00:00Mas esse não é um dia comum, somos seres humanos, podemos errar, podemos divergir, podemos mudar de entendimento,
00:09podemos ter percepções distintas sobre os mesmos fatos e sobre o direito.
00:13O momento exige de nós aquilo que se espera de quem exerce a jurisdição constitucional, sensatez, decoro e serenidade.
00:23A divergência faz parte da jurisdição, o que não pode fazer parte dela é a perda da medida institucional.
00:34É justamente por isso que esse plenário deve ser nesse momento também um lugar de memória.
00:41Por essas cadeiras passaram ministros que conheceram a violência do arbítrio.
00:46Evoco Victor Nunes Leal, Hermes Lima e Evandro Lins e Silva, aposentados compulsoriamente pelo regime militar em 1969.
00:59Evoco também Ribeiro da Costa, que presidia esta corte quando o país atravessou o golpe e a ruptura institucional de
01:081964.
01:09A memória desses ministros não é apenas parte da história do Supremo, ela nos impõe uma responsabilidade.
01:19Memória, portanto, é responsabilidade.
01:22Recebemos um tribunal que atravessou crises, autoritarismos, ameaças e incompreensões.
01:30Em determinados momentos, essa instituição pagou um preço por permanecer fiel à sua missão constitucional,
01:39como fez ao julgar o 8 de janeiro de 2023.
01:44Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo Tribunal Federal menor do que aquele que recebemos.
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