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  • há 4 semanas
José Wilson Guimarães e Paula Nazareth dos Santos Barbosa foram presos acusados pela morte de Agatha Ester Santos Barbosa, de 1 ano e seis meses, filha de Paula. Mais tarde, a Polícia Civil concluiu que ambos eram inocentes

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Transcrição
00:00Em 10 de maio de 2025, a mãe de uma bebê de um ano e o companheiro dela viveram um
00:07dos momentos mais dolorosos de suas vidas.
00:10Foram acusados pela morte da pequena Agatha Esté e chegaram a ser presos enquanto enfrentavam o luto.
00:19O caso ganhou repercussão e mesmo após serem inocentados, eles ainda convivem com as marcas que tudo isso deixou.
00:34Eu passei o dia das mães perto de uma cadeia, sendo chamada de assassina, por uma coisa que eu não
00:41fiz.
00:46A Agatha Esté, ela era uma criança saudável, né, graças a Deus.
00:52Depois ela começou a apresentar uns quadros de vômitos, né, de febre, mas mais de vômitos.
00:59E começou a apresentar umas manchinhas roxas, né, aqui na região peitoral, né.
01:07E nisso a gente começou a ficar preocupados, levamos ela, né, no UPA de alto laje.
01:16E ali eles não esboçaram muito interesse, falaram que foi uma gripe viral, que ela estava, passaram os remédios e
01:27voltamos para casa.
01:28Mas só que ela continuou com esses quadros de vômito.
01:31Levei ela no UPA de Riviera, onde foi o ocorrido.
01:34E ali eles fizeram uma bateria de exame nela de sangue e urina e constataram que era infecção urinária.
01:41Mas só que no primeiro exame, que eu não me recordo o nome da médica,
01:46a levou uma lesão no fígado.
01:48Mas só que eles não se atentaram com isso, né.
01:51Vamos tratar como uma infecção urinária.
01:54E nisso passaram sete dias de antibiótico.
01:58E eu levando ela, todo dia tinha que furar a menina,
02:02todos os dias tinha que fazer os exames repetindo, né.
02:07Nós tínhamos combinado, né, de passar o dia das mães juntos.
02:10Ela já estava numa situação um tanto quanto complicada, né.
02:13Porque vinha de sequências de estar no médico, né.
02:19E nunca era o caso real, sempre era uma tríplice viral.
02:25Uma pneumoniazinha, algo do tipo, que era relatado segundo os médicos.
02:28Quando eu estive lá, no sábado, a minha esposa deixou de trabalhar na SESC,
02:33que era o plantão dela pra trabalhar.
02:35Deixou pra trabalhar no sábado, que foi no dia do ocorrido.
02:39E ela já não estava tão bem, mas tinha dado uma melhoradinha significativa.
02:44Depois do almoço, ela acordou, ela estava evacuando com muita frequência,
02:49muita, nada segurava nela.
02:51Ela estava evacuando com muita frequência.
02:54Eu fui dar um banho nela.
02:56Dei um banho nela, com as meninas.
02:58Quando a minha filha passou o talco nela, que eu peguei, né, passei o perfuminho,
03:03que as meninas tratavam ela que nem boneca, era cabelo, era xuxi no cabelo, essas coisas.
03:10Ela fez assim, ó.
03:15Eu falei, meu Deus, a SESC tá infartando.
03:18Liguei pro SAMU, liguei, liguei, liguei, liguei, liguei pro SAMU e ela foi ficando molinha, molinha, mas respirava.
03:24Peguei ela no colo, eu estava com calção, vi de dormir, né, porque a gente é uma família, né.
03:30Peguei, abri a porta, saí na rua, gritando socorro com ela.
03:34Aí, alguns moradores estavam ali, me ajudou.
03:38No dia, levamos ela lá, que a minha filha, como minha filha já tinha ligado, continuou com eles na linha.
03:43Quando eu cheguei no trevo, no hospital de Riviera da Barra, eles já estavam cientes que se tratava dessa situação
03:50dela.
03:51Abriram, foram até rápidos.
03:52Aí foram lá, pegaram ela.
03:54Ela estava viva, estava respirando ainda.
03:56E depois chegou a triste notícia.
03:58O médico nos chamou na sala, acredito que era uma assistente social que estava lá.
04:04E falou bem assim, que ela estava lá com essas palavras, que ela chegou lá, muito fraquinha.
04:12Que ela, não sei se é desmaiou o que fala, e depois ela, reanimaram ela.
04:19Depois deu parada de novo, foi uma parada, deu uma parada nela.
04:24E depois, de novo, reanimaram ela e depois não voltou mais.
04:28Ele me ligou e falou, Paulo, sai do serviço, porque a Esté, perdão, tá?
04:33A Esté desmaiou.
04:36E eu fiquei desesperada.
04:38Depois nós fomos para a sala da assistência social, muito atenciosa até então.
04:44Aí depois o médico veio, né?
04:46E deu a notícia que o médico falou.
04:49E nisso o médico, ele já constatou, já falou, porque ela chegou com as manchinhas, igual.
04:54Tinha falado que ela já vinha apresentando essas manchas por causa dessa lesão.
04:58no fígado.
05:00E eles foram, e ele foi e falou, matou-me.
05:04Matou-me.
05:05Eu lembro que ele já olhou para a gente com um ar já de, de, de, de acusação.
05:11E não respeitou nenhum momento ali, gritando, porque eu não estava acreditando que eu tinha
05:17perdido a minha filha.
05:18Eu saí para trabalhar, porque quem me conhecia sabia o quanto era difícil sustentar duas
05:24filhas.
05:24E eu fui trabalhar porque eu já estava dias com ela para o hospital, comprando remédio,
05:31né?
05:31E eu precisava sustentar isso aí, né?
05:35Dar um sustento.
05:36Eu não pude ir no enterro da minha filha.
05:39A bebezinha que eu aprendi a ter um amor enorme por ela, estava brincando comigo.
05:45Faleceu e foi muito traumatizante, muito traumatizante.
05:49Eu queria que vocês contassem como foi esse período, esses 18 dias na cadeia.
05:56O que vocês passaram, o que vocês ouviram, como que foi?
05:59Eu tive que omitir o tempo todo ali dentro o fato ao qual eu estava ali, né?
06:05Porque quando eu cheguei, as agentes já me orientaram por já ter, sabe, do relato, né?
06:13Falou, a senhora não pode falar o que aconteceu, porque se a senhora falar, nem dessa noite
06:19a senhora passa daqui, nem dessa triagem a senhora sai.
06:23É muito traumatizante, humilhante e ainda por cima, você saber que tem pessoas ali que
06:29às vezes eu passava, né?
06:31A gente falou que a gente era assassino.
06:33Ah, eu vi sua reportagem, você foi omissa, né?
06:37Na minha audiência meio de custódia eu tive que ouvir isso, a senhora foi omissa.
06:41A senhora não foi uma, a senhora não foi mãe.
06:44Sinceramente, eu pensei que eu iria morrer, né?
06:47Eu pensei que eu iria morrer 18 dias sem dormir, sem se alimentar direito, porque você
06:53está ali, você não pode confiar em ninguém, somente em Deus, porque quem guardou a gente
06:58ali foi Deus.
07:00Queriam me matar, um dos presos gritaram que queria me matar, que queria me matar e me trocaram
07:07de cela pela madrugada e no mesmo dia eu tive que ser transferido para Marataises, porque
07:17eu estava correndo risco de vida dentro da minha própria cela.
07:21Você está num banho de sol, você esperar um ataque a qualquer momento, pode contar
07:25a sua vida fora, a sua família aqui fora, que é a minha família, pelo que aconteceu,
07:31minha família também, minha filha de 10 anos corria risco.
07:35Eu fiquei 18 dias sem comer direito e sem dormir direito.
07:40Mesmo depois da prisão, eu continuei da mesma forma, porque é muito traumatizante.
07:44Nessa quinta-feira, eu senti algo tão diferente que eu caía de joelho no banho de sol, assim,
07:52só agradecia a Deus, só agradecia a Deus.
07:56Quando foi a noite, eles me chamaram pelo meu nome, dizendo que eu trocaria de cela.
08:04Quando eu cheguei, que eles foram me guiando para onde tinha que ir lá, eles falaram que
08:10era o meu alvará. Quando a gente saiu de lá do presídio, eu soube que as minhas filhas
08:17tinham que parar no abrigo. E foi algo muito difícil, porque eu cuido dela sozinha.
08:26Pela graça de Deus, eu já sabia que nós iríamos sair, né? Porque até então a gente
08:32teve uma experiência espiritual muito grande. Foi um alívio, mas ao mesmo tempo foi muito
08:38difícil eu chegar aqui fora, não ver minha filha. Primeira coisa eu fui procurar saber da minha
08:45filha, né? De dez anos. Saber se estava todo mundo bem, né? Mas depois veio muitos traumas, né?
08:57Muitos traumas. Não consegui dormir à noite, não consegui se alimentar. Eu ficava à noite
09:05sem conseguir dormir, porque a gente fica com um certo receio, né? Porque a população
09:11hoje em dia não quer saber de nada. Eles querem fazer a justiça com as próprias mãos.
09:16Pra mim foi muito doído, porque o trauma da morte da neném, o trauma de ser preso, sabe?
09:23Depois sair ainda, saber que as suas filhas são os seus bens mais preciosos, são os filhos da gente.
09:30Tá num abrigo, como se não tivesse um pai que cuidasse delas. Não consegui parar emprego nenhum,
09:38porque duas, de duas a três vezes na semana eu tinha que estar resolvendo alguma coisa de justiça e
09:43empresa nenhuma consegue segurar um funcionário que não consegue atuar dentro da empresa constantemente.
09:51E acabei perdendo emprego, ninguém mais tá me dando trabalho, porque ninguém quer saber
09:57se eu sou inocente, se foi um erro ou qualquer coisa do tipo. Eles só querem saber que eu fui
10:04preso e olham lá
10:05pelo crime a qual eu fui acusado.
10:07Foram dias horríveis, horríveis, horríveis mesmo. A gente não conseguiu dormir, se alimentar, ficar em choque
10:17por uma coisa que a gente não cometeu, né? E é receber spray de pimenta dentro da sala, da cela,
10:32e não tá nem aí.
10:34Sobre a situação das crianças terem ido pro abrigo, como é que foi pra recuperar essas crianças?
10:39Foi muito complicado, muito difícil, porque, como eu disse, a gente acabou de sair de uma prisão, né?
10:50Eu trabalho como autônomo, né? E a gente não tinha condição financeira suficiente.
10:58Eu sou hipertenso, sou cardíaco, tive que andar boa parte a pé pra resolver as coisas, como, por exemplo,
11:06a Defensoria Pública de Campo Grande, até onde elas estavam no abrigo, e passei mal várias vezes.
11:13Inclusive, no abrigo, eu passei mal. Quando eu abri a porta da minha casa que eu entrei, eu não vi
11:17minhas filhas.
11:18Eu perdi meu chão, porque eu amo todos meus filhos, mas essas meninas não são só filhas, são minhas amigas,
11:24são minhas companheiras de uma vida. Eu não passei dia dos pais com elas, assim como a minha esposa não
11:29passou
11:29o dia das mães com as filhas dela. Foi muito difícil.
11:33A minha filha de 10 anos ficou com o pai, né? E minha irmã pegava aos finais de semana, né?
11:42Questão do ocorrido. Mas, assim que eu saí, né? Entendo, até entendo a parte de pai dele, né?
11:53Mas, até o momento, quando eu saí, ele não queria devolver, né? Ela e eu, por sentir, né, o...
12:02De mãe, eu sabia que ela queria, porque sempre foi nós duas juntas, depois que chegou a Esté, né?
12:08Sempre passamos também muitas coisas juntas, uma companheira, né?
12:13Sempre me ajudou, sempre esteve ali comigo. Tem vezes que minha filha, às vezes, eu vejo que ela fica triste,
12:20né?
12:20Às vezes, eu tento não deixar muitas coisas da irmãzinha dela, que guarda um lugar mais secreto pra ela não
12:26ver,
12:27porque dói muito pra ela. Ficou um trauma muito dolorido, porque era uma companheirinha que ela tinha, né?
12:35De brincar, de tudo.
12:38Como é que foi, né, a reação das pessoas após a saída de você, dizer, perdão?
12:43Eu tive ameaças de morte, né? Tive ameaças de morte, tanto que, né, a minha família teve que entrar,
12:53se, né, se impor, porque eu não estava em condições, mas chegava áudios no meu celular, né,
13:01que não acreditavam na nossa inocência, que iria fazer justiça com as próprias mãos, né, que eu era um monstro.
13:11Há, sim, esse preconceito das pessoas, porque eles não olham assim, eles são inocentes, foi provado que são inocentes.
13:20Eles só olham a parte da acusação, e é essa acusação que acabou com a nossa vida, né?
13:27Porque já teve a dor de a gente perder a nossa princesa, né, e mais essa situação.
13:34A polícia veio na mídia, se retratando, mas só que o dano moral, psicológico, já tinha acontecido.
13:47Seu José Wilson, durante o processo chegaram informações que o senhor teria ocorrência de violência doméstica,
13:54da lei Maria da Penha. Eu queria que o senhor falasse um pouco sobre isso, explicasse o que aconteceu.
13:59São acusações sem fundamento. Ela foi lá, falou o que quis, e por isso ficou, a polícia não me procurou,
14:08ninguém me procurou, não fez exame com ela, não fez nada. E aí ficou desse jeito, a palavra dela contra
14:13a minha.
14:14Aqui nós citamos o termo juiz da internet, né, juízes da internet. As pessoas não querem saber, elas querem julgar.
14:25Dia 24 de outubro fez a STER, a HTSTER, iria completar dois anos. Foi um dia muito difícil pra nós,
14:36principalmente pras crianças.
14:38A gente tá juntando os cacos, o que tem, e se reerguendo.
14:46Foi um tecido muito difícil, muito difícil mesmo, porque a ausência dela era uma criança que contagiava, né,
14:54uma criança saudável, né, uma criança que traz, né, assim como todas as crianças, não mais pra ser um bebezinho,
15:02né,
15:02trazer aquela certa, aquela alegria pra dentro de casa.
15:06Às vezes eu tenho que engolir o meu próprio choro, me fazer de forte, porque querendo ou não,
15:11não tem homem que diga que não sinta uma dor dessa proporção, desse tamanho, gigantesca.
15:19E a gente tá pegando os nossos caquinhos, tá juntando.
15:24Dói porque seria o primeiro aniversário dela comigo, e o meu aniversário tá chegando,
15:30seria o meu primeiro aniversário com ela.
15:31É que a gente leva muito em consideração essa coisa chamada família.
15:36Então, a gente tá sobrevivendo com o que nos restou, né, que é o nosso amor de Deus
15:43sobre nossa família e os nossos filhos, que também dependem de nós.
15:48O senhor acha que houve também uma negligência por parte médica em relação à saúde da Ágata?
15:53Com certeza.
15:54Porque nos exames já tinha alegado que ela tava com uma lesão no fígado,
15:58e o estômago dela inchando, inchando, e eles não se atentaram a interná-la.
16:04Constataram como uma infecção urinária, né, e tava vendo que ela não estava tendo uma melhora, né,
16:13uma melhoria, e eu sempre alegando, levando, né, e falando que ela não tava ainda se alimentando,
16:21ela tava ainda muito caidinha, né, se não iriam internar, se não iriam transferir.
16:27Eles falaram, não, vamos esperar até terminar o tratamento do antibiótico, né,
16:32que foram sete dias de antibiótico.
16:35Vocês acham que conseguem perdoar todas essas pessoas que fizeram essas acusações
16:40e que foram responsáveis por levar vocês à prisão?
16:45Eu já perdoei todas.
16:47Eu já perdoei todas, no nome do Senhor Jesus.
16:51No começo foi muito difícil, vou mentir, mas eu todo dia oro pela justiça de Deus.
16:57Porque eu sei que essa aí não falha, porque eu sei que o mesmo Deus que tirou a gente em
17:0218 dias
17:03não deixou nada acontecer, é o mesmo Deus que vai fazer justiça.
17:08Conseguir perdoar, a gente consegue perdoar, porque Jesus nos deixou, né,
17:13pra gente perdoar as pessoas.
17:15Porém, a parte mais difícil foi perdoar quem nos autuou e o médico.
17:22Eu tive que trabalhar muito no meu coração, porque eu confesso que eu,
17:26por mais que sejamos cristãos, eu desejei a morte dessas pessoas.
17:34Porque foi um trauma horrível, mas não foi isso que Deus deixou pra mim,
17:40o que Ele deixou nas Escrituras Sagradas.
17:42Então eu li a palavra de Deus, tanto lá dentro do presídio, quanto aqui fora,
17:48e perdoei essas pessoas.
17:50Nunca vou me esquecer, porque no momento que eu pensei, que eu cheguei ali, eu falei,
17:57agora acabou, pra mim acabou, não vou ver mais minha família, não vou ver nunca mais minha filha,
18:04eu vou esperar a morte.
18:05Mas só que a gente serve um Deus que está acima de todas as coisas.
18:09Mas friso a dizer, nós temos um Deus que faz justiça.
18:15E que as pessoas, todas as mães e pais que passaram, passam por uma perda,
18:21que eles firmem em Deus.
18:23Muitos nos deram como mortos, muitos disseram que acabou,
18:29mas Deus, ele tinha um propósito nisso tudo.
18:35E a prisão nos fez pensar, analisar, valorizar,
18:43não só nossos entes queridos, também com a nossa liberdade.
19:16Muitos nos deram como mortos,
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