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  • há 3 meses
Para o vice-presidente Corporativo da Shell no Brasil, Flavio Rodrigues, Brasil e Espírito Santo estão muito bem posicionados para o atual momento da indústria e também para a transição energética

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00:05Olá pessoal, tudo bem? Mais uma edição de Papo de Valor, videocast da Coluna,
00:10para a gente debater sempre temas importantes para a economia do Espírito Santo, do Brasil,
00:15e hoje um tema importantíssimo, energia. Estou aqui com Flávio Rodrigues, vice-presidente de
00:23Relações Corporativas da Shell, aqui no Brasil, um homem do setor de energia, 35 anos na Shell, né Flávio?
00:31É muita história para contar, e eu trouxe o Flávio aqui pelo seguinte motivo, a Shell dispensa
00:39apresentações, uma empresa do setor que tem muita força no mundo todo, inclusive aqui no Brasil e no Espírito Santo,
00:48e o setor de energia, Flávio, vive um momento interessante, porque a gente fala muito de inteligência artificial,
00:57dessa coisa toda do futuro, e a inteligência artificial, os data centers que vão precisar ser criados,
01:04eles demandam muita energia, e ao mesmo tempo que a gente tem a certeza de que a demanda por energia
01:11no mundo
01:11vai crescer, né, em termos proporcionais, né, não estou falando só do crescimento econômico, que demanda mais energia,
01:20não, o novo mundo demanda mais energia, esse mundo da inteligência artificial, a gente também está falando de transição energética,
01:27né,
01:28Espírito Santo é um Estado que tem vocação para isso, né, 25% do PIB industrial do Espírito Santo é
01:37óleo e gás,
01:39o Espírito Santo tem crescido muito também na geração de energia solar, temos projetos de parques eólicos offshore aqui para
01:47o sul do Estado,
01:48então assim, é um tema que é o tema do momento no mundo e o tema do momento aqui para
01:55o Espírito Santo.
01:56Flávio, bom, fiz esse preâmbulo para começar a primeira pergunta que é a seguinte,
02:02a Shell já opera há muito tempo aqui no Espírito Santo, extração de óleo, gás, ali no Parque das Conchas,
02:10litoral sul do Espírito Santo.
02:12Eu quero saber de você o seguinte, como é que está posicionada hoje a Shell no Espírito Santo e quais
02:17são os projetos daqui para frente?
02:20Falo de óleo e gás, né, claro que já é a operação atual,
02:24mas também de óleo e offshore, que eu sei que a Shell está observando, está olhando para isso aqui no
02:30Espírito Santo.
02:31Prazer tê-lo aqui.
02:32Primeiro, bom dia, Ábido aí, prazer conhecê-lo, né, pessoalmente, sou fã do teu programa,
02:38o Papo de Valor aqui, poder dividir algumas reflexões da Shell, né, vai ser muito importante.
02:44Bom dia a todos aí, boa tarde a quem nos está assistindo, boa noite, né?
02:48A qualquer momento, a qualquer momento que você possa, é, eu acho que a energia sempre é bom você estar
02:54conectado e entendendo o que está acontecendo, né?
02:57Aqui para o estado do Espírito Santo é importante a gente desenhar, que foi o primeiro projeto, né, Parque das
03:03Conchas,
03:03que a gente realmente pegou o projeto no início, né, na fase exploratória, a gente desenvolveu esse projeto,
03:09a gente entregou esse projeto e hoje ele já, esse ano está completando 15 anos de produção, né?
03:14Só para dar um dado relevante, que eu acho que é importante, esse projeto já produziu mais ou menos 230
03:18milhões de barris, né?
03:20Mas a pessoa, o que é 230 milhões de barris? Eu fiz uma cálcula rápida hoje de manhã,
03:25se considerar que o Brasil produz mais ou menos 3 milhões de barris, a gente está falando em torno de
03:2970 a 80 dias de consumo do Brasil.
03:33Esse projeto ajudou, de alguma forma, o país, né?
03:37Sem considerar todos os recolhimentos de imposto, né, só para dar outro dado também que é relevante,
03:42a cada, mais ou menos, a cada 3 barris que a gente produz, a gente 2, a gente separa para
03:47pagar impostos
03:48para o governo federal, governo estadual e governo municipal e outras esferas, né?
03:53Então o projeto tem caminhado muito bem, a gente tem um prazer enorme e aí um orgulho desse projeto,
03:59um projeto que foi desafiador, né? A gente teve que introduzir tecnologias inovadoras nesse projeto,
04:04é um projeto que tem uma característica que o reservatório, ele tem baixa pressão,
04:08então para você conseguir extrair esse óleo e gás da profundidade que esse projeto tem,
04:13você precisou instalar grandes bombas de propulsão no fundo do leito marinho
04:19para poder fazer com que esse óleo pudesse fluir e trazer o óleo e gás.
04:23Nesses 15 anos, a gente, além de toda essa produção que a gente teve,
04:28a gente está muito satisfeito porque a gente olha o horizonte de tempo do projeto,
04:31que sinaliza aí talvez mais 5 anos ainda de produção,
04:35e a gente está debruçado e tentando entender o quanto mais a gente consegue extrair desse projeto.
04:40Então existe uma reflexão hoje na companhia,
04:43quer dizer, a gente consegue estender um pouquinho mais a vida desse projeto, né?
04:48E então acho que é importante, talvez a gente tenha alguma novidade aí para o ano que vem, né?
04:52Que possa ser relevante nesse sentido.
04:54Sem considerar a parte toda de gás, que também eu acho que é um produto importante, né?
04:59Que vem associado à produção do óleo,
05:01que hoje só para te dar um dado, mais ou menos 10% que a gente comercializa aqui no Espírito
05:06Santo,
05:06é o que representa a fatia de comercialização de gás da Shell.
05:10Então 10% do gás comercializado pela Shell é aqui no Espírito Santo.
05:14E a gente recentemente teve a possibilidade de,
05:18através de uma inovação comercial e de contrato, modelo de contrato,
05:21a gente firmar algumas parcerias com a empresa de gás do Espírito Santo, a ES Gás,
05:27está comercializando também gás para a própria Vale, para a Suzano,
05:32e a gente tem discussões em curso para poder expandir esse mercado,
05:35que é um mercado também que está amadurecendo,
05:37está evoluindo no sentido de ter mais atores, né?
05:40Hoje você tem mais ou menos 20% desse mercado na mão de atores que não são a Petrobras,
05:44que eu acho que é relevante, eu acho que é uma tendência, é um caminho aí.
05:48Então a gente está muito feliz, eu acho que é ressaltar só que o Estado do Espírito Santo
05:52sempre foi um Estado muito acolhedor do ponto de vista de investimento,
05:56a relação aqui com todos os tomadores de decisão,
05:59desde a gestão do governador Artunghi até o governador Casagrante,
06:04enfim, hoje com o vice Ferraço,
06:09sempre muito acolhedores no sentido de tentar entender qual é o ambiente que eu tenho que criar
06:12para poder conseguir fazer com que os projetos tenham mais longevidade
06:16e também atraia mais projetos para o Estado, né?
06:19Interessante o que você colocou dessa questão de dar mais longevidade para o campo, né?
06:25Você está dizendo que originalmente ele teria a operação dele até 2029, por ali.
06:30Por aí, 28, 29.
06:3128, 29.
06:32E hoje você tem um...
06:34com essas empresas independentes,
06:37e a Petrobras, inclusive, na bacia de campo, já disse que também vai fazer esse tipo de investimento
06:42para ampliar a vida útil do campo,
06:45porque é interessante você colocar isso,
06:48porque para o leigo, né?
06:50Para mim, parece muito simples,
06:53mas exige muita tecnologia,
06:56exige muito, óbvio, investimentos,
06:58exige muito estudo para que essa coisa aconteça.
07:01Então, o que você está querendo dizer,
07:03o que você está dizendo aí é que no ano que vem vai se tomar a decisão.
07:06Da possibilidade ou não da gente avançar.
07:08Da ampliação de investimentos da Shell aqui no Estado, né?
07:12Justamente, é isso mesmo.
07:14E só para dar um dado também que é relevante,
07:17para as pessoas que não conhecem os detalhes do setor,
07:19para mim manter uma produção num projeto desse,
07:21que tem característica complexa do reservatório em alta profundidade,
07:26eu preciso investir maciçamente todo ano, né?
07:29Simplesmente eu trazer a plataforma,
07:33instalar...
07:34O Nectar e produzir.
07:35E começar a produzir ali,
07:37naquela vida ali dos anos, 15 anos,
07:38aquilo ali vai ocorrer normalmente.
07:40Não, tem todo um processo de gestão, né?
07:42Não só de segurança, mas também de integridade,
07:45de capacidade de produção,
07:46porque esses reservatórios, eles têm uma característica.
07:49Se eu não fizer nada, ele cai 10% a produção todo ano.
07:52Então, em 10 anos acabou a produção.
07:54Então, eu tenho que investir maciçamente para manter...
07:57Só o fato de eu manter...
07:58Para manter o nível.
07:58Já significa um investimento significativo, né?
08:00O licenciamento, muitas empresas têm enfrentado a Prio, né?
08:04Que está tentando começar a produzir o Arru,
08:06em o Arru, que também no litoral sul está enfrentando muita dificuldade.
08:09Como é que está essa situação na Shell?
08:11A gente teve um pequeno atraso,
08:16mas que não comprometeu o cronograma do projeto.
08:19A gente tem uma expectativa de conectar um novo poço,
08:23provavelmente em dezembro,
08:24que a gente chama de ONCEV,
08:26é um termo mais técnico, né?
08:29Mas é um poço adicional,
08:30que a gente pode adicionar ao projeto também,
08:32nesse sentido de tentar aumentar...
08:34A produtividade.
08:35A produtividade do campo, né?
08:37E o licenciamento correu de forma bem dentro do que a gente esperava,
08:42com um diálogo muito positivo com o Ibama,
08:46e eles já autorizaram.
08:47Então, acho que é positivo,
08:48a gente já tem autorização,
08:49a gente está agora só operacionalizando isso
08:52e fazendo com que isso possa acontecer o mais rápido possível.
08:54Outra coisa importante,
08:55ótima informação,
08:56outra coisa importante que você colocou,
08:58aí já entrando no campo da transição energética,
09:02é gás.
09:05Tem um debate enorme sobre gás aqui no Brasil.
09:09Como é que você vê isso aqui?
09:11Como é que faz para o Brasil?
09:12O Brasil é um grande produtor de petróleo,
09:14tem reservas importantes de gás,
09:15só que a indústria vive reclamando que não tem gás
09:18para ela fazer a transição dela,
09:21para baratear os custos,
09:21porque o gás é um combustível de um custo bastante interessante.
09:27Por que tem gás, mas não tem gás?
09:30É, não, acho que é um debate super importante, né?
09:33A gente sente que o governo tem feito alguns movimentos
09:37no sentido de tentar fazer com que esse gás
09:40possa chegar de forma mais competitiva no continente, né?
09:45Uma característica também do setor, né?
09:49É, primeiro, que a gente não tem grandes reservas de gás no Brasil.
09:53Se você pega os números dos Estados Unidos,
09:55pega os números da Argentina,
09:57comparativamente o Brasil tem muito menos gás do que esses países, né?
10:02Esse é o primeiro elemento.
10:03Por quê? Porque sempre se procurou no país petróleo, né?
10:07Então, o gás vem associado ao petróleo,
10:10e aí, pela característica dos reservatórios de um país,
10:13você tem a necessidade de reinjetar esse gás,
10:16porque senão você não consegue extrair o óleo.
10:18Para manter a pressão do reservatório,
10:19eu preciso injetar gás ou injetar água,
10:22dependendo da condição da geologia,
10:24um mais que o outro.
10:26Então, é necessário que eu injete gás também, né?
10:28Então, às vezes tem um debate muito grande,
10:30de, ah, mas vocês injetam muito gás.
10:32Ele é necessário para você manter a produtividade daquele campo,
10:35conseguir extrair o óleo,
10:37que é hoje o que adiciona mais valor agregado
10:39para todos os agentes da cadeia, né?
10:41Inclusive o próprio governo.
10:43Então, existe um esforço do governo
10:44para tentar monetizar um pouco e trazer mais esse gás,
10:47mas além dessas complexidades, né?
10:50da geologia brasileira,
10:52você tem um custo logístico, né?
10:53Esses campos estão a 200,
10:56às vezes 300 quilômetros da costa do país.
10:58Hoje a gente só tem quatro rotas de escoamento de gás, né?
11:02Rota 1, 2, 3 e 4.
11:03A Shell tem participação em duas dessas rotas.
11:05Inclusive alguns desse gás que chega, né?
11:08No estado do Rio, por exemplo,
11:10ou parte dele chegando aqui no Espírito Santo,
11:13a gente se utiliza dessa infraestrutura,
11:15que também é uma estrutura pequena,
11:17comparado, por exemplo, com a Argentina e Estados Unidos.
11:20Eu estou dando alguns países aqui, né?
11:22Posso te passar mais dados depois,
11:24mas é muito, muito menor do que esses países.
11:27Por quê?
11:27Porque eles já avançaram de forma muito mais estruturada
11:31e isso demandou tempo construindo uma infraestrutura, né?
11:35Então, eu acho que você quando se adiciona
11:37a complexidade da produção com o custo de infraestrutura, né?
11:41Depois se chega em terra,
11:43você tem que tratar esse gás.
11:44A ponta não está fechando.
11:45Geralmente, você não consegue chegar com o preço competitivo
11:48se você compara com outros mercados, né?
11:50E tem alguma alternativa, assim, simples?
11:56Simples, eu não...
11:56Simples, eu acho que é...
11:57Simples na indústria de petróleo e gás é difícil.
12:00Eu acho simples, eu acho que...
12:02Tanto é que vários governos já buscaram esse objetivo, né?
12:06Esse programa gás para empregar,
12:08ele tem essa nomenclatura,
12:11mas foi gás para aquecer, talvez, em governos anteriores.
12:14Simples, sempre muda.
12:15Então, não é uma equação simples, né?
12:17Então, eu acho que o que está se fazendo agora,
12:20através de um decreto que foi publicado
12:21e de grupos e debates que estão acontecendo,
12:24é tentar ver aonde estão realmente os gargalos
12:28e onde é que você consegue melhorar, talvez,
12:30algumas condições de contorno, né?
12:31Para fazer com que a gente consiga trazer.
12:33Mas não é uma solução muito simples.
12:34Eu acho que a partir do momento que você tem a entrada
12:37do Rota 4 lá no Rio de Janeiro,
12:38um escoamento daquela rota
12:40e, eventualmente, um declínio de uso das outras três rotas,
12:44você pode abrir espaço para projetos novos que vão vir, né?
12:48Possam estar utilizando essa infraestrutura
12:50e estar escoando gás, talvez, com um volume maior
12:52do que a gente escoa hoje, né?
12:56Sem considerar que existe um declínio de importação de gás
12:59no pipeline, né?
13:00Que vem da Bolívia, por exemplo.
13:02Sim.
13:02E tem um debate grande, que eu sei que o governo está tendo,
13:05com o governo argentino para tentar entender
13:07o quanto de gás da Argentina pode chegar no Brasil
13:09de forma competitiva.
13:10Então, existem várias iniciativas que estão caminhando, né?
13:15Nesse sentido, para tentar fazer com que tenha mais gás no mercado.
13:18Mas não é uma solução simples.
13:19Tem projetos também na...
13:20São várias soluções, né?
13:21Pelo que eu estou entendendo.
13:22Eu acho que vai ter que ter persistência,
13:25vai ter que buscar várias alternativas, né?
13:27E não tem uma única bala de prata
13:29para você matar esse assunto.
13:32Só para quem está nos assistindo,
13:33o Rota 4 fica exatamente onde?
13:37Qual é a importância dele?
13:38Ele tem, ele sai de projetos do pré-sal, né?
13:41Ele chega ali, se não me engano, em Itaboraí,
13:44ali no Rio de Janeiro, né?
13:45Tinha todo aquele projeto, daquela planta de processamento, né?
13:50E produção de químicos ali em Itaboraí,
13:52que ficou parado durante um período grande,
13:54que agora a Petrobras, se eu não estou enganado,
13:56inclusive começou a utilizar a planta de processamento,
13:59acho que há algumas semanas,
14:00acho que ela soltou uma notificação na semana passada.
14:02Então, a partir do momento que você tem capacidade
14:04de escoar mais gás por ali,
14:06mais gás vai chegar no mercado.
14:07Facilita a vida.
14:08Não só porque, às vezes, a pessoa que está ouvindo,
14:10o que é esse negócio de Rota 4?
14:11É Rota 4, né?
14:12São as rotas de escoamento do gás que vêm da...
14:14Agora, você entrou no gás aí,
14:17eu acho que vale a pena,
14:19assim, a Shell fez um estudo recente, né?
14:20Falando, olhando para as perspectivas de Brasil.
14:24Gás, tá?
14:26Onde que esse estudo chegou?
14:30Aqui, a conclusão esse estudo chegou?
14:33A gente está falando de petróleo,
14:34estamos falando de gás,
14:34estamos falando de transição energética,
14:35estamos falando de eólico offshore,
14:37estamos falando de biodiesel.
14:39O que vem por aí?
14:41É bem interessante.
14:42O estudo trouxe uma reflexão
14:44e alguns dados muito relevantes.
14:47Explicar um pouquinho
14:48por que a gente fez esse estudo, né?
14:50A Shell já realiza
14:52e utiliza da metodologia de cenários, né?
14:54Porque é uma metodologia que ajuda a gente a pensar
14:5750, 100 anos à frente
14:59e tentar modelar o que poderia ser, talvez,
15:02cenários possíveis.
15:04Não são projeções do futuro, né?
15:05Mas ajudam a gente a pensar
15:07como é que pode ser
15:10esse setor no futuro, né?
15:11Então, recentemente, a gente fez e lançou, em julho,
15:15um estudo que foi desenhado só para o Brasil.
15:18A gente tem uma metodologia que se aplica globalmente,
15:21a gente sempre faz revisões globais,
15:22mas é pela primeira vez que a gente fez
15:24um estudo para o Brasil.
15:26Esse estudo demorou mais ou menos
15:27uns seis a oito meses para ser feito,
15:29para você ter ideia do nível de complexidade,
15:31de profundidade
15:33e muito em contribuição e colaboração
15:35com entidades brasileiras
15:37e pessoas que entendem o setor de energia no Brasil.
15:40O que esse estudo traz para a gente
15:41de conclusão, assim, bem, de forma muito simples.
15:44E isso tudo está disponível no nosso site.
15:47Quem quiser acessar mais detalhes,
15:49as planilhas, os dados, etc.,
15:50estão todos disponíveis lá.
15:52Ele traz de forma muito concreta,
15:54primeiro, que o Brasil tem um perfil de emissões
15:57muito diferente de todas as partes do mundo.
16:00O que quer dizer isso?
16:01Que a nossa principal fonte de emissões aqui
16:05está focada muito no uso da terra
16:07e no uso da terra muito associada
16:09a desmatamento ilegal, né?
16:12Esse é o primeiro pilar.
16:13Diferente de outras partes do mundo,
16:14onde o principal fator de emissão
16:16são os combustíveis fósseis.
16:18Quando você olha um slide,
16:19tem lá para vocês darem uma olhada,
16:21combustível fósseis tem um papel
16:23e tem uma fonte de emissão
16:26dentro do país, sem dúvida,
16:27mas não é comparativamente
16:29em relação à utilização da terra,
16:31uso da terra e desmatamento irregular,
16:34ele é muito menor, né?
16:35Então, é a primeira conclusão interessante
16:36que faz com que a gente faça uma reflexão
16:39daqui diferente do que às vezes a gente escuta
16:41para outras partes do mundo, né?
16:43Uma discussão muito forte
16:44no sentido que a gente tem que acabar
16:46ou tem que eliminar com esse setor,
16:48com o setor de óleo e gás.
16:49Por quê?
16:49Porque a gente vê,
16:51estudo traz de novo,
16:52o Brasil pode se tornar o primeiro país,
16:55dependendo do cenário, né?
16:56Esses dois cenários que a gente desenhou,
16:58um a gente deu uma nomenclatura de arquipélagos
17:03que simboliza mais ou menos o quê?
17:05Cada região ou cada país,
17:08ele tende a se isolar
17:09depois de alguns fatores que aconteceram,
17:11o Covid, as guerras que estão acontecendo,
17:14eles se isolam em ilhas
17:15e ficam protegendo muito mais
17:18o seu território
17:19e perdem de perspectiva e visão
17:22esse senso comum,
17:24essa colaboração comum,
17:25que é justamente o outro cenário
17:27que é o Sky 2050.
17:28Então, no Sky 2050,
17:29a gente visualiza que o globo,
17:33os países vão convergir
17:34para uma emissão líquida
17:35e atingindo o Acordo de Paris.
17:39E quando você vai para o arquipélago,
17:40cada país ou cada região
17:42está tentando defender e proteger
17:44o seu território
17:46do ponto de vista de segurança energética,
17:48investimento, etc.
17:50Todos os dois cenários
17:51indicam essa oportunidade,
17:52quando a gente olha para o Brasil,
17:54de ser o primeiro país que pode chegar.
17:56Os dois cenários?
17:57Principalmente o Sky 2050.
18:00Ele traz de forma muito mais evidente
18:02que ele pode ser um país
18:03de emissões líquidas já em 2040.
18:06Então, eu acho que é um dado relevante
18:08para a gente considerar,
18:09dependendo do esforço,
18:10dependendo da regulamentação,
18:12dependendo de quanto o governo
18:14quer colocar energia e velocidade nisso.
18:17E todos os dois cenários
18:19trazem também de forma muito clara
18:21que o petróleo e o gás
18:23vão ter um papel relevante
18:25na matriz energética do Brasil e global
18:29muito à frente do que eventualmente
18:31tem em outros países.
18:33Por quê?
18:33Porque a gente tem um potencial ainda
18:34inexplorado nessa área,
18:36tem bacias que não foram ainda
18:38prospectadas, exploradas,
18:40e a gente faz com que o Brasil
18:41possa estender
18:42o seu horizonte de produção
18:44além de 2030, 2035,
18:48que a gente está vendo
18:49que globalmente
18:50é uma tendência
18:51que o pico de consumo
18:53possa ser mais ou menos
18:54em meados da década de 2030.
18:56O que isso traz de reflexão?
18:57Que o petróleo e o gás do Brasil
18:59pode ter um papel
19:00e deve ter um papel relevante
19:02na segurança energética global.
19:05Agora, você tocou em alguns...
19:07Você tocou em vários pontos
19:08interessantes.
19:09O primeiro ponto que eu queria dizer.
19:10Você tocou em...
19:12A depender do esforço do governo,
19:14a depender da regulamentação...
19:16Por exemplo, você está falando...
19:17Tem a questão da eólica offshore.
19:20A regulamentação disso
19:21está sendo discutida
19:22desde o início da década.
19:23Aliás, antes até, né?
19:25Que ganhou mais calor
19:26nos últimos anos.
19:28Só que não saiu até agora.
19:30O que depende
19:31para a gente começar
19:32a fazer a coisa caminhar?
19:33O que precisa acontecer
19:34e não está acontecendo?
19:36Foi bom você ter falado
19:37porque junto com esse estudo
19:38a gente fez um somário executivo
19:40e a gente fez um encarte
19:41justamente falando isso.
19:43Quais são as políticas públicas
19:44necessárias
19:45para conseguir atingir
19:46essa liderança
19:47no setor de energia
19:48e na transição energética global?
19:49E ali a gente lista
19:50todas as iniciativas
19:51por setor
19:52que seriam necessárias.
19:53Uma delas é
19:54justamente aprovar
19:56e conseguir ter
19:57um marco regulatório
19:58para o eólico offshore,
19:59para hidrogênio,
20:00para a CCUS,
20:01para todos esses mecanismos
20:02de forma rápida
20:03e competitiva.
20:05Ontem eu fiquei feliz
20:07de ver que o Senado
20:08aprovou a criação
20:09do mercado de carbono
20:10que volta agora
20:11para a Câmara
20:12para poder ser ratificado
20:14e depois o presidente Lula assinar.
20:16Mas isso faz parte
20:17de várias iniciativas
20:18que a gente vê
20:18que estão lá nesse encarte
20:20que a gente também fez questão
20:21de entregar
20:21aos tomadores de decisão
20:24fundamentais
20:24para acelerar
20:25e tornar o Brasil competitivo
20:27nesse cenário global.
20:28Por que eu estou falando isso?
20:29Porque os Estados Unidos,
20:30para quem conhece
20:31um pouco mais de detalhe,
20:32lançou um pacote
20:33de incentivos
20:34muito forte
20:34para investimento
20:36no setor
20:36de energia renovável.
20:38A Europa também
20:39tem criado
20:39seus mecanismos
20:40em função da crise
20:41do gás,
20:42do escoamento
20:43de gás
20:44para a Alemanha
20:45e para alguns países
20:46da Europa
20:47em função da guerra
20:48da Rússia
20:49com a Ucrânia.
20:50Isso tudo fez
20:51com que algumas regiões,
20:52talvez dentro
20:53de uma perspectiva
20:54de cenário
20:54de arquipélagos,
20:55estão tomando iniciativas
20:57de como é que a gente
20:57consegue fazer
20:58com que alguns investimentos
21:01renováveis
21:03avancem mais rápido.
21:04E eu vejo
21:05coisas positivas
21:06também avançando.
21:08O combustível do futuro
21:09acho que foi um projeto
21:10super importante.
21:10Ele estabelece mandatos
21:12para a adição
21:13de combustíveis
21:15renováveis,
21:16biocombustíveis,
21:18tanto o etanol
21:19quanto o biodiesel,
21:21quanto a possibilidade
21:21de sua utilização
21:22do SAF.
21:23Tem um mandato
21:23para a SAF lá,
21:24fala também
21:25sobre o CCOS.
21:26Então foi um projeto
21:27importante que vai demandar
21:28regulamentação.
21:29Então talvez
21:30para tentar sumarizar
21:32é rapidez
21:33e competitividade.
21:35Porque com base nisso
21:36as empresas podem fazer
21:37a sua reflexão,
21:38analisar a possibilidade
21:40de implementar
21:41os seus projetos
21:42e efetivamente caminhar
21:43nessa direção.
21:44Como você comentou,
21:45tem alguns projetos
21:46que estão submetidos
21:47a licenciamento do IBAMA,
21:48mas hoje você não tem
21:49nenhuma regulamentação
21:50que estabelece
21:51o que o IBAMA
21:52tem que fazer
21:53para licenciar.
21:54Então tem um trabalho
21:55grande a ser feito
21:56nessa área
21:56para fazer com que o Brasil
21:57possa se posicionar bem
21:58nesse cenário.
21:59É porque dinheiro tem,
22:01tem que fazer a coisa
22:01caminhar.
22:02Agora, dinheiro aqui dentro
22:04e dinheiro lá fora.
22:05Não, existem recursos, sim.
22:06Sem dúvida tem capital
22:07que se tiver retorno
22:09adequado vão estar
22:10migrando para poder
22:13suportar alguns desses projetos.
22:14Bom, e aí uma coisa
22:16interessante é a seguinte,
22:17porque tem a parte
22:18de você ser
22:21emissão líquida,
22:22você não ser um emissor
22:23de carbono,
22:24você ser um, na verdade,
22:26você está abatendo
22:27o que o mundo
22:27está emitindo ainda,
22:29mas você tem a questão
22:31de você criar
22:31uma nova indústria.
22:33Por exemplo,
22:33hidrogênio verde,
22:35uma indústria que não existe ainda.
22:36Vai empregar gente,
22:37vai gerar PIB,
22:39eólica offshore,
22:40é uma indústria
22:41muito pequena,
22:42tem alguma coisa
22:43no Nordeste,
22:43mas, aliás,
22:44na verdade,
22:45offshore não.
22:46Onshore.
22:46Eólica onshore.
22:47Hoje não tem...
22:48Eólica offshore não existe.
22:49É uma nova indústria
22:50com potencial enorme
22:51de investimento
22:53e geração de emprego
22:55e geração de PIB.
22:56Porque é importante
22:57a gente ter isso em prisma,
22:58porque a gente está falando
22:59de uma nova indústria
23:00de energia,
23:01como hoje é a indústria
23:02do petróleo.
23:03É por aí, né?
23:04Justamente.
23:05Vai criar uma indústria nova
23:06que já está, de alguma forma,
23:07desenvolvida em alguns países,
23:08mas, a partir do momento
23:10que você traz
23:10a possibilidade de investimento
23:12ou dessas rotas
23:13aqui para o país,
23:14você vai ter que criar
23:15uma cadeia de fornecimento,
23:17gerar emprego,
23:18recolher impostos
23:19e coisas desse tipo.
23:20Agora, você falou
23:20do Acordo de Paris.
23:242050,
23:25tem lá a meta
23:26de redução de emissões,
23:27essa coisa toda.
23:29mas, a gente tem
23:31uma mudança de...
23:33Aí, entrando um pouquinho
23:34na política macro, né?
23:37Política internacional.
23:39Por exemplo,
23:40agora o Milley
23:41tirou a delegação
23:44da Argentina
23:45lá dos debates.
23:47O Trump tem uma agenda
23:48que ele também...
23:50Ele tinha tirado
23:51já da Força de Paris,
23:52o Biden colocou de volta.
23:53Não está muito claro
23:54o que vai acontecer
23:55a partir de agora.
23:55O que acontece
23:56com essa agenda verde, né?
24:01Essa agenda
24:01da redução
24:03da emissão de carbono
24:05nesse momento?
24:06Como é que fica
24:06o cenário de vocês
24:08com esses atores aí?
24:11Eles são novos,
24:13mas vão, vêm
24:14e vão continuar ainda
24:15e vindo nos próximos anos.
24:16Por isso que a gente
24:16desenhou dois cenários
24:17para justamente tentar
24:18capturar um pouco
24:19da complexidade
24:20que esse tema tem.
24:21É um tema extremamente complexo.
24:22Então, quando eu falo
24:22em cenário Sky 2050,
24:24ele trabalha
24:25numa perspectiva
24:27de que existe
24:27uma convergência
24:28de interesse,
24:29uma adesão mais forte
24:30ao Acordo de Paris
24:31e você tem um comitement
24:33e realmente
24:33todos os países
24:34e o Globo
24:35conseguem entregar
24:36o que foi acordado, né?
24:38O arquipélagos
24:39é justamente
24:39que a gente está
24:40de alguma forma
24:41visualizando, né?
24:42Que cada país
24:43está olhando
24:44para a sua agenda,
24:45cada país
24:46está tomando
24:46sua decisão
24:47de forma isolada
24:48e não pensando
24:49no Globo
24:50e isso vai ter
24:52impactos.
24:52O que na prática
24:53isso faz?
24:54Que provavelmente
24:54você tenha
24:55um retardo
24:56no atingimento
24:57das metas
24:59de emissões.
24:59Isso eu acho
25:00que é uma questão
25:02que também
25:02está capturada
25:03lá no estudo.
25:04Isso faz
25:04cada vez mais
25:05com que óleo e gás
25:06sejam
25:07e continue sendo
25:08muito relevante
25:09no horizonte
25:10de tempo.
25:11Por quê?
25:11Porque você não vai ter
25:12energia suficiente
25:13para atender
25:14uma demanda crescente
25:15de China,
25:16Índia
25:16e outras regiões
25:17do mundo
25:18que precisam demandar.
25:20Talvez as pessoas
25:21falam assim,
25:21mas isso é uma discussão
25:22muito complexa.
25:24É complexa.
25:25Hoje a gente tem
25:25mais ou menos
25:26700 milhões de pessoas
25:27que não têm acesso
25:28à energia.
25:29Então eu estou falando
25:30aqui de quase
25:31quatro vezes
25:32a população do Brasil.
25:34Então essas pessoas
25:35também não podem
25:35ficar fora.
25:36Eu não tenho como
25:37caminhar de uma forma
25:38muito acelerada
25:39numa direção.
25:40Você imagina
25:40falando como o Globo
25:41e imagina a empresa
25:42Shell dentro
25:43desse contexto.
25:44Você vai de pouco menos
25:45de 10% da população mundial.
25:46Então,
25:47como é que eu vou
25:48caminhar de forma
25:48muito acelerada
25:49e talvez de uma forma
25:50um pouco mais onerosa
25:51porque essas fontes
25:53renovadas e alternativas
25:54elas têm demonstrado
25:55que elas sinalizam
25:56com um custo maior.
25:58O custo dos projetos
25:59e o custo da energia
25:59é mais alto.
26:00As pessoas estão dispostas
26:02ou podem pagar
26:02um pouco mais por isso?
26:04Uma pergunta
26:04que a gente tem
26:05que responder.
26:05Então,
26:06eu acho que
26:07voltando à tua pergunta,
26:08o cenário arquipélagos
26:09que a gente desenhou
26:10que está lá no estudo,
26:11ele acha que captura
26:11um pouco disso.
26:12São ilhas,
26:13são países que se isolam
26:15e tentam olhar
26:16somente para a sua região
26:18e tentar fortalecer
26:20o seu posicionamento energético,
26:23posicionamento geopolítico,
26:25em detrimento
26:25do que vai acontecer.
26:26E aí atrasa o...
26:27A tendência é que você
26:28tenha um retardo
26:29no atingimento dessas metas
26:31e, enfim,
26:32compromisso.
26:33Flávio,
26:33a gente está caminhando aqui
26:34para o encerramento,
26:35mas eu preciso fazer
26:36ainda algumas perguntas
26:37para você.
26:38Neste cenário
26:39traçado pela Shell,
26:41como é que o Espírito Santo
26:42se apresenta?
26:43O Espírito Santo tem
26:44uma boa infraestrutura,
26:45diante da infraestrutura
26:46que temos no Brasil,
26:47uma boa infraestrutura de gás,
26:49o Espírito Santo é bem localizado
26:51geograficamente,
26:52temos reservas de óleo e gás,
26:56temos possibilidade
26:57de energia solar no norte,
26:58temos possibilidade
26:59de energia eólica no sul.
27:02Como que o Espírito Santo
27:03está posicionado
27:04nesse cenário?
27:05Eu vejo assim,
27:06é interessante,
27:07porque o nosso I.O.
27:08esteve aqui no Brasil
27:09em setembro
27:10para participar
27:11de uma grande feira
27:11de energia
27:12no Rio de Janeiro,
27:13que acontece a cada dois anos,
27:15e ele justamente usou
27:16um pouco disso,
27:16o Brasil parece que é
27:18um microcosmos
27:19para a Shell,
27:20porque a gente tem aqui
27:22vários elementos
27:23que a gente globalmente
27:25está testando
27:26ou está desenvolvendo,
27:27a gente tem aqui
27:28exploração e produção,
27:29a gente tem aqui
27:29a participação
27:30na área de biocombustíveis
27:32junto com a
27:33Cozana Raizen,
27:35a gente já produz,
27:36então,
27:37quando eu olho
27:38para o Espírito Santo
27:39dentro desse contexto,
27:40eu vejo uma possibilidade grande,
27:41a gente já tem produção
27:42de óleo e gás,
27:43firmada,
27:44recentemente a Petrobras
27:45colocou outro projeto
27:46em produção aqui,
27:47a gente tem,
27:49como você comentou,
27:49um potencial de solar
27:51em determinadas regiões,
27:52eólicas em outras,
27:54então,
27:54acho que é,
27:54eu acho que é
27:55essa diversidade
27:56que não só
27:57o Espírito Santo,
27:57mas o Brasil propicia,
27:59e tem a questão
28:00geológica
28:01do óleo e gás,
28:01que aí talvez
28:02sejam mais diferentes
28:03de cada região
28:04do país,
28:05mas no geral,
28:06acho que
28:06a oportunidade é enorme,
28:08e eu sei que o governo
28:08está atento a isso,
28:09está olhando as possibilidades
28:11de atrair investimento,
28:12etc,
28:13mas de novo,
28:13caminha às vezes
28:14na direção de que
28:15o marco regulatório federal,
28:17ele é necessário
28:18para depois
28:19os níveis subnacionais,
28:21estaduais,
28:22conseguirem entrar
28:22e fazer com que o ambiente
28:24cada vez seja mais propício
28:25para poder desenvolver
28:26esse projeto,
28:26mas eu vejo
28:27uma oportunidade enorme.
28:28Pelo menos a matéria-prima
28:30está dada,
28:31agora tem que saber usar.
28:34Margem equatorial,
28:36a nova fronteira
28:37da exploração
28:39de óleo e gás
28:39no Brasil,
28:40começa lá no Amapá,
28:43vai até
28:43Portugua lá
28:44no Rio Grande do Norte,
28:46exato,
28:47e você tem uma discussão,
28:49porque aí,
28:51nesse conjunto aí,
28:52nesse litoral,
28:54a gente tem
28:55a Foz do Rio Amazônia,
28:56a gente tem
28:56a Floresta Amazônica,
28:59o presidente da Shell
29:00já disse ser favorável
29:02à exploração
29:03da região,
29:04como é que a Shell
29:05enxerga esse debate
29:07sobre margem equatorial?
29:08Eu acho que é um bom tema,
29:10é um tema importante
29:11de trazer para um debate
29:13mais da sociedade,
29:14para a reflexão
29:15de o que o país quer
29:17com aquela região.
29:18Deixa eu dar dois dados
29:19antes da gente
29:20entrar na discussão,
29:23só para fazer uma reflexão.
29:25Em 2011 foi o ano
29:26que a gente mais perfurou
29:27poços no país,
29:28foram 150 poços exploratórios.
29:31Esse ano,
29:32a gente vai furar
29:32seis poços exploratórios.
29:34Então, para me colocar
29:35em perspectiva
29:36e para maturar
29:37um projeto desse,
29:38falando aqui de BC10,
29:39de Parque das Conchas,
29:41a gente inaugurou
29:42o projeto em 2009,
29:43mas isso começou
29:44talvez oito anos antes.
29:46Quando eu olho
29:47para esse cenário global,
29:48a oportunidade
29:48que o país tem
29:49e a gente tem
29:50que colocar esses projetos
29:51em custo
29:52e as empresas
29:52poderem fazer investimento,
29:54essa janela
29:55começa a ficar
29:55muito estreita.
29:57Então,
29:57existe uma janela
29:58muito importante
29:59para se refletir
30:00sobre a oportunidade
30:01daquela região,
30:03uma região que,
30:03talvez por uma questão
30:05de nomenclatura
30:05ou narrativa,
30:06no começo,
30:07falou em Foz do Amazonas,
30:08mas fica a 500 quilômetros
30:10do Rio Amazonas,
30:12é na costa do Amapá,
30:13então é uma região
30:15desconectada,
30:16literalmente,
30:16do Amazonas,
30:17porque todas
30:19as modelagens
30:20de um eventual
30:21acidente ou situação,
30:22elas levam
30:23para outro país
30:24e não para a costa
30:25do Brasil
30:25e com certeza
30:27não levam
30:27para o Rio Amazonas
30:29ou para a região
30:30ali da Amazônia,
30:32que fazem
30:33o que a gente
30:33tem que refletir,
30:35considerando que
30:35esse dado
30:36que eu te dei
30:37de exploração,
30:37que a gente caiu
30:39drasticamente
30:40a quantidade
30:40de postos exploratórios
30:41e a gente reduz
30:42a possibilidade
30:42de ter descobertas
30:44num país,
30:45considerando que o Brasil
30:45tem um horizonte
30:47de 10 a 15 anos
30:48de reserva no país,
30:49se a gente não fizer nada,
30:51a gente vai começar
30:52a declinar a reserva,
30:53e aí tem um dado
30:54muito interessante da EPE,
30:55alguns estudos
30:56que eu acho
30:56que é importante olhar,
30:58tudo que está associado
30:59à produção de óleo e gás,
31:00ela declina
31:01consequentemente,
31:03declina a possibilidade
31:05de recolher impostos,
31:06declina aquela rubrica
31:08de 1% de cláusula
31:09de pesquisa e desenvolvimento
31:10que vai hoje
31:11para uma quantidade
31:12significativa
31:13de projetos,
31:13de tecnologia,
31:14inclusive na área
31:15de transição energética,
31:16então isso declina
31:17ao longo do tempo
31:18que pode fazer
31:18que o Brasil
31:19possa ser importador
31:21de óleo e gás,
31:22só para te dar um dado,
31:23o ano passado
31:24o Brasil,
31:25o setor de óleo e gás,
31:27ele contribuiu
31:27significativamente
31:28para a balança comercial
31:29do país,
31:29foi mais ou menos
31:3020 bilhões de dólares
31:32atingindo ali
31:33uma proximidade
31:34muito grande
31:34com o setor
31:35de agro-business
31:35que a gente nunca viu
31:36em outras situações,
31:37esse ano talvez
31:37a gente até passe,
31:38então o papel
31:39que o óleo e gás tem
31:40é fundamental
31:41nesse horizonte,
31:42considerando que a gente
31:43tem 10 a 15 anos
31:44de reserva,
31:44que a gente vai
31:45eventualmente passar
31:46a ser importador
31:48de óleo,
31:49isso tem um impacto
31:50macroecomônico
31:50grande no país,
31:51então acho que a discussão
31:52é,
31:53a gente quer realmente
31:54como país
31:55explorar aquela região,
31:56porque a gente
31:57como indústria,
31:58a gente vê que a indústria
31:59tem total condição
32:00de fazer de forma segura
32:02e de forma adequada
32:03dentro dos contornos
32:04que são necessários
32:05para aquilo,
32:06agora é uma decisão
32:07que o governo
32:07tem que tomar,
32:08e quanto mais rápido
32:10ele puder tomar,
32:10melhor dentro desse contexto
32:12de janela
32:13de oportunidade,
32:14a gente vê um potencial
32:14enorme,
32:15a gente já está de fato
32:16na margem equatorial,
32:18porque quando você considera
32:18do Amapá até a Potiguar,
32:20a gente tem blocos
32:21em Barreirinhas,
32:22a gente tem blocos
32:23em Potiguar,
32:24a gente não tem blocos
32:25naquela região,
32:26a Petrobras ali
32:27é que é a operadora
32:29majoritária,
32:29mas eu acho que
32:31é uma reflexão importante,
32:31porque a gente pode ajudar
32:32o país nesse sentido,
32:33realmente conseguir fazer
32:35com que isso possa acontecer
32:37de forma mais acelerada.
32:39Agora,
32:41quem advoga contra
32:42a exploração ali
32:44afirma que a região
32:46como um todo
32:47é bastante sensível,
32:50o que vocês garantem
32:51é que apesar
32:53de ser sensível
32:54é um trabalho seguro,
32:56esse é o ponto?
32:57Eu não tenho dúvida
32:58que a indústria
32:58tem capacidade para,
33:00se a gente pegar
33:00a experiência do pré-sal,
33:02foram 15 anos
33:02sem nenhum acidente
33:04de magnitude
33:05que possa demonstrar
33:07que existe risco.
33:08Hoje,
33:09a indústria de óleo e gás
33:10ela é uma indústria
33:12de gestão de risco,
33:13se a gente colocar
33:14no perspectivo mais claro,
33:16a gente está gerenciando
33:17risco todo dia
33:18e mitigando o risco,
33:20inclusive risco exploratório,
33:21porque de cada
33:2210 poços perfurados,
33:25talvez 3
33:25a gente tenha sucesso.
33:26Então,
33:27é uma indústria de risco
33:28e a gente sabe
33:29muito bem fazer isso
33:30e nesses 15 anos
33:31de produção no pré-sal,
33:32por exemplo,
33:33a gente não teve
33:33nenhum fato relevante
33:34que possa justificar,
33:35não,
33:35a indústria não tem capacidade.
33:37A indústria tem,
33:38Petrobras tem,
33:39como uma empresa
33:40que provavelmente
33:41vai ser a operadora
33:42daquelas áreas ali
33:43e a gente tem confiança
33:44que esse debate
33:45tem que vir realmente.
33:47Eu acho que ele está
33:47ficando cada vez
33:48mais maduro.
33:48A gente vê
33:50algumas pessoas,
33:52tanto do executivo,
33:53legislativo,
33:53até do judiciário,
33:54falando a importância
33:55desse tema,
33:55mas é uma decisão
33:56que o país tem que tomar.
33:57A gente vai ajudar
33:58e vai contribuir
33:59na medida que for necessário
34:01para desenvolvimento
34:02daquelas reservas,
34:03mas não tem como dizer
34:04que o país tem que ir
34:05em uma direção ou em outra
34:06porque é uma decisão
34:07do país.
34:08E aí as implicações
34:09que isso traz,
34:10de ir ou não ir em frente.
34:11E o outro argumento
34:13que vocês usam
34:13é que além
34:14dessa questão toda
34:15da produção brasileira,
34:18porque o petróleo
34:20vai ser importante
34:22ainda no médio prazo,
34:25porque não no longo,
34:27e também para financiar
34:29os investimentos
34:30em transição energética.
34:31Sem dúvida,
34:32sem dúvida.
34:33Fundamental.
34:33Deixa eu dar outro dado
34:34que eu acho que é importante,
34:35eu gosto muito de dado.
34:36A gente hoje,
34:37em função da nossa produção,
34:38hoje acho que é
34:38a segunda maior produtora
34:39do país,
34:40a gente está produzindo
34:41mais ou menos
34:41400 mil barris,
34:43que dá mais ou menos
34:44uns 15%
34:45da produção nacional
34:46do país.
34:47Em função disso,
34:48de uma cláusula
34:49muito bem sucedida
34:50que foi introduzida
34:50no passado pela ANP,
34:531% da receita
34:55advinda dessa produção
34:56tem que ser investida
34:57em pesquisa e desenvolvimento.
34:58A gente está falando
34:59mais ou menos
34:59de 500 milhões de reais
35:00por ano.
35:02Então isso tudo
35:03é destinado para
35:04projetos de pesquisa
35:05e desenvolvimento,
35:06feitos aqui no país
35:08para o país,
35:09em comparação
35:09com universidades,
35:11centros de pesquisa.
35:1230% dessa verba
35:14eu já invisto
35:15e com o horizonte
35:16de ampliar isso,
35:17já em projetos
35:18de transição energética.
35:19Então acho que
35:20é uma forma também
35:21de você já ir
35:22realocando,
35:23desenvolvendo projetos,
35:24desenvolvendo tecnologias
35:25novas que vão ajudar
35:26o país
35:27de alguma forma
35:28a ser mais competitivo
35:29nessa transição energética.
35:31Então é...
35:32Mas essa cláusula
35:33de novo,
35:33ela está conectada
35:34à produção de óleo e gás.
35:35A partir do momento
35:36que eu declino,
35:37existe um declínio,
35:38essa cláusula vai tendo
35:39menos recursos,
35:40eu vou destinando
35:40menos recursos
35:41para essa rubrica.
35:44Então é...
35:45Acho que é um pouco
35:46do contexto
35:48o hábito
35:49que a gente vê
35:51para essa questão.
35:53Está sendo um debate
35:54simples,
35:54não tem certo
35:56e errado,
35:57é o que...
35:58É os prós e contras.
35:59É uma questão
36:01de você...
36:02De pesar,
36:04o que é melhor
36:06para o país.
36:06Exatamente.
36:07E aqui,
36:08o lado da Shell.
36:11Eu queria agradecer
36:12Flávio Rodrigues,
36:13muito obrigado,
36:14estamos concluindo aqui
36:15o nosso papo de valor.
36:16Obrigado pela contribuição,
36:19acho que o setor de energia
36:22é um setor muito importante
36:23para o mundo,
36:25acho ou não?
36:26É um setor essencial
36:28para o mundo.
36:28o Brasil tem
36:29um enorme potencial
36:31para ser um fornecedor
36:32de energia
36:33para o mundo,
36:34uma nova indústria
36:35que pode estar...
36:36Tem tudo
36:37para ser criado aqui,
36:39o Brasil pode ser
36:39um provedor
36:40de energia limpa
36:41para o mundo,
36:42e o Espírito Santo
36:43está muito bem posicionado.
36:45Eu queria agradecer
36:45muito a sua presença aqui,
36:47Flávio Rodrigues,
36:48VP de Relações Corporativas
36:50da Shell no Brasil.
36:52Muito obrigado,
36:52Flávio.
36:53Obrigado, Abdel,
36:54que eu agradeço.
36:56Pouco tempo
36:56para a gente falar
36:57sobre muito conteúdo,
36:59mas a disposição
37:00para qualquer outra conversa
37:01que você queira fazer
37:02mais no futuro.
37:04Eu, às vezes,
37:04uso uma frase
37:05que é interessante,
37:06que é um assunto
37:08extremamente complexo,
37:09a gente está convivendo
37:11com energia
37:11desde quando a gente acorda,
37:13até quando está dormindo,
37:14a gente está convivendo energia,
37:15energia, mas as pessoas
37:16geralmente só lembram
37:17da energia
37:17quando ela está cara
37:18ou quando ela falta,
37:19que são situações
37:20de crise,
37:21são situações muito difíceis.
37:22Então,
37:22acho que o debate
37:23sobre energia
37:24tem que cada vez
37:25surgir mais,
37:26que as pessoas
37:26possam entender
37:27a complexidade
37:28que o sistema
37:29impõe
37:30e as oportunidades.
37:31A gente falou
37:31de uma oportunidade enorme
37:32aqui,
37:33que é a margem equatorial
37:33e que o país
37:34quer fazer
37:35com essa oportunidade.
37:37Obrigado de novo.
37:38Obrigado a você
37:39e obrigado
37:40a quem está nos acompanhando,
37:42mais um Papo de Valor.
37:43Grande abraço
37:44e até a próxima, hein?
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