00:00Candidata, seguindo para algumas perguntas mais específicas,
00:03em 2025 o Estado de São Paulo bateu o recorde no número de feminicídios.
00:07O que precisa ser feito para mudar essa realidade?
00:11Você como senadora, no que você apostaria para mudar esse cenário?
00:15Duas coisas.
00:15Acabar com o discurso de ódio da extrema direita,
00:18que está contaminando principalmente a nossa juventude,
00:20que está ficando ainda mais conservadora nesse assunto.
00:23Ser conservador não é ruim.
00:25Eu estou dizendo esse conservadorismo nocivo que extrapola os limites,
00:31até cristãos, que o povo brasileiro sempre teve.
00:34Ele contamina uma geração inteira, colocando lá atos, simulando atos de violência
00:43e normalizando e banalizando a violência contra a mulher.
00:46A violência contra a negra, a violência contra os homossexuais,
00:49a violência por credo religioso que não seja, por exemplo, de matriz afro-africana.
00:55Enfim, é esse método.
00:57Então, o combate, sem dúvida nenhuma.
01:01E segundo, eles por elas.
01:04Eu acho que nós só vamos mudar a hora que os homens falarem por nós.
01:07Porque a maioria dos homens não são violentos com as suas mulheres.
01:09É que aquele que é, ele pratica 10, 20, 30 violências.
01:13Ele pratica violência contra a irmã, contra a esposa,
01:16contra a companheira, a ex-namorada, até contra a mãe, às vezes.
01:20E aí ele faz um lastro.
01:22Então, a maior parte da população dos homens brasileiros não são violentos.
01:26Eles precisam entrar.
01:27Eles precisam dialogar.
01:28Eu acho que é uma questão geracional que a gente pode, em 8, 10 anos,
01:31ter uma outra realidade se isso acontecer.
01:33Só antes da gente passar, teria alguma proposta mais específica com relação a isso?
01:37Sim.
01:38Para o Estado de São Paulo mesmo,
01:40até porque a lei trazer os recursos necessários,
01:42embora São Paulo não precise,
01:43São Paulo é o Estado que mais arrecada no Brasil,
01:46e que menos gasta proporcionalmente com segurança pública, do seu PIB,
01:49mas trazer recursos necessários para manter as delegacias das mulheres 24 horas por dia abertas,
01:547 dias por semana, que é o horário que mais acontece a violência,
01:58a mulher morre, as delegacias estão fechadas,
02:00com atendimento feminino.
02:02Nós temos muitas profissionais da polícia, do sexo feminino,
02:06que tem que estar nas delegacias para não vitimizar essa mulher duas vezes.
02:09Aí ela tem como interromper o ciclo.
02:13É muito difícil o homem começar com o tiro, com a morte.
02:17Ele começa com palavras, com violência psicológica, com tapa na cara,
02:22às vezes até com uma violência sexual, etc.
02:24Quebra um membro, vai para o hospital e só depois mata.
02:28Se ela consegue chegar antes e fazer com que esse homem saia já com a tornozeleira eletrônica,
02:35preventivamente, com um bipzinho de não chegar até 100 metros dela,
02:39vai trabalhar, vai ter a vida dele, quer ir para o estádio de futebol, ele que vai,
02:42mas não chega perto dela, nós temos condições de abaixar drasticamente esses índices de feminicídio.
02:48Candidata, ainda falando um pouco sobre segurança pública,
02:51um dos temas que está sendo muito falado é a redução da maioridade penal.
02:56Você acha que isso é um tema que deve ser pautado no Senado?
02:59E qual que é a sua opinião sobre isso?
03:02Todos os temas são livres, desde que não sejam antidemocráticos.
03:05A Constituição estabelece claramente aquilo que não pode ser discutido.
03:08Por exemplo, atos atentatórios à democracia, insurreição no sentido de guerra e tal.
03:14Fora pouquíssimas coisas, todos os temas, mesmo que eu não concorde, são livres.
03:20Mas, particularmente, eu acho que o tema pode sim, é um tema que precisa ser trabalhado.
03:24A redução da maioridade penal para alguns tipos de crimes gravíssimos de 16 anos,
03:30eu sou favorável, sou contra a redução de 12, de 14 anos.
03:33Mas, por exemplo, o caso de estupro, estupro coletivo.
03:35Um jovem de 16 anos sabe o que é, ele sabe o que é certo, o que é errado.
03:41Latrocínio, matar para roubar.
03:43Então, há certos crimes graves, sim.
03:45Os crimes mais brandos, não, porque ali no presídio é a oficina do diabo, né?
03:50Ali é a oficina de bandido.
03:52Você já tem uma medida sócio-educativa aos 16 anos.
03:56Eu vou, ele furtou para comer, ele furtou, que aí até é estado de defesa,
04:00estado de necessidade.
04:01Ele furtou um tênis, não sei o quê.
04:03Se eu colocar junto de bandido, ele vai sair pior.
04:05Então, eu coloco no sistema educacional para se ressocializar.
04:10Mas a redução da maioridade penal, ela não pode vir acompanhada sozinha.
04:13De novo, me interessa o caminho mais fácil.
04:16O caminho mais fácil, normalmente, é o caminho errado.
04:17Me interessa o caminho certo, ainda que mais difícil.
04:22Eu tenho que colocar isso dentro de um pracote do sistema judiciário,
04:25do sistema penal brasileiro.
04:26Isso envolve de que forma eu vou melhorar o projeto antifacção,
04:30que, lamentavelmente, foi desfigurado depois que saiu do Senado na Câmara.
04:34O relator que é candidato, inclusive, ele desfigurou.
04:37À medida em que ele tirou exatamente as atribuições de um tribunal de júri, etc.,
04:43de cortar, de sufocar o crime organizado no dinheiro,
04:47de punir quem verdadeiramente coloca a arma na mão do bandido.
04:53E quando ele fez isso, ele tira o poder da gente desmantelar as organizações criminosas,
05:00que, lamentavelmente, já estão na política brasileira.
05:02Já estão colocando vereadores, deputados, deputados federais,
05:06e corre o risco de levar senadores para lá.
05:10Então, nós temos que colocar tudo num pacote.
05:12Mas acho que chegou um momento, sim, de discutir,
05:17sem nenhum tipo de preconceito,
05:19essa redução da maioridade com muita responsabilidade.
05:23Bom, candidata, você citou a questão do estupro.
05:25E uma das pautas de campanha dessa eleição é a questão da castração química.
05:29Queria entender a sua posição sobre isso
05:31e se você acha que tem alguma outra medida que seria mais prioritária
05:34com relação aos estupros.
05:36Acho que você levantou, acabou me dando um exemplo
05:40do que significa a gente discutir assuntos sérios
05:44como segurança pública de uma forma sistêmica e harmônica.
05:47Não é só a redução da maioridade, ela tem que vir com outras questões.
05:50Já existe no mundo essa coisa da castração química
05:53para aqueles que querem.
05:54A gente sabe que aqueles que têm consciência
05:56que podem ter uma patologia e uma doença
05:58e querem se livrar dessa doença.
06:04Eu estou falando como alguém aqui que não conhece o assunto
06:07porque eu não sou médica, não sou psiquiatra,
06:09não tenho estudo na área da medicina.
06:11Estou pronta para aprender em relação a isso.
06:12Mas não vejo uma coisa ruim se for uma coisa
06:15em que o homem queira passar.
06:19Eu até já me posicionei sobre isso lá atrás,
06:21num projeto que teve.
06:22Porque é uma coisa que é tão grave.
06:26Nós estamos falando de uma das maiores violações à mulher.
06:32Só tem uma coisa mais grave do que isso
06:34em relação à mulher, não em relação à mãe.
06:36Em relação à mãe é outra coisa, né?
06:37Que é o próprio feminicídio.
06:39Não tem nada mais grave que isso em relação à mulher.
06:41O estupro, ele viola a nossa alma.
06:43Ele tira a nossa identidade.
06:45Ele nos expõe a um medo terrível
06:47de a mulher viver eternamente com medo.
06:50e passa anos numa terapia para poder tirar esse trauma.
06:53O assunto é muito grave.
06:54Uma castração química com anuência supervisionada, etc.
06:59Eu acho até que é uma forma de uma ressocialização
07:02do cara poder ir trabalhar, se isso funciona.
07:04Mas, de novo, eu estou aberta a discutir esse assunto.
07:07Esse assunto não é um tabu para mim.
07:09Para mim, o lugar de estuprador é mesmo preso, condenado.
07:14Enfim, para que não faça.
07:16Porque a maior casa dos estupros no Brasil
07:19normalmente não só em relação às mulheres.
07:21A gente comete um grande erro.
07:22Os números mostram que a quantidade de estupros,
07:26até pela, como é que a gente fala,
07:29quantidade de vezes, né?
07:30Com a mulher, normalmente,
07:31ela pode acontecer uma vez só na rua e tal.
07:34Dentro de casa, ela acontece mais repetitivamente.
07:38E ela acontece com crianças e adolescentes
07:40de zero a 16 anos.
07:43Então, olha a gravidade do assunto.
07:45Bom, candidata, um outro assunto envolvendo o público feminino
07:49é a questão do aborto.
07:52Hoje se fala muito sobre esse assunto,
07:54posicionamento de ser a favor ou contra.
07:56Eu queria entender se você é a favor ou contra o aborto,
07:59se você acha que deveria ser uma pauta prioritária no Senado
08:03e se hoje você, sendo eleita senadora,
08:06você votaria pela manutenção da legislação atual
08:10ou defenderia alguma mudança?
08:11Pela manutenção.
08:13E não acho que essa pauta vai vir para o Congresso
08:15tão cedo no Brasil.
08:16Por que não?
08:18Primeiro que nós temos um país,
08:20um país absolutamente religioso.
08:24E nós temos como separar a nossa essência
08:27daquilo que nós somos.
08:28O Estado é laico.
08:29Nós não podemos colocar a religião dentro.
08:32Mas a gente não consegue separar o ser Simone
08:35do ser católico ou ser evangélico
08:38que eu possa vir ser.
08:39No caso, eu sou católica.
08:41Hoje nós temos uma maioria de direita
08:44e uma maioria conservadora,
08:45tanto no Senado quanto na Câmara.
08:48Os presidentes, sejam mais à esquerda ou de direita,
08:51também entendem que esse é um papel do Congresso Nacional.
08:54E é mesmo.
08:55Não é de um presidente da República.
08:57Não precisa se preocupar em quem vocês vão votar
08:58para presidente da República pensando nessa pauta.
09:00Porque o presidente da República não pauta esse assunto.
09:03É um assunto de alteração da Constituição Federal,
09:05portanto, do Congresso Nacional.
09:06Eu tive oito anos lá.
09:07Eu posso garantir que esse tema não se discute
09:10e não se pauta.
09:11Ao mesmo tempo, como também nós não podemos,
09:14ter retrocessos civilizatórios.
09:15Criança não nasceu para ser mãe.
09:17Por isso que eu falei, a lei como está.
09:19A lei como está é o seguinte,
09:20uma mulher estuprada tem o direito ao aborto.
09:22Uma criança estuprada tem o direito ao aborto.
09:25Ninguém pode negar ou atrasar esse direito dela.
09:28Então, nesse momento, do jeito como está,
09:32só de evitar retrocesso também está bom demais.
Comentários