00:00Bom, essa iniciativa, ela nasce através da curadoria da Casa da Cultura de Canando de Carajás,
00:05que é o equipamento do Instituto Vale aqui no Pará.
00:09E a gente casa com essa data, que é o Dia do Patrimônio Cultural.
00:13E a gente acha que nada mais interessante do que trazer as pessoas para a rua,
00:17onde de fato a cultura acontece, onde de fato a cultura se desdobra.
00:22Então a gente, enquanto Instituto, a gente tem esse compromisso
00:26de levar o acesso democrático à cultura
00:29e a gente trazendo as pessoas para o Centro Histórico,
00:32para conhecer a nossa história através do que foi a Academia do Peixe Frito,
00:38é muito significativo.
00:40E para isso a gente fez uma parceria com o professor Michel Pinho,
00:43que é um historiador, que é um comunicador,
00:46para levar para as pessoas a importância desse movimento,
00:50do movimento da Academia do Peixe Frito,
00:53para a gente refletir sobre a nossa cultura e sobre a nossa formação identitária.
00:57Olha, eu vim participar hoje porque é a minha primeira experiência, na verdade.
01:01Eu sempre tive interesse em assistir a aula com o Michel Pinho.
01:04Nunca tive o prazer de ser aluna dele em sala de aula,
01:07mas eu acompanho as redes sociais,
01:09admiro muito o trabalho que ele faz em meio do Pará.
01:11Hoje, inclusive, é meu aniversário,
01:13eu vim com a minha namorada e foi meu amigo,
01:15e nós viemos assistir a aula dele.
01:16Justamente para aprender um pouco mais sobre isso,
01:18eu acho que tudo vira repertório para quem é uma professora de redação,
01:22de literatura, de literatura.
01:23Então, o intuito foi justamente aprender um pouco mais sobre Belém,
01:27aprender essa relação que existe entre arte e literatura aqui no nosso estado.
01:32Aprender cada vez mais, né?
01:34Acho que a nossa profissão diz muito sobre isso,
01:35e ela foi bastante acusada.
01:37Assim, me surpreendeu positivamente.
01:39A gente, eu pensei que ia ser mais exaustivo do pessoal,
01:42mas a gente passou rápido, né?
01:44E prestar bastante atenção.
01:45Acho que o que foi rico, o que cresceu ainda mais,
01:48foi que a todo momento o Michel, o Pedro,
01:50eles acrescentavam uma coisa diferente, né?
01:52Não foi repetitivo.
01:54Eu achei incrível, assim.
01:55A gente só consegue amar o que a gente conhece, né?
01:58O conhecimento, ele é uma forma de pertencimento,
02:00uma forma de amor.
02:01O professor Michel Pinho foi meu professor de história,
02:04e Vicente se bigzou ainda no ensino básico
02:06para a ideia de Belém, patrimônio histórico,
02:09e principalmente para como a gente só pode proteger a cidade,
02:12conhecer a cidade a partir, enfim, da própria história dela.
02:16Eu sou professor de direção no Português de Literatura,
02:19sou livreiro, sou editor,
02:20e quando o Pinho foi esse convite,
02:22para mim foi a minha forma de contribuir para esse projeto.
02:25Um projeto que eu acho que é sempre,
02:27sobretudo, sobre proteger a cidade,
02:29valorizar a cidade,
02:31e narrar esse pertencimento ao contido,
02:33conhecimento sobre ela.
02:341.500 pessoas no domingo de manhã,
02:37embaixo desse sol,
02:39porque eu não ouvi a história sobre a cidade.
02:41Eu acho que isso sensibiliza a gente para entender
02:42que o que talvez esteja faltando em Belém
02:45não são pessoas que a amem,
02:48mas sim projetos que continuam fomentando
02:50a educação patrimonial,
02:51continuam fomentando a maneira de se experienciar a cidade.
02:55Cidade é movimento,
02:56a cidade não está estática.
02:57E a cidade, ela não é só um monumento,
02:59ela não é só a pedra tombada.
03:01A cidade é principalmente a existência das pessoas dentro dela.
03:05E esse tipo de experiência,
03:06esse tipo de movimento é essencial para isso.
03:08Acho que o principal é que o projeto modernista em Belém
03:11é que não perde em nada para o projeto modernista de São Paulo.
03:15A gente tem uma ideia errada de que o modernismo,
03:17que deve ser priorizado, que deve ser estudado,
03:19é o modernismo da Semana de Arte Moderna de São Paulo.
03:21A Academia do Peixe Frito foi um movimento modernista radical
03:25que nós tivemos,
03:26e que tem uma referência muito direta
03:28com o ponto que era Belém naquele momento.
03:30Belém era um centro de intelectualidade,
03:33era um caldeirão cultural,
03:35mas ao mesmo tempo atravessada pelas desigualdades,
03:37atravessada pela invisibilidade.
03:39Então, o projeto modernista da Academia do Peixe Frito
03:42é principalmente um retorno da própria experiência da cidade.
03:46Então, tem mais de 20 anos desse projeto,
03:48eu acho que ele tem uma relação muito própria comigo,
03:51que é de partilha.
03:53Chegar a essas quantidades de pessoas,
03:54quase mil pessoas saírem dessas casas no domingo de manhã de agosto,
04:00eu acho que diz muito sobre a relação da paixão que as pessoas têm com a cidade.
04:04É muito importante que a gente tome o dia 17 de agosto,
04:07não só como um dia do patrimônio,
04:09mas como um dia de luta.
04:12Porque a situação do patrimônio do estado de Belém,
04:14há décadas,
04:16vem sofrendo uma série de depredações,
04:21esquecimentos,
04:23ruína.
04:23E isso é importante para a gente pensar sobre ele.
04:26Nós tivemos muitos casos nos últimos três anos de incêndio,
04:30de estombamento,
04:31o que infelizmente faz com que o patrimônio da cidade se perca.
04:34A aula pública tem uma característica,
04:36que ela é uma aula.
04:37E uma aula tem duas coisas que são fundamentais.
04:39ela tem diálogo e ela tem questionamento.
04:41Fazer isso na véspera do dia do patrimônio histórico
04:45é, para mim, uma alegria.
04:46Mas também é uma missão.
Comentários