00:00Mas a gente tá falando de um filme que é um épico, a gente tá falando de uma superprodução,
00:06é complexo, mas ele, a alegria, essa paixão que ele tem, contagia.
00:11Então a gente tinha uma equipe apaixonada, um elenco apaixonado, que comungou desse projeto, desse sonho.
00:17Uma lei, né, tá trazendo para as universidades, para o ensino fundamental, para os quilombos, para a África.
00:26Estou levando uma lei exatamente para o povo, para uma leitura da história que o povo brasileiro não conhece.
00:34Então é importante, quase que didaticamente, cumprir uma missão, uma lei, um filme da história do Brasil,
00:42e que leva para o Banco dos Saberes, né, uma questão fundamental, importante, para interagir com a juventude,
00:51e conhecendo um pouco da sua origem, da sua formação com o povo brasileiro.
00:57E principalmente, eu acho que é de evocar a luta pelo poder, a luta pela sua soberania, a luta pela
01:06sua identidade,
01:08a luta pela sua alegria.
01:09A gente sair um pouco, porque, embora a história se passe em 1835, num período de indigência,
01:17tragédia que é a escravização, o filme apresenta famílias, núcleos familiares,
01:22fala, mostra afeto, mostra a condição humana, que é pouco vista quando a gente fala nos livros de escola,
01:29na história oficial.
01:31Mas, para além disso, da história, dessa revisão histórica, eu acho que tem da gente celebrar a insurgência,
01:40a insubordinação, é você se ver, se projetar no sonho, no futuro, para isso tem que ter luta, tem que
01:47ter estratégia.
01:48Então eu acho que o filme é para evocar, é para tocar essa juventude, para a gente sair dessa afasia,
01:53dessa sensação de que está tudo determinado, de que está tudo dado.
01:58Não, a gente pode, deve mudar a história.
02:01Não, e depois, Malês, não é só o filme, ele é a memória viva, é isso que a gente traz,
02:08a memória viva de um povo sequestrado, que ousou fazer um levante,
02:15e que sonhava com um Brasil sem preconceito, sem invisibilidade.
02:21É a revisitação de uma história oficial, de uma história que aconteceu, ficcionalizada.
02:26Então, é isso, é o projeto de uma família que, para falar com muitas famílias,
02:32no caso, a minha personagem, ela é uma seta divergente.
02:36A Sabina é alguém que, pelas suas dores, pela tragédia que é ser submetida à escravização,
02:42e conseguir, digamos, ascender socialmente, porque é uma escrava forra,
02:49é alguém que foi aforreada, que vive já uma condição um pouco melhor,
02:52e que, para ela, há o levante, é uma grande ameaça.
02:57Porque eu acho que isso é importante para a gente entender que, mesmo naquela época, como hoje,
03:02nós, negros, temos pontos de vistas muito diferentes.
03:05Nós não somos uma massa, uma coisa só, né?
03:08Os escravos, como se falava antes, os escravizados, houve alguém que escravizou.
03:13Mas nós, negros, temos subjetividades diferentes, inclusive de oposição.
03:17Vamos chamar todos, e todas, e todos, para um dia, a partir do dia 2 de outubro,
03:23vamos levar o conhecimento, através do grito Malês,
03:28é o levante do conhecimento da história, a partir do dia 2 de outubro.
03:32Nos cinemas, queremos ver vocês nos cinemas.
03:37Uh-huh.
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