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Especialistas debatem desafios para a preservação da floresta amazônica no Encontro Futuro Vivo
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00:00Bom dia a todas e todos, é uma alegria estar aqui depois dessas falas incríveis, estamos muitíssimo
00:06inspiradas, a gente tem um painel aqui que a gente vai falar sobre muita coisa em pouco tempo,
00:12então a gente precisa também da ajuda dessa plateia aqui para ir sintetizando com a gente,
00:18e eu estou muito feliz que é um painel feminino, queria dizer que o título não é por acaso,
00:25o futuro é amazônico, não é o futuro depende da Amazônia, o Amazônia é importante para o futuro,
00:33essa escolha da definição não é acidental, e não é porque durante muito tempo a gente aprendeu a olhar
00:41para a floresta como algo a ser salvo, um patrimônio frágil, ameaçado, que precisa da nossa proteção,
00:48e sim, precisa muito de fato, mas o convite aqui é diferente, a gente queria ressignificar essa visão,
00:58sair da imagem de uma floresta vítima para reconhecer a Amazônia como ela realmente é,
01:04um território vivo e muito potente, complexo e muito inteligente, com o qual temos muito a aprender,
01:13e se a gente quiser continuar existindo, não só a floresta, mas em especial nós e as próximas gerações.
01:21Eu acho que essa mesa é especial porque a gente reconhece os desafios que a Amazônia enfrenta
01:27e a gente precisa compreender muito melhor, porque no limite o que a gente quer mesmo
01:33é que ela possa ser esse território de soluções, porque tem a sabedoria ancestral,
01:40tem ciência de ponta, tem bioeconomia e tem muita gente, é floresta e é povo.
01:47Então é isso que a gente vai explorar hoje em quatro blocos, a gente começa falando
01:51por que a Amazônia é essencial para o futuro, quais são os riscos que corremos,
01:56que novos olhares e relações a gente tem que tecer com a floresta,
02:00e que caminhos concretos a gente tem pela frente.
02:04E ainda que nosso foco hoje seja a Amazônia, a gente quer reconhecer aqui
02:09a importância de todos os nossos biomas, os ecossistemas brasileiros
02:13que são fundamentais para a vida no planeta,
02:17mas a Amazônia é o lugar dessa completabilidade aqui de saberes,
02:22nossas convidadas vão trazer esse olhar, e também é o lugar onde a gente tem
02:26o que já foi apresentado aqui pelo Christian, a Floresta Futuro Vivo,
02:31em parceria com a Ari Green, então hoje a gente vai honrar essa mãe Amazônia,
02:35então esse painel feminino quer ecoar essa mãe, a mãe natureza, a mãe Amazônia,
02:41e eu vou começar aqui pelo começo, Marina, por que a Amazônia é essencial para o futuro?
02:48Marina, assim, você que é essa super cientista, até você pode contar um pouquinho
02:54dessa sua transição para o mundo aplicado agora da ciência,
02:59você conhece muito o que esses ecossistemas nos trazem,
03:03os benefícios ecológicos e como é fundamental para o planeta.
03:08Fala um pouquinho para a gente das florestas e da Amazônia nesse contexto, por favor.
03:14Muito obrigada, Ilona, muito bom dia, é um prazer muito grande estar aqui,
03:19queria muito agradecer a toda a organização, a Ilona,
03:23e as minhas ilustríssimas companheiras aqui de painel,
03:27e a todo mundo que está assistindo presencialmente e remotamente.
03:32Então, eu queria começar falando da Amazônia como essa entidade sistêmica,
03:39que está interconectada pela atmosfera, pela superfície, através da água.
03:47Então, a gente viu bastante aqui a parte do carbono e de tudo que está relacionado com o carbono
03:55em termos desse estoque da importância da Amazônia como um estoque de carbono permanente
04:02que faz com que a gente armazene esse carbono e não jogue para a atmosfera
04:08para aumentar ainda mais o aquecimento global.
04:10Mas tem duas outras dimensões que eu acho muito fundamentais.
04:16Uma delas é a água, tanto no que popularmente é conhecido como rios atmosféricos
04:24ou rios voadores, que tem um volume de água equivalente ao rio Amazonas
04:31na sua potência máxima, quase na fós.
04:34Então, imaginem que vocês têm um rio Amazonas em cima do rio Amazonas
04:41com a quantidade de água que é trazida do oceano, reciclada pela floresta em mais ou menos 30%
04:49e redistribuída por causa dos Andes para outras regiões do continente sul-americano,
04:58em particular o sudeste do Brasil, centro-oeste, o norte da Argentina e outras partes vizinhas.
05:06Essa é a segunda dimensão que eu traria.
05:09Uma terceira, que ainda é um pouquinho escondida, é a biodiversidade nas múltiplas dimensões.
05:17Então, não só as espécies, mas como funcionam esses ecossistemas
05:24que bombam água para a atmosfera, que armazenam carbono e que são a casa de diferentes povos
05:34que trazem uma cultura e, portanto, uma manutenção da floresta que às vezes fica um pouquinho escondida.
05:42Então, a resiliência na Amazônia também se concentra nesses povos e nessa vida que existe
05:51e que a Gaia trouxe um pouco da redundância, trazendo resiliência,
05:57mas é a redundância aqui que eu trago com a diversidade
06:01para que essa resiliência permaneça
06:04e a manutenção de todos os serviços da floresta também permaneça.
06:11Muito obrigada, Marina.
06:12Eu queria passar para a Raquel, porque a gente sabe que, além das funções ecológicas,
06:18as florestas são também berços de culturas, modos de vida, tradições,
06:22que sempre souberam manter essa simbiose, o respeito com a natureza.
06:27Queria que você falasse um pouco para a gente da cosmovisão,
06:30Tupinambá, da sua relação com a floresta,
06:33também da importância da sabedoria ancestral ser compartilhada por todos nós.
06:43Quero também aproveitar para agradecer ao convite e estar aqui nesse painel
06:50com essas mulheres maravilhosas, quem eu cumprimento.
06:53Então, quero começar dizendo que a própria ciência acadêmica,
06:59a arqueologia, a ecologia histórica,
07:02tem evidenciado nos últimos anos que a Amazônia, por exemplo,
07:08está sendo ocupada pelas populações humanas há pelo menos 12.200 anos.
07:13Registros lá da minha região, Monte Alegre, a Caverna da Pedra Pintada.
07:19E também, os estudos de modelagem, estatísticos,
07:24têm falado de entre 6 a 25 milhões de pessoas vivendo na Amazônia
07:30antes da chamada conquista, da chegada dos europeus.
07:36O mais aceito hoje está entre 8 e 10 milhões de pessoas.
07:41Então, ao longo desse tempo, essas pessoas, claro,
07:44fizeram muita interação com a floresta.
07:47Tanto que a gente tem falado de Amazônia como uma floresta antropogênica,
07:53os solos também como solos antropogênicos,
07:56os sítios arqueológicos, as terras pretas,
07:58mas também o solo como um gradiente,
08:01onde tem as serras pretas,
08:02depois tem os solos menos antrópicos,
08:05que vão se afastando das áreas de moradia.
08:10Então, nesse processo todo,
08:13nós, povos indígenas,
08:15construímos essa relação com a natureza, com os rios.
08:20E a gente tem falado, não é que é uma relação talvez só simbiótica,
08:27é uma relação muito de respeito mesmo,
08:29de negociação, inclusive.
08:31Porque nós acreditamos que a floresta tem donos dos seres encantados,
08:37os outros seres que habitam a floresta,
08:40como, por exemplo, a curupira,
08:41que talvez para muitos de vocês seja mito ou folclore,
08:49para nós é algo real,
08:51que realmente está naquele território.
08:54Então, as negociações são essenciais
08:57para que a gente viva ali,
08:59para você fazer uma casa,
09:01para você fazer uma roça.
09:02Você precisa conversar e pedir licença,
09:07ver se aquele é um bom lugar.
09:09Então, há essa negociação com esses outros seres.
09:12Porque a gente entende que o meio ambiente,
09:16como assim se tem chamado,
09:19não é dos humanos, não é nosso.
09:22É também dos outros tipos de vida,
09:25incluindo os mais que humanos,
09:29esses seres que estão em outras dimensões da vida.
09:34Então, acho que é nesse sentido.
09:35Muito lindo.
09:37A gente tem muito o que aprender.
09:39Eu acho que essa negociação,
09:41eu acho que a Maria José pode falar para a gente sobre isso.
09:44Tem tanto ainda para a gente descobrir,
09:46além dos serviços ecológicos
09:48e dessa sabedoria toda sobre esses seres,
09:51sobre essa dimensão da floresta.
09:54A Maria José tem trabalhado com a Associação Semear,
09:57no manejo.
09:58Tem tanta coisa que eu já sei de você.
10:01Conta para a gente um pouquinho do seu trabalho
10:03da Associação Semear
10:04e da importância para as comunidades locais, por favor.
10:08Bom dia a todos.
10:10É um prazer poder ter sido contemplada por este evento.
10:17A gente é raiz do Maranhão,
10:23sou presidente da Associação Semear,
10:26a gente coleta sementes nativas da Amazônia.
10:30E é um prazer poder participar deste painel,
10:34com tanta sabedoria,
10:36com tanta ciência aplicada aqui,
10:39e eu apenas com o conhecimento básico da terra,
10:43da natureza,
10:44de onde a gente vive.
10:46Então, para a gente, como Semear,
10:50como comunidade que participa dessa coleta,
10:57a gente acha que é muito importante a floresta
11:01para a nossa bioeconomia,
11:04para o nosso manejo,
11:06principalmente para as mulheres,
11:08porque ali a gente levanta a nossa autoestima
11:13no meio onde o trabalho masculino se sobrepõe,
11:18e as mulheres geralmente são desvalorizadas.
11:22E isso é importante para que a gente possa crescer
11:26quanto pessoa,
11:28se achar capaz, empoderadas,
11:31porque a associação em si foi desenvolvida
11:36por uma ideia
11:36que a gente poderia buscar da natureza
11:42essas sementes e desenvolver em trabalho.
11:45E isso acontece dentro da nossa comunidade.
11:49A gente entende que a floresta em pé
11:52é muito mais importante do que ela derribada,
11:56na queimada,
11:57ela traz economia para a gente e sustento.
12:02Dentro da floresta,
12:04a gente tem o manejo das sementes,
12:07nós temos o manejo da retirada do açaí,
12:09que traz alimento.
12:12Dentro da floresta,
12:13a gente tem grande capacidade de produção de óleos
12:18para a alimentação,
12:20quanto para cosméticos,
12:21para a medicina.
12:23Então, isso é de suma importância
12:26que a gente tenha esse olhar
12:28e essa consciência
12:30que nós devemos preservar e cuidar da natureza.
12:37Obrigada, Maria Luzia.
12:37A gente tem muito a aprender com vocês,
12:40muito mesmo.
12:41Essa reconexão com a Terra é o que vai nos salvar.
12:43A gente já está ouvindo isso aqui.
12:45Eu queria só pontuar o que você está trazendo,
12:48porque eu acho que já foi falado aqui,
12:49desde o conceito do bioregionalismo,
12:52do Eduardo trazendo que a gente precisa de uma nova economia.
12:54E a gente está aqui no Brasil,
12:57plantando essa bioeconomia,
12:59que é essa repactuação,
13:02a sociobioeconomia,
13:03esse conceito que a gente adotou
13:04para fortalecer a conexão entre as pessoas,
13:07as florestas,
13:08o desenvolvimento sustentável,
13:09numa perspectiva de geração de renda
13:12e valorização
13:13dos saberes dos povos indígenas,
13:15quilombolas, ribeirinhos,
13:17pequenos agricultores,
13:19agricultores familiares.
13:20Eu acho que a gente tem que redobrar essa aposta.
13:23E aqui no meu papel de moderadora ativa,
13:26que me convidaram para fazer,
13:27eu queria amarrar esse primeiro bloco
13:30falando algo que a gente acabou de viver.
13:33A gente, em 2025,
13:34teve a COP do Clima no Brasil,
13:36na Amazônia, em Belém.
13:38E foi um momento muito simbólico,
13:41porque a gente teve negociadores
13:44que, de vez em quando,
13:46ali aparecem perto,
13:47mas estão sempre muito longe
13:49das questões que a gente está falando.
13:51Eles vieram para o coração da floresta,
13:53eles estavam lá.
13:54Isso muda o ponto de vista.
13:56Eu acho que a gente sai de Belém
13:58com muitos desafios,
13:59mas também com duas iniciativas
14:01muito importantes
14:03que a gente tem que ajudar
14:04a empurrar no nosso país.
14:05A presidência brasileira da COP
14:07lança esse Fundo de Florestas Tropicais para Sempre,
14:12que é o primeiro mecanismo financeiro global
14:14que valoriza a floresta em pé.
14:17Está num desafio de captação,
14:18a gente precisa ajudar.
14:20E o segundo é o Mapa do Caminho das Florestas,
14:22que vem dizer como a gente vai reduzir,
14:27acabar com o desmatamento
14:29e a derratação florestal até 2030.
14:32Então, são iniciativas que a gente vai ter que seguir,
14:36mas que fazem parte hoje
14:38dessa inserção das florestas
14:40na governança climática global.
14:42E a gente espera que isso tenha vindo para ficar.
14:46E a gente vai para o nosso segundo bloco aqui,
14:49tentando passar dessa importância,
14:52mas para encarar um pouco dos riscos.
14:54Quais são esses riscos que a gente corre hoje?
14:57E eu vou de novo para a Marina,
14:59lembrando aqui o que já foi trazido,
15:01que o Johan Rockstrom e o nosso queridíssimo,
15:04os dois queridos, mas o Carlos Nobre,
15:06tiveram aqui ano passado,
15:08no Encontro do Futuro Vivo,
15:09falando dos limites.
15:10A sua ciência fala muito desses pontos de não retorno
15:14que muita gente ainda não compreende.
15:16Qual é esse possível colapso?
15:20E, nesse momento que a gente está vivendo de super ao ninho,
15:23isso se agrava?
15:26Uma pergunta fácil essa, não é, Ilona?
15:30Mas vamos lá.
15:31Eu queria perguntar,
15:32quem de vocês considera que entende
15:35o que é ponto de não retorno?
15:40É bastante gente, não é?
15:42Eu vou pegar um exemplo aqui,
15:45de um que o meu professor fez comigo,
15:48e eu vou fazer aqui.
15:49Basta, por favor.
15:50Vou abrir, porque fica mais emoção.
15:55Então, é bem reducionista,
15:58e vocês me perdoem,
15:59mas é só um exemplo.
16:02Imaginem que eu tenho qualquer sistema,
16:04pode ser o que a Gaia estava falando,
16:06do colapso, é o mesmo colapso.
16:09Então, imaginem que esse aqui é o meu sistema.
16:12Isso pode ser a Terra, a Amazônia,
16:14nosso corpo e tal.
16:16E aí, que eu começo a dar uma inclinadinha,
16:19assim, bem devagar.
16:22O que vai acontecer?
16:26Isso tem alguma semelhança
16:28com o ponto de não retorno
16:29que vocês conseguem visualizar?
16:34Até onde eu posso ir aqui?
16:39E o que vai acontecer se eu soltar aqui?
16:44Vai cair ou não vai?
16:50Então, se eu soltar aqui, ele volta.
16:53Está vendo?
16:54Mas, se eu passar de um lugarzinho,
16:57ele acelera e molha o palco todo.
17:00Então, é só para um exemplo
17:03da dificuldade da pergunta da Ilona.
17:07Qual é o ponto de não retorno da Amazônia?
17:10Pensando que aqui eu só tenho
17:12uma garrafinha de água.
17:13Mas a Amazônia,
17:15na sua complexidade imensa,
17:18tem muitas regiões
17:20que podem sofrer mudança,
17:23como a Raquel já trouxe aqui.
17:25É uma evolução
17:27de diferentes partes da Amazônia
17:30que se apresenta hoje
17:31como ela é.
17:33Então, embora de cima
17:35seja um grande verde,
17:37as partes da Amazônia
17:39que evoluíram diferentemente,
17:42próxima dos Andes,
17:44mais próxima do bioma cerrado,
17:46mais próximo das Guianas,
17:48mais no sul,
17:50elas têm florestas diferentes,
17:52povos diferentes
17:53que manejam essas florestas
17:55há muitos anos
17:56e diferentes perturbações.
17:59Então, a gente tem desmatamento,
18:01mudança do clima,
18:02aumento de temperatura,
18:05fogo em maior ou menor quantidade.
18:07E isso vai afetar
18:10esses pontos
18:12de não retorno na Amazônia
18:14em diferentes lugares.
18:16Então, eu acho que,
18:17juntando com os modeladores,
18:20que é de onde eu vim,
18:21e com a escuta dos povos
18:23e dos ecólogos
18:25da academia mais tradicional,
18:27a gente consegue ver
18:28essa heterogeneidade
18:30de muitas Amazônias
18:32em ameaça
18:34por diferentes perturbações.
18:36Então, isso de uma forma geral
18:39do ponto de não retorno.
18:41A segunda coisa
18:42que a Elana falou
18:43foi do El Ninho.
18:45E eu queria trazer
18:46duas coisas importantes
18:49sobre esse El Ninho.
18:50a gente já sabe
18:52que ele vai acontecer,
18:53está todo mundo falando e tal.
18:55Agora, quais vão ser os impactos?
18:58Esse é um El Ninho
19:00que, desde que a gente tem medida,
19:04a gente nunca viu uma coisa assim.
19:06Só para a gente ter uma ideia,
19:09a gente tem 1877
19:11com uma temperatura
19:13da superfície do mar do Pacífico
19:15equivalente a de 2015-16
19:19e o 23-24,
19:22que foi um mega oninho
19:23para a Amazônia,
19:25ficou bem abaixo desses
19:27e teve impactos muito maiores.
19:30E isso já está sendo estudado
19:33e a gente tem as primeiras evidências
19:34que, de fato,
19:35são efeitos combinados
19:37que a gente perde a previsibilidade.
19:40Então, o que acontece
19:42quando a gente cruza um e meio
19:44ou alguns limiares de chuva
19:46e temperatura na Amazônia,
19:48acontece que a gente perde
19:50a previsibilidade
19:52e a gente acelera a mudança.
19:55Então, o que aconteceu
19:57em 23 e 24
19:58vai ser muito diferente de agora,
20:01mas a gente não sabe exatamente
20:03quando, quanto e como.
20:07E isso é altamente desconfortável,
20:10porque, por mais que a gente invista
20:13no que fazer,
20:15a gente vai ter que lidar
20:17com a incerteza muito grande.
20:19E como é que o ser humano
20:20vive em incerteza?
20:22Chorando, não é?
20:24Então, eu acho que é um pouco isso.
20:26O El Ninho agora está forte
20:29e os impactos
20:31e a mitigação desses impactos
20:35vai depender de uma força
20:36muito coletiva, eu acredito,
20:38de uma preparação
20:40que, esperançosamente,
20:43não se reduz apenas
20:44a esse El Ninho,
20:46mas aos futuros que a gente vai ter.
20:47E aqui eu estou com a Gaia
20:49no estágio 5, tá?
20:51Daquele reloginho.
20:52Tá bom?
20:53É isso.
20:54Obrigada, Marina.
20:58É preocupante,
20:59mas não pode ser paralisante.
21:01A gente está aqui
21:01porque a gente tem
21:02muita capacidade de ação.
21:04Mas eu ainda queria ouvir
21:05sobre questões difíceis, né, Raquel?
21:08A gente sabe que,
21:09apesar de a gente ter feito
21:10um esforço muito grande,
21:11a gente está aqui
21:12no quarto ano consecutivo
21:14de redução do desmatamento,
21:16o tamanho do estrago
21:17é muito grande.
21:19E os povos da floresta,
21:22e, na verdade,
21:22todas as suas culturas,
21:24estão em perigo.
21:25Se a gente pensa
21:26a violência sobre os povos indígenas,
21:28a gente vê como um aumento.
21:30A gente continua lutando
21:32contra o nosso povo,
21:35mais ancestral.
21:36Acho que o Cacau Herá
21:38também estava aqui
21:39no ano passado
21:40e falou sobre essa violência
21:41dos territórios materiais
21:44e imateriais.
21:45Mas eu queria te ouvir, Raquel,
21:47sobre a sua vivência,
21:48dessas dinâmicas mesmo,
21:50de ameaças ao território,
21:52aos povos, à cultura.
21:54Como é que isso se dá
21:55no território?
21:56Como é que isso afeta você?
21:58Obrigada pela pergunta, Ilana.
22:01Eu acho que não dá
22:01para falar sobre isso
22:02sem falar sobre o processo
22:05de colonização
22:05que a gente vivencia
22:07há 526 anos.
22:10Então, acho que esse processo
22:12que teve no seu período colonial
22:15as políticas de transformação
22:18do indígena em civilizados,
22:22a gente vê isso sendo intensificado,
22:27no caso da Amazônia,
22:28no período do governo militar,
22:31quando tem aquela ideia
22:32de integrar a Amazônia ao Brasil.
22:35Então, nesse período,
22:36a gente tem as grandes estradas,
22:40as BRs sendo abertas
22:42e a destruição,
22:44a morte de muitos povos
22:46que não tinham nem contato
22:48com a sociedade.
22:48Por exemplo,
22:49quando a gente vai pensar
22:50a 164, a 163,
22:53várias dessas BRs.
22:56Além disso,
22:57a gente tem também
22:57a chegada intensa
22:59das indústrias,
23:01a exploração madeireira,
23:02a exploração de minério,
23:05as hidroelétricas,
23:06que causaram uma destruição
23:08muito forte,
23:09uma ameaça que continua
23:10até hoje na vida
23:12dos povos indígenas
23:14e comunidades tradicionais
23:15na Amazônia.
23:16Então, penso que a gente precisa
23:19olhar para isso,
23:22porque foi o que o Eduardo
23:23estava falando ainda agora.
23:24Esse modo de vida
23:26do território,
23:28onde a gente tem
23:29um rio fluido,
23:31água limpa,
23:33a gente tem alimentos
23:35sem veneno,
23:37a gente tem
23:38essa possibilidade
23:40de uma vida
23:41mais confortável,
23:44ela não conta para o PIB,
23:46ela não eleva o PIB.
23:48Então, a gente é visto
23:49pela sociedade
23:49como pobres,
23:52extrema pobreza.
23:53Inclusive,
23:54todos os indígenas
23:55são enquadrados
23:56no programa
23:56Bolsa Família
23:57porque estão colocados
23:59nesse lugar
24:00de todos os indígenas
24:02que estão nos territórios
24:04como pobreza extrema.
24:06Então,
24:07é essa lógica
24:07que opera
24:08no sistema capitalista,
24:10no sistema econômico
24:12econômico
24:12e que tem levado
24:14à destruição
24:15dos territórios
24:16e, principalmente,
24:18das pessoas também.
24:20As pessoas
24:21que estão no território
24:22são vistas ainda,
24:24como foram
24:25ao longo desse processo,
24:26como mão de obra barata.
24:27E são elas
24:28que estão
24:29nesses processos
24:31exploratórios,
24:31sendo usados
24:32nesses processos exploratórios,
24:33tipo de exploração minerária,
24:35de exploração
24:38madeireira
24:39extrativista.
24:41E a gente tem,
24:41só para finalizar,
24:44evidência forte disso,
24:46como esse sistema opera,
24:48que a emissão
24:49de gases
24:49de efeito estufa
24:50da Amazônia
24:51vem das queimadas,
24:53da derrubada
24:55de florestas,
24:56sendo Altamira
24:58e outros municípios
24:59da região do Pará
24:59os que mais emitem
25:02gases de efeito estufa
25:03proveniente
25:04da derrubada
25:05e da queima
25:06de florestas.
25:07Então,
25:07notei
25:09ég
25:125
25:13com
25:14Tchau, tchau.
25:50Tchau, tchau.
26:15Tchau, tchau.
26:44Tchau, tchau.
27:15Tchau, tchau.
27:44Tchau, tchau.
28:14Tchau, tchau.
28:51Tchau, tchau.
29:24Tchau, tchau.
29:44Tchau, tchau.
30:14Tchau, tchau.
30:44Tchau, tchau.
31:14Tchau, tchau.
31:44Tchau, tchau.
32:21Tchau, tchau.
32:46Tchau, tchau.
32:47Tchau, tchau.
33:22Tchau, tchau.
33:47Tchau, tchau, tchau.
33:55Tchau, tchau.
33:59Tchau, tchau, tchau.
34:29Tchau, tchau, tchau.
35:21Tchau, tchau.
35:51Tchau, tchau.
35:57Tchau, tchau, tchau, tchau, tchau.
36:08Tchau, tchau, tchau.
36:20E aí
36:21E aí
36:51E aí
36:55E aí
36:59E aí
37:00E aí
37:02E aí
37:03E aí
37:09E aí
37:15E aí
37:20E aí
37:26E aí
37:27E aí
37:57E aí
37:58E aí
38:00E aí
38:01E aí
38:03E aí
38:05E aí
38:10E aí
38:12E aí
38:13E aí
38:14E aí
38:46E aí
38:50E aí
38:53E aí
38:54E aí
38:55E aí
38:56E aí
38:57E aí
38:58E aí
38:59E aí
39:01E aí
39:31E aí
39:32E aí
40:02E aí
40:32E aí
40:33E aí
40:34E aí
40:39E aí
41:07E aí
41:37E aí
42:06E aí
42:08E aí
42:38E aí
42:42E aí
42:46E aí
43:13E aí
43:43E aí
44:14E aí
44:43E aí
44:48E aí
45:14E aí
45:15E aí
45:16E aí
45:46E aí
46:16E aí
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46:48E aí
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