com a gente, recebo no estúdio a médica geriatra, a doutora Valesca Binda.
00:46Boa tarde, doutora Valesca. Bem-vinda.
00:48Obrigada.
00:49Vimos aí esses dados, esses novos dados do isolamento.
00:52O Espírito Santo é o maior da região sudeste.
00:56Com a falta de isolamento social, está aí um grande motivo de preocupação, doutora.
01:01Sim, com certeza.
01:02Principalmente quando a gente pensa que a doença está muito longe da gente.
01:07Eu tenho uma cidade no interior onde as pessoas ainda não têm nenhum caso.
01:11Então, elas não se preocupam tanto em ficar nas suas casas.
01:14acham que porque não tem casos na cidade, às vezes a gente pode ficar fazendo visita a vizinhos,
01:21indo ao supermercado, indo às lojas.
01:23Mas é importante que se mantenha o isolamento social, sim.
01:27Mesmo nas cidades ainda onde você não tem casos ou o número é bem reduzido.
01:32E esse isolamento, eu estava vendo já gráficos que mostram que onde se manteve,
01:39quando se manteve o isolamento social, a curva, ela muda, né?
01:42Exatamente. A gente tem os países, né, outros países como a Alemanha, a Itália, a França,
01:49os países que conseguiram fazer com que os pacientes ficassem mais em casa,
01:53tivessem esse isolamento social mais efetivo, é que a curva é mais achatada, né?
01:59Que vai ter, sim, um número de casos superiores, vão ter, sim, casos graves, mortes,
02:06mas que eles conseguem controlar mais o número da infecção.
02:09Essa é a preocupação, é que o governo também consiga atender a todas as pessoas
02:14que possam precisar de uma internação, que possam precisar de uma UTI, né?
02:18Exatamente. A gente tem visto, né, o governo falar, assim, né,
02:22a proposta da semana passada era que sábado eles iriam abrir o comércio,
02:26mas viram que pelo número aumentado de vítimas, né, pela lotação dos hospitais, né,
02:3270%, 80%, que isso não pode ser ocorrido.
02:36Exatamente. A Cici Dias aqui, participando da nossa transmissão, está falando assim,
02:42você percebe que desde o dia 1º de abril, a secretaria, ela apontou, o subsecretário, né,
02:47de Vigilância em Saúde, diz que está se aproximando o pico da doença,
02:50e a gente vem ouvindo, né, o pico da doença vai chegar, vai chegar,
02:54e ainda se mantém, ele ainda não chegou, né?
02:57Então, eu não sei se as pessoas têm acompanhado, mas os estudiosos, né,
03:02da universidade, os virologistas, eles já têm dito que não vai ser um pico único, né,
03:09que essas subidas vão sem ondas, a gente vai ter um primeiro pico,
03:13depois pode ser controlado, depois vai ter um outro pico,
03:15então é importante que as pessoas fiquem, sim, nas suas casas,
03:19aquelas pessoas, né, que têm condição de fazer o seu home office, né,
03:25que têm condição de ficar isolado nas suas residências,
03:28as escolas não têm previsão ainda de voltar, né,
03:32então é importante que se mantenha esse isolamento,
03:35para que quando ocorrer realmente esse pico,
03:38que a gente não tenha superlotação e a falta de atendimento dos pacientes.
03:43E é preciso que cada um tome as suas precauções,
03:46a gente falando aqui sobre essa questão do isolamento,
03:48e na hora de sair de casa, tentar se proteger ao máximo, né, doutora?
03:52Exatamente, né, então é importante, assim,
03:55igual a gente está vendo a notícia que alguns comércios vão funcionar de porta fechada,
04:00vão atender uma pessoa de cada vez para ter essa precaução,
04:04mas assim, a precaução não é só para quem está indo ao comércio,
04:08ou quem precisa de ir ao supermercado, mas também para o dono do comércio, né,
04:12que ele tenha, que as pessoas que estão lá, que usem máscaras,
04:16que estejam a todo momento passando o álcool gel na mão,
04:20ou lavando a mão com água e sabão,
04:22as pessoas que estão indo ao comércio, ou precisam de sair de casa,
04:26que seja para ir na farmácia, na padaria,
04:28mas que eles cheguem antes de entrar no estabelecimento,
04:31que passe o álcool gel, que ele seja até fornecido,
04:34antes da pessoa entrar, porque a pessoa que está contaminada,
04:37ela vai entrar, vai colocar a mão, se estiver contaminada.
04:41Estabelecimentos têm feito exatamente isso, logo ali na entrada,
04:43sempre tem já um funcionário com álcool nas mãos,
04:46e só deixa entrar dentro dos supermercados, farmácias,
04:49esses estabelecimentos que estão permitidos para funcionar,
04:52se a pessoa estiver usando máscara, né?
04:53E muita gente, vocês estão vendo próximas.
04:56Essa é a preocupação, né, doutora Valisca?
04:58Essa proximidade, a gente está exatamente no momento de não ficar muito junto,
05:03evitar aglomeração.
05:04Isso aí, Juliana.
05:06Os últimos estudos relatam que as pessoas devem ficar
05:09dois metros de distância uma da outra, né?
05:12E falam também, que a gente tem visto muito,
05:14pessoas se exercitando, andando no calçadão, correndo, né?
05:18As pessoas que correm, que andam,
05:20elas têm que ficar 10 metros, 20 metros de distância uma das outras, né?
05:25Então, o risco de você espirrar, de transferir o vírus
05:29para uma pessoa com um metro, dois metros de distância,
05:32é plausível, é importante.
05:35E, ó, essas aí são as imagens ao vivo ainda do terminal.
05:37Olha como que as pessoas estão próximas na fila.
05:39Um grande perigo, porque o coronavírus não tem seta, né?
05:43Ele não pisca, você não sabe quem está contaminado,
05:46porque também tem aquela questão de pessoas que são atensas sintomáticas, né, doutora Valisca?
05:51Elas não apresentam sintoma algum, mas podem transmitir a doença.
05:54Isso, de 5 a 14 dias as pessoas podem ficar doentes e assintomáticos.
06:00E os assintomáticos, eles também transmitem,
06:03tão quanto os sintomáticos, a doença.
06:06E o que ocorre, essas pessoas têm que lembrar,
06:09que nós estamos falando de uma doença,
06:11que ela não tem cura, não tem nenhum remédio ainda efetivo
06:15para curar a doença, não tem uma vacina, né?
06:18Não tem um remédio para prevenir a doença.
06:21E nós estamos falando que o que mais previne
06:24é o distanciamento social e o isolamento social.
06:28E essa distribuição de máscaras é uma medida muito boa
06:32que o governo vem adotando,
06:34só que tem pessoas também que estão achando
06:36que as máscaras estão contaminadas, estão jogando fora as máscaras.
06:41Então, algumas pessoas estão recusando as máscaras também nos terminais.
06:46E a gente vê que algumas já estão jogando elas fora,
06:49antes mesmo de usá-las.
06:50Gente, olha aí, olha que a doutora está chamando a atenção aqui para a gente
06:54de fake news, essas notícias falsas que começam a circular
06:59nos grupos de redes sociais, na internet.
07:02A sua funcionária, inclusive, chegou em casa falando exatamente isso, né, doutora?
07:06Isso, a minha...
07:06Que essas máscaras que estavam sendo, que estão sendo disponíveis,
07:10a partir de hoje, disponibilizadas para a população,
07:12hoje nos terminais pelo governo do estado,
07:14que essas máscaras estariam contaminadas.
07:16Exatamente. Então, isso a gente tem que quebrar um pouco essas notícias
07:21para dizer que isso é uma prevenção.
07:24A máscara está sendo dada gratuitamente para aquelas pessoas
07:27que não têm condição de adquirir,
07:29que a gente tem visto muitas pessoas fazendo,
07:32vendendo por cinco reais, seis reais.
07:35Então, assim, aproveita essa oportunidade para se proteger.
07:38Porque não adianta só as pessoas que estão aqui na sala usar a máscara,
07:42se a gente não usa a máscara, no sentido de que se a gente está contaminado,
07:46espirrando, tossindo, a gente vai contaminar o outro.
07:49Porque se eu espirrar e você está com a máscara,
07:52e o meu vírus for grudar no pano da sua máscara,
07:55e você coloca a mão no pano, e depois coloca nos olhos, na boca, né,
07:59então você vai se contaminar dessa forma.
08:02Gente, é assustadora.
08:04A gente vê quantas notícias falsas começam a surgir como essa.
08:07Que irresponsabilidade que seria, imagina?
08:09Eu não consigo nem imaginar pensar que um governo do estado que vem aqui,
08:12a gente vê dia a dia acompanhando, combatendo essa doença,
08:15tentando minimizar os impactos dela no estado.
08:19Inacreditável que vá dar máscaras contaminadas.
08:22E outra, as máscaras que são entregues e as máscaras que você compra também,
08:27antes de usá-las, você precisa lavar com água e sabão.
08:31Se precisar, também tem alguns produtos que podem ser usados, né?
08:35Sim, mas as de pano, se você lavar com água e sabão,
08:38colocar pelo elástico pra secar e depois passar com o ferro quente,
08:42não passar o elástico só onde tem o tecido, né,
08:45você sabe que a água e sabão, ela vai matar o coronavírus,
08:48se ele estiver ali, entendeu?
08:50E lembrar que você tem que usar por no máximo duas horas,
08:53e se você falou bastante, se a máscara está molhada,
08:57você tem que trocar, usar uma outra máscara e colocar essa pra higienizar.
09:01Mas, tanto a máscara como as roupas que você vem da rua,
09:05se você lava com água e sabão,
09:07a gente tem que crer que o vírus foi embora ali, na água e sabão,
09:10como você higieniza suas mãos.
09:12Mas, é um grande perigo, doutora Valesca, a situação, olha só,
09:16Expedito Garcia, que tem um movimento grande,
09:18tem um comércio muito forte ali na região,
09:20a gente está mostrando aí a agência da Caixa,
09:22com muitas pessoas na fila,
09:24e olha a quantidade de carro circulando,
09:26está com cara de um dia normal.
09:29Exatamente, eu fico preocupada quando a gente vê,
09:31se a quantidade de pessoas na rua,
09:34quanto dessas pessoas que têm idosos dentro das suas casas,
09:38que não estão se prevenindo na rua,
09:41imagine dentro das casas.
09:43Se na rua eles estão assim, sem usar máscaras,
09:46colocando a mão em qualquer lugar,
09:48não estão higienizando as mãos,
09:50nem todos devem ter um álcool gel ali para limpar as mãos,
09:53depois que passa pelo vendedor ambulante,
09:56ou que vai comprar uma água,
09:57ou alguma coisa que seja, algum enfeite, ou brinquedo,
10:01e voltam para as suas casas.
10:03Será que essas pessoas chegam em casa,
10:05tiram o sapato na porta,
10:06tiram a sua roupa na porta,
10:08e lavam ela separadamente na máquina,
10:10sem juntar com outra roupa?
10:12Será que elas estão assim,
10:13evitando o contato próximo com pessoas mais comprometidas em casa?
10:18Que a gente tem que lembrar que os idosos têm maior chance de ter a doença
10:23de uma forma mais grave,
10:25por conta da imunoscelescência,
10:27que é o envelhecimento normal do idoso,
10:30do sistema imunológico do idoso.
10:32Principalmente que muitos idosos têm doenças crônicas,
10:36hipertensão, diabetes...
10:38Pois é, já a gente fala mais sobre isso,
10:40vamos chamar a atenção mais para esses casos,
10:42exatamente idosos, que a gente tem visto muitos,
10:44e as mortes, inclusive, a maioria de idosos.
10:47E olha, a gente continua mostrando imagens ao vivo,
10:50de Campo Grande, Cariacica, muitos carros circulando,
10:53vendedor, ambulante, essas são imagens ao vivo,
10:55isso é agora, tá, gente?
10:56Na Expedito Garcia, uma região forte de comércio,
10:59de fluxo mesmo, de pessoas,
11:01só que lembrando que estamos no momento de isolamento social,
11:04saem de casa só quando necessário,
11:07mas o que a gente vê tem até engarrafamento ali.
11:10E olha, a gente tem participações aqui no Facebook,
11:12a Maria Luíza Sabino está dizendo aqui,
11:15que olha, infelizmente, em Praia Grande, Fundão,
11:17até Barzinho continua abrindo,
11:19essa é a preocupação, né?
11:20Exatamente, porque assim,
11:22as pessoas parecem que elas não estão acreditando
11:25na gravidade da pandemia que estamos vivendo.
11:29Parece que São Paulo é um lugar tão distante do Espírito Santo,
11:35e a gente tem que pensar que o Espírito Santo
11:37vai passar também pelo número aumentado de mortes,
11:41como São Paulo, Belém, Fortaleza, né?
11:44Então, o Espírito Santo vai chegar lá e as pessoas não estão acreditando.
11:48A gente vive um momento de ascensão de curva
11:50que está chegando o primeiro pico
11:52e as pessoas estão desacreditando e voltando para as ruas
11:56com maior chance de estar se contaminando
11:59e ter a forma grave da doença,
12:01que é a insuficiência respiratória.
12:02O que a gente vê, e que já foi falado várias vezes em noticiários,
12:06que assim, mesmo que você esteja em isolamento social,
12:10uma hora talvez você vai se contaminar.
12:13Alguém da sua casa vai sair, vai encontrar com alguém,
12:16vai se contaminar e vai contaminar outras pessoas,
12:18mas o isolamento social faz com que essa contaminação
12:22aconteça de uma forma mais lenta,
12:24para que dê tempo realmente de todas as pessoas serem atendidas,
12:29que o Estado tenha condição de atender todas as pessoas.
12:33Porque imagina, Juliana, o seu avô tem o Covid e ele vai ser internado.
12:37Ele não vai para um atendimento e vai sair no mesmo dia.
12:41As pessoas que têm a forma grave da doença,
12:44com insuficiência respiratória,
12:45tendo que ser colocado num respirador e numa UTI,
12:49às vezes eles ficam de 14 a 20, 28 dias
12:52internados no hospital, ocupando aquele leito.
12:55Então, a rotatividade dos leitos, ela é muito pequena também.
12:59Demora muito para um paciente entrar e sair.
13:02Ah, igual às vezes as pessoas falam, mas fala notícia boa.
13:05Tem gente que se cura, tem.
13:07Tem casos graves, tem idosos.
13:09Outro dia mesmo, um idoso de quase 100 anos...
13:11Já mostramos aqui nesses casos.
13:12Saiu com doenças crônicas.
13:14Mas assim, eu acredito que realmente está sendo eficiente o tratamento.
13:18As pessoas têm tido muita chance de cura,
13:21mas eles vão ficar por um tempo prolongado na internação.
13:25E com isso, os leitos vão estar ocupados.
13:28O leito que num período normal fica em média de uma semana ocupado,
13:32agora já triplica esse tempo.
13:34Exatamente.
13:35E aí, a chance, às vezes, de atender todo mundo,
13:38todos os casos graves, possa diminuir.
13:41Tanto que alguns países já vivem essa polêmica, né?
13:44De ter que decidir quem é que vai para o respirador,
13:47quem é que vai ocupar aquela vaga de UTI.
13:50E isso, assim, é muito difícil para a família pensar que perdeu o seu parente
13:55porque ele não foi bem atendido, adequadamente atendido,
13:59mas também é muito difícil para a equipe de saúde que está lá na ponta atendendo.
14:04Porque imagine...
14:05Imagina, tem que escolher, né?
14:06Quem eu salvo, né?
14:07Quem eu deixo morrer, quem eu salvo.
14:10É triste demais.
14:10João Manuel está falando aqui na transmissão no Facebook
14:13que no prédio dele, no edifício Humberto Gobi,
14:16Parque Moscoso, no centro de Vitória,
14:18São quatro apartamentos por andar, dois blocos,
14:21cada bloco tem três elevadores, temos muitos idosos no prédio
14:24e nenhum dos acessos, nem nas entradas dos elevadores,
14:27tem álcool para quem entra, para quem sai,
14:29sendo que o fluxo é muito grande.
14:31Durante o dia está aqui a denúncia dele.
14:33Agora, é importante a gente também tomar as nossas precauções, né?
14:37Usar nossa máscara, carregar sempre o álcool em gel
14:40e evitar sair de casa, principalmente para essa população
14:42que é apontada como grupo de risco.
14:44Ele fala aqui dos idosos, doutora.
14:46Com certeza, agora sim, em relação a edifícios,
14:49eu acho que isso tem que ser uma cobrança para o síndico também, né?
14:52Porque, assim, é igual no prédio onde eu moro,
14:56o que a gente tem feito?
14:57Quando entra uma pessoa no elevador,
14:59não entra mais do que uma pessoa se não for da mesma família, né?
15:02Evitar, então, e quando você está no elevador,
15:05às vezes a gente se encossa no elevador,
15:07coloca a mão no vidro, né?
15:09Coloca a mão no botão para poder apertar,
15:11puxa a maçaneta, evitar, então, esses contatos direto também, né?
15:15E, na verdade, assim, nos próprios edifícios,
15:18o que tem acontecido, algumas pessoas vizinhas
15:21ou pessoas mais jovens têm se oferecido para idosos
15:25para ir no supermercado, para ir na farmácia.
15:28Então, é um alerta também para os idosos,
15:30para que eles não fiquem temerosos em pedir ajuda,
15:34pedir ajuda ao vizinho, ao porteiro,
15:36para fazer essas tarefas para eles, né?
15:39Para que eles não corram o risco de sair de casa
15:41e que sejam contaminados.