00:00Uma mãe não mata o seu filho.
00:02Nenhuma mãe mata o seu filho.
00:03E você não matou o seu.
00:05Óbvio que não.
00:06Nem permitiu.
00:06Nem permitiria.
00:08Se eu soubesse de alguma coisa,
00:10ou eu estaria aqui respondendo por homicídio do Jairo,
00:13ou eu estaria enterrada ao lado do meu filho.
00:20E aí eu vejo ele descoberto com a barriga para cima.
00:24Aí eu boto a mão nele, ele está com a mãozinha e o pé gelado.
00:28E o olhinho dele, ele estava olhando para o nada.
00:31E eu achei aquilo muito estranho,
00:33porque o Henrique dorme de bruxo e dorme enroladinho no edredom.
00:38Aí eu falei, Jairo, tem alguma coisa estranha.
00:40Aí ele vai para o banheiro, volta e fala assim,
00:43Mônica, ele deve ter engolido alguma coisa.
00:46Eu falei assim, não, meu filho não bota nada na boca,
00:48ele não engoliu nada.
00:50Ali começa o pesadelo.
00:51Porque várias pessoas começam a fazer manobra de ressuscitação no Henrique.
00:56E quando uma pessoa cansava, vinha a outra.
01:00E fazia mais manobra, empurrava cada vez mais o coraçãozinho dele.
01:07E aí cansava e ia a outra.
01:09E cansava e ia a outra.
01:11E por muitas vezes, eles se revezavam
01:15e eles continuavam fazendo a massagem.
01:18Duas horas e meia de manobra de ressuscitação.
01:23Depois de uns 40, 50 minutos,
01:25eles mandaram nós nos retirarmos de lá de dentro
01:28para ficar do lado de fora, esperando.
01:30E eles continuaram lá dentro.
01:32E aí a gente entrou em oração, começamos, o pai dele chegou.
01:36Realmente o que o pai dele falou aqui foi verdade.
01:39Em relação a isso, a gente se ajoelhou no chão,
01:41do lado do leito do Henrique.
01:43A gente começou a rezar.
01:46E o Henrique não dava sinal.
01:49Falei, ué, por que você saiu?
01:51Aí ele falou, eu fui botar um sapato.
01:53Tirei um chinelo e fui botar um sapato.
01:56Hoje, excelência, eu não sei se ele realmente foi
01:59para botar um sapato ou não.
02:01Ou se ele saiu porque aquilo poderia ter sido
02:06uma cena de um crime e ele saiu da cena de um crime.
02:08Não sei.
02:09Não sei o que que passou na cabeça dele.
02:12Eu só sei que ele me deixou lá sozinha.
02:14Eu me sentia muito culpada.
02:16Eu deveria ter colocado ele na cama dele,
02:18que era mais baixa,
02:19porque eu acreditava que era um acidente doméstico.
02:21Deveria ter dormido no quartinho dele com ele.
02:24Só não tiro a minha vida porque eu quero reencontrar ele.
02:27Sinto tanta falta dele que meu coração parece que está sangrando.
02:32Três ou quatro dias antes,
02:34minhas primas se reuniram na minha casa,
02:36me chamaram.
02:37Eu falei que eu ia até lá para o Jairo.
02:40Ele me levou.
02:42E elas falaram assim,
02:43Monique, o Jairo estava acordado naquela noite.
02:47Porque elas me mostraram o depoimento da Débora.
02:49Que a Débora fala que ele estava conversando com ela na madrugada
02:54e que ele conversava com ela nas madrugadas.
02:58Então, nesse momento, eu entendi
03:01que o Jairo não tomava remédio.
03:04E eu realmente bati na cara dele, no rosto dele,
03:07dei alguns tapas no rosto dele
03:09e falei para ele, você matou meu filho.
03:11Ele pegou uma Bíblia,
03:13botou na mão dele,
03:14botou a mão dele em cima da Bíblia
03:16e falou assim,
03:17eu juro pelos meus três filhos mortos
03:19que eu nunca encostei um dedo no seu filho.
03:24Nesse momento, eu acredito ainda no Jairo.
03:27Eu tenho, assim, hoje, com a mais madura,
03:30a gente faz algumas escolhas insensatas na nossa vida.
03:33A gente acaba fazendo algumas escolhas insensatas.
03:36E algumas dessas escolhas insensatas
03:38foi algumas das traições que eu fiz.
03:41E acabou que...
03:42Eu acho que muitas das coisas que aconteceram na minha vida
03:45foram por conta disso.
03:46Quem são, quem é, quem são os advogados da Débora?
03:51Sou advogado do Leniel.
03:54Você sabe quem é que foi
03:56que foi arregimentando e organizando tudo isso
03:59para que a Débora fosse ouvida,
04:01que acompanhou, que organizou tudo?
04:07O pessoal ligado ao Leniel.
04:09Na época, ele lhe contou isso.
04:12A senhora acreditou?
04:13Acreditei.
04:14E hoje a senhora acredita?
04:16Não, não acredito.
04:21Não, não acredito.
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