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Categoria

🎈
Diversão
Transcrição
00:26A CIDADE NO BRASIL
00:42A CIDADE NO BRASIL
01:13A CIDADE NO BRASIL
01:18Mariluza, Mariluza.
01:22Quem era, Marildinha?
01:24Vendedor de pamonha.
01:25Marildinha, dá pra eu ficar aqui?
01:28Eu tô me sentindo muito mal.
01:30Não, você não vai ficar aqui, não.
01:31Não, olha.
01:34Peraí.
01:40Ô, Mariluza, eu tô sumido um tempão.
01:42Subo a pé, saladeira, Ingrid, e você me recebe assim?
01:45E daí que você tá sumido um tempão?
01:47Você acha que vão te receber assim?
01:48Ué, por que que não? Deixa que eu explique.
01:51Outra hora, outra hora que eu tô ocupada.
01:53Tá ocupado com o quê? Tá ocupado com outro homem?
01:55Não, tô ocupada dormindo.
01:57Dormindo? Mas eu não tô acreditando.
02:00Mariluza, o que que tá acontecendo, hein?
02:02O que tá acontecendo é que meus clientes estão chegando.
02:05Mas isso aí não era voz de mulher, não.
02:07Isso aí era voz de homem, mais ou menos, não é?
02:10Não, não, não, não, não, não, não, não abre essa porta.
02:13Você não queria que eu fosse embora?
02:15Eu vou expulso pela porta que eu quiser.
02:17Não sai por essa porta, não.
02:20Agora que você já abriu essa porta, pode ir.
02:39Ai, tio, não sei o que chorando tem.
02:42Não para de chorar, tio.
02:43Já vai parar aí, ele não sei o que ele tem, ó. Já parou, tá vendo?
02:47Agora eu também tô muito ruim, ó.
02:49Ué, tá gripado, será?
02:50Não sei, tô ruim.
02:52Acho que eu devia continuar na cama. Vamos lá na cama?
02:55Iitinho, o que que é isso, Agostinho?
02:57Você é um homem, tem uma coisa boa, tem um amor danado por você, hein? Vamos lá.
03:01Ih, mas você não tá debilitado, não, pra esse amor todo?
03:04Não, um pouquinho de febre só.
03:06Deixa eu ver.
03:07Tá com febre não, Agostinho.
03:09Ó, mas vamos lá, Beganha.
03:11Agostinho, não tem vergonha, não? Vai ficar aqui me agarrando na frente do nosso filho?
03:15Ó, Beganha, a criança chorando consegue tudo o que ela quer.
03:18Por que que eu chorando também não vou conseguir o negócio que eu tô querendo?
03:22Não acredito, Agostinho.
03:23Tá com ciúme do nosso filho, é?
03:25Vou ter ciúme de filho meu, agora eu tenho saudade.
03:28Tenho saudade do tempo que nós éramos um pro outro, nós chamamos a nossa vida,
03:30a gente saia pra jantar pra gente namorar, vai em casa, hein?
03:33Por que que tem que acabar tudo?
03:33Pois é, mas agora o homenginho da minha vida é esse daqui, pequenininho, olha que bonito.
03:39Ô, Beganha, mas eu, pô, vou fazer o quê? Como é que vai ficar isso?
03:41Você?
03:42É.
03:42É, vai trabalhar, né?
03:44Aproveita e passa ali na mamãe e fala pra ela dar um pulinho aqui que eu tô precisando dela.
03:51O papai tá com ciúme de você.
03:59Nenê, preciso da sua ajuda.
04:01Ai, Marildinha, desculpa.
04:03É que eu vou ter que socorrer a Bebel, é que o Florianinho tá chorando.
04:06Ah, então é por isso que ela não foi pro salão hoje?
04:09Ô, Marilda, não é por nada, não.
04:11Mas a Bebel tá em casa, você tá aqui, quem é que tá no salão?
04:14Não é esse o problema, não.
04:16O problema é o Mendonça.
04:18Mendonça?
04:19Ai, Marilda, você voltou com o Mendonça?
04:20Não, eu só fiquei ali com ele.
04:24Mas o Paulão apareceu.
04:26Ué, gente, a oficina dele tá fechada a mesa, achei que ele tinha ido embora.
04:30Eu também, mas ele voltou.
04:31Tá bonito.
04:33Bonito e cafajeste, né, Marilda?
04:35Paulão sempre acaba te enrolando, né?
04:37Ah, mas o Mendonça também me enrola.
04:39Ô, Marilda, enrolão por enrolão, você já tem um.
04:43Pra que que você quer outro?
04:44Não, é que é o problema, né?
04:45O que que eu faço?
04:55Ô, pessoal, desce a cerveja aí pra mim, vai.
04:59Ô, Tuco, isso é hora de começar a beber, meu filho?
05:01Eu não tô começando, eu tô terminando.
05:03Isso aqui é a saideira, depois eu vou cair na cama.
05:12Muito bonito, hein?
05:15Eu estou procurando você a hora, esqueceu que trabalha pra mim?
05:18Não, não, não.
05:19Tanto nem esqueci que ia até te pedir folga hoje.
05:21Pedido, né, gato?
05:22Nós temos que ir até o outro lado da linha do trem pra pegar um gato ou engorar, que vai
05:26fazer o exame.
05:26Peraí, Paulão.
05:27Que cara folgado, ele não podia trazer o gato, não?
05:29Folgado é quem quer que os outros façam o seu trabalho.
05:32Vamos lá, Arthur, vamos lá, e faça favor, machique um chiclete pra disfarçar esse bafo de cerveja.
05:40Meuzinho!
05:42É pra isso que você tá me abandonando, é?
05:45Então, eu ia contar pra você.
05:47Meuzinho, são 35 anos de carinho, devoção, dedicação, fidelidade, cumplicidade.
05:57E você me troca isso tudo pra cuidar de um gato angorale, meuzinho.
06:01Nós já conversamos sobre isso, Mendonça.
06:04Eu precisava de novas experiências.
06:05Mas eu pensava que era só um tempo que você ia voltar.
06:09Olha, Mendonça, põe uma coisa na sua cabeça.
06:11Eu não vou voltar.
06:14Linozinho!
06:16Linozinho!
06:16Mendonça, eu não tenho tempo pra esse seu teatro barato.
06:21Caramba!
06:22Ô, Paulãozão!
06:23Meu Deus, meu Deus, não é por nada não, mas ele tá ardendo em febre.
06:26Febre, dor de cabeça, dor na junta, tontura.
06:30Eu acho que a morte se compadeceu de mim e veio me buscar.
06:35Meu Deus do céu, deve ser a dengue.
06:37Tá tendo muitos casos aqui no bairro, é por isso que eu sempre faço repelente.
06:42Ai, Mendonça, pelo amor de Deus, me leva pra sua casa, você é meu único amigo.
06:47Ah, pai, vem só, né?
06:50Calma, calma, calma.
06:51Até nunca mais.
06:52Não, não.
06:53Tu, pega você, o gato.
06:55Eu?
06:56Eu vou cuidar do Mendonça.
06:57Não esquece o chiclete, hein?
06:59Senta, senta, Mendonça.
07:00Vem só lá, até nunca mais.
07:02Não, o que é isso?
07:03Pega lá uma água pra ele.
07:04Eu vou pegar uma água, calma, calma, calma, calma.
07:05Calma, calma, calma, vai lá.
07:15Oi, meuzinho, ai, passei a manhã cuidando do Florinho.
07:19Tá com a cólica, tá tímida, muita cólica.
07:21Oi, meu, eu preciso contar uma coisa pra você.
07:25Na verdade, eu preciso muito da sua colaboração.
07:30O que é?
07:31Meuzinho, que bicho que você trouxe pra casa agora?
07:33Um urso?
07:34Ai, meu.
07:39O que que é isso?
07:41Ao que tudo indica, é dengue.
07:43Ah, meu, coitadinho.
07:44Por que você não levou ele pro hospital?
07:46Eu defendo ele, mas é que o resultado do exame só fica pronto amanhã.
07:49Até lá ele precisa de repouso.
07:51Ah, não.
07:51Não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não.
07:53Eu cuido do meu netinho, porque o meu netinho é pequenininho, é fofinho, é rosadinho.
07:59Mas do Mendonça, não.
08:00Não, pode deixar.
08:01Eu vou ficar em casa pra cuidar do Mendonça.
08:10Alô?
08:11Ô, Tuco.
08:12O que que houve?
08:14Não, claro que não.
08:17Um gato pode até morrer se engolir o chiclete.
08:21Ele engoliu o seu chiclete.
08:23Não, Tuco, ele tá ficando roxo.
08:26Não bata nas costas do gato.
08:28Ô, Tuco.
08:29Não, Tuco.
08:30Não adianta também ficar segurando pelo rabo.
08:32Tuco, fique quieto aí.
08:34Quieto, imóvel.
08:34Eu já estou indo pra ele nesse momento.
08:38Não dá não.
08:39Linel, pela boca de Deus.
08:40Linel, não me deixa.
08:42Linel, não me...
08:42Linel, Linel.
08:44Ai.
08:45Só pra lá.
08:50Ô, Tênis, que bom que a história chegou.
08:53Eu tô tão fraquinho, não dá pra fazer um chazinho pra ele.
09:00Mendonça tá com dengue?
09:01Não, mas isso aí é o que a pessoa falou.
09:03Ah, então é por isso que hoje, quando ele acordou, disse que tava passando mal.
09:06Eu não acreditei.
09:08Ele dormiu na sua casa, chefa?
09:10Tuveu, não seja indiscreta, né?
09:12Dormiu?
09:13Toma conta do salão aí, que eu vou ali e já volto.
09:16Só um minuto.
09:16Eu quero ver um cafezinho na cama.
09:18Respeitamos.
09:18Mas senhor, agora não vai ter a paranoia, né?
09:21Tá mais quente.
09:21Não, que se o mosquito que mordeu o Mendonça na casa da Marilda
09:26tá solto por aí e mordeu o Floriano.
09:28Ih, mas o mosquito vive só 12 horas.
09:30Não tem 12 horas e não vou de lá aqui, não.
09:31Depois lá em casa não tem mosquito.
09:33Tem um pouco de mosquito.
09:34Mas o mosquito que tem lá em casa nunca botou dengue em ninguém, não.
09:36Quer dizer, tem na rua, tem um bocado de dengue.
09:38Maitinho, você tá me deixando mais nervosa ainda.
09:40Você tá me deixando nervosa? O que você quer que eu faça?
09:41Eu quero que você proteja o nosso filho.
10:01Pô, Mariodo.
10:02Impressionante, hein?
10:03O que eu fiz de tão grave pra não merecer nenhum oi teu?
10:06Você foi embora sem me dar nenhum tchau.
10:08Não, Marido, mas eu fui por motivos de força bem maior, de força enorme.
10:12Eu quase empacotei.
10:13A sucuri me encaçapou, bateu muito em mim, sabia?
10:16E o que você aprontou pra ela te escangalhar desse jeito?
10:19Pedi o divórcio.
10:22Paulão, não vem com essa história.
10:24Vocês estão no cola mais, né?
10:26Ah, não? Ah, não? Não acredita, não?
10:27Não acredita. Vamos supor que eu te apresentasse isso aqui.
10:30Aqui.
10:31Pode ler.
10:32Nê, né, né.
10:35Décima terceira vara de família, separação judicial.
10:39Tá vendo?
10:39Quanto a vara que eu entrei, décima terceira vara...
10:41Tem assinatura de juiz, carimbo de escrivão,
10:44Aquele negócio de firma conhecida, tudo isso.
10:48Você separou mesmo?
10:49Tô livre, leve e solto com essa brisa aqui, ó.
10:52E digo sem recheio, Marido.
10:54Voltei pra tu.
10:56Tu ainda me quer?
11:14Por sua causa, ô turco, eu quase tive que fazer respiração boca a boca com aquele gato.
11:19A senhora não deu o chiclete pra ele, não. Foi ele que pegou.
11:22Que isso?
11:23É, meu salgadinho.
11:24Meu pijama.
11:26Olha, Nêuzinho, você pediu licença da repartição porque tava estressado.
11:31Pelo jeito, não adiantou nada.
11:32Você continua o homem estressado.
11:35Eu estava tendo uma discussão técnica com o meu assistente.
11:38Nêuzinho, vem cá.
11:40Você só tem um empregado.
11:42É o tuco.
11:43Como é que isso pode dar certo, rapaz?
11:46Ó, a minha cota de ofensa já tá no limite hoje.
11:48Tá?
11:48Vou com o meu...
11:49Pode deixar, Mendonça, que com o meu assistente, eu mesmo resolvo a questão.
11:52Tá aí, Mendonça, sua sopinha.
11:55Obrigado.
11:56Ah, dona Nenê, dá uma esquentadinha, né?
12:00Eu gosto de sopinha, bem quentinha, tá?
12:04Tá bom, Mendonça, eu dou uma esquentadinha.
12:07Obrigado.
12:09O Mendonça deu muito trabalho.
12:11Ele é mais chato pra comer do que o tuco.
12:14Mais mimado do que a Bebel.
12:16Mais folgado do que o Agostinho.
12:18E mais cheio de mania do que você.
12:20Ou seja, eu revivi toda a minha vida doméstica num só dia.
12:24Nós temos que ter paciência, Nenê.
12:26Ele tá doente.
12:28Lineuzinho, posso dizer uma coisa?
12:31Eu acho que ele não tem nada de mais.
12:33Eu acho que ele tá fazendo drama.
12:34E se nós falássemos com a Marilda?
12:35Ah, Nenê, ô, eu conheço a minha amiga muito bem.
12:39A essa hora, ela está nos braços do Paulão.
12:42Do Paulão?
12:42Ah.
12:43Do Paulão?
12:45Ah, mamãe, cala-te, boca.
12:59Ó, Bebel, acho que eu já matei mais de mim o mosquito isso aqui.
13:02É melhor que o Guga no segundo.
13:03É, Agostinho, só que é o Aedes que tem que matar.
13:06O Aedes.
13:07Eu falo que tem que matar mosquito, quem é Aedes?
13:09Aedes, a Egipte.
13:10É o mosquito que transmite a dengue.
13:12Ah, sim, entendo.
13:13Sei não, a culpa também das autoridades e também a população.
13:16Cada um tem que fazer a sua parte.
13:17Eu penso que nós tivéssemos feito cada um do seu pai, nós estamos agora enfrentando essa epidemia.
13:22Bonito, bravo, bravo.
13:24Que discurso bonito seu, né?
13:27O que você está falando assim?
13:27Então vem aqui.
13:28O que é isso?
13:28Vem aqui para ver o negócio.
13:29Vem aqui que eu quero te mostrar o negócio aqui fora.
13:31Você é uma pessoa muito difícil.
13:33Eu amo você, Marisabel, mas você é uma pessoa difícil.
13:35Chega aí.
13:35Mas sei da criança, o que é isso?
13:37Vem cá, vem cá.
13:38Eu achei onde é que está o foco da dengue nessa caiaza.
13:41Vem cá ver.
13:42Está aqui, ó.
13:43Aqui, ó.
13:44Aí.
13:45Aí onde é que está.
13:45Esse monte de pneu que você tem em guardar cheio de água, nojeta de mosquito.
13:50Eu não sabia que está cheio de pneu.
13:52O negócio é o seguinte, neguinho.
13:53Se o meu filho pegar dengue, quem vai para o hospital é você.
13:57Falei?
13:58Eu vou recolher.
13:59Ó, vou fazer tudo direitinho.
14:01Tá, meu bem?
14:01Eu prometo que eu vou arrumar, meu bem.
14:03Eu acho bom.
14:04Eu vou fazer tudo direitinho, meu bem.
14:05Eu gosto dela, mas eu tenho medo.
14:06Caramba, cara.
14:17Oi, Toma.
14:18Oi, Toma.
14:18Eu tenho saudade.
14:20Você também.
14:25Ai, você está tímida.
14:26O que foi?
14:27Eu mudei, mas eu mudei, sabia?
14:30Eu não estou pensando em sexo o tempo todo.
14:33Claro que eu penso em tu, né?
14:34Eu penso em tu, assim, como um todo, percebe?
14:37Tá, então vamos.
14:38Não, não, não, não.
14:39Tirando esse braço da tibóia.
14:42Não, não, não.
14:42O médico falou que esse é um membro que não pode mexer.
14:45O resto pode, mas esse membro não pode, entendeu?
14:47Você está esquisito.
14:49Estou nervoso.
14:50Hoje é um dia especial para mim.
14:53Eu tenho um presente para tu.
14:54E fiz também uma poesinha.
14:57Se eu fosse astronauta e fosse lá para o céu, eu traria para você estrelas de montão.
15:06Mas como eu não sou astronauta, não, fui no shopping e paguei no cartão.
15:11Patrô, eu que fiz também uma poesia e um presentinho.
15:14Um anel?
15:15É de noivado?
15:17Tu quer ser minha noiva, Mariosa?
15:20Tu quer inoivar, inoivar?
15:21Tira a mão dessa mulher, seu paulão da pilantragem.
15:25No seu coração não cabe amor, só cabe sacanagem.
15:29Ah, seu anel.
15:31O que que é isso?
15:31Patacinha, quando o Nascimento está rama pelo céu e perguntava doente.
15:36Ele é que vai ficar doente.
15:38Cadê o anel?
15:38Olha a minha casa.
15:41Cadê o anel?
15:51Cadê o anel?
16:01Foi um momento mágico.
16:03Tudo perfeito.
16:05Aí, de repente, me chega o Mendonça e volta tudo a estacar zero.
16:09Ai, Marilda, desculpa.
16:11Marildinha, desculpa.
16:12Eu não queria que o Mendonça soubesse.
16:14É, mas agora ele está sabendo.
16:15Ele está de um lado enchendo meu saco e o paulão furioso do outro.
16:18Ô, Marildinha.
16:20Marildinha, por que que você...
16:21Por que que você não aproveita pra decidir a sua vida?
16:24Como assim?
16:24O paulão agora não tem mais a sucuri, não tem mais a jararaca, não tem mais ninguém.
16:29Então, ele é uma possibilidade real.
16:32Agora você pode decidir entre o paulão e o Mendonça.
16:36Qual deles é melhor pra mim?
16:38Sinceramente, nenhum dos dois.
16:40Mas como você não consegue se decidir, pelo menos escolhe o menos pior.
16:45Qual deles será o menos pior?
16:51Não tem mais.
17:08Lenzinho, aquilo não é uma mulher, Lenzinho.
17:12Aquilo é o diabo posto na terra pra me atorber.
17:18Lidãozinho, pelo amor de Deus, tira essa mulher da minha cabeça, me exorciza, pelo amor de Deus, me exorciza.
17:24Mendonça, por favor, Mendonça, procura pensar nas coisas boas.
17:28O resultado do seu exame, por exemplo, você não está com dengue, é uma virose, apenas isso, pronto.
17:33Mas isso é bom, Lidão, isso é péssimo, eu preferia estar morto.
17:38E aí, papazão, vamos trabalhar?
17:39Desculpe, Mendonça, mas eu tenho que sair.
17:41Peraí, Lidãozinho, não me abandona, não me abandona.
17:44Ai, Mendoça, a gente pode conversar.
17:46Eu vou deixar vocês a sós.
17:48Obrigado, Lidãozinho, não me deixe sozinho, uma hora mais.
17:53Lidãozinho, o que?
17:56Tá bom, você vai dizer com qual de nós dois você vai ficar, não é?
18:02Pode dizer.
18:04Fala logo, meu Deus do céu.
18:08Me viu?
18:09Oi.
18:10Não vai acreditar, mas eu estou com dor de cabeça, estou com diarreia, estou muito com febre.
18:16Tem bem razão, Agostinho, não vou acreditar mesmo.
18:20Não, eu estou falando sério, não faz um café para mim, um leitinho, uma torrada, leva lá no quarto.
18:23Está vendo, não, estou aqui ocupada, estou ocupada com a mamadeira do nosso filhinho.
18:27Sei, bebê, mas eu estou quase estourando de dor de cabeça, custa você fazer isso para mim?
18:32Eu também, Agostinho, também estou estourando de dor de cabeça, sabia?
18:35Mas é de tanta conversa mole sua, viu?
18:37Conversa molinha.
18:39Oxe.
18:41Ai, Nenê, fiquei com a pena do Mendonça.
18:44Marildinha.
18:45Olha, ele vai sofrer agora, mas vai ser bom para ele, entendeu?
18:49Porque assim ele vai ficar livre, vai poder seguir a vida dele.
18:52Eu sou a vida dele.
18:54Eu tenho medo que ele não consiga superar isso.
18:58Marildo, você está querendo voltar com o Mendonça?
18:59Não.
19:00Ih, você não para de falar dele.
19:02Mas é que eu acho que, sei lá, é a força do hábito.
19:06Ai, Marilda, você fala dos homens, mas você também não é fácil, né?
19:11Você parece uma adolescente, não resolve, não decide as coisas nunca.
19:14Tudo bem que eu demoro um pouquinho para tomar uma decisão, mas quando eu tomo, é para valer.
19:20Se é para valer, você vai lá agora e você vai falar com o Paulão.
19:25Tá.
19:27Fazer.
19:29Mas será que eu não podia, assim, trocar de roupa?
19:32Espera um pouco.
19:32Marilda.
19:33Tá.
19:34Tô indo.
19:48Maleta preta?
19:49Tá aqui.
19:49Caixa de primeiros socorros?
19:51Tá aqui.
19:52Mendonça?
19:52Tô aqui.
19:53Ô, Mendonça, eu sei que você tá aí, Mendonça, mas você não pode ir com a gente.
19:56Nós vamos trabalhar.
19:58Linelzinho, eu prometo que eu não vou atrapalhar, mas não me deixa sozinho, que eu tenho medo
20:02de fazer uma besteira, rapaz.
20:03Bom, já que o Mendonça vai, eu acho que eu não preciso ir, né?
20:05Sem piadinha, Turco, por favor.
20:07Respeita seu pai, senão ele te manda embora.
20:09Ô, Mendonça, pode deixar aqui do meu assistente, cuido eu.
20:12Ah, Linelzinho, é por essas e outras que essa veterinária vai acabar e dando em brincadeira.
20:17Isso aqui não é uma brincadeira.
20:18Ô, Turco, tá bom, vamo embora, vamo embora.
20:23Ah, meu Deus, o mesmo problema de ontem.
20:31Mas ontem a ambulância não pivou.
20:33Ô, Turco, você tá usando meu carro pra fazer farra de noite?
20:37Olha lá, popuzão, eu usava o teu outro carro antes, por que eu não vou usar esse agora?
20:40Mas isso aqui é um instrumento de trabalho, eles servem pra transportar gatos, cachorros.
20:45E de dia, de dia, Linelzinho leva gatos, cachorros, já de noite o Turquinho leva as gatinhas, as cachorronas.
20:56Olha, Mendonça, eu vou me livrar de você agora.
20:58Peraí, Linelzinho, eu prometo que eu não falo mais nada.
21:01Meu Deus, e essa pintinha aqui, tinha perto do pescocinho, será que é picada?
21:07Ai, não sei, bebê, eu também acho que tô com uma picada, ai, meu Deus do céu, tem uma picada.
21:11Será que eu tô com um dengue?
21:12Ai, Agostinho, eu acho tão feio, tão feio você ficar fingindo que tá com uma doença assim, séria.
21:17Eu não tô fingindo, tá? Eu tô passando mal.
21:20Ô, Bebel, Bebel, você me empresta, o Agostinho?
21:22Tá na mão.
21:23Ô, Agostinho, eu queria que você levasse o Mendonça de volta pra casa dele, eu mesmo vou pagar, adiantado.
21:28Desculpa, Lê, eu não posso, eu tô sentindo super mal.
21:31Ah, pai, o Agostinho tá assim, se fingindo de doente, que é pra eu ficar com pena dele.
21:35Só que eu não vou ter pena de alguém que cria mosquito Aedes aegypti em casa.
21:39Olha, ô, Bebel, você tá falando daqueles pneus velhos?
21:42Uhum.
21:42Agostinho, eu disse pra você se livrar daqueles pneus.
21:45Ô, menino, mas essa bronca eu já levei.
21:47É, então sabe o que você faz?
21:49Agora você vai lá e faz o que o meu pai mandou você fazer, só que de graça,
21:53pra aprender a não ser tão irresponsável, tá?
21:56Tchau, pai.
22:10Até que enfim apareceu, hein?
22:13Pensei que não ia me devolver mais o anel.
22:15Ah, tava pensando em usar.
22:17Ah, usar? Usar com quem? Com o Mendonça?
22:19Paula, eu não sabia que você ia voltar.
22:21Me amasse mesmo.
22:23Eu podia ir pro Iraque que você ficava me esperando, sabia?
22:27Porque eu passei meses naquele hospital só pensando em você.
22:32Mas por que você não me ligou?
22:33Por que você não me ligou?
22:35Porque eu fiquei esperando você me ligar, Marilson.
22:38Ô, Paulão.
22:40Pô, presta atenção.
22:41Tu tá liberado da sucuri.
22:43Também dei um libero aí no Mendonça.
22:46Pô, a gente tá, né?
22:48Numa situação podendo ficar um com o outro.
22:52Não tá querendo, não?
22:54Eu que te pergunto.
22:56Não tá querendo, não?
22:59Querer eu não quero, não, entendeu?
23:01Mas o que eu vou fazer?
23:02Eu consigo ficar longe de você?
23:04Então, um negócio químico assim de explosivo, né?
23:09É tóxico mesmo.
23:11Eu tô viciado em você.
23:15Marilson.
23:16Pode.
23:19Marilson.
23:35Agostinho, você não tá sentindo bem, não?
23:37Não, eu tô péssimo.
23:38Ah, então tá igual a mim.
23:39Você não sabe o que aconteceu, cara.
23:42Ah, eu sei que sim.
23:43A Marilda tá com o Paulão, né?
23:45Como é que você sabe?
23:47Ah, tô vendo ele se pegando ali.
23:48Olha lá, olha lá.
23:49Para, para, para.
23:51Para, para o carro.
23:52Para o carro, rapaz.
23:53Para o carro.
23:56Ai, quer cê te cair em cima do braço quebrado?
23:59Ai, tá doendo.
24:00Não tem problema, não.
24:02Que vaso ruim, não quebra.
24:04Para, Mendoza, dá um tempo.
24:06Não tem, ó.
24:07Peraí, tá doendo.
24:08Deixa eu ver, mas o começo tá mexendo.
24:10Ai, ai, ai, ai, ai.
24:12O que é isso?
24:13Peraí, carretinho aí.
24:14Não foi um amigo meu de pronto, de restabelecimento aqui.
24:18Ah, é?
24:18Escreveu aí.
24:19Peraí, carretinho molhado na moniquinha do Pelô.
24:22Volta logo para a sua Leila do Acarajé.
24:25Acarajézinho, do Paulão.
24:26Tudo de bom?
24:27As meninas da Danda e Cheirinho no Cangote.
24:31Eu posso ficar, eu posso ficar.
24:33Depois da minha separação, eu precisava de um tempo assim,
24:36para mim, um tempo interior, sabe?
24:38Aquele negócio de ficar.
24:40Ai, ai, mano.
24:41Foi tomar teu tempo interior lá em Salvador, né?
24:45Eu estava, eu caí em depressão, Marilda.
24:47Eu não vi a depressão e caí lá de cima do tri-elef.
24:52Augustinho, Augustinho, conta para ela.
24:54Conta para ela, por favor.
24:55Não tem nada a ver com as tuas coisas, não.
24:57Isso, cara.
24:57Augustinho, você sabe, eu te contei tudo
24:59quando você foi buscar na rondoviária.
25:01Ela tá me devendo a corrida e tá...
25:04Eu te dei um berimbau para você dar para o molequinho.
25:06Não dei, não?
25:06Tá vendo, Marildinha?
25:08O tipo de gente que você anda aqui.
25:11Volta para mim.
25:12Não se mete você também.
25:13É, é.
25:14Fica comigo.
25:15Pô, alguém que eu estou...
25:16Não, ela vai ficar...
25:18Peraí, eu tô passando mal.
25:19Peraí.
25:19Não, Luiz, você tá...
25:20Olha, ele tá ficando verde, olha.
25:23Vai lá, vai lá, leva ele no hospital.
25:25Não, leva ele no hospital.
25:26Não, não atrapalha, Augustinho, não atrapalha.
25:28Tô falando um negócio sério.
25:30Olha aí, olha aí.
25:31Segura, Augustinho.
25:32Segura.
25:32Leva ele.
25:33Saca, Augustinho, força.
25:34Eu tô conversando sério.
25:36Eu não sei, não posso dirigir assim.
25:38Vomitou.
25:39Vomitou.
25:40Pega o plástico.
25:40O cara tá vomitando aqui na tifoia.
25:42Basta sua boca.
25:56Deus do céu, Bebel, gente.
25:59Olha, o Augustinho tava com dengue mesmo.
26:02Ah, mas nada que uma semana de descanso que não resolva, não.
26:05É.
26:06O que que é isso para dar pro teu braço?
26:07Ah, é porque eu e o Tuco participamos da campanha de doação de sangue
26:11pra ajudar quem tá doente com dengue hemorrágica.
26:14Muito bom.
26:15Tadinho do meu maridinho.
26:17Tadinho, ele tá dodói.
26:19Ô, meu amor, desculpa eu ter duvidado de você, meu amor.
26:24Desculpa, mesmo você sendo irresponsável,
26:26eu vou cuidar muito bem do meu maridinho dodói.
26:30Faz um...
26:31Ai, faz um chá pra mim?
26:33Faço, meu amor.
26:36Ai, isso aí, gente.
26:38Tadinho.
26:39Faz uma flor, porque eu tô com fome.
26:41Eu faço, tio, eu faço tudo pra deixar você bem hidratadinho, meu amor.
26:46Você vai ficar todo hidratadinho, você vai ver.
26:50O problema do Agostinho não é a dengue, não, hein.
26:53É o dengo.
26:54Eu vou lá fazer.
26:57Não, Tuco, fica olhando teu cunhado aí enquanto eu faço o chazinho.
27:22Consertou?
27:23Consertei, Nilinho.
27:24Agora, a única coisa que não tem conserto é esse fedor de cachorro molhado.
27:28É uma nhaca, um budum.
27:31Vai até pensar que foi o Toco, mas não, foi o cachorro.
27:33Cachorro mesmo.
27:34Nenhaca, budum.
27:41Popozão e Popoboy partem para mais uma missão no Popomóvel.
27:45É, hoje nós vamos vacinar o Bulldog da Dona Zélio.
27:57Vai com tudo, entendeu?
28:06Lindeuzinho!
28:07Lindeuzinho!
28:08Lindeuzinho!
28:11Presta atenção, eu te perdoo, apesar de tudo que você me fez.
28:17Apesar de tudo que eu fiz?
28:18Você arranjou outro emprego.
28:20Você me expulsou da sua casa, mas, mesmo assim, você mora no meu coração.
28:28Você também, minha doce.
28:29Você vai largar a vigilância sanitária para cuidar de pré-á, ratinho branco, peixinho vermelho, cachorrinho de madame, é isso,
28:40é?
28:40Ô, Mendonça, os bichos dão menos trabalho que alguns seres humanos.
28:44Dá licença.
28:52Essa cara amassada aí nem martelinho de ouro dá jeito.
28:55Vai limpar o cano de descarga, rapaz?
28:58Sai.
28:58Ah, pago no mundo, mas, pariu!
29:00Pariu, o que que é?
29:01Me cadamos, ah!
29:03Que medico!
29:04Os caras estão lando pra lua aí.
29:05Isso aí, isso aí, mas é amor!
29:07Deixa eu te falar uma coisa que...
29:09Fala.
29:10Que eu fiquei pensando, sabe, gente?
29:12Que eu tô pensando muito nessa...
29:15Nessa nossa situação aí, né?
29:17Que a gente tá vivendo, né?
29:20Que é uma situação difícil pra mim, né?
29:23Porque eu fico pensando, assim, nas coisas boas, né?
29:29Nas coisas ruins também, né?
29:30Os defeitos, né?
29:31Mas, por exemplo, o Paulão, que...
29:34Paulão achei bonito esse negócio de você terminar seu casamento, pra gente ficar junto.
29:39Não deu anel de noivado, bonito, né?
29:41Apesar de ter ficado com tudo que é baiana que você encontrou na sua frente, né?
29:45Antes de voltar, mas...
29:46Você também, né, Melo?
29:48Você tem pensado muito, assim...
29:49Porque a gente tem já uma história, né?
29:52Pois é, mas...
29:53Um companheiro de longa data, né?
29:55Filho, a gente viveu tanta coisa boa junto, né?
29:57Muita coisa, minha querida.
29:58Tanto que tem crenca que você me aprontou também, né, safado?
30:02E daí, então, né?
30:04Eu pensei bem, botei tudo assim numa balança e tomei uma decisão.
30:11Uma decisão irrevogável.
30:16Minha avogada.
30:18Tu é burro, é...
30:20Isso, marido, bate, bate, ele merece, quebra o braço, entendeu?
30:26Marilda, pelo amor de Deus, você não pode estar falando sério.
30:30Seríssimo.
30:31Marilda, você vai namorar os dois ao mesmo tempo?
30:34Então, quem sabe a soma de dois homens errados dá um homem certo.
30:37É, mas você é uma só.
30:39Mas eu tenho experiência.
30:40Quando eu era mais nova, eu namorei dois surfistas.
30:43Marilda, ao mesmo tempo.
30:45Marilda, o que a vizinhança vai pensar?
30:47Não tô nem aí pra vizinhança.
30:49Você não disse que eu tinha que me livrar deles, que eu tinha que tomar uma decisão?
30:52Então, tomei.
30:54Pô, é, Marilda, mas...
30:56Não mudou nada, né?
30:57Mudou sim.
30:58Aí que você se engana, mudou completamente.
31:01Agora, eu não vou ficar correndo atrás deles, não.
31:04Eles é que vão ter que rebolar pra me fazer feliz, entendeu?
31:06E, ó, se um deles vacilar, cartão vermelho.
31:10Pé na busanfa.
31:12Marilda!
31:16Marilda!
31:18E, ó, lá, ó.
31:19Seus dois namorados chegaram.
31:23Que florzinha caída.
31:25Essas tuas chulipas estão...
31:26Comprou onde?
31:27Com uma xepa com desconto?
31:28E essa flor roxa aí, cê roubou de que catacumba, de que cemitério, hein?
31:35Catacumba.
31:40Boa.
31:42Oi, meu amor.
31:43Oi, meu amor.
31:45Comprei pra você, ó.
31:47Comprei.
31:48Essa aqui é mais bonitinha aí.
31:50Mais alegre.
31:51Pegou com mais carinho a minha.
31:53Não, nem de.
31:54Ah lá.
31:54Como é que ela botou a minha em cima da sua.
31:56Vamos.
31:57Vamos, meu amor.
31:58O que será que me dá
32:01Que me bole por Deus
32:03O que será que me dá
32:05Que brota a flor da pele
32:07Será que me dá
32:08Não, não, não, não.
32:09Você já está na espacada, né?
32:10O que me sobe as faces
32:12E me faz estourar
32:14E que me salta os olhos
32:17A me atraiçoar
32:18E que me aperta o peito
32:21E me faz confessar
32:23O que não tem mais jeito
32:25De dissimular
32:26E que nem é direito
32:30Ninguém recusar
32:31E eu já está na espacada

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