00:01O delegado inclusive diz, né, Letícia, e disse pra ti de maneira muito clara, né, está bem caracterizada a motivação
00:07homofóbica, ele diz tanto pelo relato da vítima quanto pela extensão das lesões, mas ele foi brutalmente espancado, né, perdeu
00:15seis dentes, né, tá todo, parou de trabalhar durante um mês, o nariz fraturado, o ombro detonado, né, então, tanto
00:22pela extensão das lesões quanto pela gratuidade, disse o delegado, né, que espantou, ele falou.
00:29Não teve nenhum fato que ao menos justificasse alguma legítima defesa ou algo nesse sentido.
00:34Então, tem um ponto que eu acho importante, bem brevemente aqui, eu só vou sublinhar, o crime de ódio, Letícia,
00:39que parece ser o caso aqui, ele produz um tipo de sofrimento diferente nesse rapaz aí, né, nesse homem, porque
00:44numa agressão por roubo, né, Kelly, é violento porque a pessoa quer o que é teu, ela quer o teu
00:49dinheiro, ela quer o teu celular.
00:50Numa agressão por ódio, eu acho que talvez seja mais violento ainda porque a mensagem é o problema é você
00:55existir, né, então as consequências psicológicas são muito profundas também, né, na vítima, porque o objetivo não é machucar o
01:02corpo somente, é expulsar aquela pessoa do mundo, né, expulsar da sociedade, do convívio em comunidade.
01:08Como é que se lida com isso? Uma pessoa sabendo que tem gente que não admite que tu seja tu,
01:12né, então a redenção, eu repito, ela é um símbolo do acolhimento à divorcidade e pra ele era um quintal
01:19de casa praticamente, é um professor de balé que atravessava a rua e tava ali.
01:23Hoje ele não se sente seguro, né, nem na extensão da própria casa que seria a própria redenção.
01:28É muito triste isso, a violência urbana é muito triste, o crime de ódio, que é o caso aqui, o
01:33que parece ser, segundo a polícia, é mais violento ainda.
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