00:00Morto pode pedir voto?
00:03Um senhor de 88 anos aparece nas redes pedindo voto para o Neto,
00:08só que ele morreu há mais de dois meses.
00:10E não, não é inteligência artificial.
00:13Anésio Fiore virou um dos idosos mais conhecidos da internet
00:17depois que o Neto passou a publicar a rotina dele.
00:20O perfil chegou a mais de 6 milhões de seguidores.
00:23O Neto é Caio Fiore Dias, candidato a deputado estadual em São Paulo.
00:28Na urna, ele se chama Caio, do vovô Anésio.
00:40Recentemente, alguns perfis nas redes sociais acusaram o vídeo de ser uma deepfake,
00:45que é o nome dado a conteúdos em que a imagem ou a voz de uma pessoa
00:49é recriada por computador para dizer algo que ela nunca disse.
00:54Só que neste caso, a gravação é real.
00:56O vídeo foi feito em maio deste ano, quando o avô ainda estava vivo.
01:01E Caio não passou a usar o nome de Caio do vovô Anésio depois da morte dele.
01:05Ele já usava o nome na urna em 2022,
01:09quando disputou o mesmo cargo e quase se elegeu.
01:12Ficou na suplência.
01:13E aí vem a pergunta.
01:15Uma pessoa morta pode fazer campanha?
01:17A resposta curta é...
01:19Ela pode aparecer, mas não pode dizer nada novo.
01:23Uma imagem de arquivo gravada quando a pessoa estava viva não é proibida.
01:28O que existe é o direito de imagem.
01:30E nesse caso, quem pode reclamar é a família.
01:33Agora, recriar a pessoa por computador é outra história.
01:37Uma resolução do TSE proíbe conteúdos sintéticos que criem ou terem a imagem ou a voz de uma pessoa,
01:45viva, falecida ou fictícia.
01:48E isso vale mesmo que a família tenha autorizado.
01:52Anésio pediu voto em vida.
01:54A dúvida que fica não é sobre ele.
01:56É sobre quantos outros vão pedir voto depois de mortos.
02:00Então, vamos lá.
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