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  • há 17 horas
Paulo Germano comenta sobre a final da Copa do Mundo de 2026

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Transcrição
00:00Hoje é a melhor parte do jogo, mas antes gostaria de fazer uma observação e vocês me perdoem, Gabriel, o
00:04meu azedume, a minha aspereza muito própria, aliás, de uma segunda-feira insuportavelmente chuvosa como hoje, mas que jogo chato!
00:10Pelo amor de Deus! O meu déficit de atenção me engoliu, não sei como foi pra ti, Gabriel, que também
00:15tenho TDAH como eu, mas diversas vezes, quando eu me dei conta, eu tava no celular vendo o vídeo do
00:19Loro José, que é Loro Mané agora, né, na verdade.
00:22Por quê? Porque, Kelly, a gente passou seis semanas vendo, Gabriel, viradas improváveis, azarões, né, destemidos, prorrogações enlouquecidas, pênaltis dramáticos,
00:33aí chega a final da Copa do Mundo, pô, que pasmaceira, um troço truncado, arrastado.
00:39Eu achei muito chato o jogo, e tava vendo alguns comentaristas, comentando, o Juca Kifuri, por exemplo, foi a pior
00:44final de Copa do Mundo que ele já viu.
00:47Eu realmente, eu me diverti muito mais com o Egito e Irã, né, nessa Copa do Mundo, né, Jordana e
00:51Argélia foi muito melhor.
00:53Então, se alguém assistir só a final, a minha impressão é de que concluiria que a Copa foi ruim, o
00:58que seria uma imensa injustiça, né, foi a Copa do Mundo mais legal que eu já vi, foi sensacional, foi
01:02espetacular, aquele tem toda razão.
01:04Não só com recordes de público, mas com narrativas fabulosas, né, cada jogo tinha uma nova grande história, personagens inesquecíveis,
01:12mas a final da Copa do Mundo, pelo amor de Deus, que jogo chato!
01:15E aí, o que salvou aquele jogo, inclusive, foi o intervalo, né, que coisa mais linda foi aquilo, e principalmente,
01:22eu não sei se vocês concordam comigo, né, o Brasil, pô, cara, aquilo foi um afago no nosso ego, né,
01:27Gabriel?
01:27Nos devolveram, né, a gente tava ali abaixo do CU do cachorro e nos devolveram, ó, tá bom, aqui, ó,
01:34Brasil, calma, lembrem o tamanho que cês têm.
01:36E isso...
01:37E porque o Brasil, acho que ficou claro ontem, né, a gente perdeu o protagonismo no presente, mas o Brasil
01:46domina a memória do futebol, né, e isso é espetacular, né,
01:50Quando a FIFA precisa produzir uma imagem universal do futebol, ela recorre a quem? Ela recorre a Ronaldo, a Ronaldinho,
01:57ao Ronaldinho.
01:59Então, é uma contradição que eu acho muito interessante, né, a gente perde o poder competitivo na atualidade, mas conserva
02:05esse poder simbólico que nenhuma outra seleção conseguiu acumular.
02:09E eu acho, Kelly, que aquilo deva servir pra CBF, pra seleção atual, quase como um constrangimento, sabe?
02:19Não é possível.
02:20Um lembrete, né?
02:21Exato, que um país capaz de produzir tudo que produziu e que ainda é, pô, nenhuma outra seleção, nenhum outro
02:26país foi lembrado naquele espetacular intervalo ali de...
02:31Acabou durando 27 minutos, se não me engano, nenhum país foi lembrado como o Brasil foi.
02:35Quer dizer, como é que um país que produziu tudo isso, né, que domina a memória mundial, quando a gente
02:40fala em futebol, consegue atualmente entregar um resultado tão medíocre, né?
02:45Como a gente vem entregando com escândalos de corrupção na CBF, com treinadores muito fracos sendo empilhados na seleção, com
02:52um time que parece pouco empolgado, né, enfim.
02:56Então, eu vejo aquilo como uma injeção não só de ânimo pra nós brasileiros, que fomos lembrados e tivemos uma
03:03massagenzinha no nosso ego,
03:04mas também uma injeção de constrangimento pros que protagonizam o futebol nacional hoje, né?
03:09Porque foi lindo demais e é uma contradição, um contrassenso com o pavor que a gente tem apresentado, né, nos
03:15últimos anos como seleção brasileira.
03:16O Nisanguanais postou uma reflexão.
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