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  • há 2 dias
Um mergulho no acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de janeiro revela todo o processo da chegada da corte portuguesa ao Brasil até a independência do país há 200 anos. Os fatos, os mitos e a atuação de Dom Pedro, Dona Leopoldina e José Bonifácio nos acontecimentos nacionais, contados pelos historiadores e pesquisadores do Arquivo e por documentos históricos guardados a sete chaves até hoje.
Transcrição
00:16A história é uma ciência social, é uma ciência humana.
00:21Então, ela tem que ser vista com a participação da sociedade, da economia, da política, da cultura, das mentalidades, usando
00:34todas as fontes possíveis.
00:37A fotografia, os documentos escritos, os jornais, os panfletos, os livros, tudo, a história oral, tudo que for possível.
00:45Mas a gente, o historiador, deve fazer história com a sua visão de presente, com a sua visão contemporânea.
01:08Nós, do Arquivo da Cidade, quando começamos o projeto para comemorar e participar dos 200 anos da independência,
01:16começamos a pensar o que é que nós podíamos fazer de projeto, qual seria a nossa contribuição.
01:22Como nós somos um arquivo que guarda documentos, nós fomos procurar os documentos.
01:28E ali, cada vez, descobrir coisas mais raras, documentos mais bonitos, mais expressivos,
01:36que realmente consagravam a hipótese que nós já tínhamos de que o Rio é a capital da independência.
01:50Era uma emoção, porque eu ouvi falar do José Bonifácio desde o primário.
01:56E aí você vê a assinatura dele, e você descobre como isso é importante, né?
02:03E vê todos esses documentos.
02:04Então, o arquivo é um lugar que emociona muito.
02:07E esse projeto dos 200 anos é um projeto em que a gente mergulha de cabeça.
02:16A primeira coisa que nós fizemos foi fazer um grande levantamento de qual a documentação que o arquivo tinha sobre
02:24a independência do Brasil.
02:27Um arquivo, como o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, ele permite para nós, pesquisadores, historiadores,
02:33que a gente lide de uma maneira qualitativa com as fontes, né?
02:40Mas isso tudo a partir de um trabalho de séculos, que vem sendo realizado por arquivistas.
02:46Um trabalho de catalogação das fontes, de organização, de preservação, muitas das vezes de restauração.
02:54É uma, de fato, é uma construção, é um trabalho secular.
02:58Então, assim, é o momento do arquivo fazer a segunda coisa que ele faz já há muito tempo, né?
03:04Além de ser o lugar de guarda da documentação pública municipal,
03:09ele é o lugar de produzir conhecimento sobre essa documentação.
03:13Ele é o lugar de pensar historicamente essa documentação.
03:16Então, está sendo um momento bárbaro, assim, de revisitar, rever,
03:21e, ao mesmo tempo, dar conta desse lugar de guarda, preservação,
03:27de mostrar por que é importante guardar esse documento, né?
03:30Para que serve? Qual é a função do arquivo?
03:32E qual é a ligação disso com a história e com a produção de conhecimento?
03:45Eu vejo essa comemoração do Bicentenário
03:50uma possibilidade de maior divulgação da festa que foi a independência, né?
03:59O que significou, assim, o processo, que começa muito antes do cavalo do Dom Pedro,
04:04lá na frente do Ipiranguera, é uma trama que vai se desenvolvendo,
04:10ela vai se formatando até que acontece.
04:17Esse documentário, por exemplo, vai mostrar exatamente isso.
04:22Os traços, as linhas que levaram ao independência e à morte.
04:27Essa estrada do que foi a independência.
04:30Eu acho que esse trabalho é fundamental para isso.
04:34Eu fico muito orgulhosa de fazer parte dele,
04:37como documentalista e como cidadã, né?
04:47Mas, afinal, o que foi a independência do Brasil?
04:51A independência do Brasil foi, na verdade, um processo.
04:53Ou seja, não foi uma ruptura de um dia para o outro,
04:57não foi um momento drástico a partir do qual o Brasil se separa de Portugal.
05:02Podemos dizer que o primeiro passo nesse processo,
05:05nessa caminhada para a independência,
05:06que vai culminar lá em 1822,
05:09foi a vinda de Dom João VI e da corte portuguesa para o Brasil.
05:15E, para falar a verdade, é o momento que ele foge do Napoleão.
05:18Agora, quando ele chega em 1808 aqui no Brasil,
05:22foi um Deus nos acuda.
05:25Você imagina como que foi, numa cidade,
05:28relativamente pequena aos puspadões atuais,
05:32receber milhares de fidalgos portugueses.
05:35Aliás, o que era o Rio de Janeiro nesse momento?
05:38É importante falar um pouco do que era a cidade do Rio de Janeiro.
05:42O Rio de Janeiro, em 1808,
05:43era uma cidade que deveria ter em torno de 60 mil habitantes.
05:48Em 1822, essa cidade vai duplicar de população.
05:51Então, em 1822, a população estimada,
05:54embora não precisa, talvez gire em torno de 120 mil habitantes.
05:57E é a cidade mais populosa do que seria depois o Brasil.
06:02Quando Dom João VI chega ao que hoje é o Brasil,
06:06não havia estrutura alguma.
06:08Não havia indústria, havia poucas estradas.
06:12Era preciso urbanizar as principais cidades.
06:15Ou seja, o Brasil estava por ser criado.
06:19A infraestrutura demandava uma atenção.
06:23E é o que ele fará.
06:24Era preciso que aquela nova capital
06:27dispusesse de um aparato de Estado.
06:30Tivesse, enfim, indústria,
06:32tivesse judiciário,
06:33tivesse órgãos que pudessem vertebrar esse império,
06:37que será um império gigantesco.
06:39Um império que vai se expandir por África,
06:41vai se expandir pela Ásia,
06:43passando por territórios como Índia,
06:45chegando até mesmo a lugares longínquos como o Japão.
06:55O Dom João VI foi um dos maiores negociadores
06:59da história dos brasileiros.
07:00Isso é engraçado, né?
07:01Você falar dele que ele é um dos maiores negociadores
07:02porque ficou para a história uma ideia
07:04como se ele fosse um bobo.
07:06Um comedor de coxinha.
07:07É, um comedor de coxinha facilmente manipulável,
07:11enfim, que tinha relações conjugais problemáticas,
07:13que ficava um indeciso entre França e Inglaterra,
07:15quando, na verdade, ele era um líder político hábil.
07:18É, mas talvez ele realmente tivesse
07:19relações conjugais problemáticas.
07:20Não, ele poderia ter,
07:22mas o meu ponto é que, tipo,
07:23não é isso, né?
07:24Que devia ficar só a bibliografia dele.
07:25Mas é preciso falar que o Dom João VI,
07:28ele era uma personalidade muito curiosa.
07:31A gente já sabe que ele engana o Napoleão.
07:33A gente já sabe que ele tenta ganhar tempo
07:35com os britânicos e com os franceses,
07:37que eram as duas grandes superpotências da época.
07:40Mas ele consegue transladar um Estado inteiro
07:45por dois meses dentro de um monte de navio.
07:48Ele consegue construir um império na América,
07:51que vai ser o único império europeu
07:54cuja capital não está na Europa.
07:57O Rio de Janeiro foi a única capital
08:01de um império europeu da história.
08:04Quem é que fez isso?
08:05Essa é a obra do Dom João VI.
08:14Em 1815, o Brasil, ele é levado
08:18ao Estado de Reino Unido de Portugal,
08:20Brasil e Algarve.
08:22Por que isso importa?
08:23Porque é o primeiro momento
08:24que o Reino do Brasil passa a ter
08:26o mesmo Estado que Portugal.
08:28Ou seja, do ponto de vista jurídico,
08:31o Brasil deixa de ser colônia.
08:32A partir de 1815, esse novo reino
08:36passa a ser reconhecido na Europa
08:38pelas grandes monarquias
08:40como equiparado juridicamente à Portugal.
08:46O Dom João VI era um cara esperto.
08:49Ele não queria voltar para Portugal.
08:52E a corte que estava aqui no Rio de Janeiro,
08:54ela pressionava para ele voltar.
08:57O que ele pôde empurrar com a barriga
09:00para ele não voltar para Lisboa, ele fez.
09:01Ele vai enrolar todo mundo até 1821.
09:06Ele só volta para Lisboa em 1821
09:08quando ele recebe um ultimato
09:10e ali a coisa ficou séria.
09:16Depois de 1808 e 1815,
09:19um dos momentos mais importantes
09:20nesse processo é o ano de 1820,
09:23momento em que surge em Portugal
09:24a revolta ou a Revolução do Porto.
09:27Tratava-se de uma rebelião
09:29de caráter liberal,
09:30em que a população portuguesa
09:32passava a demandar a volta da família real
09:34no Brasil desde 1808
09:36e Portugal de fato estava abandonado,
09:39empobrecido durante todo esse período.
09:41E além de exigir a volta da família real,
09:43a volta do rei Dom João VI,
09:45eles passavam a exigir uma constituição.
09:50era uma constituição liberal
09:51e, portanto, demandava
09:53que o rei tivesse seus poderes limitados
09:55e que a população ganhasse na lei
09:57direitos, direitos garantidos pela lei
09:59e, portanto, um rei com limites
10:02e daí falar que essa constituição
10:04era uma constituição liberal.
10:05Em 1820, você tem aí um conflito
10:09entre forças do absolutismo,
10:11que defendia que todos os poderes
10:12ou os principais poderes
10:13deveriam residir na força do rei,
10:15e uma outra corrente,
10:17uma corrente liberal,
10:18que advogava que você precisava
10:20ter limites ao poder real,
10:23limites ao poder imperial.
10:24Então, desse confronto
10:25entre forças absolutistas
10:27e forças liberais,
10:29há essa revolução,
10:30que era, repito,
10:31uma revolução liberal.
10:33Isso chega ao Rio de Janeiro.
10:35E quando chega ao Rio de Janeiro
10:36essa ideia de liberalismo,
10:39de constitucionalismo,
10:40essa ideia emanada
10:41pela revolução do Porto,
10:42os liberais brasileiros
10:44vão receber essa ideia
10:45de forma muito feliz.
10:48Eles concordam, a maior parte,
10:50com a proposta
10:52de se ter uma constituição.
10:53O que eles não esperavam,
10:55no entanto,
10:55é que logo, logo,
10:57essas cortes
10:58fossem defender liberalismo
11:00para Portugal.
11:02e não para o Brasil.
11:03Isso é uma coisa
11:03que aparece muito
11:04nos documentos também.
11:05Sobretudo,
11:06na troca de correspondência
11:07com as províncias,
11:08é muito comum a resposta
11:09de várias províncias,
11:10as mais variadas,
11:11mas desde Minas Gerais,
11:14províncias de São Paulo,
11:15etc.,
11:16falando,
11:16poxa,
11:16mas eles querem
11:17um movimento liberal
11:18e justamente não tem nada
11:19de liberal
11:20no que a Revolução do Porto
11:21quer fazer com a gente.
11:21Porque o sentido
11:22de ser liberal na época
11:24significava
11:25contenção institucional
11:26de poderes reais,
11:28de poderes acima,
11:30do que depois
11:31a gente vai chamar
11:31de sociedade civil,
11:32indivíduos.
11:33E justamente
11:34o que a Revolução do Porto
11:35queria fazer
11:35com a então
11:37América Portuguesa,
11:38como eles gostavam
11:39de marcar
11:39que era a América Portuguesa,
11:41era diminuir os poderes,
11:42era limitar os poderes
11:43e voltar
11:43para um estágio
11:45quase como o que
11:46anterior ao do Reino Unido.
11:47E eles chegam
11:47a mencionar também
11:48na documentação
11:49que é quase um retorno
11:50a um modelo colonial
11:51que existe antes
11:52de Dom João chegar no Rio.
11:54Eles falam isso
11:55explicitamente
11:55em alguns documentos,
11:56inclusive.
11:56Então o retorno
11:58a um liberalismo
12:00para os portugueses
12:01era muito claro
12:02para as elites políticas
12:03que estavam no Brasil
12:04naquele momento.
12:05Na prática,
12:07para o Brasil,
12:08o que a Revolução do Porto
12:10vai significar
12:10lá em 1821
12:12é uma tentativa
12:13de recolonizar.
12:14Mas a população brasileira
12:16ou até mesmo
12:16a elite luso-brasileira
12:18no Rio de Janeiro
12:19não vai aceitar
12:20essa volta
12:21ao status colonial.
12:22Imagine,
12:23desde 1808
12:24o Rio
12:24é capital do império
12:26e a partir de 1820
12:27e 1821
12:28passa-se a desejar
12:30lá em Portugal
12:30que o Brasil
12:32volte a ser colônia.
12:33Isso era algo
12:34impensável
12:35naquele momento.
12:36Mas a pressão
12:36é forte
12:37a ponto de
12:38se jurar
12:39no Brasil
12:39uma suposta
12:41Constituição
12:41portuguesa.
12:44As cortes
12:46que estão reunidas
12:47em 1821
12:48em Portugal
12:49começam a criar
12:50uma Constituição
12:51à revelia do rei
12:53e a revelia
12:54inclusive
12:55dos deputados
12:56brasileiros
12:56que demoram
12:57a chegar
12:58para participar
12:59dessa confecção
13:00condicional.
13:02Acontece que
13:02mesmo sem
13:03Constituição
13:04uma delegação
13:05portuguesa
13:06chega ao Rio
13:06de Janeiro
13:07e exige
13:08que a família
13:09real
13:09jure a Constituição
13:11mesmo sem ela
13:12não existir.
13:12Inclusive o livro
13:13da assinatura
13:14que é um livro vazio
13:15não tem uma Constituição
13:16lá por isso que você falou
13:17a Constituição não estava
13:18pronta
13:18é um dos livros
13:19mais bonitos
13:19que a gente tem
13:20no arquivo geral
13:20a gente tem uma edição
13:21desse livro lá
13:22eu acho que é realmente
13:23o livro mais bonito
13:24que a gente tem
13:24e é curioso
13:26que a primeira assinatura
13:27não é do Dom João
13:28a primeira assinatura
13:29é do Dom Pedro
13:30depois vem a assinatura dele.
13:48E as assinaturas dele
13:49seguem-se
13:50muitas assinaturas
13:51algumas
13:52muitas páginas
13:53de assinatura
13:53porque
13:54parte da população
13:55que está lá
13:55também
13:56pedem para eles
13:57assinarem também
13:58o documento.
13:58Na verdade
13:58a elite
13:59precisa assinar
14:00
14:01que o futuro
14:02Pedro I
14:03assina pela manhã
14:04e pela parte da tarde
14:05o Dom João VI
14:06ele sai de São Cristóvão
14:07do Passo de São Cristóvão
14:09e ele assina
14:09esse mesmo documento
14:11mas ele vai assinar
14:12nesse caso
14:12o que hoje
14:13é a Praça 15
14:13no que naquele momento
14:14era chamado
14:15de Largo
14:16a do Passo.
14:29Então o que acontece
14:30em fevereiro de 1821
14:33o Dom João VI
14:34ele jura uma constituição
14:36que está sendo feita
14:37jura as bases
14:38dessa constituição
14:38e o Pedro I
14:40também o faz
14:40como herdeiro natural
14:41ao trono.
14:42Mais do que isso
14:44essas cortes
14:45passam a pressionar
14:47ao longo de 1821
14:48que a família real
14:50volte para Portugal
14:51mas ele não cumpre
14:53exatamente
14:53as ordens completas
14:55as ordens completas
14:56é que ele voltasse
14:56para Portugal
14:57com toda a família
14:58o que ele faz?
14:59Ele volta
15:00com a Carlota Joaquina
15:02mas ele deixa
15:03o Pedro I
15:03com a Leopoldina.
15:08O Dom João VI
15:09ele sai do Rio de Janeiro
15:10em abril de 1821
15:12mas quando ele chega
15:13em Lisboa
15:14ele tem uma decepção
15:15logo de início
15:16ele é proibido
15:18de desembarcar
15:19e alguns
15:20dos seus
15:20mais próximos
15:22assessores
15:22também não podem
15:24deixar o navio
15:24e é muito curioso
15:26porque é um rei
15:27que sai do Brasil
15:28muito querido
15:29um rei
15:30que é demandado
15:31para que fique
15:32e quando ele chega
15:32em Portugal
15:33ele percebe
15:35que aqueles anos
15:36de absolutismo
15:37eles estavam
15:38com os descontados
15:39porque ele passa
15:40a ser
15:40na verdade
15:41uma espécie
15:42de rei
15:43muito limitado
15:45pela força
15:46das cortes
15:46e a partir desse momento
15:48que nós percebemos
15:49na correspondência
15:50do Dom João VI
15:51é uma certa tristeza
15:53uma amargura
15:54e até mesmo
15:54um arrependimento
15:55em que ele percebe
15:56que quando ele está
15:58em Lisboa
15:59e aí
16:00são palavras
16:01que vão ser utilizadas
16:02pelo Pedro I
16:02a posteriori
16:03o Dom João
16:04é uma espécie
16:05de refém
16:05é uma espécie
16:06de prisioneiro
16:07das cortes
16:08ou seja
16:09ele não tem
16:11o status
16:11de pai bondoso
16:13de rei querido
16:15que ele tinha
16:15no Rio de Janeiro
16:16a gente pode dizer
16:17que o Dom João VI
16:18de alguma forma
16:19ele se arrepende
16:20de ter deixado
16:21o Rio de Janeiro
16:22nesse momento
16:22e quando a gente
16:23estava mexendo
16:23na documentação
16:24a gente encontrou
16:25uma coisa que
16:26muito pouco explorada
16:28que para nós
16:28era quase inédita
16:29se é que não é
16:30realmente inédita
16:31que era uma tentativa
16:32um projeto
16:33de elaboração
16:34do Senado da Câmara
16:34junto com as elites políticas
16:36de um fico
16:37do Dom João
16:38que não acontece
16:39mas os negociantes
16:40com o Senado da Câmara
16:40pedem a permanência
16:42de Dom João
16:42no Brasil
16:43que responde
16:44sentido
16:45triste
16:46pelo menos é assim
16:47que narram as cartas
16:48que não vai poder
16:49atender esse pedido
16:50porque a pressão
16:50já tinha chegado
16:51a um certo ponto
16:52que ele não podia
16:53voltar atrás
16:54com a ida a Portugal
16:55por mais que tenha sido
16:57eu diria
16:58uma tentativa válida
16:59que reuniu
17:00muitas assinaturas
17:01houve pressão
17:01da sociedade civil
17:02de então
17:03a pressão
17:04era muito grande
17:05de Portugal
17:05e era muito grande
17:07também
17:07de alguns nobres
17:08portugueses
17:09no Rio de Janeiro
17:09que queriam voltar
17:10porque o Dom João VI
17:12quando ele vem
17:12em 1808
17:13ele havia prometido
17:15para o país
17:16que quando passasse
17:17as guerras napoleônicas
17:18ele voltaria
17:19só que o Napoleão
17:20é derrotado em 1815
17:21e o Dom João VI
17:22engana todo mundo
17:23o João VI
17:23vai enrolando
17:24todo mundo
17:25e fica até 1821
17:27no entanto
17:28quando dá abril
17:29de 1821
17:30ele não tem
17:31muito para onde correr
17:31chega um ultimato
17:33e ele é obrigado
17:35a se retirar
17:37do Rio de Janeiro
17:37e ele retorna
17:38a Portugal
17:39seguindo as determinações
17:41das cortes
17:47fala-se muito
17:48do fico
17:49do Pedro I
17:49mas houve
17:51uma tentativa
17:51de fico
17:52do Dom João VI
17:53esse fico
17:54que não deu certo
18:21dentro da arquivologia
18:23a gente tem
18:24alguns caminhos
18:25a seguir
18:26e a minha paixão
18:27sempre foi
18:27pelo arquivo permanente
18:29a guarda permanente
18:30isso sempre me encantou
18:31não posso dizer
18:32que eu não gosto
18:33de gestão documental
18:34não posso dizer
18:35mas eu tenho
18:36muito mais afinidade
18:37com a guarda
18:39a salvaguarda
18:40da documentação
18:41isso me encanta
18:42muito mais
18:42e dá acesso
18:43ao pesquisador
18:44é isso que
18:47motiva
18:47meu trabalho
18:48fica dinâmico
18:49eu gosto
18:50cada dia
18:51é um pesquisador
18:52diferente
18:52cada dia
18:53é um documento
18:54diferente
18:54que eu tenho
18:55que ler
18:55que eu tenho
18:56que abrir
18:56que eu tenho
18:56que guardar
18:57que eu tenho
18:57que buscar
18:58e eu gosto
19:00dessa dinâmica
19:00essa rotina
19:02cotidiana
19:27é impossível
19:30você não se emocionar
19:32nem se encantar
19:33com o que é
19:34o arquivo permanente
19:35eu acho que
19:36é mais ou menos isso
19:37e cada instituição
19:38que você trabalha
19:39no arquivo permanente
19:41é uma história diferente
19:43é um acervo diferente
19:45essa é uma emoção
19:46diferente
19:47porque cada um
19:48conta a sua história
19:49exato
19:50e aí
19:50quando eu vou
19:53trabalhar
19:53com a preservação
19:55eu parei
19:56ali na preservação
19:57porque eu queria
19:58cuidar daquilo
19:59eu queria entender
20:00melhor aquilo
20:01como é que esse
20:02por que que esse papel
20:03ficou amarelo
20:04eu não quis ficar
20:05só na teoria
20:06eu quis
20:07um pouco mais
20:08do que
20:09da teoria
20:10entender por que
20:11que
20:11a umidade
20:12e a temperatura
20:14interferem
20:15nos objetos
20:17em qualquer objeto
20:18não é só
20:19no papel
20:20é no meu corpo
20:21também
20:21então você
20:22eu comecei
20:23a gostar
20:24do que é preservar
20:25do que é cuidar
20:26e é um controle diário
20:28além das questões
20:29que eu falei
20:30a gente tem que ver
20:31se a persiana está fechada
20:32porque não pode entrar sol
20:33a gente tem que ver
20:35se a umidade está controlada
20:37se o ar-condicionado está ligado
20:38na temperatura
20:39que tem que estar ligado
20:40o que que vai acontecer
20:58a posteriori
20:59quando o Dom João
21:00está em Portugal
21:01você passa a ter
21:03no Rio de Janeiro
21:04uma discussão
21:05muito importante
21:06que é
21:06o que vamos fazer
21:07de agora em diante
21:08qual é o futuro do Brasil
21:10quais são os caminhos
21:11que devem ser perseguidos
21:12a coisa se torna
21:14mais complicada
21:15no final
21:16no segundo semestre
21:17de 1821
21:18mais especificamente
21:19em setembro
21:20começam a chegar
21:22notícias de Portugal
21:22de que as cortes
21:25passam a ser
21:26muito draconianas
21:27com o Brasil
21:27o caldo entorna
21:29em dezembro
21:30de 1821
21:31momento
21:32em que o cenário
21:33da Câmara do Rio
21:34recebe a notificação
21:36de que o Pedro I
21:38tem que voltar
21:38para Portugal
21:39e que todas
21:40as suas decisões
21:41tomadas
21:42desde a volta
21:43de Dom João VI
21:44elas tem que ser desfeitas
21:45o que que passa
21:47a acontecer
21:47nesse momento
21:48uma série
21:49de associações
21:50de classe
21:50uma série
21:51de indivíduos
21:51importantes
21:52na elite
21:52se articulam
21:53liderado
21:54pelo
21:55José Pereira Clemente
21:57que é o presidente
21:58do Senado
21:58da Câmara do Rio de Janeiro
21:59eles passam
22:01a se articular
22:02passam a coletar
22:03assinaturas
22:04pedindo
22:05que o futuro
22:06Pedro I
22:06fique no Brasil
22:07fique no Rio de Janeiro
22:08entre dezembro
22:10de 1821
22:11e janeiro
22:12primeira semana
22:13de janeiro
22:13de 1822
22:14eles conseguem
22:16aliciar
22:16a extraordinária
22:18cifra
22:18de mais de
22:198 mil assinaturas
22:20essas 8 mil
22:22assinaturas
22:22que são coletadas
22:23elas são levadas
22:24até o Pedro I
22:25há um ponto
22:27interessante
22:27que é o fato
22:29de que 8 mil
22:30assinaturas
22:30entre dezembro
22:32de 21
22:33e janeiro
22:34de 22
22:34sem uma quantidade
22:36fenomenal
22:37de assinaturas
22:38para uma população
22:39se você contar
22:41indígenas
22:41se você contar
22:42escravizados
22:43se você contar
22:43toda a população
22:44do Rio de Janeiro
22:45nós estamos falando
22:47de uma população
22:47entre 110
22:48e 120 mil
22:50habitantes
22:50ou seja
22:51em pouco mais de um mês
22:53você consegue
22:54assinatura
22:55de mais de 8 mil
22:56indivíduos
22:56uma cifra
22:57repito
22:58extraordinária
22:58inclusive eu lembro
23:00no momento
23:00que a gente achou
23:01o alto do fico
23:02a gente estava
23:03na expectativa
23:04de ver o alto do fico
23:05a gente imaginou
23:05que ia ser um negócio
23:06tão portentoso
23:07quanto o livro
23:08da constituição
23:09que a gente comentou
23:09que é um livro bonito
23:11lindo
23:11um capamento maravilhoso
23:13e a gente ficou surpreso
23:14quando viu que na verdade
23:15o alto do fico
23:16está num códice
23:17com atas de veriação
23:19como um documento
23:21um documento qualquer
23:21ele aparece lá
23:22no meio da documentação
23:23sobre carne verde
23:24sobre calçamento
23:25sobre qualquer coisa
23:26e a gente até demorou
23:27a reconhecer
23:28porque ele não é um documento
23:29muito fácil de ler
23:30mesmo para quem
23:30já tem uma certa experiência
23:32com leitura de paleografia
23:34com aquela caligrafia
23:35antiga do século XIX
23:36e a gente começou
23:37a ler o documento
23:38e a gente demorou
23:40a perceber
23:40que era o alto do fico
23:41muito porque
23:42uma parte importante
23:44do documento
23:45está rasurada
23:45que é no final da folha
23:46lá embaixo
23:47a resposta do imperador
23:49é difícil demais de ler
23:50porque o documento
23:51na verdade
23:52é o pedido
23:53do senado da câmara
23:54para que Dom Pedro fique
23:55então a gente tem lá
23:57a declaração do senado
23:58pedindo para ele ficar
23:59depois é transcrito
24:00uma resposta
24:01de Dom Pedro
24:02e em seguida
24:03da resposta
24:03vem já uma parte
24:04burocrática
24:05dizendo quem estava lá
24:06quem assistiu
24:07quais eram os vereadores
24:08presentes
24:08enfim
24:09e o documento
24:09está rasurado
24:10acho que isso é importante
24:11contar
24:11que o documento
24:12está rasurado
24:12é e uma das coisas
24:13que mais chamou
24:14a nossa atenção
24:14é essa
24:15o documento
24:15está rasurado
24:16no cantinho
24:16de uma das folhas
24:17no final
24:18na verdade
24:18perto de onde
24:19se iniciam as assinaturas
24:21tem uma rasura
24:22escrito declaração
24:23nesse mesmo documento
24:25e essa declaração
24:27diz que na verdade
24:28as palavras ditas
24:29pelo imperador
24:30não eram as palavras
24:31que estavam
24:31naquele documento
24:32eram outras
24:33que são essas palavras
24:34famosas
24:35que a gente já conhece
24:36da história do Fico
24:36sé para o bem de todos
24:38e felicidade geral da nação
24:40diga
24:41estou pronto
24:42diga ao povo que fico
24:43estou pronto
24:43a gente sempre esquece
24:44do estou pronto
24:44mas estou pronto
24:46diga ao povo que fico
24:50inclusive
24:50esses foram
24:50os primeiros documentos
24:51não sei se o Eliseu
24:52vai lembrar
24:52desse momento
24:53que a gente tinha achado
24:54mas ainda fora de contexto
24:55quando a gente começou
24:56a buscar as atas de veriação
24:58a gente achou
24:58esse documento
24:59do dia 10
24:59é uma ata de veriação
25:00muito curta
25:01é um parágrafo só
25:02apenas pedindo desculpa
25:04falando
25:04nós erramos na impressão
25:06das palavras do imperador
25:07porque nós estávamos
25:09tomados de alegria
25:10e tudo mais
25:11e que as palavras
25:12corretas teriam sido
25:13as palavras famosas
25:15e essa ata
25:15não é assinada
25:16nem pelo vereador
25:17nem pelo escrivão
25:18para dar garantia
25:20de que era verídica
25:20a ata vai assinada
25:22pelo presidente
25:23do senador
25:23então o que a gente imagina
25:26na verdade
25:26essa rasura
25:27provavelmente estava lá
25:28porque o documento
25:30foi originalmente
25:31colado na cidade
25:32com as palavras
25:33originais do Dom Pedro
25:34que eram palavras
25:36contemporizadoras
25:36que
25:37nas quais ele não
25:38assumia imediatamente
25:40que ia ficar
25:41e enfrentar
25:42as cortes gerais
25:42ele estava
25:43com medo das cortes
25:44é exatamente
25:44ele temia
25:45pelo que podia acontecer
25:46então ele estava
25:46não vamos ver
25:47o que pode acontecer
25:48e tudo mais
25:48mas
25:49é possível que
25:51o povo
25:52quando olhou
25:52aquilo lá
25:53pela cidade
25:54falou
25:54
25:55mas ele não vai ficar
25:56ele não acatou
25:56nosso pedido
25:57assim com veemência
25:58e aí
25:58por causa
25:59da reação
26:01complicada
26:01do povo
26:02tenha surgido
26:03essa rasura
26:03no documento
26:04e a gente sabe disso
26:04porque a gente tem
26:05uma outra veriação
26:06do dia seguinte
26:06no dia 10 de janeiro
26:09com um pedido
26:10de desculpas
26:10do senado
26:11da câmara
26:11dizendo o seguinte
26:13não na verdade
26:14gente
26:14as palavras
26:15do imperador
26:15não foram bem essas
26:17contemporizando
26:18a gente que errou
26:19e a gente errou
26:20porque
26:21na verdade
26:22ele disse que ia ficar
26:23e a gente ficou tão feliz
26:24quando ele disse que ia ficar
26:25e a gente perdeu um pouco
26:27no que ele estava falando
26:27e escreveu o documento errado
26:29e aí eles publicam
26:30essa veriação
26:31no dia 10
26:31com uma segunda versão
26:32que é a versão
26:33que a gente conhece
26:34que é a versão
26:35do fico
26:35esse foi um dos primeiros
26:36documentos que a gente achou
26:37essa ata do dia 10
26:38e ela estava descontextualizada
26:40porque
26:40a gente não conseguia ler
26:41do dia 9
26:42porque
26:42uma coisa curiosa
26:44é que no momento
26:44da restauração
26:45do documento
26:46do código
26:46do livro antigo
26:47onde a documentação fica
26:49as páginas foram embaralhadas
26:50então a gente não tinha
26:51muita clareza ainda
26:52de que aquilo era o fico
26:53então a gente achou
26:54a veriação do dia 10
26:56pedindo desculpas
26:57pelo erro
26:57antes da veriação do dia 9
26:59e eu lembro
27:00quando eu achei
27:00eu meio que me convenci
27:02da resposta
27:02eu falei
27:02ah eles devem ter errado
27:03uma grafia
27:04de alguma palavra
27:05eles devem ter errado
27:06uma coisinha boba
27:07pô fiquei até espantado
27:08da página não estar suja
27:09de vinho
27:09porque eu esperaria
27:10isso da página
27:11mas depois
27:12a gente entendeu
27:13quando a gente conseguiu
27:14colocar as coisas
27:15em ordem
27:16o que na verdade
27:16tinha acontecido
27:17o fico foi
27:18um passo fundamental
27:20no processo de independência
27:21porque é o primeiro momento
27:23em que o Dom Pedro I
27:25ele desacata
27:27de forma direta
27:28uma ordem das cortes
27:29e é um momento
27:30que ele acata
27:31a solicitação
27:32da elite
27:33que está instalada
27:34no sudeste do Brasil
27:35ou seja
27:36podemos dizer
27:37que a independência
27:38ela começa
27:39a ganhar
27:40alguma intensidade
27:42nesse momento
27:42é verdade
27:43então tem independência ainda
27:44mas o processo
27:46começa a se tornar
27:46mais agudo
27:47mais crítico
27:48por exemplo
27:49no pós-fico
27:51a população
27:52começa a se animar
27:54e é verdade
27:55a ideia central
27:56nesse momento
27:57peguemos por exemplo
27:58a ideia do José Bonifácio
28:00era que você mantivesse
28:01dois parlamentos
28:02um parlamento
28:03no Rio de Janeiro
28:03um parlamento em Lisboa
28:04você mantivesse
28:06o Dom João VI
28:07em Lisboa
28:07e o Pedro I
28:08no Brasil
28:08e depois alternasse
28:10houve inclusive
28:11uma sugestão
28:12de que
28:12o rei
28:13e o príncipe
28:14herdeiro
28:15ficasse seis meses
28:16aqui e seis meses
28:17
28:17a ideia de fato
28:18era manter
28:19a ideia
28:20do Reino Unido
28:21de Portugal
28:21Brasil e Algarve
28:23quando
28:24é percebido
28:26pela elite
28:26que a ideia
28:27de continuidade
28:29começada
28:30em 1815
28:31do Reino Unido
28:32não é mais possível
28:33você começa
28:34a ter
28:35a aceleração
28:37para a independência
28:38tanto é que
28:387 de setembro
28:39que a gente
28:40comemora
28:40hoje
28:41a data
28:41da independência
28:43do Brasil
28:44feriado
28:44não era uma data
28:46relevante
28:46na época
28:46os documentos
28:47não citam
28:48o 7 de setembro
28:49como uma data
28:49relevante
28:50quando você
28:51vê os documentos
28:51do processo
28:52de independência
28:52ou seja
28:53a partir de 1822
28:55mesmo
28:55quando você já
28:56tem uma ideia
28:57de ruptura
28:58política
28:58com Portugal
28:59mesmo
28:59quando as pessoas
29:00vão se referir
29:01nos documentos
29:02eu digo
29:02tanto
29:04do Rio de Janeiro
29:04como a troca
29:05de correspondência
29:06com as províncias
29:06que a gente
29:07também viu
29:08em que você tem
29:08que se corresponde
29:09às províncias
29:10sobre o processo
29:10se referem a dois
29:12movimentos como muito
29:13importantes nesse processo
29:14o FICO
29:15e a aclamação
29:16do 12 de outubro
29:17essas são as datas
29:18que são consideradas
29:19de fato
29:19muito importantes
29:20na época
29:20o 7 de setembro
29:21é uma data
29:21muito apagada
29:24o Brasil
29:24não tem uma ata
29:26de independência
29:26é verdade
29:27lá nos Estados Unidos
29:28eles têm um documento
29:29uma ata de independência
29:30o Brasil não tem
29:31o Brasil não tem
29:31uma declaração
29:32de independência
29:33o que nós temos
29:34ou melhor
29:34o que poderíamos ter
29:35seria um documento
29:37que vai ser criado
29:38no Conselho de Estado
29:40um documento esse
29:41que de fato
29:41vai ser assinado
29:42por todos os conselheiros
29:43e pela Leopoldina
29:44que nesse momento
29:45era regente
29:47do Brasil
29:48ou seja
29:49a Leopoldina
29:49foi a primeira
29:50chefe de Estado
29:51mulher do Brasil
29:52no dia 2 de setembro
29:54ela reúne
29:55o Conselho de Estado
29:55Conselho de Estado
29:57esse que terá
29:58a figura
29:58bastante relevante
29:59do Zé Bonifácio
30:00e a ata
30:02emanada
30:02ao final
30:03dessa reunião
30:04é que a coisa
30:05está ficando feia
30:06que as cortes
30:07estão cruzando
30:09linhas vermelhas
30:10que as cortes
30:10estão tentando
30:11recolonizar o Brasil
30:12e que o Pedro I
30:13deveria
30:14romper
30:15esse relacionamento
30:16oficialmente
30:17o Pedro I
30:18vai a São Paulo
30:19nesse momento
30:20para pacificar
30:21a política
30:22na província
30:22de São Paulo
30:23e para visitar
30:24a família
30:25dos Andradas
30:26que morava em Santos
30:27e nesse caminho
30:28de Santos
30:29até São Paulo
30:30ele passa
30:30pelo Ipiranga
30:31um local
30:33célebre
30:34pela famosa
30:35pelo hipotético
30:36grito do Ipiranga
30:37grito que a gente sabe
30:38que não aconteceu
30:40mas ele estava
30:41lá no Ipiranga
30:42mas o grito
30:42a gente sabe
30:42que não aconteceu
30:43cara
30:44ele estava
30:45no Ipiranga
30:45porque ele foi
30:46encontrar com a Domitila
30:47que a casa do pai
30:48do Domitila
30:49ficava no Ipiranga
30:50então
30:51eles ficaram juntos
30:52
30:52vamos dizer assim
30:53estamos portanto
30:55nesse momento
30:55em setembro
30:56de 1822
30:58quando o Pedro I
30:59recebe
31:00no Ipiranga
31:01a correspondência
31:03de que ele foi
31:04intimado a voltar
31:05que as cortes
31:06haviam anulado
31:07as suas decisões
31:08é nesse momento
31:09que é um parado
31:10por cartas
31:10da princesa Leopoldina
31:12cartas
31:13a do representante
31:14diplomático
31:14da Inglaterra
31:15cartas
31:16do José Bonifácio
31:17e o despacho
31:19do Conselho
31:20de Estado
31:20ele toma
31:21a sua decisão
31:22a decisão
31:23de enfim
31:23romper
31:24definitivamente
31:25com Portugal
31:26a partir desse momento
31:27então
31:27ele retira
31:29da sua casaca
31:30retira
31:30da sua roupa
31:32as condecorações
31:33estão utilizadas
31:34e ele diz
31:35que naquele momento
31:36Brasil e Portugal
31:37estariam separados
31:38e naturalmente
31:39passa a utilizar
31:40as insígnias
31:41as cores
31:41verde e amarelo
31:42isso acontece
31:44no dia 7
31:44de setembro
31:45de 1822
31:46mas a decisão
31:47só se consolida
31:48de fato
31:49no dia 12
31:50de outubro
31:51o que acontece
31:51no dia 12
31:52de outubro
31:52é nesse momento
31:54que ele é
31:55aclamado
31:56imperador
31:56e o 12
31:57de outubro
31:58era considerado
31:59ao longo
31:59do século XIX
32:00uma data
32:01muito importante
32:02talvez uma das
32:03mais importantes
32:03datas cívicas
32:05da história
32:05do Brasil
32:05porque é
32:07quando o Brasil
32:07passa a ter
32:08o seu primeiro
32:10chefe de Estado
32:10momento que o Brasil
32:11passa a ter
32:12a sua primeira
32:13personalidade política
32:14não mais como
32:16de Reino Unido
32:16de Portugal
32:17Brasil
32:17ou Garve
32:18mas como
32:19o primeiro
32:20imperador
32:21constitucional
32:22desse novo país
32:23que está nascendo
32:24que será o Brasil
32:27nesse momento
32:28não tem mais volta
32:29nesse momento
32:30ele aceita
32:31esse título
32:32de imperador
32:32e o passo seguinte
32:34será naturalmente
32:35a sua sagração
32:36e coroação
32:37que será realizada
32:38no dia 1º de dezembro
32:39na Capela Imperial
32:40no centro do Rio de Janeiro
32:42e naquele momento
32:44não há mais
32:45o que duvidar
32:46o Brasil de fato
32:47havia rompido
32:48definitivamente
32:49uns laços
32:50com Portugal
32:51e como é que nós
32:52como que se termina
32:53essa história
32:54essa história
32:55na verdade
32:56não terá lá
32:56um desfecho
32:57muito feliz
32:57porque nós
32:58teremos guerras
32:59as forças
33:00portuguesas
33:01estacionadas no Brasil
33:03e as decisões
33:05emanadas
33:05das cortes
33:06lá em Portugal
33:08vão
33:09de alguma forma
33:10responder de forma
33:11belicosa
33:11ou seja
33:12haverá guerra
33:12haverá guerra
33:13no Rio de Janeiro
33:14na Bahia
33:15no Piauí
33:16no Pará
33:17em várias províncias
33:18a guerra de fato
33:19ela acontece
33:19com muitas mortes
33:20ou seja
33:21você tem um processo
33:23que infelizmente
33:24desata
33:24em conflito
33:26militar
33:51no meu caso
33:52quando eu vou trabalhar
33:53uma documentação
33:54histórica
33:56independente
33:57se a documentação
33:57é histórica
33:58ou não
33:58a minha preocupação
34:00é em cuidar
34:01a minha preocupação
34:02é zelar
34:03quando você está
34:04diante
34:04de um documento
34:08ou de algum
34:08eu digo
34:10quando você pensa
34:12sobre qualquer aspecto
34:13se for um monumento
34:14se for um documento
34:15se for algum objeto
34:17a minha curiosidade
34:18vem daí
34:19o meu interesse
34:20vem daí
34:20nossa
34:20como é que você está
34:21sobrevivendo
34:21há tanto tempo
34:23e como é que
34:24como é que você está
34:25durando assim
34:26dessa forma
34:27poxa que oportunidade
34:29que eu tenho
34:29de poder estar vendo isso
34:30isso é muito bom
34:31eu gostaria que todos
34:32tivessem essa oportunidade
34:33também
34:41o quadro do Pedro Américo
34:43confeccionado em 1888
34:45portanto
34:46muito tempo
34:46depois
34:47de 1822
34:48ele não é muito
34:49fidedigno
34:50do que aconteceu
34:51de fato lá
34:51se você se lembrar
34:53bem do quadro
34:54ele está em cima
34:54de um imponente
34:55cavalo
34:56comandando
34:57tropas
34:58muito bem montadas
34:59quase todos
35:01brancos
35:01uma população
35:02vasta
35:03o Pedro I
35:04quando ele recebe
35:05a correspondência
35:06do Rio de Janeiro
35:07narrando o que está
35:08acontecendo
35:09ele estava sozinho
35:10na verdade
35:11com uma pequena
35:11comitiva
35:12e será apenas
35:13a posteriori
35:14que ele vai se encontrar
35:16com um grupo maior
35:16de pessoas
35:17é um quadro
35:18para ficar para a história
35:19foi um quadro
35:20encomendado
35:21para ser uma grande cena
35:22da formação nacional
35:23e uma cena
35:24que vai se entrar
35:25para a história
35:25era inspirado
35:26naquele quadro
35:26do Napoleão III
35:28essa polêmica
35:29a polêmica
35:30de que talvez
35:31o Pedro Américo
35:32tivesse inclusive
35:34plagiado
35:35ou tivesse
35:35eu diria
35:36se inspirado
35:38em demasia
35:39em dois quadros
35:40que retratavam
35:41Napoleão
35:43é igual
35:44não é porque
35:44é um estilo neoclássico
35:45comum da época
35:47é muito igual
35:47é muito igual
35:48mas em pintura
35:48é normal
35:49você pegar uma obra
35:50de referência
35:50e fazer
35:51é muito igual
35:52deixa eu pegar
35:52só o ano aqui
35:53o nome da batalha
35:54Napoleão III
35:55na batalha
35:55de Solferino
35:56que é uma pintura
36:00uma pintura
36:01intitulada
36:01é isso aqui
36:02Napoleão III
36:02na batalha
36:03é muito igual
36:04é mas
36:05eu não acho
36:06que isso é um problema
36:07para a pintura
36:08do século XIX
36:08era assim mesmo
36:09os especialistas
36:10falam que isso é plástico
36:11mas eu vou falar
36:11que é uma polêmica
36:12vai
36:13isso é uma construção
36:14a ideia
36:15inclusive passa
36:16por uma construção
36:17de identidade nacional
36:18do que a gente
36:19se entende
36:20como país
36:21e o que a gente escolhe
36:22como datas importantes
36:23para nós mesmos
36:24toda data
36:25em alguma medida
36:27algumas com mais lastro
36:29outras com menos
36:29vai ser um pouco
36:30de construção histórica
36:31no caso do 7 de setembro
36:32a gente tem uma carga
36:33maior de construção
36:36vai ser
36:37de fato
36:37vai ser feriado nacional
36:38só no século XX
36:39que vai ser um feriado nacional
36:41e passa por uma série
36:43de questões
36:43primeiro
36:44é sempre bom
36:45evidenciar isso
36:45os próprios atores
36:47na época
36:47não entendiam
36:48esta data
36:48como a principal data
36:50que marca
36:51a independência
36:52que marca a ruptura
36:53a gente tem
36:54no século XX
36:54o crescimento econômico
36:56político
36:56e cultural
36:57de São Paulo
36:57que ganha
36:58um protagonismo histórico
36:59que não tinha
37:00no século XIX
37:01era uma província
37:02pequena
37:03não tão relevante
37:04assim
37:04não tão relevante
37:05enfim
37:05então na medida
37:06que vai ganhando
37:07importância
37:08você precisa
37:10mobilizar o passado
37:11para justificar
37:12essa importância
37:13então o fato
37:14do 7 de setembro
37:14ter sido
37:16nas margens
37:17do Ipiranga
37:17que é em São Paulo
37:19dá ali
37:20uma importância
37:21também para isso
37:34depois que a gente tem
37:37a coroação
37:38a sagração
37:38e você tem
37:40essa troca
37:40de correspondência
37:41entre as províncias
37:41pelo Senado da Câmara
37:43a gente viu
37:44basicamente
37:45sei lá
37:455 mil páginas
37:46sobre isso
37:47muita coisa
37:49você tem
37:50troca de correspondência
37:51entre as províncias
37:51que é basicamente
37:53não só comunicando
37:55mas porque comunicando
37:56pode passar uma ideia
37:57de que foi uma coisa
37:58imposta
37:58não foi na verdade
37:59o que a documentação
38:00mostra é
38:01olha isso aqui
38:01está acontecendo
38:02então vocês
38:03da província de São Paulo
38:04da província de Minas Gerais
38:07Grão-Pará e Maranhão
38:09Piauí
38:09etc etc
38:11a gente quer que vocês
38:12aclamem o imperador
38:14então vocês respondem
38:14e a gente tem
38:15isso é curioso
38:16porque isso também
38:18é uma das belezas
38:19de você trabalhar
38:20com fontes primárias
38:21porque às vezes
38:22o silêncio
38:22revela muita coisa
38:23então justamente
38:24quais são as províncias
38:26que menos respondem
38:26Pernambuco
38:27por exemplo
38:29Bahia
38:29entre outras
38:30que não aceitaram
38:31de cara
38:32o processo de dependência
38:32e vai ter
38:34uma série de conflitos
38:35com elas
38:35durante aqueles anos
38:37até você consolidar
38:38o processo
38:38acho que não só
38:39conflitos
38:40como sanções também
38:41a gente tem uma documentação
38:42até relativamente extensa
38:44de sanções econômicas
38:47dessas províncias
38:47então impedimento
38:48de transporte de farinha
38:50por exemplo
38:50a gente tem esse tipo de caso
38:51a gente tem um documento
38:52por exemplo
38:53que é um comerciante
38:54pedindo para transportar
38:55do Rio de Janeiro
38:56para Pernambuco
38:57um carregamento de farinha
38:58e a resposta é que
38:59não tem razão
39:00esse pedido
39:00porque os portos
39:02de Pernambuco
39:02estão fechados
39:03você tem um embargo
39:04econômico para Pernambuco
39:05porque Pernambuco
39:06não aceitou
39:07o processo de dependência
39:08e havia uma razão
39:09para esse tipo
39:10de embargo
39:10na documentação
39:11que é o fato
39:12de que o Brasil
39:13estava em guerra
39:14em guerra
39:15de independência
39:16para o Portugal
39:16então as tropas portuguesas
39:18instaladas
39:19em muitas dessas províncias
39:21pegam em armas
39:22e as tropas brasileiras
39:24são montadas
39:24de alguma forma
39:26para defender
39:26ou para lutar
39:27e para de fato
39:28vencer a independência
39:29vamos lembrar
39:30que esse processo
39:31de luta
39:32pela independência
39:33pelas armas
39:34vai durar
39:35pelo menos
39:36até julho
39:37de 1823
39:38lembremos por exemplo
39:40que o dia 2 de julho
39:41de 23
39:41é uma data
39:43o dia 2 de julho
39:43é uma data
39:44muito importante
39:44por exemplo
39:45para os baianos
39:45que é a data
39:46em que consolida
39:47a vitória
39:48a baiana
39:50nesse processo
39:51contra as forças portuguesas
39:52é feriado até hoje
39:53e é curioso
39:54porque nesse momento
39:56esses problemas
39:57a guerra de independência
39:58chega a tal ponto
39:58que os estrangeiros
39:59tem que jurar
39:59fidelidade e obediência
40:01quando chegam
40:01ao porto do Rio de Janeiro
40:02e isso vale inclusive
40:03para aqueles
40:04que não estavam acatando
40:05os termos da independência
40:06como por exemplo
40:07baianos e pernambucanos
40:08a gente tem hoje
40:09uma ideia de brasilidade
40:11mais firme
40:12de que todo mundo é brasileiro
40:13o cara que está em Pernambuco
40:14o cara que está na Bahia
40:14todo mundo é brasileiro
40:15mas naquela época
40:16a brasilidade
40:17ainda estava se construindo
40:19então naquele momento
40:20esse pessoal
40:21era visto como estrangeiro
40:22porque eram rebeldes à causa
40:24porque eram de fato
40:24estrangeiros
40:25eram estrangeiros mesmo
40:28durante a documentação
40:29a gente vê inclusive
40:29se construindo
40:30essa ideia
40:31do que é ser brasileiro
40:32o que eles tinham em comum
40:34a época
40:35quer dizer
40:35antes de você ter
40:37os vários
40:39movimentos
40:39que dão início
40:40ao processo de independência
40:40do Brasil
40:41o que a província
40:42por exemplo
40:42de Pernambuco
40:43da Bahia
40:44Minas Gerais
40:45tinha em comum
40:45é que eram
40:46colônias portuguesas
40:47na América
40:48era isso que tinha em comum
40:49não existia uma identidade
40:51nacional de
40:51nós somos brasileiros
40:53a ideia de ser brasileiro
40:55é algo que vai sendo
40:56construindo
40:57vai sendo construído
40:58durante o processo de independência
41:03é curioso
41:05porque
41:05o imperador
41:06que era tido por alguns
41:07como autoritário
41:09ele vai ligar
41:10para o Brasil
41:10e depois para Portugal
41:11uma constituição
41:13que é considerada
41:14uma das mais liberais
41:16da época
41:16ou seja
41:17a constituição
41:18que o imperador
41:19outorga ao Brasil
41:19e depois outorga a Portugal
41:21que é quase que
41:22uma cópia da brasileira
41:23era um documento
41:25muito progressista
41:26para aquele momento
41:26esse imperador
41:28que para muitos
41:29seria uma espécie
41:30de autoritário
41:31ele vai nos legar
41:32não apenas um documento
41:33muito liberal
41:34para aquele momento
41:35como ele será convidado
41:37na Europa
41:37por espanhóis
41:38por gregos
41:39e também por portugueses
41:41para ser rei
41:42dos seus respectivos estados
41:44porque ele era considerado
41:45na Europa
41:46como um dos príncipes
41:48mais liberais
41:49do seu tempo
41:49isso também é porque
41:50quando a gente fala
41:51desse período
41:51tem muito ruído
41:52e muito anacronismo
41:53sobretudo no caso
41:54da história do Brasil
41:55em que as pessoas
41:55têm uma tendência
41:57não sei se é um caso
41:59de estudo dos historiadores
42:00ou de psicólogos
42:01mas a gente tem
42:02o problema do brasileiro
42:03de não gostar
42:03da nossa história
42:04olhar com hostilidade
42:05e querer sempre ver
42:07como é que eu vou dizer
42:08uma raiz do nosso atraso
42:10enfim
42:11alguma coisa nesse sentido
42:12então a gente projeta isso
42:13para certos eventos
42:13certos acontecimentos
42:14mas é absolutamente
42:15anacrônico
42:16para a época
42:17você dizer que a Constituição
42:18brasileira
42:19ou mesmo o processo
42:20a gente pode discutir
42:21mas a Constituição
42:22é uma Constituição
42:22autoritária
42:23ou centralista
42:24na verdade não é
42:25na época era maneira
42:26de se fazer as coisas
42:27na minha opinião
42:30dificilmente o Brasil
42:31teria se mantido íntegro
42:32ou unido
42:34como conhecemos hoje
42:35se nós não tivéssemos
42:36a figura do Pedro I
42:37o Pedro I
42:38foi
42:39no primeiro reinado
42:40sem dúvida alguma
42:41uma espécie
42:42de fiador
42:43da integridade nacional
42:45seja pela sua disposição
42:47política e militar
42:48de garantir a independência
42:49do Brasil
42:49seja pelo sentido
42:51simbólico
42:52que a sua personalidade
42:54como monarca
42:55no Rio de Janeiro
42:55exercia
42:56como foco
42:57de centralização
42:58e eu quero falar
42:59uma segunda coisa polêmica
43:02que a meu ver
43:04o Pedro I
43:05deve ser considerado
43:07uma espécie
43:07sim de herói nacional
43:08o Pedro I
43:09foi alguém
43:10que abre mão
43:11do trono português
43:12para ficar no Rio de Janeiro
43:14o Pedro I
43:15é um personagem
43:15fundamental
43:16na construção histórica
43:17brasileira
43:18e eu não tenho
43:19nenhuma dúvida
43:19que se nós não
43:21tivéssemos
43:21Pedro I
43:22no primeiro reinado
43:24dificilmente
43:25nós seríamos
43:25um Brasil íntegro
43:26um Brasil unido
43:27como veremos
43:28ao longo do século XIX
43:37quando a gente vê
43:38uma documentação
43:39de 200 anos atrás
43:40é quase anacrônico
43:41você pensar
43:42mas é isso
43:43você tem um outro olho
43:44vendo um documento
43:47produzido
43:48300 anos atrás
43:49e o que a gente
43:51produz hoje
43:52vai ter um outro olho
43:53sobre ele
43:53daqui 100
43:54daqui 20
43:56são as transformações
43:58da sociedade
43:58também
43:59e as nossas
44:01a da sociedade
44:02a da política
44:03a da cidade
44:04que a gente vive
44:04a do bairro
44:05que a gente vive
44:06que incidem
44:07nas relações
44:07que a gente tem
44:08com o que a gente
44:09está vendo
44:09de documentação
44:11e é por isso
44:12que é tão importante
44:13preservar um documento
44:14porque
44:15ele vai ser
44:16sempre ele ali
44:17mas
44:18quem muda
44:18somos nós
44:32quando a gente
44:32começa
44:32e se acostuma
44:34depois de um tempo
44:34a mexer em documentação
44:36a gente cria
44:37uma certa frieza
44:38a gente aprende
44:39a não ser muito romântico
44:40quando a gente
44:41está lidando
44:42é o nosso trabalho
44:43então a gente tem que ser
44:44tem que ter um olhar
44:45analítico em relação
44:46ao que a gente está olhando
44:47mas também é difícil
44:48quando você se envolve
44:49em alguma medida
44:50com esse tipo de projeto
44:52onde a gente está tentando
44:53realmente resgatar
44:54um momento muito fundamental
44:55da nossa história
44:56de não ficar
44:58mais ou menos tocado
44:59eu lembro da primeira vez
45:00que a gente descobriu
45:01o FICO
45:02da primeira vez
45:02que a gente começou
45:03a entender
45:04o que a documentação
45:05significava
45:05quando a gente descobriu
45:06que a gente
45:06estava entrando em contato
45:08com algumas coisas
45:09se não novas
45:10muito pouco comentadas
45:11algumas eu acho que eu posso dizer
45:12que novas mesmo
45:14a gente fica um pouco mexido
45:16e tem um lado interessante
45:18na pesquisa
45:19que é voltar
45:20a ficar um pouco mexido
45:21com isso
45:21porque já trabalhando
45:23há algum tempo
45:23em arquivo
45:24isso fica distante
45:26esse trabalho
45:27de fonte primária
45:28se torna trivial
45:29depois de um tempo
45:30eu acho que esse é o tipo
45:31da documentação
45:32esse é o tipo
45:33de projeto
45:34de pesquisa
45:34que a gente tem a oportunidade
45:36de voltar um pouco
45:36a ser emocional
45:37com a nossa própria história
45:42mais importante
45:43talvez
45:44do que contar
45:44a história
45:45de heróis
45:46ou história
45:46de estados
45:48seja
45:48o que me parece
45:49um dever imperativo
45:51que é o dever
45:52de valorizar
45:53os nossos arquivos
45:55porque são
45:55os nossos arquivos
45:56que estão guardados
45:58as nossas histórias
45:59se não fosse
46:00a existência
46:00de um arquivo
46:01nós não estaremos
46:02aqui nesse momento
46:03se não fosse
46:04a existência
46:05do arquivo geral
46:06da cidade do Rio de Janeiro
46:07nós não teríamos
46:08a história
46:09como o dia do fio
46:10como a aclamação
46:11do imperador
46:12e também nós não teríamos
46:13histórias tristes
46:14como foram
46:16milhares
46:17ou milhões
46:18de histórias
46:19indesejadas
46:20como daqueles
46:21que foram
46:22injustamente escravizados
46:23ao longo
46:24do século XIX
46:25mas o mais importante
46:26talvez a mensagem
46:27mais fundamental
46:28nesse momento
46:29é que nós
46:30saibamos olhar
46:31para a nossa história
46:32nós tenhamos
46:33o interesse
46:33de olhar para o passado
46:34que nós possamos
46:36incultir
46:36nas novas gerações
46:37essa admiração
46:39de alguma forma
46:40essa crença
46:41de que é preciso
46:43valorizar a história
46:43e é preciso valorizar
46:44sobretudo
46:45aqueles que guardam
46:47esses documentos
46:48que contam
46:49essa história
46:49e é preciso valorizar
47:48A CIDADE NO BRASIL
48:18A CIDADE NO BRASIL
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49:18A CIDADE NO BRASIL
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