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  • há 34 minutos
Transcrição
00:00Este sou eu.
00:02E esta é a Susana.
00:04A nossa vida era perfeita e íamos ter a casa dos nossos sonhos.
00:07Até que um ladrão nos roubou o nosso dinheiro.
00:09Estou a falar do pai dela.
00:12O dia que tivemos que viver com a sua família.
00:14Com a mãe da minha namorada que me quer ver mortos.
00:16Com a tia solteirona que precisa de marido.
00:18Com o irmão que precisa de um cérebro.
00:20Com os filhos do irmão que adoravam ter outro pai.
00:22E com o avô que é o dono da casa e nos quer ver a todos pelas costas.
00:32Este chão os mata.
00:33Nunca um apelido ficou tão bem a uma família.
00:36Teresa.
00:38Eu preciso de ir para viver.
00:39Eu não consigo viver sem ti.
00:41O meu coração não bate sem ti, Teresa.
00:44Por favor.
00:46Se avisa esta mensagem aos 20 anteriores, liga-me.
00:48Está bem?
00:49Ah, outra coisa.
00:50Eu sei que deixaste aqui os miúdos só para me pôr à prova.
00:53E estou a fazer progressos.
00:55Sinto os miúdos cada vez mais próximos.
00:57Somos uma família.
00:58Há um amor a nascer, Teresa.
01:00E eu acho que eles começam a respeitar-me um bocadinho.
01:03Pai, sim, é um inútil como é hábito, mãe.
01:06Estás a falar com a tua mãe?
01:08Não, não, com a amiga.
01:09Ah, amiga.
01:10O que é que dizias, mãe?
01:11Ah, estás a falar com a tua mãe.
01:13Estás a me enganar.
01:14Sim, sim.
01:14Está a fazer aquela cara esquisita.
01:16Mas que cara esquisita?
01:18Raquel, vai cá ao telemóvel.
01:19Vem, deixa-me lá.
01:20Deixa-me lá com a tua mãe, Raquel.
01:21Raquel, mata.
01:23Abre esta porta imediatamente.
01:24Vou contar até três e tu vais abrir esta porta.
01:27Hum?
01:30Um, dois, três, quatro, cinco.
01:39Raquel, eu estou a ficar sem paciência.
01:42E sem minutos.
01:49Eu, algum problema?
01:52Eu sei que ninguém nesta família se apercebe,
01:55mas os meus filhos não me respeitam.
01:57A sério?
01:59Ninguém diria.
02:00Alô?
02:01Pronto para mais um dia de trabalho?
02:05O que é que foi?
02:07Nós precisávamos que nos levasses à escola.
02:09Ah, agora que já precisas, estás toda simpática, não é?
02:12E se eu não quiser?
02:13E se eu não quiser agora?
02:14Ah, para lá com isso.
02:15Parece pior do que eles.
02:17Eu levo todos.
02:18Entendem?
02:20O que é que foi?
02:22Para variar, não me deixaram comer nada ao pequeno almoço.
02:25Eu preciso comer qualquer coisa.
02:27Então vá, nós fazemos companhia, vá lá para o pequeno almoço.
02:30Obrigado.
02:39Vá, Paulo, despasta-te.
02:40Educação dos meus filhos não pode esperar.
02:41Vá.
02:42Escola, escola.
02:43Bora.
02:44Tua mãe.
02:45Sim, vamos para a escola agora.
02:46Estás a falar com a tua mãe?
02:47Dá cá, outra forma.
02:48Não.
02:49Não.
02:50Dá cá, dá cá, dá cá, dá cá, dá cá, dá cá.
02:55Confiscado.
02:55Oh, deite.
02:56Vamos para a escola.
03:00Veja-lhe, veja-lhe, veja-lhe, veja-lhe, veja-lhe.
03:05Não me respeitam?
03:06A culpa é da mãe.
03:07Está sempre a meter veneno, sempre a meter veneno.
03:09E eu sofro, Paulo.
03:11Sofro muito com isto.
03:12Mas eles agotam contigo.
03:14Porém, tu não lhes mostras que não és como ela diz que és?
03:17É, tens razão.
03:19E como é que eu faço isso?
03:21Puxas para o teu lado.
03:23Puxá-los para o meu lado.
03:24É isso.
03:24Eu só tenho de mostrar-lhes como eu sou verdadeiramente.
03:27E como é a mãe deles.
03:29Na minha versão.
03:30Basicamente, isto é um jogo para ver quem é que consegue falar pior um do outro.
03:33E esse jogo eu também sei fazer.
03:35Ah, se sei fazer esse jogo, ela vai passar-se.
03:37E eu acho que não percebeste muito bem o que eu te disse.
03:39Percebi, percebi.
03:40Perfeitamente.
03:41Obrigado pela dica.
03:41Agora vamos embora que eu já tenho aqui a ideia.
03:43Afonhar.
03:44Afonhar.
03:59Bem, o que é que eu posso começar por fazer cá na empresa?
04:04É isso.
04:05É esse Paulo que eu quero aqui na Armaza.
04:08Espírito empreendedor.
04:10É esse Paulo.
04:11Que ontem não esteve cá.
04:14Foi do choque inicial.
04:20Isto agora é meu.
04:21Ok?
04:22Claro.
04:24Bem, se calhar eu podia começar por verificar as contas.
04:27Contas?
04:30O livro de contabilidade, essa é a minha área.
04:33Posso começar por dar uma olhadela?
04:35Uma olhadela?
04:38Mas que olhadela?
04:40Para só organizar, verificar.
04:45Oh pai, só um bocadinho.
04:49Este tipo é perigoso.
04:50Ela já foi das finanças.
04:52Já sabes, isso é uma tatuagem.
04:53Nunca mais sai do corpo.
04:55Você tem cuidado.
04:55Mas ouve, agora é da família.
04:59Paulo, isso até é uma ótima ideia.
05:02Uma ótima ideia.
05:04Eu até te mostravam os livros.
05:06Se nós os tivéssemos.
05:08O quê?
05:10Não tens os livros de contabilidade?
05:11Claro que temos.
05:12O Armaz é uma empresa familiar, pequena, mas honesta.
05:17Queres ver os livros de contabilidade?
05:19Eu mostro os livros de contabilidade.
05:23Quero ver os livros de contabilidade.
05:26Tens aqui um livros de contabilidade?
05:35É só isto?
05:37Isto é o que está anotado.
05:39Os números estão aqui.
05:42Onde devem estar?
05:45Hoje em dia, da maneira como o mercado está, um empresário não pode estar perdido tempo a tomar notas.
05:51Não, tem de fazer, tem de correr atrás, tem de pensar.
05:53Não, tem de fazer.
05:54Não, não tem de fazer.
05:55Não tem, sobretudo, eu disse.
06:12Isto...
06:12Está um bocado desorganizado.
06:19O que é que são estas despesas tudo?
06:22Deixa cá ver.
06:27Ah, isso é do cartão da empresa.
06:30Mas, defila-se só a laser.
06:36Opa, tu achas que nós andamos a fazer tratamentos de beleza?
06:39Ah, não sou só eu que tenho o cartão da empresa.
06:42Quem mais é que tem?
06:43Toda a família.
06:44Tudo.
06:45Todos.
06:46Mas, opa, tu achas que eu sou parvo?
06:48O avô não tem.
07:09É impossível perceber estes números.
07:11É impossível.
07:12Sinto que a minha cabeça vai arrebentar.
07:14Olha, eu estou-me a tocar a racha com este sudoku e não me mando a queixar, pois não.
07:17Qual é o problema, Paulo?
07:21O problema é que pelos vistos há três meses que não entra dinheiro nesta empresa.
07:24Não pode ser.
07:25Não estás a ver bem.
07:27Estou-te.
07:28Olha.
07:30Débito, débito, débito, débito.
07:32Débito, débito, débito.
07:34Débito também.
07:35Coluna dos créditos.
07:38Nada.
07:39Não, não pode ser.
07:40Vê lá melhor.
07:42Eu vi bem.
07:43A sério.
07:44Veja.
07:46Bom.
07:49A verdade é que a empresa está num buraco.
07:56Num buraco?
07:58O que é que isto quer dizer?
07:59Num buraco.
08:00Num covo.
08:01Num edifício.
08:02Numa sepultura.
08:05Há três meses que nos retiraram a concessão de venda de sabonetes para o hotel e desde
08:10daí que não entra dinheiro nenhum.
08:13Então isto quer dizer que está arruinado?
08:17Está não.
08:18Estamos.
08:19Estamos.
08:19Tu neste momento és parte fundamental da empresa.
08:23Bom, e pelos vistos entrarem na melhor altura.
08:25Não, mas calma.
08:26Calma.
08:27Não vamos agora entrar em pânico.
08:29Não podemos entrar em pânico.
08:31Até porque ninguém lá em casa sabe isto.
08:32Não é?
08:33E não tens o senhor a dizer-lhe?
08:34Vamos lá.
08:34Não vamos agora fazer uma tempestade num copo d'água.
08:37Para quê?
08:37Eu já estive em situações muito piores do que esta e resolvi os problemas.
08:42E isto não pode ficar assim.
08:43Tem que resolver esta situação.
08:45Claro.
08:45E vai ser resolvida.
08:46A situação vai ser resolvida.
08:48Eu não sei é como.
08:51Só há uma solução.
08:53Há uma?
08:55Para que as despesas, todas, tenho que falar com a família e tirar-lhes o cartão da empresa
09:01rapidamente.
09:02Pronto.
09:03Tira-se o cartão da empresa?
09:05Mas eu trato disso, Paulo.
09:06Eu trato disso.
09:07Deixei isso bem.
09:08Boa.
09:09Assumo resolveu.
09:09E se fôssemos trabalhar um bocadinho.
09:11Bora.
09:12Trabalhar.
09:32Olá.
09:33Bom dia.
09:34Bom dia.
09:35Ah, porreiro.
09:36Deixaram um coração para mim.
09:38Obrigado.
09:38Tens de ser mais rápido.
09:40Oh, Arturo.
09:43Estes dois casacos, qual é que me fica melhor?
09:45O que é que tu achas?
09:46Não sei.
09:46Eu acho que me ficam bem, os dois.
09:48É difícil.
09:49Muitos, não é?
09:50É.
09:50Se eu comprasse os dois...
09:52Pois.
09:52Compre os dois, mãe.
09:53Compra.
09:54Tu mereces.
09:54É por isso que eu e o pai estamos a construir o Império Hermasa.
10:00Podemos conversar?
10:02E agora?
10:09Mas como é que ainda não lhes disse para pararem de usar o cartão da empresa?
10:12Paulo, a família é sagrada.
10:15Eu não lhes posso negar as necessidades básicas.
10:18Básicas?
10:18Ela vai comprar dois casacos iguais.
10:20Arturo, eles vão espoliá-lo até aos dentes.
10:22Eu gostava de recuperar o meu dinheiro de volta.
10:24Eu não quero ficar a viver aqui até o resto da minha vida.
10:26A minha ideia era ficar dois dias e eu já estou aqui à...
10:38Tu me senti mal com mim.
10:40Mas claro.
10:41Tu não comes nada, porque era o moço.
10:45Eu não posso dizer as coisas assim de sofrer.
10:48Temos que ir devagarinho, a torneira tem de ser fechada devagarinho, percebes?
10:54Hoje, por exemplo, não é um dia bom para termos esse tipo de conversa.
10:57Então, mas se tem tantos problemas com isso, eu vou, eu conto.
11:00Não, não.
11:01Paulo, Paulo, tem calma.
11:03Há uma maneira de dizermos sem dizermos.
11:09Explico lá como é que é isso.
11:11Espera, espera.
11:12Mas como é que vamos riscar os cartões?
11:14Pegamos numa chave e riscamos a banda magnética.
11:17Isso eu sei, não é isso?
11:18Mas porquê é que estás a perguntar?
11:19Paulo, tu queres me arranjar problemas ou queres ajudar?
11:22Eu fico com os cartões do Marco e da Mónica.
11:25Tu ficas com o da Glória e da Susana.
11:27A Susana tem um cartão.
11:30Desbaixa-te.
11:31Temos de ser rápido.
11:41O que é que eu faço aqui?
11:44É que não é ele a tratar do cartão da mulher.
12:16O que é que eu faço aqui?
12:18Descomprimentos para a Mónica.
12:20E isso é para que é que os tomam?
12:21O resultado é o mesmo.
12:33Este momento vai me traumatizar para o resto da minha vida.
12:35Eu faço aqui.
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14:39Foge, foge, foge. Anda cá, desgraçado seu tapenho. Foge, desaparece, corre.
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15:00Ai, ai, ai, ai, ai, ai, meu Deus.
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16:05Dói mais não poder abraçar-vos com os dois braços, os meus filhos.
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17:38Pela, o que é que vais fazer, hã?
17:40Vou fazer um coração misto e um galão.
17:44Mas o que é que se passa com aquele indido?
17:46Primeiro rouba-me a filha, depois enfia-se cá em casa,
17:49depois vai-me espiar na casa de banho.
17:52Daqui a nada está a crevi o lenço, de volta é essa, não é?
17:55Eu também não estou de acordo com o que ele fez, hã?
17:58Mas tens de perceber, o Paulo só quer é sair daqui o mais depressa possível.
18:03Isso que ele quer.
18:04Então não te preocupes, que eu ajudo.
18:15Desculpa, tinha a passar aí o pão.
18:16Ah, não há pão.
18:17Ah sim, está aí?
18:18Ah, até para os pômos.
18:27Bom, eu vou andar.
18:30Bom dia.
18:31Bom dia, rapaz.
18:37Bom dia.
18:44E então, o que é que aconteceu?
18:52Mas o que é que se passou?
18:53O que se passou é que esta família gosta de tomar bons pequenos almoços.
18:57E como não sabemos quando é que voltamos a fazê-lo...
19:00Mas não é para eu comer um croissant que vão morrer sob mutritos?
19:02Tu até nem te importavas que nós morrêssemos à fome, pois não?
19:04Desde que tu consigas ter aquilo que queres.
19:06Eu sou pai de filhos.
19:08Como é que tu podes ser tão insensível?
19:10Bom dia.
19:16O que é que aconteceu?
19:17Nada.
19:18Estamos só no meu pequeno almoço.
19:20Nem todos, não é?
19:21Claro que nada.
19:22A tua sorte tens tu de poderes tomar aqui o pequeno almoço connosco.
19:25O que é que se passa?
19:27O que se passa é que este lapardanas, deste contabilista Zeco, deixou-nos sem cartões.
19:31O quê?
19:32Lá por cima faz-te parvo.
19:33Eu só noto um par de galhetas agora mesmo, por respeito à minha irmã.
19:37Tirar da boca a comida das pessoas que o sustentam.
19:41Mas, mas...
19:41Bom, eu tenho de sair porque tenho uma reunião de negócios muito importante.
19:45Não, não, não, não.
19:46Não tem reunião importante nem negócios.
19:48Não tem nada.
19:49Tem uma lata do caraças.
19:51Ouve lá.
19:52Ouve lá, meu rapaz.
19:53Eu até percebo, até percebo.
19:55Posso perceber que tu queiras rever o teu dinheiro.
19:58Agora, não à nossa custa.
19:59Venha, coé.
20:00O quê?
20:01Venha, coé.
20:02Estás a perceber?
20:03Não, não, não.
20:04Nem pensar, nem pensar.
20:07Vocês estão falidos.
20:08Percebem?
20:09Eu sei que é a verdade.
20:16Arthur, o que história é esta?
20:19Não, não, não.
20:20É ele que está a exagerar.
20:24Não, não, não.
20:26Realmente, o que se passa é que há um desfazamento contabilístico na Armaz.
20:30Mas isso é uma questão virtual.
20:32Olá.
20:32Arthur, quanto dinheiro é que nós temos no banco?
20:34Ah, então...
20:37Bom, nós vamos...
20:39Arthur, quanto?
20:41103 euros.
20:42E 60 centímetros.
20:52Tu estás a brincar, não estás?
20:54Não, não.
20:55Esta é a realidade.
20:57Isto é o que acontece quando numa empresa durante três meses não entra dinheiro.
21:02Mas ouve, eu só te peço que me des uma semana, Glória.
21:05Mas eu não sei se vou aguentar isto.
21:07Eu só te peço uma semana.
21:09Glória, eu só te peço...
21:11Glória, eu só te peço uma semana.
21:20Esos, estás a fazer esta família?
21:23Estás contente?
21:38O que é que estão a fazer?
21:39Estão a espiar?
21:41Eu também não acho isto nada, nada, nada bem.
21:43Nada.
21:44Mas é...
21:45É uma tradição familiar, Paulo.
21:47É, Paulo, cálice.
21:49Por vossa culpa já perdi uma frase.
21:52Deixa-me-o explicar.
21:55Glória, confias em mim?
21:57Eu toda a vida confiei em ti, Arthur.
21:59Não vou dizer que aqui e ali não tenha mandado um detetive particular seguir-te.
22:03Mas sempre, com o momento.
22:04Agora, uma situação destas, é que eu nem sei o que é que é de pensar.
22:07Ouve, eu tenho de confessar uma coisa.
22:12Já não é a primeira vez que a nossa família passa por esta situação.
22:16Só que das outras vezes, eu não disse nada.
22:18Eu sei.
22:20Sabes?
22:20Com certeza, eu não sou parva.
22:22Mas sabe, guardei a família.
22:24Que lei-me.
22:24Ouve, a culpa não foi minha.
22:26Eu estive a esta distância de conseguir uma solução.
22:30Só que...
22:31Não...
22:31Pronto, não...
22:33Não consegui.
22:35O Paulo até nos tem estado a ajudar a...
22:38A recuperar o dinheiro.
22:39Paulo, Paulo, Paulo, Paulo.
22:40Eu já não posso ouvir falar nesse Paulo.
22:42Desde que esse indivíduo entrou nesta casa, as coisas vão mal ou pior.
22:57Então, a culpa é do Paulo.
23:00Olha, ainda bem que não cortas.
23:02Ou tu estavas só a espiar?
23:03Eu acho incrível.
23:05Desde que o Paulo veio para cá, que já perdeu a casa, o emprego, as poupanças, tudo.
23:09E vocês, não sabem, é desprezá-lo.
23:11Sabem o que mais?
23:12Sabem?
23:13Tenho vergonha de pertencer a esta família.
23:17Artur, a coisa já a pôs contra nós.
23:26Descansa, pai.
23:27Felizmente, tens-me em mim.
23:30E eu, português, que estou sensibilizado com a situação financeira difícil da nossa família atualmente,
23:37tomei uma decisão.
23:38O jeep que ia comprar, estive a pensar melhor e...
23:41Já não quero.
23:43Já não quero.
23:45Estofo sem pele.
24:06Paulo, para com isso.
24:09Susana, deixa estar.
24:10Vou-me embora desta casa.
24:12Desta vez, ninguém me vai fazer mudar de ideias.
24:15Dá-me só aqui uma ajuda.
24:16Já está tudo torto isto.
24:18Dá-me ajuda.
24:18Paulo, não sejas parvo.
24:20Minha mãe não sabe o que diz.
24:22Claro que sabe.
24:23Eu tenho toda a razão.
24:24Eu nunca me encaixo nesta casa.
24:27Não digas isso, Paulo.
24:30Luciano, eu não aguento mais.
24:32Eu desisto.
24:35Desistes muito depressa, não é?
24:38Então, dá-me só uma razão para eu ter que aguentar isto tudo.
24:45Ok.
24:47Tu és a razão.
24:49És a única razão.
24:52Mas nada, Paulo.
24:55Por incrível que pareça estes últimos dias aqui, contei que têm sido os dias mais felizes da minha vida.
25:01Pô, que tipo de vida é que tiveste antes?
25:05Uma vida sem ti.
25:20Isso é que vai uma animação, a ganda tarde aqui com o vosso super pai.
25:24Valeu ou não valeu a pena?
25:25Não foi má, mas seria melhor se não nos tratássemos como criancinhas de três anos.
25:28Não foi má.
25:29Então fomos lanchar, fomos ao cinema, fomos às compras e garanto-vos da próxima vez pago eu.
25:34O melhor foi o filme, não foi?
25:35Ai, eu disse que era um filmaço, não é?
25:38A cena do estrangeiro.
25:42O que é que foi?
25:43Nada, nada, nada.
25:44Entrou-me uma coisa para o olho.
25:47Já vai.
25:57Já nem na casa de banho se consegue estar descansado.
26:00É, eu não tenho cartão, tu não tens privacidade.
26:02É assim, a vida é madrasta.
26:04O que é que estás a fazer?
26:06Pintei o olho de negro e disse-lhes que foi a mãe deles que me bateu.
26:08Assim passam a odiá-la e a gostar de mim.
26:12Quando eu disse para os puxares para ti, não me referi a essas idiotices que tu andas a fazer.
26:17É, mas na simplicidade é que está a eficácia.
26:19E lá é além disso, eles nunca vão desculpas.
26:25Espero que este pequeno percalde-se não retire tudo o que já passámos em família.
26:30Lembram-se do filme dos traques?
26:32A mãe tinha razão.
26:34Tu és mesmo do pior eu.
26:35Não me prestas.
26:39Também tinha razão.
26:40Não me prestas.
26:41Estou farto de me comparem à vossa mãe.
26:54Onde é que vocês vão?
26:56Vamos estar com a nossa mãe.
26:57Fazem muito bem.
26:58Vão, vão.
26:59Já vai tarde.
27:00Adeus.
27:01Boa viagem.
27:03Tu és doido.
27:05Descansa, olha, perda.
27:06Isto é bluff.
27:06Daqui a dois minutos estou a bater à porta.
27:08Isto é psicologia infantil.
27:09És pai.
27:10És pai, não percebes?
27:28Ainda não lhes abriste a porta?
27:30A quem?
27:31Aos teus filhos.
27:33Meus filhos, esquece-me deles.
27:53A Família Mata volta na próxima sexta-feira
27:56com uma nova história logo após o Jornal da Noite.
27:59Já seguia no capítulo 2 de Laços de Sangue.
28:02Vamos ver quanto custa a liberdade.
28:04João pergunta à mãe se ela quer abdicar da ioiô
28:07em troca do divórcio de Diana.
28:09Depois, às 11h30, temos um dos últimos episódios
28:13da novela Passione.
28:14E à meia-noite e meia, passa a série
28:16do Walking Dead, os mortos-vivos.
28:19Amanhã, a partir das 8h da noite,
28:20a Liga Europa joga-se em exclusivo aqui na SIC.
28:23Benfica, Paris Saint-Germain,
28:25em direto do Estádio da Luz.
28:27Um grande jogo a não perder.
28:29Sábado à tarde, temos a estreia de agente dupla.
28:32E na próxima segunda-feira, não perca,
28:34a partir das 10h da manhã,
28:36o cresce de Júlia Pinheiro com
28:38Querida Júlia.
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