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  • há 2 dias
'Precisamos sobreviver à transição': especialistas alertam que reforma tributária pode fechar comércio

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Transcrição
00:00Olá pra você que já é empresário, seja micro, pequeno, médio ou grande, investidor no mercado,
00:08pessoa que gera emprego, vende produtos, produz.
00:13Alô pra você também que sonha em ter um próprio negócio e assim também gerar emprego, renda e contribuir com
00:21a economia nacional.
00:22Hoje aqui no Estúdio CGN a gente vai falar sobre a reforma tributária que já está em vigor e impacta
00:29diretamente um grande ciclo de pessoas,
00:34sejam os consumidores, os empresários, os contadores e é por isso que eu recebo aqui no Estúdio CGN o Diego
00:43Paim, que é contador,
00:44e também o Jefferson Silva, que é coordenador da Câmara Técnica Tributária da Associação Comercial e Industrial de Cascavel.
00:53Sejam bem-vindos.
00:55Vamos lá, a primeira pergunta para os dois.
00:58Essa reforma, ela traz nesse momento mais pontos positivos ou pra gerar preocupação?
01:06Ou trabalho?
01:08As duas coisas, né?
01:10Preocupação e trabalho.
01:12Preocupação por parte dos empresários, que a conta vai ficar mais cara, o custo tributário vai aumentar.
01:19E uma preocupação e mais trabalho para os contadores, que também já estão aí perdendo os cabelos, né?
01:27Para dar conta de tantas obrigações e tantas novidades que estão chegando com a reforma.
01:31Ontem, inclusive, na SIC foi realizada uma reunião que contou ali com 350 empresários, contadores.
01:40Vocês sentiram ali que as pessoas estão preocupadas ainda no que isso vai representar para elas no dia a dia?
01:47Exato. A reforma tributária já está em vigor desde 2023, dezembro de 2023, foi a aprovação da primeira lei.
01:57Mas só agora, em janeiro de 27, é que efetivamente há as primeiras incidências tributárias, os primeiros recolhimentos desse novo
02:07tributo.
02:07E nesse período, muita legislação foi escrita e essa legislação escrita precisa ser aplicada no dia a dia das empresas.
02:17E aí, como todo brasileiro fica acreditando muitas vezes que haverá prorrogação, que isso fica para depois, mas o depois
02:24chegou.
02:25A partir de segunda-feira, que era uma das urgências, todas as empresas do lucro real ou presumido, para conseguir
02:33emitir um documento fiscal,
02:34você tem que ter esses novos tributos parametrizados dentro do seu sistema, dentro do seu RP.
02:40A gente está falando de segunda-feira agora, dia 13 de agosto.
02:43Dia 13 de agosto, exatamente.
02:45E, como o Diego comentava antes, tem cliente ligando no escritório hoje, na sexta-feira, pedindo a orientação de como
02:53fazer essa parametrização.
02:54No dia a dia, quem é que vai sofrer o maior impacto?
02:58É o micro empresário, é o médio empresário ou é aquele que tem uma grande empresa?
03:03Inicialmente, agora, as empresas lucro real e presumido, que, como o Jefferson falou, a partir de segunda já precisam adequar
03:09a emissão dos seus documentos fiscais.
03:12E, a partir de janeiro, elas começam a pagar.
03:15Então, a apuração de janeiro, cujos impostos vencerão em fevereiro de 2027, já terão recolhimento desses novos impostos.
03:23As empresas do Simples, que é a grande maioria das empresas do Brasil, elas vão sentir o efeito da reforma
03:30mais a partir de janeiro do ano que vem.
03:32Então, nós temos, digamos assim, duas etapas.
03:35Agora, em agosto, a mudança dos documentos fiscais para as empresas lucro real e presumido.
03:40E, lá em janeiro, a mudança dos documentos fiscais para as empresas do Simples.
03:45Mas, isso não significa que as empresas do Simples podem ficar sem tranquilas, porque não tem nada que elas precisam
03:50fazer, né, Jefferson?
03:51Porque, agora, em setembro, elas precisam optar se elas querem estar no Simples ou não o ano que vem.
03:58E, a partir de setembro, também, as empresas prestadoras de serviços, elas vão ter que utilizar o portal nacional para
04:05emitir notas fiscais de serviços.
04:07Então, para as empresas do Simples, embora não haja agora, em agosto, a exigência dos campos, né, dos documentos fiscais,
04:14mas nós temos duas decisões importantes em setembro, que é se elas vão ficar no Simples ou não,
04:21se elas vão ficar no regime híbrido ou não, e a mudança para as prestadoras de serviço da emissão do
04:26documento fiscal.
04:27Na prática, Jefferson, são dois impostos que deixaram de existir e um outro que engloba tudo.
04:35Como é que é, na prática?
04:37Bom, para 2027, né, vamos falar do futuro próximo.
04:42O futuro próximo é extinção do PIS-COFINS, que são duas contribuições federais, e também do IPI.
04:50Do IPI, aqueles produtos que são comercializados na Zona Franca de Manaus, isso é sempre bom explicar,
04:59porque alguns falam, ah, o IPI vai acabar, eu não vou mais ter que recolher IPI, eu tenho uma indústria.
05:05Não, depende.
05:06E o produto que você faz é o mesmo, existe uma produção daquele item lá na Zona Franca de Manaus,
05:14você ainda continuará tendo que recolher o IPI.
05:16Ele não foi extinto, ele vai ser tratado a 0,99,8% dos casos, mas tem aquele 0,2
05:24% que vai ter que recolher.
05:26Mas para o ano que vem, então, extinção total do PIS-COFINS, que é esse IPI residual, 0,2%
05:32dos casos,
05:33e a entrada em vigor da CBS, Contribuições sobre Bens e Serviços.
05:38Então, esse tributo de, essa contribuição, que vai ser de natureza federal, vai valer para todo o país,
05:45uma alíquota única para todos os lugares, todos os contribuintes.
05:50Independente se ele está num lucro real, num lucro presumido, a alíquota é a mesma.
05:54O que a legislação traz em termos de alíquota?
05:58Existem reduções a depender da tua atividade e a depender do produto comercializado.
06:05Produtos, por exemplo, destinados à alimentação humana, dessa alíquota básica,
06:10dessa alíquota referência, vamos tratar assim, terá uma redução de 60%.
06:15Produtos que compõem a cesta básica nacional, redução de 100%.
06:20Produtos do agronegócio, redução de 60%.
06:24Então, a depender, por isso, a importância dessa leitura agora,
06:29dessa preparação para que em janeiro, você não tenha um recolhimento a mais.
06:33Não é porque a alíquota foi estabelecida em 9%,
06:39que é uma estimativa que está aí, inclusive, hoje, da alíquota para ir para o ano que vem,
06:44não é todo mundo que vai recolher 9%.
06:47Cada setor, cada atividade, cada produto pode ter ali um tratamento diferenciado.
06:54E aí é muita atenção e muito zelo com as informações fiscais,
06:59com o preenchimento dos sistemas e com o cadastro para que esse recolhimento fique adequado.
07:04Agora, pensando nesse período de transição de 8 anos até, então,
07:10todas essas mudanças estarem valendo na prática,
07:14qual vai ser o aumento da carga tributária?
07:17Porque haverá um aumento da carga tributária,
07:19da porcentagem que o empresário tem que despender.
07:22Vai ser de quanto?
07:23Quanto é agora e a quanto vai chegar?
07:26Os empresários gostam, e até os contadores gostam de regras.
07:31Eles querem, sim, que a gente crave um percentual.
07:34É 10, é 15, é 20.
07:36E, na realidade, ninguém sabe, porque depende de cada empresa,
07:39depende de quem ela compra, quem é o fornecedor dela,
07:43em que regime tributário esse fornecedor está,
07:46depende para quem ela vende, se o cliente dela vai precisar do crédito ou não.
07:50Então, são vários fatores.
07:52Existe um detalhe importante que nós comentamos ontem também na palestra.
07:55Às vezes o cliente diz assim,
07:57ah, eu quero ir para o regime do simples híbrido porque eu quero dar crédito.
08:01Não existe dar, só se aproveita na etapa seguinte o imposto pago na etapa anterior.
08:07Ninguém dá nada.
08:09Então, para você poder dar crédito, você terá que pagar por ele.
08:12Haverá um aumento.
08:14E a mesma coisa é aqueles que saem do simples.
08:17E aí nós temos um outro fluxo,
08:18que é aquelas empresas que fora do simples ficou desvantajoso
08:21e elas querem voltar para o simples e elas, por exemplo, têm débitos.
08:25E um dos requisitos para uma empresa ficar ou ingressar no simples
08:29é a regularidade fiscal.
08:30Então, não existe uma resposta pronta.
08:34Nós temos uma expectativa de que haverá um aumento,
08:36que como o Jefferson falou,
08:38a gente parte de uma alíquota que hoje no lucro presumido 3,65%
08:41que vai para 9%.
08:42Então, ela aumenta 6%.
08:44Então, aqui a gente já sabe que haverá um aumento.
08:46Mas aí vai depender muito se essa empresa toma créditos ou não.
08:50Então, é uma realidade que é caso a caso
08:52e que é muito difícil fazer uma previsão 100% correta agora
08:56porque vai depender do que vai acontecer no mercado no que vem.
08:59De repente, o teu fornecedor hoje está no simples, ano que vem não estará.
09:03De repente, hoje o teu fornecedor te dá crédito e ano que vem não dará.
09:07Então, tem várias variáveis para você poder definir um percentual.
09:13Mas assim, que haverá um aumento, isso haverá.
09:16Tanto de alíquota quanto de encarecimento nos serviços.
09:20Porque se o serviço do Jefferson, que é advogado, fica mais caro,
09:23o meu serviço, que é contador, fica mais caro,
09:26todos os serviços vão ficando mais caro
09:28porque existe um aumento de carga tributária.
09:30O que acontece para o consumidor lá no fim
09:32que precisa do serviço do advogado, precisa do serviço do contador?
09:35Ele paga mais caro.
09:37Então, além de um aumento de alíquota,
09:39um aumento de carga tributária,
09:41a gente vai ter um aumento geral nos serviços.
09:45Eu acho que, só complementando aqui o Diego,
09:49quando o governo federal estabelece uma alíquota de 27,91,
09:57entenda que esse é um percentual a nível Brasil.
10:00Só que quando você vai tratar que todo mundo vai pagar
10:04para chegar nesse 27,91,
10:07cada setor vai corresponder com um pouquinho.
10:10Existiam setores que recolhiam menos,
10:13não quer dizer que não era bastante,
10:14mas recolhiam menos e que agora vão ter esse aumento,
10:17como as empresas do lucro presumido.
10:18Elas contribuíam para o indicador Brasil de recolhimento,
10:23mas agora essa carga tributária está sendo redistribuída
10:27entre todos os setores.
10:29O agro vai pagar mais,
10:31o comércio vai pagar mais,
10:34o serviço, principalmente, vai pagar mais.
10:37Então, essa redistribuição
10:39é o que tem assustado muitos empresários
10:43para saber o quanto é.
10:45Mas é difícil, como o Diego falou,
10:47cravar o número
10:48se nós não temos nem ao certo a alíquota
10:50e ainda um fator que só vamos descobrir em 2027
10:54que é o fator comercial.
10:57O Diego também falou.
10:59Como que vai ser o meu fornecedor?
11:01Ele vai me passar o crédito?
11:03Esse aumento de percentual na alíquota,
11:06ele vai assumir para ele?
11:07Ele vai me passar no preço para mim?
11:08Eu consigo repassar para o meu consumidor
11:11essa diferença de alíquota?
11:13Eu tenho margem para isso?
11:14E esse cenário, infelizmente,
11:17a gente só vai conhecer ele, de fato, em 2027.
11:21E a gente tem, estão passando agora
11:23por esse período de transição também,
11:25que é até maior,
11:26até são oito anos.
11:28Vocês imaginam que em que momento
11:30a gente vai ter benefícios reais,
11:33assim, com essa reforma?
11:35Porque, ao que parece,
11:36nesse momento, ela traz um impacto muito grande,
11:39seja na cabeça dos contadores,
11:42que vão funcionar ali com dois modelos ao mesmo tempo,
11:45e também nos preços, que podem subir.
11:48Agora, qual vai ser o benefício daqui a oito anos?
11:52Para quem vai ser o benefício?
11:55Bom, para quem conseguir estar de pé daqui a oito anos...
11:58Tem que sobreviver até lá.
11:59O empresário tem que sempre viver.
12:01Os contadores e os empresários que sobreviverem esses oito anos,
12:05eu acredito que sim, teremos uma simplificação,
12:07porque daqui a oito anos vai terminar, então,
12:10essa guerra fiscal dos 26 regulamentos diferentes de CMS,
12:14essa necessidade das empresas ficarem abrindo filiais
12:17em vários estados para aproveitar benefícios.
12:19Então, isso vai terminar também essa questão dos regulamentos de SS,
12:24que cada município tem uma regra.
12:26Se você paga um imposto em Cascavel,
12:28ele é diferente de Santa Tereza, diferente de Toledo.
12:30Então, isso também vai melhorar.
12:33Então, eu acredito que lá no fim, sim,
12:35a gente terá uma simplificação e uma melhoria.
12:38O que nos preocupa hoje
12:40é que a gente não consegue dar um pulo para daqui a oito anos.
12:43A gente vai ter que viver essa fase de transição.
12:46E o que nós estamos vivendo hoje, Luiz?
12:48Assim, o governo solta as instruções em cima do laço, né?
12:53Então, hoje saiu uma notícia que em agosto,
12:57agora dia 13 de agosto, as empresas têm que mudar.
12:59Então, o governo vinha dando uma expectativa de que poderia prorrogar,
13:02poderia prorrogar, poderia prorrogar.
13:04E daí chegou hoje, ele disse que não,
13:06que está mantida a data do dia 13 de agosto.
13:08Então, ele cria todo um aceleuma no mercado, né?
13:11E isso é ruim para o empresário, isso é ruim para os contadores.
13:14Então, por isso que nos preocupa.
13:16Além do que, hoje o sistema já não funciona.
13:20A FENACOM, que representa as empresas de contabilidade,
13:23enviou um ofício para a Receita Federal,
13:25justamente porque desde segunda-feira,
13:28muitos sistemas da Receita estão inoperantes.
13:30A gente não consegue nem gerar guias para recolher os impostos.
13:33Então, se hoje já não funciona,
13:36como que vai funcionar o ano que vem?
13:38Como que a apuração assistida,
13:40que vai ser o governo que vai ajudar o empresário a apurar os impostos,
13:42vai funcionar, se hoje, que nem está assim, funciona.
13:47Então, por isso que nós iniciamos falando, né?
13:49Os contadores estão muito apavorados, né?
13:53O empresariado pode ser penalizado de alguma forma
13:56se não conseguir se adequar a essas regras?
13:59Eu digo no sentido de multas, alguma coisa nesse sentido?
14:02Caso ele não consiga adotar as medidas corretas,
14:06agora com essas mudanças todas?
14:07Sim, a penalização do empresário, né, Jefferson,
14:11vai ser pelo erro no documento fiscal
14:14e pela paga na tomada de créditos.
14:17Então, se você emitir uma nota fiscal errada,
14:19você pode pagar um imposto a maior.
14:21E se você não tiver uma boa gestão dos teus créditos tributários,
14:25você pode perder créditos e aí acaba pagando mais imposto.
14:29O Jefferson ontem deu uma aula sobre isso,
14:31gostaria também que ele complementasse.
14:33Eu acho que uma das coisas que difere do modelo atual
14:38com essa reforma tributária
14:39é que eles trataram de crédito financeiro.
14:41Já deu um breve relato aqui.
14:44Você só faz crédito, ninguém dá crédito.
14:46Se você pagar, você tem ele.
14:48E como a reforma tributária, ela trouxe o crédito financeiro,
14:52então vamos trazer dois sinais.
14:53O meu fornecedor emitiu uma nota errada
14:57e veio o crédito a menor.
14:59Eu só tenho o direito de me acreditar no valor que ele pagou.
15:03Se ele emitiu a menor, eu tenho que cobrar ele
15:05para que ele faça um complemento
15:07e eu tenho o direito desse crédito a maior.
15:10E na outra ponta ainda, que é o consumidor final,
15:13então, tem uma loja que atende pessoas físicas,
15:17eu faço a emissão do documento com um crédito a maior,
15:20quem pagou por esse débito?
15:23O consumidor final.
15:25O valor vai estar destacado lá no documento fiscal,
15:28no cupomzinho fiscal.
15:30Como que eu passo para restar-se se eu mandei errado?
15:33Quem pagou por esse governo simplesmente,
15:35olha, não foi você quem pagou,
15:37foi o Diego que comprou lá a roupa na sua loja.
15:40Quem tem o direito eventual de questionar isso é o Diego.
15:43Então, hoje, esse hábito que tem muitas empresas de,
15:47ah, eu vou voltar os últimos cinco anos
15:49e vou recuperar todo o imposto que eu paguei a maior, não.
15:52Quem está pagando é o consumidor,
15:54quem tem o ressarcimento disso é o consumidor.
15:57Falando nisso, até eu vou perguntar para o Jefferson,
16:00mas também, Paim, pode comentar junto.
16:02A gente estava falando que a gente precisa torcer
16:05para o empresário sobreviver a esses oito anos,
16:08para que ele possa ser beneficiado depois.
16:10Mas também precisa torcer para que o nosso poder de consumo
16:15acompanhe esse crescimento da carga tributária que vai ser paga?
16:19Perfeito, perfeito. Por quê?
16:22A alíquota, como foi hoje, essa estimativa de 27,91%,
16:28ela não vai ser aplicada integralmente no ano de 2027.
16:33Ela vai começar com a parte federal
16:35e aí tem todo esse escalonamento de oito anos,
16:38de dois sistemas coexistidos
16:40e os novos tributos com alíquotas sendo reduzidos.
16:44Então, anualmente, o ICMS vai ter um percentual de redução
16:48e um aumento da CBS, que é esse imposto.
16:51E, óbvio, que esse aumento que vem,
16:53ele vem maior do que a redução que acontece nos tributos atuais.
16:57Ou seja, eu reduzo dois pontos percentuais de ICMS
17:00e aumento quatro pontos percentuais de ICMS.
17:03Uma matemática boa para o governo.
17:04Uma matemática boa para o governo.
17:06E aí, inevitavelmente, o preço dos produtos,
17:09principalmente o consumidor final,
17:11o serviço, como o Diego já falou, vai sofrer esse acréscimo.
17:14E sofrendo esse acréscimo, considerando já a nossa própria inflação,
17:17o poder aquisitivo, temos que torcer para que a economia vá bem,
17:21para que consiga ainda suportar essa carga tributária.
17:26No meio de janeiro, a gente costuma dizer que pode haver
17:29uma inflação de acomodação tributária.
17:32Ou seja, todo mundo joga o preço para cima,
17:35ou melhor, coloca o tributo por fora do produto.
17:38Então, hoje eu tenho um produto que custa R$100,
17:41eu vou acrescentar os 9%, eu vou vender ele por R$109.
17:45Ah, R$109 eu não consegui vender, o mercado não foi.
17:48Ah, mês que vem eu baixo ele para R$105.
17:50No outro mês eu baixo para R$103, eu vendi.
17:53Então, essa é a acomodação.
17:54Mas isso não tem como te dizer, precisamente,
17:57quanto tempo demorará essa acomodação.
18:00Agora, Paim, certamente vocês devem escutar muita reclamação
18:06de todos os clientes do escritório de contabilidade
18:08em relação à quantidade de impostos que uma pessoa que está tentando
18:12ter o próprio negócio e gerar empregos tem que pagar.
18:16Você imagina que, nesse tempo, a gente vai ter um aumento
18:20de empresas fechando as portas, ou você acha que só vai aumentar o trabalho?
18:27Luiz, aproveitando, inclusive, aqui o grande alcance da CGN,
18:32essa tua pergunta é fundamental pelo seguinte,
18:34ela traz muitas questões juntas.
18:37Então, tem alguns empresários que chegam no escritório
18:40e eles dizem assim, ah, agora com a reforma tributária tudo vai mudar.
18:44E não é assim.
18:46Então, imagina uma casa ali, às vezes a gente fala assim,
18:49ah, estou reformando a casa.
18:50As pessoas, às vezes, imaginam que estão reformando a casa inteira.
18:52Mas não é isso, eu estou reformando só a indigna.
18:55Então, essa reforma tributária, ela pega só uma parte dos impostos.
18:59Então, por exemplo, o imposto de renda continua,
19:02a contribuição social continua,
19:05a parte previdenciária continua,
19:07o fundo de garantia, ninguém nunca falou que o fundo de garantia
19:10entraria na reforma tributária, então continua.
19:13Então, vários impostos continuam sendo pagos normalmente.
19:17O que mudou?
19:18O PIS e a COFINS, o ICMS, o ISS e o IPI.
19:22Esses cinco viraram dois, mas os outros continuam.
19:25Então, já chegou o MEI lá no escritório, Jeff,
19:28perguntando o que a reforma tributária ia acontecer,
19:31se o MEI iria fechar.
19:33E é importante a gente dizer isso.
19:34O MEI permanece, o MEI não será alcançado pela reforma.
19:38A questão é assim, será que para o MEI é vantagem continuar no MEI?
19:42Porque imagina um MEI que presta serviço a uma cooperativa.
19:45A cooperativa, ela vai querer o crédito.
19:47E o MEI, como ele não paga, ele não dá o crédito.
19:50Então, para a cooperativa, às vezes, não vai mais ser vantagem continuar contratando o MEI.
19:54Então, o MEI, não por força de governo ou por força de lei,
19:57mas por uma opção, ele vai ter que sair do MEI para continuar atendendo a cooperativa.
20:02Então, isso é muito importante a gente deixar claro.
20:05A mesma coisa o Simples Nacional.
20:07O Simples continuará existindo na forma como ele é hoje.
20:10A grande questão é o seguinte, vai ser vantagem para o empresário ficar no Simples ou não?
20:14Existem grandes empresas que já estão mandando informações para os seus prestadores de serviço do Simples,
20:20dizendo assim, amigão, a partir do ano que vem, se você continuar no Simples,
20:23você não vai mais poder prestar serviço para nós.
20:25Então, você precisa ir para o presumido ou ir para o regime híbrido do Simples.
20:30O que é o regime híbrido?
20:32Alguns impostos pagam no Simples e alguns impostos por fora do Simples.
20:36Esses que pagam por fora do Simples, dá o crédito lá na frente.
20:40Entendeu?
20:40Mas vai ficar mais caro mesmo para as do Simples.
20:43Então, o MEI continua existindo, o Simples continua existindo.
20:46O que vai existir agora é que nós teremos um plus no Simples.
20:50Que vai existir o Simples híbrido.
20:51E nós temos daí as empresas do lucro real e do presumido, que daí estarão dentro do regime normal.
20:57Quanto à pergunta do fechamento, eu acho que o mercado, como nós falamos ontem,
21:02o empresário não tem a opção de pedir a conta.
21:05O empresário não pode fazer isso.
21:07E a gente já passou por várias reformas.
21:09Como o Jefferson falou, o mercado se acomoda.
21:13No sentido de se acomodar, o que eu quero dizer é que ele se ajusta.
21:17O mercado não para.
21:18O empresário não pode parar.
21:20Ele não tem como fechar a empresa e pedir a conta.
21:22Ele tem que continuar.
21:23De qualquer maneira, ele vai continuar.
21:25Teremos alguns fechamentos?
21:27Já estamos vendo alguns fechamentos.
21:29E nós estamos vivendo uma época de quase aquilo que a gente chamaria de uma tempestade perfeita.
21:34Além da reforma tributária, temos outros fatores que estão complicando a vida do empresário.
21:40E eu vou te citar só dois.
21:42Selic é altíssima.
21:43Então, esse empresário que precisa de um crédito, está caro para ele pegar um crédito.
21:48Então, ele não está conseguindo capital de giro para, às vezes, conseguir fechar aquela conta do mês.
21:52E agora, essa questão da jornada 5x2, que também está impactando muito as empresas.
21:57Então, o empresário olha para frente e vê o seguinte.
21:59A reforma tributária vai me encarecer meu produto.
22:02Vai me encarecer meu serviço.
22:03Ou seja, vai ficar mais caro para mim trabalhar.
22:05Se eu precisar ir no banco pegar crédito, está caro.
22:10Também inviabiliza.
22:11E os meus funcionários agora vão mudar também a jornada deles.
22:14De repente, eu tenho que contratar.
22:16Sendo que nós temos em Cascavel quase 2 mil vagas de emprego que não preenche.
22:20Então, como que ele vai fazer?
22:21Dinheiro está caro, imposto só aumenta e pessoas para trabalhar cada vez mais difícil.
22:26Então, para o empresário, é um cenário desafiador.
22:29E instável também, porque a gente está vendo.
22:31É tanto detalhe.
22:32É tanta nova informação.
22:35A impressão que dá é que o cenário ficou meio que uma areia movediça.
22:39Você não sabe aonde que vai afundar, aonde que não vai afundar.
22:43A gente está no clima agora de quem viver, verá.
22:45É mais ou menos isso que está acontecendo.
22:47A gente ainda tem que esperar para ver os impactos.
22:50É, como já falamos.
22:51Aqueles que sobreviverem, a tempestade, obviamente, irão colher os frutos.
22:57E para sobreviver a essa tempestade, é preparação.
23:00Precisa estar atento a essas mudanças, antenado principalmente com essas alterações que possam afetar ali essa adaptabilidade.
23:12Aqueles que melhor se adaptarem nesse período, sem dúvida, ficarão aí, nadarão de braçada depois no mercado.
23:21Agora, se você simplesmente fechar os olhos e esperar que a coisa aconteça, ela vai acontecer da pior maneira.
23:27Ou esperar que o contador venha te avisar, né?
23:30Então, o contador não me falou que o imposto ia aumentar, o contador não me falou que ia acontecer isso,
23:35né?
23:35Então, olha, nós estamos aqui hoje na CGN falando, ontem nós tivemos o evento.
23:40Isso está sendo falado em vários meios de comunicação, a imprensa, o próprio governo também tem dado uma ampla divulgação.
23:46E ainda tem pessoas que vão dizer depois, né?
23:49Ah, o meu contador que não me avisou que o meu imposto ia aumentar.
23:53Então, para quem já tem empresa ou está pensando em abrir, casa com o contador.
24:00Fala com ele todo o tempo, conversa, aprenda, leia.
24:03Você até comentou, Pai, né? A importância de ler sobre esse assunto.
24:07Exatamente, estudar a legislação, né?
24:08A empresa, ela não é do contador.
24:11O contador, ele registra, por coisas erradas, ele registra os fatos que aconteceram na empresa.
24:18E orienta, obviamente, os cadastros ali, como que é a parte fiscal.
24:24Então, esse zelo pela conta, né?
24:27Todos esses cálculos falando, ah, eu fico no regime híbrido, vou para o regime híbrido, fico no simples, lucro real,
24:34lucro presumido.
24:35O contador vai te dar o apoio para você fazer o cálculo.
24:39Mas quem vai dar toda a base de informações é o empresário.
24:43O contador vai chegar lá, você quer calcular? Então tá.
24:45Quem são os teus principais fornecedores?
24:47Eu não sei, é você que compra.
24:48Quem são os teus principais clientes? É você.
24:50Quanto que são, qual o aluno de funcionário que você precisa para trabalhar?
24:54Eu também não sei, é você.
24:56Então, todas essas informações, se ele não iniciar e não chegar para o contador para conversar com ele,
25:02o contador não vai conseguir dar uma resposta assertiva.
25:04E aí, muitas vezes, ah, porque o meu contador falou que era melhor para eu fazer assim.
25:08Óbvio, você não entregou informações para ele tomar a decisão.
25:12Ele sempre toma a decisão com base no que ele tem de recursos em mãos.
25:18Exatamente.
25:18Normalmente, as empresas têm, às vezes, contratos de serviço e acabam não pedindo nota fiscal.
25:24Então, se ela não pede a nota fiscal, como que o contador vai adivinhar que teve aquela despesa
25:29ou qual é o crédito que poderia ter tomado daquela despesa que sequer o contador sabia que teve?
25:36Então, veja, já começa por aí.
25:37Então, para a contabilidade apurar os créditos, a gente precisa ter a informação.
25:42E a informação, ela vem da nota fiscal de compra.
25:45Começa por ali.
25:46E aí, depois, a questão da venda correta também.
25:49Então, aonde que é emitida a nota fiscal?
25:52Não é no escritório de contabilidade.
25:53A nota fiscal é emitida lá dentro da empresa.
25:55Quem conhece os clientes?
25:57Quem conhece os fornecedores?
25:58Não é o contador, é o empresário.
26:00Então, não tem como terceirizar essa responsabilidade.
26:03O lucro é de quem?
26:04Eu nunca vi nenhum empresário chegar lá no escritório de contabilidade e dizer assim,
26:08ó, esse mês nossa empresa deu um monte de lucro, vamos aqui dividir.
26:11Não, o lucro é do empresário.
26:13A responsabilidade é dele.
26:14Ele precisa verificar essas questões da reforma tributária.
26:17E não terceirizar isso, dizendo assim, ah, isso é o meu contador que resolve.
26:22O contador orienta, o contador passa as informações.
26:24Mas quem vai operacionalizar isso não é o contador.
26:28A menos que seja contratado para isso, obviamente, né?
26:30Então, não é um casamento, é mais uma amizade mesmo para conseguir fazer...
26:36Colorida e duradoura.
26:37Colorida e duradoura.
26:38Eu quero agradecer, Diego Paim, obrigado também, Jefferson Silva, por terem vindo aqui
26:43ao Estúdio CGN, o assunto é complexo e provavelmente vai precisar falar muito mais
26:48sobre ele ao longo dos próximos anos, né?
26:50Com certeza, com certeza.
26:51E precisamos, estamos à disposição.
26:53Obrigado pelo convite, sempre que precisar, estamos aqui à disposição.
26:57Muito obrigado.
26:58Luiz Raab para a CGN, a informação em tempo real.
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