Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 4 meses
Um ônibus que saiu de Cachoeiro de Itapemirim rumo a São Paulo foi interceptado no Rio, foi assalto e incêndio

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Manuel Carlos é um nome central da teledramaturgia brasileira e, desde sempre, moldou um traço decisivo de sua obra,
00:07a disposição de levar a realidade para dentro da ficção.
00:12Maneco escolheu contar histórias que aconteciam no mesmo tempo do público, incorporando conflitos ainda em curso.
00:18Foi assim que, em 2006, uma tragédia real atravessou o noticiário e chegou à trama de Páginas da Vida.
00:26Na noite de 28 de dezembro de 2006, um ônibus que saiu de Cachoeiro de Itapemirim rumo a São Paulo
00:33foi interceptado na Avenida Brasil, no Rio, na altura do bairro de Cordovil.
00:38O ônibus foi assaltado, incendiado e metralhado.
00:43Quando passava pelo viaduto Washington Luiz, foi parado por vários homens armados.
00:47Segundo este rapaz que estava no ônibus, um bandido subiu, assaltou os passageiros e, em seguida, atéou fogo no veículo.
00:54Tentei quebrar o vidro para ajudar alguém, mas não deu tempo. O fogo já estava debaixo do meu pé.
00:59Quase todos que conseguiram sair do ônibus em chamas ficaram feridos.
01:03Essa mulher, que voltava para casa depois de passar o Natal com a filha, disse que se salvou por um
01:08milagre.
01:08A única minha reação foi de sair. Foi de sair. Eu falei, meu Deus, eu não quero morrer queimada.
01:15Medo do que aconteceu nesta madrugada, no Rio.
01:18Trinta bandidos armados cercaram um ônibus da aviação Itapemirim, que ia de Cachoeiro para São Paulo.
01:24Colocaram fogo. Havia 28 passageiros. Sete morreram queimados.
01:30E, segundo a empresa, dez saíram do local e ainda não foram localizados.
01:34Na novela, a tragédia ganhou forma na história de Angélica, personagem de Cláudia Mauro, morta no incêndio do ônibus.
01:42Na Páginas da Vida, a personagem ia entrar no capítulo 20, 30. Ela chegaria pelo capítulo 20 e 30.
01:51E ela entrou no capítulo 90, sei lá, 80. Demorou muito a entrar, mas a filmagem foi bem forte.
01:58A gente filmou essa cena num sábado de carnaval.
02:03Com bombeiro, com todo esquema, com fumaça, com tudo. A gente bebendo água com todo o suporte.
02:11Mas foi muito real ali a coisa do fogo, que eles conseguiram produzir.
02:15Foi muito real. Eu me emocionei muito ali.
02:19E eu, na personagem mesmo, tentando salvar minha filha e tudo mais, no momento em que ela morre, queimada e
02:28tudo mais,
02:29eu, enquanto personagem, fiz essa redenção, como se eu estivesse ali, na verdade, entre aspas,
02:36não necessariamente sendo punida, mas assim, revendo em um minuto todos os meus valores como ser humano.
02:49Para Manuel Carlos, levar o fato para a trama fazia parte do seu método.
02:55Escrever, no limite do tempo, colado à realidade.
02:58Ele próprio explicou, à época, que a violência seria comentada pelos personagens, refletindo o debate nacional.
03:06A ficção, mais uma vez, não suavizou o real.
03:10Apenas o traduziu, através da sensibilidade de Mané.

Recomendado