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  • há 20 horas
Existe algo em comum no perfil de autores de feminicídios? Por que é importante compreender quem são os homens que cometem esse tipo de crime tão violento e que segue crescendo no Rio Grande do Sul?

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Transcrição
00:00Existe algo em comum no perfil dos autores de feminicídios?
00:04Por que é importante compreender quem são os homens que cometem esse tipo de crime tão violento
00:09e que segue crescendo no Rio Grande do Sul?
00:13Essas são algumas perguntas que nós buscamos responder nessa reportagem,
00:17onde contamos, por exemplo, a história da Michelle,
00:20uma jovem moradora de Alecrim, no noroeste do estado.
00:24Em 2022, o pai dela matou a mãe.
00:27Quatro anos depois, ela viu a história se repetir dentro da família.
00:31Dessa vez, o tio, irmão do pai dela, matou a mulher.
00:36Eles tinham uma educação muito machista dentro de casa.
00:38Eles viam a mulher como objeto, sim, como posse deles.
00:42O caso da Michelle é extremo, mas não é isolado.
00:45De janeiro de 2022 a agosto de 2026,
00:49quase 400 mulheres foram vítimas de feminicídio aqui no estado.
00:53Mas aqui nós queremos olhar para os autores e buscar pontos em comum.
00:57De cada 10 deles, 8 tinham algum tipo de antecedente.
01:02E desses, 4 por violência doméstica.
01:05Ou seja, esses autores já tinham passado pelo olhar do estado.
01:10E essa violência costuma escalar até chegar ao feminicídio.
01:14É que, na verdade, aquela agressão, aquelas agressões já vem a bom tempo.
01:18Já vem a bom tempo.
01:19Por isso, para mim, é o ponto comum de todas as questões de feminicídio, especificamente.
01:25E quando se desencadeia, acontece, se consuma aquele feminicídio,
01:30quando se vai verificar o histórico daquela relação,
01:33não que se tenha ocorrência, mas se verifica nos autos do inquérito policial.
01:37Aquela relação policial, se vê que aquele ciclo de violência já vem a bom tempo.
01:41Por outro lado, a cada ano vem reduzindo o número de autores com antecedentes por violência doméstica.
01:47Ou seja, quando a mulher consegue registrar, diminui a chance desse caso terminar num feminicídio.
01:53Embora o perfil varie bastante, de maneira geral, os autores são homens adultos,
01:57com média de idade de 38 anos.
01:59A maior parte tem baixa escolaridade com o ensino fundamental.
02:02Mas isso não quer dizer que o feminicídio não aconteça em todas as classes sociais e níveis de ensino.
02:09Cerca de 70% dos autores estão presos e cerca de 15% tiraram a própria vida após o crime.
02:17Quase 90% eram companheiros ou ex das vítimas.
02:21Esses homens apresentam comportamentos em comum.
02:24Eles não se enxergam como criminosos, veem essa mulher como objeto, como algo que pode ser destruído,
02:31culpam a vítima até mesmo depois que ela morre e não temem ser punidos.
02:35Alguns especialistas comparam esses criminosos com terroristas.
02:40Sim, a maioria não se entende como criminoso.
02:43Eles olham para a polícia como se não fosse com eles,
02:48como se aquelas celas, se aquelas algemas, se aquele inquérito policial não pertencesse a eles,
02:53porque, na visão deles, eles exerceram um direito regular,
02:58que é de controlar a vida da mulher, porque eles estão sob esse machismo estrutural e estruturante da nossa sociedade.
03:06Então, quando a gente diz estrutural, é algo que permeia boa parte dos lares brasileiros.
03:12Então, eles não se veem porque eles entendem ainda a mulher como objeto, como posse.
03:18Então, se o meu objeto não quer mais pertencer a mim, ele tem que ser exterminado.
03:22E como mudar essa realidade?
03:25Fazer com que esse homem se perceba como autor de uma violência,
03:29mesmo que ela ainda não seja física,
03:31os grupos reflexivos, como criado pelo programa Despertar da Polícia Civil,
03:36identificar os casos de forma precoce para evitar que essa violência escale,
03:40aumentar o monitoramento desses homens e educar as próximas gerações,
03:45são pontos considerados fundamentais.
03:47A Michele, por exemplo, é mãe de um menino de 4 anos.
03:50Ela diz que está educando o filho para respeitar as mulheres
03:54e para que essa história não volte a se repetir dentro da família dela.
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