00:00Boa tarde a todas e todos. Sr. Presidente Luiz Inácio Loura da Silva, em nome do
00:07Presidente, saudar todos que estão aqui junto conosco. Vou trazer aqui, Sr.
00:12Presidente, alguns dados, algumas informações do impacto desse grave
00:19problema de saúde pública, não só no SUS, mas na saúde brasileira. São alguns
00:24dados, alguns números. Eles expressam o tamanho do problema, mas certamente eles
00:32não expressam todo o sofrimento quando a gente ouve o depoimento dos pacientes, dos
00:38profissionais de saúde e dos familiares. A gente está falando mais do que uma
00:44atividade econômica, algo que entra na casa das pessoas, nas escolas no Brasil, no
00:53celular dos profissionais, que afeta não só quem entra no vício da compulsão, mas
01:01sobretudo os familiares que estão junto com eles. Esses dados que eu vou trazer aqui
01:07foram possíveis ou através de pesquisas financiadas pelo Ministério da Saúde,
01:13pesquisas por instituições no nosso país, sobretudo num período onde não tinha
01:18qualquer tipo de regulamentação. Eu vou trazer dados pré-regulamentação e depois
01:25dados a partir do esforço da regulamentação e do Observatório Saúde Brasil de Apostas
01:31Eletrônicas, criados pelo Ministério da Fazenda e o Ministério da Saúde.
01:36Pode passar ao próximo? Primeiro, um dado que vem do esforço feito pelo Ministério da
01:43Fazenda e o Ministério da Saúde, com esse Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas,
01:49onde a gente cria essa plataforma de auto-exclusão, onde cada indivíduo pode entrar pelo site
01:56do Ministério da Fazenda, pelo site do Ministério da Saúde e solicitar que o seu CPF não receba
02:04mensagens, publicidades e nem possa ser utilizado para qualquer aposta eletrônica.
02:10São mais de 1 milhão e 300 mil brasileiros e brasileiras que já realizaram essa auto-exclusão.
02:15Só durante a Copa do Mundo, só durante a Copa do Mundo, quase um terço desse número aconteceu
02:21durante a Copa do Mundo pela profusão de publicidade, mensagem e estímulo para as apostas eletrônicas
02:29durante a Copa do Mundo. 51% daqueles que declararam, presidente, declaram uma relação direta
02:36com seus problemas de saúde o motivo principal para sair da auto-exclusão.
02:41Cerca de 2%, de 51%, é o próprio profissional de saúde que indicou essa pessoa ir ao portal de auto
02:50-exclusão.
02:52Cerca de 15% dessas pessoas apontam como problema o esforço voluntário de procurar essa porta do SUS
03:03para sair do vício, se afastar do vício das apostas e 35% afirmam ter perdido o controle.
03:12Esse é um mal, presidente, que as pessoas não só perdem o dinheiro, elas perdem o controle sobre a sua
03:18própria vida,
03:20perdem o controle sobre o seu próprio tempo, sobre o contato e o convívio com a família,
03:24o contato e o convívio na escola, no local de trabalho.
03:3035% dizem que não conseguem mais se controlar.
03:34Essa é a expressão mais nítida de quem entrou numa situação de vício, de compulsão, de adição,
03:41e que as políticas públicas têm que tentar evitar ao máximo que a pessoa mantenha contato com isso.
03:47Além do portal da auto-exclusão, nós abrimos, pelo meu SUS digital,
03:52disputar uma guerra contra as apostas, contra esse vício,
03:55com a mesma ferramenta que eles chegam nas mãos das pessoas.
03:59Através do meu SUS digital, que é o celular, que a pessoa vai lá e entra e faz o seu
04:04autoteste,
04:05um autoteste padronizado pelo Ministério da Saúde, junto com experiências internacionais,
04:10que nós vamos conhecer, do Serviço Nacional Inglês,
04:14das Recomendações da Organização Mundial de Saúde, da nossa Universidade aqui de São Paulo.
04:19Desde quando nós colocamos a possibilidade desse autoteste,
04:23170 mil pessoas acessaram para fazer esse autoteste e buscar o atendimento,
04:29o teleatendimento que nós passamos a ofertar com psicólogos, profissionais de saúde, psiquiatras,
04:35onde as pessoas podem fazer essa consulta direta pelo celular.
04:39Um dado interessante e importante para a gente perceber esse impacto.
04:45Todos os estudos mostram que quem mais entra nas chamadas apostas e no vício das apostas
04:51são do sexo masculino.
04:54Nós abrimos a possibilidade desse atendimento não só para quem está no vício da aposta,
05:00mas para os seus familiares.
05:02Mais de 60% de quem procurou são mulheres,
05:05o que mostram que as mulheres, presidente, são afetadas,
05:09se elas apostam ou se elas não apostam.
05:12Se elas apostam, elas são puxadas para o vício.
05:15Muitas vezes elas vão lá apostar para tentar salvar a situação financeira
05:19de um filho, de um marido, de um pai que entrou nessa situação
05:24e ela recorre a essa medida para tentar salvar a situação financeira
05:27desse pai, desse filho, desse homem ou da sua própria família.
05:30Se elas não apostam, elas são afetadas, seja pelo impacto no orçamento das famílias,
05:37seja pelo aumento do conflito familiar, seja pelo aumento da violência doméstica
05:42diretamente relacionada à situação financeira ou à situação de ansiedade ou de depressão,
05:49do aumento de uso de outras drogas por esse marido, por esse filho, por esse pai
05:53que entra no vício das apostas eletrônicas e que aumenta e afeta fortemente as mulheres.
05:59Não à toa, elas são as que menos apostam, mas são as que mais procuram
06:03o nosso teleatendimento ou consulta com os psicólogos, com os psiquiatras,
06:07além dos serviços presenciais do SUS.
06:10Pode passar ao próximo.
06:13Algumas pesquisas, presidente, para além dos dados presenciais
06:17ou dos dados que a gente conseguiu obter a partir desse Observatório Saúde Brasil
06:22em parceria com o Ministério da Fazenda, mostram o impacto e os riscos maiores.
06:27Os dados do levantamento nacional de álcool e drogas, isso foi feito em 2023,
06:33ou seja, pegou antes do período da regulamentação,
06:36no período da terra sem lei, como disse aqui o ministro da Fazenda,
06:40onde tudo quanto era tipo de aposta eletrônica foi liberado no país,
06:43com todas as pessoas podendo apostar e participar.
06:48Esses dados, dados também da Organização Mundial de Saúde,
06:52apontam que a mortalidade por suicídio é 15 vezes maior em pessoas
06:56com transtorno do jogo.
06:58E esse risco do vício aumenta em 150% em relação àqueles que são jogadores
07:06onlines de aposta eletrônica, ou seja, um risco 150% maior
07:10do que quem já tinha o vício, a chamada ludopatia,
07:14que é uma classificação de doença antiga, porque já existia antes das formas eletrônicas,
07:22o risco é 150% maior.
07:25Três vezes mais nas populações mais vulneráveis do ponto de vista socioeconômico.
07:31As pessoas, os filhos de famílias que têm alguém com vício dos jogos,
07:38aumenta também a probabilidade, não só do vício,
07:42mas também de cometer o suicídio ao longo da sua vida.
07:46Além disso, a dificuldade financeira associada aumenta fortemente o risco do suicídio.
07:53Pode passar ao próximo?
07:57Aqui é um estudo de uma instituição brasileira, o IEPS,
08:01buscando dados tanto do Serviço de Saúde do Sistema Único de Saúde,
08:05também do Serviço da Saúde Suplementar,
08:08e progestões econômicas sobre o impacto das atividades projetam que
08:13o custo social para o Brasil já é de 38,8 bilhões anuais
08:20das chamadas após os eletrônicos do nosso país.
08:2317 bilhões de anos diretamente relacionado ao risco,
08:26aumentado por mortes adicionais pelo suicídio.
08:3010,4% diretamente relacionado à perda de qualidade,
08:35a vida associada à depressão.
08:37Aqui está a ausência no trabalho, a ausência na escola,
08:41a perda do emprego, redução de produtividade na economia.
08:463 bilhões diretamente relacionado às pessoas que procuram os serviços de saúde.
08:52E a gente sabe que nem todo mundo que passa pelo vício procura um serviço de saúde.
08:58Porque muitas vezes procurar um serviço de saúde significa admitir algo
09:01que envergonha as pessoas, que gera julgamento.
09:05Às vezes a pessoa tem dificuldade de procurar o serviço de saúde.
09:09contando aquelas pessoas que procuram o serviço de saúde
09:13que a gente tem registrado, ter procurado.
09:16O profissional de saúde registrou a relação direta com as apostas do vício
09:21em função dos jogos, o impacto de 3 bilhões de anos.
09:25Ou seja, dos 38,8 bilhões, 30,6, quase 80%,
09:31são custos diretamente relacionados à saúde.
09:34Os demais relacionados à perda de moradia, seguro-desemprego
09:37e o próprio encarceramento.
09:39De 2018 a 2025, os atendimentos presenciais no SUS
09:46aumentaram em 140% nos centros de atenção psicossocial,
09:52nas unidades de base de saúde, nos hospitais e nas internações.
09:56Pode passar ao próximo?
09:59Falei aqui já do efeito das apostas online nas mulheres brasileiras.
10:03Aqui tem uma pesquisa muito importante do Instituto Clarice,
10:08que mostra que 42% das mulheres brasileiras já apostaram,
10:13ou apostam ainda.
10:1565% delas não buscaram ajuda por vergonha, pelo estigma que isso tem.
10:2012% são impactadas por familiares que apostam.
10:25Mesmo não apostando, são impactadas pelos familiares que apostam.
10:31E outro estudo feito pela Pesci da Frente Parlamentar,
10:34Mística de Educação e Equidade, 226,
10:37mostra o impacto que isso tinha já na idade escolar,
10:41antes da proibição, inclusive de menos de 18 anos.
10:44Aos 11 anos de idade, 9,5% já tiveram a experiência da aposta online.
10:49E os estudos, como eu falei, da Organização Mundial de Saúde,
10:51apontam que essa prática, a partir da infância, aumenta o risco de suicídio
10:56e de outros transtornos mentais.
10:58E no ensino médio, na época, 1 em cada 3 estudantes já haviam apostado
11:03no período da Terra Sem Lei, onde crianças eram liberadas para apostar no nosso país.
11:07Pode passar ao próximo?
11:10Aqui eu estava trazendo os dados do aumento só na atenção primária em saúde,
11:15que são nas unidades de base de saúde,
11:18um aumento de 615% de pessoas que procuram as unidades de saúde
11:23relatando algum tipo de relação do seu problema de saúde mental com os jogos,
11:2839% de aumento em 10 anos no Centro de Atenção Psicossocial,
11:34e mesmo assim sabendo que boa parte das pessoas não procuram presencialmente.
11:38Por isso que nós criamos uma nova porta de entrada digital,
11:42uma nova modalidade de cuidado do Ministério da Saúde,
11:45diretamente pelo meu SUS digital,
11:47para buscar acolher essas pessoas que não procuravam a rede física.
11:50Pode passar?
11:53E aqui eu quero fazer uma orientação para as pessoas que não conhecem ainda
11:57como funciona esse teleatendimento.
11:59Felizmente, presidente, o senhor está tomando a medida corajosa
12:02de proibir esse mal no nosso país.
12:06Proibindo o mal no nosso país,
12:08os efeitos que ele causou vão continuar chegando no sistema de saúde.
12:12A gente está se preparando cada vez mais,
12:15porque os efeitos causados por ele não acabam quando se desliga o aplicativo,
12:20quando desliga o celular.
12:21A depressão, a ansiedade, a violência, a falta de convívio com a família,
12:27os impactos na saúde relacionados aos impactos financeiros continuam,
12:31e a gente vai precisar continuar reorganizando cada vez mais o sistema de saúde para isso.
12:35Então, quero reforçar aqui o teleatendimento,
12:39que é uma porta nova criada pelo SUS,
12:43onde permite que as pessoas pelo celular,
12:46aonde estiverem, no momento que estiverem,
12:49aonde optarem por estar,
12:51sem precisar ir na unidade física de saúde,
12:53possam fazer a consulta com profissionais de saúde.
12:57A gente oferece isso.
12:58São 10 consultas individuais inicialmente,
13:01depois pode continuar o plano de mais consultas individuais.
13:04Se quiser participar de um grupo terapêutico,
13:06participa de um grupo terapêutico,
13:08e paralelo a isso,
13:09a gente busca inserir essas pessoas na rede local de saúde.
13:13A gente começou em março oferecendo 600 atendimentos a mês para montar o modelo.
13:18Desde agosto, a gente oferece 100 mil atendimentos a mês para a população.
13:23Então, inclusive, não só através do meu SUS digital, do GovBR,
13:28mas outras plataformas para facilitar o acesso,
13:31através do WhatsApp, da ouvidoria do WhatsApp do Ministério da Saúde.
13:35Pode passar, acho que termina aqui.
13:37E eu queria reforçar para quem nos acompanha,
13:40para a imprensa que está aqui, para as entidades,
13:43uma das coisas que eu mais ouvi, presidente, de pacientes,
13:47é dizer que é muito difícil sair desse vício,
13:51porque é muito difícil, primeiro, admitir que está viciado.
13:56Quando faz o autoteste, são quatro perguntas apenas,
13:59que sinalizam que você tem sinais do vício e da compulsão,
14:03mas é muito difícil a pessoa admitir isso.
14:05E que ela precisa, muitas vezes, que os amigos,
14:07que as pessoas com quem ela trabalha, com quem ela estuda,
14:10a família ofereça e ajude a oferecer essa porta.
14:14Eu quero pedir muito às pessoas que nos acompanham
14:17que possam oferecer a um familiar, a um amigo,
14:19um colega de trabalho, um irmão da igreja,
14:22essa porta que nós criamos do teleatendimento,
14:25da busca do acolhimento para sair desse vício das apostas,
14:30para que a gente possa tirar essas pessoas desse vício.
14:33Todos os dados que nós temos, a partir da proibição de hoje,
14:37a gente vai continuar tendo.
14:38O ministro da Fazenda, o Durigan, falou aqui,
14:42ou seja, hoje a gente tem os dados,
14:44através do CPF das pessoas que mais apostaram,
14:47quantas horas por dia, se apostavam mais à noite,
14:51para fazer a busca ativa de oferecer esse acolhimento às pessoas,
14:55vamos continuar oferecendo esse acolhimento para as pessoas.
14:58E também vamos ter os dados daquelas pessoas
15:01que, eventualmente, possam fazer qualquer tipo de transferência bancária
15:07para sites ilegais que venham a surgir.
15:12A gente vai continuar acompanhando, além do bloqueio,
15:15como foi dito aqui pelo ministro Dario,
15:16a gente vai poder também continuar fazendo a busca ativa
15:19para oferecer para as pessoas uma porta para sair desse vício.
15:23Eu quero agradecer, em nome da Saúde Pública Brasileira,
15:26presidente, que o senhor está tomando a medida corajosa
15:29de afastar esse mal do nosso país,
15:33da casa das pessoas, do celular dos brasileiros e brasileiras.
15:36Isso vai ajudar muito a Saúde Pública.