00:00Boa tarde, gente. É muito prazer estar aqui com você.
00:03Eu sou o Filipe, eu sou jornalista.
00:05Como que surgiu a ideia do roteiro de Muito Prazer?
00:08A ideia surgiu quando os algoritmos começaram a se meter na vida da gente.
00:12Como é que isso vai se meter na sexualidade, na paixão, no romance?
00:17E os sites pornô começaram a classificar a sexualidade humana em muitas categorias.
00:22São um pouco ridículas, elas se prestam a comédia.
00:25E poder falar desse assunto, pra que aquele jovem que entra num site pornográfico se sente um criminoso, só eu
00:31faço isso.
00:32Não, né? 70% dos homens, 30% das mulheres no Brasil.
00:36Então, eu queria falar sobre isso, tirar a culpa, jogar luz sobre esse assunto da paixão e do ridículo,
00:42que são os algoritmos e a inteligência social tentando classificar a paixão humana.
00:47Luísa, como foi construir a Grace, que é uma das personagens mais complexas do filme,
00:52que sai do humor, que tem momentos sérios também?
00:55Muito legal. Grace Kelly, uma figura, assim, que o Jorge me presenteou.
01:01Eu penso muito na Alice no País de Maravilhas também, quando eu fui fazer a Grace,
01:05porque ela entrou ali na toca do Muito Prazer, né?
01:08Do Motel Pérola, e lá ela construiu o seu lar.
01:11E ela tem essa fala, né? Que a curiosidade é um tipo de coragem,
01:15que ela fala isso pro Rubem, e acho que é isso que une os três personagens do filme, na verdade,
01:20né?
01:20Então, eu acho que, assim, a ideia de filmar pessoas fazendo sexo e vendendo na internet
01:24juntou, basicamente, quase tudo que ela gosta de fazer,
01:28incluindo virar, né, a deusa coelho junto com o Homem Cenoura.
01:32Então, ela não tem medo do ridículo também.
01:35Daniel, você é um dos filmes que eu mais gosto, que é o filme do Cazuza,
01:38Cazuza, o tempo não para, que é um filme de drama.
01:41E agora, você está estrelando o filme de comédia.
01:44Como que está sendo para você também todo esse processo?
01:47Rapaz, eu...
01:48Agora estamos aqui ao lado de Cassa Hélio.
01:51Que maravilha.
01:52Mas aqui, eu estava ali sendo guiado com o Jorge Furtado,
01:55que é especialista, fez muitas coisas, né?
01:57A gente já trabalhou muito junto.
01:59É muito gostoso, cara, trabalhar com o Jorge, essa equipe toda.
02:02E o roteiro já vem 99,9%, só para a gente...
02:06É só acertar as falas, que aí está garantido, entendeu?
02:09Pega o ritmo ali e vai.
02:11E é sempre um prazer trabalhar.
02:13Num país que consome tanta comédia, porém, assim, a comédia nacional
02:17acaba sendo desvalorizada.
02:19O que você gostaria que o público brasileiro soubesse mais
02:21sobre a comédia do próprio país?
02:23Existe um preconceito contra a comédia.
02:25Para mim, ela está no mesmo nível do drama, da tragédia.
02:29E a comédia tem um tipo de comédia que parece assim,
02:32ah, vou rir e vou me esquecer.
02:34Mas não precisa ser assim.
02:36O Salém do Básico é um filme que já tem quase 20 anos
02:38e as pessoas continuam vendo e se divertindo.
02:40E eu tenho certeza que com muito prazer vai acontecer isso também.
02:43Esqueci de dizer uma coisa fundamental.
02:45O filme tem trilha de Sérgio Sampaio,
02:48um capixaba ilustre, que é a sexta vez
02:51que eu uso músicas do Sérgio Sampaio em um filme.
02:54Eu acho um gênio da música popular brasileira
02:56que está no filme mais uma vez.
02:58Então, mais um motivo para o povo de Vitória,
03:01de Espírito Santo, assistir.
03:02E muito prazer.
03:03Para trazer.
03:06Aham.
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