Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 2 dias
Economista na Capital RS FIDC e na Central Importadora Têxtil, Eduardo Vargas voltou recentemente do Paraguai, país que estudou e foi conhecer o ambiente de negócios. Empresas estão interessadas em ter operações e até transferir parte da produção para lá. Atento ao detalhe da legislação e aos cenários macroeconômicos, Vargas concedeu entrevista ao podcast Nossa Economia, de GZH.

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:06Estamos de volta com o podcast Nossa Economia de GZH, sempre trazendo informações que são
00:11importantes para os negócios, para os empregos, para os bolsos dos gaúchos.
00:17O podcast Nossa Economia de GZH hoje vai falar novamente do Paraguai, tem aí uma onda de
00:23informações dizendo que nossas empresas estão indo para o Paraguai, isso já foi assunto aqui
00:28no podcast, mas nós vamos tratar mais hoje para tirar algumas dúvidas dos nossos ouvintes
00:32sobre isso.
00:33O podcast Nossa Economia de GZH, que tem o patrocínio de Cicred, não é só uma safra, é ter com
00:38quem contar, e Sindicato dos Lojistas de Porto Alegre, sejam associados Sindicato dos Lojistas
00:44e tenham acesso a benefícios exclusivos.
00:47Quem está conosco hoje é o economista Eduardo Vargas, que trabalha na Capital RS, um FDIC
00:54e na Central Importadora Têxtil.
00:56O economista Eduardo esteve recentemente no Paraguai, tudo bem, Eduardo?
01:01Tudo bem, tudo joia, GZH.
01:03Vamos falar contigo, vamos lá.
01:06Imagina interessante, né, o Paraguai?
01:08É, eu queria saber sobre isso, tá, porque primeiro vou começar te questionando sobre a
01:14afirmação que tem rodado por aí de que todos os nossos negócios e todas as nossas
01:19empresas estão se mudando para o Paraguai.
01:21É mesmo este paraíso que se fala?
01:26Não é um paraíso, tem despertado bastante interesse, principalmente das indústrias, né,
01:32quando se fala em mão de obra, mas eu entendo que toda empresa, ela precisa ir conhecer e
01:39ver o que existe de oportunidade, existe de realidade, para avaliar se é um bom negócio
01:46para você ou não, né, tem se mostrado um mercado interessante, mas principalmente para as indústrias
01:53e para as indústrias que hoje importam ou usam muita mão de obra ou muita matéria-prima importada,
02:01digamos assim, como é o caso do segmento peixe aí, que foi um dos motivos que nos fez ir até
02:08o Paraguai
02:08e também olhar lá a economia local, né.
02:12Eu vou abordar esses dois pontos, assim, só para também situar o nosso ouvinte,
02:17que eu tenho sido muito abordada por empresários que estão indo até o Paraguai e querem falar sobre isso,
02:24consultorias tributárias, principalmente, né, que querem contar o que viram no Paraguai.
02:28Mas eu estou selecionando quem eu entrevisto e trouxe aqui o Eduardo Vargas, economista,
02:34que é um economista com quem eu converso há bastante tempo, e trouxe ele aqui ao podcast
02:39porque ele tem uma visão muito realista, né, das coisas, é muito pragmático na hora de fazer as avaliações
02:45e eu entendo que isso é essencial na hora de tomar uma decisão sobre negócios, né, este pragmatismo.
02:52Então, voltando aqui à nossa entrevista, eu quero abordar esses dois pontos.
02:55Por que é interessante para quem importa matéria-prima ter uma unidade no Paraguai?
03:01Basicamente, pelo custo tributário, né, se você consegue associar a importação com a produção
03:08e a exportação desses produtos acabados para outros países, como o Brasil,
03:14você acaba tendo uma vantagem competitiva em relação ao imposto,
03:19porque você vai transformar matérias-primas em produtos que vão ter o selo de origem Mercosul
03:26quando se enquadra na Lima Aquila, e vai também importar com uma carga tributária menor dentro do Paraguai.
03:34Então, isso, por exemplo, para a indústria têxtil, faz com que muitas empresas tenham olhado para lá
03:40como um ambiente de extensão das suas fábricas, né,
03:44ou extensão dos seus fornecedores que estão próximos aqui no Brasil ou no Mercosul,
03:51ou até mesmo distantes para resolver uma questão de tempo.
03:55Então, a parte tributária é relevante,
03:59mas desde que respeitadas as regras locais para produção e exportação
04:03e enquadramento desse benefício na sua produção.
04:10Chega a cair de quanto para quanto uma carga tributária
04:13para uma indústria com essas características, Eduardo?
04:16A carga tributária, dá para se dizer que a redução,
04:20ela vem ali de 70% para algo como 12% ou 15%.
04:25É claro que a carga tributária, ela vai ter uma redução,
04:29vai ter alguns acréscimos na questão de logística, de estruturação,
04:34mas no final é uma redução bem significativa.
04:37Especificamente na carga tributária,
04:39poderia-se dizer que de 70% a 80% para 15%, 12% na redução tributária.
04:46Sim.
04:47E é interessante ter uma unidade lá
04:52ou transferir toda a sua produção,
04:55transferir completamente à empresa?
04:56Não, não, no meu ponto de vista,
05:00não passa necessariamente pela transferência total da empresa para lá.
05:08Na verdade, você tem como permanecer com uma inteligência no Brasil,
05:12desenvolvimento no Brasil, área comercial no Brasil,
05:16principalmente porque o mercado consumidor,
05:19o maior mercado é o brasileiro,
05:21você falando aqui da América Latina,
05:23e o que você vai fazer é aproveitar o benefício da produção no Paraguai.
05:29Então, parte da produção, ela é transferida para o Paraguai,
05:33parte da aquisição das mercadorias,
05:36mas o restante, inteligência, desenvolvimento comercial,
05:40tudo permanece no Brasil e continua aqui.
05:45Você permanece com a empresa no Brasil
05:46e estrutura uma empresa para a produção no Paraguai.
05:50Basicamente, esse é o movimento que a gente mais tem visto
05:54e é a conclusão dos empresários que participaram dessa imersão
06:00que a gente foi e também tiveram.
06:03É.
06:03Bom, eu falei, né?
06:05Apresentei, disse que o Eduardo Vargas é muito pragmático
06:07e bem realista na sua análise, né?
06:09Sabia que ia ter respostas, assim, bem insensatas.
06:12Mas, voltando, então, à lei de maquila.
06:16Qualquer empresa que instalar uma fábrica
06:19consegue se encaixar nessa lei, né?
06:21Que é o frenesia do momento.
06:23E, sim, ela oferece condições tributárias muito boas.
06:27É.
06:29Não, não é qualquer empresa.
06:31Você precisa ter a comprovação de que, principalmente,
06:35vai gerar emprego para os cidadãos paraguaios, né?
06:39De que você vai trazer o benefício de empregar pessoas lá
06:44e você precisa submeter esse projeto
06:49para o governo central do Paraguai, né?
06:52Então, o que há lá é um alinhamento rápido
06:57se aquele teu projeto, ele é permitido,
07:01se ele se encaixa ou não.
07:02Você precisa agregar 70% de valor dentro do Paraguai
07:07para que você possa se beneficiar do projeto maquila.
07:10E o maquila, ele é algo que existe
07:13para cada produto que é exportado.
07:15Ele não é uma concessão feita a uma empresa
07:19para que ela produza o que ela quiser no Paraguai.
07:22Você vai produzir uma jaqueta,
07:24você precisa ter um projeto maquila.
07:26Você vai produzir um balde para pegar outros setores
07:30ou uma peça para um automóvel,
07:32você precisa ter um projeto maquila para aquelas peças.
07:34e aí, discriminando todos os itens que serão usados,
07:40o quanto é agregado de valor, o quanto de mão de obra,
07:42para que você possa importar com benefício
07:45e exportar com benefício.
07:46Então, não é qualquer empresa que se encaixa.
07:49Por exemplo, empresas que apenas compram e vendem produtos
07:53não se encaixam.
07:55Empresas que têm uma agregação de valor baixa
07:58na industrialização dos seus produtos também não se encaixam.
08:02Agora, empresas que usam bastante mão de obra,
08:05que usam uma série de outros itens
08:08e acabam agregando valor alto à sua produção,
08:11essas se encaixam com mais facilidade no projeto maquila.
08:16Sim.
08:17E mão de obra, um ponto que você comentou antes, Eduardo,
08:21que é uma vantagem para essas indústrias que necessitam de mão de obra.
08:25Qual a facilidade, qual a flexibilização que tem para a contratação no Paraguai?
08:33E uma dúvida que eu fico é sobre a qualificação da mão de obra também.
08:36Nós temos uma imagem de que o Paraguai não tem uma qualificação muito grande,
08:40muito boa, mas esse é um problema que nós temos aqui também.
08:42Inclusive no Rio Grande do Sul.
08:44É, inclusive no Rio Grande do Sul.
08:47Mas a gente, no Rio Grande do Sul, por exemplo, a gente tem polos, né?
08:53Tem o polo calçadista no Rio Grande do Sul,
08:55você tem o Polo Teixo em Santa Catarina.
08:58Então, acaba naturalmente ocorrendo uma qualificação desses profissionais
09:03que atuam no polo pela incidência de empresas do setor.
09:06O que a gente vê no Paraguai é uma ausência ainda de qualificação,
09:11porque o projeto, embora ele exista há 30 anos, basicamente,
09:16a Neymar Kila, ele começou a ganhar corpo recentemente, né?
09:22Pela busca de mão de obra que o brasileiro, basicamente, tem feito,
09:27os empresários brasileiros têm feito, não só no território nacional,
09:31mas em outros lugares.
09:32Isso começou a despertar o interesse no Paraguai pela mão de obra.
09:36O Paraguai, ele não tem uma mão de obra disponível, muito alta,
09:40o índice de desemprego, ele não é elevado, em torno de 13,5%,
09:45mas o próprio projeto Maquila permite que você crie projetos de qualificação
09:52por os funcionários que você quer empregar na sua indústria.
09:56Então, tem ocorrido um movimento interessante, né?
09:59de profissionalização, de educação desses profissionais.
10:04Vejo também que trabalhadores no Paraguai, eles têm uma outra percepção,
10:11porque não há, por exemplo, uma política assistencial como no Brasil, no Paraguai.
10:17Então, basicamente, um pai de família, para ele ter um rendimento, ele precisa estar empregado,
10:24senão ele não tem uma assistência por parte do governo central.
10:27Isso faz com que a busca pelo emprego, ela ocorra de forma mais frequente, né?
10:34Então, é o que a gente percebeu nessa imensão,
10:38de que há uma disposição desses trabalhadores em aprender e buscar trabalhar.
10:44Mas a gente já começa a ver, com a entrada de mais empresas no Paraguai,
10:50os profissionais também migrando de uma empresa para outra
10:54por uma diferença salarial mais baixa.
10:57E isso tem feito também com que o mercado acabe mudando um pouco
11:01e mudando essa composição da força trabalhadora lá.
11:06E, Eduardo, eu tive recentemente conversando com jornalistas de economia do Paraguai.
11:12com duas jornalistas e a percepção que elas me passaram
11:17é de que esse imposto baixo não seria sustentável ao longo do tempo.
11:22Na sua avaliação, não seria sustentável?
11:26Ou tem algum mecanismo que o governo paraguaio usa
11:30e que seria possível manter esse imposto
11:33para continuar atraindo investimentos de longo prazo?
11:38Eu entendo que, hoje, como ele vem funcionando,
11:42ele vem trazendo benefício para o Estado,
11:44trazendo benefício para o Paraguai.
11:46O Paraguai tem crescido,
11:48a sua economia tem crescido em números muito superiores
11:51aos demais países da América do Sul.
11:54Acho que ele ainda tem espaço, o projeto Maquilas,
11:58para agregar mais empresas no seu território.
12:02está muito concentrado ainda em Assumpção,
12:05em Cidade Leste,
12:06que são o berço financeiro e a cidade mais próxima aqui do Brasil,
12:12principalmente ali da região de Foz do Iguaçu.
12:15Mas eu acho que ele não deve mudar,
12:18não foi a percepção que eu tive.
12:20Eu imagino que o projeto não deve mudar no curto prazo.
12:23A lei Maquilas garante o benefício
12:26para quem consegue a autorização da exploração do projeto por 20 anos.
12:32Então, é algo que está bem seguro juridicamente.
12:36O Paraguai sempre se mostrou com uma segurança jurídica muito interessante,
12:42o que tem feito realmente empresas bastante conhecidas,
12:46não só brasileiras, mas de outros países,
12:49se instalarem lá.
12:50E isso, de uma certa forma, pelo menos na nossa visão,
12:54ficou muito claro que há uma segurança
12:56e há um espaço para viabilidade do projeto Maquilas
13:00para mais empresas e para a expansão dessas empresas
13:02dentro do território do Paraguai.
13:04Talvez, futuramente,
13:05quando o Estado tiver, vamos dizer assim,
13:09com o seu equilíbrio entre o emprego,
13:12o crescimento,
13:13o Paraguai mude as regras,
13:16mas não haverá uma mudança para quem já se instalou.
13:20Haverá uma mudança para novas concessões.
13:22E essa é a visão que a gente teve das conversas com o governo paraguaio,
13:27com os institutos que fomentam a ida de empresas para lá
13:30e com os empresários que já estão estabelecidos lá.
13:35E o que nós temos de melhor do que o Paraguai neste cenário?
13:39Porque um ponto que eu já ouvi é que tem que,
13:43se for colocar uma unidade lá,
13:45é uma unidade do meio da cadeia econômica,
13:47que não seria também para produzir, para vender lá,
13:49porque não tem um mercado consumidor tão forte como o nosso.
13:54A energia lá é barata também,
13:57esse é um ponto positivo para eles,
13:59mas já ouvi alguns questionamentos
14:01sobre a estabilidade da energia,
14:03não avancei muito nisso.
14:06O que mais?
14:07Que ponderações que faria, Eduardo?
14:11Eu vejo assim, o Paraguai realmente,
14:13ele não tem o mercado consumidor,
14:15que é o mercado brasileiro, por exemplo.
14:17Ele precisa produzir para exportar
14:20e produz pouco para o seu consumo interno.
14:23Nós temos o mercado consumidor,
14:27esse é, para mim, o ponto mais relevante.
14:30E a gente precisa usar o Paraguai
14:34como um benefício logístico e produtivo.
14:38A gente consegue produzir mais barato na China, por exemplo,
14:42mas a gente não consegue produzir
14:44com a mesma velocidade que a gente produz no Paraguai.
14:47Então, eu não imagino que o Paraguai substitua a China,
14:51não imagino que ele atenda todo o mercado brasileiro,
14:54mas ele pode colocar como um país produtor estratégico
14:59nessa questão de proximidade.
15:02Então, isso é algo interessante.
15:04A energia que o Paraguai tem,
15:06ele tem energia muito farta e muito barata.
15:11Itaipu produz a mesma quantidade de energia
15:14para o Brasil e para o Paraguai,
15:16sendo que o Paraguai usa muito pouco.
15:19Então, realmente, para quem tem uma indústria
15:22que demanda muita energia, muita mão de obra,
15:24esse é um mercado interessante
15:26para colocar uma linha produtiva.
15:29O Rio Grande do Sul, especificamente,
15:31ele tem uma proximidade terrestre boa,
15:34ele consegue montar linhas de produção
15:37e ficar com custos logísticos menores
15:40do que outros estados brasileiros,
15:41por exemplo, como o Nordeste, o Norte,
15:45até uma boa parte do Centro-Oeste.
15:47E isso é algo que eu vejo também como muito positivo
15:50aqui para as indústrias do Rio Grande do Sul,
15:51quando olham, colocar uma linha de produção,
15:54avaliam colocar uma linha de produção no Paraguai.
15:57Então, há, vamos dizer assim,
16:01elementos que você pode conectar com o Paraguai
16:04nessa cadeia para que a tua operação
16:08fique mais competitiva em relação a mercados,
16:11principalmente o mercado chinês hoje,
16:13que é quem tem tirado o sono da cadeia texto
16:16e de outras cadeias aí de produção.
16:19E a tecnologia no Paraguai é boa?
16:23Tecnologia no Paraguai, como a brasileira,
16:26boa parte importada, importa máquinas,
16:30vamos dizer assim, muita tecnologia de fora.
16:34Eu classifico como boa para excelente
16:37porque o Paraguai não cobra tributos
16:40sobre a importação de máquinas para a produção.
16:42Isso faz com que você consiga ter a possibilidade
16:46de montar um parque fabril novo
16:49com um grande avanço tecnológico
16:52em torno de 20%, 25% mais barato
16:54do que montar no mercado brasileiro.
16:57Então, isso realmente faz que torna o Paraguai
17:01ele competitivo nessa questão de tecnologia.
17:04É uma tecnologia que ela vai incorporar
17:07a tecnologia de outras economias, né?
17:09Mas a gente tem visto isso muito aqui no Brasil também,
17:12então, eu acho que aí a questão tributária
17:16acaba pesando de forma relevante aí também.
17:20E o custo do crédito, né?
17:22E aproveito para conversar com o Eduardo Vargas
17:24sobre a nossa taxa de juros Selic.
17:25Aproveitando, o Eduardo atua com o FDIC, né?
17:29E tem, vive o custo do crédito diariamente
17:33que não é formado só pela Selic,
17:35mas em boa parte por ela,
17:36mas também é formado aí pelo endividamento
17:39das empresas que nós estamos vendo aí na dimplência,
17:42essa onda de recuperações judiciais
17:43e até de quebras de empresas,
17:45medidas cautelares de proteção de patrimônio, enfim.
17:48Queria saber como é que é lá no Paraguai,
17:51mas também a sua avaliação, Eduardo,
17:53sobre essa situação aqui no Brasil.
17:55O Paraguai, ele não é um país
17:57que tem concedido crédito
18:00para as empresas que têm se instalado
18:02de fora no Paraguai, né?
18:04Há uma política de que a empresa,
18:08ela tem que ter um bom tempo de atividade
18:12dentro do país para que o mercado bancário,
18:15ele acabe concedendo crédito.
18:17Então, se algum empresário pensa
18:20ou quer estruturar um projeto
18:23de instalação no Paraguai
18:25com financiamento local para isso,
18:29realmente não é por aí
18:31que o projeto vai acabar ficando de pé.
18:34Ele tem que realmente levar do seu país de origem
18:37ou levar do Brasil,
18:38além da sua tecnologia,
18:41do seu produto,
18:44levar o seu capital também
18:46para fazer essa instalação lá.
18:50Embora, se a gente fosse comparar,
18:53o Paraguai hoje está com taxas de crédito
18:55para as empresas que possuem excesso
18:58muito próximo do que são as taxas aqui no Brasil, né?
19:01Então, essa é uma particularidade
19:04que é sempre bom
19:05um empresário que tem a intenção
19:07de criar um ambiente de negócio no Paraguai
19:14olhar com atenção
19:15é de que ele não vai ter acesso a crédito lá
19:17tão cedo e de uma forma tão rápida.
19:21E ele não vive uma boa realidade hoje, né?
19:24O empresário,
19:25nem nós, as pessoas físicas,
19:28nem as pessoas jurídicas,
19:29em especial as pessoas jurídicas,
19:32porque a taxa de juros hoje
19:33ela realmente tem carregado aí
19:36a Selic
19:38descontando a inflação
19:40um juro real muito alto, né?
19:42Alto para quem investe,
19:44alto para quem
19:45fez projetos no passado
19:47de expansão
19:48com uma Selic muito mais baixa,
19:50em torno de 2, 4% ao ano
19:52e é muito afetado
19:54pela questão competitiva
19:57nos seus resultados baixos
19:59e não consegue
20:02arcar com esse custo aí
20:04de investimento que foi feito, né?
20:06Então, a gente realmente tem visto
20:08um cenário local
20:11em função de guerras,
20:14Rússia e Ucrânia,
20:16a guerra do Irã e Estados Unidos,
20:18esses cenários afetarem, basicamente,
20:22a economia local,
20:23a questão da política fiscal também
20:26afetando muito,
20:27a própria questão da eleição,
20:30eventualmente a alternância
20:31de poder entre direita e esquerda
20:33também faz com que o empresário
20:35acabe não conseguindo ter
20:36ambientes mais seguros
20:38e para um melhor planejamento, né?
20:41Então, isso tem tornado
20:42a vida aí dos empresários
20:46bem mais difícil
20:47na questão do acesso ao crédito
20:49e do crédito
20:51a taxas que sejam competitivas
20:53para investimento em produção
20:55ou para as suas necessidades
20:57e para os negócios no dia a dia.
20:59E para fechar,
21:01o Banco Central brasileiro
21:02continuará reduzindo
21:03a taxa de juros?
21:04Tem chance
21:06de acelerar esse processo
21:08num corte como estava previsto
21:11no início do ano
21:11de meio ponto percentual
21:13na sua avaliação, Eduardo?
21:15Olha, Liane,
21:16na última ata agora
21:18o Banco Central
21:19já não foi tão claro
21:22assim na sinalização dos motivos
21:24de manter uma sinalização
21:26de redução, né?
21:27Eu acho que a gente tem
21:29ainda uma dependência
21:31do cenário externo, né?
21:33Para validar.
21:34Tem um ambiente político
21:35que também ainda não começou, né?
21:38A gente ainda vai ingressar
21:40no cenário político.
21:41Eu acho que o Banco Central,
21:42ele vai fazer um esforço, sim,
21:44para tentar reduzir,
21:47mas eu realmente agora
21:48vejo muito distante
21:50a possibilidade dessa redução
21:52de meio ponto percentual
21:53aí até o final do ano.
21:55Quer dizer,
21:55quando a gente olha
21:56o boletim de força aí
21:59muitas semanas seguidas
22:01com aumento na perspectiva
22:02de IPCA, de inflação,
22:05com cenário de crédito
22:06deteriorado,
22:07eu acho que isso
22:08tira um pouquinho
22:09da razão do Banco Central
22:11de manter o utilismo
22:13em redução.
22:14Por outro lado,
22:15a gente tem visto bastante
22:16a economia desacelerando
22:18muito em função
22:19do endividamento
22:20das famílias,
22:22do endividamento
22:22das empresas
22:23e talvez esse possa ser
22:25um viés
22:26para essa redução.
22:29Mas eu hoje,
22:31vamos dizer assim,
22:32não tenho a segurança,
22:33eu retiro
22:35essa redução aí
22:36da pauta
22:37das reuniões do Pompom
22:39até o final do ano.
22:40Eu acredito que a taxa
22:41realmente vai permanecer
22:42como está
22:42em função de todo
22:44esse cenário
22:44que a gente não tem
22:45nenhum domínio,
22:46apenas é afetado
22:48por essas variáveis
22:49internas e externas aí.
22:51Tá certo.
22:52Muito obrigada
22:52pela entrevista,
22:53Eduardo Vargas,
22:54economista.
22:55Trabalho na Capital RS
22:56FDIC,
22:57na Central Importadora
22:58Texto.
22:59Obrigada pela entrevista
23:00e até a próxima.
23:02Obrigado,
23:03até a próxima.
23:05Podcast Nossa Economia
23:06de GZH,
23:07tem o patrocínio
23:08de Cicred,
23:08não é só uma safra
23:09é ter com quem contar,
23:11quem está nos acompanhando
23:12a imagem está vendo
23:13que eu estou tendo
23:13que segurar aqui,
23:14o nosso
23:15Toblerone,
23:16como nós chamamos
23:17aqui que caiu.
23:18E temos também
23:19o patrocínio
23:19de Sindio Lojas,
23:20Sindicato dos Logistas
23:21de Porto Alegre,
23:23aqui no podcast
23:24Nossa Economia
23:24de GZH,
23:25que teve na produção
23:26Isadora Terra,
23:26João Pedro Secchini.
23:28Muito obrigada
23:28pela audiência de vocês.
23:30Até semana que vem.
Comentários

Recomendado