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  • há 3 horas
‘Em nenhum momento vi Lula interferindo na PF para proteger o Lulinha’, diz Simone Tebet

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Transcrição
00:00Candidata, você falou bastante sobre a sua trajetória política e eu gostaria de fazer uma pergunta referente a isso.
00:06Você, como alguém de centro, já teve falas de oposição ao PT.
00:10Depois das eleições de 2022, você se tornou uma aliada do governo Lula.
00:14E o que eu queria saber é, você mantém suas críticas a, por exemplo, o Mensalão, o Petrolão?
00:19E agora com as polêmicas que envolvem o Lulinha, no caso o INSS, como você se posiciona também diante disso?
00:26Eu mantenho, o presidente sabe disso. E sempre que eu fiz a crítica, eu fui muito justa, dizendo que foi
00:33com a ajuda do meu ex-partido.
00:36O maior esquema, até então, porque agora tem um maior esquema de corrupção, muito maior do que aconteceu,
00:41o esquema da Petrobras envolvia dois partidos de centro. Um de centro e outro de centrão, PP e MDB, entre
00:48outros.
00:49Então vamos lá, partidos inclusive ligados a esse centrão que não está conosco.
00:54Ali houve, nunca disse que o presidente devia alguma coisa, como mesmo quando eu denunciei na CPI da Covid,
01:02o esquema de corrupção da compra de vacina superfaturada, uma vacina desconhecida no Ministério da Saúde,
01:08eu nunca disse, o presidente Jair Bolsonaro sabia.
01:11Eu já fui prefeita, eu sei que eu só posso falar isso, mas é responsabilidade de gestão.
01:17Havia uma responsabilidade de gestão, não somente um crime de corrupção ativa dele,
01:24mas do Ministério da Saúde e dos seus líderes.
01:27Então continuam fazendo a crítica e são críticas porque corrupção não tem lado,
01:32corrupção não tem ideologia, não é de centro, não é de esquerda, não é de direita,
01:36pega todo mundo e precisa ser punido igual.
01:37Agora, tem uma diferença muito clara.
01:41Há certos valores que são absolutos, que são universais.
01:47Repetiu-se em 2022, ao meu ver, alguma coisa, claro que em outras proporções parecidas,
01:52o que aconteceu no período em que nós lutamos por redemocratização no país.
01:57Sentou-se à mesa os principais adversários, adversários ferrenhos,
02:01para em nome de abrigar todo mundo num único partido.
02:05O MDB, que era um partido radicalmente de centro, abrigou toda a esquerda,
02:10seria dizimada, inclusive com risco até de vida,
02:14abrigou, juntou e lutou por democracia.
02:17E depois caminharam separados.
02:19Há determinados momentos muito radicais que a gente deixa as diferenças de lado,
02:22se aquilo que nos une é infinitamente maior do que aquilo que nos separa.
02:26E o que me uniu e me une ao presidente Lula é a luta por democracia,
02:30pela nossa soberania, a riqueza do Brasil é nossa.
02:33Nós não queremos ser um povo escravizado, colonizado,
02:36de minerar e entregar tudo de mão bandeja para a capital estrangeira.
02:41Nós queremos que eles venham minerar aqui com sustentabilidade
02:44e trazendo valor agregado aos produtos,
02:47elaborando, fazendo o robozinho aqui, o celular aqui,
02:51enfim, o mundo da tecnologia aqui.
02:54Então, isso é infinitamente maior do que aquilo que me separava.
02:59Porque do lado de lá eu não via a democracia, a luta por democracia.
03:02Ao contrário, o 8 de janeiro mostrou isso do que eu via do lado de cá.
03:06Então, eu não precisava de mais nada.
03:08Além de ter alguma coisa a mais que me importa muito.
03:11Eu vivenciei como senadora quatro anos de Jair Bolsonaro.
03:15Eu nunca senti Jair Bolsonaro a empatia, a solidariedade pelas pessoas que mais precisam.
03:22Aliás, por qualquer pessoa que não fosse a família dele.
03:24Eu nunca vi.
03:25Eu não vi ele ir no hospital abraçar uma mãe que perdeu um filho por Covid.
03:29Eu não vi ir numa favela, num projeto social.
03:31Eu não vi ele falar de vidas humanas.
03:34Então, o Lula tem uma coisa que me impressiona muito.
03:37De novo, tem ainda muitas diferenças.
03:39Mas ele gosta de gente.
03:41Isso, para mim, importa.
03:44Eu gosto de gente.
03:45Eu não gosto de dinheiro sujo.
03:46Eu gosto de gente.
03:47Eu não gosto de corrupção.
03:48Porque a corrupção mata o futuro.
03:50Então, de novo, nós estamos enfrentando o mesmo dilema.
03:53Candidata, só retomando ao ponto, por exemplo, das questões envolvendo suspeitas sobre o Lulinha.
03:59Você, apesar de tudo isso que você falou, você considera que o Lula, o PT, tem essa credibilidade para discutir
04:05questões de corrupção?
04:06Você coloca essa mão no fogo?
04:08Não é colocar a mão no fogo.
04:09Eu não coloco a mão no fogo nem, enfim, sei lá, pelo meu marido.
04:14Vou colocar a mão no fogo por outra pessoa.
04:17Só que tem uma diferença.
04:18O Jair Bolsonaro mudou o delegado-geral da Polícia Federal do Rio de Janeiro
04:23e caiu o ministro da Justiça porque ele não deixou apurar os escândalos de rachadinha do filho dele, Flávio Bolsonaro.
04:31Ele interviu na Polícia Federal.
04:34E foram várias as vezes que vocês noticiaram isso.
04:36Os esquemas de corrupção são sempre descobertos no governo presidido pelo Lula.
04:42E corrupção que começou onde?
04:44No governo Bolsonaro.
04:46O Banco Master foi criado e gestado no governo do presidente Bolsonaro,
04:51tentado na época do Temer.
04:53Temer falou aqui não.
04:54Ele conseguiu se instalar, virar essa potência, comprar todo mundo e lamassar todo mundo de vários partidos.
05:01Está aí o áudio de Flávio Bolsonaro.
05:03Em nenhum momento eu vi o presidente Lula interferindo na Polícia Federal para proteger o Lulinha.
05:10Pelo contrário, se tiver, vai pagar.
05:12E é o que a gente espera da Justiça e da Polícia Federal.
05:15Quem se investigue.
05:16Não vou condenar ninguém, nem de um lado, nem de outro.
05:18Mas eu tenho áudio de um lado.
05:20Eu tenho aqui, está aqui.
05:21E tenho denúncias que precisam ser investigadas em relação ao Lulinha.
05:25Candidata, seguindo para algumas perguntas mais específicas,
05:28em 2025 o Estado de São Paulo bateu recorde no número de feminicídios.
05:32O que precisa ser feito para mudar essa realidade?
05:36Você como senadora, no que você apostaria para mudar esse cenário?
05:40Duas coisas.
05:40Acabar com o discurso de ódio da extrema direita,
05:43que está contaminando principalmente a nossa juventude,
05:45que está ficando ainda mais conservadora nesse assunto.
05:48Ser conservador não é ruim.
05:50Eu estou dizendo esse conservadorismo nocivo
05:53que extrapola os limites, até cristãos,
05:57que o povo brasileiro sempre teve.
06:00Ele contamina uma geração inteira,
06:03colocando lá atos, simulando atos de violência
06:08e normalizando e banalizando a violência contra a mulher.
06:11A violência contra a negra, a violência contra os homossexuais,
06:14a violência por credo religioso que não seja,
06:16por exemplo, de matriz afro-africana.
06:20Enfim, é esse método.
06:22Então, o combate, sem dúvida nenhuma.
06:26E segundo, eles por elas.
06:29Eu acho que nós só vamos mudar a hora que os homens falarem por nós.
06:32Porque a maioria dos homens não são violentos com as suas mulheres.
06:34É que aquele que é, ele pratica 10, 20, 30 violências.
06:38Ele pratica violência contra a irmã, contra a esposa,
06:41contra a companheira, a ex-namorada,
06:43até contra a mãe, às vezes.
06:45E aí ele faz um lastro, né?
06:47Então, a maior parte da população dos homens brasileiros não são violentos.
06:51Eles precisam entrar.
06:52Eles precisam dialogar.
06:53Eu acho que é uma questão geracional que a gente pode,
06:55em 8, 10 anos, ter uma outra realidade se isso acontecer.
06:58Só antes da gente passar,
06:59teria alguma proposta mais específica com relação a isso?
07:02Sim.
07:03Para o Estado de São Paulo mesmo,
07:05até porque a lei trazer os recursos necessários,
07:07embora São Paulo não precise,
07:08São Paulo é o Estado que mais arrecada no Brasil,
07:10e que menos gasta proporcionalmente com segurança pública do seu PIB,
07:14mas trazer recursos necessários para manter as delegacias das mulheres 24 horas por dia abertas,
07:197 dias por semana,
07:20que é o horário que mais acontece a violência,
07:23a mulher morre,
07:23as delegacias estão fechadas,
07:25com atendimento feminino.
07:27Nós temos muitas profissionais da polícia,
07:30do sexo feminino,
07:31que tem que estar nas delegacias para não vitimizar essa mulher duas vezes.
07:34Aí ela tem como interromper o ciclo.
07:38É muito difícil o homem começar com o tiro, com a morte.
07:42Ele começa com palavras, com violência psicológica,
07:45com tapa na cara,
07:47às vezes até com uma violência sexual, etc.
07:49Quebra um membro, vai para o hospital e só depois mata.
07:53Se ela consegue chegar antes e fazer com que esse homem saia já com a tornozeleira eletrônica,
08:00preventivamente,
08:01com um bipzinho de não chegar até 100 metros dela,
08:04vai trabalhar, vai ter a vida dele,
08:06que é ir para o estádio de futebol,
08:07ele que vai,
08:07mas não chega perto dela,
08:09nós temos condições de abaixar drasticamente esses índices de feminicídio.
08:13E aí
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