00:00Quando eu soube do que acontecia com mulheres e crianças no Marajó, que eram exploradas sexualmente nas balsas do Rio
00:07Tajapuru,
00:08isso me comoveu profundamente, me causou uma indignação.
00:13E como documentarista, o meu primeiro impulso foi fazer um documentário de denúncia.
00:18E é assim que nasce o Manas, a partir do entendimento de que para contar essa história,
00:24com delicadeza, com respeito, com profundidade, aproximando o espectador, a ficção poderia me dar essa oportunidade.
00:35Não foi possível contar essa história como um documentário, porque eu não queria trazer mais violência.
00:41E a ficção e o universo cinematográfico da ficção me proporcionou essa oportunidade.
00:48O elenco infantil todo é de lá, é de Belém, das ilhas e das comunidades do entorno,
00:53como a nossa Jamile Correia, que faz a sua estreia no cinema, não só na ficção.
00:59Ela nunca tinha atuado, nunca tinha feito uma peça de teatro, foi a primeira experiência da Jamile.
01:04Foi tudo feito com muito amor, muito amor, muito carinho, eu me dediquei bastante.
01:09E logo de cara eu pensei, ah, não vou fazer, porque eu nunca fiz nada parecido, não vou passar no
01:15teste.
01:16Só que daí eu fiz o teste, tudo, deu que eu fui a personagem.
01:21Aí, gente, eu fiquei muito feliz.
01:23Eu fiquei muito, muito feliz.
01:26E eu e as outras meninas, tanto como a Emily, a Samira, todas elas passaram pelo teste.
01:31E a gente criou uma relação, assim, de carinho, sabe?
01:35De irmãs, de humanas mesmo.
01:36De humanas.
01:37De humanas.
01:38O momento mais desafiador foi interpretar a Marciele,
01:44mostrando a vulnerabilidade dela, mas sem perder a força dela.
01:48Eu acho que esse foi o momento mais desafiador para mim.
01:50A força do Manas e a força de uma história como essa está na sua legitimidade, né?
01:55Está em você acreditar no que você está vendo.
01:58E era muito importante que esse filme tivesse atores do Pará, atores de Belém.
02:06Nós não filmamos no Marajó, né?
02:08Nós filmamos em Belém.
02:09Então, assim, a Dira, que é uma amiga, uma parceira do cinema, uma mulher, uma atriz que eu admiro,
02:16não tinha como não fazer parte disso, porque o meu primeiro ímpeto também foi contar para ela.
02:21Eu acho esse filme arrebatador.
02:24Eu acho que o filme, por si só, fala por ele.
02:27Eu, quando assisti pela primeira vez, assisti antes de ter sido finalizado totalmente.
02:33E eu falei, Mariana, uma coisa que acontece para uma atriz que já tem um tempo de carreira,
02:40a melhor coisa que pode acontecer é você assistir um filme que você fez
02:45e esquecer que você está no filme e ficar interessada pelo filme.
02:50E isso aconteceu comigo.
02:52É um filme que deixa você o tempo todo ligado na câmera,
02:57respirando junto com a Tiele, que é a personagem da Jamile,
03:01que desempenha maravilhosamente bem.
03:04É um filme que faz com que você não seja um espectador passivo na cadeira.
03:10Você está sendo transformado junto com ela.
03:13E a coisa mais linda, porque a gente fala isso, é a plateia inteira.
03:18É por onde a gente tem passado, a gente tem visto essa plateia sendo arrebatada.
03:24E a gente, quando fala plateia, é a plateia brasileira, plateia internacional.
03:29Os prêmios dizem isso.
03:31Eu tenho certeza que um espectador que gosta de cinema,
03:35ele vai fazer valer esse ingresso.
03:37Ele vai dizer, poxa, eu fui arrebatado.
03:40Eu fui ao cinema e fui arrebatado por um filme.
03:44Ah, graças!
03:46Aham!
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