00:00Eu agradeço muito, muito ao Maurício de ter chegado ao Espírito Santo
00:05e ter contado a história de devoção dos negros ao pagamento dessa promessa a São Benedito.
00:13Ele já chegou com o microfone em punho, câmera ligada e já fazia as entrevistas sem nenhuma conversa prévia.
00:22Isso me chamou muito a atenção.
00:25A conversa veio depois que a câmera já estava desligada.
00:28E isso me fez refletir.
00:31Eu acredito que ele fazia isso para justamente conseguir respostas inusitadas, engraçadas, leves e autênticas do público.
00:39E isso era uma característica muito forte do Me Leva Brasil.
00:44E eu creio que ele queria esse inusitado, queria realmente pegar a pessoa de surpresa para sair nessa resposta autêntica.
00:54E, claro, depois que as câmeras estavam desligadas, aí a prosa rolava solta, ele conversava com as pessoas,
01:01sabiam mais sobre a vida delas, sobre o trabalho que desempenhavam.
01:05E essa conversa ajudava a tecer um texto que ia amarrar toda a reportagem.
01:11Isso foi um grande aprendizado para mim, como jornalista, de como a gente pode fazer entrevistas e realmente ter do
01:21público uma resposta autêntica
01:24e muitas vezes inusitada, o que dá essa autenticidade aí para entrevistas, como o Maurício Kubrus lhe fazia brilhantemente.
01:34Meu telefone toca.
01:35Quem era?
01:36Ela queria falar com o Fábio Carvalho.
01:39Falei, sou eu.
01:40Aqui é a do Fantástico.
01:46Abraço, estou de sacanagem, né?
01:48Que trote é esse?
01:49Quem é que está aí?
01:50Não, aqui não é sério, aqui é a do Fantástico.
01:52Eu sou da produção do Maurício Kubrus lhe.
01:55E a gente ligou para ir, ficou sondando, a gente quer muito fazer o Espírito Santo.
02:01E todo mundo que a gente fundou citou o seu nome para poder falar para a gente uma coisa legal
02:09para se filmar.
02:10Ah, o Congo, não sei o quê, que você está envolvido, é o cara do Congo.
02:17Olha, que maravilha, né?
02:19Tem a Festa da Serra, que é uma das coisas mais lindas que tem.
02:23E aí ele fez gravação na fincada do Mastro de São Benedito, gravou na Casa do Congo,
02:29inclusive com bandas que misturavam o rock e o Congo com uma banda Manimal.
02:34Aí eu falei, olha, vai ter a retirada do Mastro, que acontece no domingo de Páscoa.
02:43Pô, eles se jogaram, se jogaram para cá.
02:47Aí você toca numa banda também, a gente toca numa banda que misturou o Congo,
02:52e a gente é muito amigo do Antônio Roda, da Serra.
02:55Aí eu comecei a falar que na Serra tinha o Museu, né, Casa do Congo,
03:01que era um equipamento maravilhoso, eu nem sei se existe ainda.
03:05E aí, bicho, o Maurício Cubruzzi veio.
03:08Veio, ficou amarradão, se divertiu muito, ficou muito...
03:13Pô, é incrível, foi incrível essa vinda dele, assim, sabe?
03:18E é isso que eu conversei com o Cubruzzi, a potência da nossa cultura,
03:22a potência daquilo que a gente estava fazendo.
03:24Ele ficou muito interessado no meu projeto, chamado Congo na Escola.
03:28Na época, eu estava como colunista interina da coluna Vitor Hugo, do jornal A Gazeta,
03:33e fui cobrir, né, essa gravação do Maurício Cubruzzi.
03:39Jornalisticamente, uma coisa me chamou muito a atenção.
03:42O Maurício chegou muito concentrado no local da gravação,
03:44conversando com a equipe dele.
03:47E não deu muito papo aí pra quem estava ali, né, cercando, né, a equipe de reportagem.
03:54E eu conversava muito sobre isso com ele.
03:57E agradecia a ele, por ele ter esse trabalho de mostrar um Brasil profundo.
04:04A gente produz música brasileira no Espírito Santo, né,
04:09produz cinema brasileiro no Espírito Santo.
04:13Então, isso foi muito legal e foi uma época muito bacana, muito rica,
04:17muito próspera em todos os sentidos.
04:22E tem que botar na roda, a gente tem que se ver.
04:25A gente, no Espírito Santo, a gente tem que se ver.
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