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  • há 6 horas
O Brasil confirmou o primeiro caso de coronavírus, em São Paulo. No Espírito Santo um caso da doença está sendo investigado. A médica infectologista Polyana Girtana tira dúvidas sobre coronavírus e afirma que não há motivos para pânico

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Transcrição
00:00Vamos entender melhor essa história com a médica infectologista, a doutora Poliana de Tirana.
00:05Boa tarde, doutora Poliana. Bem-vinda ao Fala Espírito Santo.
00:09Bem, hoje essa notícia, essa confirmação de uma suspeita de coronavírus aqui no estado,
00:16um paciente que está internado na serra. Ele fez uma bateria de exames nesta manhã
00:21e aí alguns resultados já saem hoje. E como é que funciona?
00:25Por exemplo, ele fez para a H1N1, para outras viroses também. Como é que funciona essa análise?
00:31Como se descarta uma doença?
00:34Obrigada, Juliana, pelo convite. Acho que é uma manifestação de utilidade pública.
00:40A gente está aqui hoje esclarecendo.
00:41Está todo mundo preocupado, doutora.
00:43Bastante informado, né?
00:45Sim, sim. Hoje de manhã, eu estava até em viagem para Vitória e recebi várias ligações,
00:50muita gente preocupada. Acho que até se justifica a preocupação,
00:53porque a gente precisa realmente de ter um arsenal preventivo
00:57para lidar com essa possibilidade da chegada do corona aqui no nosso estado.
01:01O que acontece?
01:03Hoje o que a gente tem de disponibilidade de diagnóstico é avaliação.
01:07Obviamente, do ponto de vista epidemiológico, o coronavírus é uma doença
01:10que iniciou agora na China, em 30 de dezembro foi o primeiro caso.
01:14A gente tem visto essa doença se espalhar pelos outros países.
01:17O Brasil, certamente, vai ter aí uma quantidade razoável de casos.
01:22Espero que a gente consiga controlar.
01:24E não se justifica a gente pensar primeiro em corona.
01:28Claro que o paciente, tendo viajado recentemente para essas áreas que são consideradas áreas de risco,
01:35a gente precisa de notificar com o caso de suspeição.
01:38Mas precisamos, antes de qualquer coisa, fazer os exames que descartam as outras doenças respiratórias mais prevalentes.
01:45E eles saem mais rápido, não no caso, porque o que a Secretaria de Saúde falou hoje,
01:49daqui a pouco, inclusive, gente, vou exibir a entrevista completa dessa coletiva que aconteceu no finalzinho da manhã de hoje.
01:55Eles disseram o seguinte, que se descartar, por exemplo, a presença de H1N1,
01:59esse resultado que sai hoje, já não precisa fazer os exames.
02:02Se não, vai encaminhar, porque aqui no estado a gente não faz essa análise do coronavírus.
02:07E aí, sete dias para a gente descobrir, né?
02:09Exatamente. Na verdade, habitualmente, a gente demora até um pouco mais de tempo para conseguir esse primeiro exame,
02:16esses preliminares.
02:17Mas agora, lógico, dentro de uma urgência como essa,
02:20há uma tentativa nacional de tentar agilizar esses exames,
02:24para que a gente saiba não só o H1N1, que é a influência A,
02:28mas também a influência B, outros rinovírus prevalentes no nosso país e no mundo afora,
02:33para que a gente possa, a partir de descartar essas doenças,
02:36a gente conseguir, então, investigar de maneira mais assertiva o coronavírus.
02:41Esse isolamento, ele é importante, doutora?
02:43Super importante.
02:44Inclusive, o primeiro caso confirmado no Brasil,
02:46é um paciente que não necessitou de internação hospitalar,
02:49ele se encontra em isolamento domiciliar, que é também uma recomendação, né?
02:52A gente não teria nem condições de assumir, caso a doença se espalhe,
02:57como imagina-se que possa acontecer,
02:59de assumir todos esses pacientes dentro do hospital e não haveria nem necessidade disso.
03:03Acho que o importante, Juliana, que as pessoas saibam,
03:06é que trata-se de uma síndrome gripal,
03:07como a maior parte das síndromes gripais que a gente, no inverno, costuma enfrentar,
03:12como a influenza, por exemplo.
03:13Tem uma letalidade um pouco maior, em torno de 2% a 3%,
03:18porém, se a gente for comparar com os outros coronavírus,
03:21que a gente teve um surto em 2002, outro surto em 2012,
03:24a gente tem uma letalidade agora bastante inferior aos anteriores.
03:28Em 2002, a letalidade foi em torno, letalidade, a taxa de mortalidade, né?
03:32Foi de 10%, o que aconteceu em 2012 foi uma letalidade maior,
03:38que chegou a 34%, e agora a gente tem algo em torno de 3%.
03:42Então, algo realmente bastante inferior ao que se apresentava anteriormente.
03:46As medidas de prevenção certamente são necessárias,
03:49então, colocar esse paciente num leito de isolamento, inicialmente é importante,
03:53e caso a gente venha enfrentar um surto de maior proporção,
03:57esses pacientes com casos de suspeição podem também ser alocados num mesmo local,
04:02numa enfermaria, por exemplo, com todos os casos de suspeição.
04:05Isso também é previsto pela literatura.
04:07Agora, o que a gente pode fazer para se prevenir?
04:11Medidas que a gente deveria tomar de maneira corriqueira.
04:15Então, eu achei curioso a entrevistada ter colocado que alguém pediu que usasse máscara por causa do corona,
04:22quando, na verdade, o Jaime Santos Neves foi um hospital até,
04:24é a nossa referência, né, pelo SUS, de encaminhamento desses pacientes,
04:29e ele já se adiantou a isso, então já havia uma orientação formal
04:32de que todos os pacientes sintomáticos utilizassem, qualquer sintoma respiratório,
04:37utilizassem uma máscara, independente do corona.
04:40Isso é educação e saúde, Juliana.
04:41Todas as vezes que a gente está com algum sintoma respiratório,
04:44a gente deveria proteger as pessoas ao nosso redor com o uso de uma máscara cirúrgica.
04:48Isso é super importante do ponto de vista preventivo.
04:50Agora, olha só, gente, um rapaz que está acompanhando o pai internado
04:54disse que alguns pacientes e funcionários estavam sem máscara
04:58quando o homem com suspeita do coronavírus chegou ao hospital.
05:03A gente viu uma ambulância chegando e até então a gente não entendeu muito bem
05:07do que se tratava, só vi que os funcionários estavam colocando máscara no rosto,
05:12aí eu fui e perguntei o que estava acontecendo, aí ele falou que era procedimento padrão,
05:16aí eu não entendi muito bem, falei, como assim procedimento padrão,
05:19também quero uma máscara, então.
05:20Teve alguma orientação do hospital ou foi só assim, eles entregaram a máscara
05:23e não falaram mais nada?
05:25Na realidade, não falaram nada com a gente, não.
05:28Eu, por exemplo, passei a noite com medo e fiquei com a máscara.
05:32Nem todo mundo onde meu pai estava internado estava com máscara,
05:34os pacientes não estavam usando máscara, nem todos os funcionários estavam usando máscara,
05:38então eu estava sem entender, mas como eu estava com medo, eu fiquei com a máscara.
05:43Como eu estava com medo, eu fiquei com a máscara, a gente não entende esse que é o problema, né?
05:47As pessoas ficam sem entender muito o que está acontecendo e ficam muito assustadas.
05:52É, o que acontece, Juliana, é que as pessoas que precisam de ter contato direto,
05:56então todos os profissionais de saúde precisam se paramentar adequadamente,
05:59não só com máscara, mas com toda a paramentação adequada,
06:03que inclui gorro, capote, máscara e óculos,
06:07as pessoas que vão ter contato direto.
06:09Quer dizer que nesse momento, todas as pessoas que estão internadas no Hospital Jaime dos Santos Neves
06:13e seus acompanhantes devem usar a máscara de maneira alguma,
06:16não há a menor necessidade disso.
06:17Esse paciente, nesse momento, se encontra num leito de isolamento,
06:20numa unidade específica desse hospital,
06:22e só precisa se paramentar aquelas pessoas que vão ter contato íntimo com esse paciente,
06:27que é menos de um metro de distância e que vão dar algum tipo de assistência.
06:31Então, só aquelas pessoas que vão adentrar esse recinto precisam se paramentar.
06:35Nenhuma outra pessoa dentro do hospital, para esse fim, necessita de se paramentar.
06:39A Ana Cleia, que já na nossa transmissão no Facebook,
06:41boa tarde, Juliana.
06:42Como a saúde pública vai nos prevenir desta doença?
06:46Será através de vacinas?
06:47Ou ficaremos usando máscara?
06:49Olha, vamos ouvir agora a entrevista completa da coletiva que aconteceu hoje
06:54com o Superintendente Regional de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde.
06:59E ele falou sobre o caso desse capixaba, que está com suspeita de infecção pelo novo coronavírus.
07:04Roda aí.
07:04É um paciente morador da Grande Vitória, tem 54 anos, esteve na Itália por 11 meses, viajou lá internamente na
07:15Itália,
07:16e retornou ao Brasil agora no dia 22 desse mês, chegando aqui no dia 23.
07:22Chegando aqui, ele apresentou sintomas de doença respiratória e, portanto, como ele circulou num país
07:29onde o Covid-19 já está presente, já está circulando, ele se enquadra num caso de suspeição para o Covid
07:38aqui no nosso estado.
07:40Ele deu entrada numa unidade de pronto atendimento da Serra.
07:43Pela situação dele, que requeria internação domiciliar, ele foi encaminhado ao hospital de referência
07:49para receber os cuidados gerais de saúde.
07:51E lá já foi coletado material que identifica a presença de um vírus dessa natureza ou outros vírus.
07:59E os exames primeiros que detectam outras viroses que já circulam entre nós, como influenza, por exemplo,
08:07já estão em fase de processamento.
08:08O resultado desses primeiros exames que vão definir se ele tem uma outra virose,
08:14ficarão prontos agora na parte da tarde, no período da tarde agora do dia de hoje.
08:18Esse material é encaminhado para o laboratório de referência, que para o Espírito Santo é no Rio de Janeiro, a
08:25Fiocruz,
08:25e aí para um período aproximado de sete dias para ter o resultado de positividade ou não para o coronavírus.
08:32A partir de agora, a gente já tem um olhar diferenciado para um contingente de pessoas que circula pela Europa,
08:39que a gente só cuidava de quem tinha vindo da China.
08:42Então, nesse momento, a gente já amplia o leque de países para definição de casos suspeitos.
08:49Olha, você está vendo aí o depoimento que foi dado hoje, no finalzinho da manhã, pela Secretaria Estadual de Saúde.
08:55Existem umas suspeitas, exames estão sendo feitos e não é motivo agora para a gente ter um alarde.
09:02Agora, o que preocupa é que, como foi anunciado pelo Ministério da Saúde também,
09:06é a confirmação de um caso aqui no Brasil.
09:09Uma pessoa que esteve na Itália, antes, essa doença, ela estava concentrada lá na Ásia, na China, principalmente,
09:17e aí a partir do momento que ela chegou na Europa, chegou na Itália, ela acaba se espalhando pelo mundo.
09:23E vai chegar no Brasil, a gente teve uma confirmação, e a gente tem esse paciente capixaba, esteve na Itália.
09:30A gente sabe que outras pessoas também tiveram, tinham outras pessoas dentro de um avião com o brasileiro,
09:35esse morador de São Paulo, com o capixaba, caso ele tenha realmente a confirmação.
09:40Ou seja, é uma doença que vai chegar.
09:42Agora, cabe ao Estado, às pessoas também se prepararem para isso, né?
09:47Com certeza.
09:48Através de medidas, que são medidas preventivas habituais,
09:52não só o uso de máscara quando nós tivermos sintomáticos,
09:54mas também lavar sempre as mãos, ter o hábito da lavagem das mãos,
09:59usar o álcool, o álcool e a lavagem das mãos, eles são equivalentes sob a perspectiva de prevenção para os
10:04vírus gripais.
10:06Importante também que a gente evite manifestações, como a gente costuma fazer quando espirra, quando tosse,
10:12não proteger de alguma forma.
10:14A ideia, o ideal é que a gente sempre utilize essa região, que é a fossa cubital,
10:18então tampar a boca com essa região, porque essa região é uma região que vai ter menos contato com as
10:23pessoas.
10:23Se a gente tampa com as mãos e não higieniza essas mãos logo após,
10:26a gente encosta numa maçaneta, a gente cumprimenta alguém e a gente transmite a doença.
10:31Então, são os cuidados básicos que a gente deve reforçar nesse momento
10:35e talvez o corona até nos ajude a fazer com que as pessoas se sensibilizem mais
10:40para a necessidade de se assentar para isso, né?
10:42Quer dizer, tá aí, lavar muito as mãos, na hora não deu para lavar a mão,
10:45ter sempre um álcool em gel na bolsa é uma boa também, doutora?
10:49Com certeza, é uma ótima.
10:50Álcool 70%, álcool em gel, ele é equivalente à lavagem das mãos.
10:56E olha, a gente tem participações aqui, estão chegando muitas mensagens aqui na nossa transmissão.
11:02A Miriam querendo falar sobre a gravidade, porque ela está falando,
11:05só vejo os noticiários falando sobre mortes,
11:08mas tem pessoas que estão vivas já, já.
11:10Vamos esclarecer, falar um pouquinho mais sobre isso, porque está certa, né?
11:15Casos foram descartados, tem pessoas já que contraíram a doença, se recuperaram,
11:20tem pessoas que morreram.
11:21A gente tem muitos casos de mortes também.
11:23Deixa eu ler, aproveitar aqui, ler a dúvida da Miriam Fernandes.
11:27Entre tantas mortes, a transmissão dessa doença,
11:30eu gostaria de saber se há pessoas que tiveram o Covid-19
11:32e que hoje estão bem vivas, porque nos noticiários só falam sobre as mortes,
11:37mas alguém saiu vivo dessa doença?
11:40Super importante essa pergunta.
11:42Na verdade, talvez aí esteja o cerne da questão.
11:44A gente tem hoje, notificados no mundo, 81 mil casos confirmados da doença,
11:49dos quais 2.700 acabaram realmente morrendo.
11:54Então, a gente percebe que a doença tem uma proporção,
11:57do ponto de vista de mortalidade, muito menor do que tem sido colocado, né?
12:01Mídia fora.
12:02E a gente precisa de entender que estar diante de uma doença que mata pouco
12:07oferece um outro desafio.
12:10Doenças que matam pouco são doenças que mantêm os seus hospedeiros,
12:13as pessoas doentes, em boas condições de saúde.
12:15Então, muitas vezes, eles vão trabalhar normalmente,
12:18eles circulam nos ossos ônibus, metrôs e continuam transmitindo a doença.
12:22Então, quanto mais mortal a doença, mais ela deixa debilitado aquele doente,
12:28leva para dentro do hospital e mantém, de certa forma, confinado.
12:31Doutora, vamos falar de uma questão que você me chamou aí,
12:34você chamou a atenção para um ponto.
12:36É a responsabilidade de cada um, né?
12:38Porque, assim, se você está gripado, está com alguma virose,
12:42você vai para um lugar cheio de gente e é a sua responsabilidade.
12:45Você sabe que você vai passar para o outro, né?
12:47A gente tem esse caso desse brasileiro.
12:49Está confirmado.
12:50Ele está, sim, com o coronavírus.
12:52E a orientação do Ministério da Saúde fica em casa.
12:55A Secretaria de São Paulo falou, fique em casa e em isolamento domiciliar.
13:01Está aí a responsabilidade dele de entender que ele tem que estar em casa,
13:05que não é para ir na padaria comprar um pão.
13:08Não é para ele ir na farmácia comprar um remédio.
13:10É respeitar e fazer isso do mesmo jeito que as pessoas que têm algum tipo de doença
13:16que é transmissível, elas têm a responsabilidade social delas de se manter em casa, né?
13:22Para não ir passando para os outros, dentro do ônibus, no metrô e em cidades que tem metrô.
13:28Isso é muito importante a gente destacar, né, doutora?
13:30Com certeza.
13:31Daí a importância dessa pergunta, né, em relação à mortalidade.
13:34Então, a maior parte das pessoas que têm a doença ficam razoavelmente bem.
13:38Então, o fato de ficarem razoavelmente bem, fazem com que procurem menos as unidades de saúde
13:44e tenham menos cuidado em relação à transmissão da doença.
13:49Alguém comentou em relação ao aumento de casos.
13:52Agora a gente tem 20 casos hoje, né, notificados no Brasil de suspeição do coronavírus.
13:57Vamos ter mais.
13:58Isso é normal que tenhamos.
13:59A OMS, segunda-feira, colocou outros países na lista dos países de transmissão local da doença.
14:06Então, hoje já são 16 países, dentre os quais a Itália, França e Alemanha, por exemplo.
14:11Então, são países que têm voos diretos do Brasil, enquanto a gente estava mais tranquilo
14:17em relação à China, porque a China não tinha voo direto para o Brasil.
14:20Se viesse, por exemplo, pelos navios, que foi uma pergunta recorrente, a gente recebe
14:24muitos navios.
14:25A gente tem os portos aqui, né, que vêm de tudo quanto quer canto.
14:28Certo.
14:29Só que a duração dessa viagem é uma duração muito longa.
14:34Então, uma duração aí superior a 20 dias.
14:36O vírus, ele já passou, para quem tinha que ser passado, e ele já não vai ser mais transmitido
14:41para as pessoas aqui, a partir do momento que esse navio atracar.
14:44Agora que nós temos países da Europa, isso já gera, obviamente, uma preocupação maior.
14:49São países com apelo turístico muito grande, então as pessoas tendem a circular para esses
14:54países.
14:54E chegando de lá, tendo uma manifestação gripal, eles vão ser elencados enquanto casos suspeitos.
14:59Isso não significa, necessariamente, que a doença já está se alastrando no país.
15:03Precisamos da confirmação diagnóstica para ter essa noção mais exata.
15:08A Rubiane Costa aqui, o que eu não consigo entender, como esses voos internacionais
15:13não foram inspecionados antes do desembarque dos passageiros, sabendo que tem uma epidemia.
15:18A gente vem se preparando, na verdade, o Estado do Espírito Santo tem pelo menos um mês aí
15:22que a gente tem se preparado para isso, tanto as unidades privadas quanto as públicas,
15:27no sentido de capacitar toda a equipe para lidar com os casos suspeitos e os casos confirmados.
15:34Alguém perguntou sobre a questão das medidas que foram tomadas em relação a aeroportos
15:39e tudo mais.
15:40Todos os dois casos eram de pacientes assintomáticos no momento do voo.
15:44Então, isso tem sido feito.
15:45A Anvisa tem tido um trabalho grande em relação a todos esses países que estão chegando.
15:50Deixa eu até aproveitar e ler de novo o comentário, doutora, da Rubiane Costa.
15:53O que eu não consigo entender, como esses voos internacionais não foram inspecionados
15:58antes do desembarque dos passageiros, sabendo que nós estamos aí numa epidemia de coronavírus.
16:04Isso.
16:04Então, já existe um esforço da Anvisa em todos os aeroportos que têm voos advindos
16:09desses países, desses 16 países que hoje são considerados países de transmissão
16:13local da doença.
16:14Então, todas as vezes que chega ao Brasil, todos os passageiros são informados a respeito
16:20de sinalizar caso haja manifestação de algum dos sintomas que são compatíveis, né?
16:25Febre, coriza, tosse, manifestações pulmonares como cansaço, mal-estar.
16:31E isso deve ser, então, relatado.
16:33Nenhum desses pacientes, no momento da viagem, tinha sintomas da doença.
16:38Isso nos tranquiliza, de certa forma, porque aqueles pacientes que estariam ali próximos,
16:42aqueles passageiros próximos a eles, têm menos chances de terem sido contaminados, de fato,
16:48no momento da viagem.
16:49A Ana Cléia Pereira até fala, será que esse paciente que chegou da Itália não podia
16:53ter se tratado lá, não?
16:55Ela pergunta.
16:56Provavelmente ele não tinha manifestado esses sintomas, né?
16:58É, nenhum dos dois.
16:59Eles manifestaram sintomas já no Brasil.
17:01Qual o tempo, assim, por exemplo, se a gente tem contato com alguma pessoa que está com
17:05o coronavírus, em quanto tempo ela se manifesta na gente?
17:08Os sintomas, eles aparecem quando?
17:11E duram quanto tempo, o período também da gente passar para uma outra pessoa?
17:14Então, a transmissão, o que a gente chama de período de incubação, né?
17:18Que é aquele período em que a gente tem contato com alguém doente e vem manifestar sintomas.
17:21Ele é variável em torno de 5 a 16 dias e foi estabelecido pelo OMS o padrão de 14 dias.
17:28Então, 14 dias é o tempo que a gente considera que o contato com alguém doente, que tenha
17:32estado nesses lugares ou que nós próprios temos estado nesses lugares e que comecemos
17:37a manifestar sintomas gripais.
17:40Mereçamos, então, ser investigados por o corona.
17:42A gente fica preocupado, né?
17:43Realmente estamos prontos para atender essas pessoas, caso realmente seja confirmado esse
17:50primeiro, essa suspeita se confirme ou outros casos que surjam aqui no Estado também, né?
17:56Com certeza.
17:57Acho que enfrentaremos um desafio, enfrentado recentemente pela China, né?
18:01Acho que a proporção da contenção de surto que eles tiveram lá a gente não consegue.
18:05Um país que consegue isolar 60 milhões de pessoas, é um país que tem algumas características
18:09peculiares, como a China, né?
18:11País de liberdades individuais com algum grau de embarreiramento.
18:15Então, realmente, a gente não vai conseguir enfrentar como a China enfrentou.
18:20Certamente, os nossos desafios são menores, porque temos uma densidade populacional muito
18:23menor e também tivemos a oportunidade de nos precaver.
18:27Então, estamos aí, pelo menos um mês, desenhando uma estratégia que seja eficaz para a contenção
18:33desse vírus.
18:35O mais importante, então, como eu disse, são as medidas individuais.
18:38É que todas as pessoas utilizem aquela forma que elas têm de evitar que a doença seja
18:43transmitida, né?
18:44Lavagem das mãos, higienização com álcool, evitar tossir de maneira exposta, sempre conter,
18:51de preferência, com a região atrás aqui do cotovelo.
18:54Então, a gente precisa de ter essas medidas.
18:56Do ponto de vista de saúde pública, todos os hospitais já têm sido orientados e abastecidos
19:01com máscaras cirúrgicas que devem ser entregues e oferecidas aos pacientes, com aquela
19:06máscara especial que a gente chama de N95, nos casos em que ela é indicada, não são
19:11todos os pacientes que têm necessidade de utilizá-la.
19:13E também em relação às medidas de proteção, capote, gorro, óculos, né?
19:19Todas elas que são necessárias também para os profissionais.
19:22Para quem está trabalhando, tá, gente, nos hospitais, viu?
19:25Ó, o César Toreldo aqui.
19:26E as pessoas que estavam nesse voo com o capixaba, caso realmente seja confirmado?
19:33Isso.
19:33A vigilância, ela sempre tem um trabalho grande, a partir da confirmação de um caso, um
19:38trabalho grande de levantamento de todas as pessoas que estejam numa situação de
19:42suspeição maior.
19:43Então, o que eu acredito que vai ser feito é a análise daquele local em que o paciente
19:48esteve sentado e das pessoas que tiveram contato mais íntimo e continuado, né?
19:53Ou seja, aqueles que sentaram próximos a elas e certamente essas pessoas vão ser
19:57convidadas a serem testadas e também ter medidas, caso sejam sintomáticas, né?
20:01Realizar todo o protocolo também para pacientes suspeitos.
20:05Mas precisamos primeiro de confirmar, confirmando todas essas outras medidas já são
20:10adotadas, né?
20:11Certo.
20:11Ó, a gente tem pergunta que está chegando também por telefone aqui para a minha produção,
20:16olha, eu sou motorista de aplicativo e nós estamos com medo do vírus.
20:20Mas a gente pega muita gente no aeroporto, na rodoviária, tem muito motorista que está
20:25preocupado com isso, correndo atrás de máscaras.
20:28Existe razão para isso?
20:30Tem motivo para esse tipo de situação?
20:33Se a gente tiver disponibilidade, o que eu recomendaria um motorista de aplicativo,
20:38se ele tiver disponibilidade de adquirir as máscaras, que são máscaras cirúrgicas,
20:43não são máscaras tão caras, e deixar disponível dentro para que seus passageiros,
20:48que estiverem sintomáticos, utilizem, é a melhor forma, porque ele se precaver, né?
20:53Obviamente, porque a pessoa sintomática vai deixar de transmitir e também evita que
20:57uma eventual contaminação se dê a um próximo passageiro que entre.
21:01Então, mais do que ele utilizar uma máscara, é uma medida que pode acontecer.
21:05Eu acho que do ponto de vista de saúde pública, todas as vezes que a gente utiliza alguma
21:09coisa para evitar algo que a gente não sabe nem se está próximo da gente, parece um
21:14pouco incoerente.
21:15Me parece muito lógico que ele tenha a máscara disponível e questione todos os seus pacientes.
21:19Você tem algum sintoma?
21:20E o preço dessa máscara não é caro, não, doutora?
21:24É, elas são vendidas em...
21:24Porque tem essa, a gente está até mostrando umas aí que são da China, tem vários tipos,
21:29né, de máscara.
21:30Essa é a máscara N95.
21:32Então, assim, ela não é...
21:33Essa verde, essa também é a N95.
21:36A máscara que a gente está falando não é essa com conformação, é aquela máscara
21:40que as pessoas utilizam para cirurgia, por exemplo.
21:43É uma máscara simples.
21:44Simples, molinha, que você compra até uma caixa com quantidade.
21:47Eu não sabia te dizer exatamente o preço.
21:49Mas elas são muito mais baratas do que a N95.
21:52Não há necessidade para, de maneira geral, que as pessoas utilizem N95.
21:57Dentro de hospitais, a gente tem alguns procedimentos que geram risco maior de transmissão e aí
22:02sim há necessidade da N95.
22:04Então, tá aí o alerta.
22:06Não é um desespero, gente.
22:07Não é motivo para desespero, para sair todo mundo comprando máscara.
22:11A gente não tem nem essa confirmação aqui no Estado ainda.
22:14O Brasil tem acompanhado.
22:16A gente teve um caso confirmado de um paulista que chegou da Itália.
22:21E existe um trabalho, um acompanhamento do Ministério da Saúde, governo federal.
22:25Inclusive, gente, a gente mostrou aqui que a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência
22:30estão monitorando as chegadas de aviões de países com alerta.
22:34A população, eu já tenho vários comentários aqui falando exatamente sobre essas pessoas
22:39que chegam, que vêm trazendo o vírus ao Juliana Gonçalves.
22:43Gostaria de saber por que não foi autorizada a proibição da entrada de pessoas de outros
22:47países aqui no Brasil, porque assim não haveria contaminação do vírus, Juliana?
22:52Acho que é impossível a gente proibir uma pessoa, por exemplo, um próprio brasileiro
22:55a voltar para o seu país se ele ainda não tem doença nenhuma confirmada.
23:01Não tem jeito, né?
23:02Isso não é feito em lugar nenhum do mundo, né, doutora?
23:05É, além de que, Juliana, nesses momentos de surto, é que a gente vê manifestações
23:09de grande xenofobia, né?
23:11As pessoas com muita aversão, a gente viu agora recentemente, uma grande aversão a asiáticos.
23:17Então, todos os lugares, né?
23:18As pessoas não queriam ter proximidade com ninguém que tivesse um padrão oriental,
23:23o que não se justifica.
23:25Até na própria aula que eu dei, eu sempre gostava muito no final da aula de mostrar
23:30qual que era a chance de uma pessoa, ainda que vindo, um chinês que morasse, por exemplo,
23:35numa região que está, de certa forma, livre, né, as regiões de Xangai, Pequim, por exemplo,
23:40essas províncias, qual que era a chance dessa pessoa ter?
23:43E essa chance é pequena, é de 0,03%.
23:46Então, uma chance pequena não justifica a gente tratar essas pessoas como se elas fossem doentes.
23:52O que a gente precisa é de tornar as informações, do ponto de vista de saúde, disponíveis para todos.
23:58Então, o problema não é de onde a pessoa vem, mas se ela apresenta sintomas.
24:02E que ela tenha todas as medidas necessárias de uma pessoa que, apresentando sintomas,
24:06possa transmitir uma doença, seja ela qual for.
24:08A maior parte das vezes, a doença tem um padrão de gravidade de leve a madeirada, né,
24:15os sintomas não costumam ser muito graves.
24:18Nos preocupa bastante aquelas populações de risco, que são os pacientes idosos, maiores do que 60 anos,
24:25sendo que maiores do que 70, 80, o risco é exponencialmente maior.
24:29Aqueles pacientes com doenças crônicas, como diabetes mellitus, hipertensão arterial,
24:34doenças oncológicas, né, câncer, que são pacientes com algum grau de imunosupressão,
24:39a defesa do organismo não funciona tão bem.
24:41Então, são pacientes de maior risco, são pacientes que a gente tem que estar mais alerta.
24:45Então, por esse motivo, a doença precisa sim ter um, né, a gente tem que ter uma atenção maior para
24:52essa doença,
24:53principalmente nessas populações.
24:54A manifestação dessa doença até é uma situação curiosa, ela tende a preservar as populações pediátricas.
25:02Então, a maior parte das vezes a gente não tem manifestação em pacientes menores do que 14 anos,
25:07e isso deixa a gente, de certa forma, aliviado, né?
25:09É, porque geralmente quando tem algum problema, algum eutemia, é criança idoso, né?
25:13Isso.
25:14Que atinge mais, né?
25:14Que são os principais, justamente por não terem...
25:17É, um sistema imune, né?
25:19Exatamente, a imunidade como um adulto teria, né?
25:22Sim, essa manifestação de agora, essa pandemia, ela manifesta o mesmo padrão das duas anteriores,
25:28que também tiveram essa priorização por pacientes na faixa etária adulta e idosos.
25:34Então, essa é a faixa etária que a gente deve ter maior receio, né, maior cuidado.
25:39São esses pacientes de maior risco.
25:40E olha, gente, vamos reforçar aqui que o Brasil teve o primeiro caso de coronavírus confirmado,
25:45foi confirmado numa entrevista coletiva do Ministério da Saúde, que começou 11h30 da manhã,
25:51foi terminar depois de uma hora da tarde.
25:55O ministro da Saúde deu as informações, o paciente é um homem de 61 anos, que mora em São Paulo.
26:01Nos últimos dias, ele viajou para a Itália, ele estava lá a trabalho.
26:04Esse paciente está bem, segundo as autoridades, ele tem aí sinais moderados,
26:09ele vai ficar em isolamento domiciliar, ele está em casa, internado, né, dentro de casa,
26:14porque ele está bem de saúde, mas deve ficar em casa, não deve sair.
26:18Outros exames estão sendo realizados também.
26:21A Anvisa está investigando outros casos, os passageiros que estavam no mesmo voo desse paulista,
26:29esse morador de São Paulo, outras pessoas estão sendo investigadas também,
26:32para ver se já manifestaram alguns sintomas, porque pega pelo ar, doutora.
26:37É, a maior transmissão é por contato, assim, é um pouco diferente, por exemplo,
26:41o vírus do sarampo, que é o que a gente chama de transmissão por aerossol,
26:45é uma transmissão que se difunde facilmente pelo ar.
26:48O que tem sido mostrado pelas publicações em relação a esse corona,
26:52é que ele é muito de partículas de saliva, de perdigoto, que a gente chama.
26:58Então, essa manifestação, essa transmissão pelo contato,
27:01ela é muito mais importante do que, por exemplo, estar no ambiente em que alguém esteve.
27:06São doenças diferentes, então, a forma como a gente deve lidar com ela também é diferente.
27:11Ou seja, uma pessoa infectada colocou a mão na maçaneta,
27:14e aí você vai e coloca também a mão nessa maçaneta, e você pode ser infectado.
27:19Ou alguém tossiu perto de você.
27:21Tossiu o próximo, espirrou o próximo.
27:22Exatamente.
27:22Então, essa é a forma de transmissão.
27:24Por um lado, isso nos tranquiliza.
27:26Aquelas doenças de transmissão por aerossol são doenças muito mais graves.
27:30O sarampo, por exemplo, é uma doença que um paciente contaminado tende, em média,
27:35a transmitir para 17 pessoas.
27:37O que tem sido mostrado em relação a essa doença é que uma pessoa contaminada
27:41contamina duas a três pessoas.
27:43Isso deve fazer com que a gente esmoreça os nossos esforços para tentar conter a doença,
27:47de maneira alguma.
27:48Mas deve também nos deixar mais tranquilos em relação à dispersão.
27:52As medidas simples são capazes de evitar a progressão, né?
27:55Pois é, e medidas essas que a senhora passou aqui para a gente, lavar bastante as mãos.
28:00Se não conseguir lavar, tenha um álcool gel ali dentro da bolsa.
28:04E, dependendo do ponto que a gente chegue, né?
28:07Caso realmente haja um... vai viajar, vai para algum lugar com aglomeração, usar máscaras
28:12também para poder evitar, né?
28:14Principalmente se você estiver com sintomas.
28:16Utilizar a máscara para poder evitar que transmitam.
28:19Não passar para os outros, né?
28:20Sim.
28:20E olha, gente, mais de cerca de 80 mil casos já foram registrados em 32 países, tá?
28:28Cerca de 2.600 pessoas morreram.
28:30A maioria delas está concentrada na China, ou seja, mais de 80 mil casos foram notificados
28:36e cerca de 2 mil pessoas morreram.
28:39O coronavírus mata, mas acho que a dengue mata mais, né?
28:42Exatamente.
28:43Num país como o nosso, a nossa preocupação, certamente, deve ser a dengue que está no nosso
28:47quintal, né?
28:48Do que o corona que está chegando, mas certamente tem uma letalidade menor se a gente não tomar
28:52os devidos cuidados.
28:53Então, tá aí, Alerta.
28:54Doutora, queria agradecer muito a sua presença.
28:57Estava chegando de viagem, já veio direto aqui para o estudo.
28:59Te agradeço, viu?
29:00Porque acho que é uma hora importante que está todo mundo com dúvida e com muito
29:03medo, né?
29:04Com certeza.
29:04Desse vírus que está vindo aí, porque eles vão mudando.
29:07É um novo coronavírus, né?
29:09O nome já fala, né?
29:10A gente já teve coronavírus, está aparecendo de novo e a gente se preocupa.
29:14Então, te agradeço muito por ter se disponibilizado a vir aqui e dar essa calma aí para a gente.
29:20Eu que agradeço e parabenizo a TV Vitória por essa iniciativa, né?
29:24Para tentar conter um pouquinho os ânimos e fazer uma explicação de utilidade pública,
29:29né?

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