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Categoria

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Diversão
Transcrição
00:15Transcrição e Legendas Pedro Negri
00:59Transcrição e Legendas Pedro Negri
01:28Transcrição e Legendas Pedro Negri
01:52Transcrição e Legendas Pedro Negri
01:52Bom dia, Marildinha! Bom dia, Dona Nenê! Bom dia a todo mundo, hein?
01:56Bom dia!
01:58Minha nossa, uma pequena solicitação. Troca esse colchão, meu amor.
02:02Ele é muito mole, eu acordo todo moído, não vou nem trabalhar, meu amor.
02:07Mendonça, não aparece vestido assim aqui, não. Aqui é meu ambiente de trabalho, tá?
02:12Então dá um beijinho, então. Eu vou escovar os dentes e tomar um cafézinho.
02:18Seja um senhor obrigado. Voltamos.
02:21Bom dia, bom dia. Bom dia, Dona Nenê. Marilson, bom dia.
02:25Bom dia.
02:28Eu vou subir, tirar uma soneca. Tentar tirar uma soneca.
02:32Aliás, esse seu colchão, sem o seu colchão, ele fica muito duro, pinica, sabe?
02:37Não consigo dormir direito. Vamos ver se a gente pode trocar aí.
02:40Vocês também voltaram?
02:42Por isso que falei, voltamos.
02:44Um quer o colchão mole, o outro quer o colchão duro.
02:47Eu acho melhor você comprar mais cama pro motel.
02:49Seu motel.
02:51Meu motel.
02:52É, mas sempre o motel.
02:54O que que essa fofoqueira tem a ver com a minha vida?
03:00Amarelda, ter não tem, mas acaba tendo, né?
03:04Você trabalha no mesmo lugar que você mora.
03:07Então você acaba misturando a sua profissão com a sua vida particular.
03:10Mas sempre foi assim, nunca me deu problema. Qual a diferença?
03:14A diferença é que a sua vida agora está diferente.
03:17Você sabe que eu tenho dois namorados, mas o provisor já vai resolver essa situação.
03:20Mas cuidado pra sua clientela, ó, não cair.
03:23Você acha que é por isso que eu caí o clientela do salão?
03:26Gente, mas não tem dois namorados, não é tão espantoso assim, não?
03:29Não tem nojo, Marilza!
03:31Me respeitar!
03:32Marilza, olha só, você tá falando do homem!
03:34Escovou com a minha escova de dente de novo!
03:36A escova é minha! Se você usou, pode ficar com ela!
03:39Não, não ficar com ela, pode ficar com ela você!
03:40Eu vou estudar a tua, tá, Marilza?
03:42Não, ela tem um nome.
03:43Vem por cima do meu cadáver!
03:45Você vai, você usa aquela do seu livro, a cabeça dessa vida!
03:49Lá na oficina!
03:50Peraí!
03:51Peraí, rapaz!
03:58Vai lá, vai lá!
03:59Vai fazendo, vai fazendo!
04:02O que é isso aí, pessoal?
04:03O que é isso aí, pessoal?
04:04Vai ter festa agora na minha casa?
04:05Por acaso a Betão encomendou um pão de coisa?
04:07O que é isso aí?
04:08Vai ter festa aqui em casa?
04:09Você vai bastar aqui em casa agora?
04:10E alguém aqui tem algum dinheiro pra encomendar alguma coisa, Agostinho?
04:12Eu só tô deixando meus mantimentos.
04:14Sim, mas por que é isso?
04:15Porque a parcelaria tá sendo detetizada.
04:17Eu não tô perguntando-se, é por que ele tá botando na minha casa?
04:18Não, não é a sua casa, é minha casa!
04:46Olha aqui, pessoal, enquanto eu morar aqui, é minha casa, não vai ficar nada dentro da sua casa aí.
04:50Vai ficar assim, vai ficar assim, não tá satisfeito, pode ir embora!
04:52É, eu vou embora então, pessoal!
04:53Eu tô trafico lá!
04:54Você pega sua casa e fica com ela pra você!
04:56Tinho, o que é isso, Tinho?
04:57Tá louco?
04:58Eu não soube ficar aqui, de ficar vindo desafor de pessoas, de pessoas que saem pra mim.
05:01Então, fique tranquila!
05:02Fique tranquila, pessoal, você pega sua casa e fica com ela para você!
05:05Ah, é?
05:05Pois eu vou providenciar a papelada, é agora!
05:07E essa casa vai ficar muito mais bem cuidada pelos...
05:10Vai embora, vai embora, pessoal!
05:11Vai embora aqui!
05:11Eu vou embora!
05:12Eu vou embora aqui, Agostinho, vai!
05:12Você também passa fora, rapaz!
05:14Vamos embora!
05:14Eu vou fazer coisa pra minha casa!
05:20Agostinho, Tinho!
05:21Céu dourado, hein?
05:24Agostinho, mas...
05:25A gente vai morar numa favela?
05:27Não fala isso não, Maria!
05:29Não fala isso não!
05:30Mas você quer que eu chame isso como?
05:32Do quê?
05:33Nosso sonho, Marisabel!
05:35Vem cá, isso aqui, ó...
05:36Onde você tá vendo uma casa humilde, eu estou vendo um apartamento de luxo!
05:39Então, eu acho que você tá precisando...
05:42Óculos, né, Lucio?
05:42E você tá precisando ter mais fé, Marisabel!
05:44Você tá precisando ter mais fé, porque isso aqui é uma coisa que eu tô dizendo que vai ser nossa,
05:47que nós vamos comprar, que vai ser nossa...
05:47Você vai poder dizer minha casa, aí a minha casa é a mesma sua!
05:50E um dia a gente pega, vende essa casa piorzinha, compra uma melhor,
05:53depois a gente vende essa melhor, compra uma boa, vende a boa, compra uma ótima,
05:56depois vende a ótima, compra excelente!
05:57Aí quando você menos esperar, você está morando num apartamento de luxo!
06:00Eu não quero falar pra você que eu não posso prometer,
06:02mas Deus quiser, na Barra da Tijuca, olhando aquele mar todo,
06:05eu vou comprar aquele mar todo lá pro selo!
06:07Vamos entrar!
06:08Vamos lá ver!
06:09Não sei ainda qual é a chave, Tinho!
06:11Que é a da frente, que é a dos pontos!
06:20Ah, é, até que é bonitinha!
06:27É, Bebel, isso aqui, a partir de agora, acho que é o nosso novo ninho de amor,
06:31porque eu penso assim, que um casal, por certo tempo de vida, certa idade,
06:35tem que ter um ninho de amor próprio, não tem condição mais da pessoa ter um ninho de amor alugado.
06:39Ai, Tinho, fazia tempo que você não era assim, tão romântico comigo.
06:48Deita aqui, ó, deita aqui, meu bem, deita aqui, deita aqui, vou dizer uma coisa pra você.
06:53Bebel, você é o amor da minha vida, você é difícil, mas você...
07:01Ah, moleque, eu te queria, tá entendendo?
07:06Gente, eu não acredito que vocês vão mudar assim, de repente!
07:10Pois é, mãe, mas é que a briga do Agostinho com o Beissola também foi assim.
07:13Não foi briga, não foi briga, foi um grito de independência, eu nunca mais vou pagar aluguel.
07:16Sim, mas vocês vão morar embaixo de que viaduto?
07:18Que viaduto, rapaz? Vão morar no que é meu, casa própria.
07:20Casa própria? Casa própria de onde vocês não têm dinheiro pra isso?
07:23Hein? Onde é que vocês vão morar?
07:25Ai, Nenãozinho, pelo amor de Deus, Nilson não vai fazer nada.
07:28Mas o quê? A vida é dele.
07:30Ai, mas o neto é meu, você acha que eu vou ficar longe do meu neto?
07:33Ah, ô, Nenê, o Agostinho tá dando um passo importante na vida,
07:36a gente não vive cobrando mais responsabilidade dele?
07:39Eu não, você que fica cobrando pra mim, ele pode ficar assim do jeitinho que ele é.
07:43Ô, Nenê, pense só como seria se essa casa não fosse nossa.
07:47Olha, eu sei que vai ser duro ficar longe da bebê ou do nosso neto,
07:51mas é pro bem deles, Nenê.
07:52Linelzinho, como é que você sabe que é pro bem deles, Linel?
07:54Você nem sabe pra onde que eles vão.
07:56Por isso, Nenê.
07:57Bom, é arborizado, tá entendendo?
07:59Ô, Agostinho.
07:59O nome é do céu.
08:00Agostinho, onde é que fica exatamente esse céu dourado?
08:04Fica lá, é mais no fundo, é um lugar legal, é tipo um condomínio,
08:08é um conceito baseado de condomínio, chama condomínio orgânico.
08:11Ô, Agostinho, não enrola, não.
08:13É o céu dourado, pai, é tipo uma favela.
08:16Não, não é favela, não é favela, é comunidade.
08:18Ah, se ele tá falando que é comunidade, é porque é favela mesmo.
08:21Ai, gente, pelo amor de Deus, pelo amor de Deus, e a violência?
08:25Não, mãe, não se preocupa.
08:27Olha o céu dourado, é super tranquilo.
08:29É, é muito mais seguro que isso aqui do barro aqui.
08:31Ah, eu nunca fui assaltada aqui.
08:32A senhora, não, a dona Éma, outro dia, quase foi assaltada ali perto da pastelaria que do vento e arrancaram
08:36a bolsa dela.
08:37Ai, ô, ô, ô, ô, neném, eu acho que o Agostinho tem razão.
08:40Não existe mais lugar seguro aqui nessa cidade.
08:43Ai, gente, eu não tô gostando disso, não.
08:44Dona neném, olha, você, eu esperava encontrar preconceito fora da sociedade,
08:48agora dentro do feito da minha própria família.
08:50Ah, também não exagera, o Agostinho não faz drama.
08:52Você sabe que a coisa não é tão simples assim.
08:54É natural que a neném precisa de um tempo pra se acostumar com a ideia.
08:57Eu preciso de um tempo?
08:59Você não precisa de nada pra se acostumar com a ideia, você tá achando tudo normal,
09:02Não é uma questão de ser normal ou não, nenê.
09:05Existe gente legal em qualquer lugar e outras nem tanto.
09:08Mas eu tenho que concordar com o Agostinho.
09:09Casa própria é sempre casa própria.
09:12Pode não ser a ideal, mas é sempre o primeiro passo.
09:18Gente, eu não estou acreditando.
09:20A minha filha indo embora, meu neto indo embora.
09:22Cada vez que eu olhar essa casa, você vai me dar um aperto no coração.
09:25Mãezinha, não é porque eu não vou mais morar aqui
09:27que eu vou deixar de ser sua filha, né?
09:30Não, minha filha.
09:33Até já.
09:34Até já, Tu.
09:36Obrigada.
09:36Minha nenê, tudo vai ficar bem, dona nenê.
09:38Inclusive, para a senhora ter um sentimento melhor,
09:40eu gostaria de convidar todo mundo para jantar na nossa casa nova
09:42hoje à noite, que é para matar logo a saudade.
09:44Já? Mas assim não vai ter nem saudade para matar.
09:46Não perturba, Tu. Pode deixar, Agostinho.
09:48Nós todos vamos estar lá hoje à noite.
09:53Obrigado por tudo.
09:54Boa sorte, tchau.
09:56Tchau, Flozinho.
09:56Vamos trabalhar, Tu.
09:57Tchau, Flozinho.
09:59Tchau, meu netinho.
10:00Tchau, meu netinho.
10:01Tchau, tchau, tchau, tchau.
10:04Tchau, meu netinho.
10:06Tchau, minha filha.
10:09Tchau.
10:09Tchau.
10:10Tchau, minha filha.
10:12Tchau.
10:13Tchau.
10:17O que é isso?
10:19O seu Bessola vai alugar a casa.
10:21Ai, que pessoa insensível.
10:23A minha filha acabou de ir embora nesse instante,
10:25ele já está botando placa para alugar casa.
10:27E se a minha filha voltar?
10:29Me desculpa, dona nenê,
10:30mas o seu Bessola não pode ficar esperando,
10:32ele precisa desse aluguel.
10:33Eu sei, eu sei, né?
10:35Mas, poxa, mas é que...
10:36é que eu conheço uma pessoa
10:39que está interessada no aluguel.
10:41Conhece?
10:42Conheço.
10:42Quem é?
10:43É a Marilda.
10:46É o quê?
10:47É a vovó.
10:48Você quer alugar a casa?
10:49Não, neném.
10:50Não quero não.
10:51Já tenho casa.
10:52Ai, que fica junto do seu trabalho, que fica junto dos seus namorados, que fica a maior
10:57confusão.
10:58Não, mas isso é provisório.
10:59É a casa também, só por um tempo.
11:00Não, é questão dos dois namorados.
11:02É provisório.
11:03Marilda, olha, eu vou alugar por um tempo e quando você decidir qual é o seu namorado,
11:08quando você ficar com um namorado só, você devolve a casa.
11:12Não sei.
11:13Mas isso não é sublocação?
11:14É, mas sublocação é melhor do que ficar sem aluguel.
11:17Marildinha, Marildinha, vai ser bom pra mim, né?
11:20Vai ser bom pra você, vai ser bom pra mim, porque quando a Bebel voltar, que eu sei que
11:24ela volta, aí ela já tem a casa, entendeu?
11:26E você vai poder experimentar como é que é morar fora do seu trabalho.
11:29Você quer que eu deixe a minha casa fechada e venha morar na casa do Beisola?
11:34É.
11:35É, porque, por exemplo, se tivesse uma infiltração na sua casa, você ia ter que deixar sua casa
11:40fechada e sair da sua casa.
11:41Tá, na minha casa não tem infiltração?
11:43Tem, tem sim, tem.
11:44Tem dois namorados infiltrados lá.
11:48Tá, tá, tá bom.
11:49Vou tentar.
11:51Vai.
11:51Ótimo, ótimo.
11:52Pode dizer pro Beisola que tá alugado.
11:54Já resolvemos o problema dele.
11:55Pode deixar.
11:55Tá?
11:56Muito obrigado.
11:58Marildinha.
11:59Que bom, Marildinha.
12:00Casa nova, vida nova.
12:02Ai, tia, será que a gente vai ser feliz aqui?
12:05Vai sim, mas eu sei que quem tá garantindo a você é o homem, que é o dono desta casa
12:10aqui.
12:11Ai, tia.
12:13Vai.
12:15Tia, não abre, não abre, não abre, não abre.
12:18Não abre.
12:19Você me troca, Marisabel, não tem problema não.
12:21Mas, e se for o ladrão?
12:23Desde quando o ladrão bate na porta, vem ali.
12:26Sei lá, eu ainda não conheço a vizinhança aqui.
12:28O Pitomba me falou que aqui é seguro pra caramba.
12:31Fica com a criança aí.
12:33Vem.
12:34Quem é?
12:35Sou eu, Ruti.
12:36Vem.
12:37Pitomba.
12:37Ô, tá vendo?
12:39Eu tava justamente falando de você.
12:41Vem ou mal, cara?
12:43Entra aí, entra aí.
12:44É o Pitomba.
12:45Pitomba, me dá pra falar mal de você?
12:47Meu amigo, que eu vou apresentar minha esposa, Maria Isabel.
12:50Maria Isabel, colega meu, Pitomba.
12:51Muito prazer, seu Pitomba.
12:53Não, por favor, me chama só de Pitomba.
12:55Pitomba.
12:56Eu vim ver se a TV acaba e tá funcionando.
13:00A gente não tem TV a cabo, não.
13:02Não tinha.
13:04Agora tem.
13:06Ó.
13:07Glor do cabelo e líquido debaixo do braço.
13:11Meu Deus, quantos canais tem aqui?
13:12250, meu Deus.
13:14Maria Isabel, eu não falei que a gente ia melhorar de vida, Maria Isabel?
13:17Meu Deus do céu.
13:19Traz a mala, o mala.
13:20Peraí, espere por mim.
13:22Pariu-se.
13:23Em pinçóis.
13:24Em pinçóis quem?
13:25Nós três?
13:26Não, não, já tá indo embora, não tá indo embora.
13:28Não, não, não, não, peraí, Marildinha.
13:30Não, porraí, que falta de romantismo, meu amor.
13:33Eu vou te carregar.
13:34Não, não, peraí, você já carregou a mala.
13:36Quem vai levar a Marilsa sou eu.
13:37Não, mas é o prêmio pra quem carregou a mala é carregar a Marilsa.
13:41Sou eu, calma, Marilsa.
13:42É, paraí, vê se tem cabimento, vê se eu vou entrar na minha própria casa carregada igual um saco de
13:46batata.
13:48Marilhinha, é a nossa lua de mel, meu amor.
13:51Que lua de mel, rapaz?
13:52Que lua de mel?
13:53Marilsa, uma coisa a gente quer esclarecer.
13:55Quem é que vai dormir aí com tu hoje?
13:57Eu sei que eu vou, tá?
13:59E um de vocês vai dormir no sofá.
14:01Ele?
14:01Não, sofá pode ficar.
14:02Não, sofá é meu.
14:03Fica com você, sofá.
14:04O outro vai embora.
14:05Ah, então o sofá é meu.
14:06Porque eu comprei o sofá.
14:24Ô, Agostinho, o que você vai fazer com esse dinheiro aí?
14:27Não, eu vou num lugar bom, que eu vou comprar comida boa, já preparado assim.
14:31Nem, porque vem aí tua família aí, eu quero que a noite seja perfeita.
14:33Hum, que bonitinho, mas não precisa não, Tinho, imagina.
14:37Eu mesma faço um jantarzinho, ó.
14:40Não, mas é que eu quero que a noite seja perfeita, né?
14:41E daí?
14:42O que que é, neguinho?
14:43Você tá querendo dizer o quê?
14:44Que eu não cozinho bem, é?
14:45O que eu tô querendo dizer é que seus pais vêm aí e quero fazer pra eles uma coisa inesquecível,
14:49tá?
14:49Não, não, não.
14:50Pra ver se eles vêm morar aqui do lado dentro daquela casa no sofá.
14:52Mas bem, não vamos fazer caso por coisa que não é caso.
14:55Calma, hein?
14:55Tá tudo certo.
14:57Ô, Agostinho.
14:58Ô, Pitomba.
14:58Ô, rapaz, já separou a grana, porra.
15:00Adivinhou que eu vinha cobrar a taxa, hein, rapaz?
15:02Não, não, não, não.
15:03Tu tá falando de que taxa, Pitomba?
15:05A taxa é de segurança, Agostinho.
15:07Tinho, você não me falou que tinha milícia aqui.
15:10Peraí, mas, Isabel.
15:11Peraí, não fique dando sua opinião em frente de pessoas que não são da família.
15:14Ficou ali hoje em quando, olha.
15:15Ficou, Pitomba?
15:16Hum.
15:16Você tá metido nesse negócio aí de coisa de milícia, cara?
15:19Ô, Agostinho, tu tá achando que aqui não tem crime por quê, rapaz?
15:21Tá pensando que os bandidos foram embora porque não gostaram da vista, é?
15:24Não, mas fica tranquilo que já tá incluído TV a cabo, gás.
15:29Não.
15:30Ô, Pitomba, eu não tô dizendo a você que eu não vou pagar.
15:33Ah, eu sou uma pessoa que eu pago, eu não tenho negócio, eu não pago, pago que é meu.
15:36Que é meu, eu pago.
15:37Agora, esse dinheiro aí, você não pode me tomar, porque esse é o dinheiro que eu tô,
15:40resolveu que eu vou fazer um jantar hoje aqui pros pais da Maria e Isabel.
15:42Então, o dinheiro é nesse dia de jantar, ué?
15:43Peraí, vai ter jantar hoje aqui?
15:44É, é.
15:45Não, então eu vou cuidar da segurança pessoalmente.
15:47Vocês não vão querer que aconteça nada com eles, vão?
15:50E o jantar?
15:51Bom, já que vocês insistem, o comandante vem.
15:54Comandante?
15:55Eu, o comandante Pitomba.
15:57Até mais tarde, Agostinho.
16:00Pronto.
16:00Já pagamos a taxa da TV a cabo, do gás, da segurança.
16:07Agora, só falta a gente pagar o mico de receber meus pais pra jantar, sem ter comida.
16:18O cara tomou meu dinheiro, cara, você viu?
16:28Essa família é muito unida
16:33E também muito oriçada
16:39Brigam por qualquer razão
16:42Mas acabam pedindo perdão
16:46Pirraça pai, pirraça mãe, pirraça filha
16:48Eu também sou da família, também quero pirraçar
16:51Catucar pai, catuca mãe, catuca filha
16:53Eu também sou da família, também quero catucar
16:55Catucar pai, mãe
16:57Filha, eu também sou da família, também quero catucar
17:09O Limeu, se o meu neto estiver morando num casebre, eu trago ele de volta.
17:12Você não acha que está exagerando?
17:13Não dá para julgar o lugar onde eles estão morando antes de conhecer.
17:17Ah, tá. Não dá para julgar, mas você não está indo com o seu carro, né?
17:21Você chamou um táxi.
17:21Eu chamei um táxi, neném, porque não sei se lá tem ou não tem estacionamento.
17:25E não acho seguro dirigir de noite.
17:27Gente, esse é o meu comportamento padrão para toda a cidade, não só para a casa da Bebel.
17:32E o relógio que você guardou aí no bolso também é o seu comportamento padrão?
17:36Que cabeça. Não, eu apenas esqueci de colocar no pulso, foi isso.
17:42Parabéns, I. Vocês venceram o troféu.
17:44Troféu de quê, tu?
17:45É, troféu do campeonato de preconceito. Terminaram empatados em primeiro lugar.
17:49Vocês não têm vergonha, não, gente?
17:50Eu já cansei de ir em baile funk lá na favela, nunca tive problema nenhum.
17:53Ô, Duquinha, é que a gente nunca foi nesses bailes, né?
17:56Não tem desculpa, neném. O Tuco tem razão.
17:59Nós estamos sendo muito preconceituosos.
18:02Vamos para esse jantar de coração aberto e eu tenho certeza de que vai dar tudo certo.
18:41Não, não, não. Eu não vou perder a minha novela por causa de um joguinho de futebol.
18:45Mariu, diga, não é joguinho. É um jogo decisivo.
18:47Mas a minha novela também é decisiva. Me dá, por favor, me dá.
18:51Mariu, a injustiça seja feita. A maioria quer ver o jogo.
18:54Mas a casa é minha.
18:55Mas é assim que você recebe seus convidados?
18:58Mas eu não convidei ninguém. Vocês são invasores.
19:02Mariu, você está sendo justa.
19:04Vamos resolver com pessoas adultas.
19:06Vamos tirar farolhas.
19:08Tirar farolhas, exatamente.
19:10Já que eu tenho um azar no amor, quem sabe eu tenho uma sorte danada no jogo.
19:15Assim é que se fala.
19:16Um, dois e já.
19:17Eu sou impa, impa.
19:19Um, dois e já.
19:22Três e dois, cinco, ganhei.
19:24Opa, opa. E umzinho aqui.
19:27Seis.
19:28Seis.
19:28Ganhamos.
19:30Ganhamos.
19:32Para, gente.
19:33Jata, me larga.
19:34Sai daqui, vou embora.
19:35Eu vou ver a novela na pastelaria.
19:39Porque a companhia do Bençola é muito melhor do que a de vocês, tá bom?
19:42Quando voltar, traz mais uma cervejinha, tá?
19:44Não, não. Quando voltar, o jogo já acabou.
19:46Traz agora, Cidela, Mariu.
19:48Ó, ó.
19:49Não, querido, Mariu.
19:50Que agressividade.
19:51Vai, deão.
19:52É, eu não.
19:53Eu não.
19:53Eu não.
20:16Nenê.
20:21Nenê.
20:22Nenê.
20:24Nenê.
21:11Atende lá, Paulo.
21:12Não vou atender, não.
21:13Não é pra mim, mesmo.
21:15É?
21:17É?
21:17É, é, beija, não, beija, não.
21:23Ai, que esses palhaços não atendem o telefone.
21:29E aí, gostaram da minha casinha nova?
21:32Nossa, bebê, ó.
21:33É bem bonitinha, né?
21:35Por dentro ela é ótima.
21:36É porque por dentro, o que tem errado com ela por fora?
21:39Não, não tem nada errado por fora, não, bebê.
21:42Não tem nada de errado do lado de fora e não tem nada de comer do lado de dentro, né?
21:46Ô, Tuco.
21:47Não, é que o tio foi buscar o jantar e ainda não voltou.
21:50Ué, então vamos pedir uma pizza.
21:51Eles entregam aqui?
21:52Nenê.
21:54Gente, vem aqui, vem aqui.
21:56Vem esperar o quartinho.
21:58O Flozinho tá dormindo lá dentro.
21:59Vem.
22:01Ai, cadê?
22:02Quartinho do Flozinho.
22:04Olha que bonitinho.
22:06Ai, ficou lindo o quartinho dele.
22:08Olha que saudade.
22:09A gente tá tentando botar tudo aqui mesmo, mas não cabe ainda.
22:11Não, mas tá bonitinho.
22:13Ai, ele tá todo mundo vindo.
22:15Olha só.
22:16Ele tá mais gordinho, entendeu?
22:18Não tá, mãe?
22:19Não tá, eu deixei aqui atrás, né?
22:20Ih, a gente fica tão quietinho.
22:22É.
22:24Olha, paradinho.
22:25Não é paradinho.
22:26Não, ele é tão esperto, minha filha.
22:29Olha só.
22:30Olha, olha.
22:31É bom.
22:31O banheirinho é bom, hein, Bebel?
22:33Não é bom?
22:34O banheiro é bom, né?
22:36Não, eu não te falei.
22:37Vai puxar depois um friozinho pra esquentar o chuvaninho.
22:39Se bater no chuvaninho.
22:40Tio.
22:41Oi.
22:41Oi.
22:42Desculpa, eu traz, hein?
22:43É que eu tava aí pra pegar uma comida especial pra nós.
22:45Ô, Agostinho, se eu soubesse que você ia comprar comida, eu tinha feito em casa e ia trazer pra cá
22:49com o maior prazer.
22:50Vamos sentar.
22:50Nenê, o gás especial da senhora ali, primeiro, né?
22:53É, o gás especial também.
22:53Vocês do lado de lá.
22:55Tô, o gás especial seu.
22:56Aqui, ó.
22:56Aqui, assim.
22:56Vamos, vamos lá.
22:57Licença, um instantinho.
22:59Agostinho, onde você arranjou de jantar?
23:01Esse aqui é o...
23:02No vizinho, sabe a casa do Luca?
23:03O Luca, que aqui é aquele amigo nosso.
23:05Luquinha.
23:05Luquinha falou, não, ele deu, a mulher dele deu, depois eu retribuo.
23:08Gente, gente muito...
23:09Vamos lá, tá aqui.
23:10Ó, ó, tá quente, hein?
23:13Tá quente demais.
23:14Ó, que boa.
23:16Agora, antes da gente comer, eu gostaria de falar algumas palavrinhas.
23:19Ô, Agostinho, por que você não inverte?
23:21Primeiro a gente come, depois você fala aí suas palavrinhas.
23:23Deixa de falar, tu.
23:24Bom, então eu vou pegar um suco pra ajudar a descer o discurso do Agostinho.
23:27É, eu demorei muitos anos pra conseguir chegar aqui onde eu cheguei.
23:32Né, nós, no Ibebel, né, demoramos muito tempo pra ter a casa própria.
23:40Desculpa que na hora de falar a palavra casa própria, fui invadido por um mar de emoções.
23:44Desculpa.
23:45Ô, Agostinho, ó.
23:46Ai, Agostinho, não fica assim, poxa.
23:49E, ó, desculpa o meu jeito antes, é que eu queria que vocês ficassem morando lá, né, perto da gente,
23:54o florzinho.
23:55Mas sua casa é linda, é linda, a casa é linda, é linda.
23:59Parabéns, viu, Agostinho?
24:00Eu sempre sou muito crítico com você, então eu tenho mesmo que valorizar quando você dá um passo tão importante
24:06como esse, né?
24:07Ah, meu.
24:08Bom, então, vamos jantar, né?
24:11Deixa eu te servir, mãezinha.
24:13Ah, tá, obrigada, filha.
24:14Primeiro as damas, papai...
24:17Que isso, hein, Tinho?
24:18Isso é uma salada de massa com, é, um molho francês, já foram, não é isso?
24:25Olha, o sabor tá muito gostoso, tá muito gostosa a comida, parece até a sua lasanha, Nenê.
24:30É, nossa, e olha, tem tudo que o Tuquinho gosta.
24:33É, tem presunto, tem carne, tem parmesão.
24:35Ô, ô, ô, Bebel, eu tô achando que na mudança você acabou trazendo a travessada da mamãe, ó.
24:42Tinho, você roubou a lasanha da mamãe?
24:50Ah, fala, Beixola, você veio trazer a cervejinha.
24:53Que cerveja?
24:54Eu vim fiscalizar meu patrimônio.
24:57Vocês estão morando aqui?
24:58Não, quer dizer, a gente frequentamos aqui.
25:02Frequentamos?
25:03É, então a Marilda tá sublocando, a cicha é demais.
25:06Cadê ela?
25:07Não, ela tá com você, vendo novela lá na pastelaria.
25:10Ô, Paulo, se o Beixola tá aqui, a Marildinha não tá com ele.
25:14Na pastelaria ela não está.
25:16Ih, tem caroço nesse angu, hein?
25:19Marilza deu um perdido na gente, hein?
25:21Será que ela tem outro, meu Deus?
25:24Tem outro é você, né, Mendoza?
25:25Eu tô falando outro, além da gente.
25:28Olha, quando ela aparecer, eu disse que eu preciso falar com ela.
25:31Estou falando muito com ela.
25:32Nós também.
25:33A gente também.
25:34Ela vai ter que explicar tudo direitinho, direitinho.
25:59O Bebelzinho, minha filha, também não precisa chorar assim, né?
26:02Ah, mãe, precisa sim.
26:05Poxa, eu convido vocês pra jantarem pela primeira vez na minha casa própria.
26:11E meu marido rouba o jantar.
26:13Ô, Agostinho, por que você fez isso, Agostinho?
26:16Será que você não consegue se comportar como uma pessoa normal, correta, nem numa hora dessa?
26:21Eu não acho justo você falar assim comigo, Grineu.
26:22Você não pode comparar uma coisa que é uma lasanha com a casa própria.
26:26Ninguém tem o sonho da lasanha própria.
26:27Já a casa.
26:28Ô, Agostinho, não vem não, tá?
26:29A casa própria pode ser sua, mas a lasanha própria é minha.
26:33Minha, sua, são essas palavras que eu ouço aqui.
26:36E a palavra nossa eu não ouço aqui.
26:38O que eu aprendi vindo morar nessa comunidade aqui de pessoas mais excelentes que nós
26:41é que aqui tem o sentido de uma palavra, que é uma palavra pequenininha,
26:44mas tem um sentido muito forte, que é solidariedade.
26:48Quando a pessoa tem problema aqui, ela busca ajuda no vizinho, no compadre, é na família.
26:53Foi por esse sentido que eu me autorizei a mim de pegar a lasanha.
26:56Eu estou errado, dona Nenê?
26:58Não, não, imagina.
27:00A lasanha era pra gente mesmo, né, Agostinho?
27:03Ô, mãe, o Agostinho roubou a lasanha.
27:05Ninguém me chama de ladrão na minha própria casa própria.
27:07Tá bom, Agostinho, eu vou embora da sua casa, tá?
27:09Mas a lasanha vai comigo.
27:10Não vai levar a lasanha nenhuma, não, porque não vai.
27:12Olha que coisa.
27:13O que é isso?
27:13Você é ladrão, você é ladrão.
27:15Você é ladrão.
27:16O que foi, Agostinho?
27:17Aconteceu alguma coisa?
27:17Ó, o cara veio aqui e pegou a lasanha.
27:19Como é que é?
27:20Roubou na minha área?
27:21Pera aí, eu já volto, Agostinho.
27:22Tá vendo?
27:24Eu posso saber quem é essa pessoa?
27:27É o comandante Pitomba.
27:28Foi ele que pegou o dinheiro do jantar.
27:31Ele pegou?
27:32Mas por quê?
27:33Explica, Agostinho.
27:34Não, é que ele faz um serviço aí pra comunidade e ele aceita uma doação, mas é uma coisa espontânea.
27:38Eu não achei nada espontâneo na hora que ele levou o dinheiro do jantar.
27:41Pera aí, que certo serviço pra comunidade é esse?
27:45Posso saber?
27:45São taxas, pai, de TV a cabo, gás, segurança.
27:50O que que é?
27:51Vocês estão pagando segurança clandestina?
27:53Isso é crime?
27:54Não, pera aí, Lino.
27:54O cara é legal do meu amigo de infância.
27:56Ele é boa pessoa, o cara é bom.
27:57Agora, realmente, quando o cara é bandido, aí é bandido, aí ele foi pra correr.
28:00Sim, mas como é que ele sabe que bandido é bandido?
28:03Se a pessoa não for bandida e ele achar que é bandido, como é que faz?
28:05Mas como é que uma pessoa acha que uma pessoa que não é bandida é bandido?
28:08Podia me explicar isso?
28:09Quando o Tuco pegou a lasanha e você chamou ele de ladrão, ele chegou aqui e achou que era bandido.
28:12E aí?
28:13Tinho, você chamou o Tuco de ladrão na frente do pitomba.
28:16Pelo amor de Deus, pelo amor de Deus, ele vai pegar meu filho, Agostinho.
28:20Meu Deus do céu.
28:38Meu irmão, sinto muito, mas eu vou ter que comer mais um pedaço.
28:44Essa lasanha da tua mãe é o bicho.
28:46É verdade mesmo, a dona Aniria manda bem na lasanha.
28:49Só o Agostinho mesmo, hein, pra assaltar a geladeira da sogra.
28:52Não, e ainda tem a cara de pau de servir a lasanha pra família.
28:55Mas é assim desde moleque, não?
28:58Quando ele ia lá em casa, a gente tinha que revistar ele na saída.
29:02O malandro escondia minhas revistas até na cueca.
29:05Cueca, hein?
29:10Olá.
29:12Ai, Agostinho.
29:12Olha o Agostinho.
29:13Ai, Agostinho, Agostinho, pelo amor de Deus, onde é que tá o Tuco?
29:15Eu não achei nem o Tuco, nem o Pitomba.
29:17Vamos chamar a polícia.
29:18A polícia?
29:18Por quê?
29:19Claro, Agostinho, o Tuco sumiu.
29:20Não sumiu nada, ele tá por aí.
29:22Depois o Pitomb vai ficar achando com isso, chamar a polícia, gente.
29:24Ó, Agostinho, se a gente ver depois, agora a gente tem que achar o Tuco.
29:27Não tem nem, chega a polícia aí, fica o tiroteio, tira pra tudo quanto é lado, não vai sobrar ninguém
29:30nisso.
29:31Agostinho, você tá deixando a gente mais nervosa ainda.
29:33Não devia ter negócio de jantar, te der essa ideia, não devia ter deixado a casa do Berzão, não devia
29:36ter vindo pra casa.
29:37Agostinho, a senhora me perdoa, me perdoa.
29:38Agostinho, vamos chamar a polícia logo.
29:41Calma, nenê, calma, vai estar tudo certo, nenê.
29:43Ai, Nelsinho, pelo amor de Deus, será que o Tuquinho tá sofrendo?
29:46Calma, nenê.
29:46Ai, meu Deus.
29:49Ai, Tuquinho.
29:49Aê!
29:50Ai, Tuquinho.
29:50Tô curtindo romance aí, papãozão Marlinho?
29:53Ai, Tuquinho, meu filho.
29:54Amor, ai, Tuquinho.
29:56Ai, que bom.
29:57Você tá bem, meu filho?
29:59Ué, você desapareceu, a gente achou que podia ter acontecido alguma coisa, não é Tu?
30:02No céu dourado, acontece nada não.
30:05Ainda mais com vocês que são parentes do Agostinho, ó, eu garanto segurança total.
30:08É, se bem que aquele ovo amarelo que a gente comeu depois da lasanha, aquilo ali é um perigo, hein?
30:12É, se tá tranquilo, se der algum revertério, eu mando prender a galinha.
30:15Gente, a gente já ligou pra polícia.
30:18Quem ligou?
30:19Ligou pra quem?
30:20Ô, eu tava falando de você aqui ainda agora, agora, agora, agora.
30:24Parece de polícia.
30:25Não, não, não, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô,
30:27ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô,
30:28ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô,
30:28ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô,
30:30ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô,
30:35ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô
30:51tuas coisas e rá pra fora.
30:52E eu só vou liberar de vocês porque um dia
30:54tu já foi meu amigo, rapaz.
30:56Vai, vambora!
30:59Vem ele, meu irmão.
31:01Bora, bora, bora.
31:03O cara não era ninguém quando a gente era moleque.
31:05Ele não era nada, não era ninguém.
31:06Agora ele foi... Ele pensa que é.
31:09Ele pensa que é pra me expulsar de algum lugar.
31:11Ele é um criminoso que expulsou
31:12vocês do céu dourado.
31:14É um sujeito que cobra por um serviço
31:16que não é da competência dele. Vende
31:18uma falsa segurança. Se o direito
31:20das pessoas não é respeitado, que segurança é essa?
31:23É pra você aprender, Agostinho, mas não se meter
31:25com esse tipo de gente.
31:26Eu me informei. Eu não podia adivinhar que lá no céu dourado era assim.
31:29Logo, já adivinhar você não podia,
31:30mas você podia ter indagado melhor pra se mudar pra lá, né?
31:33Indaguei, né? Indaguei com a pessoa errada.
31:35Tem desculpa não, Agostinho.
31:37Ai, botando a culpa em mim.
31:39Bebel, ó.
31:40A mãe tem razão, Tinho.
31:42Entendeu? Aí.
31:43Eu também acho, Agostinho.
31:45Eu também vou com a maioria, hein? A culpa é toda do Agostinho.
31:54Marilda, ainda bem que vocês chegaram e pensei que eu vou passar a noite entalada aqui.
31:59Marilda, você está tentando entrar na minha casa?
32:01Não, eu estou tentando sair porque entrou um ladrão aqui e me trancou aqui dentro.
32:04Não se preocupe que o ladrão que entrou aqui é da família.
32:07É o Agostinho, maluco e perigoso.
32:09Ainda bem que o Pitomba não mora aqui na rua, né?
32:12Senão a Marilda estava encrencada.
32:13Eu não sei quem é Pitomba, não, mas eu conheço dois camaradas que vão estar encrencados
32:16quando eu sair daqui.
32:18Eu estou dando até sono aí.
32:20É.
32:21Sei lá o que aconteceu.
32:24Mas...
32:26Boa noite, maridinha.
32:28Deixou a gente aqui e vai se divertir na night, né?
32:32Ainda por de cima não trouxe nem cerveja lá.
32:35Você vai se explicar ou não vai?
32:37Vou explicar assim, vou explicar uma coisa pra vocês.
32:40Que dois namorados não valem o homem certo, tá entendendo?
32:44Porque eu estava correndo perigo, podia ter morrido uma hora dessa e vocês só estão
32:48pensando no futebol.
32:49Mas, dizem, nós estávamos tomando conta da nossa casinha, né?
32:53Que nossa casa, nossa casa, coisa de mal.
32:55É, que nossa casa, a casa é da Marilsa, não é nossa casa, não é sua casa, entendeu,
33:00não dá, se toca.
33:02Mas o senhor, mas o senhor, manda, para a gente ficar juntinho.
33:05Vou mandar ele embora, vou mandar você também, depois vou eu.
33:09Porque eu já devolvi essa casa para o Beissola.
33:12Ah, a gente vai voltar para a nossa casinha antiga, é?
33:14Eu prefiro, acho lá mais aconchegante.
33:17Vamos uma pinóia, vocês estão proibidos de entrar na minha casa, hein?
33:21É, peraí, marildinho.
33:23Então, meu amor, como é que nós vamos nos encontrar?
33:25Longe, longe, longe de preferência, porque eu não quero mais vocês espantando as minhas
33:30clientes do salão.
33:31Porque olha aqui, meu filho, de homem safado o mundo está cheio agora.
33:35Cliente boa, fiel, que paga as coisinhas lá, é uma raridade.
33:38Portanto, a porta da rua se repentia da casa.
33:41Cartão vermelho.
33:42Peraí, eu também.
33:44Vai embora, vai embora.
33:48Sabe, Ti, eu gostei daquela casinha lá, mas eu já estava morrendo de saudade dessa aqui.
33:53E essa aqui é legal, mas não é própria, né?
33:55Não é própria.
33:56Ah, mas quem sabe um dia, né?
33:59Até lá a gente pode continuar sonhando.
34:01É, vamos continuar sonhando.
34:03Enquanto esse sonho não se realiza, nós vamos ter que viver esse pesadelo que é ter
34:06que negociar com o Beissola.
34:08Ah, o Beissola tem que ir legal.
34:16Beissola, morre cedo.
34:19É, voltaram, né?
34:20É, Beissola, nós voltamos, mas eu não desisti do meu sonho de ser minha casa própria,
34:23própria minha não, tá entendendo?
34:24Nós voltamos, mas vamos ficar aqui só enquanto já vai dar uma coisa melhor pra gente.
34:27Ah, tá certo.
34:27Vão ficando e vão pagando aluguel.
34:29Como assim?
34:30Esse mês a Marilda já pagou aluguel.
34:32A Marilda pagou aluguel da Marilda, o Agostinho paga o aluguel do Agostinho.
34:36Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
34:37É que não tem, Beissola.
34:38O que é isso?
34:38O aluguel é aluguel.
34:39O que é isso?
34:40Se reclamar muito, eu vou fazer você pagar uma multa pela sumilucação e vai ter que
34:43pagar.
34:43Ah, Beissola, quer saber não.
34:44Eu vou pagar coisa não.
34:45Fecha a pau dele.
34:46Ah, então, Gênio.
34:47Isso.
34:47O que é isso, Beissola?
34:48Se você não vai pagar aluguel, eu vou guardar meus mantimentos aqui, viu?
34:51Beissola, você vai guardar dentro da minha casa.
34:53Oh, Beissola.
34:54Você acha que você tem que deixar a comida de minha casa?
34:56Olha, com a comida que você vai guardar na minha casa, Beissola.
34:59Então eu vou comer.
35:00Dá pra comer?
35:01Vai pagar.
35:01Você vai pagar.
35:02Estraga, não.
35:02Olha a conta que você tá bebendo lá na pastelaria.
35:17Eu também sou da família, eu também quero catucar.
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