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  • há 1 dia
Conduzido pelas memórias de João Marcello Bôscoli, ELIS & EU, documentário inédito que estreia em 25 de agosto exclusivamente no UNIVERSAL+, revisita a vida e a carreira de Elis Regina também por meio das histórias de artistas que dividiram com ela palcos, estúdios, amizades e momentos decisivos da música brasileira.
Reportagem: Abílio Dantas e Eduardo Rocha

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Transcrição
00:00Meu nome é Abílio, sou jornalista e coordenador de cultura aqui do Grupo Liberal, isso, de Belém do Pará.
00:06Uma alegria, uma satisfação falar com você, João Marcelo.
00:09Eu assisti o documentário ontem à noite e fiquei muito impactado com o trabalho, achei um trabalho muito bonito.
00:19E a minha primeira pergunta é assim, quando surge o convite, o que é que vem na sua cabeça?
00:27O livro tinha sido publicado em 2019, das suas memórias, e aí vem uma proposta de um novo produto audiovisual.
00:34A Elis tem uma presença no nosso audiovisual já forte, um filme de ficção, e o documentário, por exemplo, Elis
00:43e Tom.
00:44Então, por que participar, encampar um novo trabalho audiovisual, um documentário sobre a Elis?
00:50Olha, eu acho que a Elis, assim como outras figuras importantes do mundo,
00:57vamos, para fechar um pouco do mundo da música brasileira, das vozes e tal,
01:02eu acho que é uma figura que merece vários documentários, né?
01:05Quando eu vi há alguns anos isso, sabe, Abílio?
01:09Depois levanta, quantos livros tem sobre o John Kennedy?
01:13Quantos livros tem sobre a Marilyn Monroe?
01:16Quantos livros tem sobre o Elvis?
01:18Sobre o Mohamed Ali, né?
01:21E no Brasil tem três livros sobre a Elis, o que é um marco, é um feito,
01:27mas eu acho que cabe muito mais.
01:29Então, bom, quando o André me procurou, o livro já tinha sido escrito fazia um tempo,
01:34eu fiquei inicialmente encabulado, não é uma iniciativa minha,
01:40com medo da empreitada, sei lá, de ele ter algum problema e ele depois, sei lá,
01:46me achar culpado por não ter ido bem, não sei, porque é uma séria verdade, né?
01:51Porque já foi uma, para mim, uma coisa ousada escrever um livro, né?
01:58Mas só escrevi porque são memórias e tornei público porque ajuda a entender uma faceta da Elis Regina
02:03que talvez só eu e poucas pessoas pudessem retratar.
02:09Quando ele decidiu, tem um encabulamento, né?
02:12Eu fiquei encabulado e tal, inicialmente e tal, mas chegou um instante que eu falei,
02:16bom, peraí, eu não tenho mais o direito de ficar dessa maneira,
02:19porque são profissionais que estão na minha frente que leram o livro e decidiram,
02:23por conta própria, de que aqui tem uma história.
02:25E ele me explicou, né?
02:27O olhar de uma criança sobre a sua mãe,
02:30de ser um olhar, de novo, dessa criança, um olhar diferente, né?
02:34Você coloca a câmera num ponto diferente de observação dessa figura conhecida já bastante,
02:41mas esse lado não.
02:42E aí eu falei, beleza, mas é importante deixar claro que foi da mesma maneira conduzida
02:48como foi com o Hugo Prata, como foi com o musical da Elis,
02:52lá do Nelsinho Motta e do Denis Carvalho.
02:56Deixei as pessoas trabalharem.
02:58Então, o André decidiu, ele não me mostrou nada antes de estar pronto.
03:04Nada, eu não vi nada antes de estar pronto.
03:07João, eu preciso de um depoimento, você vai?
03:09Claro que eu vou.
03:10Se você abrir e me disser, João, estou fazendo um pós-doutorado aqui sobre a Elis,
03:14você pode falar?
03:15Posso, eu falo, entendeu?
03:17Então, eu vou, como eu vou a todo lugar.
03:20Fui, claro, né?
03:21Tentando entregar uma coisa mais bonita possível e tal.
03:25E vi pronto.
03:26Então, é uma jornada, é uma odisseia, né?
03:30Aproveitando o momento aí do Christopher Nolan.
03:34E a mim coube deixá-lo trabalhar, né?
03:38E não me meter.
03:39A gente até esteve juntos um pouco mais cedo.
03:42Imagina ele como diretor, tendo que debater comigo decisões técnicas do filme,
03:47que eu não entendo, mas ele tem que me ouvir só porque eu sou o autor do livro.
03:52Isso seria péssimo, né?
03:53Então, deixei ele trabalhar.
03:55Se você gostou, eu fico muito feliz porque partiu de um livro,
03:58de um depoimento que fiz pensando nos meus filhos, na minha mãe.
04:02Tem uma pureza ali.
04:04Fico feliz, mas é uma sorte também que tive de ter encontrado alguém que viu
04:10e conseguiu desenvolver uma obra que até agora as pessoas têm gostado.
04:15Claro que você também mede uma obra por aquilo que ela causa de oposição.
04:19Alguém não gostar, está tudo certo.
04:21Mas até agora o que me deixou muito feliz, porque é uma coisa muito pessoal
04:25e um campo afetivo muito íntimo, fiquei feliz de ter sido já entrevistado,
04:31ter conversado com pessoas que são muito diretas, né?
04:35Gente que eu conheço que falaria numa boa, gostei, não gostei, achei isso aqui.
04:40Até porque sabem que não é uma obra minha.
04:42E todo mundo gostou, então estou muito feliz.
04:44De coração, tipo...
04:48Deu certo, né?
04:50É, dá um alívio, né?
04:51Dá um alívio, né?
04:53A minha segunda pergunta é também ainda sobre essa questão do livro e do filme.
05:01Assim, o livro, o filme, como você bem demarcou, não é um projeto seu, né?
05:05Você está ali com um entrevistado e, enfim, e suas memórias permeando a produção.
05:11Depois, assistindo o filme e como entrevistado,
05:14teve alguma temática, algum assunto, algum episódio
05:17que no livro, de repente, não entrou nas memórias, mas com o filme.
05:22Você pensou assim, puxa, eu não tinha pensado nisso, nesse assunto, ou nesse episódio.
05:27O filme trouxe alguma coisa nova para as suas memórias, eu quero dizer assim.
05:31Sim, trouxe.
05:32Por exemplo, eu não mergulhei muito fundo no meu livro, na Elis trabalhando.
05:40Quando o Nathan Marques traz essa informação de que a Elis, em 81, escolheu nos bailes da vida
05:45e que ele sugeriu um arranjo meio na onda de something dos Beatles e que ela tocou e tal,
05:53tudo isso, primeiro, foi uma novidade para mim, mas tudo isso também me trouxe outras memórias
05:59que se isolaram como se fossem um único capítulo, dessas coisas profissionais,
06:06do que ela falou de uma mixagem, do que ela achou que o arranjo deveria fazer.
06:11Enfim, sim, deram umas destravadas na memória.
06:19Inauguraram novas alas do meu cérebro graças ao documentário.
06:23E é muito bonito ver como a memória se dá.
06:28Você vê, acho que esse documentário é famoso, tem uma bailarina espanhola que não reconhece
06:34a própria família, coloca uma música e ela começa a dançar a coreografia na hora.
06:40Então, a música e as memórias andam juntas.
06:45A capacidade de evocar memórias que a música tem e a capacidade de reter memórias que você consegue
06:52através da música, seja uma melodia para lembrar de uma fórmula química,
06:57seja um acorde que lembra um momento, é mágico.
07:02Então, sim, destravou situações como essa.
07:05Eu acho que para o público, alguma parte do público também vai se surpreender
07:10e entender melhor o seu início como músico ali com a bateria e com a produção.
07:18Nesse sentido, também acho que são informações também novas.
07:23A partir do contexto da Elis, a gente sabe o caminho do João.
07:27E como eu tenho só mais três minutos,
07:30eu queria pedir para você falar um pouco sobre os próximos projetos do João Produtor,
07:37enfim, e também em relação à memória da Elis.
07:40A gente sabe que a memória da Elis continua mais viva do que nunca.
07:47Olha, existe esse entrelaçamento que você notou.
07:51Hoje eu me dedico muito a um projeto de lançamento de artistas que estão chegando,
07:57artistas que já são novos, mas que já são conhecidos, alguns não conhecidos,
08:01que chama O Novo Sempre Vem.
08:04Então, como a gente está aqui para falar da Elis,
08:07está na cultura, está na Rádio Nova,
08:09a gente faz os shows aí no Blue Note, faz nos parques e tal.
08:13Mas veja como a Elis é entrelaçada em tudo.
08:15A Elis sempre lançou Artista Novo,
08:19compositores e tal, como cantora, eu sou produtor.
08:21E o nome do projeto é O Novo Sempre Vem,
08:23que é uma frase do Belchior que ela consagrou.
08:27Então, na minha vida, eu posso ir para lá, posso ir para cá,
08:30mas eu estou sempre com essa luz aí.
08:36Talvez em algum momento você vai ver uma foto
08:38do pequeno Joãozinho lá de três anos,
08:43dentro de um estúdio em Los Angeles,
08:44com uma bola de fita crepe, brincando pelo estúdio.
08:51O meu objetivo é ficar ali.
08:53Eu queria morar naquela foto,
08:54e é o que eu tento fazer todo dia.
08:56Eu vou ao estúdio, eu vou para brincar,
08:59eu estou com a minha mãe perto de mim,
09:00ela não está fisicamente na foto,
09:02mas está tudo ali.
09:04E é legal, eu gosto da ideia de ser um produtor
09:06que está ali o tempo inteiro trabalhando
09:08para aquela criança até hoje.
09:11É aquela criança que eu sirvo,
09:13e é aquela criança que eu tenho que ser leal,
09:16porque sou eu.
09:18Então, eu acho que eu consegui entrar no mundo adulto
09:23sem me adulterar tanto.
09:26Aquela criança continua aí.
09:28Então, os próximos projetos,
09:29seja o próximo álbum da Elis, no final do ano,
09:32seja esse O Novo Sempre Vem,
09:33que não é diretamente ligado a ela,
09:35ela está sempre ali.
09:36É o amor da minha vida.
09:40Poxa, só tenho a agradecer pela entrevista.
09:42Obrigado, eu que agradeço.
09:45Está bem, muito obrigado.
09:46Obrigado, que bom que você assistiu.
09:47Obrigado por ter assistido, viu?
09:49Em nome do André, eu te agradeço.
09:52Eu sou muito fã também da Elis,
09:53como muita...
09:55Tenho uma tia que tem todos os LPs,
09:57então cresci.
09:58Cresci, acho que todo mundo.
10:00É, todos, assim.
10:01E, assim, cresci com a voz dela.
10:04Então, é, adoro tudo que tem de documentário,
10:06para além do trabalho, eu assisto e filmes.
10:09Mostra o documentário a ela.
10:11Mostra o documentário a ela.
10:13Espero que ela se emocione.
10:13Ela vai mostrar tudo isso ao fim, com certeza.
10:16Que legal.
10:17Obrigado, Abílio.
10:18Obrigado, João.
10:19Tudo de boa.
10:20Obrigada.
10:21Até a próxima.
10:22Obrigado também.
10:23Tchau, tchau.
10:28Tchau, tchau.
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