00:00Então, assim como a primeira turma foi desafiada quando do julgamento do 8 de janeiro, eu quero
00:09dizer que da minha parte isso não altera rigorosamente nada, nem no sentido nem no
00:15outro, nem no sentido de me curvar pressões, porque como disse há pouco, esta capa, essa
00:22toga pertence ao povo brasileiro, não nos pertence.
00:26E ela tem muitos símbolos, um dos quais é este, da soberania nacional.
00:31Também não me impressiona, mas faço alusão, porque há essa ideia falsa, e ao final ficará
00:38claro a razão de eu aludir esse momento, a ideia falsa de que o tribunal deve se submeter
00:45a pressões.
00:47Ora, se um órgão técnico se submete a maiorias ocasionais ou a órgãos de poder,
00:56seja poder público, seja poder privado, ele não serve para nada.
01:01Ele é tão descartável como a alusão bíblica que se segue ao Sermão da Montanha, em que
01:09Jesus Cristo fala do sal que perdeu o sabor.
01:13Então, eu vi com muito espanto, com muito lamento, mas me sirvo desse fato para dizer que não
01:25me impressiono, e creio, tenho certeza, que o tribunal não se impressiona, assim como nós
01:32já atravessamos isso na primeira turma.
01:34A segunda alusão, em face da questão de ordem, que faço?
01:43Quando aludir ao devido processo legal, é porque sem ele, nós não vamos conseguir enfrentar
01:51os problemas verdadeiramente.
01:54haverá eslogans, haverá passeatas, haverá campanhas eleitorais, haverá indignações
02:02verdadeiras da maioria, haverá indignações farisaicas de alguns, mas o certo é o que
02:11nós vemos no Brasil.
02:13É que quando se quebra a institucionalidade, e este é o ponto fundamental da questão de
02:19ordem, quando se quebra a institucionalidade em nome dos fins legítimos, nós estamos quebrando
02:26ao só tempo o papel do direito e a natureza da judicialidade, porque a judicialidade pressupõe
02:35que não é a lei do mais forte, não é a lei de quem grita mais, é a lei posta
02:43pelos
02:43órgãos legítimos há tanto.
02:46Nós temos no Brasil, portanto, esse combate seletivo à corrupção.
02:51É uma marca brasileira.
02:54A corrupção de alguns gera mais comoção do que a corrupção de outros.
03:01E essa seletividade, ela é deletéria ao país, como a história mostra.
03:06Aludia pouco ao discurso do Mar de Lama, de 1954, da República do Galeão.
03:16Aquilo se prestou a um golpe de Estado.
03:20Depois, Juscelino Kubitschek quase não consegue governar, não fosse o marachal Henrique Teixeira
03:26Lotti.
03:26E o discurso era este, que a construção de Brasília, essa monumental capital da nossa
03:34pátria, seria um símbolo de corrupção, porque Juscelino estava desviando o dinheiro
03:41das empreiteiras e depois usaram isso para caçar Juscelino após o golpe.
03:46Caçar de modo injusto, de modo vil.
03:49Nós tivemos recentemente a experiência da Lava Jato.
03:54Onde nós chegamos com a Lava Jato?
03:59Provavelmente, decisões de altíssima importância, do ponto de vista jurídico.
04:04Mas também há desastres institucionais.
04:09E não é possível que não haja uma curva de aprendizado quanto a isto.
04:16Coletivo.
04:17Inclusive para o judiciário.
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