00:02Eu fico feliz, porque estão me considerando como do cinema também, não é isso?
00:08Antes eu gostaria muito de pertencer ao cinema, eu sempre gostei de cinema, desde criança.
00:14Eu matava a aula para ir ao cinema.
00:16Eu estudei num ginásio em Campo Grande, lá no centro do Rio de Janeiro,
00:22que tinha um cinema que o porteiro deixava a gente ver filmes proibidos,
00:26os filmes franceses, porque tinha muita gente nua, muita mulher nua, e ele deixava a gente ver.
00:35Eu vim aqui visitar os amigos e fui parar lá no mosteiro.
00:39Fiquei lá uns seis, cinco dias, talvez.
00:42Só que eles não exigiam de mim as formalidades que eles exigem pra quem tá lá, né?
00:47Eu dormia até tarde, eu não precisava acordar às cinco da manhã,
00:51mas eu gostei muito da lida, do hambúrguer.
00:55Eu posso te dizer que está muito mais do que eu esperava, porque eu não imaginava nada, né?
01:00Mas tem aquela história que é bom contar, da mulher louca lá, que botou baralho,
01:07eu tava com o Paulinho, e que ela falou aquelas coisas todas, né?
01:11Que eu ia virar um artista famoso, não sei o quê, não sei o que lá,
01:16e ela dizia assim, ela via uma coisa, que ela dizia assim,
01:20é alguma coisa assim como Carmen Miranda.
01:23Eu disse, ah, Paulinho, vambora, essa mulher tá louca.
01:25Tá vendo Carmen Miranda em mim, sabe?
01:29Que eu vou ficar rico?
01:30Eu era hippie, pobre de uma rede de Deus.
01:32Como é que eu ia ficar rico?
01:33Como é que eu ia ganhar dinheiro vendendo artesanato, né?
01:37Ela falou assim, ah, você vai ser muito solicitado e tal.
01:40Eu disse assim, sim, mas quando eu ficar velho, eu vou me liberar um pouco, né?
01:44Eu disse assim, de jeito nenhum.
01:46Quanto mais velho você ficar, mais você será solicitado.
01:49E é isso que eu estou entendendo que tá acontecendo.
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