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O EM Minas, programa da TV Alterosa em parceria com o Portal Uai e o jornal Estado de Minas, recebe neste sábado (12) o deputado federal e ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, presidente do PSDB.

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Transcrição
00:14Olá, sejam muito bem-vindos, está no ar o programa em Minas.
00:18O nosso entrevistado de hoje, Aécio Neves, deputado federal, foi senador, governador de Minas Gerais.
00:26Seja muito bem-vindo, Aécio, ao programa em Minas.
00:28Carol, é um prazer enorme estar aqui participando com você desse programa, nesse momento em que Minas e o Brasil
00:34se preparam para escolher o que querem para o seu futuro.
00:38Exatamente. Já começo te perguntando por que concorrer a uma vaga, mais uma vez, a uma vaga no Senado.
00:44Carol, você talvez tenha acompanhado, muitos que estão nos ouvindo acompanharam.
00:48Eu tinha tomado uma decisão noutra direção.
00:50Eu presido hoje, como você sabe, o PSDB, um partido de centro que vai ganhar musculatura nessa eleição.
00:56Então, perdemos muito, a verdade é essa, ao longo dos últimos anos.
01:00Sempre polarizamos ao longo da história com o PT.
01:02O partido perdeu força, mas se recupera.
01:06Faremos uma bancada na Câmara muito expressiva nas próximas eleições.
01:10E no Senado também, além de governadores que vamos eleger, como o Ciro Gomes, por exemplo, no Ceará.
01:15Eu havia me preparado para continuar dirigindo o partido e apresentar um projeto de centro para o Brasil em 2030.
01:21Continuo pensando nisso.
01:23Mas quando eu anunciei, cara, foi uma avalanche em cima de mim, de cobranças, enfim, nem de pressões, mas de
01:30chamamentos mesmo.
01:31Mas a decisão política, ela é muito solitária.
01:34Ela é sempre da pessoa.
01:36Então, não foram nem esses apelos apenas.
01:38Claro que eles me sensibilizam.
01:40Mas foi, na verdade, um gesto de muita responsabilidade com Minas, cara.
01:43Eu faço política há muitos anos, né?
01:46Eu exerço mandatos consecutivos há 40 anos em Minas Gerais, ou a partir de Minas Gerais, mandatos nacionais.
01:53E, na verdade, eu percebo que nós nos desidratamos politicamente.
01:57Minas deixou de ser uma referência nacional na hora de decidir as grandes questões nacionais.
02:03Coloque aí reforma da Previdência, reforma tributária.
02:05Não há presença mais de Minas.
02:06Minas se afastou do centro das grandes decisões.
02:09E aqui as coisas também não caminharam bem nos últimos anos.
02:12A grande verdade é essa.
02:14E falo isso como um ex-governador, que fez um governo muito reconhecido até hoje.
02:18E acho que a minha presença no Senado, digo isso com absoluta sinceridade,
02:22pela minha experiência, pelas relações que eu construí ao longo da minha vida,
02:27pode ajudar Minas Gerais a enfrentar as suas dificuldades que nunca foram tão grandes, Carol.
02:32O Senado Federal é hoje muito mais relevante do que já foi no passado.
02:37Porque se nós, por exemplo, e eu concluo aqui falando dessa questão,
02:43que é a mais central de todas, se nós não renegociarmos a nossa dívida,
02:47o Propag está aí, foi um avanço, devemos isso à liderança do senador Rodrigo Pacheco,
02:52que tem me estimulado muito nessa caminhada, me apoiado,
02:55mas nós vamos precisar do Propag 2.
02:57Se nós, nos próximos quatro anos, alargarmos o tempo de pagamento dessa dívida,
03:03não diminuímos o impacto dela na nossa receita,
03:05Minas corre o risco de não ter recurso para pagar os salários dos servidores.
03:10E eu acho que, com o conhecimento que eu tenho, com as relações que eu tenho,
03:15eu consigo constituir uma bancada dos estados devedores,
03:18e já conversei com alguns senadores que permanecerão no mandato ainda,
03:21porque renovaremos dois terços, por isso são dois votos nessa eleição,
03:25Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, Bahia, ao lado de Minas,
03:30nós vamos fazer uma bancada de mais de 20 senadores,
03:33e o governo, quando quiser aprovar os seus projetos, qualquer que seja o governo,
03:37vai ter que conversar conosco, e nós vamos colocar uma condição,
03:40negociar em melhores condições da nossa dívida,
03:42para sobrar dinheiro para a saúde, para sobrar dinheiro para arrumar as nossas estradas,
03:46para a segurança pública.
03:47Isso é fazer política, e nós desaprendemos a fazer política,
03:51infelizmente, ao longo dos últimos anos.
03:53Rapidamente, qual seria a solução definitiva, então, para a dívida,
03:56e o que o senhor, como senador, numa eleição, a partir de 2027,
04:02faria de diferente que não esteja sendo feito hoje no Senado?
04:06Dar voz a Minas Gerais, dar visibilidade política a Minas Gerais,
04:10influenciar nas grandes questões nacionais.
04:13Minas sempre foi isso, desde lá atrás, desde o Celino, desde o Tancredo,
04:17no nosso próprio governo, nós tínhamos uma presença nacional muito marcante.
04:21Eu cito aqui de forma objetiva, para aqueles que nos acompanham entenderem.
04:24Eu tenho uma proposta em relação à negociação da dívida.
04:28O Propag negociou essa dívida, estendeu o prazo de pagamento para 30 anos,
04:32com impacto em 13% da nossa receita corrente líquida,
04:36portanto, comprometido com o pagamento.
04:38Hoje, nós estamos pagando apenas 20% da dívida,
04:41cento e poucos milhões de reais por mês.
04:43Eu defendo um alongamento para 50 anos,
04:45isso, obviamente, diminui as prestações,
04:47e o impacto apenas de 8% da nossa receita corrente líquida,
04:52gerando ali o espaço fiscal para investimentos nas áreas que precisam ser investidas.
04:57Mais do que isso, eu defendo que o que Minas tem que pagar,
05:01as dívidas são para serem pagas,
05:03e os Estados têm que cumprir as suas obrigações.
05:05Mas o que eu quero apresentar como proposta de negociação,
05:08que esses recursos que saem do Tesouro de Minas,
05:12que saem da contribuição de cada um que está nos ouvindo,
05:15do trabalho dos mineiros,
05:16seja revertido, retorne ao Estado em investimentos, Carol,
05:21pactuados com a União.
05:23No próximo ano, nós vamos fazer com que esses recursos venham para melhorar
05:26a infraestrutura do Estado, para recuperar nossas estradas,
05:30para aumentar a nossa malha, enfim.
05:31No outro ano, podemos pactuar que esses investimentos vão para a segurança pública,
05:36uma segurança que eu tratei de forma especialíssima no nosso governo,
05:40reajustando os salários, garantindo o 14º, promoções,
05:43e hoje está se sucateando.
05:45Podemos garantir um ano de recursos para a área de segurança pública,
05:48para diminuir as filas na saúde.
05:49Então, esses recursos, eles voltam normalmente aos Estados,
05:53mas por vias tortas, entendeu?
05:56Sem programas definidos.
05:57Vamos pagar e vamos receber para programas estruturados com a União.
06:02Essa é uma proposta.
06:03Eu tenho pronta, Carol, uma PEC do financiamento da saúde.
06:07O fato de eu estar muito tempo na lida, como nós falamos aqui em Minas Gerais,
06:11me permite lembrar como eram as coisas.
06:14Quando começou a implementação do SUS, conduzida por Carlos Mosconi,
06:18que é hoje candidato a vice-governador na Chapa do Calil,
06:21nosso companheiro histórico, um médico extraordinário,
06:24foi o condutor da implementação do SUS,
06:2774% do financiamento da saúde no Brasil, 74%,
06:32era de responsabilidade da União.
06:35Os outros 26% dos Estados e municípios.
06:38O tempo passou, hoje, a União participa com 40%,
06:41os Estados e municípios com 60%.
06:45Os municípios, hoje, em média, participam com 35%, 36% do financiamento.
06:50Não sobra dinheiro para nada.
06:51Qual é a minha proposta?
06:53Que, a partir do aumento de receita, constatado aumento de receita,
06:56e na ano as receitas estão aumentando,
06:59vai diminuir em 0,5% a participação dos municípios
07:03e aumentar em 0,5% a participação da União pelos próximos 10 anos.
07:07Nós vamos equalizar, de novo, a questão da saúde,
07:11tirando dos municípios o ônus, hoje, a pressão que eles têm
07:15para bancar quase que metade dos investimentos na saúde pública.
07:19Vamos falar um pouquinho do eleitor.
07:20O cenário atual político, tanto em Minas Gerais quanto no Brasil,
07:25a gente vê que continua polarizado.
07:27O que mudou da sua época, quando o candidato, por exemplo, à presidência,
07:30para atualmente, mediante a polarização que a gente vive hoje?
07:33E você acha que o eleitor, como tem visto esse cenário?
07:36Ele não está um pouco cansado dessa direita e esquerda extrema, não?
07:39Eu não tenho dúvida que sim.
07:41Eu virei candidato há poucos dias, você sabe disso, Carol.
07:44E eu estou tendo contatos muito intensos com os mineiros de todas as regiões, né?
07:48Lideranças políticas do meu tempo e atuais.
07:52E há uma saudade também em relação ao que era o nosso governo,
07:56quando as coisas funcionavam.
07:57Nós levamos Minas Gerais a ter a primeira, a melhor educação fundamental do Brasil,
08:01a melhor saúde da região sudeste, os maiores investimentos em segurança pública.
08:05Asfaltamos, digamos por asfalto, 219 cidades que não tinham ligação ao asfalto,
08:10que é quase impensável isso.
08:12Todas essas obras grandiosas que nós vemos aqui na região metropolitana,
08:15Linha Verde, Cidade Administrativa, Antônio Carlos,
08:19Levar a Rudos, os Pominas, foram obras do nosso governo,
08:22numa demonstração de que é possível fazer.
08:25E eu respondo a sua pergunta com esses exemplos,
08:27para te dizer, eu não fiz sozinho, eu fiz com diálogo, Carol.
08:30Eu conversava com aqueles partidos mais à esquerda,
08:33conversava com os partidos mais à direita e construía consensos.
08:38Eu aprendi, minha escola tancrediana me ensinou,
08:41que a política é feita para você fazer pontes,
08:44para você construir consensos em torno de projetos que mudem a vida das pessoas.
08:48Hoje não.
08:49Hoje o que está prevalecendo é a guerra política.
08:52O adversário é inimigo a ser dizimado.
08:55Não se olha mais para frente, olha para o lado,
08:57para ver quem que atropela mais o outro.
08:58Essa não é a minha forma de fazer política e acho que isso tem feito muito mal ao Brasil.
09:04Eu estou, sim, voltando à disputa, como candidato ao Senado,
09:08para colocar um pouco de racionalidade nesse jogo e para defender Minas Gerais no Senado.
09:14Porque eu não sou o candidato do bolsonarismo, não sou o candidato do petismo.
09:18Eu sou o candidato de Minas.
09:20Qualquer que seja, Carol, o próximo presidente da República,
09:23ele vai me encontrar lá com vigor, com articulação política, presidindo um partido nacional
09:27para colocar tudo isso em favor do interesse de quem me assiste, o interesse dos mineiros.
09:33Aécio, nós vamos para um rápido intervalo.
09:35Você que está em casa e nos acompanha.
09:37O programa é em Minas hoje, recebe a Aécio Neves, deputado federal.
09:40Na volta a gente vai falar sobre as necessidades de Minas Gerais.
09:43É rapidinho, não saia daí.
10:00Estamos de volta com o programa em Minas,
10:03que hoje recebe o deputado federal Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais,
10:08mais uma vez agora candidato ao Senado.
10:09Aécio, na sua opinião, o que o senhor considera hoje sendo a principal necessidade de Minas Gerais?
10:17Olha, ter condições de voltar a investir.
10:19Minas Gerais passou os últimos oito anos sem pagar o serviço da dívida,
10:24em razão de uma liminar obtida até mesmo pelo governo anterior ao atual no Supremo Tribunal Federal,
10:30e não conseguiu construir nenhum projeto estruturante de verdade que melhorasse a vida dos mineiros.
10:37Eu vou dizer que existem duas coisas que convergem, que se encontram ali na frente,
10:42mas que estão em falta em Minas Gerais.
10:44Primeiro, força política.
10:45A gente tem que voltar a interferir nas grandes questões nacionais.
10:49Vou contar um episódiozinho, curioso apenas, mas para mostrar como nós chegamos.
10:53Eu recebi hoje de manhã, de forma muito afetuosa, e fiquei até emocionado,
10:58no telefone do presidente Zé Sarney, lá do Maranhão.
11:00Ele me dizia, é, senhor, eu estou aqui gravando um videozinho,
11:04eu não sei nem se eu ajudo ou se eu atrapalho, mas eu quero dizer aos mineiros a importância de
11:08você estar no Senado,
11:09nesse momento em que o Brasil está se degladiando, o Brasil está quase que em guerra aberta.
11:16Mas eu vou te fazer uma pergunta, o que aconteceu com a política de Minas, meu filho?
11:20Ele dizia.
11:22Minas é necessário para o país, Minas não é necessário apenas para os mineiros.
11:26Então, essa ausência de Minas, eu acho que ela, de alguma forma, amplia esse forço
11:31e permite que o confronto e a polarização seja ainda maior.
11:35Recuperar o poder de Minas é uma necessidade e eu vou lá para tentar fazer isso.
11:40E nós temos aqui que ter um governo que organize as contas públicas, que tenha prioridades claras.
11:46Eu falo isso, Carol, com a autoridade de quem governou Minas, com os resultados que,
11:50certamente você se lembra, dá para fazer com método, com gente qualificada, né?
11:55A questão da segurança pública está um caos.
11:58Por isso eu tenho tanto apoio na segurança pública hoje.
12:00O que o senhor destaca, enquanto governador, que tenha sido ponto forte
12:03e alguma coisa que não tenha sido tão legal que o senhor destacaria como algo a ser revisto para Minas
12:08Gerais?
12:09Vamos lá. Eu acho que foi um governo de realização.
12:11Ele não foi um governo solitário, foi um governo de uma equipe extraordinária, né?
12:15Anastasia, meu, no visto no segundo mandato, Clésio no primeiro mandato.
12:18Todos foram muito construtivos na operação de governo nossa.
12:24Nós saímos de uma situação fiscal que era pior do Brasil, dívidas enormes de curto prazo,
12:29três meses de salários atrasados.
12:31Em dois anos nós botamos a casa em ordem e asfaltamos 219 cidades, como eu disse,
12:37que não tinham ligação asfáltica.
12:38Fizemos o Proosp, que saneou todos os hospitais filantrópicos do Estado.
12:42Fizemos um programa maravilhoso, Viva a Vida, que diminuiu em 30% a mortalidade infantil no Estado em apenas três
12:50anos.
12:51Era um instrumento de saúde preventiva para mães e para filhos.
12:59Nós fizemos em segurança pública os maiores investimentos da história.
13:04Eu pagava, Carol, um 14º salário para quem alcançava metas em todas as áreas do governo.
13:09Nós viramos a chave do setor público.
13:11Todo mundo queria trabalhar, todo mundo queria apresentar resultado.
13:14Mas eu vou te contar uma.
13:16Levei telefonia celular a 440 municípios que não tinham,
13:20através da criatividade de uma parceria público-privada que jamais havia sido feita no Brasil
13:26e que o Banco Mundial exportou para outros países do mundo.
13:29Mas se você me dissesse assim, você só pode falar uma conquista, um avanço, que mais te orgulha.
13:36Todos esses me orgulham muito, mas um mais do que todos.
13:39Eu levei Minas Gerais a ter o primeiro lugar na educação fundamental do Brasil.
13:44Minas não é uma Santa Catarina, que é uma ilha, um estado pequeno.
13:49Não é uma Brasília cujos investimentos em educação são financiados pelo governo federal.
13:53Nós somos um estado com regiões ricas e com regiões muito pobres.
13:57Então, o desafio é maior.
13:59Minas Gerais, no meu governo, chegou ao topo.
14:01Nós tínhamos a primeira educação do Brasil com apoio de professores.
14:06Fizemos a Lei 100 também, que fizemos uma justiça enorme a trabalhadores extraordinários da educação em Minas Gerais.
14:14Enfim, eu me orgulho muito do nosso governo, mas principalmente de ter melhorado a qualidade da educação,
14:20que infelizmente hoje já não está no mesmo patamar.
14:23A gente tem ouvido falar que o PSDB perdeu espaço nacionalmente nos últimos anos.
14:29O senhor compactua, acha correta essa opinião?
14:33E ao que se deve essa perda de espaço de um partido que teve tanta expressividade no cenário nacional?
14:40É verdade, mas a política também é assim.
14:42O PSDB teve o seu auge.
14:44O PSDB é um partido razoavelmente recente na vida brasileira.
14:48Ele é fundado na Constituinte por figuras extraordinárias da vida nacional, como Mário Covas, Franco Montoro, Fernando Henrique,
14:57aqui o Pimenta da Veiga, Zé Richens.
14:59Era um grupo de pessoas, de políticos na essência maior que essa palavra possa ter.
15:04Eu era um jovem que embarquei nisso pela idolatria que eu tinha com aquelas conversas na social-democracia europeia,
15:11chegando no Brasil, um partido parlamentarista, liberal na economia, inclusivo do campo social.
15:18Tanto que não existe nada de relevante hoje, Carol, no Brasil, estruturante realmente,
15:23que não tenha passado pelas mãos do PSDB.
15:25Plano real que estabilizou a economia, a boca da inflação.
15:28A lei de responsabilidade fiscal, que acabou com a gastança desenfreada dos governos,
15:33porque pune agora o mal gastador feito no PSDB.
15:36A privatização do setor de telefonia, que era estatal, que universalizou o acesso à internet, a celular, para o Brasil
15:43inteiro.
15:44A privatização do setor de mineração, a criação dos programas sociais.
15:49O Bolsa Família nada mais é do que o Bolsa Escolhe e o Bolsa Alimentação, criados no governo do PSDB.
15:54O SUS.
15:55Então, são governos de muitos resultados.
15:58Perdemos força, perdemos eleições.
16:00A minha eleição em 2014, que perdi por muito pouco.
16:03E acho que o Brasil também perdeu um caminho virtuoso ali.
16:07Levou um declínio do partido, tivemos a eleição de Geraldo Alckmin, não é, com pouco sucesso, com muito poucos votos.
16:13E o Brasil se radicalizou.
16:15Vem Bolsonaro, leva uma facada com uma agenda de polarização com o PT e ocupou o nosso espaço.
16:21Mas eu acho, concordo com o que você disse no início aqui, o Brasil está cansado dessa polarização e vai
16:28se reabrir um espaço para o centro.
16:30E eu estarei lá, se Deus quiser, com o apoio de vocês, como senador, presidindo o PSDB e construindo um
16:36novo projeto de centro para o Brasil.
16:39Numa possível vaga, novamente, do ano que vem ao Senado, como é que seria ali a relação com um governo
16:46de esquerda, por exemplo, uma reeleição de Lula?
16:49Hipótese.
16:49Olha, aqui eu demonstrei enquanto fui governador.
16:52Eu fui governador, você se lembra, há oito anos com o Lula presidente da República.
16:56Eu era, talvez, a principal, uma das principais lideranças já da oposição.
17:00Inclusive, cogitado desde 2010 para ser candidato à presidência da República.
17:04Nem por isso eu deixei de ter uma relação republicana com o presidente.
17:07E eu reconheço isso de público.
17:09Eu digo que você não pode ficar muito perto do Lula há muito tempo, porque ele é um encantador de
17:14serpentes.
17:15Eu tive a oportunidade de entrevistá-lo, inclusive, para o programa em Minas, e realmente ele tem essa condição.
17:20Então, nós nos respeitamos muito, sabe?
17:22Temos divergências, eu tenho divergências conceituais com o PT, mas somos todos democratas.
17:27Então, tivemos uma relação extremamente republicana.
17:30E é essa que eu vou ter.
17:31Carol, eu não sei quem vai ser o próximo presidente da República, mas qualquer que seja ele,
17:36se eu tiver a honra de representar os mineiros mais uma vez no Senado,
17:39ele vai me encontrar lá com autoridade política, com articulação política para defender os interesses de Minas Gerais.
17:45Seja o presidente Lula, seja um outro presidente, seja o Flávio, seja quem for.
17:50Portanto, eu serei o senador, se vencer as eleições, de Minas.
17:54Não de um lado, nem de outro.
17:56E quais as promessas, caso o senhor seja eleito, o mineiro pode se cobrar daqui a quatro anos, caso elas
18:02não sejam cumpridas?
18:03Primeiro, fazer política, com a mesma responsabilidade, com a mesma seriedade que eu fiz ao longo de todos esses anos.
18:09E o governo de Minas talvez seja a marca mais clara, a que os mineiros mais se recordem.
18:15Eu quero reverter a curva do financiamento da saúde, como eu disse.
18:19Eu quero ampliar a CEFEM, que é a participação dos municípios mineradores nos royalties.
18:25Fui eu, como senador da República, que relatou o projeto anterior da CEFEM,
18:29que mais que triplicou os recursos para os municípios mineradores,
18:34e inclusive para municípios não mineradores, mas que fazem parte da cadeia de escoamento da produção,
18:40foi o último momento no Senado Federal que Minas se articulou.
18:44O Marcos Pestana, meu ex-secretário da Saúde, fez um belíssimo trabalho na Câmara,
18:48fomos para o Senado, conversei com todos os senadores do Brasil,
18:52negociei com o Nordeste uma pauta que era cara para o Nordeste,
18:54para que eles votassem a nossa pauta.
18:56E hoje esses municípios vivem uma situação muito melhor.
18:59Isso é fazer política, Carol.
19:00É isso que eu digo que está em falta aqui em Minas Gerais nos últimos anos.
19:06Eu acho que é isso.
19:07Nós vamos ter um senador com experiência,
19:09nós vamos ter um senador que conhece como funciona o Senado
19:12e com autoridade política para falar grosso e defender os nossos interesses.
19:18O programa em Minas hoje recebeu a Aécio Neves, deputado federal.
19:21Aécio, muito obrigada pela entrevista aqui no nosso programa.
19:23Eu que agradeço, Carol. E parabéns pela entrevista.
19:26Muito obrigada. E a você que está aí em casa e nos acompanha,
19:28eu te convido para seguir com a gente com um bloco exclusivo
19:31no Portal Uai, no YouTube do Portal Uai.
19:34Te lembrando, a íntegra da nossa conversa,
19:36você acompanha no Jornal Estado de Minas de segunda-feira.
19:39Obrigada pela companhia e até o próximo em Minas.
19:41Tchau.
20:01Estamos de volta com o programa em Minas,
20:03agora com um bloco exclusivo para você que nos acompanha aqui no YouTube do Portal Uai.
20:08O nosso entrevistado de hoje, Aécio Neves, deputado federal,
20:12governador duas vezes por Minas Gerais, senador também, Aécio.
20:16Vamos numa entrevista mais rapidinha aqui agora para o pessoal que está exclusivamente com a gente no YouTube
20:20sobre a eleição de 2014.
20:23O senhor faria alguma coisa diferente naquela eleição?
20:26Faria.
20:27Eu, na fase final, fui instado a ir para o Nordeste e tentar virar os votos do Nordeste.
20:33De forma pragmática, talvez eu devesse ter me concentrado, inclusive, mais em Minas Gerais,
20:39para tentar potencializar os votos que nós tínhamos aqui.
20:42Mas eu não me arrependo de ter pregado o que eu preguei.
20:45Um governo diferente de tudo que nós vimos depois.
20:48Agora, o senhor considera que aquela polarização que começou durante aquela eleição
20:53pode ter instigado uma crise que veio depois?
20:57Não sei. São momentos distintos.
20:59Nós tínhamos um confronto com o PT,
21:01mas o próprio Lula tem dito aí que tem saudades daquele tempo,
21:04porque ela era dentro da racionalidade, da linha democrática.
21:07Eu nasci aprendendo que na política são as ideias, não os homens que brigam.
21:12Por isso, eu tenho uma relação hoje extremamente positiva
21:15com muitas lideranças do PT, de todo o Brasil, inclusive de Minas Gerais.
21:18Dentro da sua trajetória política, alguma decisão? O senhor se arrepende?
21:23Olha, eu devo ter errado muito, como você sabe, né?
21:26Fui vítima de uma armação extremamente covarde que a justiça desbaratou, desmascarou.
21:32E eu tenho muita fé na política, sabe?
21:35Eu não acredito que haja solução para a vida das pessoas que não seja através da boa política.
21:41Portanto, eu sou candidato hoje ao Senado, Carol,
21:44para não me arrepender lá na frente de não ter me colocado novamente à disposição dos mineiros.
21:49O senhor acredita que a sua imagem política é mais associada ao governador ou ao candidato de 2014?
21:56Eu acho que é uma soma dos dois.
22:00Mas eu estou andando por Minas agora nessa campanha.
22:02O que eu vejo em cada parte de Minas, sem exceção, é muito reconhecimento ao que foi feito.
22:06Então, eu acho que o nosso governo ficou muito marcado com conquistas muito positivas em absolutamente todas as regiões do
22:16Estado.
22:16Então, talvez a minha imagem como governador é aquela que eu percebo hoje, para os mineiros, pelo menos, será mais
22:22forte.
22:22Agora, para a gente encerrar essa entrevistazinha aqui no YouTube,
22:26lá fora, antes de entrarmos no ar, o senhor disse que a decisão de voltar e de concorrer mais uma
22:32vez ao Senado,
22:33ela veio principalmente ali dentro de um âmbito familiar, porque o senhor já tinha divulgado o vídeo,
22:38já tinha decidido que não ia mais.
22:40E qual é que foi a importância desse ambiente familiar dentro dessa decisão e como que o senhor se sente
22:46hoje,
22:47depois de pensar, poxa, parei, não vou mais para pleito político.
22:52E, de repente, você está no páreo de novo.
22:54Como se sente? Como foi essa decisão?
22:56É uma coisa meio maluca, né, o que move a gente na política.
23:00Eu me convenci ao longo de muitos meses de que eu deveria continuar só na presidência do partido
23:05e depois de 40 anos não disputar mais eleições.
23:08Eu disputei em 1986 para constituinte e nunca fiquei um dia sem mandato de lá para cá.
23:13E eu pensei muito.
23:14Eu vi o quadro em Minas e eu ficava assustado com o que eu estava vendo,
23:17preocupado com o que eu estava vendo.
23:19E vou contar um segredo que eu não contei ainda no ar.
23:21Eu estava aqui na nossa fazenda, dos meus avós, tataravós, aqui em Cláudio, né,
23:26uma pequenininha fazenda, e eu saí um dia cedo de cavalo, logo depois que eu tinha gravado aquele vídeo.
23:31Eu saí pela fazenda com o rapaz que trabalha lá comigo.
23:35Aí foi aquela paz, aquela...
23:37Aí eu pensei, será que eu não vou daqui a seis meses estar me cobrando de não ter participado disso?
23:43Porque eu estou vendo o jogo, o jogo está muito aberto ainda, existem possibilidades.
23:48Eu voltei para casa, tomei um banho, liguei para quatro, cinco pessoas,
23:51e vim para Belo Horizonte para dizer que eu ia disputar as eleições.
23:55Foi aqui, em cima de um cavalo, que eu tomei a decisão de tentar contribuir
23:59por mais um período com Minas Gerais e com os mineiros,
24:02porque eu acho realmente que eu posso ajudar.
24:05É isso aí. O programa em Minas recebeu a Aécio Neves, candidato, né?
24:09E agora deputado federal. Vamos ver como vai ser em 2027.
24:12Muito obrigada pela entrevista, Aécio Neves.
24:14Eu que te agradeço e cumprimento pela qualidade da entrevista, suas ordens.
24:17Meu número é 456. Sou candidato ao Senado Federal.
24:21Não pôde deixar de fazer uma campanhazinha no final.
24:23Muito obrigada pela entrevista a você, que está com a gente em casa,
24:27no YouTube do Portal Uai. Muito obrigada.
24:30O programa em Minas fica por aqui. Até a próxima edição, pessoal. Tchau.
24:50Transcrição e Legendas Pedro Negri
24:50Transcrição e Legendas Pedro Negri
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