00:00O que significa para você ser a homenageada nacional do Festival de Cinema de Vitória?
00:04Olha, quando eu recebi a notícia, o convite, eu fiquei muito nervosa e toda hora eu fico me perguntando assim
00:13o que isso representa? Para mim representa muita coisa, porque você ser homenageada pelo seu trabalho
00:20Aline, assim, eu sou uma pessoa que eu me conheço através do trabalho
00:24O trabalho como atriz, os personagens, é até difícil falar porque eu sempre me emociono
00:32Para mim é a minha vida, é a minha trajetória, né?
00:37Então significa muita coisa, assim, você ser homenageado por conta do seu trabalho, né?
00:43Por conta desses personagens lindos que eu tive a oportunidade e o privilégio de fazer
00:47Esses personagens que me ensinaram a beça, ser uma mulher melhor
00:51Então, quando eu ando às vezes na rua, as pessoas sempre comentam, sabe?
00:56Algum personagem que mexeu, isso para um ator, para um artista que está ali desenvolvendo a obra
01:02Para o nosso ofício, é algo que você fala, poxa, que legal
01:06Difícil é aceitar a homenagem, porque, assim, são tantas pessoas maravilhosas, né?
01:12Então para mim ainda é um pouco difícil às vezes aceitar e falar
01:16Dessa vez sou eu
01:18Mas eu estou muito feliz, muito, muito radiante, assim, muito grata por esse momento
01:24E qual personagem você considera que foi divisor de águas na sua carreira?
01:28Bom, eu sou uma atriz que eu comecei pelo teatro, né?
01:32Eu nasci em Petrópolis, é uma cidade do interior do Rio de Janeiro
01:36Então, assim, eu não tinha muita dimensão
01:39Porque também na minha família, assim, não tinha ninguém que fosse mais ligado para essa área artística
01:45Assim, eu tinha um tio, mas assim, era muito, tudo era muito distante
01:50Então, eu fui me aproximando através do teatro
01:56E, de repente, a minha vida virou quando eu entrei para o audiovisual
02:00Que é uma coisa que acontece mesmo, né?
02:03Porque eu tive o privilégio de fazer um personagem
02:06Que é a Casa das Sete Mulheres
02:07Que era, assim, uma protagonista absoluta
02:11E a história dela era muito linda
02:13E, em seguida, eu fiz Olga Bernardo
02:15Então, assim, eu não tenho como não citar esses dois personagens
02:18Que foi essa virada, sabe?
02:19Quando eu me pergunto qual o personagem, assim, eu tive a honra de fazer muitas mulheres maravilhosas
02:24Mas, nesse período da minha vida, eu tinha 27, 28 anos
02:28Eu vi minha vida mudando radicalmente
02:31E é uma história que eu tenho muito orgulho
02:33Agora, o mais louco é que...
02:36Olga Bernardo, ela me trouxe, assim, muitos presentes na vida, né?
02:40Mas é que eu já tenho mais de 20 anos que eu fiz esse papel
02:43E, ainda hoje, as pessoas falam de Olga Bernardo
02:46E, mais do que isso, é que a Olga passa muito nas escolas
02:50Porque é uma história mundial e do nosso país, né?
02:54Então, tem muitas adolescentes, assim, 14, 15 anos
02:57Que vêm falar comigo
02:59E eu falo, nossa, eu já sou tia deles, né?
03:02E eles vêm falar, assim, poxa, eu vi esse filme na escola, assim
03:06Como o desdobramento dos nossos...
03:09Do nosso trabalho, né?
03:10Como artista, a gente não tem noção, assim, como ele vai se desdobrando, né?
03:14Como que a gente vai passando, encantando as pessoas
03:18As pessoas vão aprendendo coisas, criando diálogos, né?
03:22Isso me enche de alegria
03:23Então, acho que esses dois papéis, assim, foi uma mudança radical de vida, sabe?
03:26E como você vê o cenário atual do cinema brasileiro?
03:30Olha, eu acho que a gente está atravessando um momento de ouro, assim
03:34Um momento de muita alegria no cinema
03:36A gente está sendo muito reconhecido lá fora e aqui dentro
03:40Para a gente ter muito orgulho do nosso cinema nacional, né?
03:43Eu acho que estamos aqui em Vitória fazendo um festival de cinema
03:4833º ano, olha quanto tempo já existe esse festival
03:52Tanta gente passou por aqui
03:53Tanta gente teve seu trabalho reconhecido aqui nesse festival
03:56Mas é uma luta constante
03:57Por mais que a gente tenha alcançado todo esse reconhecimento
04:01A Fernanda Torres, o Wagner Moura
04:03Nos representou tão bem lá fora, sabe?
04:05Que orgulho, né?
04:06De vê-los, lê-los, fazendo personagens lindos
04:10E mais do que isso, defendendo o cinema nacional e a cultura brasileira
04:14Mas eu vejo que é uma luta constante
04:16Porque a nossa indústria ainda não é essa indústria
04:19Que seja igual para todo mundo, para toda a região
04:22E a gente sabe o quanto é difícil ainda
04:25A gente está, né?
04:27Cinema brasileiro é resistência, né?
04:29A gente não tem como falar
04:30A gente ainda tem, cada vez está melhorando
04:33Mas a gente ainda tem muito caminho pela frente
04:35Ainda precisa de muita política pública
04:37De muito fomento, né?
04:39De muita formação de plateia
04:41A gente tem filmes maravilhosos
04:43Ainda tem que trabalhar muito a distribuição desses filmes
04:45Então, assim, é uma luta constante
04:47Você já fez drama, já fez comédia
04:50O que ainda falta?
04:51Tem algum sonho, algum personagem que você deseja ainda realizar?
04:54Olha, essa homenagem está sendo um sonho
04:56Porque eu não imaginava, assim, isso acontecer
04:59E isso é um sonho realizado
05:02Nunca sonhava com isso
05:03Foi um presente, assim, de você falar
05:05Nossa, que lindo, por que não?
05:09Eu acho que eu gosto de trabalhar com pessoas, assim
05:13Eu gosto de conhecer os teus encontros com os personagens
05:16Eu não saberia te dizer um específico
05:18Mas eu acho que personagens da atualidade, né?
05:22Que a gente possa criar pontes de diálogo, de reflexão
05:25Então, isso me interessa muito
05:26Seja na comédia, no drama, na tragédia
05:28Aonde for
05:29Eu estarei aqui com o meu corpo pleno
05:33Para o chamado
05:34Muito bom
05:36Obrigada
05:36Obrigada
05:37Obrigada
05:37Obrigada
05:38Obrigada
05:38Obrigada
05:40Obrigada
05:41Obrigada
05:42Obrigada
05:43Obrigada
05:44Obrigada
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